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Freddy Ferreira analisa baterias da Beija-Flor e Grande Rio

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Especial Barracões SP: Colorado do Brás exalta Pierrot e a própria escola em 2023

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Segue a série “Barracões” do site CARNAVALESCO. A visita retratada nesta reportagem fala sobre a Colorado do Brás, escola que retorna ao Grupo de Acesso I do carnaval de São Paulo, que não era disputado pela escola da região Central da cidade desde 2018, quando sagrou-se vice-campeã do segundo escalão da folia paulistana e retornou ao Grupo Especial após vinte e seis anos. Para retornar ao principal pelotão do município, a agremiação terá como tema “A Ópera de Um Pierrot”.

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Fotos: Will Ferreira/Site CARNAVALESCO

A associação com o famosíssimo personagem do carnaval italiano renascentista é óbvia – e também será abordada na apresentação. Mas a escola não falará única e exclusivamente da história do apaixonado pela Colombina. Pelo contrário: o desenlace final do desfile será, justamente, o amor do componente pela Colorado do Brás – similar ao do casal retratado há cerca de quinhentos anos das mais variadas maneiras.

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O detalhamento é feito por Anselmo Brito, carnavalesco da escola. “A ideia da trama dessa grande ópera do Pierrot é abrir a cortina de uma história romântica e trazer esse romantismo e essa luta pelo amor e pela paixão desses personagens envolvidos para a história da escola. Nós vamos pegar essa história, a difícil paixão entre esse plebeu pela grande princesa, ninguém mais que a Colombina. Nisso, ele faz várias declarações de amor, porque amar vai além de tudo isso, como diz o escritor. O amor é infinito. Em cima dessa frase e desses personagens, a Colorado vai trazer para o seu personagem, o componente, o amor que ele tem pela escola”, pontuou.

Como surgiu a ideia para o enredo?

Após o rebaixamento em 2022, a Colorado do Brás fez diversas mudanças na equipe. Uma delas foi, justamente, em uma função importantíssima para o desenvolvimento do enredo. Fernando Dias e Yuri Aguiar começaram o ciclo para 2023 como carnavalescos, anunciados no mês de maio. Em agosto, entretanto, Fernando, por motivos pessoais, se afastou da agremiação. No mesmo mês, Anselmo chegou para conduzir os trabalhos.

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A ideia do enredo, entretanto, vai além de tal cargo: passa, sobretudo, pela direção da escola. “Nós temos um diretor de carnaval, o Jairo Roizen, e um excelente enredista e pesquisador de enredo, o Thiago Morganti. A ideia surge desse grupo, juntamente com o presidente da escola de samba [Antônio Carlos Borges, o Ká], com a ideia de que a Colorado queria ter um enredo alegre, que também contasse um pouco da história da escola, da paixão. Uniram tudo isso e surgiu ‘A Ópera de Um Pierrot’”, explica Anselmo.

Assim como os componentes, a direção também “encampou” o projeto iniciado por eles próprios – e, na opinião do carnavalesco, está cada vez mais engajada. “A escola vem motivada, então ela já tem a motivação essencial para um desfile: A motivação de um presidente que é apaixonado, ele é o nosso Pierrot particular, que está aqui. Ele é apaixonado pela Colorado do Brás. Ele tem uma paixão muito grande pela escola e por essa comunidade. Ele se inspira nisso: querer fazer o melhor. Ele te dá todas as condições para que você possa desenvolver o melhor. O que estamos construindo juntos como base é ser fiel ao enredo, trazer luxo para a escola e, também, impactar. Vai ser um carnaval com muitos impactos. Tanto da parte de cenografia, das alegorias, quanto o de fantasias”, destacou Anselmo.

Identificação com a escola

O profissional aproveitou para aprofundar a importância histórica do enredo para a agremiação como um todo. Rebaixada para o Grupo de Acesso I em 2022, a Colorado foi penalizada em meio ponto por merchandising. Caso tal situação não acontecesse, a instituição ficaria na oitava colocação. “A escola passou por um processo difícil, retornando ao Grupo de Acesso I, onde fez um grande carnaval. Queremos mostrar que tudo vai ter um final feliz, como na história do Pierrot e da Colombina. E, claro: por conta da paixão do componente, há de chorarmos porque estaremos retornando ao nosso lugar”, ressalta Anselmo.

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Em outro momento, ele próprio personifica quem, afinal de contas, seria o Pierrot da instituição: “O Pierrot é a própria Colorado. Sou seu Pierrot e, também, sou Colorado. É bater no peito e exaltar, como diz o nosso samba”, orgulha-se.

Outra pessoa citada por Anselmo é a primeira-dama e diretora de carnaval, Karyn Fernandez. “Ela tem todo o cuidado e esmero Assim como o presidente Ká, ela vivencia isso loucamente. Isso tem que ser enfatizado. Ela é responsável pelo chão, pelas fantasias, pelo cuidado, pelas compras. É ela quem corre juntamente com toda a equipe, com costuras e adereços”, elogia.

Experiência e conhecimento

O carnavalesco conta que algumas experiências pregressas pessoais e acadêmicas ajudaram no desenvolvimento do enredo a ser apresentado na avenida. “A minha formação é em cenografia. Como todo cenógrafo, temos a necessidade de buscar a fidelidade dos atos presentes. Esse enredo, para mim, foi um presente. Ele é tese, para nós que fazemos a faculdade de artes e também de cenografia, e um dos períodos históricos estudados. Mais do que isso: estou trabalhando com um dos períodos que eu mais conheço. Busquei detalhes da minha memória, das viagens que já fiz, me debrucei em livros de artes, figurino e de pesquisa, para ser muito fiel ao que é retratado porque é uma ópera muito conhecida. Esse foi o trabalho de pesquisa. Da comissão de frente até a última ala, foi tudo muito bem pensado”, relembrou.

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Uma característica do profissional também foi abordada. Conhecido pela grandiosidade e pelo luxo, Anselmo pontuou que toda a identidade dos desfiles com participação dele estarão presentes em 2023 na Colorado do Brás.“Eu tenho a fama de alegorias muito grandes, de carnavais grandes. E eu gosto, porque eu trato o carnaval como espetáculo. Acho que o público que ali está, o nosso componente apaixonado, gosta de algo impactante. Já vai começar com o nosso abre-alas, bastante impactante. Na cenografia, dizemos que, quanto mais fiel pudermos ser, temos que ser. E é assim que vamos trazer a Colorado. O número de peças é muito expressivo: são muitas e muito grandes. Temos chegado ao nosso limite de altura, de capacidade logística de transporte. E, também, das baias da Concentração. Está tudo muito bem acertadinho, mas calculado para fazer um grande desfile”, comentou. Ressalta-se que, em primeira mão para o CARNAVALESCO, o profissional destacou que o carro abre-alas da agremiação terá 56 metros de extensão. Como a passarela do Anhembi tem 530 metros, mais de 10% da pista será ocupada pela alegoria.

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Outros elementos do carnaval como um todo também aparecerão no desfile, sobretudo no último setor da instituição. “A nossa última alegoria mistura o saudosismo de antigos carnavais. Tanto que a nossa Velha Guarda vem para o desfile nesse momento, juntamente com as crianças, para unir o antigo com o novo. Aí, trazemos tanto na cromia dos personagens que irão ilustrar e estar presentes nesse ato. Esse último carro representa a grande trupe de um carnaval antigo, daqueles bailes que dão saudade. Dos mascarados que dançavam pelos salões, da alegria do confete e da serpentina, da festa mais solta e alegria”, finalizou.

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Surpresas?

Perguntado sobre um momento em que pensa que os presentes terão uma grande surpresa, depreende-se que serão, ao menos, três – que foram tratados de maneira subjetiva por Anselmo. “Eu estou dividindo a escola em momentos, tal qual num teatro: em atos. A cada setor, nós teremos uma grande surpresa. O carnaval remete à alegria, um carnaval mais solto. Vai ter um impacto na parte plástica e também nas fantasias. Nós vamos deixar o componente mais livre, mas sem perder o luxo e a riqueza de tudo isso. Em todo momento nós teremos algo impactante. Em alegorias, em fantasias, na comissão de frente, no casal de mestre-sala e porta-bandeira. Tudo foi construído com muito amor”, afirmou.

Conheça o desfile da Colorado do Brás

Serão, ao todo, três setores na escola. Os mil e duzentos componentes estarão divididos em treze alas, com a presença de três carros alegóricos. Na explicação pormenorizada, Anselmo Brito deixa clara a disposição de cada folião.

Setor 1: “O primeiro setor é o grande convite. A Colorado convidando todos para entrar no belo reino para conhecer a história, esse triângulo amoroso, essa paixão entre o Pierrot e a Colombina. E quem vai contar a história é o próprio Pierrot, que vai contar as alegrias e frustrações. Para isso, convidamos todos para adentrar o castelo. Mais do que isso: assistir o grande duelo épico entre o Pierrot e o grande dragão. Essa é a primeira parte da escola”.

Setor 2: “No segundo setor, vamos mostrar a beleza de tudo isso e como toda a história foi retratada na arte, nos palcos renascentistas e na Europa, onde surgiu a grande ópera do Pierrot. Vamos trazer uma alegoria em que vamos trazer várias cenas para retratar momentos inesquecíveis, bailes de máscaras e personagens tão conhecidos e elegantes que remetem à ópera do Pierrot”.

Setor 3: “O terceiro é o convite: embarque você também! Convidando o público para festejar, embarque na alegria! Depois de tantas tristezas, seja pela pandemia, pela colocação da nossa escola no último concurso, que faz parte… o que vale é que estamos felizes de podermos nos apresentar e produzir o maior espetáculo da Terra. Queremos convidar todos a relembrar momentos de outras épocas, dançar e ser felizes, vivenciando o hoje e sempre com muita alegria.

Ficha técnica
Três alegorias
1200 componentes
Carnavalesco: Anselmo Brito
Diretor de carnaval: Karyn Fernandez e Jairo Roizen
Diretor de barracão: Rodrigo Vila, o “Rodrigão”

Série Barracões SP: Pérola Negra apresenta discografia de Jair Rodrigues, paixão pelo carnaval e por duas escolas cariocas

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A Pérola Negra apresentará o enredo para 2023: “Prepare o seu coração: Jair Rodrigues, Festa para o Rei Negro”, ou seja, uma homenagem para Jair Rodrigues. Um dos maiores ídolos da música popular brasileira, faleceu repentinamente em 2014. Na homenagem da agremiação paulistana, a ideia é trazer a história do ‘Rei Negro’ através da sua discografia e tem elementos como o amor pelo carnaval que promete ser ponto marcante. Buscando o retorno para a elite em 2024, a Pérola Negra foi rebaixada em 2020 e ficou no 3ª lugar no Grupo de Acesso I em 2022. Será a sétima escola na pista no domingo, dia 19 de fevereiro.

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Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Para o carnaval de 2023, o carnavalesco Cláudio Cebola assumiu o projeto e segue sua linha musical, como explicou em conversa com o site CARNAVALESCO: “Claudio Cebola tem sempre essa tendência da vertente musical nos carnavais. Apesar de ter parado dois anos na pandemia, não fiz carnaval, meu último enredo em São Paulo foi no Camisa Verde e a temática de música popular brasileira, foi Carlinhos Brown, o último homenageado. Mas vim de outras vertentes como Caymmi, João Nogueira, Milton Nascimento, Elba Ramalho, não tinha como não trazer de novo. Apesar de outras agremiações terem trazido, sofri um pouco de crítica. Mas Jair Rodrigues não é um intérprete de um enredo só. Ele cabe em vários enredos, tem tantas outras vertentes sendo apresentadas e porque elas cabem em outros enredos. Jair cabe no meu enredo, que na verdade, não vem com a proposta da bibliografia, vem com a discografia do maior intérprete negro da música popular brasileira que foi Jair Rodrigues. E essa vertente discográfica que iremos apresentar na avenida”.

Processo de pesquisa: o amor pelo carnaval descoberto

Um dos pontos principais no processo de pesquisa do carnavalesco e que estará no fim da agremiação na pista é justamente a relação de Jair Rodrigues com o carnaval. Cebola mostrou descoberta importante que será bem abordada na apresentação da Pérola Negra em 2023.

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“Uma das curiosidades que não sabia muito da paixão dele do carnaval. Sabíamos do Rei Negro, enredo antológico do Salgueiro. Mas nem sabia que ele foi intérprete, e também era um dos compositores do samba. Essa paixão dele me surpreendeu muito, por isso quis trazer como a gente está no carnaval, trouxe esse flashback dos carnavais memoráveis da década de 60, principalmente Salgueiro e Mangueira. É um carro que tem uma coisa bem nostálgica e foi uma das curiosidades que me fez trazer uma plástica. Dentre outras curiosidades, Jair era muito irreverente, foi um dos personagens caricatos da música popular brasileira, sorriso sempre estampado, feliz, viveu, cresceu e morreu feliz. Deixou um legado, herança musical forte na família deixou Jairzinho, tem Luciana Mello, e esperamos tê-los na avenida com a gente. Essa homenagem com certeza vai ser ao mestre Rei Negro, maior interprete da música popular, que considero e o Brasil considera, que foi e é Jair Rodrigues”.

Fantasias e alegorias

Cores não faltam para a Pérola Negra, agremiação da Zona Oeste veste vermelho, azul, branco e preto, portanto, uma grande variação. Ajudando o trabalho do carnavalesco Cebola que explorou as cores em seu trabalho de fantasias e alegorias, explicando um pouco sobre e que não virá com ‘nostalgia’.

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“Na verdade, não gosto que combine muito com as cores da escola, porém as cores do Pérola me fascinam, o preto, o azul e o vermelho são coisas que me remetem a coisas que gosto. Vou puxar bem os festivais de música. Ele vai vir com nostalgia do preto e branco, não, o Pérola vem com as cores dele, bem evidente no primeiro setor apenas, depois não tem como, entra nas matas de Oxóssi como diz a letra, revoada de pardais, sábia, araras, todo esse universo da mapa, venho com revoada de borboleta que farão passagem de Oxóssi na avenida. Então são cores críticas, paleta cromática bem intensa. Termina lógico com as cores, divisão bem legal, da mesma forma que dividi o segundo, só que foi na metade. Da metade da frente e traseira, entre a linha sertaneja, um verde que explora matas e um colorido das favelas do Rio de Janeiro, carro todo grafitado, onde exaltamos as negras, nessas favelas, barracas, tem cabrochas e malandros se apresentando, que era inspiração dele, de Zé Kat. ‘Eu sou o samba, sou natural, sou do Rio de Janeiro’, a música já dizia e ‘faça a alegria para milhões de corações brasileiros’, então a gente vem com a malandragem. É lógico que malandros e cabrochas do terreno lembravam também do povo de rua como as padilhas, os tranca ruas, então tudo isso no carnaval. O final exploramos as cores da Mangueira, verde e rosa, e do Salgueiro, vermelho, prata e branco”.

Ponto chave do desfile

Para um carnavalesco é sempre complicado dizer qual parte do seu filho é a melhor, assim como muitos dizem em nossas visitas nos barracões. Pois o carnavalesco da Pérola, acredita na força do último setor como um ponto de destaque no desfile da escola.

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“Gosto de tudo, espero que as pessoas gostem. Mas o último carro, da Mangueira e Salgueiro, para quem gosta muito de carnaval, apaixonado pelo carnaval carioca. Lógico que fazemos carnaval para a terra da garoa, eu sou apaixonado pelo carnaval daqui, é aqui que meu nome se estende, apesar de vir do Rio, e ter trajetória longa no carnaval do Rio. Mas é São Paulo que devo muito, e teremos lembrança muito boa dos carnavais do Rio neste enredo do Jair Rodrigues”.

Cebola carnavalesco, o seu dia a dia

O carnavalesco de uma escola de samba vive intensamente o projeto dentro de meses, e cada um tem seu estilo no dia a dia, a intensidade no trabalho, as ações. Na visita no barracão, deu para sentir Claudio Cebola bem ativo junto com os artistas, auxiliando na preparação de peças e ao ser perguntado sobre o seu estilo, contou um pouco e aproveitou para citar a dificuldade do Grupo de Acesso I em 2023.

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“Moro dentro do barracão, internado há meses, larguei casa, hotel, é muita dificuldade financeira grande. A presidente vem com dificuldades passadas, então a verba nunca está integral. É um carnaval difícil para todo mundo, será um carnaval à parte, temos as maiores escolas do carnaval de São Paulo neste grupo. Considero um grupo de elite, vai ser, parada dura, 11 contra 11, não vejo favoritismo, apesar de ter escolas de nome, a luta será de igual para igual, cada uma tem seus artifícios, cada um vai ter a sua forma de expressar a arte. E a disputa está entre as duas linhas amarelas, ninguém cantando favoritismo onde tem Vai-Vai, X-9, Colorado, Pérola, Camisa…”.

Relação com o carnaval paulista

Carioca que está cada vez mais enraizado em São Paulo, ou melhor, no carnaval paulista, Cebola contou um pouco sobre os trabalhos desenvolvidos na terra da garoa.

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“Entrei aqui em 2000 na Tom Maior com Marquinhos, só parei que fui assinar carnaval na Padre Miguel e fui segundo carnavalesco com Cid Carvalho em 2008, no Quinto Império do Brasil, falando de Portugal, outro ano assinei sozinho na Padre Miguel, foi Machado de Assis e Guimarães Rosa. Daí regressei para Mancha que já tinha feito, e voltei para o Águia, onde tinha feito, e sai do Águia, passei temporada na Tom Maior, tive o episódio em 2018 na Tom, que já ficou para trás, foi resolvido. Tive que retornar para o Acesso depois do episódio, faz parte, espero sair do Acesso e não voltar mais”.

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Estrutura e dificuldade

A Pérola Negra assim como as agremiações do Grupo de Acesso I estão instaladas na Fábrica do Samba II, na Zona Norte de São Paulo, perto do Anhembi. No início, uma estrutura improvisada, mas que foi ganhando uma forma ao longo dos anos.

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“Estrutura faltam algumas coisas, mas nem dá para falar nada, você pega o maior carnaval que é o do Rio de Janeiro, e vê os barracões, tirando a Cidade do Samba, Acesso I e II, não chega nem perto do que tem em São Paulo. Aqui tem área de escape, tem escolas dentro de um padrão que é considerável para fazer o carnaval. Tem vestiário, cozinha, banheiro, tem uma área, um portão, entrada, segurança, guarita, então não tem como reclamar. Lógico que precisa melhorar, alguns pontos revistos, mas só agradecer e pedir para o carnaval nos sucumbir”.

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Entrando em cada setor que contará no enredo de Jair Rodrigues, Cebola explicou um pouco resumido antes de falar setor a setor que virá no desfile: “Ela se divide desde a trajetória sertaneja, até sua veia sambista, conhecer o Rio de Janeiro, a Mangueira, o Salgueiro, amigos como Zé Kat, onde ele interpreta a voz do morro. Iremos passar por toda essa gama que ele se mostrou ser, grandes intérpretes e obras”.

Setor 1: “Abrimos o carnaval com a moda sertaneja, não poderia ser diferente, Jair Rodrigues vem tocando o berrante, abrindo a porteira, vaqueiro de profissão que foi a última música apresentada na novela Pantanal. Começamos com essa linha bem sertaneja”.

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“Passando para musicais, o abre-alas vem tocando essa boiada, a comitiva, pedindo passagem para a chegada dos festivais de música. Foi com uma música sertaneja, que é disparada, ‘prepare o seu coração’ que Jair ganha o seu primeiro festival da canção. E a gente vem de novo ressaltando os festivais da música popular brasileira. É um carro imenso, onde retratamos toda vida e obra discográfica do Jair ao lado da pequena notável. As pessoas falavam que a pequena notável era Carmen Miranda, realmente, o apelido da Carmen Miranda era pequeno notável, e da Elis era pimentinha. Mas poucos sabem dos bastidores, por ser pequeninha e notável, Jair chamava Elis de pequena notável, a minha pequena notável. Fazemos essa trajetória até o fino da bossa, onde eles fizeram durante quatro anos na TV Excelsior, o programa. E esse encontro, partimos com ele no abre-alas da escola, o encontro dele com Elis”.

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Setor 2: “Passamos para o segundo setor, ainda na linha sertaneja, para quem não sabe, não foi Chitãozinho e Xororó que interpretou a ‘Majestade e Sabiá’ pela primeira vez, canção e letra de Roberta Miranda. Essa canção foi dada para o Jair, pelo próprio Chitãozinho, que apresentou Roberta, e ele foi o primeiro intérprete de ‘Majestade e Sabiá’, então esse segundo carro, essa segunda vertente. Terminamos a veia sertaneja dele com majestade e sabiá, carro que vai representar, Oxóssi, deus da mata, vem revoada de pardais, onde vem a majestade e o grande sábia, enfim, literalmente, trouxe ao pé da letra da música. Transformei esse carro. Mas esse carro tem duas situações musicais. Ele termina a vertente sertaneja e começa a veia sambista dele. Onde Jair conhece os morros do Rio de Janeiro, então atrás Oxóssi, das matas, vem esse terreno, e nele conhece as cabrochas e malandras que inspiram ao lado de Zé Cat, a voz do morro, o morro não tem vez. Toda essa linguagem sambista é apresentada na segunda alegoria”.

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Setor 3: “Para finalizar, já que sai do Morro e está no Rio de Janeiro, ele se apaixona totalmente pela cidade, pelo Salgueiro, sua escola de coração. Salgueiro de eternos carnavais, para quem não sabe, quem batizou o Salgueiro vai saber agora foi a Mangueira, eles fizeram a música ‘vem Didinha, uma homenagem a Salgueiro e a Mangueira’, é com esses dois baluartes do carnaval, onde o baluarte da Perola Negra, nossa velha guarda, vai saudar a chegada da Mangueira e do Salgueiro dos eternos carnavais, década 50, 60, onde Jair foi padrinho na verdade, e também se consagrou como Rei Negro do Salgueiro. Foi autor desse samba épico, e terminam a discografia, com esse mundo, como é nosso mundo, a magia do carnaval”.

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Recado para comunidade

“Tem que esperar minhas loucuras, se o povo vai gostar das loucuras que faço. É um carnaval cheio, não está um carnaval politicamente correto. Cada setor vai ter uma explosão determinada para aquele tipo de explosão que quero determinada. Pode ser nas cores, matéria humana, pode ser visual de luz, muito efeito de painéis de LED, é contar que tudo isso dê certo. Que a comunidade venha aguerrida. Que o trabalho seja sacramentado, e com a força da comunidade que a presidente Sheila, agradeço pela oportunidade de fazer um enredo autoral, gosto de fazer enredos autorais. Com a necessidade de ter verba, uma verba extra, buscar enredo patrocinado, mas até para buscar patrocínio, tem que saber buscar e está muito difícil. Mas no produto final o carnaval de São Paulo precisa ter mudanças também, para poder continuar ostentando a força que tem aos longos dos anos, caso contrário é perigoso sucumbir”.

Ficha técnica
Alegorias: 3
Alas: 17
Diretor de Carnaval: João Ricardo (Jhony)
Diretor de barracão: Marcelo Tônico
Supervisor de fantasias e atelier: Sheila Monaco (fantasias feitas no barracão)

Marquinho Marino: ‘Somos uma escola grande. Respeitem a Mocidade!’

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Após um ano com muitos problemas durante seu desfile o diretor de carnaval da Mocidade Independente de Padre Miguel, Marquinho Marino, fala sobre volta por cima da escola em 2023. Ele ressalta a importância do crescimento da agremiação durante esse período pré-carnaval, e como o enredo e o samba está ajudando nesse processo.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

“A palavra é crescimento que gente está chegando no dia do carnaval da forma que imaginamos que o samba vai acontecer. A comunidade está feliz, a bateria comprou o barulho do samba também o mestre Dudu está arrebentando. O pré-carnaval da maneira certa, para chegarmos na avenida no auge”.

Sobre os boatos espalhados sobre a escola nesses últimos tempos, Marquinho se sente incomodado, porém ele afirma que a Mocidade é uma escola que tem muita história e uma comunidade forte e que essas palavras não podem atrapalhar o desenvolvimento da agremiação.

“Quem tem boca fala o que quer né, fala o que deseja talvez. A Mocidade Independente é uma escola muito forte, entendam isso, é muito fundamento, quesito e carnaval é isso, quesito e a Mocidade está fazendo direitinho cada um deles”.

O diretor também analisou o trabalho do carnavalesco Marcus Ferreira. Ele é o responsável pelo desenvolvimento do enredo “Terra De Meu Céu, Estrelas De Meu Chão”, que conta a história de mestre Vitalino e seus discípulos nas artes do Alto do Moura.

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“Ele é meu amigo de anos, eu torcia muito para ele vim pra Mocidade, ele é torcedor da escola. A gente sempre torcia para ele vir para cá, se tornou um carnavalesco multicampeão. As referências dele como artista são muitos carnavalescos que passaram pela Mocidade, Renato Lage, por exemplo, acho que vai dar certo”.

Seguindo a linha do conjunto, outra parte muito importante para escola é o samba que, segundo o diretor, a comunidade e a bateria “abraçaram”. Sem contar com o canto do intérprete Nino do Milénio, que deu uma voz forte para o samba, fazendo todos cantarem com muita vontade.

“Eu acho que no ensaio técnico e o de apoio lá na Guilherme da Silveira, uma semana depois foi arrebatador. E, sem dúvida nenhuma, o Nino está demais, arrebentando dando a cara dele para o samba, ele já tem uma voz marcante. Traz jovialidade e fazendo a galera cantar com vontade e alegria. É muito bom para Mocidade, a gente precisa disso”.

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Marquinho Marino foi enfático em afirmar que o pensamento é de título em 2023, desprezou as conversas paralelas sobre a escola, reconheceu mais uma vez os erros do último desfile, pediu respeito e ressaltou que a Mocidade é uma escola grande.

“Torço pro título, por que não? Por mais que esteja esse papinho aí, a Mocidade é uma escola grande. Ano passado, infelizmente, tivemos alguns problemas de desfile mesmo e técnicos, se não estaríamos lá em cima entre as três. Se não errarmos agora a tendência é ter a escola entre as quatros primeiras. Respeitem a Mocidade”.

Viradouro: vídeos da arrancada e bateria no ensaio técnico

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Vila Isabel: vídeos da arrancada e bateria no ensaio técnico

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Neguinho da Beija-Flor: ‘Ser um intérprete de escola de samba é completamente diferente de ser um intérprete comum’

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Um dos nomes mais emblemáticos do carnaval, Neguinho da Beija-Flor tem ciência do peso de suas vitórias. Ele, que se autointitula “da Beija-Flor”, vive com a escola a sua maior história de amor. Aos 73 anos, sequer parece imaginar um momento de separação do carro de som. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, Neguinho mostrou seu bom humor e deixou evidente que ainda tem garra de sobra para se destacar como intérprete.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Quando falam que você é o cantor mais importante do carnaval após o Jamelão, o que sente?

Neguinho: “Eu tenho mais tempo, mas não me acho melhor que ninguém. Todos são excelentes cantores. Ser um intérprete de escola de samba é completamente diferente de ser um intérprete comum. Somos uma espécie de maratonista, temos que nascer com essa energia. O meu diferencial é apenas estar aqui há mais tempo”.

Qual é o balanço que você faz da sua carreira?

Neguinho: “Deus me deu muitas oportunidades e sou eternamente grato. Tive um câncer violento em 2008, e continuo aqui anos depois desse sufoco. Pude vencer momentos difíceis e fico muito feliz pelas conquistas”.

Qual é o seu desfile inesquecível pela Beija-Flor? 

Neguinho: “O primeiro. Além de ser um samba de minha autoria, a Beija-Flor teve a sua primeira vitória. Foi emocionante. Também preciso citar o de 2009, porque considero que foi o meu renascimento”.

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E qual é o seu samba-enredo favorito?

Neguinho: “Vou ter que dizer que é ‘A Deusa da Passarela’. Não é um samba-enredo, mas é o nosso hino”.

O que representa a Beija-Flor e o Anísio na sua vida?

Neguinho: “Absolutamente tudo. Costumo dizer que o Anísio é o homem da minha vida e é verdade”.

Você diz que não tem salário e contrato na Beija-Flor. É uma opção?

Neguinho: “Sim. Temos uma troca, porque a Beija-Flor me proporcionou imensas alegrias. Pude ser conhecido pelo meu trabalho e apresentar ele ao mundo. Seria injusto da minha parte exigir remuneração, já ganhando tanto em outros aspectos”.

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Muitas vezes você já citou casos de falta de reconhecimento, como em não ter cachê para cantar no Réveillon do Rio. Acha que falta uma valorização dos intérpretes de samba-enredo?

Neguinho: “O Brasil é complicado, e por isso faço questão de firmar a minha carreira no exterior também. Nós fazemos o maior espetáculo visual do planeta, que é o carnaval, e quando realizam essas outras grandes festas, chamam artistas de diferentes segmentos ou até mesmo internacionais. Se tivermos a sorte de sermos chamados, é sempre por um cachê simbólico. Não há uma valorização do nosso trabalho. Isso é revoltante”.

Como surgiu a ideia de chamar a Ludmilla para cantar com você?

Neguinho: “A Ludmilla é um pouco como eu. Ela veio do nada e representa a comunidade. Na minha concepção, ela é uma rainha, pois derrubou diversas barreiras para estar aqui. Além disso, ela consegue ser do samba e do funk. Também acho que a Ludmilla ilustra bem o nosso enredo, sendo uma heroína para milhares de pessoas”.

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O que passa na sua cabeça sobre o futuro? Sua ideia é bater o Jamelão que cantou depois dos 90 anos?

Neguinho: “Enquanto eu tiver saúde, vou estar por aqui”.

Você vem aprimorando a preparação para cantar. Quando sentiu necessidade disso e o que faz nessa preparação no pré-carnaval?

Neguinho: “A idade chega para todos. Suas opções são parar de vez, até para evitar um constrangimento, ou se adaptar. Não quero parar, então sigo as orientações adequadas. Faço aula de canto e tenho uma preparação física”.

Existe algum segredo para cantar por 70 minutos na Avenida?

Neguinho: “Antigamente eu achava que não, mas tem. O diafragma, a abertura dos pulmões… É o que tenho feito. Gosto de dar corridas”.

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Por nunca ter saído da Beija-Flor e por tudo que fez, você acha que deveria ter um busto seu na quadra?

Neguinho: “Já tem uma foto minha na quadra! Acho ela linda”.

Você apontou o Bakaninha como seu substituto. Infelizmente, ele faleceu. O Igor Pitta vem muito bem no carro de som. É sua aposta para o futuro da Beija-Flor?

Neguinho: “O Igor Pitta é uma das minhas apostas, mas enxergo um belo futuro para o Lorenzo. Ele nasceu na comunidade, sente esse amor desde o berço. Vi a mãe dele criança e todos os seus irmãos nascerem. Para mim, o Lorenzo tem tudo a ver com a Beija-Flor”.

Algumas mulheres estão aparecendo nos carros de som. O que falta para elas assumirem o posto principal nas escolas?

Neguinho: “É um dos motivos para eu fazer os convites. No ano passado, convidei a Karinah, uma cantora excepcional. Ela disse que a experiência foi maravilhosa, mas decidiu que esse ano assistiria de um camarote. Convidamos a Ludmilla e já temos a Jéssica. Precisamos de mais mulheres envolvidas diretamente com o carro de som, presentes no samba”.

Acesso II São Paulo: destaques para Imperador do Ipiranga, Peruche e Dom Bosco

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Por Gustavo Lima, Lucas Sampaio e Will Ferreira

Na noite de sábado aconteceu o pontapé inicial para o carnaval paulistano, onde ocorreram os desfiles das escolas de samba do Grupo de Acesso II. Passaram pela pista do Anhembi 12 escolas no decorrer da madrugada e manhã de domingo. Dentre elas, os destaques foram Peruche, Dom Bosco de Itaquera e Imperador do Ipiranga as melhores apresentações deste início de carnaval. Outras escolas que valem uma grande atenção são Primeira da Cidade Líder, Torcida Jovem e Uirapuru da Mooca.

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Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Por outro lado, Leandro de Itaquera, Santa Bárbara e Brinco da Marquesa foram os principais destaques negativos. As agremiações sofreram certos percalços e podem ver a sua posição ameaçada na terceira prateleira da folia paulistana. Veja abaixo a avaliação de cada desfile.

Dom Bosco

Camisa 12

Torcida Jovem

Santa Bárbara

Peruche

Leandro de Itaquera

Uirapuru da Mooca

Imperador do Ipiranga

Primeira da Cidade Líder

Brinco da Marquesa

Amizade Zona Leste

Imperatriz da Paulicéia