
A Estácio de Sá realizou, na última sexta-feira, mais um corte das eliminatórias para a escolha do samba-enredo para o Carnaval 2027. Oito parcerias se apresentaram em uma boa noite de exibições, e seis seguem para a semifinal. Os sambas de Gabriel Machado e J. Batista foram eliminados. Segue a análise do CARNAVALESCO sobre as apresentações dos sambas classificados.
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Parceria de Claudinho Raiz: o samba de Claudinho Raiz, Fernandão, Niquinho Azevedo, Nego Wando, Sérgio das Mercês, Cecília das Mercês, Emanuel Apoteose, Berg Responsa, Irani Montenegro, Guarda Kuhn, Crenilda de Castro, Gabriel Amaral, Marvel Balassiano, Claudinho do Pagode e Anderson Benson teve Ito Melodia e Wic Tavares como intérpretes. A empolgação começou com as belas duas primeiras passagens e contagiou bastante no refrão central do samba: “Quem vem lá? É a Estácio de Sá. Deixa falar, a inspiração. Sou raiz, comunidade, tenho um leão tatuado em meu coração. Berço do samba embala a minha emoção”. Na melodia, mostrou pouca variação na segunda parte, apesar de a primeira se sustentar muito bem com versos como “as damas da noite enamorei à luz da lua, encontrei novas moradas e o batuque continua”. No final, o samba empolgou a ponto de Ito descer do palco, ir para a torcida e cantar o desfecho da obra. O samba passou bem do início ao fim.
Parceria de Alexandre Naval: o samba de Alexandre Naval, Daniel Gonzaga, Marlene Povão, Clairton Fonseca, Marquinho Paloma, Ricardo Construção, Hugo Fiscal, André Alho, Jeferson do Estácio, Guga Martins e Ailson Picanço teve, no início de sua apresentação, problemas no microfone de seu intérprete, Pitty de Menezes, mas que foram resolvidos rapidamente, permitindo a continuidade da apresentação. A primeira parte da obra mostrou boa qualidade, com variações melódicas, como no trecho “um ponto firmado, cantado, pra um orixá… samba de sambar, um preto vencendo no asfalto não dá pra parar… deixa falar”. A segunda parte se mostrou bem mais curta do que a primeira, mas conseguiu combinar a melodia com a poética que precisava apresentar, como no trecho “pedi ao céu pra colorir, estrelas vermelhas brilhando no alto do morro”. O refrão central empolgou com uma letra aguerrida e de muita força: “Nasci pra vencer demanda nesse chão que me criou, celeiro de bambas, meu grande amor. Oh, São Jorge padroeiro, vem trazendo todo orun, chegou o berço do samba, não é qualquer um”.
Parceria de Diego Nogueira: o samba de Diego Nogueira, Batista Coqueiral, Júlio Page, Luciano Fogaça, Cecília Cruz, Osmar Fernandes, Juninho do Estácio, Cláudio Altamirano, Rian Rodrigues, Argentina Caetano, Paulinho ZC, Max Toledo, Gilsinho da Vila, Vânia Moraes, Rafael Almada, Leandro Netto e Danielzinho teve excelente atuação de seu intérprete, Dowglas Diniz, que mostrou empolgação do começo ao fim da obra. A composição apresentou melodias bastante funcionais e também convencionais, além de momentos bastante interessantes, como, por exemplo, na subida para o refrão central: “Quem vem lá, quem vem lá? Um pavão tão lindo e a Estação Primeira vem de lá, vem de lá, Paulo da Portela e a vizinha faladeira”. A letra conseguiu mostrar características mais descritivas do que poéticas, como nos trechos “olha a Estácio chegando, deixa explodir a emoção, canta estaciano, de Bicho Novo a Marlene Pavão”. O refrão principal, “sou Estácio de Sá, do santo guerreiro, cria do São Carlos, cria de terreiro, quilombo maior, igual ninguém viu, primeira escola do nosso Brasil”, passou bem do início ao fim.
Parceria de Claudio Russo: o samba de Claudio Russo, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Thiago Daniel, Magrão do Estácio, Adolpho Konder, Laura Romero, Binho Teixeira, Juliana Madi, Tinga, Hugo Bruno e Marquinhos Beija-Flor foi defendido pelos intérpretes Tinga e Wandinho Pires, que demonstraram pujança e empolgação durante as passadas. O refrão principal, “deixa falar quem quiser, deixa falar ancestral, sou a primeira, acabou, ponto final, é centenário o maior dos sentimentos, eu sou Estácio antes do meu nascimento”, conseguiu unir uma letra de fácil assimilação com uma melodia que impulsiona a obra. A primeira parte relata o surgimento da escola e apresenta excelente fluência melódica. Já a segunda parte também é muito consistente, com versos bem construídos, como “a voz de um pássaro cantor e um Bicho Novo bailando sutil”, que faz referência ao célebre mestre-sala e um dos fundadores da então Unidos de São Carlos.
Parceria de Samir Trindade: a obra de Samir Trindade, Jeiffer, Deiny, Deco, Victor Rangel, JP Figueira, Ricardo Castanheira e Gabriel Aganett teve como puxadores Marquinhos Art Samba e Tiganá. A obra se mostrou bastante eficiente em termos de rendimento, impulsionada por uma letra bastante narrativa na primeira parte, culminando em seu excelente refrão central: “mãe baiana iluminada, hoje eu sou o teu espelho, quem tem capa encarnada tem sangue branco e vermelho”. A segunda parte é mais emotiva, funcionando como uma declaração de amor à centenária agremiação. A melodia apresentou lirismo e conseguiu embalar perfeitamente o samba, sem perder a força durante a apresentação, tendo como destaque os versos “me perdoe se eu chorar, te amo tanto, me coloco aos seus pés, sigo teu manto”. Foi uma boa apresentação de um samba muito bonito.
Parceria de China do Estácio: a obra de China do Estácio, Filipe Medrado, Cláudio Mattos, Oliveira, Jonathan Tenório, Herval Neto, Kaê Destri, Marcelo Maguila e Grassano teve como intérpretes Vitor Cunha e Wantuir. É um samba construído em um tom maior, apesar de apresentar algumas variações melódicas. Com uma bela letra, sustentada por um refrão principal poético, a obra passou muito bem durante a apresentação, com os versos “quem deixa falar a voz do coração, faz do samba procissão no axé do terreiro, se for matar-me de amor, deve lembrar que eu sou Estácio, filho de Jorge Guerreiro”. A poesia está presente em grande parte da composição, contribuindo para a narrativa. Já a segunda parte se mostrou um pouco menos criativa, mas isso não comprometeu o bom desempenho da obra durante a apresentação.









