São Jorge com certeza é uma das figuras mais populares da fé no Brasil. Venerado como mártir da fé em Jesus Cristo no catolicismo, é sincretizado com Ogum no candomblé e na umbanda, e de forma especial com Oxóssi no candomblé baiano. A figura do soldado romano que enfrenta o dragão, a quem chamamos de “santo guerreiro” de forma tão especial, traz a muitos brasileiros esse aconchego de fé e perseverança em meio as batalhas da vida, e será sobre esse personagem muito importante da religiosidade brasileira que a Unidos de Bangu irá fazer seu carnaval em 2024, com o enredo “Jorge da Capadócia”, desenvolvido pelo carnavalesco Robson Goulart.

Fotos: Vinícius Lima/Divulgação Bangu

Robson contou que a proposta veio da diretoria da escola, e foi aprovada por ele. Dali, ele foi para a fase de pesquisas, encontrando muito para ser falado sobre o santo e sua história. Porém, haverá o enfoque na parte antes da conversão de São Jorge, afinal ele foi soldado de Roma, onde chegou a ser comandante do exército, sob as ordens do imperador Diocleciano. Depois a escola virá com o sincretismo dele com as religiões de matriz africana.

“Nós fizemos esse diferencial para separar a escola em três setores”.

Durante a pesquisa do enredo, Robson conta que algumas lendas atreladas ao santo chamaram a atenção, mas a lenda ao redor da lua foi muito interessante de ser contada na Sapucaí. É com o sentido que ela tem para os mais antigos que a escola vai passar na avenida.

“Todo mundo fala da lenda da lua, São Jorge mora na lua, no clarão da lua cheia, mas tem o sentido que essa lenda tem para os mais antigos, a crença que eles têm nessa lenda, a crença que eles têm nesse santo, a devoção que eles têm por tudo isso fez um grande diferencial para a gente poder contar uma história bem bacana na Unidos de Bangu”.

Os trunfos da escola para o Carnaval de 2024 serão algumas surpresas, de acordo com Robson, preparadas pelas alas coreografadas e a comissão de frente, que tem como elemento cenográfico para a apresentação: “uma coisa que vai fazer um diferencial, uma coisa bem diferente. Nós partimos esse ano mais um pouco para a grandiosidade do carnaval de Bangu”, garante ele.

Falamos com o carnavalesco também sobre a situação de trabalho na Série Ouro, mais precária em comparação com o Grupo Especial, e como isso influencia no trabalho de fazer de carnaval para ele e para a escola. Robson contou que apesar da estrutura escassa do barracão, o projeto do carnaval está ficando bem estruturado, bacana, criando um boa expectativa com a escola, na busca por um desfile diferente.

“Nós temos um barracão que é um pouco escasso de estrutura, de espaço, de tamanho, de altura, então a gente nunca tem uma visão completa de como vai ficar o carro, só mesmo na avenida que fica montado”.

Sobre a questão do barracão ele ainda continuou falando sobre a situação em dias de chuva, dias em que os barracões da Série Ouro em geral sofrem um pouco mais. No caso da Bangu a questão é com as esculturas:

“Quando cai essa chuva forte fica um pouco escasso o espaço aqui para trabalho. Mas, graças a Deus, de danificar não danificou nada, aqui não alaga, graças a Deus, é menos mal. É só mesmo umas goteiras que caem do telhado, a gente cobre as esculturas para não danificar nada e a gente vai levando, que o negócio tem que ficar pronto”.

Robson descreveu, entretanto, o prazer de fazer carnaval na Unidos de Bangu pelo segundo ano, especialmente pelo apoio que tem da escola para realização do desfile, seja da diretoria ou da comunidade em si.

“Para mim é muito prazeroso mesmo estar fazendo carnaval na Unidos de Bangu, na Série Ouro, estar ali entre grandes escolas que já foram do Grupo Especial, é um grande desafio para mim”, finalizou ele.

Conheça o desfile da Unidos de Bangu

Em 2024, a Unidos de Bangu vem com 1.800 componentes, mais três alegorias e um tripé. Com carros coreografados, e três das alas também coreografadas. A Vermelho e Branco de Bangu será a sétima escola do segundo dia de desfiles da Série Ouro. Assim Robson Goulart detalhou o desfile da escola ao CARNAVALESCO:

Setor 1: “O nosso primeiro setor a gente começa desde a comissão de frente até mais ou menos a sexta, sétima ala. A gente começa falando de Jorge. Não Jorge santo, o Jorge soldado, o Jorge que se torna comandante do exército, Jorge que é obrigado a seguir as ordens do rei Diocleciano e a partir daí a gente começa a partir para o martírio que ele sofre ainda no exército, mas sobre alguns martírios. O rei desafia ele de diversas formas e em todas elas, ele sobrevive”.

Setor 2: “Aí que ele se torna santo, onde começa o nosso segundo setor, que é o setor religioso do cristianismo, a gente fala do santo São Jorge. Ele vem como santo, onde faremos uma grande alvorada em homenagem ao santo, onde vamos mostrar os devotos de São Jorge, os milagres que ele proporcionou para algumas pessoas naquela época da Capadócia. A gente fala dos santinhos, fitas, lembranças, dos festejos. Mais a parte mesmo do catolicismo”.

Setor 3: “E a gente finaliza o terceiro setor com São Jorge sincretizado na umbanda e candomblé, que é Ogum, que é Oxóssi. Festejos de feijoada, muita cerveja, os devotos do candomblé, devotos da Igreja Católica, todos em uma grande festa em homenagem ao santo guerreiro”.