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A União da Ilha do Governador definiu o caminho que pretende trilhar no Carnaval 2027. Apostando na valorização de suas características mais marcantes, como a musicalidade, a carioquice, a afro-brasilidade e a irreverência, a escola levará para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem a um personagem fundamental da cultura brasileira, mas ainda pouco reconhecido pela história oficial: Getúlio Marinho, o “Amor”. A autoria é do carnavalesco Guilherme Estevão.

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Figura central na formação do samba carioca, Getúlio Marinho nasceu na Bahia e foi criado na região conhecida como Pequena África, no Rio de Janeiro. Frequentador dos tradicionais terreiros de Tia Ciata, Bebiana e João Alabá, ele participou diretamente do surgimento dos primeiros acordes do gênero que se tornaria símbolo nacional.

Integrante da primeira geração de bambas da Praça Onze, conviveu com nomes como Donga, João da Baiana e Sinhô. Ao longo da vida, atuou de forma decisiva na organização do carnaval, sendo responsável pela fundação de ranchos, blocos e agremiações, além de ter se destacado como um dos primeiros grandes mestres-sala da história.

Outro marco de sua trajetória foi a criação da União das Escolas de Samba, iniciativa pioneira na estruturação das agremiações carnavalescas. Marinho também inovou no campo musical ao desenvolver o gênero “macumbas” e ao se tornar um dos primeiros artistas a registrar em disco pontos de umbanda e candomblé, ampliando o alcance dessas manifestações religiosas e culturais.

Compositor de marchinhas e referência em diferentes áreas da cultura popular, Getúlio Marinho exerceu forte influência na música, no teatro e até nas manifestações juninas. Admirado por cronistas da época, teve papel relevante na consolidação da indústria fonográfica brasileira, contribuindo para a projeção de diversos artistas negros.

Sua popularidade o transformou em um dos maiores símbolos do carnaval de sua época, chegando a superar a figura do Rei Momo em representatividade popular. Eleito por diversas vezes como “Cidadão-Samba” pelas comunidades dos morros cariocas, consolidou-se como um dos grandes agitadores culturais do Rio de Janeiro na primeira metade do século XX.

Com o enredo, a União da Ilha pretende resgatar e dar visibilidade a essa trajetória, apresentando ao público uma narrativa que destaca a importância de Getúlio Marinho para a construção do samba e do carnaval. O desfile de 2027 promete, assim, unir pesquisa histórica e identidade cultural em uma celebração ao “Amor” que ajudou a moldar a folia carioca.