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Ilha faz ensaio técnico de excelência, com força em vários quesitos e com samba na boca dos componentes

A União da Ilha do Governador encerrou a noite de ensaios técnicos da Liga-RJ no Sambódromo neste sábado e presenteou o público que ficou até o final com uma grande apresentação. O destaque principal ficou para o samba cantado pelo intérprete Igor Vianna que substituiu muito bem Ito Melodia e contou com a força do canto dos componentes e com a boa condução da “Baterilha”, deixando a obra de uma forma muito agradável para quem desfilava e para quem acompanhava das frisas e arquibancadas. Outros pontos fortes do desfile da Ilha foram o primeiro casal Thiaguinho e Amanda e a comissão de frente. O treino oficial da escola insulana teve duração de 50 minutos. No próximo carnaval a União da Ilha será a sexta escola a desfilar na segunda noite da Série Ouro e vai levar para a Sapucaí o enredo “O Encontro das Águias no Templo de Momo”, que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues. Neste desfile, a agremiação pretende exaltar a alegria da própria escola insulana, além de homenagear a Portela, sua escola madrinha. * VEJA AQUI GALERIA DE FOTOS DO ENSAIO

“Não dá pra gente ver tudo né, mas até onde eu pude perceber foi satisfatório é claro que é um ensaio, mas depois vamos analisar ver vídeos. Acredito que pelo público que estava assistindo, o rosto dos nossos integrantes eu acredito que nós chegamos a um resultado final bem bacana. Agora é ajustar algumas coisas rever o tempo, mas o principal que a gente passou foi, alegria, espontaneidade e o principal, a gente passou aqui com a cara da Ilha. “Nós temos espalhados pelo ensaio vários diretores, vamos sentar amanhã conversar, terça a gente faz uma reunião analisar cada ponto, mas eu acho que a gente chega faltando um pouco mais de um mês para o carnaval, bem perto do ideal que a gente espera pra disputar o título. Gostei muito da minha comissão de frente, meu casal esses dois quesitos foram muito bem, mas hoje eu vou dar mérito para o samba, para minha bateria e meu carro de som”, afirmou Dudu Falcão, diretor de carnaval.

Samba-Enredo

Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Com a responsabilidade de substituir ninguém menos que Ito Melodia, o estreante Igor Vianna deu conta do recado ao lado do carro de som, apresentando condução correta do samba e o tempo todo inflamando a comunidade insulana a cantar. Não sentiu em nenhum momento a pressão por quem substituiu, completamente adaptado à nova agremiação. A obra de Noca da Portela e companhia teve por parte da “Baterilha” de mestre Marcelo Santos, uma condução de andamento bastante pertinente ao que está de acordo com o estilo e tradição da bateria insulana, sem deixar que um samba com bastante ênfase para a parte melódica ficasse arrastado, ao contrário, ficou bastante agradável para quem desfilava e para quem acompanhava o treino oficial da escola. Um dos trechos mais aclamados pelos desfilantes que cantavam com maior empolgação era o verso que dizia justamente o nome da Portela, escola madrinha e homenageada. É incrível citar que a parte mais cantada é o nome de outra escola, mas isso demonstra o quanto a comunidade aceitou e comprou a ideia do enredo.

Harmonia

Treinando todas as quartas-feiras na Estrada do Galeão, a escola se sentiu bastante à vontade na Sapucaí e mostrou que o samba 2023 está na boca do insulano.O desempenho do canto da União da Ilha no ensaio técnico foi intenso, correto e constante. Difícil encontrar nas alas alguém que não estivesse cantando. Das primeiras até às últimas alas do desfile. Para lembrar de algumas alas em especial, no início, importante destacar a “Guerreiros da Ilha” e a que vinha logo atrás. Mais para o meio as alas “Cacuia dois” e mais para o final a ala “Dona Dodô”. Além destas, é importante citar também o canto de segmentos como as baianas e os passistas. O refrão “Bença dindinha” era quase gritado pela comunidade. No trecho “Portela…” até o final da segunda do samba, em alguns momentos, o carro de som chegava a parar para deixar os componentes levarem sozinhos os versos. O elogio ao trabalho de Igor Viana já destacado, também pode-se estender aos outros integrantes do carro de som. Igo fez poucos cacos mas sempre que podia chamava o componente a cantar ainda mais forte o hino da Ilha para o carnaval 2023.

“O balanço do ensaio é muito positivo. Se não fosse essa rapaziada no carro de som, sinceramente, eu estaria ferrado para caramba. Se o ensaio foi bom do jeito que estou achando que foi bom, do jeito que eu estou vendo que foi bom, eu devo tudo essa rapaziada. Minha parte do samba favorita é a que enaltece a nossa homenageada, justamente a parte que a bateria zera para o povo cantar ‘Portela, é hoje o dia de sonhar’. Melhor [que esse entrosamento com a bateria] impossível. Ao Mestre Marcelo e toda rapaziada dele, eu só tenho a agradecer. Só tenho o que agradecer ao jeito que essa bateria me recebeu. Depois, eu tenho ver a questão da harmonia com o pessoal da Harmonia. Quando eu estou no carro de som, eu só quero saber de carro de som e bateria. Claro que a gente tem muita coisa a melhorar, mas a gente está bem entrosado graças a Deus e aos orixás”, disse o intérpete da Ilha.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Os experientes Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete, que estão dançando juntos novamente, agora na União da Ilha, apresentaram para o público da Marquês de Sapucaí um bailado muito característico e tradicional. Mas com muita intensidade. Os passos que Thiaguinho realizava impressionaram por tamanha precisão, pela velocidade, mas, sobretudo, pela beleza e altivez, cortejando a porta-bandeira. O mestre-sala usava um leque que dava ainda mais singeleza e graça aos seus movimentos. O giro da dupla junto foi outro ponto alto, além dos momentos em que Amanda empunhava a bandeira no alto, rodando e realizando “bandeiradas”. Amanda também chamou a atenção por seu vestido em duas cores, de um lado o azul, e do outro o vermelho. Quando ela girava, as cores pareciam se misturar. O entrosamento da dupla era notável e não se observou nenhum erro, imprecisão ou qualquer coisa fora do tom. Tudo muito bem dentro de uma linha de apresentação impecável.

“Eu não sou de falsa modéstia. Eu estou muito satisfeita com o resultado. Óbvio que nós somos muito fominhas, sempre vamos achar no que melhorar. Daqui até o carnaval tem bastante tempo para aprimorar tudo que talvez não tenha saído como ideal. Em um balanço, eu estou muito satisfeita e muito feliz com nosso ensaio. Nós conseguimos executar tudo aquilo que nos propusemos. Daqui, sempre buscar melhorar. É sempre muito bom poder ensaiar no palco. Eu acho que nós, os artistas do carnaval, somos privilegiados por ter esse palco disponível durante bastante tempo antes do desfile. A gente pode vir aqui para rir, para chorar, para errar e acertar durante bastante tempo. Nós gostamos de vir aqui sugar o máximo possível. E o ensaio técnico é plus porque a gente consegue ver, junto com a energia da escola, o andamento, o entrosamento com o público, sentir a energia dos espectadores também. O sambista por si só é privilegiado por ser sambista e por ter um palco tão disponível para ele”, disse a porta-bandeira.

“Eu costumo dizer que ensaio técnico é para errar. Na visão, eu acho que a gente não teve erro. Depois vamos sentar para analisar direitinho, ver se erramos ou onde precisamos melhorar. Saio daqui satisfeito. Gostei que o público que assistiu retribuiu bastante, deu uma energia a mais para a gente desenvolver nosso trabalho. E agora é fazer melhor para o desfile. Eu acho que pisar aqui é ter a oportunidade de testar realmente tudo que a gente preparou com a escola, com o carro de som, com o andamento correto, com arquibancada vibrando. Nós conseguimos ir para casa hoje, e a gente não vai dormir nem tão cedo, e começar a conversar e saber o que seu certo e como melhorar. Estar na Avenida, nesse palco, é um grande teste”, completou o mestre-sala.

Comissão de Frente

Os integrantes, comandados por Márcio Moura, que retorna a agremiação para o carnaval 2023, apresentaram uma coreografia bastante divertida que trouxe frescor a um desfile que fala justamente da alegria e faz homenagens a duas escolas do carnaval carioca, a própria Ilha e a Portela. Os arlequins vestidos nas cores da Ilha, vermelho, azul e branco, com uma máscara dourada, pulavam, corriam, sorriam, dançavam hora de forma mais clássica e erudita, hora se esbaldando como “saltimbancos”. A indumentária ainda apresentava um brilho na parte de cima da roupa. O babado no pescoço dava mais volume e ajudava a realizar um efeito muito bonito quando o grupo se juntava e fazia os movimentos de uma forma homogênea como se fosse apenas um organismo. No final da apresentação uma bandeira enorme com as águias e os brasões das duas escolas presentes no enredo finalizou de forma arrebatadora a apresentação.

Evolução

A União da Ilha evoluiu com bastante fluência, com os componentes brincando carnaval em um ritmo bastante casado com a cadência do samba. Ritmo que favoreceu também o canto da escola, não infligindo correrias aos componentes. Não se observou buracos ou grandes espaçamentos que pudessem ser significativos para a perda de ponto se fosse uma apresentação oficial. Mas é importante apenas citar que na chegada da bateria no primeiro módulo de julgamentos, um pequeno espaço foi deixado em relação a ala de passistas que vinha logo a frente, problema rapidamente resolvido.

Outra situação que também demanda atenção é com a evolução das musas que em alguns momentos também deixavam um pequeno espaço até a ala da frente. Estes pontos não causaram maiores prejuízos a apresentação da Azul, Vermelha e Branca. De positivo, também pode-se destacar o volume da escola que veio com um grande contingente de componentes, a maioria dos desfilantes tinham adereços de mão, sejam sombrinhas, balões, varinhas luminosas, cada ala com sua característica. Algumas alas realizavam coreografias, como a primeira que vinha logo atrás do casal principal, com os componentes dançando em pares de forma muito doce e singela, remetendo a passos de valsa. No geral, nível muito alto de apresentação.

Outros destaques

A “Baterilha”, de mestre Marcelo Santos, agora em trabalho solo, fez uma apresentação de excelência com uma grande condução do samba e passando pela Sapucaí e deixando uma chuva de papéis picados sobre os ritmistas e o público em alguns momentos. A rainha Juliana Souza chamou a atenção exibindo muito samba no pé e simpatia.

“Ensaio muito produtivo. Era o esperado pelo o que a gente tem feito na Estrada do Galeão. A bateria tem se mostrado muito confiante, muito preparada para esse primeiro teste que é o ensaio técnico. Não é bem um ensaio, é mais um teste para a gente ver o que pode se acertar ainda dentro da bateria. Hoje, se tivesse valendo, acho que a nossa nota seria dez. Desculpe pela pouca modéstia, mas a bateria hoje se apresentou muito bem. Conseguimos fazer o que nós queremos preparar para todas as bossas para os jurados e a surpresa que tínhamos preparado para homenagear a Portela. Acho que a homenagem surtiu muito efeito, emocionou a galera, e também acho que vai emocionar os jurados no dia do desfile. A gente virá com três paradinhas. Vai ter algumas coisas que a bateria da Portela faz, nós vamos homenagear a bateria do mestre Nilo, a Tabajara do Samba. O lance da cabeça do samba que vocês vão conseguir sacar que vai ter a virada tradicional da ilha, logo depois a da Portela. Depois da caída de segunda, a bateria vai prestar uma homenagem à águia centenária, a nossa madrinha Portela. Vai ser muito bonito no dia”, prometeu mestre Marcel, que levará 250 ritmistas para Avenida em 2023.

No alusivo, a Ilha fez uma homenagem a Portela e o intérprete Igor Vianna cantou “Corri pra ver”, samba da velha guarda da Águia de Madureira. “Festa Profana” e “É hoje o dia” fizeram parte do repertório do esquenta que foi um dos que mais mexeu com o público. O presidente Ney Filardi também esteve presente bem ao seu estilo despojado, de bermuda e chinelo, totalmente à vontade, curtindo o desfile da Ilha e a todo momento inflamando e agradecendo os componentes. Mais para o final da escola, Cahê Rodrigues, carnavalesco da agremiação, distribuía simpatia, tirando fotos e mexendo com os componentes.

Colaboraram Augusto Werneck, Cristiano Martins e Matheus Vinícius

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