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Noite memorável! Beija-Flor, Portela e Império Serrano se encontram em Nilópolis

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Mais um sábado de “Encontro de Quilombos” aconteceu em Nilópolis. Beija-Flor, Império Serrano e Portela se encontraram na Avenida Mirandela, tradicional local de ensaios de rua da Deusa da Passarela. A calçada, mais que sempre, ficou lotada para ver três empolgados ensaios, onde o marco principal foi o canto e a alegria de cada comunidade. A verde e branca de Madureira, remarcada do dia 14 por causa da chuva, abriu o evento. A águia foi a segunda a se apresentar e a dona da festa encerrou o dia. * VEJA FOTOS

O Reizinho, a Majestade e a Soberana. Ali, na Mirandela, estavam reunidos 45 títulos do carnaval do Rio de Janeiro. Um encontro de três cortes que só não foram capazes de reinar mais do que aqueles que tiveram a plena de sorte de vê-las passar. Quem estaria mais no topo, senão as pessoas que tiveram o luxo de estar na pista nesta noite? Qual Rainha ou musa brilharia mais que a mãe de família que pôde reunir os seus no portão de casa, à bordo de confortáveis cadeiras de praia e apreciar, de seu próprio lar, baterias com poderes de esquentar os mais frios corações?

A verdade é que, enquanto para a escola, um ensaio de rua é um treino técnico, onde está em jogo a organização de um desfile, para cada espectador, esse evento é uma oportunidade de estar junto de sua amada bandeira ou agitar a noite, ainda que da janela do apartamento. Gente que vai “sabadar” no ensaio com a programação completa do que fazer no “after”, que talvez não seja tão after assim, uma vez que pode se esticar até de manhã.

Só que hoje, o público que garante o estrelato a ele mesmo soube, gentilmente, dividir a cena com com os pavilhões que, teoricamente, atuavam sem pressão. Portela e Império Serrano se jogaram no público. Enquanto Ito Melodia foi reverenciado e cumprimentou a todos na grade, Bianca Monteiro fazia a alegria de crianças que ficavam radiantes por conseguirem sambar com ela, à frente da bateria. O Encontro de Quilombos, então, provavelmente ultrapassou as expectativas de seu organizador, o presidente da Beija-Flor, Almir Reis. Talvez no evento ou nas convidadas, o capítulo desta noite foi para a galeria de dias a nunca se esquecer.

“Esse evento é uma confraternização entre sambistas. Então viemos fazer um grande espetáculo em Nilópolis, confraternizando com a Beija-Flor e com o Império Serrano. Acho muito importante mostrar essa amizade e carinho que temos entre escolas também. Uma honra para nós estarmos aqui”, disse Fábio Pavão, presidente da Portela, completando que ainda é uma oportunidade de fazer um teste com a escola.

As duas agremiações de Madureira, longe do parque e da da Carolina Machado, não estavam totalmente em outra casa. Parecia mais espetáculos que ensaios. Com a rua lotada, houve espaço para amar as três escolas. O Império Serrano passou pra cima, vibrante e sacudiu o público. Já águia altaneira, voou forte. Como tinha portelense ou simpatizante para assistir. Por uma hora, Nilópolis virou Madureira. Aplaudida do início ao fim, a matriarca, no auge de seus 100 anos, sabe muito bem apaixonar quem a assiste. Pesada, a Portela foi o que se espera: fascinante.

E, por último, veio ela. A Beija-flor não estava apenas visitando ou curtindo. Por mais que o Encontro de Quilombos, como dito no primeiro dia com o Tuiuti, é uma celebração e afasta um pouco a competição da Sapucaí, para a dona do pedaço não funciona assim. É um ensaio de rua, sério, valendo a preparação para a busca do décimo quinto título. Ela, vice-campeã em 2022, dispensa apresentações e fez mais uma bela exibição. E os que não estavam lá, bem que poderiam colocar na agenda: ir ao ensaio de rua em Nilópolis uma vez ao ano.

E todo mundo sabe que a beija potencializa a sua performance quando alguém vai visitá-la. Não por medo de ser superada, mas pra mostrar quem ainda dá as cartas em Nilópolis. Em um ensaio de tirar o fôlego, a Deus da Passarela deu uma bela carteirada nas co-irmãs. Competição? Que nada. Era presente para quem foi assistir. Neguinho diria que foi pedrada e que o couro estava comendo.

“A escola pulsa e troca energia cada vez mais. Tudo aqui é muito firme e estamos confiantes que disputaremos o título”, avaliou o diretor de carnaval, Dudu Azevedo.

Harmonia

Tem gente sem voz.

O imperiano está feliz e cantante. O quesito harmonia deve ser um dos pontos fortes do Império. Sambando para Arlindo Cruz, a comunidade se sente obrigada, por pura gratidão, a cantar forte do início ao fim.

Na Portela, eles que se fazem ouvir de longe, berraram na Mirandela. Mesmo sem Gilsinho no carro de som, a escola deu conta do recado. Era um coro um procissão.

Quando a Beija-Flor, uma festa. Era componente e povo cantando junto. A hora que a bateria parou para jogar o canto para a escola, provavelmente acordou a cidade toda.

Comissão de frente

A Verde e Branca, comandada por Júnior Scapin, levou a mesma coreografia do ensaio técnico, que se baseia na religiosidade de Arlindo. Sincronizados e vigorosos, foi uma bela exibição dos bailarinos que foram muito aplaudidos, quando exibiram a faixa “Arlindo Cruz, o Império te ama”.

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

A Portela levou uma coreografia montada sob o samba. Os bailarinos coordenados pela dupla Leo Senna e Kelly Siqueira, apresentam movimentos mais suaves e figurinos predominante brancos. A suavidade da dança deu um bom tom tradicional ao número.

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E a Beija-Flor, da dupla Jorge Teixeira e Saulo Finelon, representou uma coreografia que fazia referência a uma parada militar, com uma crítica nas entrelinhas. Marchando, o conjunto mostrou sincronismo até no bater nos pés. Seja na coreografia de movimento ou de jurados, o público aplaudiu bastante cada passo dado pelos bailarinos.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Para apresentar seu pavilhão, o Império Serrano levou o segundo casal Matheus Machado e Maura Luiza. Os dois, que já dançam juntos a bastante tempo, mostraram entrosamento para arriscar a coreografia do samba, junto com a dança tradicional de casal. Maura, com a leveza costumeira e Matheus, que hoje deixou o lenço em casa mas com o talento de sempre, fizeram ótima apresentação.

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A sutileza tem vários nomes e dois deles é Marlon e Lucinha. Eles têm um movimento que parece estarem presos a um ímã. Tão delicado e bem feito que assistir é satisfatório. Ocupando todo espaço da pista, a vibrante apresentação foi mais um belo ato da fantástica exibição portelense. Mesmo tendo que desviar de um buraco na pista, durante a apresentação na segunda marcação de jurados, o casal mostrou que ainda tem muito 10 para tirar.

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Agora, se dispensa comentários para a ensurdecedora apresentação de Claudinho e Selminha Sorriso. O mestre-sala entrou nos módulos no seu melhor estilo, que é aqueles quiques girando, que já é sua marca registrada. A porta-bandeira emplacou uma bela sequência de giros. Girando, os dois sempre se encontram no final do movimento. E claro, muitos gritos de quem assiste. Muitos gritos, porque são bem amados.

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Samba-Enredo

O samba da Serrinha já caiu nas graças de seu povo, ainda mais com o show que só Ito Melodia sabe dar. Fica muito fácil convencer todo mundo a cantar. O ponto alto da obra é “firma na palma da mão”. É nesse momento que os componentes pulam e se mantém o rendimento na virada do samba.

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Pois bem. Se alguém torce o nariz para o samba da Portela, não frequenta a Rua Clara Nunes e não estava neste evento. O samba rende mais a cada dia e, em coro, mostra seu valor em um desfile. A comunidade canta com facilidade e ainda tem coreografia para “cavaco e viola” e “no linho, no pano, pescoço ocupado”.

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E depois teve a Beija-Flor com seu samba que, já dito por aqui em algum momento, com o DNA da escola. O ápice é justamente na hora do “deixa Nilópolis cantar”. O problema é que se deixar isso, não tem mais pra ninguém. Portando, aparentemente, samba não será risco para a soberana.

Evolução

Em resumo, foram três ensaios vibrantes, pulsantes e com a galera inspirada. Nenhum buraco visto, nenhuma ala parada. Sem problemas, o quesito evolução pode ser descrito como escolas que passaram reto, mas passaram bonito.

Bateria

Aqui temos um ponto: a sinfônica é mais sinfônica que nunca. Como gosta de um swing. De umas bossas pra balançar a escola. Bom é ouvir os ritmistas do mestre Vitinho, que colocou o público para sambar e, às vezes, dançar.

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Beija-Flor e Portela apresentaram o de sempre: potência. Nilo e Rodney têm, cada um, a sua receita de sacudir a arquibancada. Diferentes, porém com o mesmo efeito, é de lamentar quando param os instrumentos em um ensaio de rua.

Terminando o “Encontro de Quilombos”, a próxima reunião desses pavilhões juntos será na quarta-feira de cinzas, quando descobrirão o resultado do trabalho que vêm desempenhando. Das escolas, quem está na esquina da Edgard Romaro com o Portela, abrirá os desfiles com o enredo “Lugares de Arlindo”. O pessoal da Clara Nunes, desfilará o seu centenário na segunda posição da segunda-feira de carnaval com o enredo “o azul que vem do infinito”. Já os nilopolitanos, que ensaiam na Avenida Mirandela, serão os penúltimos a entrar na Sapucaí, com o enredo “Brava Gente! O grito dos excluídos no Bicentenário da Independência”.

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No fim, o evento que dá um fôlego às já comuns visitas de escolas a quadras de co-irmãs, se despede, deixando a expectativa de retorno na próxima temporada. Na noite que reuniu três, das 5 maiores campeãs do carnaval (22 títulos da Portela, 14 da Beija-Flor e 9 do Império Serrano), o grande vencedor foi aquele que esteve na Mirandela para assistir. No sábado, o qual essas 3 gigantes se encontraram, reinaram o carnaval, a cultura de cada uma e suas comunidades. Ao Reizinho, à Majestade e à Soberana, um salve pela noite deste 21 de janeiro de 2023.

Colaborou Luisa Alves

Fotos: ‘Encontro de Quilombos’ com Beija-Flor, Império Serrano e Portela

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Arranco volta para a Sapucaí em ensaio técnico com falhas em evolução e destaque positivo para samba e comissão de frente

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Marcando seu retorno à Marquês de Sapucaí, o Arranco do Engenho de Dentro ensaiou na noite deste sábado, segundo dia de ensaios técnicos da Liga-RJ, e deixou uma boa expectativa para o desfile oficial. A escola apresentou um bom contingente de componentes, porém, o canto irregular pode comprometer no desfile oficial, assim como a evolução, os destaques positivos foram o samba e a comissão de frente. Durante o esquenta da escola, a presidente Tatiana Santos agradeceu aos componentes e comemorou o retorno da escola após 10 anos longe da Sapucaí, ela também disse que o Arranco voltou para ficar e prezou a união. O treino oficial da agremiação teve duração de cerca de 56 minutos. Para o próximo carnaval a escola levará para a avenida o enredo “Zé Espinguela – Chão do meu terreiro”. O desfile será assinado por Antônio Gonzaga e irá passear pela fundação da escola, que completa 50 anos, e o nascimento dos desfiles das escolas de samba. A azul e branca terá a missão de abrir o primeiro dia de desfiles da Série Ouro. * VEJA AQUI A GALERIA DE FOTOS DO ENSAIO

Comissão de Frente

A comissão de frente coreografada Fábio Batista foi um dos pontos altos do treino da escola do Engenho de Dentro, completamente inserida no enredo, a comissão fez referência a Portela, a Estácio e a Mangueira, com componentes vestidos com as cores das escolas citadas como se estivessem em um terreiro. A dança marcante foi acompanhada atentamente por todos os presentes, durante um momento do samba em que a Mangueira é citada, surgia uma bandeira da escola, o que levantou o público.

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Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Yuri Souzah e Gislaine Lira formam o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, ele chegou esse ano para fazer par com ela, que já estava na escola. Apesar de ser o primeiro ano juntos, a dança do casal mostrou bastante sincronia e harmonia, vestidos nas cores da escola, eles apresentaram um bailado firme e com giros bem executados. Vale destacar o momento final da coreografia deles, quando Gislaine fez uma bandeirada, foi um ponto muito bem executado e que arrancou aplausos do público presente.

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“O ensaio foi para nós sentirmos como, mais ou menos, vai ser o desfile. É a minha primeira vez como 1° porta-bandeira na Série Ouro. Foi para treinar e ver se há necessidade de se preparar um pouco mais. Foi importantíssimo para ver o quanto a gente pode produzir mais e melhorar. Hoje, foi uma prévia de todo esse cuidado. Em alguns detalhes, a gente vai precisar se preocupar. Daqui até o carnaval, é mais ensaio, mais dedicação. [No ensaio técnico] eu me senti nervosa e eu acredito que no dia seja desse jeito. É uma prévia dessa frio na barriga que está por vir. Foi bom sentir a energia vinda do público. É um palco, um palco diferente, um palco enorme, você precisa ter um preparo físico muito grande. [Esse ensaio] Foi para sentir o clima, a energia do que vai vir no dia 17, que será o nosso desfile. Foi muito importante e necessário e foi lindo ver meu Arranco cantar. Com garra, a escola mostrou a que veio”, disse a porta-bandeira.

“Hoje é um pré-carnaval, no qual a gente faz esse esquenta, mostra nossa coreografia. A gente tem que ver o que é bom e o que não é. O que dá para tirar e o que pode encaixar. Hoje é um dia para a gente se corrigir. E, graças a Deus, com acertos e com erros tivemos êxito. Agora, aguardamos o desfile. Não temos muito o que melhorar, não. Fizemos uma boa passada. Só uns poucos detalhes que precisamos massificar [o treinamento]. Perante isso, estamos bem. [Fazer o ensaio técnico] é uma experiência maravilhosa porque a gente se sente já no desfile. É uma energia maravilhosa! É quase a mesma coisa que o desfile. Só que no desfile tem mais público, a energia aflora mais, a gente fica mais tenso. Mas é maravilhoso””, completou o mestre-sala.

Samba-Enredo

Com passagens por várias escolas, o intérprete Diego Nicolau fará sua estreia no Arranco nesse carnaval, ele fará dupla com Pamela Falcão, a presença dela trouxe uma harmonia bem interessante para o canto, no geral o desempenho do carro de som inclusive foi fundamental para impulsionar o bom samba da escola, de autoria dos compositores Junior Fionda, Niltinho Tristeza, Antônio Carlos, Rafael Pereira, Marcelinho Santos, Alex Magno, Rogério Santa Cruz, Gigi da Estiva, Tem-Tem Jr, João Afonso, Vinicius Sarciá, Valtinho Botafogo e Diego Nicolau.

Ainda que o canto da escola possa melhorar para o desfile oficial, vale destacar que o refrão principal foi a parte mais cantada pelos componentes. O entrosamento do carro de som com a bateria dos mestres Cabide e Marley também contribuiu para que o samba se destacasse durante o ensaio.

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Harmonia

A escola enfrentou alguns problemas em harmonia, o principal deles foi a falta de canto por parte do componentes, a maioria só cantava quando chegava o refrão principal, vale destacar que escola estava bastante animada, com componentes levando adereços de mãos e causando bons efeitos, porém, ficou evidenciado que muitos não tinham conhecimento do samba da escola, o que gerou um canto irregular.

“O carro de som veio pesado e forte, até onde pude ver a escola veio bem, com chão forte e aguerrido, acho que conseguimos fazer um bom ensaio. A gente já vem trabalhando há um bom tempo nos ensaios, tanto de quadra como na rua, a gente casou bem já tínhamos feito um ensaio no setor 11, só viemos corroborar esse entrosamento”, afirmou Pamela Falcão.

“Foi um ensaio grandioso, cheio de alegria é que o carnaval precisa. A gente não consegue ver muito, mas o que podemos observar que o andamento foi maravilhoso o samba andou bem, na parte do canto a gente observou que a escola estava cantando forte. a gente vem rendendo bem, a equipe está unida”, disse Diego Nicolau.

Evolução

A escola levou para o ensaio técnico um bom número de componentes, porém, a evolução se mostrou arrastada em alguns momentos e a maioria das alas tiveram dificuldades para se manter alinhadas, não foi observado grandes espaços entre as alas, nem mesmo com a entrada bateria no segundo recuo, porém, as alas estavam espaçadas, em alguns momentos o quadrados não se formavam e os diretores precisavam ajustar ao longo do ensaio.

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O diretor de carnaval, Adriano Amaral, elogiou o desempenho da escola durante o ensaio e se mostrou surpreso com o números de componentes presentes, ele ainda pontuou o que precisará ser corrigido para o desfile oficial.

“Pela perspectiva dos ensaios anteriores que tivemos, hoje a nossa comunidade compareceu em peso, nem a gente esperava tanta gente, tamanha animação, acho que depois de 10 anos o Arranco quis pisar forte na avenida e foi um ensaio muito bom pra gente, muito acima do esperado. Temos alguns pontos a melhorar, tivemos um errinho na cabeça da escola que a gente vai corrigir e também o andamento da escola, por conta dos carros alegóricos que virão pesados”.

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Outros Destaques

A rainha de bateria não esteve presente e a madrinha Ana Morais brilhou à frente da bateria dos mestres Cabide e Marley. A escola levou para a avenida uma ala plus size e arrancou aplausos do público.

“É gratificante. O ensaio foi produtivo para caramba. Eu acho que hoje tem muita gente nova no carnaval, e eu e Cabide como um dos mestres mais novos, a cobrança é muito grande em cima da gente. É um peso do caramba, porque a gente sabe como é o staff do carnaval, como são os bastidores, e é uma cobrança direta em cima de nós por sermos novos. O que a gente mostrou é que independente de idade o trabalho está aí, comentou mestre Marley.

“Eu não tenho muito o que falar. Somente agradecer a todos presentes aqui hoje, agradecer a escola, os ritmistas… Eu não tenho palavras para descrever. O trabalho árduo, a gente que volta da Intendente tem dificuldade de montar uma bateria, ter mais de cem (ritmistas) em um ensaio. É complicado, mas a galera que veio abraçou a causa, foram aos ensaios e a gente conseguiu mostrar o trabalho hoje. Foi bem produtivo”, garantiu mestre Cabide.

Colaboraram Augusto Werneck, Cristiano Martins e Matheus Vínicius

Ilha faz ensaio técnico de excelência, com força em vários quesitos e com samba na boca dos componentes

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A União da Ilha do Governador encerrou a noite de ensaios técnicos da Liga-RJ no Sambódromo neste sábado e presenteou o público que ficou até o final com uma grande apresentação. O destaque principal ficou para o samba cantado pelo intérprete Igor Vianna que substituiu muito bem Ito Melodia e contou com a força do canto dos componentes e com a boa condução da “Baterilha”, deixando a obra de uma forma muito agradável para quem desfilava e para quem acompanhava das frisas e arquibancadas. Outros pontos fortes do desfile da Ilha foram o primeiro casal Thiaguinho e Amanda e a comissão de frente. O treino oficial da escola insulana teve duração de 50 minutos. No próximo carnaval a União da Ilha será a sexta escola a desfilar na segunda noite da Série Ouro e vai levar para a Sapucaí o enredo “O Encontro das Águias no Templo de Momo”, que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues. Neste desfile, a agremiação pretende exaltar a alegria da própria escola insulana, além de homenagear a Portela, sua escola madrinha. * VEJA AQUI GALERIA DE FOTOS DO ENSAIO

“Não dá pra gente ver tudo né, mas até onde eu pude perceber foi satisfatório é claro que é um ensaio, mas depois vamos analisar ver vídeos. Acredito que pelo público que estava assistindo, o rosto dos nossos integrantes eu acredito que nós chegamos a um resultado final bem bacana. Agora é ajustar algumas coisas rever o tempo, mas o principal que a gente passou foi, alegria, espontaneidade e o principal, a gente passou aqui com a cara da Ilha. “Nós temos espalhados pelo ensaio vários diretores, vamos sentar amanhã conversar, terça a gente faz uma reunião analisar cada ponto, mas eu acho que a gente chega faltando um pouco mais de um mês para o carnaval, bem perto do ideal que a gente espera pra disputar o título. Gostei muito da minha comissão de frente, meu casal esses dois quesitos foram muito bem, mas hoje eu vou dar mérito para o samba, para minha bateria e meu carro de som”, afirmou Dudu Falcão, diretor de carnaval.

Samba-Enredo

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Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Com a responsabilidade de substituir ninguém menos que Ito Melodia, o estreante Igor Vianna deu conta do recado ao lado do carro de som, apresentando condução correta do samba e o tempo todo inflamando a comunidade insulana a cantar. Não sentiu em nenhum momento a pressão por quem substituiu, completamente adaptado à nova agremiação. A obra de Noca da Portela e companhia teve por parte da “Baterilha” de mestre Marcelo Santos, uma condução de andamento bastante pertinente ao que está de acordo com o estilo e tradição da bateria insulana, sem deixar que um samba com bastante ênfase para a parte melódica ficasse arrastado, ao contrário, ficou bastante agradável para quem desfilava e para quem acompanhava o treino oficial da escola. Um dos trechos mais aclamados pelos desfilantes que cantavam com maior empolgação era o verso que dizia justamente o nome da Portela, escola madrinha e homenageada. É incrível citar que a parte mais cantada é o nome de outra escola, mas isso demonstra o quanto a comunidade aceitou e comprou a ideia do enredo.

Harmonia

Treinando todas as quartas-feiras na Estrada do Galeão, a escola se sentiu bastante à vontade na Sapucaí e mostrou que o samba 2023 está na boca do insulano.O desempenho do canto da União da Ilha no ensaio técnico foi intenso, correto e constante. Difícil encontrar nas alas alguém que não estivesse cantando. Das primeiras até às últimas alas do desfile. Para lembrar de algumas alas em especial, no início, importante destacar a “Guerreiros da Ilha” e a que vinha logo atrás. Mais para o meio as alas “Cacuia dois” e mais para o final a ala “Dona Dodô”. Além destas, é importante citar também o canto de segmentos como as baianas e os passistas. O refrão “Bença dindinha” era quase gritado pela comunidade. No trecho “Portela…” até o final da segunda do samba, em alguns momentos, o carro de som chegava a parar para deixar os componentes levarem sozinhos os versos. O elogio ao trabalho de Igor Viana já destacado, também pode-se estender aos outros integrantes do carro de som. Igo fez poucos cacos mas sempre que podia chamava o componente a cantar ainda mais forte o hino da Ilha para o carnaval 2023.

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“O balanço do ensaio é muito positivo. Se não fosse essa rapaziada no carro de som, sinceramente, eu estaria ferrado para caramba. Se o ensaio foi bom do jeito que estou achando que foi bom, do jeito que eu estou vendo que foi bom, eu devo tudo essa rapaziada. Minha parte do samba favorita é a que enaltece a nossa homenageada, justamente a parte que a bateria zera para o povo cantar ‘Portela, é hoje o dia de sonhar’. Melhor [que esse entrosamento com a bateria] impossível. Ao Mestre Marcelo e toda rapaziada dele, eu só tenho a agradecer. Só tenho o que agradecer ao jeito que essa bateria me recebeu. Depois, eu tenho ver a questão da harmonia com o pessoal da Harmonia. Quando eu estou no carro de som, eu só quero saber de carro de som e bateria. Claro que a gente tem muita coisa a melhorar, mas a gente está bem entrosado graças a Deus e aos orixás”, disse o intérpete da Ilha.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Os experientes Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete, que estão dançando juntos novamente, agora na União da Ilha, apresentaram para o público da Marquês de Sapucaí um bailado muito característico e tradicional. Mas com muita intensidade. Os passos que Thiaguinho realizava impressionaram por tamanha precisão, pela velocidade, mas, sobretudo, pela beleza e altivez, cortejando a porta-bandeira. O mestre-sala usava um leque que dava ainda mais singeleza e graça aos seus movimentos. O giro da dupla junto foi outro ponto alto, além dos momentos em que Amanda empunhava a bandeira no alto, rodando e realizando “bandeiradas”. Amanda também chamou a atenção por seu vestido em duas cores, de um lado o azul, e do outro o vermelho. Quando ela girava, as cores pareciam se misturar. O entrosamento da dupla era notável e não se observou nenhum erro, imprecisão ou qualquer coisa fora do tom. Tudo muito bem dentro de uma linha de apresentação impecável.

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“Eu não sou de falsa modéstia. Eu estou muito satisfeita com o resultado. Óbvio que nós somos muito fominhas, sempre vamos achar no que melhorar. Daqui até o carnaval tem bastante tempo para aprimorar tudo que talvez não tenha saído como ideal. Em um balanço, eu estou muito satisfeita e muito feliz com nosso ensaio. Nós conseguimos executar tudo aquilo que nos propusemos. Daqui, sempre buscar melhorar. É sempre muito bom poder ensaiar no palco. Eu acho que nós, os artistas do carnaval, somos privilegiados por ter esse palco disponível durante bastante tempo antes do desfile. A gente pode vir aqui para rir, para chorar, para errar e acertar durante bastante tempo. Nós gostamos de vir aqui sugar o máximo possível. E o ensaio técnico é plus porque a gente consegue ver, junto com a energia da escola, o andamento, o entrosamento com o público, sentir a energia dos espectadores também. O sambista por si só é privilegiado por ser sambista e por ter um palco tão disponível para ele”, disse a porta-bandeira.

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“Eu costumo dizer que ensaio técnico é para errar. Na visão, eu acho que a gente não teve erro. Depois vamos sentar para analisar direitinho, ver se erramos ou onde precisamos melhorar. Saio daqui satisfeito. Gostei que o público que assistiu retribuiu bastante, deu uma energia a mais para a gente desenvolver nosso trabalho. E agora é fazer melhor para o desfile. Eu acho que pisar aqui é ter a oportunidade de testar realmente tudo que a gente preparou com a escola, com o carro de som, com o andamento correto, com arquibancada vibrando. Nós conseguimos ir para casa hoje, e a gente não vai dormir nem tão cedo, e começar a conversar e saber o que seu certo e como melhorar. Estar na Avenida, nesse palco, é um grande teste”, completou o mestre-sala.

Comissão de Frente

Os integrantes, comandados por Márcio Moura, que retorna a agremiação para o carnaval 2023, apresentaram uma coreografia bastante divertida que trouxe frescor a um desfile que fala justamente da alegria e faz homenagens a duas escolas do carnaval carioca, a própria Ilha e a Portela. Os arlequins vestidos nas cores da Ilha, vermelho, azul e branco, com uma máscara dourada, pulavam, corriam, sorriam, dançavam hora de forma mais clássica e erudita, hora se esbaldando como “saltimbancos”. A indumentária ainda apresentava um brilho na parte de cima da roupa. O babado no pescoço dava mais volume e ajudava a realizar um efeito muito bonito quando o grupo se juntava e fazia os movimentos de uma forma homogênea como se fosse apenas um organismo. No final da apresentação uma bandeira enorme com as águias e os brasões das duas escolas presentes no enredo finalizou de forma arrebatadora a apresentação.

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Evolução

A União da Ilha evoluiu com bastante fluência, com os componentes brincando carnaval em um ritmo bastante casado com a cadência do samba. Ritmo que favoreceu também o canto da escola, não infligindo correrias aos componentes. Não se observou buracos ou grandes espaçamentos que pudessem ser significativos para a perda de ponto se fosse uma apresentação oficial. Mas é importante apenas citar que na chegada da bateria no primeiro módulo de julgamentos, um pequeno espaço foi deixado em relação a ala de passistas que vinha logo a frente, problema rapidamente resolvido.

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Outra situação que também demanda atenção é com a evolução das musas que em alguns momentos também deixavam um pequeno espaço até a ala da frente. Estes pontos não causaram maiores prejuízos a apresentação da Azul, Vermelha e Branca. De positivo, também pode-se destacar o volume da escola que veio com um grande contingente de componentes, a maioria dos desfilantes tinham adereços de mão, sejam sombrinhas, balões, varinhas luminosas, cada ala com sua característica. Algumas alas realizavam coreografias, como a primeira que vinha logo atrás do casal principal, com os componentes dançando em pares de forma muito doce e singela, remetendo a passos de valsa. No geral, nível muito alto de apresentação.

Outros destaques

A “Baterilha”, de mestre Marcelo Santos, agora em trabalho solo, fez uma apresentação de excelência com uma grande condução do samba e passando pela Sapucaí e deixando uma chuva de papéis picados sobre os ritmistas e o público em alguns momentos. A rainha Juliana Souza chamou a atenção exibindo muito samba no pé e simpatia.

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“Ensaio muito produtivo. Era o esperado pelo o que a gente tem feito na Estrada do Galeão. A bateria tem se mostrado muito confiante, muito preparada para esse primeiro teste que é o ensaio técnico. Não é bem um ensaio, é mais um teste para a gente ver o que pode se acertar ainda dentro da bateria. Hoje, se tivesse valendo, acho que a nossa nota seria dez. Desculpe pela pouca modéstia, mas a bateria hoje se apresentou muito bem. Conseguimos fazer o que nós queremos preparar para todas as bossas para os jurados e a surpresa que tínhamos preparado para homenagear a Portela. Acho que a homenagem surtiu muito efeito, emocionou a galera, e também acho que vai emocionar os jurados no dia do desfile. A gente virá com três paradinhas. Vai ter algumas coisas que a bateria da Portela faz, nós vamos homenagear a bateria do mestre Nilo, a Tabajara do Samba. O lance da cabeça do samba que vocês vão conseguir sacar que vai ter a virada tradicional da ilha, logo depois a da Portela. Depois da caída de segunda, a bateria vai prestar uma homenagem à águia centenária, a nossa madrinha Portela. Vai ser muito bonito no dia”, prometeu mestre Marcel, que levará 250 ritmistas para Avenida em 2023.

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No alusivo, a Ilha fez uma homenagem a Portela e o intérprete Igor Vianna cantou “Corri pra ver”, samba da velha guarda da Águia de Madureira. “Festa Profana” e “É hoje o dia” fizeram parte do repertório do esquenta que foi um dos que mais mexeu com o público. O presidente Ney Filardi também esteve presente bem ao seu estilo despojado, de bermuda e chinelo, totalmente à vontade, curtindo o desfile da Ilha e a todo momento inflamando e agradecendo os componentes. Mais para o final da escola, Cahê Rodrigues, carnavalesco da agremiação, distribuía simpatia, tirando fotos e mexendo com os componentes.

Colaboraram Augusto Werneck, Cristiano Martins e Matheus Vinícius

Galeria de fotos: ensaio técnico da União da Ilha no Sambódromo

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Freddy Ferreira analisa a bateria da União da Ilha no ensaio técnico

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A bateria da União da Ilha do Governador, comandada pelo mestre Marcelo Santos, fez um ensaio técnico excelente. Um ritmo de classe, além de técnica apurada nos mais diversos naipes. As construções musicais dos arranjos tiveram êxito completo. Mesmo não sendo paradinhas tão complexas, o resultado conseguido através da simplicidade foi musicalmente cativante, enchendo de valor o peculiar ritmo insulano.

A cozinha da “Baterilha” exibiu uma sonoridade ímpar, de imensa qualidade musical. Com uma afinação extremamente privilegiada de surdos, além de marcadores precisos e seguros. Tanto a primeira, quanto a segunda tocaram com leveza, tirando som do instrumento sem dar pancada na peça. Os surdos de terceira propiciaram bom balanço ao ritmo insulano, bem como os repiques da bateria da Ilha foram tanto seguros, quanto coesos. Um naipe de caixas de guerra de expressivo destaque foi notado, realizando a clássica batida rufada da bateria da Ilha.

Historicamente o naipe de tamborins da União da Ilha sempre foi forte e nesse ensaio técnico deixou bem clara sua musicalidade diferenciada, adicionando um valor sonoro precioso a “Baterilha”. Uma ala de cuícas que produziu boa sonoridade também foi notada, bem como agogôs padronizados que desenvolveram um ritmo de amplo destaque, agregando qualidade musical a unidade sonora. O naipe de chocalhos também auxiliou no preenchimento musical do ritmo com precisão e de modo eficaz na parte de frente da bateriavda Ilha.

A subida de três de surdos tradicional da União da Ilha do Governador acrescentou molho ao ritmo insulano, bem como permitiu um boa fluência de todas as peças após sua execução sempre bem realizada.

A grande construção musical da paradinha do refrão do meio impressiona por unir pressão de batidas de naipes em conjunto e um grau de dificuldade elevado. Com ênfase no balanço dos surdos de terceira, ainda conta com destaque sonoro para os três tapas dos tamborins seguidos de uma rufada de caixa.

Na segunda do samba, a escolha por fechar a bateria com corte seco e deixar os ritmistas solistas do repique mor se revelou um acerto musical no trecho “Portela”. O mérito consiste em deixar o samba ser cantado em coro, para depois retomar o ritmo com um tapa uníssono de todos os naipes e logo após voltar na plena síncope do animado samba-enredo da escola.

Já no final da segunda, mais uma bossa que recebeu destaque principalmente por estar integrada musicalmente de forma plena. Um arranjo musical que deixa explícito o bom balanço das terceiras insulanas, sem contar a subida dos ritmistas do repique mor provocando swing na retomada. Vale mencionar musicalmente o impacto sonoro obtido, graças a pressão da referida paradinha.

A bossa do início da primeira do samba começa já no refrão principal, quando a bateria faz um corte seco, para que retome o ritmo através do “ataque” de todas as peças nos primeiros versos da cabeça da obra. O arranjo musical ganha ares de sofisticação após uma conclusão requintada que envolve uma subida progressiva dos surdos, apresentando uma sonoridade simplesmente soberba. Uma verdadeira aula de ritmo de mestre Marcelo e todos os ritmistas da União da Ilha do Governador no encerramento da noite.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos da Ponte no ensaio técnico

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A bateria “Ritmo Meritiense” da Unidos da Ponte fez um bom ensaio técnico, sob o comando de mestre Branco Ribeiro. Mesmo ciente que ajustes pontuais podem ser feitos, o desempenho apresentado foi satisfatório, sendo plenamente possível exibir um ritmo ainda mais encorpado até o desfile oficial.

A cabeça da bateria revelou um trabalho ímpar envolvendo as peças leves. Uma ala de chocalhos esplêndida, que tocava firme e de modo uníssono se uniu a um naipe de tamborins privilegiado, que executou o desenho rítmico com eficiência adicionando imenso valor à sonoridade. Cuícas e Agogôs também exibiram bons trabalhos, preenchendo a musicalidade da “Ritmo Meritiense” com precisão.

A cozinha da bateria praticamente manteve o mesmo nível de qualidade da parte da frente do ritmo. Uma afinação privilegiada e particularmente pesada de surdos foi percebida, permitindo um equilíbrio sonoro notável. Terceiras, caixas e repiques preencheram a musicalidade da parte de trás do ritmo com extrema eficácia.

A paradinha do refrão do meio era marcada por uma concepção musical diferenciada, onde a bateria realizou um corte seco na palavra “Resistir”, no final da primeira do samba, para depois consolidar seu ritmo com surdos. Inicialmente com pressão dos médios (repiques e caixas), graves (surdos), além de tamborins (peça leve) com batidas em conjunto. Depois se aproveitando do balanço dos surdos para fazer uma batida de vertente africana, culturalmente conectado ao enredo da escola de São João de Meriti.

Vale ressaltar que na hora dessa bossa a bateria aliou ritmo a espontaneidade, realizando um movimento sincronizado que foi bem recebido pelo público, mas que demanda atenção, já que tocar andando e trocando de posição pela pista acaba sendo musicalmente desafiador. Num determinado momento, a sincronia do movimento acabou deixando um pouco a desejar, mostrando que para a execução fluir serão necessários mais ensaios para apurar a ousada manobra.

A bossa do final da segunda do samba possibilitou pressão, tanto na execução como na retomada, numa elaborada construção musical, que se aproveitou das nuances melódicas para consolidar o ritmo.

Já a convenção iniciada no refrão principal, que se estende até a primeira do samba, apresentou refino musical aliado à temática religiosa pedida pelo samba-enredo da Ponte. Uma paradinha de elevada complexidade musical e com alto grau de dificuldade de execução. Um toque de Candomblé em homenagem ao Orixá Omulu foi notado, assim como um toque de caixas em contratempo em relação aos surdos permitiram uma retomada de ritmo com impacto musical considerável. Uma musicalidade que demonstrou acerto religioso e vínculo cultural ao enredo da escola.

A paradinha do refrão do meio era marcada por uma concepção musical diferenciada, onde a bateria realizou um corte seco na palavra “Resistir”, no final da primeira do samba, para depois consolidar seu ritmo com surdos. Inicialmente com pressão dos médios (repiques e caixas), graves (surdos), além de tamborins (peça leve) com batidas em conjunto. Depois se aproveitando do balanço dos surdos para fazer uma batida de vertente africana, culturalmente conectado ao enredo da escola de São João de Meriti.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Unidos de Bangu no ensaio técnico

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A bateria da Unidos de Bangu realizou um ótimo ensaio técnico, sob o comando de Mestre Laion. A “Caldeirão da Zona Oeste” (CZO) apresentou um grau considerável de refino musical na elaboração de paradinhas, se aproveitando tanto do samba como da temática africana da escola.

Na cozinha da bateria (parte de trás do ritmo) foi possível notar um trabalho sólido, além de plenamente integrado a musicalidade da bateria da Unidos de Bangu. Bons ritmistas da marcação ditaram o ritmo e andamento, contando ainda com um toque extremamente bem executado dos surdos de terceira, que proporcionaram um balanço envolvente. Caixas de guerra e repiques complementaram a sonoridade da bateria com eficácia e precisão.

Na cabeça da bateria, um trabalho privilegiado envolvendo as peças leves foi notado na parte da frente. Uma ala de cuícas correta e um naipe de agogôs que tocou pontuando a melodia do belo samba-enredo da escola agregaram valor à sonoridade. Um naipe de chocalhos que tocou firme e de modo coeso se uniu a uma ala de tamborins de inegável qualidade, auxiliando de forma substancial na boa musicalidade apresentada pela “Caldeirão da Zona Oeste”.

Já sendo uma linha e marca do trabalho de Mestre Laion, a subida na cabeça do samba possui uma musicalidade interessante, contando com bom swing das terceiras, junto a rufadas firmes das caixas de guerra.

A paradinha de maior destaque é a sublime construção musical no refrão do meio do belo samba-enredo da Unidos de Bangu. Com ênfase no balanço dos surdos de terceira, o arranjo musical apresenta um refinado Alujá, fazendo a “CZO” tocar para o Orixá Xangô. O impacto na sonoridade foi tremendo, graças à pressão obtida pelos bons marcadores. Uma bossa que atrelou a religiosidade de matriz africana presente no enredo ao ritmo acima da média produzido pela bateria.

A bossa iniciada na segunda do samba e finalizada no refrão que precede o principal uniu pressão e um ritmo junino de altíssimo valor sonoro. Além de dar ao samba o que ele pede, antes de entrar no estribilho foi utilizada uma batida conhecida como “Machado de Xangô”. Uma bossa que impressiona pelo evidente bom gosto e alta complexidade, além de toda conexão cultural e religiosa envolvida.

Vale ressaltar que existe uma alusão musical ao mesmo “Machado de Xangô”, de altíssima qualidade no final da segunda do samba, envolvendo somente os surdos. Isso com o ritmo da bateria prosseguindo. Uma nuance rítmica merecedora de menção, além de exaltação pela concepção moderna e requintada, aliada a uma execução privilegiada, que ajudou a abrilhantar o belo ensaio da bateria da Unidos de Bangu.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Arranco no ensaio técnico

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A bateria “Sensação” do Arranco do Engenho de Dentro fez um ensaio técnico muito bom, sob o comando dos mestres Cabide e Marley. O andamento escolhido para o desfile ajudou a destacar ainda mais o bonito samba-enredo da escola.

Uma cozinha da bateria “Sensação” que foi amparada por uma afinação de surdos levemente grave, inserida nas tradições do Arranco de ter um ritmo mais pesado. A parte de trás do ritmo também contou com caixas de guerra e repiques que contribuíram na sonoridade da bateria do Arranco do Engenho de Dentro.

Já na cabeça da bateria, trabalhos sólidos foram exibidos. Um naipe de cuícas extremamente consistente apresentou um toque praticamente uníssono, junto de uma ala de agogôs segura, que ajudou na musicalidade das peças leves. A ala de tamborins se exibiu de modo firme e com bom volume, além da integração com um naipe de chocalhos que deu valor sonoro a parte da frente, exibindo um ritmo de nítida qualidade sonora.

O breque escolhido para utilizar na cabeça do samba era baseado em pressão. Após a subida na primeira do samba, a bateria é fechada com um corte seco, como se remetesse a uma explosão no final do trecho “Engenho de Dentro”, retomando o ritmo logo em seguida.
Após isso, mais uma vez a escolha foi pelo corte seco, seguido de dois tapas efetuados por todos os naipes em conjunto, já voltando de imediato no ritmo. Vale ressaltar que o arranjo musical, embora seja simples, foi executado de modo correto e proporcionou a escola sentir a pulsação rítmica da bateria “Sensação”.

Na segunda do samba, uma virada destacada foi notada antes do verso “Dos nossos cordões ô saudade”. Ela propiciava balanço ao ritmo da bateria do Arranco, com uma jogada entre os surdos, auxiliando inclusive na fluência entre os naipes.

Já a bossa do final da segunda do samba-enredo misturou impacto sonoro ao molho da bateria do Arranco do Engenho de Dentro. Após a bateria realizar um corte seco, o surdo de terceira faz um solo dando balanço e chamando a volta do ritmo. A convenção ainda tem uma finalização com tapas de todas as peças, que nitidamente deu pressão na hora da retomada.

A paradinha de maior destaque musical era a do refrão do meio, deixando expresso o bom trabalho realizado com os surdos. Após uma subida dos tamborins, o arranjo musical deu ênfase em deixar ecoar o surdo fazendo alusão à Estação Primeira de Mangueira, além de concluir a bossa com uma batida que remete a uma construção musical já utilizada pela verde e rosa. Um acerto musical e cultural, atrelado tanto ao enredo como a melodiosa obra da escola, evidenciando o bom ritmo propagado pela bateria “Sensação” do Arranco.

Galeria de fotos: ensaio técnico da Unidos da Ponte no Sambódromo

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