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‘Uma nova Tucuruvi!’ Comunidade da Cantareira se mostra empenhada para conquistar sua estrela

Treino em quadra comprova empolgação com um dos melhores sambas para 2024

Por Gustavo Lima e Will Ferreira

O Acadêmicos do Tucuruvi deu sequência aos seus ensaios de quadra, na noite do último domingo, visando o próximo carnaval. O treino, que não teve o contingente costumeiro, foi marcado pelo empenho da comunidade. O samba do ‘Zaca’ é um dos mais aclamados para 2024, mas havia um certo receio pensando no canto dos componentes. Isso devido ao fato da forte presença de palavras de matriz africana. Porém, é nítido o esforço dos desfilantes em querer aprender cada vez mais. Além do canto, o time de harmonia colocou a escola para evoluir ao entorno da quadra. Baianas, velha-guarda, passistas, malandros e outras alas da Cantareira participaram ativamente. Para 2024 a escola irá levar o enredo “Ifá”, com assinatura dos carnavalescos Dione Leite e Yago Duarte, fechando os desfiles do Grupo Especial.

Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Trabalho com a comunidade

A diretora de harmonia, Fabiana Lopes, agora assume sozinha o cargo. A profissional se diz contente com o trabalho que vem sendo feito. “Olha, nós já estamos com 80% da escola fechada de componentes. Todo mundo que está aqui está cantando o nosso samba. Estou muito contente e muito feliz. Não tem nada que seja possível apontar pensando em grandes melhorias. O pessoal demorou para chegar hoje, mas já está chegando. Já estamos encaixando o pessoal nas alas, está quase tudo certo para o Carnaval 2024”, declarou.

Fabiana disse que o componente pode levar a agremiação ao inédito título. “O grande trunfo da nossa escola é o nosso componente, a nossa comunidade. Eles estão muito felizes e contentes. Eles estão com garra e com vontade de ser campeão”, concluiu.

Empenho coletivo

O mestre Serginho, que atingiu nota máxima no último carnaval, contou que mudou tudo na questão rítmica devido à nova proposta de enredo e samba. O músico também falou da importância e responsabilidade que é fechar o carnaval e desfilar depois do Império, exigindo criatividade. “Já mudamos tudo em relação ao ano passado. Já tínhamos a visão na escolha do enredo, já tínhamos a proposta de fazer alguma coisa diferente e mudamos bastante coisa. Trouxemos duas ou três paradinhas que já estão rolando. Quando entramos nessa pegada afro, na verdade, é macumba. E, aqui, é macumba, mesmo. Introduzimos um esquema na bateria que tem alguns toques de macumba. A proposta é bem bacana, mudamos porque fechar o carnaval é algo diferente, o quesito samba-enredo mudou no julgamento, com a introdução do carro de som. Fizemos uma bossa para que a gente utilize a bateria e a ala musical, fortalecendo todos. Bolamos uma paradinha que pega a escola inteira, não só a bateria e a ala musical. Tem muita coisa funcionando, está bem legal. Quando terminou a apuração, nós já sabíamos que seríamos a última em 2024. Não sei se o grande público já sabia, e eu já me perguntei o que faríamos. Como a gente virá depois do Império, temos que fazer um jogo totalmente diferente. Vamos fazer algo criativo com a ala musical, não vamos chutar o pau no andamento e vamos integrar todos. Esse é o nosso maior trunfo esse ano”, disse.

O diretor de bateria afirmou que é uma nova Tucuruvi e que o objetivo é ‘brigar por alguma coisa’. “Estamos fazendo ensaio de canto toda terça-feira, coisa que a escola eu acho que nunca fez. Samba de macumba, enredo de macumba, ensaio de terça-feira, estou pessoalmente toda terça-feira aqui, passo o que vai acontecer, tem toda uma dinâmica e a gente explica tudo e aí todo mundo fica fascinado. É uma nova Tucuruvi, e tem que ser uma nova Tucuruvi para fechar o carnaval e querer brigar por alguma coisa”, completou.

Nova parceria

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luan Caliel e Beatriz Teixeira, são estreantes juntos. O jovem está indo para o seu terceiro carnaval na agremiação, enquanto a porta-bandeira chega no andamento do projeto, o que de certa forma pode atrasar o planejamento. Entretanto, de acordo com a dupla, as coisas estão adiantadas.

“Para 2024, estamos bem adiantados. Pensamos que não iria dar tempo, já que foi muito de supetão, praticamente a quatro meses do carnaval. Mas estamos ensaiando bastante, está tudo encaminhado e sincronizado, estamos quase nos matando e nos xingando do tanto que a gente se vê, mas tudo está dando certo”, disse a porta-bandeira.

“Fizemos uma programação de ensaio neste ano, fechamos alguns dias na semana. Toda quarta-feira a gente se vê em Mauá, já que fica mais perto para nós. Quinzenalmente, aos sábados, a gente ensaia com a Dani Renzo, na Fábrica do Samba; e, aos domingos, uma hora antes de começar o ensaio da escola. É uma rotina de ensaios que pegamos bem forte, em uma parceria nova temos sempre que entrosar e conhecer a pessoa além da dança. Tudo está se encaixando e fluindo, não tem parceira melhor. Quando os dois amam a dança, tudo flui”, completou o mestre-sala.

Danças afro estão sendo estudadas e serão implantadas na coreografia, segundo Beatriz. Já Luan diz que o novo regulamento não teve tantas alterações.

“Estamos estudando um pouco dos movimentos africanos, está sendo bem gostoso se aprofundar nesses ritmos. “Já estamos trabalhando bastante para isso. Vai dar tudo certo e, agora, é só brilhar no dia”, afirmou a porta-bandeira.

“O regulamento novo não mudou tanto assim. Ele acrescentou alguns pontos que alguns casais já colocavam em prática, como a dança no ritmo do samba e o desenho coreográfico da pista – que nós dois já fazíamos e agora está regulamentado. Acredito que não vai atrapalhar tanto a nossa dança, já que estamos acostumados a fazer isso”, explicou o mestre-sala.

Caliel ainda disse ter visto a fantasia de 2024 e está animado. “Já vimos a fantasia, sim! Podem aguardar que vai vir uma porrada”, finalizou.

O intérprete oficial, Hudson Luiz, exaltou a qualidade do samba e o empenho da comunidade, que, segundo ele, não mede esforços para melhorar cada vez mais. “É uma surpresa muito boa. A gente teve uma disputa maravilhosa e escolhemos um samba que a comunidade inteira abraçou. Do primeiro ensaio até esse momento vem cantando com uma vontade muito grande. Muita gente falou em samba difícil, mas a dificuldade está em quem quer ter. está sendo uma evolução muito legal, muitos componentes novos estão surgindo na escola e todos eles com a mesma vontade de cantar para seguir no dia do nosso desfile e buscar o nosso sonho, que é esse título para a Cantareira”, disse.

O cantor mostrou gratidão a toda a comunidade e diretoria da agremiação. O recebimento e carta branca para o trabalho foram levantados por Hudson. “Está sendo uma experiência maravilhosa. A comunidade inteira me abraçou, a diretoria me abraçou, nosso gestor maior, Rodrigo Delduque, me deu carta branca para trabalhar. Quando você tem isso, consegue montar um grande time musical. Estou muito feliz com a possibilidade de executar um grande trabalho, com um grande samba e, principalmente, com uma escola que quer lutar e conquistar um grande sonho e trazer essa estrela tão sonhada”, declarou.

Luiz falou sobre a amizade que vem construindo com o mestre Serginho e a parceria da ‘Bateria do Zaca’ com a ala musical tem dado frutos. “É engraçado que a gente não se conhecia e quando eu vim pra cá, ele falou: ‘negão, eu estou com você’. Tem sido uma parceria de muita amizade e muita proximidade. Mesmo eu estando no Rio, ele me manda mensagem perguntando sobre algumas coisas e eu como sempre procuro ele para perguntar. A gente debate muito para saber qual é o melhor caminho para o samba. Desde a bateria até a parte musical. A gente troca muitas ideias. Parece que a gente trabalha há muitos anos, mas na verdade é uma parceria que vem dando muito certo”, completou.

Análise do samba

Apesar de a quadra não estar com todas as alas neste último ensaio, notou-se que o canto da comunidade é forte. Os componentes entenderam a mensagem de que tem ‘ouro nas mãos’ e precisa transformar isso em realidade. O samba é grandioso e o empenho é digno de reconhecimento. Na largada, por exemplo, a bateria não sobe prontamente. O intérprete Hudson Luiz conduz os componentes a cantarem em uma só voz e, depois de três ou quatro passagens, a batucada entra no ritmo junto com a ala musical.

Vale destacar que a escola vem fazendo frequentemente ensaios de canto, além do ensaio geral. Sem dúvida, isso culmina em um resultado mais positivo do que seria um treino por semana.

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