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Pressão da comunidade! ‘Chão da Portela’ é destaque em ensaio técnico vibrante da Águia de Oswaldo Cruz e Madureira

A Portela deu início ao seu ensaio técnico na Marquês de Sapucaí às 22h30 de domingo, mostrando toda a potência de sua comunidade aguerrida. O destaque do treino ficou por conta chão e do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre. No ano do seu centenário, a Majestade do Samba levará para a avenida o enredo: “O azul que vem do infinito”. A escola será a segunda a desfilar na segunda noite do Grupo Especial. * VEJA AQUI GALERIA DE FOTOS DO ENSAIO

“O balanço é extremamente positivo. Como eu já disse no começo, nós iríamos trabalhar para apresentar nossa gente, nosso canto, alegria, nossa garra, a bateria. E nós conseguimos cumprir com o objetivo no ensaio de hoje. Tivemos um bom entrosamento entre carro de som e bateria, tivemos chão e uma boa evolução também. Assim, eu vejo que saímos do ensaio de hoje entendendo que estamos na briga para disputar mais um carnaval. Somos uma escola que está muito ligada com a sua gente, hoje em dia mais de 80% dos componentes são da nossa comunidade. Aqui, vale destacar que não necessariamente pessoas que moram em Oswaldo Cruz e Madureira, porque temos muitos portelenses que são de outros lugares”, comentou Fábio Pavão, o presidente da Majestade do Samba.

Harmonia

Os componentes da Portela cantaram o samba-enredo com força e emoção, desde o início do ensaio. As alas ‘Memórias de um sargento de milícias’ e ‘Brasil glorioso’ foram duas das que mais entoaram o samba. A intensidade do canto da azul e branco de Madureira chamou atenção, mostrando na pista a garra e o chão que a sua comunidade possui. Inclusive, as alas coreografadas também reforçaram o canto, não deixando o volume diminuir em momento algum.

“Eu gostei muito! Até onde pude ver, a escola cantou bastante. Vi as pessoas muito felizes e sorridentes, o que é o mais importante. A escola passou bem e muito vibrante. Acho que os ajustes agora são apenas o que faremos na quadra, para entregarmos o máximo no desfile. O entrosamento com a bateria é total. Nós não funcionamos um sem o outro. Temos que estar sempre numa boa sintonia”, afirmou o intérprete Gilsinho.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre, fez uma brilhante apresentação na avenida. Eles levaram cerca de 2’12” para concluirem a coreografia em frente aos módulos de julgamento. Lucinha vestia uma roupa toda azul, enquanto Marlon utilizava calça azul, camisa branca, com um paletó azul por cima. Os dois esbanjaram graça e elegância durante todo o bailado, encantando o público presente no sambódromo. No trecho final do samba, durante verso “pra chorar de emoção”, Marlon beija a mão de Lucinha em um bonito gesto de carinho. Em seguida, na parte do refrão que diz: “o céu de Madureira é mais bonito”, Lucinha realiza o seu movimento característico ao tremular o tradicional pavilhão da Portela.

“Estamos extremamente felizes, porque estamos tendo a honra de defender esse pavilhão que já ganhou 22 vezes e se Deus quiser agora em 2023 terá 23 títulos. Lucinha está prestes a completar 40 anos de avenida e isso não é para qualquer pessoa. Eu estou indo para o meu 20º ano de mestre sala, portanto, é um ano muito comemorativo, com muita alegria e o ensaio de hoje serviu para mostrar muito amor e alegria pela nossa escola e nosso povo. O ensaio técnico aqui é importante para controlarmos o coração. Fora isso, é bom para ver a força da comunidade. A Portela não tem patrono, não tem um super patrocinador, mas tem gente e tem amor. Nossa gente defende o pavilhão com muita garra e ensaios como o de hoje é importantíssimo para mostrar toda a garra do portelense”, disse o mestre-sala.

“Impressionante que mesmo depois de tanto tempo, a gente ainda se emocione tanto. Chegamos em 2018 com a expectativa de ficarmos dois anos, até que a Portela se encontrasse e buscar uma nova porta-bandeira… mas a nossa comunidade e muitas outras pessoas começaram a demonstrar um carinho muito grande e esse encontro com a Portela é mágico. Hoje é um ensaio de muita alegria, porque não é todo dia que uma escola faz centenário. A escola está se esforçando muito para se manter bem e são muitos problemas que vão sendo resolvidos no dia a dia. Também por isso, o ensaio de hoje se mostra muito positivo e ademais, conseguimos mostrar na nossa dança todo o amor que temos pelo pavilhão. Todo mundo sabe que nós não somos Portela de berço, mas hoje é a nossa escola e somos muito apaixonados. Temos que melhorar o controle da nossa ansiedade. É um ano muito especial, então acaba que ficamos muito ansiosos para fazer o nosso trabalho e isso pode nos atrapalhar. Essa ansiedade também pode ser boa para gente. Nossa ideia é trazer a tradição da dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Até por isso, trouxemos a Amanda e o Caio no começo do desfile. Eles são o casal da Filhos da Águia e entendemos que seja importante trazer para a próxima geração que a Portela é o olho no olho, o sorriso em sintonia, é a mão dada e a gente prioriza uma dança tradicional”, completou a porta-bandeira.

Samba-Enredo

O forte canto da comunidade portelense atesta a funcionalidade do samba-enredo na avenida. As partes “Cavaco e viola…” e “Abre a roda, malandro” foram as mais cantadas durante o ensaio técnico. Vale destacar o excelente trabalho executado pelos integrantes do carro de som, que é mais uma vez muito bem comandado pela voz marcante de Gilsinho. A obra foi composta por Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Edmar Jr, Bira e Marcelao.

Evolução

A evolução da Portela foi correta, sem falhas que pudessem comprometer a fluência ao longo do ensaio técnico. Mérito do trabalho desempenhado pela direção da agremiação. Algumas alas faziam uma coreografia espontânea, baseada na letra do samba. Foi muito bonito ver a emoção e a alegria estampada no rosto dos componentes, que exibiram bastante samba no pé. Tanto a entrada, quanto a saída da bateria do recuo ocorreu sem nenhuma correria ou buraco.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Águia era composta por 15 bailarinos, sendo 10 homens e 5 mulheres. A coreografia realizada pelo grupo trazia, a todo momento, referências presentes na letra do samba. O figurino utilizado era predominantemente branco, com detalhes em azul. Os integrantes se mostraram sincronizados, sem deixarem de cantar o samba. Em certo momento da apresentação, uma das mulheres exibe o pavilhão da Portela no costado da sua roupa. Porém, esse belo efeito nao funcionou durante a apresentação no segundo módulo, pois a roupa dela acabou não abrindo.

Outros Destaques

Tia Surica desfilou em cima do tripé que carregava a águia, o símbolo máximo do escola. O elemento alegórico trazia nas laterais as fotos de grandes baluartes do samba como: Manacéa, Osmar do cavaco, Waldir 59, Tia Doca, Zé Ketti, Chico Santana, Antônio Rufino, Tia Doca… A escola passou extremamente alegre e carnavalizada, com praticamente todas as alas portando algum adereço de mão como bandeiras, balões, fitas, flores, violas de brinquedo e bastões

Os passistas da Portela deram um verdadeiro show de samba no pé. A ala veio com as mulheres todas vestidas de branco, e o homens de azul e branco. As baianas estavam deslumbrantes, de traje dourado e azul, carregando flores brancas nas mãos. Sheron Menezes e Luiza Brunet tambem abrilhantaram o ensaio da Majestade do Samba. No setor final, a escola trouxe uma faixa escrito “Vencemos mesmo marginalizados”.

A Tabajara do Samba de mestre Nilo Sérgio foi mais um ponto alto da apresentação portelense. Duas bossas foram executadas com êxito ao longo da passarela. Pudemos ouvir claramente todos os instrumentos da bateria, que veio utilizando bonés azuis com muito glitter. Exceto o naipe de chocalhos, que desfilou com cartolas nas cores azul e prata. A rainha de bateria, Bianca Monteiro, desfilou ao lado da apresentadora de tevê Adriane Galisteu, que a convite da escola está de volta. Bianca usou uma grandiosa fantasia azul, repleta de penas de faisão. Enquanto Adriana vestia um look preto com varias pedrarias na cor prata.

“Hoje nós viemos ensaiar do jeito que vamos desfilar. Testamos o andamento, vimos se as bossas estavam certinhas e acredito que o ensaio de hoje foi muito bom”, disse o mestre de bateria Nilo. Temos que manter a alegria para o desfile. Hoje passamos com muita animação, mas eu peço para o dia do desfile mais concentração. Para hoje, foi tudo bem entrar um pouco no clima de festa, mas é preciso ter concentração. Por exemplo, no nosso esquenta teve gente passando por total desconcentração e isso no dia que é para valer, simplesmente não pode. Temos que melhorar a concentração. Nossas bossas não são novidades. Estamos trazendo os 100 anos da escola, resolvemos trazer referências de desfiles passados da Portela. Assim, buscamos trazer esse século de existência para dentro da apresentação”, contou mestre Nilo Sérgio.

A Portela esquentou com o samba “Foi um rio que passou em minha vida”, de Paulinho da Viola. A escola prestou uma homenagem a jornalista Glória Maria, que faleceu nessa semana. Em seguida, o carro de som puxou um “parabéns” para o presidente Fábio Pavão, que estava fazendo aniversário. O hino da escola foi cantado momentos antes do treino, que durou 1h13.

Colaboraram Allan Duffes, Isabelly Luz, Lucas Santos, Luisa Alves e Walter Farias

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