
A venda de ingressos para os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o Carnaval 2027 passou por mais uma etapa, mas, para uma parcela do público, a sensação deixada foi menos de garantia de acesso à Sapucaí e mais de frustração. A terceira etapa colocou à venda, na última segunda-feira, arquibancadas especiais e cadeiras individuais, mas as dúvidas que surgiram nas redes sociais são enormes: quantos ingressos realmente chegam ao público geral, por que eles desaparecem tão rapidamente e o que, de fato, está disponível quando a fila virtual é liberada? O problema é que, para quem está do outro lado, o sambista, a experiência nem sempre parece tão simples quanto é divulgada pela Ticketmaster, empresa responsável pela comercialização dos bilhetes.
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Danielle Assis, @inadassis_assis, foi uma das sambistas que questionou o processo em publicação no X (antigo Twitter). “Ontem entrei às 19 horas no Ticketmaster e não consegui comprar os ingressos. Desde 2011 sempre comprei meus ingressos. Esse será o primeiro Carnaval desde a data em que não vou conseguir assistir na Sapucaí. Que falta de organização @RioCarnaval.”
Outra reclamação veio de @luc4s_sg. “Todo ano o @Ticketmaster oferecendo esse serviço de merd4 na compra dos ingressos do Carnaval. E isso é culpa da @RioCarnaval. Ridículo o dia de ontem. Os sambistas fora do Carnaval enquanto isso sites vendendo os setores ‘esgotados’ por milhões de reais. QUE FALTA DE RESPEITO.”
O calendário de vendas do Carnaval 2027 começou ainda no primeiro semestre. Em março, a Liesa comercializou o Passaporte Rio Carnaval, que dava acesso aos três dias de desfiles competitivos. Depois veio o Ingresso Sambista, também com quantidade limitada. A terceira etapa foi destinada à venda tradicional das arquibancadas e cadeiras.
O problema está na percepção de transparência. O consumidor sabe quanto custa o ingresso, sabe onde comprar e sabe que existe uma quantidade limitada. Mas não tem, antes de entrar na fila, uma informação clara sobre quantos lugares efetivamente estão disponíveis por setor e por dia naquela etapa.
Liesa: venda é feita em ambiente de alta demanda
A Liesa sustenta que o processo ocorre dentro de um modelo de alta procura e com estoque limitado. A própria Liga já explicou, em vendas anteriores, que a fila virtual é utilizada para organizar o enorme volume de acessos e impedir compras automatizadas por bots e outros mecanismos. A Ticketmaster também esclarece que os ingressos somente ficam efetivamente reservados após a confirmação da seleção pelo comprador.
O debate não é apenas sobre conseguir ou não conseguir comprar. É sobre como o Carnaval do Rio quer se relacionar com o seu público. O sambista que pretende assistir ao desfile precisa passar por diferentes janelas de comercialização, acompanhar pré-vendas, entender modalidades específicas e disputar um lugar em uma fila virtual sem saber exatamente qual será a oferta encontrada quando finalmente chegar sua vez.
O que o público quer é previsibilidade. Quer saber quantos ingressos estão sendo disponibilizados em cada etapa, quais setores ainda possuem lugares, quantos foram destinados às modalidades anteriores e qual é a expectativa real de disponibilidade quando começa a venda geral.
O torcedor não pode sair de uma fila virtual sem ingresso e simplesmente ouvir que “a demanda era muito grande”. Isso explica o fenômeno, mas não necessariamente resolve a experiência do consumidor. A Liesa tem avançado em tecnologia, segurança e organização das vendas. A própria entidade já adotou medidas para combater fraudes e inconsistências cadastrais em outras modalidades de comercialização. Agora, o próximo passo deveria ser justamente a transparência da oferta.
A Liga emitiu um comunicado sobre a venda de ingressos. Veja abaixo na íntegra.
“A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) acompanha nesta terça-feira, 11, as manifestações do público em relação à venda geral de ingressos para 2027. Diante das dificuldades relatadas por foliões quanto ao processo de compra, a Liga prontamente solicitou à Ticketmaster, operadora contratada para a comercialização, um relatório completo sobre o funcionamento da plataforma durante a venda. O objetivo é apresentar ao público a transparência, a seriedade e o compromisso que os apaixonados pelo maior espetáculo da Terra merecem.
Em paralelo à solicitação do relatório, será conduzida, como em todas as etapas de venda, uma verificação das vendas realizadas. São analisados os limites de aquisição por CPF e o caráter nominal e intransferível dos ingressos. Pedidos que não atendem aos critérios são cancelados, e os ingressos correspondentes retornam à comercialização — conforme aconteceu no ano passado, em outubro.
Ao mesmo tempo, a Liesa conduz uma busca ativa por sites de revenda, bem como perfis em redes sociais, que oferecem ingressos para a Sapucaí por preços superiores aos comercializados pela Liga. Esses casos, assim que identificados pela equipe ou reportados por usuários, são levados ao conhecimento da Ticketmaster para cancelamento das entradas.
A Liesa reforça ainda que novas etapas de venda estão previstas para esta temporada, incluindo frisas e arquibancadas populares, com datas a serem anunciadas em breve. Outras duas etapas já foram realizadas, com as vendas do Passaporte (para os três dias de desfiles competitivos) e do Ingresso Sambista (com escolha livre da data pelo folião).
Consciente da importância do espetáculo para o público carioca e brasileiro, a Liesa acolhe a frustração de quem não conseguiu garantir os ingressos. Seguimos trabalhando para que o acesso à Sapucaí seja o mais amplo e transparente possível”.









