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Tuiuti celebra sinopse de 2025 e presidente fala: ‘estão dizendo que é top três, um dos melhores enredos do carnaval’

'Nossa escola tem uma tradição em abordar personagens que são marginalizados na nossa história e que merecem a reverência do Sambódromo', disse carnavalesco Jack Vasconcelos

Na última segunda-feira, o Tuiuti reuniu sua comunidade na quadra, durante o tradicional Tutu de Preto Velho, para a leitura da sinopse do enredo “Quem tem medo de Xica Manicongo?”. Com show de diversos dos seus segmentos, a escola acompanhou atenta a leitura feita pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, após a apresentação dos mesmos, que começou após a apresentação do presidente Renato Thor.

Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO

O presidente começou saudando Jack, que era o aniversariante da noite: “Hoje nós estamos aqui para ler a sinopse do nosso enredo, que pela mídia estão dizendo que é top três, é um dos melhores enredos do carnaval. Esse dia de hoje também, dia 13 de maio, é aniversário do nosso carnavalesco Jack Vasconcelos que é o artista, o mentor desse enredo. Queria uma salva de palmas para o Jack Vasconcelos”.

Após a apresentação dos segmentos, Jack assumiu o microfone e o palco para divulgar a sinopse. O carnavalesco começou com uma contextualização sobre o enredo e a personagem:

“Nosso enredo para 2025, a gente já está esperando por ele, já tem um tempinho, a gente já lançou ele naquela festa linda na cidade do Samba, do aniversário da escola, com o título de ‘Quem tem medo de Xica Manicongo?’. É um título provocativo e eu vou só falar rapidinho e muito por alto sobre essa personagem histórica, que é a Xica Manicongo, que é considerada a primeira pessoa trans escravizada no Brasil, que a gente tem registro, e ela tem uma história muito bonita, merece ser enredo de escola de samba, porque ela fala diretamente com o que muita gente passa hoje em dia, com realidades que eram do século 16, 17, 18, 19, 20, e a gente está entrando em outro século com as mesmas questões. E algumas delas, vou fazer um trocadilho infame aqui, travestidas de piada, travestidas de bom humor. E que a gente já deveria ter superado. Nossa escola tem uma tradição em abordar personagens que são marginalizados na nossa história e que merecem a reverência do Sambódromo, que eu acho que é a reverência máxima que um artista, um vulto histórico, um acontecimento, pode ganhar de homenagem no mundo. Porque o que a gente faz, ninguém mais faz em parte nenhuma do mundo. Ninguém faz o que a gente faz. Quando eu digo a gente, eu olho pra todo mundo aqui. Ninguém no mundo faz o que a gente faz. A gente tem que ter um orgulho danado disso!”

Após a leitura, Jack agradeceu a possibilidade de levar o enredo para a avenida, como também a todos os pesquisadores que preservaram os registros sobre Xica, além de agradecer aos juremeiros que ajudaram no caminho espiritual da construção do enredo, e às entidades, além de, claro, a própria Xica:

“É a primeira vez que eu estou tendo a oportunidade de fazer um enredo para falar dos meus. Eu nunca consegui essa oportunidade. Às vezes as pessoas me falam que eu sou a cara do Tuiuti, que aqui é o meu lugar. Eu não duvido, porque quando eu apresentei a Xica Manicongo, que é uma heroína da minha bandeira, que é uma heroína do meu povo, o meu presidente Thor não demorou cinco minutos para abrir um sorriso, dizer que esse era o enredo do Tuiuti, que esse enredo era a cara do que a escola defende, e que ele acreditava e que ele acredita na potência desse discurso, dessa importância, dessa personagem histórica. Não tenho como agradecer, eu acho que nem tão cedo eu vou conseguir agradecer. Mas eu preciso fazer um outro agradecimento aqui. Agradeço a todos, todas e todes os pesquisadores e escritores que se dedicaram ao estudo e lutaram em luta para o não apagamento da memória de Xica Manicongo. Minha gratidão dileta e eterna ao mestre juremeiro Fábio de Cigano que está aqui comigo. Fábio, muito obrigado, eu te amo. Pelo acolhimento, a Mestra Juremeira quimbandeira Dona Maria da Praia e ao Cigano Juremeiro Pierre Santiago pela orientação, aula espiritual e por terem sido pontes para que este enredo pudesse ter sido alimentado por informações que eu não conseguiria encontrar em nenhum escrito dos homens. Ele foi ditado e guiado por quem viveu e fez a história. Por mais que se algum dia eu tenha a dádiva de me encantar e que eu viva por milênios, eu jamais conseguirei pagar por tanta honraria. Muito obrigado às entidades. Muito obrigado à Xica Manicongo, que se comunicou comigo através das entidades e que está muito feliz com essa homenagem, quer muito essa homenagem e eu acho que a gente merece ser portadores dessa missão, porque isso não é só um enredo não gente, é uma missão que a gente ganhou. Vamos levar como a gente sabe fazer, com muito amor, porque a gente não sabe fazer de outro jeito, a gente não sabe fazer pela metade. Muito obrigado gente”.

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