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Vila Isabel transforma último ensaio de rua em espetáculo e cria sua própria aquarela

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Por Bianca Faria e Vanessa Vicente

Os sonhos, tambores, tintas e Prazeres de Heitor se encontram todos em Vila Isabel. O resgate da ancestralidade e da força da escola de Noel se reafirmaram em seu último ensaio de rua da temporada de 2026. Durante um dia de semana, as ruas do Boulevard 28 de Setembro foram completamente tomadas por famílias inteiras, sambistas, curiosos e admiradores, todos em busca de presenciar o show da comunidade azul e branca de Vila Isabel, onde ecoou o samba a plenos pulmões.

Com o enredo “Macumbembê, Samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, a escola se propõe a atravessar o tempo e a memória para homenagear Heitor dos Prazeres, um multiartista, compositor e pintor que transformou o cotidiano negro do Rio de Janeiro em arte, ritmo e cor. Sua obra, profundamente enraizada na cultura afro-brasileira, nasce do samba, da rua e do terreiro. Levar essa história para a avenida, com a delicadeza, beleza e força que ela exige, é uma missão entregue às mãos de Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que conduzem esse tributo com respeito, poesia e emoção.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Vila Isabel

A emoção do canto fica sob a responsabilidade do intérprete da agremiação, Tinga, que reafirmou a felicidade da escola com o enredo, com o trabalho feito até agora e a expectativa de todos os sambistas com o desfile da escola, já que, para muitos, possui o “samba do ano”.

“Coisa linda. A escola está feliz demais com o nosso enredo e o nosso samba. Se Deus quiser, a gente vai fazer um grande ensaio técnico, em busca do nosso sonho maior, que é ser campeão do carnaval e trazer esse título para a nossa comunidade”, relatou o intérprete da Vila.

Com a próxima parada sendo o ensaio técnico na Sapucaí, a Vila entregou para a sua comunidade um ensaio à altura do seu enredo e samba, trazendo muita entrega, força e alegria como resultado do trabalho construído ao longo dos meses. A escola reafirmou para todos o seu excelente pré-carnaval, com canto alto, alas coreografadas, casal de mestre-sala e porta-bandeira em harmonia e bateria entrosada com seu mestre. A escola passou cumprindo as altas expectativas e deixando um gostinho de quero mais.

“Eu acho que o mundo do samba, a bateria, todo mundo tá feliz com o nosso samba. Muita gente fala que vai torcer para a Vila Isabel, mesmo sendo Mangueira, sendo Portela, sendo Salgueiro. Eu acho que o que importa é isso. A gente é feliz demais com a nossa cultura. E é o samba. Nossa equipe de barracão, nota 1000. Da Unidos de Vila Isabel, fazendo um trabalho”, afirmou Tinga, reforçando que todo o trabalho é em torno de apenas um objetivo: trazer o troféu que está há 13 anos sem visitar a quadra da Unidos de Vila Isabel.

COMISSÃO DE FRENTE

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Sob o comando de Alex Neoral e Márcio Jahú, a comissão de frente se apresentou como quem abre um ritual. Os movimentos, precisos e sincronizados, misturavam giros calculados ao samba no pé que pulsava no chão. A coreografia trazia a força dos Orixás, tanto nos gestos quanto na presença cênica dos bailarinos, homens e mulheres em sintonia. No centro, uma figura principal conduzia o espetáculo, bailava como eixo da narrativa, enquanto ao redor o corpo coletivo dançava em harmonia. Dois integrantes representaram Oxum e Xangô, com roupas douradas e vermelhas, respectivamente. No momento em que é entoado o canto “De todos os tons, a Vila, negra é. De todos os sons, a negra Vila é”, os bailarinos fazem um sinal de reverência à comunidade, com movimentos de mãos erguidas em sinal de força e, depois, em direção à escola, como forma de apresentar a Vila Isabel.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Com um bailado deslizante, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, comandados pela coreógrafa Cátia Cabral, trouxe um figurino mantendo o tradicional azul e branco, mas com um toque de modernismo na roupa da porta-bandeira, que deixou o tradicional vestido de lado e investiu em uma saia com uma blusa um pouco mais curta.

Assim como a comissão de frente, o casal traz, em momentos da dança, a exaltação à escola e à sua comunidade. Em sintonia com o samba, a coreografia também apresenta movimentos delicados com as mãos, simbolizando a pintura, quando é cantado: “Da nossa favela branca e azul do céu. No branco da tela, o azul do pincel. Vem ser aquarela, pintar a Unidos de Vila Isabel”. Além, é claro, das referências às danças afro, que encerram a perfeita sintonia da coreografia do casal com o enredo e o samba. O casal bailou protegido por uma espécie de “guardiões” que se posicionavam tanto à frente quanto atrás, criando uma corrente simbólica de proteção e destaque.

HARMONIA E SAMBA

O samba nasceu grande, mas veio crescendo a cada ensaio e a cada vez que era cantado por um sambista. O encerramento dos ensaios de rua demonstrou que a obra chegou a todos: escola, comunidade e público. Com canto alto e forte durante todo o desfile, a suposição de que a escola cantava apenas no refrão foi completamente desmentida. A escola canta a todo momento, e o refrão é berrado com a alma de quem está apaixonado pelo seu samba. Destaque para as duas alas seguintes após a alegoria 4, que entoaram o samba em alto e bom som durante todo o ensaio, com a animação e o entusiasmo de quem tem verdadeiro amor pelo pavilhão e vai em busca dos quarenta pontos do quesito. Destaque estão as alas dos setores 1, 3 e 5.

EVOLUÇÃO

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As alas mostraram vibração sincronizada e coesa. Tinga com sua bela voz empolgava os componentes a cantar e fazia do refrão o ponto alto do ensaio, onde as pessoas abaixavam e subiam pulando cantando o samba. Ensaiar na 28 de Setembro é um exercício de logística, já que o espaço não tem largura para receber confortavelmente os componentes. A preocupação dos diretores era não deixar dar buraco, mesmo com essa dificuldade geográfica.

OUTROS DESTAQUES

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A sempre competente bateria “Swingueira de Noel”, do mestre Macaco Branco, dando o ritmo ideal para o histórico samba-enredo da Vila Isabel. A rainha de bateria e a corte de musas da escola são um show à parte. Com uma simpatia arrebatadora, Sabrina Sato exibe todo o seu amor e respeito pela escola, mostrando por que reina há 15 anos à frente da bateria e continua sendo tão amada. Entre as musas, chama a atenção Juliana Morais, que, além de muita beleza e gingado, esbanja simpatia e conexão com a comunidade. A sambista atravessou o ensaio técnico sambando, coreografando e sendo atenciosa com crianças e admiradores que gritavam seu nome enquanto admiravam seu samba no pé.

“É muito gratificante poder estar à frente da bateria da Vila Isabel nesse ano maravilhoso, que fala sobre o Heitor dos Prazeres, um multiartista. A temporada tem sido linda com esse samba lindo. A comunidade cantando em plenos pulmões. Temos uma surpresa na fantasia para o desfile. O povo ficar emocionado com a Vila Isabel”, prometeu mestre Macaco Branco.

Série Barracões SP: Mocidade Alegre transforma o Anhembi em palco para homenagear Léa Garcia

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A Mocidade Alegre convida o público a assistir ao seu espetáculo no Sambódromo do Anhembi, palco conhecido como o “teatro” do sábado de desfile. A escola do bairro do Limão levará para a avenida uma grande homenagem à renomada atriz Léa Garcia, artista que abriu caminhos para mulheres negras no teatro e no cinema brasileiro. A Morada do Samba apresentará um cortejo marcado pela ancestralidade negra, pela religiosidade de matriz africana, por grandes sucessos da carreira da atriz e pelos prêmios que coroaram sua trajetória. Com um dos sambas mais aclamados do carnaval, a agremiação também busca empolgar o público e conquistar a tão sonhada décima terceira estrela. A Mocidade Alegre será a terceira escola a desfilar no Anhembi no sábado de Carnaval, com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”. O CARNAVALESCO visitou o barracão da escola e conversou com Caio Araújo, artista responsável pelo desenvolvimento do desfile. Importante: a escola não autoriza imagens de suas alegorias.

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Carnavalesco Caio Araújo. Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Surgimento do tema e um rápido encantamento

De acordo com o artista, o tema surgiu por meio do filho da homenageada, que levou a proposta até a escola. A narrativa encantou Caio, o enredista Léo Antan e a presidente Solange Cruz. “O enredo chegou em novembro de 2025, quando estávamos desenvolvendo o desfile ‘Quem não pode com mandinga não carrega patuá’. A proposta veio por meio do filho da Léa e, de imediato, percebemos que tínhamos um tesouro nas mãos. Assim que saí da reunião, liguei para o nosso enredista, Léo Antan, apresentei o tema e ele gostou muito. Eu, o Léo e a presidente Solange percebemos que esse enredo precisava ser desenvolvido para 2026. A ideia nos atingiu de forma muito forte e rápida. Nós nos apaixonamos, iniciamos a pesquisa e o desenvolvimento e, quanto mais aprofundávamos na carreira e no legado da Léa, mais certeza tínhamos de que a escolha havia sido a correta”, contou.

Pesquisa do enredo

Dentro da pesquisa do enredo, Caio contou que não houve dificuldade, pois o filho de Léa esteve bastante presente para que tudo se tornasse realidade. “Dificuldade não tivemos, porque mantínhamos contato direto com o Marcelo, filho da Léa. Ele foi uma fonte muito importante, principalmente para o Léo, que mora no Rio e estava mais próximo. Ainda assim, realizamos uma pesquisa profunda sobre a obra dela. O grande interesse do enredo é mostrar o quanto o trabalho dessa mulher foi fundamental para que hoje possamos enxergar o protagonismo negro nas novelas e nos filmes. E não apenas na frente das câmeras, mas também entre quem escreve, dirige e produz. Hoje vemos artistas negros falando sobre narrativas negras, e esse é um legado que a Léa construiu ao longo da vida. Ela conseguiu ver esse legado se concretizar antes de partir. Essa é a grande herança que ela deixa, e o desfile foca exatamente nessa construção, mostrando como cada trabalho contribuiu para formar esse legado transformador na dramaturgia brasileira”, disse.

Alta aceitação da comunidade

O lançamento do enredo foi feito no Teatro Rui Barbosa, um dos principais da cidade de São Paulo — local de respeito para o tamanho e a representatividade de Léa Garcia. No dia, a aprovação foi grande e, segundo o carnavalesco, o cotidiano diz muito. “No dia do anúncio, percebemos imediatamente que a comunidade ficou feliz com a escolha do enredo. A Mocidade tem uma comunidade muito fiel e próxima, que participa do cotidiano da escola e pensa o carnaval junto com a gente. Essa proximidade acontece na quadra, nas redes sociais e no contato direto. Fomos recebendo essas devolutivas no diálogo com os componentes e observando como o comportamento da comunidade refletia esse envolvimento. O enredo começou a ganhar vida nos ensaios. As alas passaram a pesquisar filmes, entender personagens e se aprofundar na história. É muito bonito ver a comunidade vestir o enredo e ir para a avenida sabendo exatamente o que está defendendo. Quando isso acontece, tudo fica mais potente. O samba também contribuiu muito. Temos um samba forte, envolvente e muito gostoso de desfilar”, declarou.

“A Deusa Negra” — o ponto alto do desfile

Elencando um ponto alto do desfile da escola, Caio Araújo falou sobre o seu xodó: o quarto carro, que representa a obra “A Deusa Negra”. Neste filme de 1979, Léa Garcia interpretou uma sacerdotisa. “A Mocidade apresenta um conjunto bem linear, mantendo qualidade do primeiro ao último carro. As alegorias são diversas e não se repetem. Cada uma tem uma proposta diferente, o que torna o desfile muito pessoal. Para mim, o ponto alto é a terceira alegoria, que fala sobre A Deusa Negra, filme protagonizado pela Léa. Nesse momento, mostramos como ela abraçou a religiosidade afro-brasileira. Ela interpretou mães de santo, orixás e entidades ao longo da carreira. Esse carro sintetiza tudo isso, com uma proposta artesanal e uma decoração diferente do que estamos acostumados a ver. É, sem dúvida, o meu xodó”, comentou.

Mocidade colorida

O artista explicou que a escola irá com uma plástica diferente. Os setores não vão dialogar em termos de cores, e ele aposta em uma Mocidade colorida. “O processo de criação começa em abril, durante a pesquisa e o desenvolvimento da sinopse. Paralelamente, já iniciamos a pesquisa visual e os desenhos. É um trabalho árduo, especialmente porque buscamos coerência em cada assunto levado à avenida. Cada setor tem cores dominantes, que não vão dialogar entre si. No primeiro, predominam o vermelho e o preto. Depois, fazemos uma transição para rosa e roxo, chegamos ao laranja e encerramos o desfile com dourado e preto. A escola virá bastante colorida. Em relação aos materiais, apostamos em uma grande diversidade. Há carros voltados ao luxo, outros mais cenográficos, alguns com proposta rústica e outros que investem na ousadia das formas”, explicou.

Setor a setor

Setor 1
“No primeiro setor, abordamos o início da Léa no Teatro Experimental do Negro, quando ela ingressa na carreira de atriz. Destacamos a importância desse legado e a relação dela com Abdias do Nascimento, que aparece representado como Exu. Não apenas por ter interpretado esse orixá diversas vezes, mas por ter sido alguém que abriu caminhos para uma dramaturgia preta no Brasil. Após estabelecer a relevância do Teatro Experimental do Negro, seguimos mostrando a trajetória da Léa no teatro”.

Setor 2
“No segundo setor, apresentamos os papéis que levaram a Léa a esse lugar de destaque, evidenciando a diversidade de personagens. Encerramos com a transição do teatro para o cinema, a partir de Orfeu Negro. A Léa participou da peça Orfeu da Conceição no Teatro Experimental do Negro, que depois se transformou no filme. Essa obra concorreu ao Festival de Cannes e venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A partir daí, mostramos a transição da carreira da Léa para o audiovisual, abordando o cinema e a televisão. O setor também discute como esses meios limitavam os papéis oferecidos a artistas negros. Enquanto no teatro ela interpretava rainhas, orixás e entidades, na televisão passou a viver personagens como pessoas escravizadas, empregadas domésticas e secretárias. É nesse contexto que surge sua atuação política dentro da profissão”.

Setor 3
“Esse terceiro setor aborda de forma intensa a construção do legado de uma mulher que, a cada oportunidade, colocava um tijolo para construir um mundo diferente para quem viria depois. Desde a personagem Rosa, em A Escrava Isaura, quando se recusou a gravar uma cena em que deveria chutar um ebó, algo inconcebível para alguém de matriz africana, até o diálogo com roteiristas e diretores que resultou na mudança da cena. Passamos também por A Viagem, quando ela escreve uma carta ao diretor da Globo, Boni, questionando a ausência de pessoas negras no céu. Esse trecho, inclusive, inspira parte do samba. O setor mostra como a Léa utilizou a ancestralidade para construir esse caminho e se encerra com a alegoria que homenageia A Deusa Negra”.

Setor 4
“No quarto setor, mostramos a colheita dos frutos desse legado. Apresentamos a Léa recebendo prêmios por filmes como Filhas do Vento e conquistando espaço para que pessoas negras participassem de todo o processo audiovisual, atuando atrás das câmeras como diretores, roteiristas e produtores. Essa conquista era extremamente importante para ela e aparece representada no desfile. Encerramos com a homenagem ao prêmio pelo conjunto da obra que a Léa receberia no Festival de Gramado. Ela faleceu na manhã do dia em que seria homenageada, e o desfile finaliza celebrando sua carreira, colocando a Léa como protagonista do pavilhão da Mocidade no Carnaval de 2026”.

Ficha técnica
Quatro alegorias
Dois tripés
Elemento alegórico (comissão de frente)
18 alas
2.500 componentes
Diretor de barracão — Mestre Sombra

‘Apoteose do Samba’ dá voz a quem constrói o carnaval o ano inteiro

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Por Carolina Freitas e Gabriel Radicetti

A quadra da Portela foi palco de um encontro histórico, promovido pelo programa Apoteose do Samba, da Rede Globo, que vai ao ar no próximo fim de semana. A gravação contou com uma grande roda de samba, que reuniu os intérpretes e mestres de bateria das escolas do Grupo Especial do Rio para cantar clássicos do gênero e sambas-enredo marcantes. Apresentado por Lilian Ribeiro, Chico Regueira, Francini Augusto e Alexandre Henderson, o especial se propõe a dar visibilidade a quem constrói o carnaval diariamente.

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Lilian Ribeiro e Francini Augusto. Fotos: Carolina Freitas e Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“A proposta desse programa é contar a história do samba pela perspectiva de quem o faz. O samba, além de ser uma cultura completa, com gastronomia, moda, costumes, jeito de falar, um estilo próprio de composição e organização das escolas de samba, também gera emprego, renda e começa dia primeiro de janeiro, acabando em 31 de dezembro. Nesse programa, a gente homenageia quem faz a festa e as pessoas não veem. Contamos os bastidores pelo ponto de vista do trabalho”, explicou Chico Regueira.

Francini Augusto reforçou que o programa nasceu com a missão de ser mais do que uma disputa de agremiações. “A mensagem do Apoteose do Samba é mostrar as pessoas que vibram o carnaval e os profissionais que fazem tudo isso acontecer. Estamos reunindo, pela primeira vez, as 12 escolas do Grupo Especial, mostrando que, apesar de ser uma competição, em que todo mundo quer a nota 10 e o campeonato, o carnaval vai muito além disso. Ele gera economia, renda, emprego e sustenta muitas famílias. É um universo que existe para além da Marquês de Sapucaí, e o programa vai mostrar os bastidores, os motoristas, as fábricas de instrumentos, quem trabalha nos barracões, nas feijoadas, com um olhar jornalístico atento, revelando tudo o que acontece além do dia do desfile, tanto na Sapucaí quanto na Apoteose do Samba”.

O conceito da edição de 2026 é sintetizado no subtítulo “Apoteose do Samba: gente que faz”. Para Alexandre Henderson, essa ideia está presente em todo o conteúdo apresentado.

“A proposta do programa este ano é mostrar que o mundo do carnaval vai além do desfile. As escolas funcionam durante os 12 meses do ano e os profissionais estão envolvidos full time. A gente homenageia os ferreiros, os aderecistas, os mestres-sala e porta-bandeiras, os ritmistas, os intérpretes… Toda essa gente que faz o carnaval acontecer, o maior espetáculo da Terra, ganhar vida”.

Lilian Ribeiro destaca que a roda de samba é apenas o ponto de partida. “No Apoteose, a gente reúne representantes das 12 escolas, mas não fica só na roda de samba. A proposta é trazer muito conteúdo, com reportagens sobre os profissionais que constroem o Carnaval nas mais diversas áreas. Vamos mostrar, por exemplo, o processo de reciclagem de fantasias, o dia a dia do Emerson Dias, que é intérprete da Niterói, mas também técnico em telecomunicações, o trabalho do motorista da escola de samba, que tem um papel fundamental nesse universo. É um mergulho completo nesse mundo que vai muito além do desfile”.

Emoção que transborda

O fato de a gravação ter sido na quadra da Portela teve um peso emocional especial para os apresentadores. Revelando algumas torcidas, eles dividiram com o CARNAVALESCO a felicidade de terem sido selecionados para comandar a edição deste ano do programa, que já teve apresentação de Milton Cunha e Mariana Gross no passado.

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Jornalista Chico Regueira

“Representa uma honra enorme. A primeira vez que eu entrei na quadra da Portela, fiquei emocionadíssimo, porque sempre gostei muito de música popular brasileira, samba sobretudo, e sempre escutei compositores aqui da Portela: Paulinho da Viola, Casquinha, Seu Jair do Cavaquinho, Candeia. Estar hoje apresentando um programa aqui, falando da Portela, é uma alegria. Nem nos meus melhores sonhos eu pensei ou sonhei com isso”, revelou Chico Regueira, com felicidade.

Francini definiu o convite como um marco profissional e pessoal. “Ser escolhida para integrar a equipe do programa representa uma responsabilidade absurda. Agradeço muito a confiança da equipe e a oportunidade de participar desse projeto. O samba é potência. Eu gosto de carnaval, vibro o carnaval, mas trabalhar é diferente: tem a folia, mas também tem responsabilidade. Hoje tive a chance de viver um programa só com notícia boa. O choro foi só de emoção. Já fui batizada, o salto já quebrou, já aconteceu de tudo; por isso, pode me chamar sempre. Eu adorei o convite”.

“Para mim, é uma honra estar na Portela, que é a anfitriã e maior detentora de títulos do Campeonato Carioca, recebendo com tanto carinho as 12 coirmãs do Grupo Especial. Tem o simbolismo do samba, da feijoada, desse movimento que agrega, alegra e fortalece os laços de amizade. Temos aqui brancos, negros, mestiços, gente rica, gente pobre, e é um lugar de respeito. A sociedade deveria olhar a escola de samba como um espelho de como conviver com o outro”, contou Alexandre, muito emocionado por estar na escola pela qual torce.

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Jornalista Alexandre Henderson

Lilian também destacou o sentimento de pertencimento trazido pela experiência. “Sou uma apaixonada por carnaval. Sou carioca, do subúrbio do Rio de Janeiro, e poder falar desse lugar e da cultura que se produz aqui foi muito especial. Hoje me senti falando da minha própria gente”.

Os apresentadores também aproveitaram para falar sobre a própria trajetória na cobertura carnavalesca.

Chico relembrou sua chegada ao universo do samba a partir do jornalismo: “Eu era repórter investigativo do Fantástico. Tenho uns dez carnavais, ao menos”.

Já Alexandre comentou sobre o impacto de ter começado justamente no ano de retomada do evento após a pandemia.

“Comecei em 2022, logo com o retorno do pós-pandemia. E imagina: eu, que sou apaixonado pelo universo carnavalesco, começar lá na Sapucaí cobrindo o desfile da Série Ouro e, no ano seguinte, do Grupo Especial. Cada ano é uma emoção forte e diferente”.

Roda de alegria

Com o clima de união e alegria, o dia foi repleto de vários momentos memoráveis. Entre os mais marcantes, Regueira destacou o que considerou o ponto mais alto.

“A participação de Fernando Procópio e Gabrielzinho do Irajá. Eu adoro partido alto. Na hora em que rolou aquele partido alto, foi um momento maravilhoso do programa”.

Francini lembrou do frisson do encerramento: “No final da gravação, quando todo mundo cantou junto e se abraçou, não foi um abraço cenográfico. Foi de verdade. A gente sentiu a energia, viu que deu certo, que entregou mais um programa com qualidade, amor e paixão. Sou canceriana e chorei muito”.

Alexandre também apontou o “gran finale” como ápice emotivo: “Foi a sensação de dever cumprido. Eu me emocionei muito quando entrevistei os casais de mestre-sala e porta-bandeira. Ver o amor à bandeira, o amor ao carnaval, e perceber que é um trabalho feito com muito afinco e profissionalismo foi muito tocante”.

Para Lilian, o que mais simbolizou o espírito do programa foi a celebração feita ao mestre Ciça. Enredo da Viradouro, ele teve os demais mestres e intérpretes presentes o abraçando e exaltando enquanto cantavam o samba da escola que o homenageia.

“Foi algo muito espontâneo, todo mundo celebrando um nome tão importante do carnaval. Ele é um cara muito simples, muito humilde, de uma bondade enorme e, ao mesmo tempo, um artista tecnicamente e musicalmente incrível. Merece muito respeito e reconhecimento”.

Relação afetiva com as escolas de samba

Nem tudo fica no campo profissional quando falamos de cobertura carnavalesca. Por mais que sejam imparciais enquanto profissionais, cada apresentador carrega uma paixão no coração, torcidas e vínculos pessoais com o mundo das escolas de samba.

“Eu sou Portela. Minha relação com ocarnaval e a escola de samba é profunda. Frequento a quadra da Portela, adoro a Portela, mas adoro também Mangueira, Imperatriz, Mocidade, Império, Salgueiro. O samba tem uma missão de paz, um ideário de paz a ensinar para a sociedade de maneira geral. De conviver e abraçar o diferente. O samba faz isso”, revelou, com empolgação, Chico Regueira.

Francini, em contrapartida, contou que está se inserindo cada vez mais no mundo do samba e absorvendo de tudo um pouco.

“Minha relação com as escolas de samba ainda está em construção. Sempre me perguntam isso, e é parecido com o esporte: o repórter evita dizer o time para não parecer tendencioso. Agora que estou mais inserida nesse universo, vou um pouquinho na Portela, passo pelo Tuiuti, dou um pulinho na Mangueira e amo cada experiência. Eu desfilei no Paraíso do Tuiuti no ano em que o Caetano Veloso foi homenageado, e foi muito especial. Foi a primeira vez que pisei na Marquês de Sapucaí sem estar trabalhando”.

Alexandre trouxe uma memória de família que explica sua ligação profunda com a Portela. “Tive um tio-avô que foi promotor de justiça, um negão lá na década de 1960. Ele foi um dos fundadores do Renascença e era um portelense apaixonado. Levou essa paixão para a minha família. Desde pequeno, lá em casa, sempre tivemos o costume de comprar discos de samba-enredo e assistir aos desfiles. Sou Portela e frequento os eventos da escola desde a década de 1990”.

Lilian contou que sua aproximação com o carnaval se deu pelo trabalho. O fascínio, segundo ela, sempre foi pelos bastidores do espetáculo.

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Jornalista Lilian Ribeiro

“Minha relação com as escolas de samba não vem de família. Não cresci frequentando quadras, mas sempre me encantei com o samba e com os desfiles, que eu acompanhava pela televisão. Foi através do jornalismo que me aproximei de verdade desse universo. Entender a cabeça do carnavalesco, como ele costura uma ideia com o apoio de tantos outros artistas, da bateria aos intérpretes, diretores de ala, sempre me fascinou”.

Carnaval na memória e no coração

Quando o assunto são lembranças inesquecíveis vividas na Sapucaí, as respostas dos quatro apresentadores demonstraram o quanto o carnaval marca quem vive a festa de perto.

Francini destacou um ritual que se repete a cada desfile: “No Sambódromo, o momento que mais me marca é o clássico: a entrada no Setor 1, o aquecimento. Qualquer escola. Aquele comecinho, o grito de guerra, todo mundo vibrando.” Para ela, o fechamento do portão é sempre decisivo. “Depois, quando o portão vai fechando e a escola começa a desfilar, são dois momentos muito fortes”.

Alexandre citou um desfile que, apesar de recente, já o marcou profundamente. “O desfile de 2025 da Beija-Flor, falando de Laíla, principalmente na passagem do carro que tinha Laíla na frente e Joãosinho Trinta.” Ele definiu a cena como uma catarse. “Celebrar um homem negro como Laíla, que fez tanto não só pela Beija-Flor, mas para o mundo do samba, foi muito emocionante”.

Lilian mencionou uma imagem que ficou gravada na memória popular do brasileiro. “Um desfile da Portela, quando a águia desceu para passar por baixo da plataforma, que hoje nem existe mais. Ver aquilo ao vivo foi inacreditável. Parecia que todo mundo estava respirando junto, torcendo para dar certo. Poderia ser qualquer escola, mas naquele instante todo o Sambódromo estava unido.”

Destoando de seus colegas, Chico surpreendeu ao apontar um momento fora do Sambódromo: “Foi hoje. Foi aqui na Portela”.

Ao reunir essas histórias e tantas outras que irão ao ar nos dias 31 de janeiro e 07 de fevereiro, o Apoteose do Samba se firma como mais do que um programa musical. A atração assume o papel de celebrar a cultura brasileira, levando para dentro das casas brasileiras mais uma parte do espetáculo que é o carnaval carioca, mostrado como ele é vivenciado o ano inteiro, além da Sapucaí.

Especial barracões SP 2026: No ano de seus 70 anos, Unidos do Peruche embala o carnaval ao som da história do pandeiro

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A Unidos do Peruche exaltará no Anhembi, em 2026, um dos maiores símbolos da cultura popular brasileira. Com o enredo “Oi… Esse Peruche lindo e trigueiro… Terra de samba e pandeiro. ‘70 anos’”, assinado pelo histórico carnavalesco Chico Spinosa, a Filial do Samba fará uma longa viagem no tempo para revisitar os primeiros registros conhecidos do pandeiro — instrumento mais antigo do que inúmeras civilizações — até sua chegada ao Brasil e a consolidação ao lado do samba no Carnaval brasileiro.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

A equipe do CARNAVALESCO visitou o barracão da Peruche e conversou com Felipe Milanes, assistente de Chico Spinosa no desenvolvimento do desfile, para conhecer melhor a proposta do enredo, que também marca a celebração dos 70 anos de fundação da escola, na busca pelo título do Grupo de Acesso II de São Paulo.

Brasilidade perucheana no início de uma nova década

A ideia de contar, na Avenida, a história do pandeiro surgiu da intenção de abordar um símbolo nacional por meio de uma escola que carrega, em seu pavilhão, as cores da bandeira do Brasil.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“A ideia original é do Chico Spinosa. Ele trouxe essa proposta para a escola, essa vontade, e a escola abraçou por diversos motivos. Um deles é o fato de o pandeiro ser um símbolo nacional e a Peruche carregar as cores do Brasil, além de ter, em seu símbolo, a constelação do Cruzeiro do Sul. É uma escola muito caracterizada pela brasilidade, e toda a comunidade abraçou essa ideia. A escola percebeu, de certa forma, que é um elemento que ainda não havia sido retratado com esse olhar de contar a sua história, a história que existe por trás do pandeiro”, explicou Felipe Milanes.

O artista destacou ainda que, neste século, tornou-se uma característica da Peruche apostar em temas ligados ao país sempre que a agremiação completa uma nova década de existência.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“Há uma coisa curiosa: quando a Peruche completou cinquenta anos, trouxe um elemento nacional, que foi Santos Dumont. Quando fez sessenta anos, contou o centenário do samba-enredo. Para os setenta anos, a escola também quis trazer essa brasilidade de alguma forma. Tudo isso culminou nessa grande festa de setenta anos”, completou.

Uma das imagens mais simbólicas do carnaval brasileiro é a da passista sambando ao lado de um pandeirista equilibrando o instrumento. Apesar disso, o pandeiro deixou de ser um elemento obrigatório nos desfiles e vem aparecendo cada vez menos nas apresentações das escolas de samba. Para Felipe, esse imaginário popular representa um elemento a ser resgatado, assim como o momento vivido pela Peruche nos últimos anos.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“Essa imagem foi muito forte para a construção desse carnaval. Hoje, pensando bem, é uma imagem muito clássica quando se imagina o carnaval, mas é um elemento que nós temos cada vez menos. O número de pandeiristas diminuiu significativamente ao longo dos anos. Foi mais um motivo e uma inspiração para trazer esse enredo, que fala de resgate. A Peruche está em um processo de autorresgate, que já vem acontecendo há alguns anos. O pandeiro chega também dessa forma, com a escola se reencontrando. É uma história a ser resgatada, um símbolo a ser revivido e a ter sua importância contada”, afirmou.

Um símbolo nacional de origem milenar

A narrativa do enredo da Peruche parte da reconstrução da história do pandeiro desde seus primeiros registros, ainda antes de o instrumento assumir o formato conhecido atualmente. Segundo Felipe Milanes, é a partir desse resgate que o desfile se desenvolve até alcançar a chegada do pandeiro ao Brasil.

“O enredo faz uma viagem pela história do pandeiro, que é um símbolo muito comum nas rodas de samba, nas escolas de samba e no carnaval de forma geral. Dentro da ideia proposta, ele percorre, de forma cronológica, a história do pandeiro desde os primeiros registros, cerca de seis mil anos antes de Cristo, até a sua chegada ao Brasil”, explicou.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

Milanes contou que a escola optou por não seguir uma divisão tradicional em setores.

“Não fizemos uma divisão muito clássica, como muitas escolas costumam fazer. O enredo transcorre mais como uma história contínua, quase como se fosse um único setor. Ainda assim, existe uma separação conceitual entre o pandeiro como origem e o pandeiro como legado”, apontou.

O desfile abordará a origem milenar do pandeiro, quando ele ainda não possuía as conhecidas soalhas — as peças metálicas que chacoalham na circunferência do instrumento. A narrativa tem como base uma escultura descoberta em um território localizado na atual Turquia, antiga Anatólia, onde o pandeiro aparece retratado nas mãos da deusa Cibele.

“A partir dessa escultura, que a mitologia local acreditava ter caído dos céus por causa de um meteoro, começamos a entender o quanto existe de história por trás do pandeiro. Ele passa por diversas civilizações, pela Índia, por meio dos grupos ciganos, pela Europa, nas procissões e festas religiosas, e por outros povos, sempre como forma de cultura, lazer, entretenimento e expressão artística”, explicou.

No Brasil, o pandeiro se consolidou como muito mais do que um instrumento musical. Seu uso tanto na música quanto em rituais religiosos o transformou em um elemento identitário do povo brasileiro, conectando-se diretamente ao desfecho do desfile da escola.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“Quando ele chega ao Brasil, o pandeiro vai criando novas formas, lugares e personalidades. Ele chega quadrado e aqui se torna redondo, meia-lua, mantendo diferentes formatos. Vai passando pelos festejos populares, pelas tradições culturais, e se transforma ao longo da história. Vamos falar do pandeiro como aliado do samba na resistência, quando o samba era marginalizado, até encerrarmos com esse pandeiro celebrando os setenta anos da Peruche”, afirmou.

A linha musical que costurará o desfile será inspirada em “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, canção eternizada mundialmente na voz de Carmen Miranda. A referência estará presente desde o título do enredo até o último verso do samba-enredo.

“O título do enredo é inspirado em ‘Aquarela do Brasil’, que utilizou o pandeiro como elemento musical. A música foi interpretada por Ary Barroso e também por Carmen Miranda, que a levou aos Estados Unidos. Essa obra vai atravessar o desfile tanto musical quanto visualmente”, contou.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

O enredo também destacará o momento em que o pandeiro se transforma em símbolo da identidade brasileira fora do país, levado por nomes como Carmen Miranda e Jackson do Pandeiro.

Anseio pelo acesso e estética como trunfos

Pela primeira vez, a Peruche celebra uma nova década de história fora do Grupo Especial. O retorno ao Acesso I esteve próximo em 2025 e, para Felipe Milanes, o grande combustível da escola para 2026 é o desejo coletivo da comunidade.

“A comunidade está com essa gana. Sonhou muito com o carnaval de 2025, que homenageou o Seo Carlão, e acreditou que poderia subir, mas ficou a um décimo do acesso. Isso criou uma vontade engasgada. Comemorar 70 anos fora do Grupo Especial é um incentivo a mais para buscar essa ascensão”, destacou.

No campo artístico, Milanes aponta a estética como um diferencial importante.

“Acreditamos que a estética será um dos grandes trunfos. Ela será diferente do que a Peruche apresentou nos últimos anos, com referências retrô misturadas à modernidade e elementos contemporâneos. Tudo isso para celebrar esses 70 anos. O enredo, por si só, já motiva muito a comunidade, e isso tem gerado uma ansiedade positiva dentro da escola”, concluiu.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

Ficha técnica
Enredo: “Oi… Esse Peruche lindo e trigueiro… Terra de samba e pandeiro. ‘70 anos’”
Número de componentes: 1.100
Alegorias: 2 carros + 1 tripé
Alas: 11
Diretor de barracão: Julião
Diretor de ateliê: Maurílio Oliveira
Ordem de desfile: Sexta escola a desfilar pelo Grupo de Acesso II

União de Maricá leva ensaio de rua à Orla de Itaipuaçu na reta final para Carnaval

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Após o elogiado ensaio técnico do último fim de semana, a União de Maricá entra na reta final de preparação para o Carnaval. A escola realiza seu penúltimo ensaio de rua na próxima sexta-feira (30), a partir das 20h, em um local especial: a Orla de Itaipuaçu.

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Fotos: Ney Junior/União de Maricá

O ensaio terá início na altura da Rua Paraná e seguirá até a esquina com a Rua Rio de Janeiro, percorrendo toda a extensão do Circuito Claudinho Guimarães, à beira-mar, reforçando a proposta de aproximar a escola das diferentes regiões da cidade. O diretor de Carnaval, Wilsinho Alves, e o diretor de Harmonia, Mauro Amorim, realizaram uma visita técnica ao local, ao lado de autoridades da cidade, para conhecer o trajeto.

O presidente da agremiação, Matheus Santos, destacou a importância de levar a União de Maricá para Itaipuaçu e fortalecer o vínculo com a população local e com o turismo da cidade.

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Fotos: Ney Junior/União de Maricá

“Somos uma escola que representa toda Maricá. Estar em Itaipuaçu é fundamental para aproximar ainda mais a comunidade da escola e valorizar uma região tão importante e turística do município”, afirmou o presidente.

O ensaio geral, último antes do desfile oficial, está confirmado para o dia 6 de fevereiro, às 20h, na Passarela do Samba Adélia Breve, no Centro de Maricá. A União de Maricá será a sexta escola a desfilar no dia 14 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro, com o enredo “Berenguendéns e Balagandãs”, do carnavalesco Leandro Vieira.

Cada assinatura, um sonho: o caminhão da Liga-SP que celebra o samba em São Paulo

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Com assinaturas e dedicatórias, um caminhão de apoio instalado no Sambódromo do Anhembi tem reforçado a experiência do público e promovido o sentimento de pertencimento à comunidade do samba durante os ensaios técnicos das escolas paulistanas.

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Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

A iniciativa é da Liga-SP, que, em parceria com sua equipe de comunicação, desenvolveu a ação com o objetivo de aproximar ainda mais os apaixonados pelo carnaval e ampliar a vivência do público dentro do sambódromo.

Estacionado no Anhembi, o caminhão já se tornou parte da rotina das agremiações. Além de atuar no suporte à limpeza da avenida durante os desfiles, o veículo também oferece apoio direto às escolas, contribuindo para a estrutura operacional do maior palco do carnaval paulistano.

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Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

Mais do que um recurso funcional, o caminhão ganhou um novo significado ao se transformar em um espaço de expressão da comunidade do samba. A lataria do veículo foi disponibilizada para receber assinaturas e dedicatórias de integrantes, torcedores e visitantes, tornando-se um ponto de interação e identificação coletiva.

“A ideia do caminhão é ser um apoio na avenida, auxiliando de várias formas. Inicialmente, ele receberia apenas uma adesivação simples, mas optamos por preencher esse espaço com assinaturas, como uma forma de aproximar ainda mais o público da Liga-SP e fazer com que as pessoas se sentissem incluídas”, explica Carlos Henrique dos Santos Júnior, de 31 anos, analista de comunicação da Liga-SP e responsável pelo projeto.

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Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

Segundo Carlos, a proposta é aberta a todos, independentemente da escola ou da região de origem. “É só chegar e assinar. Também é importante dedicar à sua escola, mostrar de onde você vem e qual agremiação representa. A ideia é que seja algo pessoal”, afirma.

O caminhão passou a funcionar como ponto de encontro espontâneo, onde o público manifesta sua paixão e identidade com o samba. De acordo com o analista, muitos foliões aproveitam o espaço para escrever gritos de guerra, trechos de sambas-enredo ou mensagens de amor às suas escolas.

“Muitas pessoas vêm de longe e fazem questão de deixar sua marca. É algo diferente, e o público está gostando muito. Além disso, o caminhão vai desfilar na avenida e será um dos principais apoios operacionais, tanto na pista quanto no entorno do Sambódromo”, completa Carlos

Entre a dor e a paixão pelo samba, Gracyanne Barbosa emociona na União da Ilha

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A União da Ilha do Governador vive um carnaval carregado de emoção em 2026. À frente da bateria, Gracyanne Barbosa atravessa a temporada de forma diferente, longe da plenitude física que sempre marcou sua passagem pela Sapucaí, mas ainda mais próxima da essência que move a escola. Após uma lesão que exigiu cirurgia e um longo processo de recuperação, a rainha segue firme, sustentada pelo carinho da comunidade, da bateria e da direção da escola.

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A própria Gracyanne reconhece que este não é um ano comum, mas faz questão de destacar o quanto ele tem sido especial.

“É um ano muito diferente. Ao mesmo tempo que eu fico preocupada, sentida por não entregar tudo o que a União da Ilha merece, o que a bateria merece, eu também acho que está sendo um ano extremamente emocionante. Quando eu sofri a lesão e fiz a cirurgia, nós conversamos, e eles falaram: vamos esperar”.

Mesmo com os médicos apontando a dificuldade de um retorno em condições ideais, a decisão da escola foi unânime. O pedido partiu da comunidade e da própria bateria, que fizeram questão da presença da rainha à frente do seu ritmo.

“Conversei com o mestre, com o presidente, com o carnavalesco, e todos falaram a mesma coisa: você vem de cadeira de rodas, de muleta, do jeito que você puder, desde que venha à frente da bateria. Foi a comunidade que pediu para que eu voltasse. A bateria queria muito e quer que eu esteja ali”.

Presença que vai além da dança

Mesmo com restrições médicas, Gracyanne não esconde a emoção ao falar sobre o que viveu nos ensaios e sobre o que espera do desfile oficial.

“Eu me senti extremamente honrada, feliz, grata. Tenho certeza de que esse desfile vai ficar na minha memória para sempre. Pisar na Sapucaí e ser recebida com esse carinho é algo realmente indescritível”.

As limitações físicas exigiram adaptações. Nada de salto alto e samba no limite do possível, mas sem abrir mão da essência.

“Os médicos falaram que era tênis, nada de salto. Eu nem podia sambar, mas, gente, como é que escuta a bateria e não samba? É impossível. Eu vou sambar miudinho, com cuidado, mas vou entregar toda a minha vontade, toda a minha alegria e todo o meu amor”.

Para ela, o enredo da União da Ilha dialoga diretamente com o momento pessoal que atravessa.

“O enredo é maravilhoso, o samba é muito bom, a Ilha é a escola da alegria. Esse Carnaval tem tudo para ser belíssimo, digno de voltar ao Grupo Especial. Eu estou orando, torcendo e dando o meu melhor para estar à altura dessa escola tão maravilhosa”.

Fase de ressignificação

O carinho recebido neste carnaval também tem um peso simbólico. Para Gracyanne, o momento representa uma verdadeira renovação de energia e de sentido.

“Eu acho que estou na melhor fase da minha vida. Passei por vários processos e precisei ressignificar a minha história. Tudo mudou, desde a separação até o BBB, que foi um autoconhecimento muito grande”.

A lesão, segundo ela, foi mais um marco de transformação. “Isso tudo me fez botar a cabeça no lugar e valorizar cada momento. Antes eu me preocupava muito em trabalhar e conquistar, mas hoje eu entendo que o que realmente importa são os momentos com quem a gente ama. É isso que eu estou vivendo agora”.

Fantasia adaptada, esseência preservada

As mudanças também chegaram à fantasia, pensada para garantir segurança sem perder o impacto visual. “A gente teve que dar uma enxugada no costeiro e na cabeça, para não ficar pesado e eu não correr o risco de cair. É uma fantasia mais minimalista, mas vai ser linda”.

Para Gracyanne, o mais importante permanece intacto. “O que interessa mesmo é a bateria. A função da rainha é trazer o holofote para ela, e é isso que eu quero fazer”.

Do samba ao reinado: Rayane Dumont é representatividade à frente da União de Maricá

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Nascida e criada em Maricá, Rayane Dumont não ocupa o posto de rainha da bateria da União de Maricá apenas com samba no pé. Ela o ocupa com pertencimento, memória, identidade e emoção. Há quatro anos à frente da “Maricadência”, Rayane construiu um reinado que vai além do brilho e se conecta diretamente com a história de uma comunidade que se reconhece nela.

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Antes de assumir o posto, em 2020, Rayane já fazia parte do cotidiano da escola como sambista, vivendo o Carnaval desde dentro, no chão da quadra, nos ensaios e no convívio diário com a comunidade. Essa trajetória faz com que sua presença à frente da bateria carregue verdade e representatividade.

Ser rainha da bateria da União de Maricá, para ela, é uma responsabilidade afetiva. É representar um povo inteiro, suas lutas, suas vitórias e sua alegria.

“Pra mim, representa milhões de sensações. Eu sou nascida e criada em Maricá, então é uma honra muito grande. Eu represento uma comunidade, um povo guerreiro”.

A relação com a escola sempre foi marcada pelo acolhimento e pelo amor. Rayane destaca que nunca se sentiu distante da sua comunidade; pelo contrário, sempre foi abraçada e incentivada a crescer junto com a agremiação.

“Sempre fui muito bem recebida pela comunidade. Eu cheguei como sambista, criada ali, e continuo construindo história junto com a União de Maricá, sempre com muito carinho e muito amor. Eu com amor pela minha comunidade, e a minha comunidade com amor por mim”.

Reinado que carrega memória e representatividade 

No atual momento da escola, Rayane representa o Reino de Bregaidê de Belagantã, conceito que dialoga diretamente com ancestralidade e identidade negra. Para ela, ocupar esse espaço também é um gesto de reverência às mulheres que vieram antes e às que ainda virão.

“Hoje, com esse reino, eu represento as pretas que vieram antes de mim, as mulheres que estão comigo agora e as muitas pretas que ainda vão vir”.

Esse compromisso com a história aparece de forma muito clara na estética que Rayane escolhe para a avenida. Seus figurinos são pensados como extensão do enredo, nunca como mero adorno.

“Eu não venho com figurino à toa. Esse, por exemplo, representa três pretas guerreiras. Eu sempre gostei de passar um pouco dos enredos através dos meus looks, porque são histórias que por muito tempo ficaram silenciadas. A gente precisa aproveitar todos os espaços pra contar essas histórias da melhor forma possível”.

Essência, treino e evolução 

Muito elogiada pelo carisma e pela presença forte à frente da bateria, Rayane reforça que o segredo está em respeitar a própria essência e nunca parar de evoluir. Para ela, sambar é estudo, entrega e compromisso.

“Cada um tem a sua essência. O segredo é jogar isso pra fora, com muito treino e muita evolução. Eu nunca estou parada, estou sempre estudando, e acho que é isso que faz a gente melhorar a cada dia”.

Essa postura reflete não apenas no desempenho técnico, mas também na forma consciente com que ela ocupa o posto de rainha, entendendo o peso simbólico que carrega dentro da escola.

Referências que nascem da comunidade 

Quando fala sobre inspirações, Rayane faz questão de destacar mulheres que também vieram do chão da comunidade e que representam força, verdade e identidade no Carnaval.

“Minhas referências são a Evelyn Bastos e a Mayara Lima. Tenho muitas inspirações, mas essas duas tocam meu coração. São rainhas da comunidade, e a gente sempre tenta se espelhar nelas, porque eu também sou cria da minha”.

Rainha que reina com verdade 

Ao completar quatro anos como rainha da bateria da União de Maricá, Rayane Dumont se consolida como um dos grandes símbolos da escola. Sua trajetória traduz o que Maricá leva para a avenida: orgulho de origem, ancestralidade, força coletiva e emoção.

Quando Rayane surge à frente da bateria, o público não vê apenas uma rainha do samba. Vê a história viva de uma comunidade inteira pulsando no ritmo do surdo, celebrando quem veio antes, quem está agora e quem ainda vai chegar.

Vivendo o carnaval intensamente: Wilsinho Alves fala sobre dedicação total

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Em entrevista, na noite do segundo dia do ensaio técnico, o diretor da União de Maricá e do Salgueiro, Wilsinho Alves, falou sobre sua rotina intensa à frente de duas grandes escolas do carnaval carioca. Ao comentar sua vida pessoal ou, como ele mesmo define, a falta dela, Wilsinho enfatizou a importância de estar presente em todos os processos das agremiações que comanda, destacou a necessidade de contar com uma equipe de excelência e apontou as diferenças entre as escolas da Série Ouro e do Grupo Especial, além de suas expectativas para a União de Maricá.

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“Não, não tem vida pessoal, não tem mesmo, é uma loucura. A minha esposa já sabe qual é o ritmo, fico sem ver minha filha para caramba, já estou um tempão sem ver minha filha, só no WhatsApp, ligação, mas é isso. Saio de casa cedinho, 8 horas, 9 horas, e nessa época eu volto 4 horas da manhã, porque sempre tem comissão de frente do Salgueiro ou da Maricá de madrugada, ou as duas. E, além da dedicação aos ensaios, que são necessários, eu acho importante, para mim, estar à frente de duas grandes escolas em momentos diferentes, mas as duas buscam o título nos seus grupos”, afirmou Wilsinho.

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Durante a conversa, o diretor também destacou sua parceria com o carnavalesco Leandro Vieira, ressaltando a importância de trabalhar ao lado de um profissional que contribua para a fluidez do processo criativo e técnico da escola. Segundo ele, apesar de já ter enfrentado dificuldades com outros carnavalescos ao longo da carreira, Leandro se destaca pela capacidade de criar soluções práticas e eficientes no dia a dia do barracão.

“A primeira coisa é que a gente é muito parceiro, muito amigo. É fácil trabalhar com o Leandro. Ele é um cara genial. O grande gênio hoje do carnaval é o Leandro, e a gente tem uma troca boa de ideias, a gente se respeita. Eu respeito muito o que o Leandro faz artisticamente, ele respeita também a parte técnica da escola, e ele tira soluções muito práticas de barracão. Já trabalhei com outros carnavalescos cujas soluções não são tão práticas, e o Leandro consegue criar processos muito assertivos durante o percurso”, afirma Wilsinho.

Wilsinho também comentou sobre as diferenças estruturais e financeiras entre as escolas da Série Ouro e do Grupo Especial. Apesar de reconhecer avanços, o diretor apontou a existência de um grande abismo entre as duas ligas e defendeu melhorias que garantam condições mais dignas de trabalho. Ele destacou ainda o apoio da Prefeitura de Maricá, que, segundo ele, proporciona uma estrutura adequada para o barracão da escola.

“Existe um grande abismo financeiro, um grande abismo de estrutura entre as duas ligas e os dois grupos. Acho que o pessoal da Liga RJ vem trabalhando para reduzir esse gap que existe entre as duas ligas. Mas ainda é chato ver escolas com barracões precários, trabalhadores em condições que não são ideais. Eu trabalho numa escola que todo mundo sabe que tem apoio da Prefeitura da cidade de Maricá, e a gente consegue ter um barracão adequado. Apesar de não ser grande, apesar de não ser alto, ele é adequado, com a parte de segurança do trabalho, com a parte dos bombeiros, enfim, todos os equipamentos, porque é um barracão que a gente construiu há dois anos. Mas eu acredito que, com a Cidade do Samba II, o ganho estético da Série Ouro vai ser notado nos próximos anos, assim como houve o ganho estético quando a gente foi para a Cidade do Samba, de 2005 para 2006”.

Para encerrar, o diretor afirmou estar positivamente ambicioso em relação ao título da Série Ouro e elogiou a preparação da União de Maricá, destacando a dedicação da escola desde o início da temporada e a qualidade apresentada em todos os quesitos.

“Eu espero um desfile organizado, espero que a gente cause um grande impacto. Eu acho que esse carnaval de Maricá é um carnaval de grande impacto. O enredo proporciona isso, o samba proporciona isso e a estética que o Leandro escolheu proporciona isso. A Maricá é uma escola que está ensaiando desde outubro. A disputa de samba começou cedo, começamos cedo os nossos ensaios, ensaiamos muito, ensaiamos muito na rua. Eu fiz, este ano, mais ensaios na Maricá, por exemplo, do que no Salgueiro, por vários motivos, como condições climáticas e tudo mais. Mas é uma escola que ensaiou muito e está muito preparada. Tomara que a gente consiga mostrar isso no ensaio técnico e no desfile para conquistar o campeonato”, declarou o diretor Wilsinho.

Mestre Ciça recebe Medalha Tiradentes da Alerj e celebra reconhecimento histórico ao samba

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O ensaio da escola mirim da Unidos do Viradouro, na última terça-feira, terminou em clima de emoção e reconhecimento. Um dos maiores nomes da história do carnaval carioca, o mestre de bateria Ciça recebeu a Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em reconhecimento à sua trajetória de cinco décadas dedicadas ao samba. A iniciativa é do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), autor da proposta aprovada pela Casa, e a cerimônia contou também com a presença da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), que fez questão de prestigiar o momento. A entrega aconteceu na quadra da Viradouro, em Niterói, território simbólico para a história do mestre e da escola.

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Fotos: Rhyan de Meira/CARNAVALESCO

Veterano da Marquês de Sapucaí, Ciça completa 70 anos de vida e 50 anos de desfiles, sendo referência absoluta na formação de ritmistas, na criação de identidade musical e na construção do padrão rítmico que ajudou a consagrar a Viradouro como uma das grandes forças do carnaval. Em entrevista ao CARNAVALESCO, visivelmente emocionado, mestre Ciça contou que foi pego de surpresa com a homenagem. “Eu fui pego de surpresa com essa homenagem, que é uma honraria do nosso estado. É muito orgulho estar recebendo esse reconhecimento. Estou feliz pra caramba”, afirmou.

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Questionado se algum dia imaginou ser homenageado dessa forma, tanto pela escola quanto pelo Estado, o mestre foi sincero: “Nunca imaginei isso na minha vida, nunca. Não que eu não mereça, mas o sambista ainda sofre um pouco de discriminação. O povo do samba merece muito mais homenagens. Outra s pessoas também merecem. Acho isso muito bacana, muito importante”.

Para Ciça, a Medalha Tiradentes não é apenas um reconhecimento individual, mas um gesto simbólico que pode abrir caminhos para outros nomes do carnaval serem valorizados em vida.

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“Tenho certeza de que as portas vão se abrir para outros sambistas. As escolas também vão começar a homenagear mais pessoas em vida. Isso é fundamental. O samba envolve milhares de pessoas, envolve trabalho, envolve economia, envolve cultura. E quem faz o show é o sambista, do mais humilde ao que ocupa cargos maiores. O samba tem que estar sempre em primeiro lugar”.

Durante a entrevista, Ciça fez questão de destacar a importância da família Calil, responsável pela gestão da Viradouro, em um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: o retorno à escola após um período fora.

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“Foi a família Calil que me trouxe de volta para a Viradouro. Eu estava na Ilha e tenho muita gratidão por isso. O senhor Marcelo Calil, o Marcelinho, a dona Terezinha, o seu Antônio… eles são fundamentais na minha vida”.

O mestre resumiu o sentimento com simplicidade e emoção: “É só gratidão. Não sei nem como agradecer. A gente agradece todo dia. A melhor recompensa que posso dar é fazer a Viradouro campeã de novo. Isso seria nota 10”.

Reconhecimento como política pública

Autor da proposta, o deputado estadual Flávio Serafini destacou a importância de políticas públicas voltadas ao reconhecimento dos trabalhadores do carnaval.

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“O samba é a maior expressão da cultura popular brasileira e, muitas vezes, quem faz o samba é invisibilizado. São passistas, ritmistas, mestres-salas, porta-bandeiras, mestres de bateria. O mestre Ciça percorreu toda essa trajetória até se tornar um campeão do carnaval e uma figura fundamental na construção do samba nos últimos 40 anos no Brasil”.

Serafini também ressaltou a importância de homenagear em vida: “A Viradouro acertou e foi ousada ao homenagear o mestre Ciça em vida. Não dá para esperar o amanhã. Hoje ele é fundamental, representa gerações do samba. Isso precisa ser apoiado e fortalecido, porque essa é a cara do Brasil”.

‘Não vamos esperar a saudade pra cantar’, canta Talíria

Presente na cerimônia, a deputada federal Talíria Petrone destacou a emoção de participar da homenagem e reforçou a ligação entre Niterói, Viradouro e o mestre Ciça.

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“É uma emoção ser parte dessa história. Não tem como pensar no carnaval da Viradouro sem pensar no mestre Ciça. O carnaval não começa na avenida. Ele é feito por quem constrói a batida da bateria, por quem costura, por quem carrega. Ele nasce no barracão, na quadra, no dia a dia”.

Talíria também ressaltou a valorização dos trabalhadores do carnaval: “Homenagear o mestre Ciça é homenagear os trabalhadores que fazem o carnaval acontecer. Essa festa popular precisa ser valorizada porque ela é a cara do povo brasileiro”.

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Orgulhosa de suas raízes, a deputada falou da relação afetiva com a cidade e a escola: “Eu sou muito niteroiense. Não tem como pensar Niterói sem pensar na Viradouro. Estar aqui, no último ensaio antes do carnaval, homenageando ninguém menos que o mestre Ciça, é simbólico. Quando ele é o próprio enredo, como diz o samba, nós não vamos esperar a saudade pra cantar”.

A Medalha Tiradentes chega em um momento especialmente simbólico da carreira do mestre. Em 2026, a Viradouro levará para a avenida o enredo “Pra cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, celebrando a trajetória, o legado e a contribuição do mestre para o samba e para o carnaval brasileiro.