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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Retornando ao Grupo Especial depois de sete anos, o Pérola Negra realizou a gravação do audiovisual para as plataformas da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) no dia 26 de setembro. A gravação de “Sem Vacilar, Sem me Exibir – Sou Jovelina, a Pérola Negra” teve como destaque a leveza da canção, que facilitou o canto da comunidade. O CARNAVALESCO acompanhou a gravação do samba-enredo do Pérola Negra para 2027, composto por Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinícius, Mateus Pranto, Salgado Luz, Fábio Gonçalves, Leandro Flecha, Cabide, Wagner Forte e Chico Maia, realizada na Fábrica do Samba, Zona Oeste de São Paulo.

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Com a cara da artista

Bruno Carvalho, o Bruninho, arranjador da obra, destacou que um instrumento, em especial, terá destaque na faixa: “Na gravação, a gente está dando uma atenção especial para o banjo por causa do sorriso desse instrumento. É muito característico esse instrumento nas músicas dela. Ele ajudou a dar a cara da Jovelina nessa faixa. Ano passado a gente veio com a sanfona, que deu certo; e, nesse ano, a gente veio com o banjo. A gente ainda tem umas experiências para tentar ver se, de repente, num arranjo no meio do desfile, a gente consegue trocar de cabo e pegar um outro banjo. É uma das loucuras que a gente tenta fazer no carnaval. Mas ao menos com um banjo a gente vai sair na avenida, com certeza”, prometeu.

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O profissional também destacou que o trabalho do arranjador em faixas compostas pelo grupo que escreve o samba da escola desde 2025 é bem mais tranquilo que o normal: “Já é o terceiro ano que a gente recebe um presente dessa parceria de compositores, é um formato que está dando certo para o Pérola: deu no Exu Mulher, deu no Maria Bonita e a rapaziada foi muito feliz, mais uma vez, com essa volta do Pérola para o Especial em homenagem à Jovelina. Eu converso muito com a parceria e eu brinco que o samba deles vem pronto, a gente coloca detalhes mínimos. A gente já recebe a obra realmente muito adiantada e tem que até tomar um certo cuidado para a gente não estragar, porque o samba é muito bem construído. A gente só põe detalhes nas brechas que o samba permite. No ‘hoje vou improvisar’, por exemplo, tem um solo muito pontual. Conversei muito com o Sombrinha e com a dupla de intérpretes, também”, comentou.

Na cadência

Para valorizar a obra, Carlos Augusto Rezende, popularmente conhecido como Carlinhos Sombrinha, mestre da “Swing da Madá”, bateria do Pérola Negra, colocou os batimentos por minuto dos ritmistas bem abaixo do que se vê no carnaval paulistano: “A bateria do Pérola vai gravar três arranjos em formato de bossas. A gente vai gravar com um BPM de 136 a 138 no máximo para a gente explorar bastante o samba, que pede esse andamento. Quero deixar bem claro que não é uma questão nem de ser característica da bateria, a gente se adequa ao samba que a gente vai tocar. O samba desse ano, assim como o do carnaval passado, pede um andamento mais para trás. E eu também entendo que, por ser a gravação do CD, deve ser um andamento um pouco inferior ao que a gente apresenta na pista, para a gente ter uma versão diferente do samba quando comparado à realidade do Sambódromo. A gente está trabalhando em cima disso: deixar a faixa bem definida, com as divisões do samba com fácil assimilação”, explicou.

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Susto feliz

Os dois intérpretes do Pérola Negra mostraram muita convicção de que o samba ao vivo tem potencial para explodir na avenida. Juan Briggs começou: “Ele é melhor ao vivo do que na gravação. Muito melhor, inclusive. O sentimento de cantar ele ao vivo, no dia do lançamento lá na quadra, quando a gente começou a cantar ao vivo, a gente viu a potência do samba. A gente sabia que o samba era bom na gravação, mas não no ponto quando a gente cantou ele ao vivo na quadra”, comentou.

Lucas Donato foi franco a respeito da sensação que a canção lhe trouxe: “No primeiro dia de ensaio eu fiquei assustado com a força desse samba. Desses três anos que eu estou na escola, foi disparado o melhor primeiro ensaio que eu tive. E o primeiro ensaio foi apenas há seis dias atrás, hein. O povo cantando sem letra, e bem forte. A gente ficou bem feliz, foi um show. E é um samba leve, algo que facilita a vida de todos”, elogiou.

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O próprio Donato pontuou como ele e Briggs lidaram com as mudanças que o estúdio e o ao vivo exigem: “A única coisa que a gente fez de diferente do lançamento foi, como é uma gravação ao vivo com dois cantores, chegar em um consenso: na primeira passada, que tem o pagodinho, vamos valorizar e cada um vai cantar uma parte. Na questão de cacos, vai ser a mesma coisa do último ano: uma passada cada um. Como é um samba muito leve e com muitas nuances melódicas, se a gente fizer muito caco a galera não vai entender. Acaba atrapalhando o samba. Só vai para fora da quadra o que é realmente bom”, disse.

Briggs pontuou a visão dele a respeito de um recurso muito utilizado pelos intérpretes: “Em relação ao que a gente vai fazer de caco é na hora, é o sentimento. Aí, no desfile, a gente deixa claro qual cada um faz. A gente testa, no ensaio a gente faz uma porrada de coisa, um monte de caco. Às vezes até a presidente Sheila fala que estamos fazendo muito caco porque a gente tá testando. Aí, no lançamento dos sambas, aqui na Fábrica, a gente lança tudo que tem para lançar. Nós só teremos um ensaio técnico, então já diminuímos o número para ele”, afirmou.

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Calendário perfeito

O Pérola Negra gravou o audiovisual da Liga-SP em um sábado às 15h. O horário, ideal pensando no trânsito da capital e no cotidiano de uma comunidade, fez com que a escola facilitasse a vida dos componentes. Quem comenta é Gabriel Ferreira, popularmente conhecido como Gabiru, diretor de Harmonia da agremiação: “Nossa logística foi todo mundo vir para a Fábrica e se concentrar, se preparar mais um pouquinho antes de pegar todos os detalhes para a gente vir fazer a gravação”, revelou.

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O diretor também revelou os números do contingente da instituição para a gravação: “Nosso coral tinha integrantes da Ala das Baianas e Velha Guarda, tinha cerca de 55 pessoas se a gente somar também com a Harmonia. Ritmistas eram cerca de 40. Tínhamos, também, oito pessoas da nossa Corte, casal de mestre-sala e porta-bandeira e a nossa Ala Musical”, finalizou.