“No toque sublime de amor, o profeta pintou o paraíso, intenso vermelho que tinge a emoção, tá no meu coração Salgueiro”. Os primeiros versos da cabeça do hino do Salgueiro para o próximo carnaval dão um apanhado da intenção do enredo de valorizar a liberdade de expressão e de enaltecer o carnaval e o samba como grandes referências do imaginário do sambista como ideal de paraíso. O enredo “Delírios de um paraíso vermelho”, desenvolvido pelo estreante na Academia do Samba, o carnavalesco Edson Pereira, pretende mostrar que o paraíso é cada um que constrói o seu. Como o artista mesmo disse em entrevista na final do concurso de samba-enredo da agremiação o objetivo é retirar alguns preconceitos presentes no pensamento do certo e do errado. A partir do respeito, valorizar a liberdade de se expressar.

Por mais um ano à frente da Furiosa, os irmãos Guilherme e Gustavo, tiveram pouco tempo de descanso em relação à final e a semana de gravação. Mas garantiram uma grande apresentação dos ritmistas na faixa da Vermelha e Branca. Mestre Guilherme explicou o que foi preparado para a gravação.

“A gente preparou uma bossa nova, só que como o samba foi escolhido há poucos dias, feriado, não deu tempo de preparar muita coisa, mas a gente sentou, conversou, já tinha algumas coisas em mente que a gente acaba adaptando, mas vamos colocar e ficará boa a gravação, vai ter surpresa aí” , promete Guilherme.

Já o mestre Gustavo falou sobre o trabalho desenvolvido com os ritmistas para que a bateria chegue muito forte para o desfile do próximo carnaval.

“Esse ano a gente resolver diminuir um pouco a bateria, não abrimos vagas, quem teve que sair por conta de trabalho, ou por outros motivos, a gente não abriu vaga. A galera saiu, a gente deixou, e diminuímos a bateria. A gente está 100% com a bateria que desfilamos no carnaval passado. Começamos os ensaios no início de agosto, e a galera já tem um entrosamento muito grande. A gente também está fazendo o trabalho de pegar a galera da mirim. Fizemos um trabalho muito forte de renovação da ala de tarol, com a galera prata da casa mesmo. Os ensaios acontecem toda a quinta e galera tem comparecido desde antes da escolha do samba”, conta mestre Gustavo.

Com o desafio de comandar o microfone oficial do Salgueiro sozinho em 2023 devido aos problemas de saúde de Quinho, Emerson Dias revelou como foi a preparação para gravar a voz oficial no samba da Academia.

“Eu faço uma preparação especial, faço um trabalho de fono com a Bianca Paes, e a gente deixa a voz aquecida, hoje tradicionalmente a nebulização, o tubo, muito exercício vocal e muito sono, dormi bastante para poder deixar tudo bem tranquilo para poder botar a voz bem”, revela Emerson.

Intérprete Emerson Dias, do Salgueiro. Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

O samba tem a autoria de Moisés Santiago, Líbero, Serginho do Porto, Celino Dias, Aldir Senna, Orlando Ambrósio, Gilmar L Silva e Marquinho Bombeiro. O intérprete Emerson Dias também comentou o desafio de equalizar emoção e técnica em uma faixa que representa o samba da escola não só para a torcida vermelha e branca, mas para um público que nem sempre acompanha o carnaval o ano inteiro.

“Eu acho que tem que ter os dois (técnica e emoção). No meu caso são os dois juntos. Quando a gente consegue alinhar essas duas questões, a equalização fica perfeita”, acredita o cantor.

O arranjador da faixa, o maestro Jorge Cardoso explicou como desenvolveu o trabalho para a obra que vai embalar o carnaval do Salgueiro em 2023.

“O samba do Salgueiro é um samba de fácil condução, nele vão ser utilizados os instrumentos normais e tradicionais da escola, não vai ter nenhum instrumento especial para o arranjo, até porque é um samba fluído, ele deixa tocar, ele leva, um samba de fácil execução. Quando um samba é muito redondo, muito certo, é um samba que a gente não precisa exagerar em nada, não precisar colocar muitos comentários no arranjo, você tem que deixar o samba fluir. Eu acho que com esse samba o Salgueiro vai impor a marca, o jeito dele de desfilar. Está muito a cara da escola, a letra, tem muito a ver com a história deles, eu acho que vai ter um bom resultado na Avenida”, espera Jorge Cardoso.

Diretor musical Alemão do Cavaco fala sobre ajustes na obra

Estreante na academia para o trabalho do carnaval 2023, o diretor musical Alemão do Cavaco, também presente na gravação da escola, explicou sobre algumas pequenas mudanças que a escola fez no samba em relação a letra e melodia.

“Eu não votei na disputa do Salgueiro e eu não escolhi o samba. A diretoria escolheu o samba e deu na minha mão para que fossem feitos alguns ajustes. Foram uns pequenos ajustes, sempre pensando no melhor para a escola, na condição de você desfilar em seu máximo, adequando ao DNA, a cara da bateria, andamento, sempre me preocupo muito em relação a isso. Esses ajustes melhoraram alguma coisas e para que pudéssemos atingir o máximo de tudo, de melodia, de letra, tudo no contexto do enredo, a gente está bem feliz com o resultado. Ficou bem funcional para a gente”, entende o profissional.

Alemão do Cavaco, diretor musical do Salgueiro

Alemão explicou que para a faixa, o arranjo é mais comercial, de estúdio, que facilita o entendimento de letra e melodia da obra. Para o desfile, a escola vai preparar outros artifícios e vai dar a roupagem mais adequada ao trabalho de Sapucaí.

“Como o disco é um disco padrão, os mestres fizeram algumas assinaturas de bossas, e coisas em cima disso. O arranjo é um arranjo da Liesa, não é o meu arranjo, é o arranjo do Jorge Cardoso, ficou um arranjo comercial, bacana, porque é um produto comercial que vai para a rua. O outro produto é o arranjo que eu vou fazer para a Avenida, é um outro impacto, são as surpresas, impacto com bateria, um arranjo de show que é totalmente diferente de disco”, esclarece Alemão.

Em 2023, o Salgueiro será a quinta escola a pisar na Sapucaí na primeira noite de desfiles do Grupo Especial.