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Reforma no barracão do Salgueiro pretende melhora na logística e mira em um carnaval mais sustentável

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O Salgueiro concluiu antes de iniciar o desenvolvimento propriamente dita do Carnaval 2023 uma ampla reforma no quarto andar do barracão localizado na Cidade do Samba, onde fica a produção de fantasias e adereços. A ideia principal foi concentrar este trabalho na área destinada à escola na Cidade do Samba e evitar que alguns elementos tivessem que ser feitos em ateliês externos. O carnavalesco Edson Pereira conta que a medida foi planejada para a construção de um carnaval mais sustentável, evitando o desperdício e tornando o trabalho mais homogêneo.

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Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

“Na verdade, da até mais trabalho porque você concentra tudo em um lugar só. Porém te da mais conforto de pensar, de reutilizar. Se a gente está falando de um carnaval de sustentabilidade, concentrar tudo ali dá um aproveitamento melhor dos recursos. É reestruturar o barracão do Salgueiro. Quando eu cheguei aqui, a gente veio com a proposta de realocar tudo e criar um novo pensamento não só para o salgueirense, mas para o carnaval. A gente criou baias, nessas baias são construídas todas as fantasias, cada setorização está em um lugar e a gente batizou estas baias com pessoas que foram muito importantes para o Salgueiro”, explicou Edson.

A divisão em baias seguiu uma setorização e deu aos profissionais do ateliê um entendimento maior daquilo que estavam produzindo. Além da homenagem aos carnavalescos que passaram pela agremiação, na porta de cada espaço tem a identificação de cada fantasia que está sendo produzida ali e o setor que ela faz parte. Novidade na escola para o Ccarnaval 2023, o diretor Julinho Fonseca explica que as medidas geraram economia e ajudaram no controle de estoque, entre outras possibilidades.

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“Em todas as baias dá para ver o que está acontecendo, às vezes está precisando de um material do lado, pega do outro, as costureiras estão de comum acordo com todos os ateliês, ou seja, o empreiteiro não precisa pegar a fantasia aqui para levar para fazer, costurar, é tudo dentro do barracão do Salgueiro. E para a gente, em nível de logística, é muito bom, já fica pronto para entrega, já estou ensacando minhas fantasias. A economia é absurda. Só depois do carnaval que a gente vai fazer um levantamento para saber de verdade o que foi gasto. Mas com essa arrumação do carnaval, a gente controla melhor. Por exemplo, chega um rolo de tecido de 100 metros, você manda para um ateliê fora, não que você não vá confiar, mas como que controla isso? Aqui não tem desperdício. Foi um investimento que o Salgueiro fez para a vida. Vai passar o André, vai passar eu, vai passar o Edson e o quarto andar vai continuar. E queremos mudar a logística do primeiro andar também neste sentido para a questão de estoque dos carros e menos desperdício”, esclarece o diretor de carnaval da Vermelha e Branca.

Julinho também esclareceu que hoje praticamente todas as fantasias estão sendo produzidas no barracão e elogiou a interação entre a equipe que chegou para este carnaval, como o próprio diretor de carnaval e o carnavalesco Edson Pereira, com os integrantes antigos da parte de produção da agremiação.

“O Salgueiro tem de 95 a 98 por cento de suas alas sendo confeccionadas no Barracão. Edson tem um grupo muito bom, tudo no barracão vem sendo comandado pela Alessandra, que tem um timaço de reprodução de fantasia que uniu os que vieram de fora com os que são da casa, que fazem Salgueiro há anos. Hoje a gente tem a tia Arlete que tem 50 anos de Salgueiro, fazendo a ala de compositores, tem o tio Fernando que tem mais de 40 de Salgueiro. Pra gente unir essa rapaziada jovem com o pessoal antigo da escola, foi muito bom. É um ajudando o outro”, revela Julinho Fonseca.

A equipe do CARNAVALESCO ao visitar o quarto andar teve o prazer de conversar com Tia Arlete, citada por Julinho na entrevista. Só produzindo fantasias para a Academia do Samba, a costureira tem 27 anos. Como integrante do Salgueiro, a baluarte vai fazer 50 anos em 2023. A simpática Tia Arlete, que tem sempre um cafezinho com bolo para oferecer em sua baia, aprovou a reforma realizada pela diretoria.

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“Eu comecei fazendo a roupa da diretoria, e depois no barracão fazia a roupa do filho do Maninho (ex-presidente), fazia roupa de artistas e alas. Sempre fiz velha guarda, depois de muito tempo eu vim fazer compositores. Esse ano estou só com a velha guarda. Gostei muito da reforma, das homenagens e tudo. No início até estranhei um pouco, porque você está acostumado há 20 anos em uma linha. Mas, o espaço para mim está bom, esse espaço ficou ótimo e até cedi um pedacinho para o meu amigo (risos)”, contou de forma bastante descontraída Tia Arlete.

Após o carnaval, a intenção da diretoria é realizar mais homenagens no quarto andar a artistas do passado da Vermelha e Branca, além de realizar um evento para inaugurar oficialmente o espaço.

Opinião do CARNAVALESCO: panorama do quesito Comissão de Frente

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PodCarnavalesco: papo sobre enredo e os rumos do quesito

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Ele é cria! Tinga ressalta força da Vila Isabel: ‘escola canta forte, vibra e evolui bastante’

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Cria da Vila e um dos grandes nomes dos carnavais do Rio de Janeiro e de São Paulo, o intérprete Tinga, com apoio da comunidade, promete entoar o Evoé na Marquês de Sapucaí e assim entregar um bonito desfile da Vila Isabel. Na série “Entrevistão” do CARNAVALESCO, o cantor falou sobre sua carreira, a importância da Vila Isabel para ele, as referências que possui no mundo do samba, além da expectativa para o carnaval deste ano.

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Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO

Após tantas carnavais, qual o balanço que você faz da sua carreira? 

Tinga: “É maravilhoso. Eu sempre procuro fazer o meu melhor. Sempre ajudar a nossa escola e chegar ao nosso objetivo que é sempre ser campeão do carnaval. O meu balanço é esse: sempre dando o meu melhor”.

Qual o seu desfile inesquecível? 

Tinga: “Tenho muitos (risos). Para citar um fica até difícil, mas posso dizer que foi o de 2013, que a Vila Isabel foi campeã do carnaval. Foi um desfile muito lindo, a escola feliz, cantando muito forte e bonito. Graças a Deus, a Vila foi campeã do carnaval – e com um samba maravilhoso. Esse é inesquecível”.

Tem algum desfile que prefere não lembrar muito?

Tinga: “Não. Na verdade, todos os carnavais, para mim, foram muito bonitos e lindos. Até mesmo os que tiveram alguma dificuldade, porque sempre é um aprendizado. É tudo sempre maravilhoso”.

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No desfile de 2017, na Tijuca, você foi fundamental para segurar a comunidade no momento do acidente com a alegoria. O que passou na sua cabeça naquele momento?

Tinga: “Foi justamente isso. 2017 foi uma dificuldade muito grande. Eu procurei sempre ajudar a escola e motivar para que ela não desistisse do desfile. Muita gente já estava chorando, andando, e eu pensei: ‘tenho que fazer alguma coisa aqui para poder mudar essa história’. Graças a Deus a gente conseguiu motivar a escola de novo. A escola continuou, terminamos o nosso desfile e a Tijuca continuou no Grupo Especial – essa era a nossa intenção. Foi maravilhoso. Foi um trabalho muito grande feito pelo presidente Fernando Horta, na época, e eu só lembrava dele, por todo esforço para fazer aquele carnaval. Eu tinha quase certeza que se a Tijuca terminasse o desfile, ela seria a campeã daquele ano. Mas é assim, carnaval é desse jeito: na Avenida”.

Qual seu samba preferido da Vila Isabel?

Tinga: “Angola (2012), com certeza. Angola é um samba sensacional e o samba de 2013, maravilhoso também. Angola e o samba de 2013 são dois sambas realmente muito bonitos”.

Quais são suas referências como intérprete?

Tinga: “Minhas referências como intérpretes são os antigos: Nosso querido falecido Dominguinhos do Estácio, o querido Jamelão. Eles são as minhas maiores referências na área”.

Qual o segredo que a Vila Isabel tem em ter formado você e o mestre Macaco Branco, dois pilares da escola?

Tinga: “A gente começou muito cedo no Herdeiros da Vila, nossa escola mirim. Cantei com o Gera, assim como o Macaco Branco tocou com o mestre Mug. A Vila Isabel, a gente costuma dizer que é uma família – todo mundo ali. Eu conheço todos ali – todos os ritmistas, conheço todas as baianas – todos que estão lá a gente conhece, porque estamos ali desde sempre. Todos os garotos que são da bateria eram da minha época também. Somos todos uma família”.

São dez anos sem título da Vila Isabel. O que está faltando?

Tinga: “Só está faltando ganhar (risos). Acho que a Vila faz sempre um carnaval muito bonito e acredito que já mereceu ganhar em algumas vezes, como no ano de 2019, com Petrópolis, em que a Vila fez um carnaval muito bonito. 2022 também. Claro, não tirando o mérito da Grande Rio, que acredito que a Grande Rio é a merecedora desse título, mas a Vila também fez um grande carnaval. É isso: fazer o nosso melhor sempre e esperar o resultado”.

O ‘evoé’ pegou? Qual o segredo para levantar o samba?

Tinga: “O samba é alegre demais. É um samba maravilhoso. Eu costumo dizer que o samba tem que ser feito com o desfile. Não adianta: ‘ah, o samba é bonito’. O samba tem que acontecer para ajudar a escola, e esse samba da Vila ajuda a escola e a comunidade. Ela está feliz com ele e dá para perceber. A escola canta forte, vibra e evolui bastante. Acho que isso é o importante, porque o samba é para aquele momento. Às vezes o samba é muito bonito, mas ele não ‘acontece’ na avenida. Eu tenho certeza que o samba da Vila vai ‘acontecer’ na Avenida, porque é favorável ao enredo e a escola, que está feliz demais com o samba”.

O ‘abraço da comunidade’ foi fundamental para o samba vencer a disputa e ser impulsionado nos ensaios?

Tinga: “A comunidade tem que ser sempre exaltada. Eles que vão para a Avenida, eles que vão cantar e vibrar. É o que acontece quando escolhem um samba que eles gostam. Eles estão cantando o samba que escolheram. Isso é muito importante, porque eles vão chegar na Avenida e darão o resultado. Evoé vamos com tudo!”

Escolas mirins participam de ensaio técnico no Sambódromo

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As expectativas em relação aos ensaios técnicos das grandes escolas com a proximidade do carnaval, a cada semana aumentam. O público que ansiosamente espera pelas apresentações do Acadêmicos do Salgueiro e Portela, terá um motivo mais do que especial para lotar as arquibancadas do Sambódromo, chegando antes do horário inicialmente programado. No próximo domingo, às 19h, as agremiações que compõem o grupo mirim, estarão com seus componentes e todos os segmentos dando um aperitivo do que mostrarão na Terça-feira de Carnaval, encerrando a grande festa na avenida.

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Foto: Arleson Rezende/Divulgação

O ensaio técnico das escolas infantis será promovido pela Associação das Escolas de Samba Mirins, com apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, Riotur, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Liesa. A criançada mostrará o autêntico gingado ao som de clássicos sambas que marcaram época.

As dezesseis escolas terão representatividade com casais de mestre-sala e porta-bandeira, passistas, baianinhas e bateria que será formada por ritmistas da Nova Geração do Estácio de Sá e alunos da Escola de Percussão de Mestre Chuvisco, que terão a oportunidade para dar mostras do que estão preparando durante os treinamentos nas quadras, visando o desfile oficial dia 21 de fevereiro.

“Será a oportunidade única de mostrar para essas crianças que o desfile infantil é coisa séria, apesar de ser uma apresentação amistosa. Terão o aprendizado do tempo de apresentação dos segmentos, os espaços para evoluírem e mostrarem aos amantes do carnaval o que eles desde pequenos podem e têm capacidade de mostrar quando o assunto é desfilar na Passarela do Samba”, destacou Alexandre Moraes, Diretor de Carnaval.

A diretoria da Aesm-Rio convoca os admiradores do carnaval e sambistas de todas as idades para prestigiarem as escolas mirins no domingo e ressalta que dia 21 de fevereiro, as entradas são gratuitas nos setores das arquibancadas do Sambódromo.

“Chamo a todos os que amam o carnaval para se emocionarem com as crianças. Eles se superam mostrando samba no pé, alegria e espontaneidade! Conto com a presença de todos”, convida Edson Marinho, presidente da Aesm-Rio.

Império Serrano cuida da saúde dos componentes para o Carnaval 2023

O Império Serrano, além do encontro das bandeiras, na noite desta terça-feira, uma ação social para seus integrantes e os componentes da Beija-Flor de Nilópolis que estavam presentes neste ensaio. Foi feita a medição de a pressão arterial e glicose, além do aconselhamento para cuidados básicos de saúde. A vice diretora de cultura do Império falou um pouco dessa importância dos cuidados da saúde para com seus componentes.

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Fotos: Cristiano Martins/Site CARNAVALESCO

“Estamos fazendo uma ação em prol da saúde dos nossos componentes, onde está sendo verificado a glicose e pressão. Tudo feito gratuitamente. É uma preparação para o carnaval. Parceria do Império Serrano, departamento cultural e o curso Grau”, disse Paula Maria.

A diretora ainda ressaltou a importância desses cuidados e disse que a ação pode acontecer em outros eventos pré-carnaval que acontecem na quadra da agremiação.

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“É importantíssimo ainda mais nesse pré-carnaval onde as pessoas costumam ficar nervosas e esse calor excessivo que está fazendo ajuda a previnir algumas situações. É o Império Serrano cuidando do seu componente, para que ele esteja na avenida cantando o samba rumo a vitória”.

Superliga divulga ocupação dos novos espaços na ‘Nova Intendente’

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Dentre tantas novidades do carnaval da Superliga, na “Nova Intendente”, estão os novos espaços como camarotes, lounges e frisas. Sem perder a essência do carnaval do povo, a entidade divulgou como será a liberação desses espaços na Avenida Ernani Cardoso nos dias dos desfiles do Grupo de Avaliação, Série Bronze e Prata.

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Fotos: Divulgação

Todas as frisas serão liberadas para o público, que as ocuparão por ordem de chegada no local. Já os lounges serão destinados aos convidados de cada agremiação que desfilarão no dia, cabendo a cada escola o repasse desses convites. Já os camarotes serão ocupados pelos patrocinadores do evento.

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“Apesar das novidades, manteremos a essência do carnaval do povo. Teremos os espaços para quem gosta de levar sua cadeira de praia, seu cooler, levar as crianças. O carnaval da Intendente sempre foi familiar e isso jamais mudará. Proporcionaremos um grande espetáculo todos os dias. As agremiações estão dando o melhor de si para essa estreia em um novo local”, revelou o presidente Clayton.

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Além dessas novidades, a Nova Intendente também contará com um novo sistema de som e iluminação, além da pintura da pista. O novo local contará com a capacidade de 5 mil pessoas, número maior que o dobro da antiga estrutura. Também contará com praça de alimentação e segurança.

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Os desfiles do Grupo de Avaliação acontecerão no dia 19 de fevereiro. As agremiações da Série Bronze entram na Nova Intendente nos dias 20 e 21. Já as 32 escolas da Série Prata entram na passarela nos dias 24 e 25, em busca de três vagas na Série Ouro para o carnaval de 2024, na Marquês de Sapucaí.

Governo do Rio libera patrocínio para escolas de samba por meio da Lei de Incentivo à Cultura

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O Governo do Estado do Rio de Janeiro concluiu nesta terça-feira (31/01) o processo que viabiliza o patrocínio das 12 escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval. O investimento será feito pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Sececrj) via Lei Estadual de Incentivo à Cultura e o valor a ser dividido entre as agremiações é de pouco mais de R$ 9 milhões.

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Foto: Rogério Santana/Governo do Estado

“O Carnaval é o principal evento do calendário do Rio de Janeiro, quando todo o estado recebe turistas e viajantes de todo o mundo, fomentando mais que a nossa Cultura, mas todo o setor de serviços, garantindo aquecimento da economia. É fundamental a gente olhar para o Carnaval com esses dois conceitos: valorização da identidade cultural e oportunidade de geração de emprego, renda e arrecadação. A festa será linda e todos são bem-vindos”, diz o governador Cláudio Castro.

A verba destinada ao Carnaval é fruto de pedido da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que solicitou o apoio, possível a partir da renúncia fiscal com uma Declaração de Patrocínio (DEP). O mecanismo funciona com a concessão de benefício fiscal para empresas contribuintes de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), garantindo a reversão da renúncia dos valores em investimento a projetos culturais e financiamento da arte fluminense. Assim como no ano passado, a Light cumpriu todos os requisitos e mais uma vez será parceira do Estado no financiamento da festa.

“A busca pela democratização do acesso aos recursos da pasta passa diretamente pelo fortalecimento da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Trabalhamos para fomentar, ajudar a estruturar e para celebrar a cultura fluminense. Não podemos deixar de exaltar nossa identidade”, avalia a secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros.

Além do valor que será destinado via Lei de Incentivo à Cultura, o governo lançou, em novembro do ano passado, o pacote Folia RJ 2023, com quatro editais, totalizando investimento de cerca de R$ 12 milhões ao Carnaval. Deste valor, R$ 4.3 milhões são destinados exclusivamente às escolas de samba, por meio da chamada ‘Não Deixa o Samba Morrer RJ 2’. Os projetos estão em fase de envio de documentação, com prazo vigente até o dia 9/02, para posterior pagamento.

Lilian Martins, diretora executiva do Camarote do King, diz que espaço cresceu para o Carnaval 2023

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Os clientes, acostumados a frequentar o Camarote do King durante o carnaval na Marquês de Sapucaí, já podem se preparar para entrar em um camarote completamente diferente das últimas cinco edições. A começar pelo tamanho, o King cresce e passa a ter 2.000 m², uma expansão de 25% quando comparados com o ano anterior. A capacidade aumenta e pode comportar até 2 mil pessoas, mas a organização prevê receber, no máximo, 1.200 pessoas por noite.

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Lilian Martins é a Diretora Executiva do Camarote do King

O terceiro andar ocupou todo o módulo do setor 8 e agora são 60 metros de frente para a Avenida e um robusto crescimento em espaço interno, que contempla um novo lounge, banheiros, áreas de circulação e uma reformulação da boate. A diretora executiva do Camarote, Lilian Martins, explica que essa preocupação de crescer na área interna se dá por conta da possibilidade de chuva.

“Eu quis aumentar o espaço interno por medo de chuva, pois quando chove as pessoas fogem, então quando tem muita frisa e pouco espaço interno e chove, acaba não comportando. Aí já que aumentamos, também colocamos mais banheiros”, explicou.

O buffet também sofreu mudanças. As ilhas para servir a alimentação aumentaram de tamanho e disposição, visando dar mais agilidade para reposição da comida. O sushi bar também cresceu e foi para a nova parte interna do 3º andar. Nas escadarias, dois antigos parceiros: Café Três Corações (entre 1º e 2º andar) e Sorvetes Kibon, que agora ganha um lounge entre os 2º e 3º andares.

“O camarote é muito reconhecido pela gastronomia e nós quisemos valorizar ainda mais, essa marca que atrai nossos clientes”, contou Lilian.

Outra mudança estrutural bastante significativa foi a boate, que teve o palco reposicionado e algumas paredes internas derrubadas, com isso, os shows irão acontecer de modo que o público terá um espaço maior e integrado para aproveitar os shows de praticamente todo o primeiro andar. O Camarote do King reforça o compromisso com os desfiles e assegura que as paredes da boate têm isolamento acústico reforçado.

Durante o carnaval os shows na boate costumam acontecer no intervalo entre as escolas de samba e neste ano não será diferente. No entanto, o King, em 2023, esticará a festa após a última escola, iniciando um show após os desfiles de domingo (19), com Xande de Pilares e também na segunda (20), com Caju pra Baixo. A organização ainda está planejando a atração para fechar o carnaval após o último desfile do sábado das campeãs.

Desde sua fundação o King já proporcionou aos seus clientes algumas viagens por meio da decoração do camarote, que todos os anos tinha um tema, tais como Veneza, Turquia e Marrocos. Em 2023, o King não terá tema, mas terá uma decoração completamente high tech e repleta de sons e luzes automatizadas.

As bebidas alcoólicas do open bar seguem por conta do grupo Petrópolis, que patrocina o camarote com a cerveja Petra, Go Draft e Itaipava 100% e o grupo Pernod Ricard, detentor das marcas patrocinadoras Vodka Absolut, Gin Beefeater e Whisky Ballantines.

E com tantas novidades, o camarote do King também lançou um novo produto: O Pagode da Abelhinha, que vem acontecendo durante todos os ensaios técnicos, na frisa do camarote. O público do evento é convidado e a organização prioriza clientes e parceiros do camarote. Esses foliões vêm aos ensaios já para entrarem no clima de carnaval.

Lilian conta que esse pagode da abelhinha surgiu na casa da família King e se trata de uma homenagem para Dona Eliane, a matriarca. “Estava todo mundo na cozinha de casa e o pessoal estava tocando. De repente ela pediu para todo mundo sair da cozinha para tocar do lado de fora. O João viu aquilo e já falou que o pagode da abelhinha era um produto. Aí agora nos ensaios técnicos começamos a fazer esse evento e queremos que ele continue após o carnaval, pois é uma forma de tratar bem o nosso cliente e de mostrar como é a nossa estrutura”, explicou.

Hoje a quantidade de ingressos vendidos para o carnaval está na casa dos 70%. Confira as atrações do Camarote do King para os dias de desfile:

Sexta (17): Papatinho, Bola Preta, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro
Sábado (18): Thiago Soares, Dj Sammi, Dj Netto, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro
Domingo (19): Xande de Pilares, Carrossel de Emoções, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro
Segunda (20): Pique Novo, Julio Sereno, Dj Sammi, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro
Sábado (25): Molejo, Swing e Simpatia, Chacal do Sax e Adriano Ribeiro

Milton Cunha reflete sobre sua carreira e o carnaval na atualidade

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Milton Cunha é um dos sambistas mais relevantes do carnaval carioca. Produtor cultural, organizador de eventos e pensador da nossa festa, ele está presente na cobertura dos ensaios de técnicos do Grupo Especial pelo Rio Carnaval, na função de comentarista dos desfiles do Rio de Janeiro, na Rede Globo, e apresentando diversas lives com o carnaval como protagonista. O carnavalesco reverenciado começou na Beija-Flor, em 1994, e fez sua carreira visando ter espaço como comunicador. Essa última tarefa foi conquistada em 2013 quando pediu um espaço na TV Globo. Milton Cunha explicou para o site CARNAVALESCO a pretensão de mudar de carreira.

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Fotos: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO

“Era um plano desde sempre. Eu chego no Rio, em 1982, para ser ator e diretor. Aí eu trabalho com a noite, com Chico Recarey e desfiles de moda, conheço Anísio [Abraão David] e ele me bota no Carnaval em 1993. Eu disse assim: ‘Milton, fica uns anos aqui, mas volta a estudar, faz mestrado e doutorado. Quando tu puder, Milton, te manda, porque teu projeto é a TV, a fala’. Por isso eu animava a quadra, eu era um carnavalesco que subia em palco. Eu sempre quis a luz e o microfone. Eu sempre quis essa papagaiada. Mesmo carnavalesco, eu fazia jornal: eu tive uma coluna 6 anos em O Dia, eu fazia rádio, eu fazia Leda Nagle, ‘Sem censura’. Eu nunca saí da comunicação. Quando chegou 2010, eu disse ‘chega’. Fiquei desempregado entre 2010, 2011 e 2012. 3 anos desempregado e eu não desisti. Em 2012, eu bati nas costas do Miguel Athayde, diretor da Globo, e disse ‘Eu quero uma chance’. Eu digo, hoje, passados 60 anos da minha vida, que eu cumpri exatamente os meus tempos, os meus ciclos. Tem a virada de sair de Belém do Pará. Tem a virada de entrar no Carnaval. E tem a virada de 2012 e 2013, eu estou no lugar que eu sempre quis estar”, reflete Milton.

A meta do paraense agora é crescer na televisão. Com um carisma inegável, a pergunta sobre ter mais espaço para um conteúdo autoral e com a sua cara se faz necessária. Cunha sonha em levar o carnaval de escola de samba para outros contextos e outras culturas brasileiras e provocar esse choque cultural positivo.

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“Acredito que o público pode sonhar com um programa de cultura popular, não só de carnaval. Eu vou muito bem com artesãos, com mendigos, com bordadeiras. Eles vão adorar, porque eu sou muito solto, muito brincalhão. Seria um programa de bom humor sobre o povo brasileiro. Claro que eu enfiaria em todo esse programa, sempre, um sambista, uma baiana, um artesão. Eu faria uma linguagem que seria o diálogo dos sambistas com o resto do Brasil e suas festas populares. O samba e o maracatu. O samba e o boi de Parintins. O samba e a polca do Rio Grande do Sul. Eu acho que daria maior pé”, exemplificou ele.

Milton e as lives

Nos tempos de pandemia e indecisão sobre o carnaval, as lives no YouTube e no Instagram foram as responsáveis por manter o coração do folião batendo. Com a inovação dos mini-desfiles e outros eventos ao vivo para o povo do samba, Milton Cunha despontou com uma figura importante para comunicar o Carnaval. Hoje, ele ancora as lives dos ensaios técnicos do Grupo Especial, diretamente no setor 3 da Sapucaí, com uma equipe de repórteres na pista. Isso é a tecnologia em prol da ampliação do alcance do carnaval.

“A tecnologia está nos dando cada vez mais condições de escapar dos grandes canais, porque cada um tem o seu canal. Com essa nova janela, quem ganhou foi o público. Não podendo ir à Sapucaí, não tinha como desligar a TV aberta para ver. Agora a gente tem um leque de olhares sobre o ensaio, sobre a quadra”, comentou Cunha.

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“Essa transmissão dos ensaios é um sonho antigo da Liesa, do Gabriel David e meu. A Globo nunca vai me colocar para ancorar isso, eu ia ficar ali e os jornalistas iam ficar de âncora. Então minha chance era o Gabriel e era isso que ele me deu, porque ali eu imprimo um olhar da minha experiência, eu chamo as minhas repórteres e vou imprimindo um ritmo meu. A Globo, no ano seguinte, já me chamou para fazer o Multishow. Acaba que a live, essa nova tecnologia, é uma porta fantástica para novos comunicadores. Eu fico vendo as lives para catar gente do samba que fale e seja interesse, porque o segredo é colocar alma, não pode ser só técnico e ter boa voz. Sim, as lives podem melhorar, as tecnologias também, mas que bom que já existe esse canal para nós nos colocarmos como sambista e comunicador”.

A volta da “normalidade” e o futuro

Segundo Milton Cunha, o Carnaval passou por anos muito difíceis até chegar ao primeiro carnaval com certa normalidade, que será o de 2023. Na sua retrospectiva, ele aponta a instabilidade da gestão do prefeito Marcelo Crivella (de 2017 a 2020) e a pandemia de Covid-19 que impediu os desfiles em 2021 e os adiou em 2022. Depois de 3 anos, o Carnaval volta a ser celebrado na data correta marcada no calendário. Essa percepção não deixaria de refletir na evolução estética das escolas de samba.

“Nós sobrevivemos à intolerância do bispo, ao vírus e aos cancelamentos. Com esses cancelamentos, surgiram novos produtos que foram ótimos. [Parafraseando Annik Salmon e Gui Estevão] A dor que pariu a pandemia pariu soluções e saídas para fazermos novas coisas. Eu espero uma consciência que essa diversão, esta cultura de bloco, baile e Sapucaí é importantíssima para gente sobreviver enquanto cidade. Na hora que a cidade do Rio perder o ‘tchica tchica bum’, como ela perdeu na pandemia que não tinha quadra, não tinha botequim, ela perde a identidade. Este ano é a retomada da consciência de que esse período momesco define a identidade carioca”, disse.

Para o futuro das concepções de desfile, Milton considera que não há mais espaço para evocar preconceitos como racismo, machismo, homofobia e etarismo e exaltar a branquitude. “Esse Carnaval de museu, de endeusamento da branquitude, já foi. Eu não quero nunca mais que eles tirem 10 em Enredo. É preciso que os enredos e os sambas tragam a modernidade. É preciso que as escolas sejam socialmente observadoras desse estilhaçar de valores. Não dá mais para ficar na Princesa Isabel”.

Nessa esteira, Cunha considera que enredo bom precisa ter uma conexão com o público por sua simplicidade de narrativa. Ele exemplifica por meio da facilidade do entendimento do enredo que Rosa Magalhães e João Vítor Araújo desenvolveram para 2023 sobre a chegada dos búfalos na Ilha de Marajó, no Pará. Para Milton Cunha, os enredos e os sambas precisam ser mais “povão” e mais diretos através de temáticas populares. Outro aspecto que impactou a arte de fazer carnaval foi a abertura maior para entender a comunidade em que as agremiações estão inseridas.

“Houve uma revolução a partir de 2015 quando as escolas caíram em si, primeiro, na importância das comunidades. Houve uma varredura das alas comerciais. Isso esquentou os ensaios de rua e eles passaram a ser um programa da cidade. Com o esquentar das propostas de ensaios e valorização da comunidade, os artistas tiveram a liberdade de propor coisas que tem a ver com a cara do nosso povo. Acho que estamos vivendo uma fase áurea, uma fase dourada, das escolas de samba”, argumentou Milton.