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Representatividade! Mayara Lima estreia como rainha de bateria no Paraíso do Tuiuti e comunidade rasga elogios

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Tuiuti02Um ano após viralizar na internet por conta de sua sincronia com os ritmistas da bateria SuperSom do Paraíso do Tuiuti, Mayara Lima foi alçada ao posto de rainha no pré carnaval e fez sua estreia no posto mais cobiçado da avenida. A escola de São Cristóvão abriu a segunda noite de desfiles do Grupo Especial com a história dos búfalos da Ilha de Marajó, no Pará, e mostrou a reverência do povo por esses animais no enredo “Mogangueiro da Cara Preta”.

Mayara desfilou representando a fantasia “Deusa marajoara”, a rainha encantou representando a força feminina marajoara, vestindo traje com a riqueza do grafismo decorativo dos povos originários do Marajó. O figurino da beldade foi predominantemente azul, com detalhes em amarelo.

Mayara começou como passista, chegou ao posto de musa, princesa e agora é rainha, de forte relação com a comunidade, ela é um exemplo para várias meninas que sonham chegar neste posto um dia. Um exemplo é Lorena Bento, ela, que é moradora de São Cristóvão e desfila pelo Tuiuti há mais de 15 anos, diz que a escola acertou ao coroar Mayara como rainha, ela diz também que acompanhou o crescimento da musa ao longo dos anos e que ela é um espelho para todas as meninas.

“É muito significativo ver a Mayara a frente da bateria, ela que já tem um talento imenso, eu vi quando ela chegou no Tuiuti, era só uma passista, mas ela sempre teve um talento. No meio das meninas, ela sempre se sobressaía pelo samba, como ela veio do Salgueiro também fez o projeto lá com o Carlinhos e todo mundo sempre queria ela como destaque na ala, até que pedirão para colocar ela como musa, ela foi, virou musa e depois que viralizou não parou mais de brilhar. Ela é o espelho para muitas meninas da comunidade que querem também um dia chegar no lugar dela. Ver ela assim, maravilhosa, com um samba no pé surreal, alinhado junto com a bateria e eu acho que todo mundo para pra ver, fica encantado. E eu acho que o Tuiuti fez uma ótima escolha”, disse Lorena.

A bióloga e pesquisadora científica, Jennifer Nascimento, de 33 anos, também se mostrou a favor da presença de Mayara á frente da bateria, pelo segundo ano desfilando pela azul e amarela, a bióloga conta que vê em Mayara um exemplo, não só para ela, mas para várias meninas da comunidade.

Tuiuti01“A Mayara pra mim é tudo. Uma inspiração que eu tento seguir, porque ela é um exemplo, um grande exemplo, acho que pra todas as mulheres e meninas que compõe a agremiação. Ela é tudo, nos representa com toda certeza. O Tuiuti é uma escola que eu aprendi a amar, uma escola que me trouxe muito crescimento pessoal também, tanto na arte, na dança, quanto também no social com a diversidade de pessoas dentro da escola, isso também é muito interessante, nos traz um um grande impacto, é sempre adquirir conhecimento”, pontuou Jennifer.

O estudante João Pedro Batista é instrumentista e toca tamborim na bateria comandada por mestre Marcão, ele enxerga em Mayara o reconhecimento que todos da comunidade almejam um dia, além de elogiar a beleza, ele diz também que é muito legal ver a forma que ela interage com os ritmistas.

“A Mayara já vem já da comunidade há muito tempo. Então, pra mim é muito legal, a gente vê que a comunidade está sendo vista, sendo reconhecida, ela teve a oportunidade de ser a rainha da bateria e por mim, ela poderia ficar anos e anos, ela é linda, participa muito dos ensaios e tem uma sincronia muito boa com a gente, todo mundo merece a oportunidade, ela veio a comunidade, ela veio já muitos anos aí na luta”, disse João.

Informações do Roteiro dos Desfiles são importantes na visão do público da Marquês de Sapucaí

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Roteiro04O Roteiro dos Desfiles é distribuído para todos presentes na Marquês de Sapucaí. Com informações imprescindíveis, o pequeno livro ajudou muito o público geral a se aprofundar e entender o que está se passando na Avenida. Segundo os próprios espectadores dos desfiles, os tópicos que eles mais consultam no roteiro são a sequência das escolas, a letra dos sambas, os carnavalescos e suas ideias, e por fim, ficar por dentro dos quesitos.

Paulo Ricardo, massoterapeuta de 45 anos, acompanha o carnaval há 27 anos. Mesmo com toda sua experiência, o Roteiro dos Desfiles foi útil para ele.

Roteiro03 1“Eu não uso muito (o roteiro). Mas está ajudando bastante. O roteiro é bem didático”, afirmou Paulo.

Fernando Lopez, engenheiro de 45 anos, é uruguaio e mora no Rio de Janeiro há quatro anos. Para ele, a sequência das escolas e a letra dos sambas são as informações mais importantes do roteiro.

Roteiro02 1“Eu acho que vai ser muito legal (acompanhar o roteiro dos desfiles), porque tem toda a sequência das escolas e também a letra dos sambas. Isso me permite acompanhar e cantar com todas as torcidas”, disse Fernando.

Carolina Vasconcelos, advogada de 28 anos, achou a letra dos sambas o conteúdo mais importante presente no Roteiro dos Desfiles. Ela decidiu pegar o pequeno livro apenas para conseguir acompanhar os sambas-enredo.

“Eu acho que é legal principalmente para ver a letra dos sambas. Foi por isso mesmo que a gente pegou”, falou Carolina.

Roteiro01 1Leonardo Portela, cirurgião-dentista de 46 anos, se deslocou do seu setor só para pegar o roteiro para acompanhar o desfile informado. Segundo ele, o conteúdo é essencial por conta da explicação com riqueza de detalhes das ideias dos carnavalescos.

“Todas as noites eu procuro (o roteiro) porque ele é bem detalhado, específica bem a ordem das escolas, a letra dos sambas e a gente pode acompanhar exatamente o que o carnavalesco pensou sobre o desfile (…) É importante também para saber os casais de mestre-sala e porta-bandeira, se o carnavalesco é novo (…) A gente consegue várias informações importantes”, explicou Leonardo.

‘Estamos conversados’, diz presidente do Tuiuti sobre futuro dos carnavalescos na escola; comunidade aprovou o trabalho

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Com a plástica do desfile sendo um destaque, os carnavalescos João Vitor Araújo e Rosa Magalhães, demonstraram na Sapucaí o resultado da junção da experiência da professora ao talento do jovem. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente da escola de samba, Renato Thor, disse que os dois artistas estão apalavrados com a agremiação para o próximo Carnaval. Os componentes aprovaram e elogiaram o trabalho da dupla.

Thor

Thor contou ter gostado do trabalho apresentado pelos dois carnavalescos, destacou o trabalho de João Vitor Araújo e também fez críticas à forma como a escola é tratada por trazer um nome jovem.

“O resultado foi o melhor possível, porque o João Vitor é um talento. Mas eu costumo falar que o Paraíso do Tuiuti, quando pega um talento como o João Vitor, tratam como falta de investimento. Se é em uma escola mais renomada, eles ‘lançam’. Eu fui atrás da nossa renomada Rosa Magalhães, para que pudéssemos fazer essa dupla maravilhosa. Eu estou me sentindo muito satisfeito com esse carnaval maravilhoso. O trabalho dos dois se encaixou muito, a Rosa Magalhães abraçou ele como um filho”, disse o presidente da escola de São Cristóvão.

Questionado se a dupla de carnavalescos vai permanecer no Tuiuti para o próximo carnaval, Renato Thor revelou que os dois já estão apalavrados com a escola. “Já estamos conversados, mas primeiro fazemos o carnaval para depois a gente sentar e ver os detalhes finais”, contou Renato.

Regina Lucia da Silva, empregada doméstica de 53 anos, desfila no Paraíso do Tuiuti, disse que mesmo não conseguindo ver o desfile todo por ter desfilado, acredita que o trabalho foi bem feito. Ela contou gostar do estilo de Rosa Magalhães.

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“Como a gente desfila, acabamos não vendo o decorrer da escola na Avenida. Mas daqui, vendo os carros e o conjunto, eu gostei muito desse trabalho. Eu sempre gostei muito do estilo da Rosa Magalhães, porque ela ficou muito tempo na Imperatriz e fazia carros lindíssimos, bem acabados. O forte dela é esse. Eu gosto muito deles. O João Vitor já fez Paraíso do Tuiuti também e eu gostei muito. Essa dupla tem tudo para pegar ‘fogo’. Essa junção deu muito certo e com certeza eles ficam”, disse a componente do Paraíso do Tuiuti.

Para ela, a dupla deu muito certo e fez um bom trabalho e um colaborou com o outro. Mesmo com a enorme experiência de Rosa, a componente disse que sempre é importante aprender mais.

“Acho que é uma mistura que resultou em um trabalho muito bonito. O João Vitor, apesar de ser um jovem carnavalesco, vem de trabalhos bem significativos. Acredito que mesmo com a Rosa sendo uma grande veterana no carnaval, sempre é tempo de aprender. Os dois colaboraram um com o outro, para chegar neste resultado muito bonito. A escola veio muito bonita, bem luxuosa e com riqueza de detalhes – que a Rosa geralmente apresenta – e a grandiosidade de João Vitor. Espero que eles possam continuar”, comentou Regina.

Vivaldo Coelho, 48, jornalista e componente do Tuiuti desde 2018, ressaltou a importância de buscar novos talentos para o futuro da maior festa popular do mundo.

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“Acho que o carnaval é sempre esse elemento dinâmico de estar resgatando a tradição, mas olhando para o futuro. Isso que permite que o carnaval do Rio de Janeiro não morra, saber de onde você vem, mas projetando esse futuro. Trazer João Vitor é olhar para frente; é renovação”, destacou o componente da ala 9, que representou a vaca sagrada.

Questionado se a parceria deu certo, Vivaldo foi direto. “É só olhar em volta, não tem o que discutir aqui. A Rosa, não há o que falar dela, ela é mais que consagrada para quem gosta de carnaval. E, com certeza, acredito que ela sabe com quem trabalha. Eu só tenho que parabenizar os dois”, falou o jornalista.

Cássia Nouvelle, que desfilou na ala 3, é professora, tem 41 anos e foi compositora da agremiação. Confiante, ela disse que a escola irá retornar à passarela do samba no Sábado das Campeãs.

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“Gostei muito da riqueza dos detalhes e da escolha cromática que está muito bonita. Junto com samba muito bonito, a Tuiuti tem tudo para voltar entre as seis no sábado das campeãs”, contou.

Com o enredo “Mogangueiro da cara preta “, o Paraíso do Tuiuti abriu a noite de desfiles desta segunda-feira de carnaval.

Casal Segredo: ‘Alegria e trabalho árduo são os principais ingredientes para uma comissão nota máxima’

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Bailarinos, coreógrafos, parceiros, casados e pais. Priscilla Mota e Rodrigo Negri construíram e aprimoraram seu legado ao longo dos anos, especialmente na Marquês de Sapucaí. Apelidados e já conhecidos como “Casal Segredo”, eles não acreditam numa fórmula mágica para o sucesso de suas comissões de frente. No entanto, caso existisse, alegria e trabalho árduo seriam os principais ingredientes.

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Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, a dupla abriu as portas de sua sala no barracão da Viradouro, onde trabalham atualmente, para responder perguntas sobre a carreira e planos futuros.

Vamos começar com a pergunta mais fácil. Qual é o desfile da vida de vocês? E por qual motivo?

Rodrigo: “Acho que ‘É Segredo!’ porque, sem sombra de dúvidas, mudou as nossas vidas”.

Priscilla: “Esse desfile fez com que a gente acreditasse que podíamos viver disso. Na verdade, eu tenho dois. O outro foi o da Mangueira em 2019 porque além de ter sido histórico, foi o ano em que nosso filho nasceu. Eu achei que não conseguiria me superar como profissional sendo uma nova mãe. Começamos a ensaiar quando ele tinha um mês e meio, até levávamos ele para o barracão para podermos trabalhar. Achei mesmo que não daria conta e, além de ter dado, vencemos o carnaval. Isso marcou muito como mulher”.

Qual desfile vocês acham que poderia ter funcionado mais e não foi possível?

Priscilla: “Acredito que o desfile da Grande Rio em 2018, falava sobre o Chacrinha. Foi a estreia do Renato Lage na escola e tivemos um problema técnico no desfile. A comissão de frente, talvez uma das mais difíceis que fizemos, era um espetáculo que poderia ser levado para qualquer lugar. Não se restringia a Sapucaí, aquilo realmente funcionaria num teatro, num musical, num circo… era uma comissão extremamente trabalhosa. Ela foi concebida em dezembro, já estava pronta em dezembro, porque ainda precisava da gravação e pós-produção. Era uma performance interativa com o que acontecia dentro de uma televisão, então era difícil. Infelizmente passou batido. não foi marcante porque os problemas marcaram mais”.

Rodrigo: “Entrou no bolo da escola com a situação técnica do carro… enfim, o trabalho ficou perdido no meio disso, mas era um trabalho que a gente gostava muito. Muita gente até comenta sobre, entendeu a dificuldade que foi, porque era tudo na hora… a gente tinha que equalizar o vídeo com o som ao vivo”.

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Hoje, qual é o maior desafio da comissão de frente? Ser a síntese do enredo ou um espetáculo impactante de abertura?

Priscilla: “Fazer a síntese é muito difícil, principalmente quando temos enredos tão densos como o da Viradouro esse ano. É uma saga, um enredo que caberia em vários carnavais… penso que se a história da Rosa fosse contada em filmes, seriam várias sequências. O Tarcísio conseguiu brilhantemente sintetizar a história na proposta do desfile, e dentro disso temos que sintetizar mais ainda. É o maior desafio”.

Rodrigo: “Mas também acho que não é uma regra da comissão de frente. A gente gosta de seguir essa vertente, mas alguns coreógrafos preferem focar num só momento. O lance da síntese é difícil mesmo porque precisamos criar algo rápido, marcante e de fácil entendimento, não só para o público como também para os julgadores”.

Sem ser a de vocês, qual é a comissão que adoram? Podem citar até três.

Priscilla: “Theatro Municipal, 2009. O Marcelo Misailidis fez na Vila Isabel. Também tem a da Vila Isabel em 2012. Gosto muito dessa linha teatral que o Marcelo segue. Na verdade, a gente bebe um pouco da fonte dele, certo? Muitas pessoas vieram antes da gente e admiramos o trabalho até antes de sonhar em fazer carnaval”.

Rodrigo: “A do Carlinhos de Jesus, em 1999, na Mangueira com os baluartes”.

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Gostam de ser chamados de “Casal Segredo”?

Rodrigo: “Acho que é uma marca e a gente gosta, sim. Foi uma fã nossa, do fã clube mesmo, que nos apelidou assim. Depois virou referência”.

Priscilla: “Não é que eu não goste, mas só acho injusto quando nos rotulam enquanto artistas. ‘Ah, a Priscilla e o Rodrigo só fazem mágica’. Se bem que isso já meio que caiu por terra também”.

Desde 2010 vocês mostraram que o elemento cenográfico era fundamental na comissão de frente. Ainda assim, alguns são trambolhos. O que pensam sobre o uso desses tripés no trabalho de vocês?

Priscilla: “É curioso porque a gente entende que a opinião pública não gosta muito dos trambolhos, mas se você pegar um mapa de julgamento e as notas, principalmente dos últimos anos, as comissões de frente mais bem pontuadas são as que trazem elementos cenográficos grandes que fazem com que elas sejam espetáculos. Ficamos entre a cruz e a espada, então tentamos trazer um espetáculo com o menor elemento cenográfico possível dentro da proposta. Tem vezes que conseguimos e outras não. Mas acaba que isso vira uma exigência das notas e, infelizmente, com elementos cenográficos menores é mais difícil. Hoje o ponto de partida do nosso trabalho é esse, tentar caber o nosso grandioso espetáculo dentro do menor elemento possível para aquele ano. Acho que o alegórico grande incomoda quando impede a visão do público. Imagina trazer um elemento que parte do público não consegue enxergar? Isso atrapalha. Quando é para o bem do desfile e você consegue fazer com que todos assistam, todo mundo sai ganhando.”

Rodrigo: “É muito difícil para a gente encontrar esse equilíbrio porque queremos agradar ao público e aos julgadores. Também temos as necessidades do trabalho. Às vezes tem coisas que não conseguimos viabilizar, diminuir, por uma questão técnica. Mas é lógico que pensamos em beneficiar todo o público porque isso é importante. Quando estamos dançando, essa energia deles chega na gente e até nos julgadores”.

O intercâmbio com artistas do campo erudito, como balé e ópera, existe há muito tempo. Qual é o impacto inicial e quais são as diferenças de trabalho?

Priscilla: “Acho bacana porque nós viemos de uma formação clássica, erudita. Somos bailarinos do Theatro Municipal. O que a gente traz é a nossa disciplina. A maneira de conduzir o trabalho por aqui é extremamente rígida como no balé clássico, não dá para deixarmos as coisas ao sabor do acaso. Temos um cronograma, regras e devemos cumprir exigências físicas, técnicas e artísticas. A gente entende porque vivemos isso há anos e trouxemos para cá. Quando estamos coreografando uma peça, por exemplo, sabemos que existem etapas e o carnaval também não pode pular essas etapas. Aprendemos muito aqui, já que são universos completamente diferentes, mas acredito que se complementam”.

Rodrigo: “Como a Pri disse, acho que a disciplina é o foco principal e temos que juntar essas habilidades em prol de um trabalho bonito”.

Se pudessem, o que gostariam de aperfeiçoar no quesito Comissão de Frente?

Priscilla: “Tenho uma visão muito particular porque acho que cada artista responsável por comissões de frente tem seu jeito de trabalhar. Falando sobre a nossa experiência, a cada ano agregamos mais etapas porque entendemos que certas coisas estão fazendo falta. Não trabalhamos mais sem fazer uma imersão teatral, por exemplo. Contratamos um preparador, fazemos com que ele entre no universo do enredo com a gente e isso faz com que o elenco se sinta prestes a estrear numa peça. Fazemos palestras, circuitos artísticos, rodas de exercícios e debates, antes mesmo de entrarmos na coreografia. Para o nosso trabalho, é uma coisa que enriquece muito. Agora englobando na parte do carnaval, acho que certas coisas atrapalham, mas sinceramente não sei como resolver. A questão da chuva é uma dessas. Todo mundo sofre, não só a comissão de frente, mas acredito que coisas possam ser melhoradas. A maneira como o quesito é julgado… Chegamos num momento em que a comissão de frente tem um papel tão importante no desfile que ela é técnica e subjetiva, mas nem sempre a subjetividade é entendida da mesma forma. Então, acho que precisamos ter mais conversas com os julgadores sobre o caminho, sabe?”.

Rodrigo: “Sim, e esse feedback deles, caso tenham alguma opinião relacionada ao nosso trabalho, pode servir de aprendizado para aprimorarmos no ano seguinte. Ter um bate-papo ajuda”.

Acham legal que tenha a apresentação apenas na frente do módulo de julgadores ou gostariam que a análise fosse como em São Paulo, pela pista toda?

Priscilla: “Antigamente, se não me engano em 2010, 2011 e 2012, eram cinco cabines. Agora só paramos três vezes e, naquela época, era obrigatório pararmos cinco vezes. Os setores eram mais privilegiados porque fazíamos o espetáculo completo mais vezes. Ainda nos preocupamos em, entre as cabines, criarmos coisas para os setores também. Não passamos batidos de um módulo até outro. Mas tudo que pode ser feito em andamento, sem parar, pode acreditar que fazemos para que o público veja”

Rodrigo: “Gostaríamos de fazer até mais, mas é uma questão de técnica e tempo de desfile. A gente não consegue porque tem o andamento da escola, e se parássemos muitas vezes atrapalharia tudo”.

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Como funciona o processo de criação de vocês? Quando se inicia e como se desenvolve a cada mês até o desfile?

Priscilla: “É árduo… Por exemplo, o carnaval de 2022 foi em abril. Viemos para a Viradouro em maio e já começamos a conhecer os artistas da escola, conversar com o Tarcísio. O enredo foi lançado e em junho já estávamos fazendo todos os testes. Depois, começamos com o processo da imersão, passamos a vir aqui periodicamente, vendo as fantasias saindo do papel e entendendo os setores. A partir disso iniciamos o desenvolvimento da comissão de frente. Tudo parte do princípio de estarmos aqui com o carnavalesco para sonharmos juntos e não ser algo do tipo ‘Unidos da Frente, Acadêmicos de Trás’”.

Rodrigo: “Sempre pensamos em fazer esse conjunto… enfim, muitas reuniões. Quando começamos a desenvolver o projeto, também temos uma cenógrafa que cuida disso. Normalmente em outubro iniciamos os ensaios com os bailarinos, três vezes por semana, mesclado com as outras preparações que mencionamos. Em janeiro passa a ser algo diário”.

Esse ano vocês não vão fazer comissão de frente na Série Ouro. É um “adeus” ou um “até breve”?

Priscilla: “Olha, atualmente está bem definido como um adeus. Acho que é impossível, pelo nível de exigência e cobrança que temos com o nosso trabalho. A União da Ilha ensaiou da mesma forma e com o mesmo empenho que a Mangueira. Como também existe a problemática dos recursos, você precisa se empenhar dez vezes mais para conseguir criar, às vezes, o mínimo. É muito complicado. Temos somente as mesmas 24 horas de um dia. Foi um processo de grande aprendizado e não nos arrependemos. A Ilha se superou e fez uma comissão linda, mesmo com as dificuldades que a Série Ouro enfrenta. Eles levaram uma comissão de frente que as pessoas amaram, nós também amamos. Foi muito gostoso, mas é bem difícil”.

Rodrigo: “Foi muito cansativo para a gente, somos muito intensos no nosso trabalho. Entendemos que trabalhar em duas escolas é quase impossível porque a gente deixa de viver. Também não temos dois grupos. O nosso grupo se dividiu e desfilou nas duas escolas. Para eles foi cansativo, fisicamente e psicologicamente. Ao mesmo tempo, tivemos a oportunidade de passar pela Avenida duas vezes. A gente trabalha tanto, nos ensaios e tudo mais, e parece que passa rapidinho. Quando entramos com a Mangueira, já não estávamos tensos. Enfim, agora é uma despedida e não pretendemos repetir a dose”.

Quando chegaram na Viradouro vocês falaram sobre o motivo de escolherem a escola. A estrutura dada é muito diferente das outras? O que é tão diferente?

Priscilla: “É diferente pela questão da atenção da equipe aos detalhes. É uma escola atenta que trabalha com antecedência para te dar a oportunidade de fazer o melhor. A gente não corre atrás do tempo, a gente corre atrás da qualidade. Não precisamos tentar resolver porque o tempo está acabando, não tem funcionário e não tem as coisas. Aqui temos o tempo, os funcionários e as coisas. A estrutura e a organização são muito boas, então a gente pode se dar ao luxo de ficar testando, buscando o melhor…A nossa passagem por outras escolas também nos trouxe muitas expertises que colocamos aqui. Tudo acaba sendo uma grande troca. Nós ensinamos e aprendemos. Acho isso muito legal no carnaval. Esse encontro de artistas, saberes e viveres”.

Rodrigo: “Essa atenção é fundamental. Já passamos por algumas escolas e entendemos a diferença. É desgastante estar perto do desfile e termos que resolver mais coisas. Aqui a gente não sente isso. Se pensamos em algo, eles tentam resolver para estar nas nossas mãos o mais rápido possível. A gente só precisa se preocupar mesmo com a parte artística, sem bater a cabeça por questões que não nos cabe”.

Entrevistão com Dandara Oliveira, musa da Vila Isabel: ‘O carnaval me abriu portas que eu jamais esperei’

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Musa da Vila Isabel, Dandara Oliveira se tornou uma grande figura dos desfiles de carnaval. Cria da agremiação, ela estreou na folia com apenas seis anos de idade. Neste tempo, tornou-se passista, princesa da bateria e atualmente é musa da comunidade. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Dandara  falou sobre sua trajetória e relação com a Vila, além da importância do surgimento de meninas como a ‘Dandara’ no mundo do samba.

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Dandara, musa da Vila Isabel

O que a Vila Isabel representa na sua vida?

“A Vila é a porta do samba do carnaval na minha vida. Minha família inteira é da Vila, eu sou nascida e criada na Vila, meus filhos também estão na Vila. São 26 anos dedicados a esse amor.”

Qual caminho você teve que percorrer para chegar em uma posição de destaque como musa?

“Eu comecei cedo. Comecei na ala das crianças, depois fui para a frente da bateria como princesinha da bateria. Ganhei o estandarte de ouro como melhor passista, vim na ala de passista; destaque de carro, princesa da bateria até chegar a musa da comunidade. São dez anos como musa da comunidade.”

Você acha que o processo está mudando e agora novas “Dandaras” estão surgindo? Tanto como rainha como musas?

“Sim, Graças a Deus. O samba está voltando a sua origem, porque no início o samba era, majoritariamente, comunidade. E agora com a ascensão da Mayara, com a Bianca que já está há um tempo, a Evelyn, estamos vendo que está voltando essa cultura. Na vila teve concurso de musas – para que além de mim, tenha mais uma musa da comunidade. É importante para o samba, até porque é a gente que faz isso. De onde vem a raiz do samba é a comunidade. É bom as pessoas se sentirem representadas.”

Você já participou de novelas e programas de TV. Até onde o carnaval te levou e como ele mudou a sua vida?

“Eu digo que o carnaval me abriu portas que eu jamais esperei. Eu conheço vários lugares, vários estados através do carnaval. Fiz a última participação em ‘Travessia’ por conta do bairro, por eu morar em Vila Isabel e da minha história com a Vila. A Gloria (Perez) me procurou por isso, pela minha história com a escola de samba. Eu acredito que se não fosse o carnaval, eu não conheceria metade dos lugares que conheço e nem teria a expansão que eu tenho, não só no carnaval do Rio mas em São Paulo. Eu sou conhecida através do carnaval. Com certeza a minha vida seria diferente se não fosse o carnaval.”

Qual o segredo para ter samba no pé?

“Graças a Deus o meu é de sangue (risos). Mas eu acho que todo mundo pode fazer parte do carnaval. Acredito que o carnaval é muito agregador, você não precisa nascer no samba para estar no samba. Eu acho que esse é o diferencial do carnaval para as outras festas. Acho que se você gosta e curte, vem e se ‘joga’ (risos).”

Você ensinou samba no pé para Sabrina. Como foi esse processo?

“Eu e a Sabrina já temos muito tempo juntas. No início, era um trabalho, hoje a gente já faz outro tipo de trabalho. Antigamente foi a questão dela desfilar no Rio e em São Paulo, já que as baterias são diferentes. Então a gente começou adequando esse ritmo dela com o daqui. Hoje em dia a gente não faz mais isso. É mais para recordar um pouco, já que fica muito tempo parada. As coreografias, bossas da bateria e a apresentação para os jurados. Cada ano a gente faz uma diferente.”

Se um dia a Sabrina Parar, você indicaria uma menina da comunidade?

“Acho que sim. Acredito que a Vila e outras escolas merecem. Acho que não só a Sabrina, mas outras rainhas também. Acho que tinha que valorizar mais gente de casa. Graças a Deus, a Vila, além de mim, agora tem outra musa da comunidade. Só de lembrar que tem gente aqui já é importante.”

Você acredita que a Vila está se reaproximando da sua comunidade?

“Com certeza. Nesse último carnaval, nos acostumamos a ver componentes, que a gente não via mais na quadra, estarem presentes na quadra. A comunidade está muito feliz com a apresentação da escola. A gente voltou a fazer ensaio no morro, coisa que não fazíamos há algum tempo.”

Ser esposa do mestre de bateria ajuda no dia a dia ou vocês evitam falar sobre a Vila dentro de casa?

“Não ajuda e nem atrapalha (risos). Ele me mostra muita coisa que ele cria para ver se eu gosto ou saber o que acho. Acho que esse trabalho é importante: ele me ajuda no meu e eu ajudo no dele (risos).”

O pequeno já está seguindo no caminho do carnaval?

“O Gael gosta muito. Ele tem dois anos. A gente até brinca dizendo que não sabe de onde vem esse amor, mas ele é apaixonado no Tinga. Ele não pode escutar o samba da Vila que ele ama o Tinga. Eu não sei se ele vai ser ritmista ou puxador, mas no samba ele vai vir (risos).”

O que sua fantasia vai representar esse ano? Qual a diferença da fantasia dessa para a fantasia da última passagem dele pela Vila?

“Eu disse para o Paulo que ele realizou um sonho meu. Eu acompanho muito essa festa, sou apaixonada por ela e o Paulo me deu esse presente para eu poder me apresentar na Avenida com a minha escola. É linda. A minha, no último ano dele, eu vim na frente da bateria como princesa, em 2018. Foi mais tecnológica, tinha muito led, muita coisa. Eu posso dizer que essa é mais tradicional, mas tão linda quanto.”

É O CPX! Componentes e torcedores da Imperatriz vão à avenida com orgulho de ser do Complexo

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Após a polêmica criada durante as eleições do último ano por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tentaram marginalizar o termo CPX, a Rainha de Ramos vem com toda a força de sua imponente história somada a garra da comunidade para defender o complexo, combater o preconceito criado sobre a sigla e buscar o pódio. Em entrevista ao CARNAVALESCO, gresilenses destacaram o óbvio: CPX é sinônimo de gente boa e trabalhadora. Não de traficantes.

Mayara Simões, de 31 anos, é passista da Imperatriz e cria do Complexo do Alemão. Orgulhosa, ela destacou que os moradores abraçaram a escola.

“A escola vem há muito tempo procurando e idealizando esse patamar que hoje estamos. Hoje a comunidade abraça e se alegra com essa fase da escola. […] Com esse resgate, faremos o possível para trazer esse título de volta a Ramos, uma escola tão tradicional e importante não só para o carnaval, mas, acima de tudo, para a nossa comunidade”, disse Mayara.

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Mayara também ressaltou a mensagem que a agremiação deseja passar: o Complexo é lugar de gente do bem, e garantiu que não sente vontade de ir morar em outro lugar.

“É lugar de gente trabalhadora, de bons profissionais, de boas indústrias. A gente vê não só como uma comunidade, mas um local que você olha e vê grandes talentos. É um lugar de pessoas menos favorecidas sim, mas, se tiverem oportunidade, vão chegar mais longe do que muitas pessoas mais favorecidas.[…] A minha comunidade é tudo para mim. Eu não desejo sair de lá. Óbvio que eu desejo sim melhorar minha casa para ter um maior conforto, mas sair da minha comunidade, nunca”, completou.

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Thamires Pereira, de 31 anos, disse que as notícias falsas sobre a sigla não passam de uma bobagem. Para ela, a relação entre comunidade e Imperatriz é fundamental.

É uma sigla do Complexo do Alemão, onde fica a nossa quadra. Eu acho que é uma extrema bobeira essas notícias falsas”, ressaltou. “Era justamente essa relação que estava faltando. A comunidade de Ramos precisava desse reencontro com a Imperatriz e a gente está amando muito. Eu amo ser CPX!(risos)” contou Thamires.

 

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Mesmo quem ainda é adolescente já entendeu a importância de levar o nome para a Marquês de Sapucaí, e disse sentir orgulho de ser CPX. Luiza Cardoso, de apenas 15 anos, assistia da frisa o ensaio de sua escola do coração e lembrou que o preconceito também existiu com o samba.

O samba em si, na verdade, sempre foi muito marginalizado. Tudo isso tem que mudar. As pessoas que moram na favela não fazem mal a ninguém. Elas amam, vivem, tem amor à escola. Tem que valorizar e ter menos marginalização. […] Eu acho uma coisa linda (a aproximação da Escola). Muita gente reclamava do fato das rainhas serem de fora da comunidade. Agora estamos vendo uma maior aproximação”, declarou a jovem.

 

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E mesmo quem não é da comunidade sabe a importância da quebra de paradigmas. Bruno Lopes, de 37 anos, vai desfilar na ala 484. Na entrevista, ele afirmou que a relação entre comunidade e escola vem crescendo, destacou que a polêmica não tem sentido e que ela ficará para trás.

Não faço parte da comunidade, mas, com certeza, isso é muito importante para eles.[…]Isso não tem nada a ver (fake news). E, graças a Deus, saiu quem estava por trás disso. Vai ser melhor agora.”, enfatizou Bruno.

 

COMO SURGIU A FAKE NEWS SOBRE CPX

Em outubro do ano passado, em visita ao Complexo do Alemão, o então candidato à presidência, Lula, recebeu de um líder comunitário um boné com a sigla CPX, o qual passou a usar durante a campanha na localidade. Após isso, parlamentares e apoiadores bolsonaristas passaram a associar a sigla CPX com ‘cupincha’, um termo que significaria ‘parceiro do crime’. Rapidamente, ONGs, autoridades, líderes comunitários e moradores reagiram: CPX é Complexo, lugar de trabalhador. Neste Carnaval, a Imperatriz Leopoldinense vem para consolidar o nome e enterrar de vez qualquer fake news.

Entrevistão com Edson Pereira: ‘Esse carnaval do Salgueiro é o da minha vida’

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Filho de uma família humilde, Edson Pereira certamente não trilhou os mesmos caminhos que a maioria dos carnavalescos. Talvez por isso, sua concepção de carnaval seja mais ampla e admirada. Nos últimos anos, provou que sua carreira está numa crescente evolução. Em 2023, Edson recebe um novo desafio: ser carnavalesco do Salgueiro pela primeira vez.

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Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, Edson abriu as portas de sua sala no barracão do Salgueiro, para responder perguntas sobre seu passado e dividir pensamentos que resumem sua essência.

Quais são suas principais referências como carnavalesco?

Eu queria dizer, primeiro, que por mais que as pessoas deem essa conotação de carnavalesco, eu não me considero um carnavalesco. Me considero mais um operário do carnaval. O carnaval é a referência da minha vida. Tenho uma história que o carnaval construiu e resgatou. Então, essa crescente que mencionam ao citar a minha carreira, é um orgulho muito grande, porque não é simplesmente querer ser carnavalesco ou ser carnavalesco. A vida te coloca ali. Eu fui colocado ali. Eu me orgulho muito de chegar no Salgueiro como carnavalesco, ou da maneira que as pessoas queiram me colocar. Como disse, me enxergo mais como um operário. Já trabalhei em todos os setores do barracão, como a carpintaria, a ferragem, a costura… Gosto muito disso.

Profissionalmente, qual é seu desfile inesquecível que fez?              

Tem alguns. Acho que cada carnaval que você faz é como um filho, e um filho não morre, ele segue com você durante a sua vida. Fiz um carnaval na Unidos de Padre Miguel sobre Ariano Suassuna, onde tive a oportunidade de conviver com ele. Isso foi um presente e eu aprendi muita coisa. Infelizmente, dias depois ele veio a falecer e foi um carnaval que fiz triste, mas chorei muito porque no dia do desfile senti a presença dele. Vi que ali estava o Ariano Suassuna do jeito que ele queria ser representado. Me marcou demais. Outro carnaval foi o de 2018 da Viradouro, no qual fui campeão, sobre os loucos gênios da criação. Foi um carnaval em que… Eu tinha um passado com a Viradouro que me fazia sentir na obrigação de reverter. A escola teve um rebaixamento numa época em que eu também estava fazendo parte da equipe de criação, e eu me sentia responsável. Queria trazer a Viradouro de volta para o Grupo Especial, lutei para realizar isso e consegui. Me deixa muito feliz saber que fiz parte dessa volta da escola. Acho que esse carnaval de agora é o carnaval da minha vida. Cada um que a gente faz a gente fala isso, não é mesmo? Mas esse carnaval no Salgueiro é, de fato, o da minha vida.

E de outros carnavalescos, qual é o seu desfile predileto?

Sou formado como figurinista, mas na minha infância… Bom, eu sou de Bangu, ali de Padre Miguel. Eu assistia aos desfiles do Renato Lage e me inspirava muito no que ele fazia, porque acreditava que era o que eu queria fazer. Eu era só uma criança, e eu assistia naqueles coretos de bairro. Não ia lá para me divertir, mas para sentar nas barraquinhas com televisões. Assisti “Chuê, Chuá”, “Vira Virou”… Depois trabalhei com a Rosa Magalhães na Imperatriz, em 1994. Eu era apenas um pintor de arte dentro do barracão, mas a paixão foi crescendo. Aí fui para a Ilha ser pintor na época do Chico Spinoza, e ele foi uma grande referência para mim porque ele já tinha essa pegada sustentável, de fazer carnavais sustentáveis. Isso me chamava atenção e fez parte da minha formação como artista. Foi importante para mim ver essa transformação de um material inesperado, simples e alternativo, num material de carnaval tão luxuoso que brilha na Avenida.

Como artista, o que você prefere fazer: alegorias ou fantasias? E por qual motivo?

Não, não tenho essa preferência. Tenho o objetivo de fazer sempre o melhor. Quando as pessoas falam que as proporções do carnaval do Edson são diferenciadas, é porque eu entendo que o carnaval é o maior espetáculo da terra. Temos que fazer o maior e o melhor sempre, tanto em fantasia quanto em alegoria.

Qual é o tamanho da responsabilidade de fazer o Salgueiro na sua carreira?

Muito grande. Acho que nunca senti… não posso falar a palavra peso porque acho que não cabe, soa pejorativa. Mas a responsabilidade de fazer um carnaval no Salgueiro é uma experiencia completamente nova na minha vida. A gente se pauta muito em fazer o melhor, mas existe toda uma cadeia que alimenta e sustenta essa grandiosidade que é o Salgueiro, que você não pode decepcionar. E eu me baseio nisso porque me cobro muito para não decepcionar o espectador, o torcedor do Salgueiro.

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Era o seu sonho profissional ser o carnavalesco do Salgueiro?

Acho que é o sonho de qualquer carnavalesco, sabe? Mas falando especificamente sobre mim, é sim. Nem parece totalmente verdade.

É inegável sua habilidade em fazer a Unidos de Padre Miguel. Qual é o segredo dessa sinergia?

Comecei a fazer o carnaval da Unidos de Padre Miguel no Grupo D, na Intendente Magalhães, em 2005. É uma escola que tem quase 66 anos, se não me engano. Ela viveu, com toda essa idade, um tempo sendo apagada e esquecida. Quando eu fui para lá, não sabia nada de carnaval, sabia fazer arte. Eu sabia o que queria fazer. A UPM me ensinou muita coisa e eu ensinei também. Então, é um casamento que deu certo, porque lá eu precisei ser presidente, carnavalesco, gestor, diretor de carnaval, aderecista, carpinteiro… precisei ser tudo. Isso me deu uma experiencia enorme e eu valorizo muito isso. O fato de colaborarmos até hoje é justamente por isso. Tenho uma gratidão enorme pela escola porque acreditaram num menino que era invisível para a sociedade. Deu certo e continua dando certo. Não posso esquecer a UPM, virar as costas, de forma nenhuma, porque ali existe uma base consolidada. Enquanto eles precisarem de mim, estarei à disposição.

Falando em Unidos de Padre Miguel, como você consegue conciliar fazer duas escolas no mesmo ano? Em 2022, você fez três com a Mocidade Alegre em São Paulo.

O mais difícil não é fazer duas ou três escolas. O mais difícil é fazer bem. Mais difícil ainda é quando você é uma pessoa que se cobra muito. Esse ano decidi me dedicar mais ao Salgueiro e a Unidos de Padre Miguel que estão aqui no Rio, porque quando estava fazendo em São Paulo, eu viajava mais de três vezes por mês. Para fazer um carnaval do Edson, precisa ter a cara do Edson, então eu queria estar presente. O telefone não parava, fazíamos chamadas de vídeo o tempo todo. Foi um momento ainda mais conturbado porque veio a pandemia, e aquele carnaval de um ano virou de três anos e não acabava nunca. O processo do carnaval não é esse processo romantizado que muitas pessoas idealizam, é muito trabalhoso. Você pesquisa muito, lê muito, estuda muito e, claro, precisa de uma boa equipe. Eu atribuo esses excelentes carnavais a uma excelente equipe que trabalha comigo. A Denise, o Ruan, o Arthur… e outras pessoas que também trabalham comigo nas escolas. É um trabalho que não para. Já estamos pensando no próximo carnaval, e esse ainda nem acabou. Já conhecemos as regras do jogo e não fugimos dela, sabe?

Componentes da Independente celebram bom retorno da escola ao Grupo Especial

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Abrindo os desfiles do Grupo Especial do carnaval de São Paulo em 2023, a Independente Tricolor cantou forte para defender o enredo “Samba no pé, lança na mão, isso é uma invasão!”, apresentado na sexta-feira de carnaval (17). Com temática remetendo à Grécia Antiga, os componentes tiveram grandes momentos na avenida. E, em entrevista ao CARNAVALESCO, componentes importantes para a execução da escola comentaram a respeito da exibição.

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Mestre Cassiano Andrade (diretor de bateria)

“São de nove a dez meses ensaiando direto, a gente se prepara desde muito antes, a gente começa o trabalho muito antes, muito cedo. Escolinha, ensaio específico de naipe… quando sai o samba, a gente entrega tudo o que a gente pode, a musicalidade que a gente tem para a música, para o enredo. E, hoje, depois de tanta coisa, tantos ensaios, dificuldade, porque no meio do caminho tudo acontece, a gente passou por cima de tudo e conseguiu colocar a bateria na pista, logo no primeiro trabalho no Grupo Especial. Foi muito gratificante fazer esse trabalho. Eu estou muito feliz”.

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“O grande momento para a bateria é o desfile inteiro. O apagão é o momento em que a gente mostra que a escola está forte de verdade, que a gente está preparado. O apagão também mostrou que os ensaios deram muito certo”

Pê Santana (intérprete)

“Graças a Deus, executamos tudo aquilo que ensaiamos ao longo dessa temporada. Deu tudo certo. Quando termina o carnaval, a gente tem um senso crítico muito forte, a Independente é muito chata em termos de fantasia e alegoria, somos chatos demais. Chamamos a nossa direção de Harmonia agora e, graças a Deus, foi bem positivo”.

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“O forte da Independente, eu sempre digo em todas as entrevistas, é o canto da escola. Toda escola de samba tem um ponto forte, os outros departamentos a gente está trabalhando. Nós somos a escola caçula, temos apenas doze anos de existência. Por ser oriunda de uma torcida organizada, da arquibancada, nós temos uma facilidade muito forte de cantar absurdamente. É muito fácil fazer um apagão e trabalhar com a nossa comunidade. Acho que somos umas das poucas agremiações do carnaval de São Paulo que tem doze alas da casa que há mais de dez anos desfilam os mesmos componentes. A gente conhece só no olhar! Isso facilita muito para ouvir o que ouviram hoje, que foi um canto muito forte da nossa escola”.

Alessandro Oliveira Santana (Batata) (presidente)

“Vendo aqui de baixo, foi perfeito, sim. Vamos ver por cima, a parte técnica. Mas, no contexto geral, foi um grande desfile. Conseguimos passar a nossa mensagem. Foi um grande carnaval”.

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“Acho que o momento que o pessoal mais respondeu foi o Cavalo de Troia. Foi o ‘boom’ do nosso carnaval. Esse cavalo representa muito para nós. Foi um grande carnaval”.

Amauri Santos (carnavalesco)

“Na minha visão, foi perfeito, sim. Não sou muito técnico, penso muito na plástica, mas, na minha visão e pelos comentários, acredito que tenha sido um desfile correto, como nós desejávamos. Um desfile técnico, com tantos ensaios que tivemos, a escola cantou… acho que correu tudo bem”.

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“Acredito que a arquibancada respondeu quanto às alegorias, sim. Nós temos uma equipe muito bacana de barracão, comandada pelo Emerson Branco, de alegoria, que tem um cuidado excessivo e é um cara guerreiro, devo muito a ele por esse trabalho. Nós também temos uma equipe de fantasias, corremos atrás e fizemos tudo dentro do barracão para que não tivesse problema nenhum. Acredito que não tenha, mas vamos aguardando. Tentamos fazer o desfile mais técnico possível”.

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“Acho que a abertura e o fechamento tiveram bastante destaque. A abertura pela grandiosidade do nosso abre-alas e o fechamento porque acho que todo mundo gostou bastante do nosso Cavalo de Troia gigantesco. Acho que foi bacana”.

Superação por chuva na concentração marca sentimento da Unidos de Vila Maria após desfile

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Após uma torrencial chuva que caiu enquanto a Unidos de Vila Maria estava na Concentração do Anhembi, a azul-e-verde da Zona Norte paulistana cantou a própria história no enredo “Vila Maria. Minha Origem. Minha Essência. Minha História! Muito Além do Carnaval”. Quarta escola a desfilar na sexta-feira (17) no Grupo Especial do carnaval paulistano, a agremiação demonstrou muita emoção por mostrar ao mundo um pouco da própria agremiação, de acordo com entrevistas realizadas pelo CARNAVALESCO após a exibição.

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Cristiano Bara (carnavalesco)

“Aqui foi tudo perfeito. Depois de muita chuva na Concentração, vento, voa tudo, anda carro, Nossa Senhora patinava, a gente estava protegido por ela e fizemos um grande desfile, um grande espetáculo para conquistar o título tão sonhado”.

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“Nós não fizemos um enredo sobre o bairro, falamos da escola e trouxemos essa essência, que são as escolas que moram no bairro. Foi uma felicidade muito grande, a gente viveu isso o tempo todo. Eu e toda a minha equipe, eu não faço carnaval sozinho. Preciso de uma equipe e a gente viveu seis anos da Vila Maria comigo. A coisa foi muito fácil, nós fizemos figurinos que a gente tirava da cabeça porque não tinha no papel. Foi uma tranquilidade muito grande porque a gente vivia isso o dia inteiro. Eu bebi dessa água, fui tratado pela fisioterapia da escola… é o viver todo dia que fez a gente projetar e produzir um grande desfile e um grande carnaval para que a gente possa levantar o título tão sonhado da Vila Maria”.

Wander Pires (intérprete)

“O samba fluiu perfeitamente! Foi maravilhoso, foi lindo, lindo, lindo. Um momento único. Foi melhor do que a gente esperava. Esse povo é maravilhoso. Agora é esperar terça-feira, com fé em Deus ele vai nos abençoar com o nosso primeiro título”.

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“É isso que eu queria comentar, obrigado pela oportunidade. O pessoal comprou a ideia, o pessoal abraçou a ideia do enredo da Vila Maria. Eles cantavam a Vila Maria como se a Vila Maria fosse deles! Eles cantavam como se eles fossem componentes da Vila Maria diretamente da arquibancada. Isso foi maravilhoso”.

Mestre Moleza (diretor de bateria)

“Diante de todas as dificuldades que tivemos na Concentração, com um verdadeiro dilúvio, papai do céu abençoou e nós tivemos discernimento para fazer uma estratégia, principalmente com os instrumentos, em especial os surdos, que a gente sabe que chuva e instrumentos de couros são inimigos. Não fizemos o Esquenta, tinha muita água e deixamos a ala musical cantar, e só colocamos os surdos para tocar quando estava valendo, no samba do ano. Tudo isso para, quando entramos, a chuva para. Eu tenho vinte e poucos anos de carnaval, dezesseis como mestre de bateria, e nunca tinha passado por isso. A experiência de ouvir e aprender com os mais velhos, que foram homenageados nos nossos instrumentos, fez com que a gente conseguisse manter a qualidade dos ensaios. Estamos muito felizes com o resultado, conseguimos fazer o que ensaiamos, as paradinhas e as bossas. A galera caiu dentro no primeiro setor e na Monumental. A gente vinha sentindo que os arranjos e as bossas tinham energia e impacto, às vezes a gente cria algumas coisas e pensa que tem impacto, mas pra quem vai receber não é bem assim. Nesse ano nós conseguimos fazer esse casamento, primeiramente da comunidade e, depois, do público presente. A gente sai feliz e, literalmente, de alma lavada, molhado. Tem que se trocar rapidinho porque, se não, vamos ficar gripados”.

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“Foi só a afinação dos surdos, na verdade. Tá todo mundo molhado, enxarcado, mas isso traz uma motivação para o pessoal se animar e cantar. Temos uma bateria jovem, então isso não comprometeu. O que eu fiquei receoso foi essa água. Parece que o tempo foi certinho, do Esquenta e de conseguir poupar os surdos, de deixá-los virados. Temos a proteção, os plásticos nos instrumentos, porém, quando vem muita água, não tem nada que faça segurar a afinação. Quando começou a chuva, não pegamos mais chuva, então não impactou tanto. Nossos diretores são muito experientes e competentes, conseguiram segurar a afinação até o final do desfile”

“O canto foi diferente, sim. Você sentia o povo e a escola mais leves, o samba é de fácil assimilação, caiu no gosto da comunidade. Falando do quesito Harmonia, foi o ano em que a escola mais cantou, foi o ano em que tivemos mais aceitação do público pelo samba, pelos refrãos, que são gostosos de ouvir, suingados. Tinha tudo a ver com a letra, também, com solos de naipes. A gente está feliz, ficamos receosos com a chuva, pensamos que ensaiamos tanto para tomar essa chuva… mas a gente sabe que tudo tem um porquê”

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Adilson José de Souza (presidente)

“Foi perfeito dentro da condição em que nós estávamos. Tomamos uma chuva muito grande. Tudo para que quem não fosse de personalidade, que quem não tivesse oa vontade de fazer o que foi feito, não faria. Ficamos molhados, perdemos contato de rádio, pifaram todos. Se você colocar tudo isso e ver o que foi feito na avenida, foi um desfile de esplendor. Mostrou o que é uma escola de samba unida, que tem a definição de onde elas são e querem ir. A Vila Maria é bem complexa, só quem é entende”.

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“Dentro desse canto todo que vimos, é importante para nós, que somos apaixonados pela escola e vimos a escola crescer e se estruturar, também, a arte e a verdade que são mostradas. É um enredo que às vezes se mostra algo que você não consegue identificar, uma figura diferente… aqui é história, verídica, de fato e vivida. Muitos adultos, pessoas de idade e as crianças vem vivendo esse sentimento”.