
A Praça Onze passará por requalificação urbana, patrimonial e cultural que resgatará o peso histórico da região. Na requalificação, serão levadas em consideração a vida cultural no entorno da Praça Onze e a valorização da Estácio de Sá, considerada o “berço do samba”, que será declarada patrimônio cultural. Em evento realizado na Câmara Municipal, lideranças municipais e vereadores se reuniram para debater, no painel Rio em Tempo Real: Praça Onze Maravilha, as mudanças, como preservar os patrimônios com suas especificidades e defender o protagonismo da população na reforma.
A presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Laura de Blasi, diz que a região “está cercada por áreas de proteção do ambiente cultural, e o IRPH identificou que ali pulsa história e memória da cidade”. Dessa forma, a motivação para a Praça Onze Maravilha seria a reconexão entre os bairros, pois “o viaduto rompeu a conexão, o que é muito comum. Viadutos, linhas férreas dividem a ambiência”, o que é importante no contexto de uma área com proteção patrimonial.
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“O que a gente quer é que a área pulse, que seja requalificada. Não gosto de ‘revitalizada’ porque a região não está morta, ninguém vai ‘reviver’. Ali tem vida, gente morando, crianças, e a gente quer escutar o que aquela população espera, o que falta ali. Porque você anda ali e não vê praça, criança na rua, gente passeando. O Rio de Janeiro é uma cidade ‘da rua’ e a gente não vê isso lá. O que a gente espera é uma requalificação para que o patrimônio seja aflorado, e a gente veja criança na rua, gente passeando por uma área que é tão cercada de patrimônio”, disse.
Ainda segundo a presidente, o IRPH “vai intensificar o circuito Patrimônio Cultural Carioca, das plaquinhas azuis, como identificamos bens e locais de interesse da cidade” e, nesse contexto, está “fazendo um estudo para declarar a primeira escola de samba como patrimônio cultural de natureza imaterial da cidade, a Estácio de Sá, que surgiu da Deixa Falar”, visto que a quadra da Estácio, no Estácio, também é um imóvel tombado.
Prezando a força da cultura do Carnaval, o vereador Wellington Dias defende que o projeto Praça Onze Maravilha “tem que extrair mais, pensando também na não elitização do Carnaval para essas pessoas, da cultura do samba, já que, hoje em dia, ficou caro para essas pessoas frequentarem o Sambódromo. Tem que fazer parte desse debate também um acesso para todos, e não só para a elite do Carnaval”.
Já a vereadora Maisa do MST reforça que “vem construindo uma síntese de que falar sobre cultura, falar sobre patrimônio, falar sobre preservação da memória negra e da sua identidade significa alocar os moradores da região como centrais nesse processo” e afirma que os vereadores têm “participado, através do mandato, das audiências públicas, dos espaços de escuta e diálogo com a população, porque têm muita convicção de que o território da Praça Onze faz parte da história da cidade do Rio de Janeiro, que data do início da República, que tem construções seculares e que são, de fato, a memória da nossa cidade”.
E, para a conservação desses imóveis e patrimônios, Diego Vaz sugere que a conservação da área deve ser feita como nos parques municipais, com “contratos de conservação específicos para essa área e que vão contemplar cada parte específica. Um tipo de pavimentação, um tipo de piso, tipo de pedra portuguesa, a forma que for construída, o tipo de praça que for ali implementada”.

O vereador explica que a medida “deu muito certo nos nossos parques urbanos, dá muito certo com a CCPar, na área do Porto Maravilha. E não há dúvida de que essa é a saída para que a gente mantenha uma conservação nessa área da cidade e também para que a gente possa fazer em outros centros urbanos, em outras áreas da cidade que mereçam a conservação do jeito que a cidade do Rio de Janeiro merece. Eu acho que esse é o caminho que a gente deve seguir para esse projeto”.










