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Luto no carnaval paulista, morre mestre Neno

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Roberto Moreira Junior, mestre Neno, faleceu neste domingo, vítima de infarto fulminante, ele foi um consagrado comandante de bateria do Camisa Verde. Neno comandou a Furiosa da Barra por 20 anos, o auge esteve na primeira passagem de 1990 até 2005, onde conquistou seis títulos. Mas, além disso, marcou pela sua bateria diferenciada, arrojada e conquistou muitos fãs, e claro, discípulos.

neno
Foto: Reprodução redes sociais

A história não era somente no carnaval, o músico fez parte da banda dos sambistas Bezerra da Silva, Branca de Neve e Reinaldo. Ou seja, atuou com grandes nomes do samba e pagode. Atualmente seguia em atividade, comandava a Batucada Nossa Tradição, que foi fundada em 2022 por ex-ritmistas do Camisa Verde e Branco.

O legado é mantido por seus filhos, Luís Felipe que comanda a bateria da Camisa 12, e mestre Neninho que é o comandante da bateria da Pérola Negra. Neno sempre acompanhou seus filhos, inclusive, neste último carnaval esteve presente na avenida. Os seus sobrinhos também são ativos dentro das baterias paulistanas como diretores e ritmistas.

Vai e vem do samba SP: Rosas e Gaviões agitam mercado na última semana

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O mercado do carnaval paulistano vai se agitando e as escolas vão fazendo suas movimentações, sejam de renovações ou contratações para a próxima temporada. Considerando apenas o Grupo Especial, seguem as últimas novidades de cada escola e toda atualização do Vai e Vem até o momento:

desfile rosas de ouro 13
Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Águia de Ouro
A Águia de Ouro não teve novidades divulgadas nas últimas semanas, por enquanto foram três situações definidas.
Vai: Sidney França (carnavalesco)
Renovação: Lysandra e João Carmago (casal), Ruy Oliveira (coreógrafo)

Barroca da Zona Sul
Tem sido ativo em anunciar renovações de diversos setores da escola, por enquanto o saldo é o seguinte nos quesitos.
Vai: Rodrigo Meiners (carnavalesco), Monalisa Bueno (porta-bandeira) e Marcão (diretor de carnaval)
Vem: Pedro Alexandre ‘Magoo’ (carnavalesco)
Renovação: Pixuleh (intérprete), Fernando Negão (mestre de bateria), Chris Brasil (coreógrafo), Marquinhos (mestre-sala)

Camisa Verde e Branco
De volta ao Grupo Especial, o Camisa Verde e Branco não anunciou nenhuma novidade até o momento da matéria, mas postou que ‘em breve’ novidades com reações do carnavalesco Renan Ribeiro e do intérprete Igor Vianna.

Dragões da Real
Renovada com a equipe inteira, Dragões da Real não tem mais o que anunciar dos principais cargos para 2024.
Renovação: René Sobral (intérprete), Jorge Freitas (carnavalesco), Klemen Gioz (mestre de bateria), Ricardo Negreiros (coreógrafo), Rogério Félix (diretor de harmonia), Márcio Santana (diretor de carnaval), Janny Moreno e Rubens (casal)

Gaviões da Fiel
Anunciou um trio comandando o time de artistas dos Gaviões da Fiel, e é um trio jovem, o Julio Poloni renovou. Já Rodrigo Meiners veio da Barroca da Zona Sul, e o Rayner Pereira terá primeira missão como carnavalesco. Mas por enquanto a única movimentação envolvendo Gaviões.
Vai: André Marins (carnavalesco)
Vem: Rodrigo Meiners (carnavalesco) e Rayner Pereira (carnavalesco)
Renovação: Julio Poloni (carnavalesco)

Independente Tricolor
Renovou com o time completo para a próxima temporada, depois de bater na trave do desfile das campeãs.
Renovação: Pê Santana (intérprete), Amauri Santos (carnavalesco), Cassiano Andrade (mestre de bateria), Arthur Rozas (coreógrafo), Douglas Neto, Arnaldo, Aguinaldo e Douglas Silva (diretoria de harmonia), Luciana Moreira (diretor de carnaval), Thais Paraguassu e Jefferson Antony (casal)

Império de Casa Verde
Divulgou rapidamente renovação de diversos quesitos, só não divulgou renovação dos diretores de carnaval e harmonia. No restante, tudo acertado oficialmente para 2024.
Renovação: Tinga (intérprete), Leandro Barbosa (carnavalesco), Robson Zoinho (mestre de bateria), Anderson Rodrigues (coreógrafo), Rodrigo Antônio e Jéssica Gioz (casal)

Mancha Verde
Sem novidades, a Mancha já trabalha no carnaval de 2024, foi a primeira a anunciar seu enredo e tem cronograma pronto para o próximo carnaval. Não divulgou oficialmente os mestres de bateria que assumiram, mas internamente já trabalham no projeto.
Vai: Guma Sena (mestre de bateria)
Vem: Cabral e Viny (mestres de bateria)
Renovação: Fredy Viana (intérprete), André Machado (carnavalesco), Wender e Marcos (coreógrafos), Marquinhos, Bruno e Danilo (diretoria de harmonia), Paolo Bianchi (diretor de carnaval), Adriana Gomes e Marcelo Luiz (casal)

Mocidade Alegre
Novidade foi a renovação da Natália Lago e a saída oficial da Karina que ficou ausente em 2023 devido sua maternidade, e a ideia era retornar em 2024, mas decidiu não ficar. Segue sem um anúncio oficial sobre as renovações no diretor de harmonia, Magno, e o coreógrafo Jhean Allex.
Vai: Jefferson Gomes (mestre-sala)
Renovação: Igor Sorriso (intérprete), Jorge Silveira (carnavalesco), Mestre Sombra (mestre de bateria), Junior Dentista (diretor de carnaval) e Natália Lago (porta-bandeira)

Rosas de Ouro
Silenciosa, em uma só movimentação de troca, já agitou o carnaval inteiro, saída do pesado nome, Royce do Cavaco, e junto o Hudson Luiz. Para a chegada de Carlos Jr, que estava na Tucuruvi, peso enorme, ou seja, movimentou nomes pesados do microfone paulistano.
Vai: Royce do Cavaco e Hudson Luiz (intérpretes) e Everson Sena (mestre-sala)
Vem: Carlos Jr (intérprete)

Tatuapé
A agremiação renovou o time inteiro na última semana, começando pelo carnavalesco Wagner Santos, passando pelo casal Diego e Jussara, o coreógrafo Leonardo Helmer e o intérprete Celsinho. Pois a escola não parou, garantiu o Edu Sambista na diretoria de harmonia e o mestre Higor comandando a bateria.
Renovação: Celsinho (intérprete), Wagner Santos (carnavalesco), Higor (mestre de bateria), Leonardo Helmer (coreógrafo), Edu Sambista (diretor de harmonia), Eduardo Santos, Erivelto Coelho, Higor Silva, Toninho, Edu Sambista e Wagner Santos (diretoria de carnaval), Diego e Jussara (casal)

Tom Maior
Renovação em massa da Tom Maior para a próxima temporada, só não anunciou sobre o fico do Judson Salles que é o diretor de carnaval.
Renovação: Gérson Silvestrone e Bruno Freitas (diretores de harmonia), Ruhanan e Ana Paula (casal), André Almeida (coreógrafo), Mestre Carlão (mestre de bateria) e Gilsinho (intérprete)

Tucuruvi
O primeiro anúncio foi logo a saída do intérprete Carlos Jr, o que agitou bastante as redes da escola. Mas parou por aí até o momento…
Vai: Carlos Jr (intérprete)

Vai-Vai
Após retorno ao Grupo Especial, o Vai-Vai renovou sua equipe quase por completo. Restam detalhes sobre a diretoria de carnaval e de harmonia.
Vem: Sidney França (carnavalesco)
Renovação: Fabíola e Renato (casal), Robson Bernardino (coreógrafo), Tadeu e Beto (mestre de bateria) e Luiz Felipe (intérprete)

Diego Falcão e Winnie Lopes formam novo casal da Em Cima da Hora para 2024

Após anunciar a chegada de sua dupla de carnavalescos para o próximo ano, a Em Cima da Hora foi buscar um novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Diego Falcão e Winnie Lopes terão a responsabilidade de conduzir o pavilhão Azul e Branco de Cavalcanti no Carnaval 2024, na Marquês de Sapucaí.

casal emcimadahora
Foto: Divulgação

Formado na escola do mestre Manoel Dionísio, Diogo foi 1º mestre-sala da Portela por três anos, assim como na Porto da Pedra, além de uma longa passagem pela Cubango, passando também por Arranco, Unidos de Bangu e Caprichosos de Pilares. “O pavilhão da Em Cima da Hora tem muita tradição e vamos trabalhar forte para trazer as notas máximas”, disse.

Winnie Lopes chega à Em Cima da Hora após conduzir o pavilhão da União da Ilha de 2015 a 2021. Experiente, também passou por escolas como Inocentes de Belford Roxo, Unidos de Lucas, União de Jacarepaguá e Cabuçu. “Será uma experiência incrível e tenho certeza que a comunidade de Cavalcanti vai se sentir representada”, declarou a porta-bandeira.

A Azul e Branco de Cavalcanti vem trabalhando forte para montar uma equipe forte visando o próximo carnaval e, além de Diego Falcão e Winnie Lopes, anunciou a chegada dos carnavalescos Rodrigo Almeida e Ricardo Hessez, além das renovações do mestre de bateria Léo Capoeira e da diretora da ala das baianas, Sidnea de Freitas.

Sinopse do enredo da Portela para o Carnaval 2024

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Enredo: “Um Defeito de Cor”

Argumento

Para o carnaval de 2024, o sonho da GRES Portela está baseado no principal fator simbólico que dá consistência para ela ser o que é e chegar onde chegou: O Afeto. Ancestralidade cultuada no sagrado feminino, no terreiro da mãe de todas as outras que vieram depois, a Iyá centenária.

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Foto: Divulgação

Baseado no romance “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves, o enredo traz uma outra perspectiva, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luiza Mahim. Essa poderia ser a história da mãe de qualquer um de nós, ou melhor dizendo, é a história das negras mães de todos nós.

Escolhemos este tema, que será contado através deste enredo, por entender a importância e a necessidade de celebrar e cultuar na arte, na cultura, junto do maior mecanismo de comunicação deste país (os desfiles das escolas de samba), a trajetória de uma negra matriarca que se confunde a tantas outras até os dias de hoje. Precisamos não apenas nos espelhar na história, mas principalmente valorizar as descendentes desses movimentos de coragem por amor à continuidade. Através de seu filho, Luiz Gama, sonhamos com uma carta onde o importante abolicionista responde a sua mãe sobre o legado da memória que ela deixou: o livro.

Afastados enquanto ele ainda era menino, o desenvolvimento demonstra o tamanho do orgulho que o mesmo sente das façanhas de sua heroína. Narrar essa história é como narrar a busca pelo sentido da nossa existência enquanto sujeitos negros ativos neste Brasil. Por que somos? Por que assim fazemos? Por quem lutamos? Em memória do que?

Nossos passos vêm de longe e necessitamos honrar cada pegada trilhada na dor que é ser uma negra na história afro-brasileira. Identidades plurais que são moldadas a todo tempo. A saga de uma mulher que se incorpora a tantas outras que lhe atravessam, ensinam e revigoram, em um legado de persistência na insistência de sobreviver. Inúmeras trajetórias diferentes, vivenciadas por gerações e gerações de escravizados ao longo dos anos, e sabemos, até hoje por todas as mulheres que nasceram com este defeito de cor.

Em nós, até a cor é um defeito. Um imperdoável mal de nascença, o estigma de um crime. Mas nossos críticos se esquecem que essa cor é a origem da riqueza de milhares de ladrões que nos insultam; que essa cor convencional da escravidão, tão semelhante à da terra, abriga, sob sua superfície escura, vulcões, onde arde o fogo sagrado da liberdade“. – Luiz Gama

A Carta

Minha mãe, aqui quem te escreve é Omodunte. Recebi a carta que me deixaste. Sim, estou de volta. Vim com o vento, tal qual um Abikú Fefee, inesperadamente. Lembrando das histórias que me contava, estou tal qual um pássaro, como se voasse, buscando em
minha cabeça cada lugar que pisou, capaz de ser você em cada encontro que tivesses nesses longos anos.

Até hoje quando repasso tuas memórias, procuro ter olhos de Daomé, olhos de jeje, olhos de águia (que era o espírito preferido da mãe de vossa mãe). Agarro-me ao poder de sentir o cheiro, de ouvir o som, de sentir a terra sob meus pés, de ver as famílias no mercado, os bichos que correm, o barulho das crianças e a calmaria no fim da tarde – mas nunca serei capaz de imaginar tudo o que sentiste na pele.

Sou capaz, minha mãe, de sentar à sombra de uma árvore qualquer e pensar ser uma gameleira, um Iroko, e dali mesmo ver a ti, sorrindo e brincando, com tua irmã Taiwo, como todo Ibeji deve ser. Ibejis, como bem me ensinou, trazem boa sorte e riqueza para a família em que nascem. E que sorte a tua ainda ter vivido e aprendido com as tuas mais velhas.

Luiza, minha mãe, todas as vezes que fui ao mar eu vislumbrava o manto de Iemanjá, enxergava as ondas tecer o pano que usava Durójaiyé, minha ancestral, raiz da nossa árvore. Todas as vezes que eu fui ao mar, imaginei a dor que passou. O mar deveria ser negro, se não pela quantidade dos nossos que a ele foram jogados, talvez pela solidão que ele causa em seu infinito incerto. A solidão, minha mãe, é negra feita a noite, mas a noite é uma mulher preta – e quem está com ela nunca está só.

Nesta carta eu te chamo pelo nome, Kheinde, teu verdadeiro nome, pois sei que muitos ainda vão lê-la e espero que não te confundam. Uma mulher negra pode ser feita de muitas outras, mas não pode ser confundida, pois cada uma carrega sua própria história e devem ter o direito de contá-las. Tanto não são iguais que, aposto, minha mãe, que muitas fizeram o mesmo ao chegar nos portos desta terra: jogaram-se ao mar. Muitas se jogaram para fugir, mas eu me vejo quando tu relata que pulaste nas águas não apenas em busca da liberdade, mas principalmente para guardar tua memória, fugindo do batismo, procurando preservar o mais precioso bem que te restava: a tua identidade.

Luiza do Mahin, quando chegaste a Salvador, ela não salvava ninguém: corrompia corpos, cortava laços, rompia almas. Era muito pagã para a tua santidade de menina Jeje. Não há santos em Daomé que nomeiam meninas. Não nasceram divindades em Savalu. Ali surgiram forças, reis e rainhas que foi o que te ensinaram a cultuar e dos quais eu sou herdeiro.

Honrar quem veio antes é o que faço. Eu sou porque tu fostes, minha mãe.

Tu nunca estiveste só. O espírito da águia te levava às pessoas certas, às mulheres certas. Teu destino te levou ao encontro das tuas origens. Foste à Nega Florinda, sacerdotisa Vodunsí, que te acolheu e te protegeu com o amuleto que uniu tua alma à de tua irmã. Encontrou a Noche Nae, a rainha Agotimé, que te guiou até as Minas, no Maranhão, para conhecer e encontrar o teu próprio Vondun.

O destino te levou à Mãe Rosa, da irmandade negra no recôncavo de Todos os Santos, que foi quem te iniciou no caminho de volta para me encontrar. Todas essas mulheres fizeram um pouco de ti e um pouco de mim. Foram elas que te deram a liberdade através do ouro de Oxum, ouro que compou a tua alforria e fez de mim um negro livre. Sou filho dos muitos colos negros que te acolheram na vida.

O Xangô que carrego é a herança das tuas andanças por justiça. O meu senso é o seu, meu direito é o seu, minha lei é sua.

Hoje eu me vejo junto aos muçurumins na revolta dos malês, mas nunca como tu fizeste. A revolta que mudou os rumos deste país escravista, passou pelas tuas mãos, assim como imaginamos que tantas outras também partiram da tua inquietude justiceira. Tu mostrou pro Brasil que era possível ser livre fortalecendo outras mulheres nestas batalhas.

Há quem te chame de Rainha do Brasil. Do Brasil que você lutou para fazer! Eu não discordo! Os caminhos de uma nova nação no tabuleiro de ifá.

Foram nas tuas lutas por um lugar melhor que nos perdemos. Ouvi tuas histórias ainda menino e desde então és a minha maior heroína. A história da heroína que foi espelho para esta terra.

Soube que me procurava nos porões, nas ruas, nas valas, nas matas, nas praças, entre as barracas do mercado, entre os meninos que corriam no vento. Onde estava Luiz Gama, o teu filho?

Soube antes mesmo de tuas cartas porque eu sentia que tu não desistiria, assim como eu não desisti. Sabia porque sempre desconfiei, desde que me contou a história dos Abikús, de que éramos assim. Eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer… Pelo menos até que nos encontrássemos. E por isso não morremos, porque eu não deixarei tua história desaparecer.

Eu entendo quando retorna à mãe África procurando encontrar um caminho, uma solução, um conforto, um colo, na busca por este teu filho. Digo com convicção que me encontrou. Eu estava em África e no Brasil. Você estava em mim e eu em você. Como estamos e estaremos amanhã.

Retornou, me achou, e mesmo cega me viu onde ninguém mais poderia enxergar. Hoje agradeço à tua fé, é ela que nos une no amor.

Desejo que na misericórdia de qualquer um desses deuses dos homens, todas as mães pretas encontrem seus filhos para retornarem ao porto de sua África. Que elas ouçam e se inspirem nos teus passos, ainda que no futuro entendam que o maior defeito que não podem corrigir por seus filhos é o único que carregam de nascença, o defeito da cor. Um defeito para o olho de quem vê, que cerceará o destino delas, jogando sobre seus ombros todo o peso de uma sociedade inteira que julga os que assim vieram à terra. Amar demais não é defeito, buscar justiça é um direito.

Não te culpa pela violência do destino, não há força que nos defenda do defeito que – pra eles – carregamos, mas lutaremos inspirados em cada mulher, que forma cada outra mulher negra, corpos que fundaram essa nação.

Lutaremos, pois debaixo de nossas peles, sob a superfície escura, arde o fogo sagrado da justiça.

Luiza, minha mãe: seu corpo é o meu corpo, sua luta é minha luta, seu sangue é meu sangue, seu verbo é o meu verbo, sua voz é a minha, sua pele é a minha, seu coração é o meu, seu amanhã é o meu, o seu chão é o meu chão.

Eu honro a tua maior façanha que foi SOBREVIVER. Que Orgulho, Luiza Mahin.

A benção minha mãe…
Luiz Gama, teu filho

Um Defeito de Cor’ é o enredo da Portela para o Carnaval 2024

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O enredo da Portela para o próximo carnaval será “Um Defeito de Cor”, de André Rodrigues e Antônio Gonzaga, baseado na obra homônima da autora Ana Maria Gonçalves. O anúncio foi feito neste sábado, durante a feijoada da escola. Na ocasião, a Majestade do Samba apresentou oficialmente a equipe que fará o Carnaval 2024: a porta-bandeira, Squel Jorgea – que será par do mestre-sala, Marlon Lamar -; o diretor de carnaval, Junior Schall, o diretor de harmonia, Julinho Fonseca e a dupla de carnavalescos.

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Carnavalesco Antônio Gonzaga e André Rodrigues. Foto: Divulgação/Portela

Para o carnaval de 2024, o sonho da Portela está baseado no principal fator simbólico que dá consistência para ela ser o que é e chegar onde chegou: O Afeto. Baseado no romance “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves, o enredo traz uma outra perspectiva da história, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luisa Mahim. Essa poderia ser a história da mãe de qualquer um de nós, ou melhor dizendo, é a história das negras mães de todos nós.

Antônio Gonzaga adianta que é um projeto dedicado a todas as mães e é uma forma de demonstração de afeto e gratidão por sua recém-chegada à escola, ao lado de André Rodrigues.

“Acreditamos que esse enredo é a nossa mais profunda manifestação de afeto nessa chegada. É um enredo que dedicamos a nossas mães, nossas avós e a cada mulher preta que carrega a força de sobreviver, ser e semear novas histórias. ‘Um Defeito de Cor’ é a história da luta preta no Brasil incorporada em uma mulher que enfrentou os maiores desafios imagináveis pra continuar viva e preservar suas heranças e raízes. A história de uma mãe, heroína, filha de África, que pariu a liberdade dessa nação. É uma honra imensa contar essa história e imaginar esse reencontro de Luísa com Luís Gama. Essa história fala de todos nós. É a nossa identidade construída no tempo”, frisa Gonzaga que aproveita a ocasião para agradecer a oportunidade de estar junto a comunidade portelense.

“Agradecemos imensamente a Portela por acreditar na ideia e nos receber com tanto carinho e entusiasmo. Vamos escrever juntos um novo capítulo no livro da Majestade do Samba. Agradecemos também a Ana Maria Gonçalves que nos deu o abraço e a honra de adaptarmos sua obra para o carnaval da Portela. É uma felicidade que não cabe em mim e tenham a certeza que eu e André trabalharemos incansavelmente pra ver o portelense feliz”, garante.

A carta

Através de seu filho, Luis Gama, sonhamos com uma carta onde o importante abolicionista responde sua mãe sobre o legado da memória que ela deixou: o livro. Narrar essa história é como narrar a busca pelo sentido da nossa existência enquanto sujeitos negros ativos neste Brasil. Por que somos? Por que assim fazemos? Por quem lutamos? Em memória do que?

A saga de uma mulher que incorpora-se a tantas outras que lhe atravessam, ensinam e revigoram, em um legado de persistência na insistência de sobreviver. Inúmeras trajetórias diferentes, vivenciadas por gerações e gerações de escravizados ao longo dos anos, e sabemos, até hoje por todas as mulheres que nasceram com este defeito de cor. Precisamos não apenas nos espelhar nesta
imagem mas, principalmente, valorizar as descendentes desses movimentos de coragem por amor à continuidade.

O título, “Um Defeito de Cor”, é baseado no artifício da dispensa do defeito de cor usado por negros no século passado que, quando acatado, os permitia exercer cargos de importância na religião, governo e na política. É justamente esta característica, a da cor, que posiciona os personagens do novo enredo da Portela para o próximo carnaval. Caminhos, histórias e consequências que apenas se explicam por serem vivenciadas por sujeitos negros no Brasil, conforme explica o carnavalesco André Rodrigues.

“O livro nos entrega uma história que entendemos que se confunde muito com a história de tantas outras mães negras que tem suas experiências maternas atravessadas pela questão racial; conseguimos compreender as marcas da violência histórica que justifica, inclusive, sobre as nossas experiências com as nossas mães”, diz Rodrigues, que emenda.

“A gente se coloca no lugar desse filho que compreende o tamanho da importância de sua mãe por ser uma mulher tão ativa buscando um Brasil melhor, buscando seu próprio reconhecimento, sua ancestralidade, sua identidade e, também, sua individualidade. Os reflexos que separam esses dois são, na verdade, resultados de um sistema racista e escravocrata. É uma verdadeira história de amor e reconhecimento. Puro Afeto”, finaliza.

ChatGPT falha no Carnaval! Sistema de inteligência artificial comete erros graves ao citar sambas-enredos e desfiles

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Lançado em 2022, o ChatGPT assusta todo mundo com o sistema de inteligência artificial criado pela empresa norte-americana OpenAI. O site CARNAVALESCO fez duas perguntas: qual os 10 melhores desfiles do Rio de Janeiro? e qual os dez melhores sambas-enredo?

O sistema de inteligência artificial respondeu, mas deixou claro que as perguntas eram subjetivas, pois “a opinião pode variar bastante de pessoa para pessoa”. Na lista, elaborada pelo ChatGPT, aparecerem diversos erros, muitos absurdos.

Os sambas “O Amanhã” é colocado como do Império Serrano, de 1976, e, na verdade, é da União da Ilha 1978. O clássico “Lendas e Mistérios da Amazônia” é classificado como da Beija-Flor, de 1989, mas é da Portela, de 1970. O inesquecível “Kizomba” aparece como da Imperatriz, mas é da Vila Isabel. “História para ninca gente grande” é da Mangueira de 2019, mas é citado como da Portela de 1981. Veja na imagem abaixo os outros erros.

sambas historia

Quando cita os desfiles da história o sistema de inteligência artificial comete mais erros, por exemplo, o título do enredo da Viradouro de 1997 “Trevas! Luz! a Explosão do Universo” é citado como “O Rei Negro do Picadeiro”. O enredo da Ilha de 1982 aparece de forma bizarra com o título “Tudo fica blue”. O correto é “É hoje”. O histórico “Os sertões” é da Em Cima da Hora, de 1976, e foi colocado como se fosse da Imperatriz e de 1989. Veja na imagem abaixo os outros erros.

desfiles

Especialista em inteligência artificial, o professor do Departamento de Automação e Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Eric Aislan Antonelo, explicou para Agência Brasil que o ChatGPT reproduz o funcionamento do cérebro humano, incluindo a capacidade de aprender sozinho, a partir de novas experiências. No caso, recombinando informações preexistentes, o que o sistema é capaz de fazer graças ao que os especialistas conhecem como Aprendizagem por Reforço com Feedback Humano (do inglês, Reinforcement Learning from Human Feedback). Em seu site, a OpenAI destaca que, graças a isso, o modelo é capaz de “interagir” com os usuários, “respondendo a perguntas”, “contestando premissas incorretas”, “rejeitando solicitações inadequadas” e até mesmo “admitindo seus próprios erros”.

Por ora, o ChatGPT produz apenas textos sobre praticamente qualquer assunto, no formato requisitado pelo usuário. Há, no entanto, outros programas de inteligência artificial capazes de gerar imagens hiper-realistas a partir de descrições textuais fornecidas pelos usuários, como o Dall-E, criado pela mesma OpenAI e com o qual foram criadas as ilustrações desta reportagem.

Imperatriz Leopoldinense distribui ovos de chocolate para crianças do CPX Alemão e Zona da Leopoldina

A Imperatriz Leopoldinense fez neste sábado mais uma ação do programa “Imperatriz Social”, com distribuição de ovos de chocolate para crianças do CPX Alemão e Zona da Leopoldina.

Através do programa “Imperatriz Social”, a escola distribuiu 2.500 ovos de chocolate para a criançada da comunidade. João Felipe Drumond, diretor executivo da verde, branco e ouro, destacou a importância da atividade a quem tanto precisa.

“A comunidade é a verdadeira força de uma escola de samba. A Imperatriz fica localizada numa região bastante carente da cidade. Entendemos nosso papel muito além do desfile. É emocionante ver essas crianças recebendo uma lembrança para alegrar a Páscoa”, destaca o dirigente.

Com o brasão da Imperatriz no peito, o “coelhinho de Páscoa” ganhou a atenção da garotada e dos responsáveis. Foi o caso de dona Denilda Ribeiro, 71 anos, que trouxe os netos Deivid e Hillary, gêmeos de 11 anos, e não hesitou ao registrar o momento.

“Ação maravilhosa! Eu amei o coelho e pedi para participar da foto. É muito bacana viver esse momento com meus netos. Tô muito emocionada”, comemorou Denilda.

Maria Mariá, rainha de bateria da Imperatriz e moradora do CPX Alemão, também participou da campanha.

“Eu sempre faço questão de estar presente. A Imperatriz é muito atuante na comunidade e, por morar aqui no CPX, conheço o poder que a escola tem de mudar essas datas na vida de tanta gente”, disse a majestade.

Além de Mariá, outros integrantes da Imperatriz também marcaram presença na “Páscoa Leopoldinense”, como a presidente da escola, Cátia Drumond, o intérprete Pitty de Menezes e o mestre de bateria Lollo.

O projeto “Imperatriz Social” tem objetivo dar assistência à comunidade da instituição, que tanto faz pela escola. As aulas gratuitas de Ballet, dança e percussão serão retomadas neste mês.

pascoa imperatriz
Foto: Divulgação

Império da Tijuca define enredo e levará história de Lia de Itamaracá para Sapucaí no Carnaval 2024

Mantendo a tradição de exaltar a negritude e a religiosidade, o Império da Tijuca levará para a Marquês de Sapucaí, em 2024, a história de vida de Lia de Itamaracá. A pernambucana Maria Madalena Correia do Nascimento, é dançarina, compositora e cantora de ciranda brasileira.

lia imperiodatijuca
Foto: Divulgação

Lia começou a participar de cirandas na Ilha de Itamaracá, quando ainda era criança e hoje é considerada a mais célebre cirandeira do Brasil. Em 2005, ela foi intitulada Patrimônio Vivo de Pernambuco e em 2019, foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa, pela Universidade Federal de Pernambuco, pelos serviços prestados à cultura popular brasileira.

Em janeiro de 2024 a rainha cirandeira, filha de Iemanjá, vai completar 80 anos e a comemoração será na Marquês de Sapucaí. Lia de Itamaracá terá sua história retratada no Carnaval Carioca pelas mãos do carnavalesco Júnior Pernambucano, com texto do jornalista Rodrigo Hilário. Pernambucano, que conquistou o título de 2013, levando o Império da Tijuca para a elite do Carnaval, destacou a importância de um enredo que homenageia essa grande artista nordestina:

“Eu, quando criança, vi Lia cantar em uma ciranda e logo fiquei encantado com toda sua linda cantoria. Lia é Nordeste vivo, é a resistência de uma mulher negra, a cara do nosso Brasil. Fazer um enredo em homenagem a ela é a realização de um sonho de menino Pernambucano que foi totalmente encantado com suas melodias, com o colorido das suas roupas e, principalmente, da simplicidade de uma mulher legitimamente brasileira. Lia é cultura! Lia é nossa! Realizar o tema no Império da Tijuca é maravilhoso. Valorizar a negritude é o lema da escola e meu também”.

O Império da Tijuca apresentará o título do enredo e a sinopse em sua tradicional feijoda de São Jorge, no próximo dia 23, no Tijuca Tênis Clube. Na ocasião, também será apresentada a equipe para o Carnaval 2024.

Fantástico relembra trajetória de Clara Nunes, 40 anos após a morte da cantora

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Passados 40 anos do dia em que o Brasil chorou a morte de Clara Nunes, o ‘Fantástico’ exibe, no próximo domingo, 2 de abril, uma matéria sobre a cantora que até hoje é considerada um dos maiores nomes da música popular brasileira. Primeira mulher a vender mais de 400 mil cópias de disco, ela se internou no dia 5 de março de 1983 em uma clínica para fazer uma operação de retirada de varizes, e partiu de forma inesperada. O repórter Diego Haidar vai ao encontro do médico que operou a artista, e ele, pela primeira vez, dá detalhes sobre o ocorrido na sala de cirurgia.

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Foto: Divulgação/TV Globo

“Naquela época, nós não tínhamos a monitorização que nós temos hoje. O anestesista, preocupado com ventilação, verificou que ela estava com taquicardia ventricular no ritmo muito rápido e ela fibrilou, igual a uma parada cardíaca. Cheguei a fazer a injeção de adrenalina. Ela voltou, não demorou muito, não”, relatou o cirurgião vascular Dr. Antônio Viera de Melo, responsável pela operação.

Clara, que teve um choque anafilático, entrou em coma e assim permaneceu por longos 28 dias. A notícia de sua morte provocou uma enorme comoção nacional, e 40 anos, depois o ‘Fantástico’ foi até Caetanópolis, terra natal da cantora, visitou a casa onde ela nasceu, entrevistou familiares, e o memorial onde ficam vestidos que ela usou nas capas de vários de seus discos.

Diego Haidar ainda ouviu Vanessa da Mata e os jornalistas Leonardo Bruno e Vagner Fernandes, biógrafo da cantora, e convidou Alcione para fazer uma homenagem à artista. “Eu sempre fui fã de Clara. Sabia que ela era uma pessoa que podia ser minha amiga porque ela tinha o mesmo feeling, mesmo pensamento. Era uma pessoa família, uma pessoa boa e, cada vez que fui e aprofundando nessa amizade, fiquei mais amiga e fã de clara nunes”, explicou ela, que entoou no palco do ‘Fantástico’ a canção ‘Um Ser de Luz’.

Unidos de Padre Miguel terá pai e filha na direção de carnaval em 2024

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Família e acolhimento. Essas são palavras que podem definir bem a Unidos de Padre Miguel. E, em 2024, essas qualidades da escola serão ainda mais fortalecidas. Isto porque, para o próximo desfile, a agremiação da Vila Vintém contará com uma dupla no comando da Direção de Carnaval. Agora, além do experiente Cícero Costa, a escola ganha o reforço de Lara Mara, primogênita de Costa, a jovem confirma o espírito de liderança herdado da família e que é determinante para o posto. A apresentação de toda equipe para 2024 será realizada na próxima feijoada do Boi Vermelho.

cicero lara
Foto: Divulgação

Cria da Unidos e primeira destaque da agremiação, Lara que tem 18 anos, será a mais jovem diretora de carnaval da folia carioca. Seguindo os passos da nova geração de presidentes e diretores do carnaval do Rio, a jovem assume a função e trabalhará com o pai na condução do enredo “O Redentor do Sertão”, cuja narrativa traz uma visão sobre a vida de Padre Cícero e suas benfeitorias a partir do imaginário popular.

“Para mim será um grande desafio, mas também um orgulho poder trabalhar e aprender ainda mais com o meu pai. Sempre me envolvi com os trabalhos na escola, as ações sociais e os eventos, mas agora eu sei que a responsabilidade será maior. Eu nasci dentro da Unidos e tenho um amor muito grande por esta escola, então podem esperar de mim total dedicação”, disse a nova diretora de carnaval.