Parecia que tudo foi preparado para a Rosas de Ouro apresentar um grande carnaval na segunda noite de desfiles do Grupo Especial. Com direito ao céu nas cores azul e rosa da escola, em pleno amanhecer, a escola fez um desfile marcante, com vários momentos que levantaram o público. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma apresentação induzida pela ambientação digna de um conto de fadas e saiu satisfeito da avenida. O dançarino Everson Sena exaltou tudo que viu da escola, além de avaliar seu desempenho.

“Achei a escola muito linda. Geralmente não gosto de ver os carros antes. Gosto de ter essa surpresa que o público tem. E assim pelo que eu vi está tudo muito maravilhoso, e a Rosas tem muito potencial para ganhar o título, nós demos o nosso melhor. Passamos muito tranquilo. Muito bem, calmo, e tenho fé que vai vir um resultado positivo. Nossa dança fluiu. A gente tem uma frase que é muito forte ‘entenda que o samba tem o dom de curar’, e realmente tem o dom de curar, porque foram dois anos sufocados e hoje estamos aqui, vivos, com muita força de vontade, e alegria”, disse o mestre-sala.

A porta-bandeira Isabel Casagrande também falou sobre a sensação que teve com a apresentação que realizou. “Foi tudo lindo, como a gente esperava. Foi o carnaval das nossas vidas. Dois anos esperando para esse momento e deu certo. Entramos nessa positividade, felicidade, então não poderia ser diferente. Todo esse alto astral e positividade, amor ao pavilhão, todo esforço influencia”, declarou a dançarina.

Um dos maiores nomes do samba paulistano, o intérprete Royce do Cavaco fez uma breve análise do desfile da Roseira e do samba na avenida. “Obviamente não tenho o campo de visão amplo para saber como os outros setores se comportaram. Mas eu acredito pelo que eu vi pelo comentário, a escola fez um desfile competente, técnico, e o samba, o tema, pelo jeito caiu na graça de todo mundo. E isso favorece bastante, a escola desfilou alegre, leve. As alegorias estavam perfeitas, agora espero lutar pelo título, que o Rosas esteja na briga pelo título, vamos aguardar”, avaliou.

Royce aproveitou para explicar como o conjunto da obra do samba conseguiu rendimento tão expressivo na avenida. “Modéstia à parte são vários momentos. A entradinha por exemplo ‘A bênção, meu velho. Meu velho, Obaluaê’. ‘Coro do tambor, coração xamã’, o refrão do meio, e a parte do ‘o povo cantando em oração, a alma e o brilho no olhar, entenda que o samba também tem o dom de curar’, e o refrão ‘vem celebrar, tem festa no terreiro’, tem vários pontos altos no samba”, explicou.

Comandante da Batucada D’ Responsa, o Mestre Rafael Oliveira não escondeu a satisfação com o desempenho dos ritmistas da escola. “Gostei muito. Entreguei o que tinha que entregar, nossa bateria, nossos ritmistas amamos o que entregamos. E é isso. Nosso sacude, não sei se foi para o outros, mas para nós foi. A escola está contente, nós também, essa é a análise”, comentou.

Questionado se o canto forte da comunidade estimula a bateria a ser mais ousada no desfile, Rafael puxou a carga da tese também para si mesmo. “Anima eu que sou meio metido a besta. Empolga também, é muito legal você receber a troca de energia. Com certeza anima, empolga e em certas ocasiões precisa tomar cuidado para não fazer coisa demais. É que a gente já é demais, e não tem como controlar, então nós é demais e é a mais mesmo”, concluiu.

Um dos diretores de carnaval, Evandro Rosas ficou muito contente com o desempenho da Roseira. “Foi muito melhor do que a gente esperava. A energia, a escola veio redondinha. Com harmonia, evolução, esse ano acho que entregamos um espetáculo maravilhoso em questão visual. Tudo juntando com o samba criou aquela atmosfera e a escola deslizou na pista, o resultado para a gente, pelo menos aqui, é bom, vamos ver o que vem ai na terça-feira. O samba tem o dom de curar, e a Rosas de Ouro também, acho que essa junção não tem igual, curou todos nossos males nesses dois anos sem carnaval”.

Um momento guardado a sete chaves que surpreendeu o público e foi ovacionado foi uma encenação no último carro da escola. Nele, o ator Renan Lima interpretou o presidente da República Jair Bolsonaro passando por uma metamorfose e se tornando um jacaré, ao receber uma vacina de uma enfermeira Drag Queen. A polêmica declaração do chefe do Executivo pode ter ocorrido já há certo tempo, mas a encenação bem-humorada foi reconhecida e o público respondeu de forma positiva. O artista também deixou sua palavra sobre o desempenho da Rosas de Ouro. “Foi incrível. Um trabalho desses dois anos que todas as escolas fizeram nesses anos parados, mas coroar com esse desfile foi sensacional. E minha participação no desfile foi muito legal devido a reação da arquibancada. O Bolsonaro era vacinado e virava um Jacaré, a arquibancada ia a loucura, a arquibancada inteira cantando ‘Fora Bolsonaro’, então realmente foi a resposta do público foi incrível”, exaltou.

Renan também falou sobre a surpresa do público ao ver a cena. “Nosso enredo com a cura, como o último setor era a ciência, não tinha como não falar sobre a vacina. Então calhou, por mais que o Jacaré tenha ficado um pouquinho para trás, resolvemos pegar esse link e o pessoal reviveu, foi muito bom”.

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