A comunidade da Tom Maior está em estado de graça. O público que compareceu na Festa do Lançamento dos Sambas-Enredo do Carnaval 2024, em dezembro, apreciou o canto forte do aclamado samba da escola, que se encontra em um grau de organização e comprometimento elevado que é notável ao longo do ano desde o anúncio do enredo, passando pela realização do sonho de enfim terem a própria quadra. Para compreender a motivação por trás da fase tão positiva a nível de competição da Tom Maior, o site CARNAVALESCO conversou com Bruno Freitas, um dos membros da direção de carnaval da escola, que explicou como vem sendo feito esse trabalho.

“É aquela linha que a gente segue desde a ‘Imperatriz’. Acho que teve um hiato talvez inesperado em 2019, mas a gente está competitivo desde então. Passamos pelo ‘Coisa de Preto’ como oitavo lugar, aí você vem e bate na trave com o ‘Pequeno Príncipe’. Fizemos um baita desfile no ‘Mães Pretas’ que por um detalhe não fomos para as campeãs, então é aquilo, uma hora a gente sabe que essa estrela vem e a comunidade está acompanhando isso. Eles estão comprando a ideia do brincar o carnaval, do se divertir, do cantar, dançar e pular mais em prol de um campeonato. E eu acho que o fator quadra porque nós não trouxemos ala nova, nós não trocamos de ala. A gente continua mandando ônibus para o interior, para o litoral e para bairros de São Paulo espalhados, mas eu acho que o cara, quando ele entrou naquela quadra e viu uma quadra em vermelho e amarelo, o espaço dele, deu um brilho e falou: ‘É possível’. É uma comunidade que reformou uma quadra em duas semanas, e se a comunidade faz isso, se a comunidade faz a festa de 50 anos como fez, que é a maior da história da Tom, dá para acreditar num título”, declarou o diretor.

Um dos quesitos o qual ao longo dos últimos anos vem sendo motivo de segurança para a Tom Maior é o samba-enredo. Desde 2018, quando a escola obteve o melhor resultado de sua história com um quarto lugar empatado com a campeã, a Vermelho e Amarelo entrou em uma fase de definir sambas de alto nível que dá gosto aos sambistas de apreciar. Para Bruno Freitas, os bons sambas escolhidos são fruto das boas escolhas de enredo que ocorreram desde então.

“Sem dúvida, e acho que até vou dar um passinho antes. Acho que os enredos também porque um bom enredo vai atrair um bom samba e a gente tem conseguido. Por anos, foi junto com o Judson, que infelizmente deu essa saída no último carnaval, mas agora eu junto com o Flávio também, que já estávamos há alguns carnavais. Saindo com um bom enredo a gente sabe que vai sair coisa muito boa, e a gente tinha seis, sete opções de sambas, cada um à sua característica, que poderiam ir para a Avenida e fazer esse sacode como esse samba está fazendo. É uma sequência desde Imperatriz como eu falei antes, e acho que o repertório está ficando grande, ficando extenso”, afirmou.

Felicidade de ter a própria casa

Dentre as várias conquistas ao longo do ciclo para o carnaval de 2024, a maior obtida pela Tom Maior certamente foi ter enfim a própria casa após tantos anos sonhando. Mestre Carlão, presidente da escola, resumiu o sentimento da comunidade desde a inauguração da quadra em setembro.

“A comunidade está muito feliz. Eles estão se sentindo valorizados em uma situação que nós não tivemos em 50 anos, por mais que todos os ex-presidentes lutassem pra caramba e hoje, graças a Deus, nós conseguimos. Eu, nossa diretoria toda, a escola conseguiu e estão muito felizes. O resultado é esse a, uma escola que briga e que está feliz”, disse o presidente.

Mestre Carlão acredita que os efeitos de ter a quadra própria são notáveis desde então, em especial com relação a motivação dos componentes.

“Com certeza. É a mesma coisa que um trabalhador que vai depois do serviço e não tem um lugar para tomar um bom banho, uma cama pra dormir. O sambista quer a casa dele. O sambista quer a parede com a cor dele, vermelho e amarelo no caso da Tom Maior. Nós nunca tivemos isso e hoje nós temos, graças a Deus”, celebrou.

O presidente segue para 2024 conciliando também o posto de mestre da bateria “Tom 30”, e garante que a preparação para o desfile conta com elementos relacionados ao enredo da escola.

“Nossa bateria é uma bateria que mantém um padrão há muitos anos, e com certeza a gente vai fazer um trabalho já a partir da introdução para valorizar e homenagear os povos originários”, afirmou.