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Foto: Divulgação/Michele

O intérprete Pixulé, do Paraíso do Tuiuti, destacou a relação histórica entre samba, política e resistência durante a manifestação ‘O samba não se cala’, realizada na tarde desta segunda-feira, nos Arcos da Lapa, no Centro do Rio. Presente no ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cantor afirmou que a defesa da cultura foi uma das principais motivações para sua participação e relacionou a história do samba à luta da população negra contra a perseguição e a discriminação.

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Pixulé também cantou o Hino Nacional durante a mobilização e comentou a emoção de participar do ato. O intérprete demonstrou confiança na reeleição de Lula e brincou com a possibilidade de voltar a cantar o hino na cerimônia de posse presidencial.

“É uma importância muito grande, porque o Lula é um presidente que olha pela cultura, e hoje estou aqui pela cultura. Esse povo todo está aqui hoje em prol do presidente Lula, é pela cultura. A importância é muito grande”, afirmou.

Um dos momentos marcantes da participação do cantor foi a escolha de um trecho do samba-enredo do Paraíso do Tuiuti de 2018 para acompanhar a abertura do Hino Nacional. Pixulé relacionou a mensagem da obra à conjuntura política brasileira e destacou a história de sofrimento da população negra escravizada, presente na composição da escola.

“Ele fala do que o negro sofreu quando foi escravo. Esse samba tem tudo a ver com a situação política do país. ‘Não sou escravo de nenhum senhor’. É praticamente para esse senhor que é candidato, que é contra o presidente Lula, contra o brasileiro, contra o pobre, contra a cultura, contra tudo e todos”, declarou, ao explicar sua interpretação sobre a disputa eleitoral.

Questionado sobre as críticas à mistura entre samba e política, Pixulé lembrou que a própria história do gênero musical está ligada à resistência. O intérprete citou Tia Ciata, figura fundamental na história do samba carioca, para explicar como as rodas de samba enfrentaram a perseguição e precisaram conquistar espaço na sociedade.

“O samba nasceu em meio à política. O povo era contra, achava que o samba era proibido. Tia Ciata foi uma negra que veio para o Rio de Janeiro, fundou o terreiro de candomblé dela e, da casa dela, surgiu a primeira roda de samba. Naquela época, já era perseguido. Ela, malandramente, foi às autoridades para permitir que o samba acontecesse na casa dela”, afirmou.

Ao concluir, Pixulé reforçou que a resistência faz parte da trajetória do samba e avaliou que esse papel poderá voltar a ser necessário, dependendo do resultado eleitoral.

“Samba hoje é uma resistência. Se acontecer de o outro ganhar, vai virar resistência de novo. É uma pena”, concluiu.