A Liga-RJ finalizou esta semana o curso de julgadores para o Carnaval 2023. O encerramento contou com a presença da professora e ex-carnavalesca, Maria Augusta. A Liga-RJ este ano inovou e fez uma estratégia diferente para avaliação. O processo seletivo contou com duas etapas: uma prova escrita de conhecimentos gerais sobre carnaval e julgamento e em seguida aulas expositivas, explanações e workshops. No total foram três encontros com oito horas de duração cada, sob o comando da Dra. Lydia Rey, que possui longa trajetória comandando cursos de jurados em diversos carnavais do país.
Fotos: Diego Mendes/Liga-RJ
“Fiquei bastante satisfeita com o resultado. A prova foi importante. Tivemos 100 candidatos durante o processo de seleção e capacitação participando ativamente. A avaliação foi um parâmetro importante pra Liga-RJ e seus representantes conseguirem escolher aqueles candidatos cada vez mais preparados tecnicamente. Tivemos muitas mudanças em relação ao curso promovido no ano passado porque procuramos melhorar a cada ano. Nesta edição focamos principalmente em relação à postura do julgador, o que a gente espera dessa função julgador na Avenida”, contou a coordenadora do curso.
O júri não está definido ainda. Agora a lista dos aprovados segue para a avaliação dos presidentes das escolas da Série Ouro, que devem ser aprovados em plenária, na semana que vem.
Dudu Azevedo é diretor de carnaval da Beija-Flor de Nilópolis desde 2020, quando a escola desfilou com o enredo “Se essa rua fosse minha…” e voltou para o sábado das campeãs. Outro sucesso seu foi o vice-campeonato em 2022 com o enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. O jeito de comandar o carnaval é inspirado no presidente de honra Anísio Abraão David e no presidente Almir Reis. Para 2023, ano em que a Beija-Flor vai apresentar mais um enredo político, na esteira do ano anterior, o diretor busca acertar erros de outros anos e planejar os riscos. O site CARNAVALESCO conversou com Dudu Azevedo para ouvir o que ele tinha para dizer sobre seu jeito de liderar, como ele solucionou alguns problemas e a entrada da Ludmilla como intérprete.
Foto: Matheus Vinícius/site CARNAVALESCO
Você sente dentro da Beija-Flor um novo caminho com os enredos que dialogam mais com o dia a dia da sociedade?
Dudu Azevedo: “Não vejo como um novo caminho, porque a Beija-Flor já trouxe vários enredos críticos e sociais. A era Joãosinho Trinta falou muito disso. Depois também com ‘Saco vazio não para em pé’ e tem uma série de enredos que trazem essa parte social e política. Eu não vejo como um novo caminho, mas a gente vem de dois anos com enredo que coloca a sociedade para pensar e provoca a sociedade a ver história, a ver o seu dia a dia. Acaba que o componente se vê dentro dessa história. Isso é legal. Isso para a gente que trabalha esse nosso chão que é espetacular de estrelas é muito importante”.
É falado que vocês estão recuperando o jeito Beija-Flor de desfilar. Para você, o que é esse jeito da escola?
Dudu Azevedo: “Eu cresci vendo a Beija-Flor desfilar e tudo que eu queria era estar dentro para participar daquilo que eu via na Avenida. Em algum momento, depois da saída do mestre Laíla, que foi só um carnaval, começaram a deixar em dúvida esse chão da escola. Como eu já falei, são 3000 desfilantes, 3000 artistas. Quem veste a camisa da Beija-Flor leva no sangue, no peito e na raça o amor pela escola. A escola tem duas pilastras que a sustentam que são ensinamentos do Anísio [Abraão David] e, hoje, seguidos pelo Almir [Reis], nosso presidente: muito amor que a gente tem, nós derramamos muito amor, e muito respeito. Quem está aqui dentro tem isso por essência, são as pilastras que carregam a Beija-Flor. A Beija-Flor se encontra, como diz o samba de 2020, ‘Eu me encontro nos seus braços, Beija-Flor’. Ela se encontra nela mesma. Nosso papel é colocar essa energia por igual, equilibrar tudo isso trazendo grandes enredos, grandes sambas e fazendo esse show pulsar na Avenida”.
Foi pressão demais entrar na escola após resultados ruins e saída do Laíla?
Dudu Azevedo: “Eu vim um ano depois da saída do Laíla. A pressão da Beija-Flor é por títulos, está acostumada a ser campeã. Ela é a maior detentora de títulos da Marquês de Sapucaí, então vamos estar sempre nos cobrando para ser campeã. E está certo. Escola grande tem que ser campeã. Vamos trabalhar para ganhar títulos”.
Como é trabalhar com o Alexandre Louzada, tão campeão, e com o André Rodrigues que é da nova geração?
Dudu Azevedo: “[O Louzada] é o maior campeão junto com a Rosa Magalhães da era Marquês de Sapucaí. Eles estão maravilhosamente bem na sintonia deles. É importante para nós esse trabalho do dia a dia. A gente sempre teve em mente que o Carnaval é uma obra coletiva, tudo é debatido, tudo é conversado. Eu os vejo o tempo todo conversando e chegando no entendimento. Eu nunca tinha trabalhado com dois carnavalescos e está sendo surpreendente. Eu estou gostando muito da construção coletiva”.
Doeu em você ver a escola entrar sem as pessoas na alegoria no desfile de 2022?
Dudu Azevedo: “Foi muito ruim, né. Nós fazemos planejamento de carnaval, colocamos diretores para cuidar das alegorias e profissionais que montam as alegorias no barracão. De repente, a gente se viu em um beco na nossa comunicação na Avenida. O carro ainda não estava montado já na curva e decidimos levar o carro sem as pessoas. Entendíamos que, lá em cima, nós conseguiríamos arrumar as pessoas que não aparecessem. Acabou não rolando. Uma composição que poderia dar um passo para o lado colocaria a gente em um outro patamar. Isso fez a gente, esse ano, treinar bastante a subida e a descida das meninas e dos meninos dos carros, colocarem os diretores com toda programação e planejamento novamente nas mãos. Já ensaiamos duas vezes subidas e descidas, tem mais um ensaio no sábado [11 de fevereiro]. Acredito que a gente vai reparar esse erro que aconteceu no último ano”.
Qual é o seu desfile inesquecível no carnaval e por qual motivo?
Dudu Azevedo: “Eu coloco como meu desfile inesquecível meu primeiro ano de Beija-Flor: 2020. Gosto muito da letra do samba. Eu estou nessa batalha de Carnaval, eu falo, desde a barriga da minha mãe, mas tem 44 anos. Estou fazendo 10 anos de direção de carnaval, fiquei quase 10 como diretor de Harmonia. Quando você chega em uma Beija-Flor, é inesquecível o primeiro desfile. Entrar a primeira vez na Avenida e falar: ‘Caramba, cheguei na Beija-Flor de Nilópolis’. Não tem mais para onde subir. É uma escola de excelência. Eu cresci ouvindo o nome do Anísio, trabalhei ouvindo o nome do Almir. Quando você entra com essas duas pessoas e conversa de Carnaval, a gente vê o quanto aprende todo dia. O Anísio é uma entidade do carnaval e o Almir é uma enciclopédia. O dia a dia da Beija-Flor é uma coisa maravilhosa pela parte coletiva e vem desses ensinamentos, dessas pilastras que erguem a escola”.
Você vem mudando os concursos de samba. O que ainda pensa em fazer que não conseguiu colocar em prática?
Dudu Azevedo: “Eu já tentei uma vez Copa do Samba, que foi legal para caramba. Já fiz uma final com dois sambas só. Eu acho que é um momento muito importante para a escola. Eu respeito muito a ala de compositores. A ala de compositores é segmento da escola e temos que respeitá-los. Eles fazem uma canção que eleva o desfile. Eu acredito que 60% ou 70% do desfile é você ter um um grande samba-enredo. Já vi escolas campeãs passarem na Avenida com problemas e até erros, mas o samba te emociona. Eu sou do tempo que o samba era cantado no Maracanã. Para mim, samba tem que ser cantado em plenos pulmões, em coro, por muita gente. Na disputa de samba-enredo, você cria personagens dentro da escola de samba. Tem personagens que você só encontra nas disputas de samba-enredo e integrantes seguem essas pessoas para torcer pelo samba e depois ficam na escola. Eu vejo como um momento muito importante a disputa de samba-enredo. Por muitas vezes, eu tento tirar dos compositores aquela coisa do investimento para você mostrar sua grande obra. É claro que se me colocar para cantar ‘Parabéns’ é muito diferente do Roberto Carlos. Investe em cantor, investe em palco. Eu tento diminuir algumas ali no dia a dia. Só que é uma disputa e, como toda disputa, quem tem garrafa para vender acaba elevando o nível. Eu não gosto da palavra proibir, mas você orienta não ter bandeira, não ter alegoria, aí o cara vem com lencinho, bolinha, chuva de papel picado, tem sempre uma estratégia para abrilhantar uma disputa. Por isso, a gente está sempre se perguntando como deixar a vara bem baixa, para sempre fomentar novos compositores e grandes compositores a estarem na escola. É o desafio de todo ano. Na Beija-Flor, vai ter sempre disputa de samba-enredo, porque nós temos uma ala de compositores maravilhosa e nos brinda todo ano com grandes sambas. A gente não pode deixar de fazer isso todo ano”.
O que pensa sobre a posição do casal no desfile volta para cabeça da escola?
Dudu Azevedo: “Eles voltam para atrás da comissão de frente. A gente tentou um outro local, mas cria uma tensão, cria um planejamento de desfile que não há necessidade”.
Para você, hoje, qual é a principal função de um diretor de carnaval?
Dudu Azevedo: “Eu falo que eu sou um diretor de carnaval que eu gosto de trabalhar com os melhores. Eu não quero saber tudo, não tenho essa pretensão. Eu não digo: ‘Coloca a escultura assim que vai ficar bonito’. Não! Eu digo: ‘Você que é escultor, como que a gente coloca para ficar bonito’. Ele é o profissional. Eu não falo para o Rodney e Plínio para tocar assim. Eu quero saber como eles colocam 260 pessoas para tocar à vontade. Eu faço sempre um diálogo e um debate. Os melhores profissionais vão me dizer o que é melhor para aquilo ali. Eu tento equilibrar todas essas energias e essas sabedorias deles. Eu acredito que o bom diretor de carnaval tem que passear por todos os segmentos, entender de tudo e saber que precisa trabalhar com os melhores para que os melhores saibam tudo. Eu só preciso entender, mas quem tem saber são eles. Aí põe tudo isso unificado para passar na Avenida”.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação
Em termos plásticos, qual é o caminho da Beija-Flor? É realmente impossível alguma escola de samba repetir um desfile como Áfricas em 2007 em termos de alegorias?
Dudu Azevedo: “Isso tem que perguntar para os carnavalescos [rindo]. Eles fazem alguma coisa, eu falo ‘bonito’, ‘maneiro para caramba’, ‘isso funciona’, ‘vambora’, ‘isso não é legal’, ‘isso não é maneiro’. Nós dialogamos, debatemos e achamos o caminho. Tem tanto material hoje diferente de 2007, a gente pode buscar volumes e riquezas diferentes de 2007 e de repente olhar falar que a escola está rica para caramba. Acho que cada carnaval é um carnaval. Eu acho que esse ano está rico para caramba, mas nem de longe se gastou o que se gastava naquele tempo”.
O falado gigantismo nas alegorias é um caminho sem volta?
Dudu Azevedo: “Eu prefiro falar de volume. O gigantismo às vezes te leva a planejamentos e risco de erro. Você ter volume é diferente. Eu adoro carnaval volumoso. Tem que ter volume. Nem sempre é uma escultura grande que faz você ser grandioso. De repente, você coloca 10 esculturas médias no carro e deu volume. Acho que volume é um caminho sem volta. Hoje, quem assiste quer se ver naquilo ali. Já foi se o tempo em que se fazia uma fantasia branca e falava: ‘representa a paz’. Hoje, a gente vive no mundo da imagem. Instagram, Facebook, tudo tem imagem. Quando você fala que aquilo ali é paz, você quer ver uma pomba da paz, por exemplo. Quando você vê, você interage com aquilo ali. Você está desfilando na Avenida, a pessoa está te apontando, está vibrando com você. Essa interação eu busco todo ano. Eu vejo como volume e imagem com essa troca de sedução de dentro para fora e de fora para dentro”.
Os componentes em todas escolas praticamente não sambam mais. Como melhorar o quesito Evolução?
Dudu Azevedo: “Realmente, quando a gente pega a década de 1980, é todo mundo sambando no meio da ala. Nós passamos por um período com o lance do desfile técnico. Eu gosto de fazer desfile para o povão, só que eu tenho que saber que eu sou julgado. Então nós temos o mínimo de organização e eu tento deixar o povo solto para andar para um lado, para o outro, abrir os braços. Tem uma palavrinha no quesito Evolução que pouca gente bate e aqui a gente brinca muito e cobra muito essa palavra: espontaneidade. Tem que ser espontâneo. Eu não posso ficar pedindo para todo mundo sambar, todo mundo abrir os braços. Tem que ser espontâneo. A melodia tem que te embalar de uma forma que você tenha espontaneidade de abrir os braços, de andar de um lado para o outro e sambar. É o que a gente tenta convencer o nosso componente a fazer”.
Com a entrada da Ludmilla, a Beija-Flor terá duas mulheres no carro de som. Como você aproveita as vozes femininas na tua harmonia?
Dudu Azevedo: “Hoje, o quesito Harmonia está sendo julgado por excelentes profissionais de canto, músicos, cabe a nós tentar entregar para quem vai nos julgar um equilíbrio de vozes, sustentação de vozes, não perder emissão de voz. E, nesse equilíbrio de um coro, eu tenho que ter voz masculina e feminina. Ano passado colocamos a Jéssica [Martin]. Esse ano, a gente tem a Jéssica e a Ludmilla ensaiadas, todas no seu timbre, fazendo um conjunto bem legal para dar cama ao nosso intérprete maior, a voz do Carnaval, Neguinho da Beija-Flor. Essa direção musical fica com o Betinho [Santos] ensaiando com eles. A gente confia muito no nosso carro de som”.
A Liesa realiza neste sábado, a partir das 19h, a tradicional cerimônia de lavagem da pista da Marquês de Sapucaí. O evento, que já faz parte do calendário de atividades do Sambódromo, reunirá baianas, ritmistas e componentes das escolas de samba do Grupo Especial, que pretendem atrair sorte e boas energias para os desfiles que estão por vir.
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
“Todos os anos, só podemos dizer que estamos prontos para o Carnaval depois da lavagem da Sapucaí. Vai ser mais um grande reencontro entre os sambistas, abrindo caminho para um espetáculo inesquecível”, afirma o diretor de Carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos.
Logo após a lavagem, haverá mais uma noite de ensaios técnicos, com a Vila Isabel e a Viradouro realizando o teste de luz e som do Sambódromo. Já no domingo (11), a partir das 20h30, será a vez de Beija-Flor e Grande Rio encerrarem a temporada. O público pode acompanhar tudo de maneira gratuita nas arquibancadas. Além disso, as estações Praça Onze e Central do metrô permanecerão abertas para embarque até a meia-noite.
Para quem não puder estar presente, o Rio Carnaval transmitirá ao vivo o ritual e os ensaios técnicos pelo YouTube, no canal https://www.youtube.com/@riocarnaval_oficial.
Lavagem da Sapucaí
Data: 11/02
Horário: 19h
Local: Sambódromo
Entrada franca
Com destaque para o canto da escola, o Salgueiro realizou na noite de quinta-feira o seu último ensaio de rua, na Maxwell, antes do desfile na Marquês de Sapucaí. Com início por volta das 21h20, a preparação durou cerca de uma hora. A agremiação será a penúltima a desfilar no domingo de carnaval. Devido aos ensaios que estão ocorrendo na Cidade do Samba, a comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Sidclei Santos e Marcella Alves, não compareceram ao ensaio de rua.
Fotos: Raphael Lacerda e Rhyan de Meira/Site CARNAVALESCO
Em entrevista ao CARNAVALESCO, o diretor de carnaval, Julinho Fonseca, falou sobre o balanço do ensaio e pré-carnaval do Salgueiro.
“Último ensaio na Maxwell e, graças a Deus, a escola cantou e gritou muito. A escola está unida e acho que fizemos um belíssimo ensaio técnico no domingo. A gente deu uma resposta a todos que estavam criticando o samba e não acreditavam nele. Está aí a resposta. Sempre tem aqueles ajustes finais para no dia 19 a gente chegar completo. Este pré-carnaval foi muito sacrifício e um desafio enorme. Todo mundo estava desacreditado no samba do Salgueiro, na comunidade e no nosso barracão. No dia 19 o mundo do samba terá uma surpresa imensa com o Salgueiro”, comentou Julinho Fonseca.
Harmonia
Mais uma vez, o samba-enredo calou os críticos. A comunidade salgueirense cantou forte cada verso do samba – destaque para a ala três – demonstrando um pouco do que fará no Sambódromo. No início, uma rua transversal a Maxwell foi utilizada como primeiro recuo, onde a bateria ficou enquanto a escola passava. A equipe do carro de som, em especial o intérprete Emerson Dias, cumprimentava e interagia com os componentes e o público presente.
“A gente conseguiu colocar o samba num ponto que é muito gostoso de ouvir, cantar e sambar. Se Deus quiser, será muito gostoso de desfilar. Estamos tendo ensaios com a comunidade cantando absurdamente”, disse o intérprete Emerson Dias.
Evolução
Apesar de alguns trechos da Rua Maxwell estarem com grande quantidade de público, além das obras que ocorriam na via, a direção de harmonia conseguiu manter o controle, resultando em um ótimo ensaio. O Salgueiro percorreu cerca de 700 metros com uma boa evolução e sem abrir buracos. Mais uma vez, destaque para os componentes que, com samba no pé, cantaram muito. Destaque também para a ala 19, que trouxe cartazes pedindo fim ao trabalho infantil, racismo, feminicídio, a homofobia e diversos outros desrespeitos e preconceitos. A ala 21, que representa a comunidade LGBTQUIA+, levantou o astral do ensaio de rua com muita alegria, canto, samba no pé e dando um recado importante contra a LGBTfobia.
Samba-Enredo
Como o próprio intérprete disse, o samba foi cuidado em cada detalhe para ser ‘gostoso’ de ouvir e apresentou um ótimo rendimento. O chão da escola, mais uma vez, se mostrou presente e cantou muito ao longo da avenida. A rainha de bateria, Viviane Araujo, demonstrou um samba no pé com muita sincronia com o carro de som e bateria. O astral do intérprete Emerson Dias contribuiu muito para o sucesso do ensaio.
Outros destaques
Destaque para os ritmistas da “Furiosa”, que demonstraram muito entrosamento com o carro de som e a rainha Viviane Araújo, que realizou coreografias acompanhando a bateria.
“A galera está meio eufórica ainda por conta do (ensaio na Sapucaí) domingo. Foi tudo perfeito. A bateria veio perfeita, o samba funcionou. Agora a galera está eufórica esperando o dia do desfile. Daqui pra frente é só sucesso. Sempre tem aquele ‘detalhezinho’, a gente é muito perfeccionista. Mas, a bateria tá pronta já. Sentimos a energia de como vamos vir no dia do desfile. É só acertar mais uns detalhes mínimos que a gente acha coisa pessoal de perfeccionista”, disse o mestre de bateria Gustavo.
“O que a gente apresentou, é o que a gente vai fazer no dia do desfile. Hoje já estamos com a bateria menor, os instrumentos do desfiles já estão sendo preparados e estamos dividindo a bateria entre esses últimos ensaios. É um ensaio sério mas, também, é mais recreativo pra galera continuar se soltando. A gente está na beira do carnaval, isso é mais concentração mesmo pra estar junto da galera. É isso, só esperar o carnaval agora”, completou o mestre Guilherme.
Também ficou em evidência o casal de mestre-sala e porta-bandeira dos Aprendizes do Salgueiro, Gabriel Alves e Thaissa Soares, que conquistaram o público com a conexão entre os dois e simpatia.
Sabrina Sato, rainha de bateria da Vila Isabel, está animada com o Carnaval 2023 e ansiosa para vestir a fantasia projetada pelo carnavalesco Paulo Barros. A artista contou ainda que está muito feliz pelo retorno dele para escola e que o enredo sobre os festejos veio na hora certa.
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
“A Vila tem um histórico de fantasias detalhadas, bem feitas, bem elaboradas e o Paulo respeita tudo isso também. Essa volta dele eu acho que vai ser bem legal, bem interessante, é o momento bom para essa união, a gente está vindo de uma história de querer essa festa, de querer comemorar, vai ser lindo”, pontua Sabrina.
Mesmo não sendo da comunidade, Sabrina é a cara da Vila Isabel, a apresentadora caiu nas graças da torcida desde que chegou na escola. Ela diz que aprende diariamente com as rainhas oriundas da comunidade, como é o caso de Evelyn Bastos, da Mangueira e Mayara Lima, do Paraíso do Tuiuti. A artista aproveitou para elogiar as rainhas, destacar a importância da representatividade no carnaval e dizer que cada rainha é única.
“Eu sou apaixonada por elas, eu bato palmas, converso com a Mayara pelo WhatsApp, com Evelyn também, a gente se fala direto, e a Mayara antes de ser eu já falava com ela porque já era fã. É muito bom vê-la ocupando esse posto. O que é mais importante no carnaval é a diversidade, é você ter representatividade, é saber que cada uma é única, a nossa união e o respeito que temos uma pela outra que fazem a diferença, se for olhar não tem ninguém parecido com ninguém, isso é muito único no nosso carnaval e é só o Brasil que proporciona isso. Eu aprendo muito com a Evelyn, ela dá uma aula não só sobre samba no pé, ela é uma mulher completa, fala sobre o poder feminino, sobre o social e passa isso para todos que acompanham o trabalho dela”, destaca Sabrina.
Há 10 anos na Série Ouro, a Unidos do Porto da Pedra vai brigar para voltar ao Grupo Especial com o enredo “A Invenção da Amazônia” desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes. Ele está de volta ao carnaval carioca depois de passar cinco anos no paulista, onde passou por Peruche, Dragões da Real e Império da Casa Verde.
Neste ano, a escola de São Gonçalo vai apresentar um desfile inspirado no livro de Júlio Verne chamado “A jangada”, de 1881. O livro é ambientado na Amazônia brasileira e a jornada feita pelos protagonistas apresenta com uma riqueza de detalhes a cultura amazônica. A partir da ficção, Mauro Quintaes elaborou um enredo que vai do ficcional ao político, do misticismo à conscientização.
Fotos: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO
“O que me impressionou foi o Júlio Verne, um escritor do século XIX, conhecer a geografia e a cultura do povo amazonense e da Amazônia como um todo. O que me veio à cabeça? Ele imaginou e inventou uma Amazônia. A partir desse mote, eu joguei para o Diego Araújo, historiador e pesquisador, e ele desenvolveu esse enredo tendo como alavanca a figura do Júlio Verne. Foi uma maneira de encaixar uma figura que é muito contemplada em termos de futuro e de estética e amarrar aos povos amazônicos”, explicou o carnavalesco.
A partir da curiosidade de Quintaes e da pesquisa de Diego Araújo, o enredo foi apresentado ao presidente de honra da agremiação, Fábio Montibelo, que já conhecia a história homenageada. O livro do francês traça um caminho do Peru até Belém, do Pará.
Para a história contada na Avenida, Mauro colocou Verne e seus personagens para encontrar personalidades contemporâneas. Entre os três escolhidos está a escritora Zeneida Lima, responsável por dissertar sobre os Caruanas em “O mundo místico dos Caruanas da Ilha de Marajó”, que rendeu um enredo para a Beija-Flor em 1998. A segunda personagem que o autor encontra é a pajé Baku, indígena sateré-mawé, única mulher a assumir a liderança da sua tribo. E, por último, Júlio Verne conhece Tonzinho Saunier, cronista, poeta e historiador de Parintins, que representou os povos ribeirinhos.
“Como tem três carros, eu escolhi três personagens da Amazônia. A gente monta essa viagem até o Júlio Verne e seus parceiros chegarem a essa Amazônia folclórica, dos bois, dos ritos, dos personagens”, conta Quintaes.
A proposta é ir além de um desfile plasticamente bonito. Mauro quer que o público veja na Sapucaí a Porto da Pedra informativa e política, já que falar da Amazônia na atualidade envolve diversos aspectos territoriais e ambientais. No terceiro carro, haverá homenagens às pessoas que batalharam e batalham pela preservação do meio ambiente e da cultura indígena.
“Eu tenho que ter um grito político no último carro, principalmente agora. Eu trago as figuras da Irmã Dorothy, Chico Mendes, Dom Phillips e Bruno Pereira. Eles vão estar em evidência. Nas laterais do carro, eu trabalho com imagens políticas indígenas. A escola está fazendo um esforço para trazer lideranças indígenas, lideranças politicamente ligadas à cultura indígena e ao conceito humanitário dos povos indígenas amazonenses. Esse vai ser nosso carro político. É a resposta que a Porto da Pedra tem a obrigação de dar e eu, enquanto carnavalesco, não posso me omitir”.
Irmã Dorothy, Chico Mendes, Dom Phillips e Bruno Pereira foram assassinados por serem ambientalistas relevantes na luta contra a exploração ambiental e genocídio indígena. Os compositores do samba da Porto da Pedra referenciam Bruno Pereira ao colocar no seu refrão um cântico que o ativista entoou em um dos seus últimos registros antes da sua morte: “Warrãna-rarae, Warãna-rarae. Mari-nawa-kenadêe”.
“Transformar esse canto no refrão foi maravilhoso. No primeiro momento as pessoas recuaram um pouco porque pode ser difícil de cantar. E, hoje, nós vemos que foi muito certo ter isso no samba, porque no ensaio a comunidade canta de uma maneira absurda. Você sente uma energia diferente na escola”, relatou Mauro.
Liberdade artística
A cobrança dentro da Porto da Pedra é fazer o melhor. A agremiação, nos últimos anos, tem estado entre as primeiras colocadas da Série Ouro, mas não tem conseguido o passaporte para o Grupo Especial. Quintaes conta com a fluidez e a liberdade para construir seu Carnaval nesta etapa da sua carreira, aspectos que são concedidos a ele para elaborar um carnaval diferenciado para a vermelho e branco.
“A cobrança é ‘vamos fazer o melhor’, ‘vamos fazer o mais bonito’, ‘vamos fazer o diferente’. Se olhar os carros, dá para ver que é bem diferente do carnaval anterior. Talvez esteja bem diferente das escolas do próprio grupo pela dificuldade financeira. Eu estou aqui no barracão todos os dias, inclusive nos domingos à tarde. Interajo com todo processo criativo do barracão. Estou muito à vontade”, comentou Mauro.
Com o apoio da escola e da Prefeitura de São Gonçalo, o carnavalesco está construindo seu carnaval do zero. Esculturas e estruturas das alegorias foram feitas para esse desfile, em vez de reaproveitar produções já existentes como outras escolas costumam fazer.
“Evidente que eu na figura do carnavalesco e entendo a Série Ouro como eu entendo, eu não vou querer fazer um carnaval com despesas absurdas. Eu faço sempre ‘das quatro linhas’ da escola financeiramente”, disse Mauro Quintaes.
Um dos trunfos do desfile será a plástica empregada nas fantasias e alegorias. Saindo da estética gigantesca de São Paulo, o carnavalesco busca dessa vez criar cenários ao longo do Sambódromo.
“[Esse desfile] é como se fosse cartão de visita. Eu não faço carro alegórico de galãozinho e de pingentes pequeninhos. Eu faço grandes cenários. Meu foco é sempre uma cenografia. Eu trabalho luz e forma como se fosse um cenários. Então eu tenho quatro cenários”, explica Mauro.
Com o enredo tem também um viés de conscientização, a criação fez a escolha de não usar penas verdadeiras na maioria dos componentes. Só usarão penas reais de faisão as musas e o casal de mestre-sala e porta-bandeira.
Volta para o Rio
Após passar três carnavais na Unidos da Tijuca (entre 2015 e 2017), Mauro Quintaes dedicou cinco anos da sua carreira exclusivamente ao Anhembi. Seu melhor resultado em São Paulo foi o vice-campeonato pela Dragões da Real com o enredo “A invenção do tempo. Uma odisseia em 65 minutos”. Em 2023, ele volta para a Porto da Pedra, que já foi sua casa e onde teve bons resultados, por exemplo, a classificação para o Grupo Especial em 1995. A vinda para o Rio de Janeiro ocorreu quando ele decidiu parar a carreira de carnavalesco.
“Nesses meus cinco anos de São Paulo, eu tive momentos muito bons e momentos muito ruins. Eu estava muito sozinho, tinha acabado de sair de uma COVID depois de 16 dias na UTI e estava muito debilitado. Eu resolvi parar. Falei: ‘Não vou fazer mais. Vou para o Rio, cuidar da minha vida e do meu filho. Vou fazer outras atividades paralelas ao Carnaval’. Minha ideia era não fazer mais barracão. No entanto, eu recebo uma ligação do presidente, já com as malas prontas. Era o Fábio me fazendo o convite”, conta o carnavalesco.
Entre 1995 e 1998, enquanto carnavalesco iniciante, Mauro começa a ganhar reconhecimento pelo esforço empreendido na Porto da Pedra. O novo chamado do presidente Fábio lhe pareceu um sinal de que haveria algo a mais a ser feito pelo Tigre. Nesse momento, ele está em uma fase feliz e prazerosa no trabalho rodeado de amigos.
“Eu começo aqui, minha carreira decola a partir da Porto da Pedra. Eu faço Caprichosos de Pilares, depois faço Porto da Pedra, vou para o Especial e faço o ‘Um Carnaval dos Carnavais’. Faço os ‘loucos’, a escola vem em quinto lugar e toma aquela paulada com ‘os ladrões’. Realmente foi enredo fora de época, hoje talvez funcionasse melhor. E aí eu parto para Salgueiro, Viradouro, Mocidade… A história da Porto da Pedra se confunde um pouco com a minha história. A escola estava surgindo e eu também estava surgindo. Se eu começo aqui, quem sabe eu não termino aqui também?”, disse o artista.
Confortável com a volta ao carnaval carioca, Quintaes pretende fazer um desfile mais alegre e com menos rigor, como é exigido na Terra da Garoa. Ele quer terminar sua carreira no Rio de Janeiro, prezando pela liberdade criativa.
“São Paulo é um universo completamente diferente do Rio. Aqui eu posso arriscar materiais, posso inventar. Lá existe um rigor de material por conta do tempo que o carro fica exposto. Aqui no Rio, eu posso usar materiais mais à vontade, tem um leque de opções muito maior. A questão das dimensões altera muito. Lá eu cheguei a fazer carros de 18 metros de altura com 22 de comprimento e isso compromete a estética. Eu trago de São Paulo uma visão de acabamento diferenciada, mas, principalmente, eu trago a vontade de não fazer muita coisa que eu fazia em São Paulo. Quero fazer um carnaval mais carioca, mais livre plasticamente falando, um carnaval que eu posso trabalhar melhor a luz porque em São Paulo é muito iluminado, que eu posso mover as alas. O carnaval do Rio é um carnaval mais molecão. A Marquês de Sapucaí é muito mais alegre que o Anhembi. No mais, eu tenho muito carinho pelas escolas que eu passei em São Paulo, em todas eu ganhei alguma coisa”, declarou o carnavalesco.
Conheça o desfile da Porto da Pedra
O Tigre de São Gonçalo será a quinta escola a desfilar no sábado de carnaval da Série Ouro. Durante sua exibição na Marquês de Sapucaí, vão passar três carros, um tripé e 19 alas contando essa viagem fictícia de Júlio Verne pelo Rio Amazonas em sua jangada futurista. Mauro Quintaes descreveu a estrutura:
Setor 1: “A abertura é bem indígena, com as baianas em vermelho e preto. O carro abre-alas é a jangada que mistura essa mecânica do Julio Verne com a coisa rústica do ribeirinho, da construção da jangada, que mistura o passado e o presente. Tem a figura do tigre. Não tem tigre na Amazônia, mas tem na Porto da Pedra”.
Setor 2: “Quando eu vou para os povos que fazem fronteira com o [rio] Solimões, na parte de cima da Amazônia, eu fiz a escolha, em termo de alegoria, dos Incas, que me deu um retorno mais plástico. Eu trabalho um templo Inca. Eu trouxe um escultor específico de São Paulo, o Zico”.
Setor 3: “Depois vai para a parte do folclore. Eu falo dos bois, da matinta pereira, dos botos. São os personagens do imaginário amazonense. Vem um pequeno tripé com alguns personagens”.
Setor 4: “Fecha com uma grande celebração. É uma celebração política, cultural, regional. É um abraço do povo do Rio de Janeiro a essa cultura indígena”.
Dando sequência à Série Barracões São Paulo, o site CARNAVALESCO visitou o barracão do Império de Casa Verde e conheceu o projeto que a agremiação desenvolveu para 2023. O tema do ‘Tigre’ para o próximo desfile se trata de “Império dos Tambores – Um Brasil Afro-Musical”. É um enredo afro, mas que será apresentado apenas para o lado da musicalidade africana. A equipe conversou com o carnavalesco Leandro Barboza e o enredista Tiago Freitas, que abrangeram o enredo.
Fotos: Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO
“A gente começa com a comissão de frente trabalhando na questão da ancestralidade feminina. É um enredo que trabalha muito na feminilidade de uma forma bem transversal, mas o nosso foco é falar da musicalidade”, explicou o enredista.
Como surgiu
A escola não desenvolve um enredo afro desde 2003, quando subiu ao Grupo Especial do carnaval paulistano. Porém, o artista Leandro Barboza sugeriu o enredo e a diretoria acatou a ideia. Sendo assim, a entidade vem colhendo frutos, como um dos melhores sambas do ano. “Esse enredo era um sonho meu de falar sobre a música. Depois ele foi formando uma nova cara. Chegou um momento em que eu vi que estava saindo muito e foi que apareceu o Tiago. Quando caiu na mão dele, ele sugeriu o nome. A ideia era realmente falar sobre a música. A escola abraçou e, no primeiro momento, a gente já viu brilho nos olhos da comunidade e isso foi bem legal. Principalmente o presidente”, declarou.
Pesquisa do enredo
O tema afro, como dito pelos profissionais, será diferente. Abordará totalmente a música. Não vamos ver algo como o habitual. Porém, a história foi inspirada inicialmente em uma baiana da escola. “O ponto de partida, quando eu conversava com o Leandro, eu queria saber qual era a pessoa mais velha da escola. Ele de prontidão falou que era a baiana Ba. A narrativa nasce dela. Ela tem uma noite de sonho em transe e desenha todas as narrativas do enredo. A gente focou nessa caminhada de trabalhar a questão da identidade da Casa Verde. Trabalhar a emoção de um componente que queria um enredo afro há um tempo. A gente trabalhou essa África mais musical e alegre. Uma pesquisa muito rica no sentido em que a África pode trazer pra gente. O carnavalesco foi delimitando onde a gente poderia seguir e a gente já deu o nome das alas e dos carros. Foi um trabalho do que ele queria na avenida. A gente foi trabalhando e enriquecendo nosso trabalho e conjunto”, disse o enredista Tiago.
Novos relatos e o ótimo recebimento
Sempre é importante receber testemunhos do que se passa dentro da comunidade. Segundo o carnavalesco, que está presente nos ensaios, o ‘feedback’ tem sido positivo. “Esse enredo me proporcionou estreitar essa relação que eu tenho com os componentes. Como eu era muito presente dentro do barracão, eu não estava muito presente dentro da quadra. Nesse período de 2016 até o último carnaval, eu não participava tanto. Eu fui participar ano passado, quando eu assumi como carnavalesco. Eu tinha essa função de tirar o papel dos outros carnavalescos que estavam aqui, como do Jorge Freitas, Flávio Campello e do projeto também que era meu e do Mauro Quintaes. A parte de execução eu que coloco tudo em prática. Por isso essa dedicação toda com a escola me distanciou um pouco da quadra. Com essa história desse enredo e eu estando mais presente, cada dia é uma surpresa para o componente. Eu tenho escutado e tido contato”, contou.
Nova assinatura solo
Leandro chegou no Império de Casa Verde em 2016 com o carnavalesco Jorge Freitas. Porém, ele tinha a missão de cuidar apenas do barracão e foi assim até o ano de 2020. No carnaval de 2022, Mauro Quintaes chegou e finalmente o Leandro assinou um projeto em conjunto. Para 2023, Quintaes deixou a agremiação e o atual artista está assinando um tema solo pela primeira vez. “É uma experiência nova. Eu já estava preparado para isso há muito tempo. Claro que ter um projeto 100% na sua mão te dá uma liberdade maior do que você pensou, amarrou e defendeu. Tem um controle maior. Ano passado eu tinha, mas eu fazia questão de tocar junto com o Mauro”, disse.
Famosa plástica do Império
O ‘Tigre Guerreiro’ é famoso por ser a escola da plástica impecável e das alegorias gigantes. O luxo predomina nos desfiles e a agremiação faz questão disso. O famoso tigre, que é o símbolo, é sempre aguardado no desfile. Resta saber como ele virá no próximo carnaval. “A gente não vai deixar a desejar em alegorias. Acho que elas vêm gigantescas. Eu acho que com um bom acabamento, uma nova plástica também na parte das fantasias, mas não deixando de lado o luxo que é característica da escola. O presidente sempre quer isso. o tigre vem diferente. A gente deu uma nova roupagem para ele, vem cheio de significados e representações. Tanto no abre-alas quanto no último carro”, explicou.
Conheça o desfile
Setor 1: “A gente traz a majestosa África ancestral. Uma África enriquecida”.
Setor 2: “Navio dos ritmos e do torpor. A questão dos ritmos, das alegrias e da invasão cultural da África até o Brasil”.
Setor 3: “A África nas periferias do Brasil. Quando ela chega e se manifesta em várias identidades em São Paulo, no Rio, na Bahia, no Maranhão, no Pará, enfim, a gente vai trabalhar uma série de aspectos nessa questão cultural”.
Setor 4: “É o Império dos tambores, onde a gente chega no quilombo da Casa Verde nessa viagem, que nasceu na África e chegou na Casa Verde com uma das nossas fundadoras, a griô Bernadete que vai ser coroada na avenida. O quarto setor trabalha a identidade do território mesmo da Casa Verde”.
Ficha técnica
Quatro alegorias
Um tripé
Um elemento alegórico de comissão de frente
2400 componentes
Diretor de carnaval: Tiguês
Carnavalesco: Leandro Barboza
Enredista: Tiago Freitas
Carnaval é a época que podemos reverter posições na pirâmide social, onde o súdito pode virar rei. Assim, nesse clima, a Feira das Yabás de fevereiro abre o carnaval suburbano. A roda de samba de Marquinhos de Oswaldo Cruz fará um passeio nos antigos sambas de terreiro e sambas-enredo. A Feiras das Yabás recebe como convidado especial a banda do Cordão do Bola Preta. O evento acontece neste domingo, a partir das 13h, na Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Foto Divulgação/Cordão da Bola Preta
Além da boa música, o público ainda aproveita para experimentar a culinária típica do subúrbio carioca e pratos de origem africana nas 16 barracas expositoras, sob o comando das matriarcas das famílias mais importantes e tradicionais da região de Oswaldo Cruz: um imenso restaurante a céu aberto. Entre as muitas opções, estão: mocotó, Angu a Baiana, feijoada, cozido, tripa lombeira entre outras iguarias do mundo do samba.
Serviço:
FEIRA DAS YABÁS – CORDÃO DA BOLA PRETA
Roda de Samba de Marquinhos de Oswaldo Cruz recebe Cordão da Bola Preta
Quando: Domingo, 12 fevereiro de 2023.
Hora: a partir das 13h.
Local: Praça Paulo da Portela – Estrada do Portela – Oswaldo Cruz
Evento gratuito.
Mais informações: 21 – 97036-4543
Classificação: Livre
Para o folião que estiver no Rio, não faltarão opções para curtir o período de pré-Carnaval e os dias oficiais da festa, numa programação que vai além dos blocos e tradicionais desfiles na Marquês de Sapucaí, o Sambódromo. Na celebração mais democrática da cidade, as atenções também estarão voltadas para o Terreirão do Samba. Os ingressos são para lá de atraentes – R$ 20 – e podem ser adquiridos no próprio local, a partir de quinta-feira.
Foto: Divulgação/Riotur
O objetivo é privilegiar encontros entre artistas de diferentes gêneros e gerações. Samba e pagode continuam como protagonistas, mas o espaço também contemplará segmentos que dão ao público a oportunidade de assistir ritmos populares e para todos os gostos.
Com curadoria do presidente da Riotur, Ronnie Aguiar, a estreia acontece nesta sexta-feira, 10 de fevereiro, às 20h, num show que reúne o cantor de pagode Ferrugem e o rapper Delacruz. Já no sábado, dia 11, Diego Senna, grupo Coisa Séria, Suel, Caio Lucas e MC Maneirinho comandam a festa.
“Só o fato de estarmos nos palcos de novo, na estrada novamente, é muito especial. O Terreirão é um espaço de muito carinho, onde vai o nosso público. São pagodeiros de verdade, gente dos subúrbios do Rio, todo mundo vai em peso. Em todos os anos foi quente, a galera sempre canta junto e dessa vez vai ser sensacional de novo, eu tenho certeza. Estou super ansioso”, diz Ferrugem.
O rapper Delacruz usa a palavra responsabilidade ao comentar a sua estreia no Terreirão, “um lugar famoso, conceituado, que eu admiro”:
“E essa mistura de samba com rap, sendo bem feita, com carinho, com responsabilidade, com cuidado com a música, com amor, com certeza dá liga. Para resumir, são dois gêneros que são filhos da mesma mãe. Só tem que ter amor. E isso, modéstia à parte, a gente sabe fazer, porque ama muito o que faz. Estou ansioso por essa apresentação e espero que o público goste”.
Os demais shows no Terreirão já têm datas: serão nos dias 17 (sexta de Carnaval), 18 (sábado de Carnaval), 19 (domingo de Carnaval), 20 (segunda de Carnaval) e 21 (terça-feira de Carnaval). A última sequência de apresentações será na sexta-feira antes do Desfile das Campeãs (dia 24) e no sábado (dia 25).
O esquema de infraestrutura montado especialmente para os shows inclui a instalação de dois postos médicos, com uma ambulância em cada posto; 28 quiosques de venda de bebidas e comidas e 65 banheiros químicos. A segurança externa será feita pela Polícia Militar.
Criado para enaltecer e preservar a história local, fundamental da cultura popular brasileira, o espaço ganhou o nome de Terreirão do Samba Nelson Sargento, em julho de 2021, em homenagem ao compositor Nelson Sargento, que foi vítima da Covid-19 naquele ano.
Serviço:
Endereço: Rua Benedito Hipólito, 66 – Centro
Programação:
Sexta-feira 10/02: Ferrugem e DelaCruz
Sábado 11/02: Suel, Caio Luccas e MC Maneirinho
Horário: A partir das 20h
Preço: R$ 20