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Com Zeca presente e samba na boca do povo, Grande Rio realiza ensaio técnico perfeito e vai em busca do bicampeonato

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A Acadêmicos do Grande Rio, atual campeã do carnaval carioca, fechou com chave de ouro a maratona de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. Na noite de domingo, a agremiação de Caxias passou pela avenida com o gabarito de quem é a atual campeã, mas também com as credenciais de quem vai em busca do bicampeonato. O ensaio, que durou pouco mais de uma hora, contou com o teste de luz e de som que serão vistos no desfile oficial. Vários foram os pontos fortes vistos nesta noite, o samba e consequentemente o canto da comunidade sobressaíram, mas vale destacar a belíssima apresentação da comissão de frente, o bailado sincronizado do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana Couto, além da cadência da bateria comandada por mestre Fafá, em ótima sintonia com o intérprete Evandro Malandro. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

O cantor Zeca Pagodinho, grande estrela do desfile desse ano, esteve presente no ensaio e arrancou muitos aplausos do público presente, ele desfilou em cima de um tripé ao lado da família e rodeado de caixas de cerveja, doces e frutas, componentes da escola inclusive distribuíram cerveja nas frisas, o que causou enorme comoção. A Grande Rio será a segunda a desfilar no domingo de carnaval, dia 19 de fevereiro, quando levará para a Marquês de Sapucaí uma homenagem ao cantor Zeca Pagodinho, através do enredo “Ô Zeca, O Pagode, Onde É Que É? Andei Descalço, Carroça E Trem, Procurando Por Xerém, Pra Te Ver, Pra Te Abraçar, Pra Beber E Batucar”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

“Acho que foi muito bom, muito positivo. É nossa preparação final. Durante a semana a gente vai fazer ainda algumas reuniões, porque foi um treino no campo de jogo. Acho que a escola está quase pronta. Poucos detalhes. Gostei muito do canto, da participação da nossa comunidade. Esse é o nosso enredo. E todo mundo sai daqui feliz. Agora, feliz não é com salto alto, muito pelo contrário. Feliz com a atenção redobrada, porque nós temos que fazer isso e melhor no domingo. Mas eu saio satisfeito, porque tudo que eu queria ver aqui eu vi. Acho que a Grande Rio é uma escola completa. Os quesitos de chão hoje aqui fizeram muito bem o seu papel. E acho que o destaque é o conjunto da escola, canto, bateria, casal de mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, a organização da escola. Então acho que é um conjunto. E para (gente) ser campeão o nosso gráfico não pode ser pra cima e pra baixo, ele tem que ser linear e no alto. A gente tenta manter isso. O que eu queria ver aqui eu acho que correspondeu muito bem. Agora, são reuniões, ver vídeos desse ensaio. Gosto muito de trabalhar com vídeos. Aqui no ensaio a gente já corrigiu muitas coisas, em ala e tal. Aqui é feito para isso mesmo. Pra errar e para corrigir. O recado pra galera toda está dado… e a gente está quase que 99% pronto”, explicou Thiago Monteiro, diretor de carnaval.

Comissão de frente

A expectativa em cima da consagrada dupla de coreógrafos Hélio e Beth Bejani é sempre a maior possível, pelo que foi apresentado durante o ensaio, podemos esperar mais uma comissão que tem tudo para ser marcante. Extremamente popular e de fácil leitura, a comissão passeou pela vida de Zeca, foi realmente uma imersão ao enredo, os componentes da comissão encantaram o público com uma dança alegre, bem coreografada e com passos bem marcados na letra do samba. No final da apresentação, o boneco que representava Zeca interagiu com os componentes da comissão e levantou o público da avenida. Vale ressaltar que diferente da maioria das escolas, a apresentação da comissão utilizou uma passada e meia do samba.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Daniel Werneck e Taciana Couto formam um lindo casal e defendem com maestria o pavilhão da tricolor de Caxias, durante o ensaio desta noite ficou evidente o quanto eles se entendem apenas com o olhar, a dança deles é bastante coreografada e requer um maior nível de concentração e sincronismo, algo que eles dominam perfeitamente bem e com extrema naturalidade. Em um determinado momento eles davam um selinho e faziam o público vibrar. Foram três apresentações de excelência e que dão tranquilidade para o torcedor tricolor.

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“Para genge foi maravilhoso. Senti pela primeira vez, no ensaio técnico, o teste de luz e som. Para gente foi bastante importante. É essa alegria que a Grande Rio vai trazer no domingo de carnaval. A gente sempre se cobra demais. A gente quer passar aqui e deixar nossa mensagem. Vamos assistir os vídeos e onde a gente consegue dar uma melhorada, vamos dar com certeza. O ensaio técnico é muito importante para saber o andamento da escola e o tempo que ela vai sair de um jurado para outro”, disse Daniel.

“Foi um ensaio maravilhoso. Sentir esse clima, sentir o clima da avenida, saber como anda o desfile, o andamento da comissão de frente e da bateria. É muito importante esse teste aqui, agora com luz e som. Ter esse previlégio pela primeira vez é super importante para gente. Conseguimos fazer na avenida o que a gente propôs e veio trabalhando durante o ano. Falar de Zeca, falar de alegria, falar de carnaval, da boemia. É isto que a Grande Rio está trazendo pra avenida, muito amor e comemoração pelo título. A gente sempre tem alguma coisinha pra ajustar, vamos assistir os vídeos e ajustar tudo pra domingo que vem”, completou Taciana.

Samba-Enredo

De autoria Igor Leal, Arlindinho, Diogo Nogueira, Myngal, Mingauzinho e Gustavo Clarão, o quitandinha de erê, como ficou popularmente conhecido, já estava na boca do povo antes mesmo de ser escolhido oficialmente pela escola como o samba-enredo oficial na homenagem a Zeca Pagodinho. Com uma melodia leve e uma letra fácil, é possível rapidamente viajar pelo subúrbio carioca nessa grande procura pelo Zeca, como propõe os carnavalescos.

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No ensaio desta noite, antes mesmo dos primeiros acordes começarem, o público nas arquibancadas já cantava com enorme empolgação. O mesmo foi observado nas alas, a comunidade se divertiu e deu um show de canto. Várias foram as partes cantadas com mais empolgação pelos componentes, mas destaca-se o refrão do meio e o final do samba, “Zeca! Levante o copo para o povo brasileiro, te encontrei nesse terreiro, Xerém é o seu quintal!”.

Harmonia

Impulsionada pelo samba e o excelente desempenho do carro de som comandado pelo intérprete Evandro Malandro, a harmonia da Grande Rio foi um dos inúmeros pontos altos do ensaio, como dito anteriormente, o samba tem uma melodia leve e com letra fácil, o que permite todos se sintam envolvidos e queiram cantar, a bateria de mestre Fafá complementou esses fatores e elevou ainda mais o conjunto harmônico da escola. Os componentes se divertiram e cantaram com muita desenvoltura a obra, destacar uma única ala é até injusto, do início ao fim todos demonstraram muita empolgação e vibração, o que contagiou toda a avenida.

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“Estou muito feliz e satisfeito de verdade, conseguimos fazer um ótimo trabalho e mostrar muita coisa que vamos fazer na avenida, muita coisa que vamos apresentar tanto para Sapucaí, quanto para o jurados, acho que foi bem concluído o papel. Para melhorar é só encher mais de gente e todo mundo cantar o samba junto, risos. O entrosamento é isso ritmo, melodia e harmonia tem que estar em uma só sintonia. A quitandinha de erê pegou no Brasil. Mas eu gosto muito do samba, tem melodia e é aguerrido. É um casamento perfeito este samba”, comentou o intérprete Evandro Malandro.

Evolução

A evolução se mostrou fluida e constante durante todo o cortejo, mesmo com um tempo maior de apresentação utilizado pela comissão, a escola não ficou parada excessivamente, pelo contrário, o ritmo foi tranquilo e sem atropelos, mesmo com alas com grande número de componentes e a presença de muitos destaques de chão, não houve espaçamento entre os segmentos. Os componentes se divertiram e brincaram carnaval, mas sem perder a organização.

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Outros destaques

Como de costume, a rainha Paolla Oliveira marcou presença à frente da bateria e demonstrou enorme sincronia com os ritmistas, durante as apresentações nos módulos de julgamento ela subia em um pequeno elemento cenográfico e interagia com os ritmistas de mestre Fafá, ela foi ovacionada durante toda sua passagem pela avenida.

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“Acredito que o resultado tenha sido positivo. Para quem tinha dúvidas, a quitandinha de erê provou estar na boca do público. Tomou conta das arquibancadas, e a gente espera que no desfile seja tão bom quanto hoje. Sabemos que ainda temos detalhes para acertar, principalmente, por sermos uma escola perfeccionista, mas estamos confiantes. Sempre podemos melhorar. Como é um ensaio técnico, vamos analisar os pontos positivos e negativos. É assim que conseguimos trabalhar e evoluir. A gente sabe que falta só uma semana, então amanhã (segunda) já estaremos nos empenhando nisso. Temos quatro paradinhas. Em duas dessas, a gente deixa muito mais para o público cantar”, contou mestre Fafá, que levará 270 ritmistas para o desfile. “Estarão com fantasias incríveis. Vai ser uma surpresa absurda”, prometeu.

Marca registrada da escola, o ensaio também contou com a presença de algumas personalidades da mídia, como a influencer Pequena Lo, a atriz Monique Alfradique e os cantores Pocah e Xamã.

Colaboraram Cristiano Martins, Eduardo Frois, Luisa Alves e Rhyan de Meira

Freddy Ferreira analisa a bateria da Beija-Flor no ensaio técnico

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A bateria da Beija-Flor de Nilópolis de mestres Rodney e Plínio fez um ensaio técnico excelente, na abertura da última noite de teste de som. Uma conjunção sonora de raro valor foi apresentada, guiada por uma musicalidade fluída com grande destaque para afinações diferenciadas, equilíbrio, sem contar uma notável equalização de timbres.

A cozinha da bateria contou com uma afinação de surdos extremamente privilegiada. Marcadores de primeira e segunda foram precisos, eficientes, além de tocarem com firmeza, mas sem dar pancada na peça. Surdos de terceira contribuíram de modo efetivo, dando swing ao ritmo. Caixas de guerra tocadas embaixo de forma reta deram sustentação ao ritmo. Já as caixas sem talabarte e tocadas em cima deram molho à bateria “Soberana” com sua peculiar batida de partido alto. Repiques seguros e ressonantes auxiliaram a preencher a musicalidade da bateria da Beija-Flor. Já os repiques mor ajudaram tanto no balanço, quanto nos arranjos musicais. Frigideiras complementaram a sonoridade nilopolitana produzindo aquele som metálico tradicional, contribuindo sobretudo na bela equalização do ritmo.

A cabeça da bateria exibiu um trabalho sólido e profundamente consistente. Uma ala de cuícas de nítida qualidade técnica foi notada. O trabalho dos chocalhos provocou uma sonoridade acima da média, sem contar a plena integração com o naipe de tamborins. A ala de tamborins foi o destaque musical entre as peças leves, com um desenho rítmico que se aproveitou das nuances melódicas do samba-enredo da escola para consolidar a batida. Inclusive, alguns trechos da convenção dos tamborins viraram breques da bateria “Soberana”, muito por causa de uma construção musical que deu ao samba exatamente o que a música solicitava.

Uma bossa que merece menção musical por sua construção sofisticada é uma subida de três um pouco mais elaborada, já emendada num breque funcional. Aliás, breques preenchem a sonoridade da bateria da Beija-Flor durante todo o samba, em vários momentos, propagando uma musicalidade de raro valor. Vale ressaltar que a busca é sempre pela integração musical e acompanhar o samba-enredo da escola para cantar, além de dançar, por vezes impulsionado pelo trabalho rítmico de inegável qualidade. O trabalho de arranjos musicais da bateria “Soberana” para esse carnaval é profundamente amplo, mas sempre pautado pela simplicidade, mesmo sem deixar de ser arrojado.

Já a bossa do final do refrão do meio merece exaltação pela elaboração atrelada às nuances melódicas da escola da Baixada. Sua constituição musical se aproveitou da diferença de timbres das afinações envolvendo as marcações, propiciando um swing envolvente. Com uma finalização requintada foi possível reparar nitidamente a frase rítmica no trecho do início da segunda “Desfila o chumbo” sendo desenhado pelos surdos durante a retomada do ritmo nilopolitano, dando à canção o que ela pede.

O maior acerto musical foi a paradinha iniciada na última passada do refrão que precede o principal. “Deixa Nilópolis cantar” foi exatamente o que a bateria “Soberana” fez ao pé da letra, parando o ritmo para o samba-enredo nilopolitano ser entoado em coro tanto pela escola, quanto pelo público. A retomada é muito bem conduzida por repiques mor fazendo solo, se aproveitando do impacto sonoro da batida em conjunto de todos os naipes antes de voltar pro ritmo, que ainda engloba um balanço envolvente dos marcadores em sua constituição musical diferenciada.

Uma apresentação que mostrou uma bateria “Soberana” pronta para brigar pela nota máxima dos jurados, além de exibir um ritmo condizente com a obra explosiva da Deusa da Passarela, com direito a trechos de potencial interação popular. Mestres Rodney e Plínio sem dúvida saíram satisfeitos com o desempenho seguro, consistente e equilibrado dos ritmistas da bateria da Beija-Flor de Nilópolis, no grande ensaio técnico realizado essa noite.

Com paradona da bateria e Ludmilla no carro de som, Beija-Flor mostra força dos quesitos de chão em ensaio técnico

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Por Diogo Sampaio

A Beija-Flor de Nilópolis abriu a última noite da temporada de 2023 dos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí com uma apresentação marcada pela força da sua comunidade. Com um canto muito forte e uma evolução sem erros, a azul e branca de Nilópolis provou estar preparada para ir em busca de mais um campeonato no desfile oficial. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

Repleta de expectativas, a participação da cantora Ludmilla no carro de som da agremiação causou frisson no público. Era notória a grande quantidade de celulares a postos e com as lentes voltadas para a cantora, tanto nas frisas quanto nas arquibancadas. Mas o sucesso não ficou restrito aos holofotes, com a artista demostrando bastante desenvoltura e interação com Neguinho da Beija-Flor.

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

A agremiação será a quinta escola a desfilar no Sambódromo na segunda-feira de Carnaval, dia 19, pelo Grupo Especial. Na ocasião, a Deusa da Passarela apresentará o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência”, dos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues.

“Para gente foi bom, porque fizemos o que planejamos. É uma escola que ensaia muito, na Mirandela que é o tamanho da avenida, com as marcações das cabines. Chegamos aqui com a intenção de fazer o que gente vem fazendo. É um ensaio. Qualquer coisa que acontecer aqui a gente ainda pode corrigir, porque não é o desfile. Mas tem que ensaiar certinho, está próximo do carnaval. Viemos muito preparados. Estamos saindo daqui com a sensação de que fizemos o que a gente vem apresentando na Mirandela, na quadra, em termos de canto, de evolução, tempo de avenida. Agora é conversar com as pessoas de cada setor e ver o que a gente vai debater do ensaio. Eu parabenizo minha bateria, do mestre Rodney e mestre Plínio. Harmonia maravilhosa. Que trabalho de harmonia, que canto da escola. A gente vem ensaiando, ensaiando, pedindo canto e a gente botou uma passada da escola cantando ‘sem nada’. E a escola cantando certinha, no lugar. Um trabalho maravilhoso da nossa comunidade”, explicou Dudu Azevedo, diretor de carnaval.

Comissão de Frente

A comissão de frente, assinada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, realizou uma apresentação preparada especialmente para este ensaio técnico. Os integrantes tinham como figurino uma calça e luvas azuis, camisa sem manga branca, uma placa prateada no peito, maquiagem verde no rosto e um cap policial estilizado. Eles ainda possuíam um bastão como adereço de mão.

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Com passos bem marcados e toques de teatralização, a coreografia fazia grande utilização do bastão, que servia como uma extensão do corpo dos bailarinos, além de simbolizar outros elementos como as armas dos policiais. A comissão trazia um elemento cenográfico todo na cor azul, pouco explorado, que só tinha destaque ao final da apresentação, quando soltava fogos e levantava o público com a surpresa.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Parceiros há mais de 30 anos, Claudinho e Selminha Sorriso mostraram, mais uma vez, neste ensaio técnico, o motivo de serem uns dos casais de mestre-sala e porta-bandeira mais cultuados e celebrados do Carnaval carioca. Apesar da chuva no início do ensaio e da pista molhada, o casal demonstrou segurança, realizou movimentos precisos, sem economizar nos giros e rodopios. Os dois optaram pela dança clássica, dando um show de elegância, com gestos singelos e sutis ao interagirem e ao apresentarem o pavilhão.

Quanto ao figurino, houve o predomínio do branco no vestiário de ambos. No caso dele, um terno clássico. Já no dela, uma saia com detalhes em azul na barra e a parte de cima toda em pedraria, com plumas brancas no ombro esquerdo.

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“Para mim, aqui, sempre é jogo. O treino é valendo. Respeito ao público , o prazer e a gratidão de estar aqui neste solo sagrado, no palco sagrado de todos os sambistas. É o primeiro desfile no calendário oficial, tem um gostinho muito especial. Com ou sem chuva. Sempre tem que melhorar. A humildade e o profissionalismo consiste em você entender que pode fazer o melhor. Cada dia vai se aperfeiçoando buscando o seu melhor. Buscar o melhor e entender onde precisa melhorar. Também ver o público que não paga pra estar aqui, vale muito a pena pode receber o carinho e calor humano deles”, disse Selminha.

“Foi maravilhoso. Só tenho que agradecer a Deus e os Orixás que nos abençoou. Hoje a gente pode fazer esse ensaio técnico mais tranquilo e com calma. A gente vai acertando. Ensaio técnico é feito para isso, testar algumas coidas e ver o que foi negativo e o que foi positivo. Você sente como se fosse o dia do desfile, sente sua escola pulsando’, completou Claudinho.

Samba-Enredo

Assinado pelos compositores Léo do Piso, Beto Nega, Manolo, Diego Oliveira, Julio Assis e Diogo Rosa, o samba-enredo da Beija-Flor teve um ótimo rendimento no ensaio técnico. O canto forte da comunidade, aliado ao bom desempenho do carro de som e da bateria, fizeram a diferença para que a obra funcionasse na Avenida.

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Encarando pela primeira vez o desafio de defender um samba em plena Marquês de Sapucaí, a cantora Ludmilla não fez feio. A artista demonstrou segurança ao conduzir a obra ao lado de Neguinho da Beija-Flor e ainda arriscou alguns cacos. Neguinho também esbanjou confiança e entrosamento com a nova parceira de carro de som e com a bateria “Soberana”.

Aliás, os ritmistas de mestre Plínio e Rodney estão tão alinhados com o samba-enredo que ousaram ao fazerem uma paradona durante uma passagem inteira da obra. A experiência, que empolgou as arquibancadas, evidenciou ainda mais o canto da comunidade, que sustentou a harmonia sem deixar o ritmo cair.

Harmonia

Falando em harmonia, o quesito foi um dos pontos altos do ensaio técnico da Beija-Flor. A comunidade nilopolitana abraçou a obra escolhida para embalar o desfile deste ano e isso ficou evidente ao se observar a forma como a escola a entuou. Da primeira a última ala, foi possível conferir componentes com o samba na ponta na língua. Houve certas variações, mas no geral o canto foi bem uniforme. Um dos destaques positivos foi a ala das passistas, que além do samba no pé, berraram a plenos pulmões o hino para o Carnaval 2023.

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Evolução

A Beija-Flor teve uma evolução correta no ensaio técnico. A azul e branca de Nilópolis apresentou alas compactas, sem embolar ou abrir clarões, e manteve um ritmo cadenciado, não correndo em nenhum momento. O destaque positivo fica para metade final da escola, com componentes mais soltos, pulando e brincando. Já um ponto de preocupação fica para a sequência de alas coreografadas na abertura, as três primeiras, o que tira a espontaneidade logo no início do desfile.

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Outros Destaques

Se não bastante a força dos quesitos de chão e a presença de Ludmilla, o ensaio técnico da Beija-Flor contou com outras atrações que o transformam em um verdadeiro show. Em um dos momentos de interação, antes do treino começar, assim como no ano passado, membros da escola jogaram camisas para as arquibancadas e frisas, fazendo a alegria do público. Os canhões que disparavam papel picado também fizeram sucesso entre os presentes no Sambódromo.

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A rainha de bateria Lorena Raíssa não aparentou ter se abalado ou se amedrontado com a missão de substituir Raíssa de Oliveira, que ocupava o cargo há duas décadas. A jovem de 15 anos sambou, cantou e se jogou, sempre com um sorriso no rosto.

“Acho que foi um ensaio muito bom. Como os outros, também é um ensaio. Fomos bem. Sabemos que vamos colher os resultados no desfile. Estamos felizes demais. O pontapé foi dado e na próxima segunda-feira estaremos aqui para, se Deus quiser, levar o título para Nilópolis. “É tudo uma crescente. Desfile é diferente de ensaio, até mesmo pelo nível de emoção. Estamos prontos, apenas esperando o momento de colocar as fantasia”, contou mestre Rodney, que vai desfilar com 260 ritmistas e preparou sete convenções.

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Outras personalidades que chamaram a atenção ao longo do ensaio técnico foram Pinah e o carnavalesco André Rodrigues. A chamada Cinderela Negra foi ovacionada, com gritos e aplausos, após cumprimentar o público do Setor Um da Sapucaí. Já Rodrigues, parceiro de Alexandre Louzada na confecção do desfile da escola, se acabou na pista durante o final da apresentação nilopolitana.

Colaboraram Eduardo Frois, Luisa Alves e Rhyan de Meira

Opinião: análise dos ensaios da Beija-Flor e Grande Rio no ensaio técnico

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Vídeos: arrancada e bateria da Grande Rio no ensaio técnico

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Vídeos: arrancada e bateria da Beija-Flor no ensaio técnico

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Galeria de fotos: ensaio técnico da Grande Rio no Sambódromo

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Galeria de fotos: ensaio técnico da Beija-Flor no Sambódromo

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Freddy Ferreira analisa baterias da Beija-Flor e Grande Rio

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Especial Barracões SP: Colorado do Brás exalta Pierrot e a própria escola em 2023

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Segue a série “Barracões” do site CARNAVALESCO. A visita retratada nesta reportagem fala sobre a Colorado do Brás, escola que retorna ao Grupo de Acesso I do carnaval de São Paulo, que não era disputado pela escola da região Central da cidade desde 2018, quando sagrou-se vice-campeã do segundo escalão da folia paulistana e retornou ao Grupo Especial após vinte e seis anos. Para retornar ao principal pelotão do município, a agremiação terá como tema “A Ópera de Um Pierrot”.

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Fotos: Will Ferreira/Site CARNAVALESCO

A associação com o famosíssimo personagem do carnaval italiano renascentista é óbvia – e também será abordada na apresentação. Mas a escola não falará única e exclusivamente da história do apaixonado pela Colombina. Pelo contrário: o desenlace final do desfile será, justamente, o amor do componente pela Colorado do Brás – similar ao do casal retratado há cerca de quinhentos anos das mais variadas maneiras.

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O detalhamento é feito por Anselmo Brito, carnavalesco da escola. “A ideia da trama dessa grande ópera do Pierrot é abrir a cortina de uma história romântica e trazer esse romantismo e essa luta pelo amor e pela paixão desses personagens envolvidos para a história da escola. Nós vamos pegar essa história, a difícil paixão entre esse plebeu pela grande princesa, ninguém mais que a Colombina. Nisso, ele faz várias declarações de amor, porque amar vai além de tudo isso, como diz o escritor. O amor é infinito. Em cima dessa frase e desses personagens, a Colorado vai trazer para o seu personagem, o componente, o amor que ele tem pela escola”, pontuou.

Como surgiu a ideia para o enredo?

Após o rebaixamento em 2022, a Colorado do Brás fez diversas mudanças na equipe. Uma delas foi, justamente, em uma função importantíssima para o desenvolvimento do enredo. Fernando Dias e Yuri Aguiar começaram o ciclo para 2023 como carnavalescos, anunciados no mês de maio. Em agosto, entretanto, Fernando, por motivos pessoais, se afastou da agremiação. No mesmo mês, Anselmo chegou para conduzir os trabalhos.

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A ideia do enredo, entretanto, vai além de tal cargo: passa, sobretudo, pela direção da escola. “Nós temos um diretor de carnaval, o Jairo Roizen, e um excelente enredista e pesquisador de enredo, o Thiago Morganti. A ideia surge desse grupo, juntamente com o presidente da escola de samba [Antônio Carlos Borges, o Ká], com a ideia de que a Colorado queria ter um enredo alegre, que também contasse um pouco da história da escola, da paixão. Uniram tudo isso e surgiu ‘A Ópera de Um Pierrot’”, explica Anselmo.

Assim como os componentes, a direção também “encampou” o projeto iniciado por eles próprios – e, na opinião do carnavalesco, está cada vez mais engajada. “A escola vem motivada, então ela já tem a motivação essencial para um desfile: A motivação de um presidente que é apaixonado, ele é o nosso Pierrot particular, que está aqui. Ele é apaixonado pela Colorado do Brás. Ele tem uma paixão muito grande pela escola e por essa comunidade. Ele se inspira nisso: querer fazer o melhor. Ele te dá todas as condições para que você possa desenvolver o melhor. O que estamos construindo juntos como base é ser fiel ao enredo, trazer luxo para a escola e, também, impactar. Vai ser um carnaval com muitos impactos. Tanto da parte de cenografia, das alegorias, quanto o de fantasias”, destacou Anselmo.

Identificação com a escola

O profissional aproveitou para aprofundar a importância histórica do enredo para a agremiação como um todo. Rebaixada para o Grupo de Acesso I em 2022, a Colorado foi penalizada em meio ponto por merchandising. Caso tal situação não acontecesse, a instituição ficaria na oitava colocação. “A escola passou por um processo difícil, retornando ao Grupo de Acesso I, onde fez um grande carnaval. Queremos mostrar que tudo vai ter um final feliz, como na história do Pierrot e da Colombina. E, claro: por conta da paixão do componente, há de chorarmos porque estaremos retornando ao nosso lugar”, ressalta Anselmo.

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Em outro momento, ele próprio personifica quem, afinal de contas, seria o Pierrot da instituição: “O Pierrot é a própria Colorado. Sou seu Pierrot e, também, sou Colorado. É bater no peito e exaltar, como diz o nosso samba”, orgulha-se.

Outra pessoa citada por Anselmo é a primeira-dama e diretora de carnaval, Karyn Fernandez. “Ela tem todo o cuidado e esmero Assim como o presidente Ká, ela vivencia isso loucamente. Isso tem que ser enfatizado. Ela é responsável pelo chão, pelas fantasias, pelo cuidado, pelas compras. É ela quem corre juntamente com toda a equipe, com costuras e adereços”, elogia.

Experiência e conhecimento

O carnavalesco conta que algumas experiências pregressas pessoais e acadêmicas ajudaram no desenvolvimento do enredo a ser apresentado na avenida. “A minha formação é em cenografia. Como todo cenógrafo, temos a necessidade de buscar a fidelidade dos atos presentes. Esse enredo, para mim, foi um presente. Ele é tese, para nós que fazemos a faculdade de artes e também de cenografia, e um dos períodos históricos estudados. Mais do que isso: estou trabalhando com um dos períodos que eu mais conheço. Busquei detalhes da minha memória, das viagens que já fiz, me debrucei em livros de artes, figurino e de pesquisa, para ser muito fiel ao que é retratado porque é uma ópera muito conhecida. Esse foi o trabalho de pesquisa. Da comissão de frente até a última ala, foi tudo muito bem pensado”, relembrou.

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Uma característica do profissional também foi abordada. Conhecido pela grandiosidade e pelo luxo, Anselmo pontuou que toda a identidade dos desfiles com participação dele estarão presentes em 2023 na Colorado do Brás.“Eu tenho a fama de alegorias muito grandes, de carnavais grandes. E eu gosto, porque eu trato o carnaval como espetáculo. Acho que o público que ali está, o nosso componente apaixonado, gosta de algo impactante. Já vai começar com o nosso abre-alas, bastante impactante. Na cenografia, dizemos que, quanto mais fiel pudermos ser, temos que ser. E é assim que vamos trazer a Colorado. O número de peças é muito expressivo: são muitas e muito grandes. Temos chegado ao nosso limite de altura, de capacidade logística de transporte. E, também, das baias da Concentração. Está tudo muito bem acertadinho, mas calculado para fazer um grande desfile”, comentou. Ressalta-se que, em primeira mão para o CARNAVALESCO, o profissional destacou que o carro abre-alas da agremiação terá 56 metros de extensão. Como a passarela do Anhembi tem 530 metros, mais de 10% da pista será ocupada pela alegoria.

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Outros elementos do carnaval como um todo também aparecerão no desfile, sobretudo no último setor da instituição. “A nossa última alegoria mistura o saudosismo de antigos carnavais. Tanto que a nossa Velha Guarda vem para o desfile nesse momento, juntamente com as crianças, para unir o antigo com o novo. Aí, trazemos tanto na cromia dos personagens que irão ilustrar e estar presentes nesse ato. Esse último carro representa a grande trupe de um carnaval antigo, daqueles bailes que dão saudade. Dos mascarados que dançavam pelos salões, da alegria do confete e da serpentina, da festa mais solta e alegria”, finalizou.

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Surpresas?

Perguntado sobre um momento em que pensa que os presentes terão uma grande surpresa, depreende-se que serão, ao menos, três – que foram tratados de maneira subjetiva por Anselmo. “Eu estou dividindo a escola em momentos, tal qual num teatro: em atos. A cada setor, nós teremos uma grande surpresa. O carnaval remete à alegria, um carnaval mais solto. Vai ter um impacto na parte plástica e também nas fantasias. Nós vamos deixar o componente mais livre, mas sem perder o luxo e a riqueza de tudo isso. Em todo momento nós teremos algo impactante. Em alegorias, em fantasias, na comissão de frente, no casal de mestre-sala e porta-bandeira. Tudo foi construído com muito amor”, afirmou.

Conheça o desfile da Colorado do Brás

Serão, ao todo, três setores na escola. Os mil e duzentos componentes estarão divididos em treze alas, com a presença de três carros alegóricos. Na explicação pormenorizada, Anselmo Brito deixa clara a disposição de cada folião.

Setor 1: “O primeiro setor é o grande convite. A Colorado convidando todos para entrar no belo reino para conhecer a história, esse triângulo amoroso, essa paixão entre o Pierrot e a Colombina. E quem vai contar a história é o próprio Pierrot, que vai contar as alegrias e frustrações. Para isso, convidamos todos para adentrar o castelo. Mais do que isso: assistir o grande duelo épico entre o Pierrot e o grande dragão. Essa é a primeira parte da escola”.

Setor 2: “No segundo setor, vamos mostrar a beleza de tudo isso e como toda a história foi retratada na arte, nos palcos renascentistas e na Europa, onde surgiu a grande ópera do Pierrot. Vamos trazer uma alegoria em que vamos trazer várias cenas para retratar momentos inesquecíveis, bailes de máscaras e personagens tão conhecidos e elegantes que remetem à ópera do Pierrot”.

Setor 3: “O terceiro é o convite: embarque você também! Convidando o público para festejar, embarque na alegria! Depois de tantas tristezas, seja pela pandemia, pela colocação da nossa escola no último concurso, que faz parte… o que vale é que estamos felizes de podermos nos apresentar e produzir o maior espetáculo da Terra. Queremos convidar todos a relembrar momentos de outras épocas, dançar e ser felizes, vivenciando o hoje e sempre com muita alegria.

Ficha técnica
Três alegorias
1200 componentes
Carnavalesco: Anselmo Brito
Diretor de carnaval: Karyn Fernandez e Jairo Roizen
Diretor de barracão: Rodrigo Vila, o “Rodrigão”