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Comissão e bateria se destacam, mas erros de evolução e falha nas alegorias prejudicam o desfile da Unidos da Tijuca

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Quarta escola a entrar na avenida na primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, a Unidos da Tijuca apresentou o enredo “É onda que vai, é onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos. Em 1 hora e 10 minutos, o desfile da escola do Borel foi prejudicado pelos erros apresentados em evolução e os problemas de acabamento nas alegorias. A exuberante Comissão de Frente de Sérgio Lobato e a bateria “Pura Cadência” de Mestre Casagrande foram os destaques da escola. O valente desempenho do carro de som da escola, apesar dos problemas no som da pista, foi notório e o enredo da Amarela e Azul teve fácil leitura. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Comissão de Frente

A Comissão de Frente da Unidos da Tijuca no carnaval de 2023 pode ser definida como histórica, ao ser a primeira da história do carnaval a apagar as luzes da pista e utilizar a iluminação cênica da pista para destacar sua apresentação. Comandada pelo experiente coreógrafo Sérgio Lobato e intitulada “Um Banho de Axé”, como na letra do samba-enredo da escola, se propunha mostrar as águas do Atlântico e as influências culturais africanas na Baía de Todos os Santos. Toda dança era regida por Iemanjá, orixá das águas salgadas nas religiões afro-brasileiras, que foi representada na avenida pela atriz Juliana Alves, ex-rainha de bateria da escola.

LEIA ABAIXO MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* Comissão e bateria se destacam, mas erros de evolução e falha nas alegorias prejudicam o desfile da Unidos da Tijuca
* Ala “Holandeses” da Unidos da Tijuca representou a conquista de Salvador

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Além da utilização da iluminação cênica, a dança elaborada por Sérgio Lobato foi bem fundamentada e sincronizada. A coreografia, em seu primeiro momento realizado no chão da pista, utilizava muito do movimento conferido pelas saias dos bailarinos e na excelente interpretação de Juliana Alves. Quando subiam para o tripé, os bailarinos de azul e saia formavam as ondas e mexiam um pano azul e branco dando movimento às mesmas ondas, enquanto a Iemanjá ficava como figura central do tripé. Logo após, surgiam gradativamente novos personagens na cena, com referências a cultura baiana, como um sambista e adeptos de religiões de matriz africana. O ponto alto da coreografia se dava quando a Iemanjá ganhava seus elementos tradicionais e era levantada a metros do chão do tripé, com uma longa saia azul. A Comissão arrancou aplausos em todos os módulos.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

No carnaval de 2023, a Unidos da Tijuca promoveu a estreia de uma nova parceira no quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira, ao mesclar a experiência de Denadir Garcia com o estreante Matheus André. Representando a “Visão Aquática de Kirimurê”, Denadir e Matheus vestiam uma roupa em tons de azul e branco, que remete a elementos marinhos. A ausência do chapéu da porta-bandeira foi o único problema no quesito e pode resultar em descontos. Em volta do casal, a escola trouxe guardiões vestidos de “Ancestrais Tupinambás”.

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Na execução da coreografia ao longo dos módulos de julgadores, o casal se apresentou com maestria e sincronia, sem o mestre-sala sequer parecer estreante. A dança apresentada foi excelente e se destacou no desfile da escola. A coreografia do casal foi bem forte, com bastante referências a elementos da letra do samba, como nas referências aos orixás Oxum e Xangô e no trecho do “cadinho de pimenta”. O movimento dado pelo costeiro azul do mestre-sala contribuiu demais para seus movimentos e conferiu beleza à dança da dupla.

Harmonia

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A Harmonia da Unidos da Tijuca apresentou bom desempenho na avenida e foi um dos pontos fortes da escola no desfile de 2023. Apesar dos diversos problemas apresentados no som da Marquês da Sapucaí que prejudicou diretamente o carro de som da escola comandado por Wantuir e Wic, o canto da comunidade da escola se manteve firme e coesa durante o desfile. A aceleração feita no samba-enredo da escola contribuiu para a valentia no canto do povo do Borel. Além do refrão principal da Amarela e Azul, com o famoso e chiclete “Banho de Axé”, o trecho final do samba da escola, do “Ó pai ó” até “viver será só festejar” foram cantados a plenos pulmões pelos componentes da Tijuca. As alas 2, “Português com um padrão”, 16, “Rendas de Bilro” e 28, “Baianas do samba de roda”, foram destaques no quesito.

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Evolução

O quesito evolução foi, sem sombra de dúvidas, um dos mais problemáticos da escola no desfile. O mais grave deles ocorreu na apresentação da bateria nos dois primeiros módulos, dos setores três e seis, quando a ala de passistas avançava e se abriu clarões na avenida. Outra dificuldade foi apresentada quando o primeiro tripé, “Navegando sobre as águas de todos os santos”, travou e a ala 4, “Pelo mar do porto da barra”, que a acompanhava avançou, na frente do segundo módulo. No último módulo, as alas 15, “Cana-Brava” e 16, “Renda de Birlo”, deram uma embolada na frente dos julgadores. Por fim, para fechar os portões dentro do tempo permitido, as alas da escola precisaram acelerar.

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Enredo

Com o enredo “É onda que vai, é onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra”, o carnavalesco Jack Vasconcelos e a Unidos da Tijuca renderam homenagem a Baía de Todos os Santos, através das histórias, culturas e a relação do povo baiano com a segunda maior baía do mundo, desde que era chamada de “Kirimurê” até os dias de hoje. A narrativa da escola foi dividida em seis setores, ou “capitulos, sendo esses: “Do Mar”; “Da Terra”; “Dos Santos”; “Do povo”; “Do Reino” e “Da Festa”.

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Ao longo de 28 alas, 5 alegorias e 2 tripés, o enredo da Unidos da Tijuca foi apresentado com coerência pela facilidade da leitura da história da Baía de Todos os Santos, em todas as suas vertentes, sobretudo no conjunto de fantasias. O carnavalesco Jack Vasconcelos se provou mais uma vez como um grande contador de histórias e maestral enredista. As fantasias das alas 16, “Rendas de Bilro”, 18, “Náufragos” e 24, “Blocos Afros”, podem ser citadas como exemplo de facilidade na leitura do significado.

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Alegorias e Adereços

Para homenagear a Baía de Todos os Santos e contar sua história, a Unidos da Tijuca apresentou 5 alegorias e 2 tripés em seu desfile. O quesito alegorias da Unidos da Tijuca foi um dos seus principais problemas no desfile de 2023. Além de algumas questões na concepção, a execução dos carros alegóricos da escola apresentou diversos erros no acabamento, com a última passando com a traseira tombada. A primeira alegoria, representando “Kirimurê”, foi uma das melhores da escola no quesito, com predomínio das cores azul e laranja cítrico, com uma grande escultura de uma sereia e peixes à frente. O segundo carro, “Beira de Bahia que deságua minha fé”, apresentou aparentes problemas de acabamento desde sua entrada na avenida. As colunas da Igreja apresentaram falhas e estavam com partes descoladas. Na terceira alegoria, “No mercado e na feira, meus cheiros, meus sabores e meu povo”, a escola apresentou a Feira de São Joaquim e o Mercado Modelo. Com o piso de madeira e revestido por caixotes, componentes da escola no entorno da alegoria jogavam frutas para o público. As colunas que formavam o mercado modelo também apresentaram falhas evidentes.

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A quarta alegoria da Tijuca, “No encontro dessas águas, reluzem meus tesouros”, representou a união das águas do Atlântico com a dos rios Paraguaçu, Jaguaripe e Subaé, que dentro do enredo escondiam tesouros ao fundo das águas. A alegoria passou bem na avenida. O quinto e último carro, “Minhas águas são de festa onde a fantasia é eterna”, foi o mais problemático da agremiação. Apesar da bonita e colorida frente, o fundo da alegoria, que tinha uma escultura de um farol, tombou completamente para trás desde o início e passou assim por todos os módulos de julgadores. O primeiro tripé da escola, “Navegando sobre as águas da Baía de Todos os Santos”, juntamente com o segundo tripé, “Terra que banho é de luta”, cumpriram bem seu papel e ajudaram na leitura do enredo.

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Fantasias

O conjunto de fantasias da Unidos da Tijuca se apresentaram de maneira regular na avenida, com alguns figurinos com maior destaque e detalhamento que outros. No entanto, as fantasias idealizadas por Jack Vasconcelos foram bem no papel de contar a história do enredo apresentando, sendo a leitura fácil aos olhares de quem as via. Ao longo da avenida, as cores escolhidas pelo carnavalesco foram bem variadas, o que era uma necessidade do enredo. A alas 1, “Lenda do pássaro encantado”, 2, “Português com um padrão”, 9, “Orixantos” e 21, “ Fonte da Bica”, além da 16, “Rendas de Bilro”, apresentaram bons figurinos com primor estético e fácil leitura. Algumas alas da escola não conseguiram igualar o primor estético dessas, contribuíram para uma certa irregularidade no quesito.

Samba-Enredo

Composto por Cláudio Russo, Julio Alves e Tinga, o Samba-Enredo da Unidos da Tijuca cumpriu seu papel na avenida, contribuindo para o desempenho do canto da comunidade da escola. Na avenida, a obra ganhou um andamento mais acelerado do que o notado nos ensaios da Amarela e Azul. O refrão principal da escola do Borel, sobretudo o trecho do “Banho de Axé”, foi sucesso entres os componentes da escola e nas arquibancadas, que o cantaram bem.

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Outros destaques

Um dos grandes pontos fortes da Unidos da Tijuca há muitos anos, a “Pura Cadência” se provou mais uma vez na avenida. Vestidos de “Marujada”, os ritmistas seguem sendo um dos quesitos de segurança da escola do Borel. Ao longo do desfile, a bateria contribuiu imensamente para o desempenho musical da escola, tanto ao sustentar o ritmo durante todos os momentos, quanto com bossas que levantaram o público. A rainha Lexa, com um figurino dourado representando uma “Sereia”, foi aplaudida por todos os setores da Sapucaí.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Salgueiro no desfile

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A bateria do Acadêmicos do Salgueiro fez um bom desfile, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Uma musicalidade baseada no que solicitava a melodia do samba-enredo foi produzida. Todas as execuções de bossas pela pista foram efetuadas de forma satisfatória, exibindo consistência durante as exibições nos módulos.

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A cozinha da bateria contou com uma afinação de surdos bem grave, plenamente inserida nas características musicais da escola . Os marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos durante todo o cortejo. Surdos de terceira deram um balanço irrepreensível a bateria “Furiosa”, no ritmo e principalmente em paradinhas, onde praticamente funcionou como espinha dorsal musical. Repiques coesos também foram notados, assim como repiques mor auxiliaram tanto na sonoridade como em paradinhas. Caixas de guerra com bom volume se uniram aos taróis salgueirenses, com seu toque genuíno, para preencher a musicalidade da bateria da Academia.

A cabeça da bateria ficou marcada pela qualidade musical elevada das peças leves. Um belo naipe de chocalhos tocou de modo ressonante, adicionando valor sonoro à cabeça da bateria. Uma ala de cuícas de alta técnica foi percebida. Um naipe de tamborins que tocou com firmeza uma convenção rítmica simples, mas extremamente funcional, preenchendo a musicalidade da bateria do Salgueiro de forma substancial.

Um breque na primeira do samba se aproveitou do próprio desenho rítmico do naipe de tamborins, para consolidar o ritmo. O arranjo musical exibiu impacto sonoro, aliado a uma integração considerável com a música.

Já outro breque na segunda do samba se aproveitou da pressão dos surdos de primeira e segunda, que param de tocar por um momento, voltando em seguida após uma nuance rítmica das terceiras, provocando impacto sonoro, devido ao peso das marcações devido a afinação de timbre grave.

A bossa mais complexa e de grau de dificuldade elevado foi a do refrão principal. Uma conversa rítmica intimamente conectada à música, dando ao samba o que a melodia pede. Com surdos de primeira e segunda parando de tocar, numa levada clássica que permite apreciar o aspecto furioso do ritmo salgueirense, com as terceiras fazendo papel de centrador na primeira passada do estribilho. Depois disso, solistas do repique mor chamam os demais naipes para um diálogo musical, repetido pelas peças. A paradinha é concluída com a pressão provocada pelos surdos, além de toques ritmados de diversas peças. Um arranjo eficiente e musicalmente corrente.

A elaborada bossa na segunda do samba também se aproveitou da pressão sonora proporcionada pelo aspecto grave da “Furiosa”. Essa paradinha deixou evidente o trabalho musical profundamente acima da média das terceiras salgueirenses. As frases rítmicas dos surdos de terceira estavam plenamente encaixadas e conectadas ao que a musicalidade pedia. O detalhe musical fica por conta da ousadia envolvendo a finalização. Uma conclusão fabulosa no início do refrão de baixo, quando as terceiras executam desenho rítmico semelhante ao dos tamborins no final do estribilho, colocando a concepção musical num nível que merece exaltação. Uma construção moderna, com sonoridade sofisticada, sendo bem executada ao longo de todo o cortejo.

As apresentações da bateria do Salgueiro nas cabines de julgadores foram corretas e seguras. Já que o enredo do Salgueiro era abstrato, não houve necessidade de atrelar a sonoridade da “Furiosa” à qualquer cultura musical que não fosse fornecer à própria variação melódica da obra salgueirense as frases rítmicas consolidadas através de suas nuances. Isso resultou numa concepção bastante alinhada à música, impactando positivamente no bom desfile da bateria “Furiosa” do Salgueiro, comandada pelos mestres Guilherme e Gustavo.

Ala “Holandeses” da Unidos da Tijuca representou a conquista de Salvador

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Tijuca04A oitava ala da Unidos da Tijuca, “Holandeses”, representa a conquista de Salvador pela Holanda no século XVII, como atributo ao mercado mundial da época. Os desfilantes estão caracterizados como marujos dentro de um barco. A fantasia agradou a maior parte dos componentes da ala, porém não foi unanimidade.

A fantasia tinha ferragens, brilhantes e lamê, também era bem colorida: vermelha, branca, laranja e dourada. Os desfilantes usam um chapéu brilhante com penas laranjas e azuis, uma roupa característica dos marujos da época, além de um barco na cintura. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes falaram como estão se sentindo já caracterizados.

Tijuca03Antônio Barroso, cabeleireiro de 65 anos, desfila na Unidos da Tijuca há dois anos. A princípio, Antônio achava que a fantasia poderia incomodar, mas se sentiu confortável ao vesti-la.

“Sim, está confortável. Não está incomodando. A princípio até achava que poderia incomodar por causa das ferragens, mas está tranquilo”, afirmou Antônio.

Rui de Mar, pai de santo de 60 anos, sai na Azul e Amarela do Borel há 20 anos. A caracterização também não atrapalhou na opinião de Rui.

“Está bom, está tranquilo. Vai dar para desfilar em paz (…) A expectativa para o desfile da Tijuca está boa como sempre. A escola vem animada”, disse Rui.

Isabel Tenório, advogada de 50 anos, está estreando como componente da Unidos da Tijuca. Isabel está na linha de Antônio e Rui: sem problemas com a fantasia.

Tijuca01“Vai dar para desfilar bastante. Gostei (dos detalhes), está tudo maravilhoso. A minha expectativa é bem grande. Vamos ganhar, se Deus quiser”, falou Isabel.

Na contramão dos outros componentes da ala, Lúcia de 57 anos, que preferiu não revelar seu sobrenome, revelou problemas com a fantasia. Ela teve problemas na logística para trazer todas as partes da caracterização e não se sentiu confortável quando a vestiu.

“A fantasia não é nada confortável. Os carnavalescos não pensam no pessoal que vai desfilar. É tanta coisa que a gente acaba passando mal na Avenida. Para levar no metrô foi difícil”, desabafou Lúcia.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Tijuca no desfile

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A bateria da Unidos da Tijuca fez um ótimo desfile, sob o comando de mestre Casagrande. Uma conjunção sonora valiosa foi exibida. Um ritmo da “Pura Cadência” pautado pelo equilíbrio sonoro e por uma boa equalização. Indo na contramão das padronizadas introduções, o ritmo tijucano manteve sua tradição subindo à moda antiga, com quatro tapas seguidos antes da virada.

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A parte de trás do ritmo da escola do morro do Borel exibiu uma musicalidade de nítida qualidade técnica. Surdos de primeira e segunda ditaram o andamento com precisão e leveza, contando com uma afinação sublime, com timbres bem definidos. Uma ala de repiques coesa integrou a sonoridade dando valor musical. O naipe de caixas de guerra da “Pura Cadência” se apresentou de forma fabulosa, dando base de sustentação rítmica as demais peças. Na cozinha da bateria também vieram ritmistas com timbal, dando um molho peculiar ao ritmo da Tijuca, além da participação privilegiada em paradinhas.

Um trabalho de destaque musical foi notado nas peças leves. Uma ala de cuícas de altíssimo nível técnico se exibiu de forma notável. Um naipe de chocalhos acima da média contribuiu imensamente com a sonoridade da cabeça da bateria. Ritmistas tocando timbal deram um molho peculiar ao ritmo da Tijuca, além da participação privilegiada em paradinhas. Assim como a ala de tamborins apresentou um desenho rítmico simples, mas altamente funcional e encaixado no samba-enredo da agremiação. Vale ressaltar que os tamborins da Tijuca mesclam os toques de 2X1 e 3X1, o que ajuda a impactar positivamente no uníssono toque ressonante das caixas tijucanas.

Uma convenção apresentada na cabeça do samba preencheu a musicalidade com a pressão de tapas em conjunto, iniciando depois de um corte seco no final do primeiro verso da obra. Possui concepção mais simplificada que as demais, mas deu um notório impacto sonoro, ajudando na plena fluência entre as peças depois da retomada.

Uma bossa no início da segunda deu pressão, além de balanço ao ritmo da Unidos da Tijuca. Tapas ritmados de diversos naipes se aproveitaram da síncope do samba para produzir a destacada sonoridade. Um arranjo dançante e envolvente, que ajudou o componente a evoluir, graças à uma bateria que toca para a escola, moldando sua construção musical nas necessidades da agremiação.

A convenção que mais se destacou musicalmente é a do final da segunda do samba-enredo. Envolveu alta complexidade e elevado grau de dificuldade. Ritmistas com timbal posicionados na frente do ritmo entravam corredor da bateria adentro para fazer um solo, que era seguido de um “ataque” de todas as peças, muito bem conduzido. É possível perceber, após a retomada, que uma levada baiana é produzida graças às marcações tijucanas. Uma convenção bem desafiadora e profundamente genuína. O arranjo original propiciou uma sonoridade de qualidade invariável. Uma bossa de nítido impacto sonoro, que se aproveitou das diferenças entre os timbres dos surdos.

As apresentações em módulos foram fluidas, seguras e equilibradas. As melhores exibições em cabine de jurados foram no segundo e último módulo, onde inclusive, a “Pura Cadência” foi ovacionada pelo público. Um grande desfile da bateria da Unidos da Tijuca, comandada por mestre Casagrande.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mocidade no desfile

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A bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel fez um bom desfile, sob o comando de mestre Dudu. Com seu típico andamento mais cadenciado, o ritmo foi pautado pelo equilíbrio sonoro entre os naipes e pela nordestinidade conectada às criações musicais da bateria “Não Existe Mais Quente” (NEMQ).

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Na parte de trás do ritmo, a afinação invertida de surdos característica contou com marcadores de primeira e segunda seguros e consistentes. Surdos de terceira deram um swing envolvente ao ritmo da bateria “NEMQ”. Repiques de alta qualidade técnica tocaram de forma integrada às caixas de guerra sólidas, auxiliando no equilíbrio sonoro. As caixas da Mocidade possuem uma sonoridade diferenciada, graças a uma levada com acentuação na mão fraca para efetuar a batida. A cozinha da bateria ainda contou com agogôs de duas campanas (bocas), ajudando na equalização do ritmo ao adicionar um tom metálico.

A cabeça da bateria contou com um naipe de chocalhos de virtude musical, com direito a inconfundível e tradicional “subida cascavel”. Uma ala muito boa de cuícas auxiliou no preenchimento musical das peças leves. Um naipe de tamborins com nível técnico acentuado exibiu um desenho rítmico que se aproveitou da melodia do samba da Mocidade para consolidar seu ritmo.

Uma bossa na cabeça do samba apresentou complexidade, além de elevado grau de dificuldade na execução. Contou com a participação das caixas para produzir a sonoridade, além dos surdos ecoando em solos. Pela sua concepção ousada e rebuscada, a sábia decisão tomada foi não fazer a convenção em frente a cabine julgadora.

Na paradinha do refrão do meio, foi percebido um bom balanço, provocado pelas marcações no arranjo, sem contar tapas em contratempos e uma retomada que deu impacto sonoro, graças à pressão dos surdos.

Um breque bem concebido e realizado auxiliou na versatilidade musical da bateria da Mocidade. No trecho “Alumia o teu povo em procissão”, tapas em conjuntos são efetuados de forma ritmada. Uma bossa apresentada na sequência se aproveitou do balanço das terceiras, numa convenção com pegada nordestina, que proporcionou um swing envolvente e dançante.

A constituição musical baseada em refino ficou evidente na paradinha do refrão principal. Diversos naipes executam tapas em conjunto, que logo dão lugar a uma levada nordestina, contando ainda com balanço dos surdos e tapas de tamborins em contratempo. Sua execução foi precisa durante o cortejo, além de estar completamente atrelada ao enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel.

As apresentações em módulos foram corretas, seguras e sem problemas evidenciados na pista. A melhor exibição foi realizada na segunda cabine de jurados. Um ritmo da Mocidade Independente de Padre Miguel baseado em cadência e nordestinidade, o que se revelou um acerto cultural. Os arranjos musicais representaram o ponto alto do bom desfile da bateria “Não Existe Mais Quente” de mestre Dudu.

Casal e Nino do Milênio são destaques em desfile com altos e baixos da Mocidade

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Por Diogo Sampaio

Terceira agremiação a cruzar o Sambódromo no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, a Mocidade Independente de Padre Miguel realizou uma apresentação irregular. Enquanto o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo Jesus e Bruna Santos, e o intérprete Nino do Milênio sobressaíram positivamente; a evolução problemática e a falta de acabamento nas alegorias prejudicaram o desempenho da verde e branco de Padre Miguel, que encerrou sua passagem com 68 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

Com o nome de “Senhor que fez da Arte um Mundaréu”, a comissão de frente da Mocidade Independente de Padre Miguel retratou o nascimento de um dos mais importantes discípulos do “Deus do Barro”: Severino Vitalino, filho de Vitalino Pereira do Santos. O início da apresentação acontecia com os quinze integrantes fazendo uma coreografia no chão, todos eles com um figurino dourado repleto de folhas, raízes e flores.

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LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS NO DESFILE
* Ala de passistas da Mocidade foi inspirada na obra de Manoel Galdino, com fantasias ricas em detalhes
* Melhora em organização e qualidade é notada pelos integrantes da Mocidade
* Representando as quitandeiras do Alto Moura, ala das baianas da Mocidade vem com fantasias leves e coloridas
* Velha-guarda da Mocidade desfilou no carro exaltando a religiosidade na arte do barro
* Primeira ala da Mocidade faz referência à ‘Rota da Roça’
* Mocidade inicia o desfile com alegorias compostas por materiais reciclados ou inusitados

Em seguida, eles passavam a interagir com um elemento cenográfico, intitulado de “O Ciclo da Vida”, que simbolizava o marmeleiro, considerada a árvore símbolo do agreste. Os componentes jogavam “barro” nele e depois sumiam para depois a parte superior abrir.

No alto do elemento ocorria a parte principal da apresentação, que era o nascimento do filho “Vitalino”. O ato acontecia de forma lúdica, em uma espécie de “Presépio Nordestino”, com direito a um boi e cangaceiros fazendo às vezes de reis magos.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

No terceiro carnaval defendendo o quesito juntos, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da estrela-guia de Padre Miguel, Diogo Jesus e Bruna Santos, foi um dos grandes destaques do desfile. Com uma dança que misturava passos coreografados com o bailado clássico, os dois demonstraram sincronia e agilidade ao efetuarem movimentos rápidos, mas precisos.

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Um dos pontos altos da apresentação do casal ocorria justamente em um trecho coreografado, quando os dois faziam passos de forró durante uma bossa da bateria. O momento arrancou aplausos e gritos das arquibancadas.

Com a fantasia chamada “Marmeleiro – Árvore Sagrada”, a dupla veio com um figurino todo em dourado, seguindo a mesma paleta de cores de toda a abertura da agremiação. Apesar da beleza, a indumentária trouxe certa dificuldade para Bruna no começo do desfile, devido à altura da saia. No entanto, a porta-bandeira soube contornar a situação.

Samba-Enredo

O samba-enredo composto por Diego Nicolau, Richard Valença, Orlando Ambrósio, JJ Santos, Nattan Lopes, Gigi da Estiva, W. Corrêa e Cabeça do Ajax teve um alto rendimento alto na Avenida e foi um dos destaques da apresentação da Mocidade Independente. Estreando no comando do carro de som, o intérprete Nino do Milênio conseguiu conduzir com segurança a obra, que apesar de melodiosa, não arrastou em nenhum momento. A bateria “Não Existe Mais Quente” também foi fundamental para o elevado desempenho, ao explorar a musicalidade nordestina em algumas bossas e desenhos, dando um “molho” a mais ao samba.

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Harmonia

As boas performances de Nino do Milênio no microfone oficial e dos ritmistas comandados por mestre Dudu foram correspondidas com o canto forte da comunidade, principalmente da metade para o fim do desfile. Alas como “Casamento Matuto”, “Procissão de Novena” e “Tentação do Deserto” foram algumas das que se sobressaíram, com componentes soltos e cantado de maneira empolgada o samba-enredo.

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Evolução

O quesito foi um dos principais problemas do desfile da estrela-guia de Padre Miguel. A dificuldade para tirar o abre-alas da Avenida travou a agremiação e fez com que fosse necessário a escola apertasse o passo, da metade para o fim, para não estourar o tempo limite. Isto trouxe consequências, como alas que se embolaram em meio a correria contra o relógio.

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Alegorias e Adereços

A criatividade no uso de materiais alternativos foi uma das marcas do conjunto alegórico da Mocidade Independente de Padre Miguel. Logo no abre-alas, chamado “Um jardim no Agreste floresceu. E se fez um mundo de barro…”, o equivalente a cinco caminhões de galhos de árvores foram utilizados na decoração, assim como centenas de pedaços e ripas de madeira para fazer as esculturas da alegoria.

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Ainda seguindo a mesma tendência, o primeiro tripé, nomeado de “Vendendo Loiçarias”, utilizou 1500 utilitários domésticos doados pela comunidade de Padre Miguel, que adquiriram caráter artístico de barro para compor a cenografia. Já o segundo carro, intitulado “Segue o Carro de Boi na Lida pra Viver”, usou mais de três mil latas de tinta, de cola, de resina para confeccionar o corpo da escultura do boi, além de canas colhidas nos antigos engenhos na parte superior central.

Todavia, mesmo com os materiais alternativos tendo surtido efeito na Avenida, o quesito deve perder pontos por conta das falhas de acabamento. Entre os problemas, ferro aparente na parte traseira da segunda alegoria e um leque da asa do dragão quebrado, também na parte traseira, dessa vez do terceiro carro, intitulado de “É a Vida um Xadrez pra Honrar o Legado do Alto”.

Fantasias

Também com o uso de uma gama diversa de materiais alternativos, o conjunto de fantasias da Mocidade seguiu a linha criativa das alegorias, porém com melhor esmero nos acabamentos. Entre aquelas que mais chamaram a atenção estiveram o figurino das baianas, intitulado “Quintadeiras de Aves/Ervas e Frutas”, e o da bateria, chamado “Mané-Pãozeiro”.

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Enredo

Com o título de ‘’Terra de meu Céu, Estrelas de meu Chão’’, o enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel abordou o legado dos artistas do Alto do Moura, discípulos de Mestre Vitalino, pertencentes ao maior Centro de Artes figurativas das Américas. A aposta nos materiais alternativos nas alegorias e fantasias fez com que a mensagem do enredo fosse transmitida de maneira direta, não sendo necessário a consulta ao Roteiro de Desfiles para compreender o significado delas.

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Outros Destaques

Inspirados nos seres híbridos das obras de Manoel Galdino, os passistas da Mocidade Independente vieram representando os reis e rainhas do jogo de xadrez. Com um figurino leve, eles não economizaram no samba da pé e chamaram a atenção pelo forte canto do samba, principalmente nos refrões.

Fotos: desfile da Tijuca no Carnaval 2023

Ala de passistas da Mocidade foi inspirada na obra de Manoel Galdino, com fantasias ricas em detalhes

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Mocidade01 5A Mocidade Independente de Padre Miguel mostrou em seu desfile um pouco do legado deixado por Mestre Vitalino e seus discípulos do bairro Alto do Moura, na cidade de Caruaru, em Pernambuco. “Terras de meu céu, estrelas de meu chão” foi o título do enredo da Verde e Branco neste carnaval, que trouxe a arte figurativa para a passarela do samba. O primeiro setor da escola foi batizado de “O ciclo da Vida”, enquanto o segundo setor se chamava “O Suor de Cada Dia”.

O terceiro setor da Verde e Branco da Zona Oeste tinha o nome de “Realidade e Fantasia” e falou sobre a re-criação de figuras nordestinas pelos mestres do barro para o jogo de xadrez. A ala de passistas veio com a fantasia intitulada: “Lampião e Maria Bonita – Sereias (O Rei e a Rainha)”, inspirada nos seres híbridos das obras do artista Manoel Galdino. A roupa possuía as cores verde, branco, dourado e preto, trazendo um tecido xadrez nos braços dos componentes. A roupa tinha ainda um grande costeiro de penas pretas.

George Louzada, 32 anos, é professor e coordena a ala dos passistas da Mocidade. Momentos antes do desfile, ele desabafou: “O que nós temos de especial é sermos passistas. A gente está em um ano muito complicado para a classe de passistas, então qualquer força maior faz a ala entrar com garra e aguerrida. Esse desfile pra mim já é uma grande potência”.

Mocidade04 4Há quatro anos desfilando na Estrela Guia de Padre Miguel, Renata Floriano é analista de sistemas e tem 39 anos. Ela foi mais uma passista que aprovou a indumentária deste ano. “Achei muito bonita. Muito rica em detalhes. Acho que a fantasia vai fazer muito sucesso na avenida”. Renata revelou que a ala preparou uma coreografia especial para o desfile, mas que a execução iria depender do calor do momento e do decorrer do desfile da escola.

Gabriella Mendes, 20 anos, é esteticista e desfila na escola desde 2017, ano do último campeonato da Mocidade. “Achei a fantasia leve, boa para poder sambar, evoluir bem. Eu gostei muito da roupa desse ano”. Ela contou ao site CARNAVALESCO que algumas passistas da escola foram até a cidade de Caruaru para conhecer de perto um pouco da cultura pernambucana.

A recepcionista Millene Figueiredo tem 29 anos e desfila na escola desde 2013. Ela explicou que estava muito feliz e emocionada antes de entrar na Sapucaí porque sofreu um acidente de moto há 20 dias. “Esse mês foi especial para mim. Eu meio que renasci. E passa muita coisa pela nossa cabeça… Mas, depois de tudo que eu passei, agora eu me sinto pronta para evoluir bem e sambar muito”.

Mocidade06 1Thomaz Vieira, 27 anos, fez sua estreia como passista da Padre Miguel e confessou estar vivendo um momento muito feliz. “É prazeroso entrar na avenida representando o Nordeste. Eu, por ser maranhense, me sinto representando o lugar de onde eu nasci. Sair de passista pela Mocidade é o sonho de muita gente”.

Thais Mota, 26 anos, é microempresária e desfila na escola desde os 16 anos. Ela também elogiou bastante o figurino da ala. “A fantasia está maravilhosa! Leve, super confortável. Sem problemas. Dá para evoluir bastante, bem tranquilo”.

Melhora em organização e qualidade é notada pelos integrantes da Mocidade

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Mocidade02 4No último ano, a Mocidade Independente de Padre Miguel passou por mudanças em alguns cargos para fazer bonito neste Carnaval. No lugar de Wander Pires, entrou Nino do Milênio como cantor. Na comissão de frente, assumiu o coreógrafo Paulo Pinna, que também comandou a Unidos do Porto da Pedra. E, para a concepção, foi escolhido um novo carnavalesco: Marcus Ferreira. Este último foi campeão pela Viradouro em 2020.

Os componentes apontaram mudanças na organização da escola. Valquíria Rocha, de 55 anos, ressaltou que a agremiação está muito melhor em comparação ao ano passado, mas acredita que deveria haver mais atenção à comunidade. Já Laércio Guima, de 43 anos, desfila a 12 anos pela Mocidade e acredita que foram mudanças necessárias.

“Eu achei extremamente necessária porque as escolas do Grupo Especial precisam de renovação. As que ganharam recentemente foram as que se repaginaram. Desde 2013, a gente vem se repaginando. A qualidade da escola melhorou. A comunidade está com mais garra, eles abraçaram essa causa”, opinou o desfilante.
Para Cristina Alonso, de 64 anos, acredita que a novidade deu uma energia a mais para a escola. Ela desfilou como integrante da ala “Capitão do Reisado”, representando a folia-de-reis. Ela comentou sobre como a escola está aguerrida por conta dessas mudanças.

“Eu gostei da mudança porque eles vêm com ideias novas, com novas energias. É sempre bom renovar. E ele [Marcus Ferreira] quer mostrar o trabalho, nada melhor do que na Mocidade, uma escola tradicional. Eu senti uma energia boa. A comunidade abraçou o samba e abraçou o carnavalesco. Com certeza vamos fazer um bom carnaval”, disse Cristina.

Mocidade01 4A responsabilidade de Nino do Milênio e a plástica de Marcus chamaram atenção do desfilante Aroldo Pimentel, de 57 anos. Ele desfila há mais de 30 anos na verde e branca da Vila-Vintém e elogiou o trabalho da escola neste último ano.

“O Nino vai aos ensaios, chega na hora certa. O carnavalesco trouxe uma plástica ótima para esse ano. Dizem que a escola está sem dinheiro, mas está muito bonita. Eu achei que eles estão mais organizados esse ano. No ano passado, estava desorganizado. Pareceu que deu apagão neles. E, neste ano, eu espero fazer bonito lá dentro”, argumentou o componente.

Com samba gostoso e energia alta, Colorado do Brás faz um desfile para retornar ao Especial

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A sexta escola a entrar na pista do Sambódromo do Anhembi neste domingo foi a Colorado do Brás cantando “A Ópera de Um Pierrot”. Os destaques ficam para conjunto estético, alegorias e fantasias foram pontos a serem destacados pelo acabamento e contexto no enredo. Outro ponto foi a organização da escola, a escola não teve nenhum erro evidente em sua apresentação.

Comissão de Frente

A comissão coreografada por Paula Gasparini chamada ‘A Ópera de um Pierrot Apaixonado’, vestidos de vermelho, rosto pintado de branco, no melhor estilo Pierrot. Já iniciou bem dentro do enredo que a escola desenvolveu que é mostrar sentimento do Pierrot, seja, feliz, triste, e assim era a apresentação da comissão momentos de um casal de personagens, que eram os principais, por vezes estavam tristes, depois saiam dançando e no fim sempre alegres. Esses dois personagens principais apresentavam uma circense com ballet, bem entrosados. Um personagem fantasiado levava o elemento e na hora do jurado fazia referência. Na hora dos bailada salão faziam duplas e bailavam. Destaque para a atriz principal que fazia caras e bocas em diversos atos. O ator principal que fazia parceria com ela, sempre lhe guiando, entrosamento da dupla foi muito bom.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Brunno Mathias e Jéssica Veríssimo vieram de ‘A Nobreza real’ e uma fantasia bem feita, vermelho com branco para o mestre e detalhes em ouro em várias partes que brilhavam ambos, destaque para a coroa em ambos. Com um belo bailada apresentaram o pavilhão no primeiro módulo, presença de pista grande, sincronismo nos passos de um lado para o outro da pista, o que fazia o público dos dois lados interagir. No segundo módulo mantiveram o nível, as expressões e sorriso da porta bandeira, foram destaques. Outro ponto era depois que passavam pela cabine, mas ainda no campo de visão, viravam e faziam reverência, para os jurados. Foi uma apresentação de sincronismo e conexão nos dois módulos.

Harmonia

Deu para notar que neste quesito a escola evoluiu bastante, melhorou em questão de canto, entrosamento com o samba, e a animação de componentes. Tem alas que realmente cantam menos no terceiro setor, algumas alas coreografadas principalmente. Mas de modo geral, a agremiação tinha o samba na ponta da língua e passou com muita tranquilidade. A escola soube distribuir bem as alas para não ficar um setor cantando mais e outra menos, portanto teve um bom desempenho no quesito.

Enredo

O Pierrot não é uma novidade no carnaval, sempre contado em diversas formas, mas a Colorado trouxe um aspecto diferente desta vez, buscando trazer emoções em geral, tristeza, alegria, qualquer sentimento que possa ser transmitido. Mas que no fim, seja tudo alegria, como será o final, que vocês verão no espaço de alegorias. Na pista foi muito bem construído toda a história através de suas fantasias com clara representação e melhor ainda nas alegorias que eram diretas no que foi proposto.

Evolução

A evolução da Colorado do Brás foi muito bem ajustada durante todo o percurso da escola, deu para ver a organização, foram 56 minutos de apresentação. Um detalhe é que a escola não tem muitos componentes, portanto teve que ir ao fim em um ritmo mais desacelerado, nada que prejudicasse a evolução compacta e dentro do nível exigido.

Samba-enredo

Um dos grandes destaques é o samba-enredo da Colorado do Brás, muito bem interpretado por Léo do Cavaco, levanta o astral de qualquer pista, e foi assim no Anhembi nesta noite. Destaco a parte “Mas tanta gente. Vem pra atrasar meu lado. Tem um capitão danado com o coração ruim. Um velho rico chamado pantaleão. E um alegre e brincalhão. O esperto arlequim”, que encaixa no primeiro setor da escola que contarei a seguir em fantasias. O samba caiu na boca da comunidade, e era muito contextualizado, além das fantasias já citadas, também nas alegorias, comissão de frente, ou seja, tudo era conectado, uma junção importante.

Fantasias

Nas fantasias, uma passagem rica pela história de Pierrot, alas de Arlequim, Pantaleão, Colombiana, Capitão, muitos citados inclusive no samba-enredo, o que é muito interativo e claro, isso logo no primeiro setor. Depois no segundo setor vimos baianas como ‘Pierrot Lunar’, e uma passada no carnaval, teve Carnaval de Veneza, bloco de carnaval, amor de carnaval, baile de máscaras, e outras representações. Um único problema foi na ala onde um rosto que era espécie de capacete estava um pouco tombada para o lado, a escola em questão esteve na frente da bateria logo após a saída da mesma do recuo. No mais, no quesito foi muito interativo, simples de compreensão e claro nas referências que trouxeram neste desfile.

Alegorias

Foram três alegorias apresentadas pela Colorado do Brás, primeiramente tivemos o abre-alas com ‘O Reino Medieval’. Uma alegoria com duas partes, representando um dragão vermelho, um castelo muito bem-acabado. Na segunda parte, Torres, brasões e máscaras, representava muito o contexto do enredo.

Na segunda alegoria tivemos ‘A comeddia dell’arte’, que é uma forma de teatro popular do século XV, surgiu na Itália, mas depois na França. Com um palco na frente, e escultura de mulheres sentadas com máscara no rosto. Nas laterais espécies de palco teatralizados por personagens, cada um com seu jeito, trazendo um contexto importante para a alegoria e o desfile.

Por fim, tivemos o ‘Baile de Carnaval’ representando e fechando o desfile da escola, a escola usa a ideia para unir a paixão pelo carnaval, pela Colorado e personalidades, assim, encerrando com uma grande confraternização do samba. Velha guarda e crianças marcaram presença. As crianças jogavam confetes e era uma interação enorme entre elas, afinal, é tudo que gostam, liberdade para brincar.

Outro destaques

A bateria Ritmo Responsa comandada pelo Mestre Allan Meire paradinha com nove minutos, bossas foram realizadas logo na entrada da pista, foi bom para sentir a harmonia da escola que inclusive fluiu bem. De modo geral, a bateria fez uma apresentação dentro do gostoso samba, assim sustentando um dos pontos altos que era essa melodia da Colorado.

A primeira rainha trans, Camila Prins, sempre é um show à parte, sua representatividade e carisma, elevam a Ritmo Responsa, muita gente do público reverencia ela. Importante demais tudo que tem conquistado, o carnaval agradece.