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Maior da história! Riotur amplia concurso de Rainha do Carnaval 2024 e todas escolas de samba vão ter candidatas na disputa

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O bicho vai pegar para valer! O site CARNAVALESCO revela que a partir deste ano, em iniciativa inédita, a Riotur amplia o concurso de Rainha do Carnaval 2024 e a disputa terá participações de todas escolas de samba do Rio de Janeiro. Uma pessoa de cada agremiação, envolvendo o Grupo Especial, Série Ouro, Superliga, Livres e Federação dos Blocos, terá que ser indicada. A proposta é que a escolha chegue mais perto de todos, principalmente, das alas de passistas. Será possível também que meninas interessadas façam inscrições sem estarem ligadas a uma escola de samba, mas cada agremiação obrigatoriamente terá que inscrever uma postulante, afinal, a regra estará no contrato oficial firmado entre ligas, Riotur e Prefeitura do Rio de Janeiro para o apoio em forma de subvenção do poder público ao carnaval da cidade.

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Fotos: Alexandre Macieira/Riotur

A previsão é que a partir de junho estejam abertas as inscrições. Seguem gratuitas. Vão ser cinco fases eliminatórias, todas na Cidade do Samba, e realizadas no mês de agosto. Sendo assim, a escolhida, além das princesas e do Rei Momo, já vão participar das finais de sambas-enredo para o Carnaval 2024. A corte do carnaval poderá participar do concurso para reeleição. Os candidatos ao posto de Rei Momo vão seguir o mesmo modelo dos últimos anos. O regulamento completo será divulgado em breve pela Riotur.

“Queremos que o Carnaval 2024 seja inesquecível e resolvemos que era fundamental fazer mudanças no concurso de escolha da corte. Ter representante de todas as escolas vai gerar uma competição mais emocionante, um número maior de candidatas e todo o carnaval vai se envolver na disputa. Temos certeza que essa corte vai ser especial e gerar uma competição mais bonita e com muitas surpresas. E esse é só o começo”, disse Ronnie Costa, presidente da Riotur ao CARNAVALESCO.

O objetivo da ampliação do concurso é mexer com o concurso de Rainha do Carnaval do Rio de Janeiro, inclusive, atingindo mais as alas de passistas e todas escolas de samba.

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“Nos contratos da Prefeitura com as Ligas vamos colocar uma cláusula obrigatória que será a indicação de uma pessoa por escola. Agora, elas podem até fazer concursos internos para selecionarem que será a representante indicada. Podem criar atividades para isso. Abrimos para o carnaval inteiro encaminhar representantes, será uma pessoa por escola de samba. Queremos popularizar o concurso. Todas vão competir no mesmo nível”, explica Luis Gustavo Mostof, diretor de operações da Riotur.

Mostof contou que o concurso será realizado durante todo o mês de agosto, mais uma vez, o local escolhido é a Cidade do Samba.

“A média será de 160 inscritas, que vão participar de cinco eliminatórias, e faremos essa disputa em agosto. Como o concurso cresce o prêmio para Rainha também vai aumentar. O valor vamos anunciar no edital de inscrição que será divulgado em junho. O cortejo de 2024 já participará das finais de sambas-enredo do Carnaval 2024. O Rei Momo vamos manter como nas últimas edições e eles entram na fase semifinal”, garantiu Mostof.

Saiu o enredo! Em Cima da Hora exaltará a luta da classe operária no Carnaval 2024

Fortalecendo sua tradição de desenvolver temas populares em seus desfiles, a Em Cima da Hora vai levar para a Marquês de Sapucaí no ano que vem o enredo “A Nossa Luta Continua!”. Será uma ode ao trabalhismo no Brasil, contra a precarização do trabalho, reafirmando a luta da classe operária, numa justa e digna homenagem a quem de fato merece o valor dessa nação. O carnaval 2024 da Azul e Branco de Cavalcanti terá a assinatura dos carnavalescos Rodrigo Almeida e Ricardo Hessez.

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Retornando à Em Cima da Hora, Rodrigo Almeida aposta na autoridade dos operários da escola: “Falar de trabalhadores na Em Cima da Hora é retomar o lugar de fala de uma escola que tem como premissa sublimar em poesia a razão do dia a dia para ganhar o pão”, destacou Rodrigo.

Juntamente com ele, Ricardo Hessez fará sua estreia se inserindo na classe protagonista do enredo: “Eu faço parte desta categoria que levanta cedo todo dia pra conseguir colocar comida na mesa, que além de construir sonhos, também precisa de condições apropriadas. Nossa luta continua, ontem hoje e sempre. Viva o trabalhador do carnaval”, frisou.

De diretoria nova para o Carnaval 2024, a Em Cima da Hora já anunciou os reforços dos intérpretes Rafael Tinguinha e Lissandra Oliveira, dos carnavalescos Rodrigo Almeida e Ricardo Hessez, do casal de mestre-sala e porta-bandeira Diego Falcão e Winnie Lopes, da coreógrafa da comissão de frente Luciana Yegros, além dos coordenadores coreográficos de alegorias e alas, Léo Torres e Daniel Ferrão, o diretor musical Gustavinho Oliveira e o diretor de Harmonia Wanderson Sodré.

Tigre chega feroz na Cidade do Samba! Porto da Pedra reformula totalmente barracão e mostra que não quer ficar apenas um ano

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Campeã da Série Ouro em 2023, de forma incontestável, a Porto da Pedra já desembarcou na Cidade do Samba e chegou pesada para recuperar seu posto no Grupo Especial do Rio de Janeiro. Após o título, a vermelho e branco inciou o projeto de reformulação do espaço que foi ocupado pelo Império Serrano e antes pela São Clemente. O site CARNAVALESCO esteve no local e percebeu que a obra é gigantesca, sinal que a intenção não é ficar apenas um lugar, mas se consolidar novamente na elite das escolas de samba.

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Fotos: site CARNAVALESCO

“Vou brigar e vou fazer um carnaval bonito. Um desfile de Grupo Especial. Pode ter certeza que a Porto da Pedra vai dar trabalho. Estamos fazendo obra no barracão e na quadra. Após 12 anos estamos de volta. Administrar uma escola de samba não é fácil. Hoje, nós temos o apoio da Prefeitura de São Gonçalo. Nosso município é muito grande e tem representatividade. Temos um grande enredo. Só faço enredo da cultura brasleira. Já ouço que temos um dos melhores enredos do Grupo Especial”, disse o presidente de honra, Fábio Montibelo.

O dirigente explica que o barracão na Cidade do Samba não estava apropriado para agremiação que deseja fazer um desfile marcante no ano que vem. O espaço ganhará salas para todas atividades artísticas principais da produção do desfile. Além disso, a escola pintará o espaço e colocará um mobiliário totalmente novo.

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“Peguei um barracão totalmente sucateado. Agora, nós vamos fazer a cozinha para dar o mínimo de conforto para os nossos funcionários. Vou reformar todos os banheiros. O povo merece isso. Não posso comparar com a Série Ouro, mas é complicado chegar aqui e ver que estava tudo abandonado. Queremos terminar toda obra em 15 a 20 dias e já começar os protótipos. Teremos 80% das fantasias feitas aqui e 20% no ateliê que temos em São Gonçalo”, revelou Montibelo.

Artista responsável pelo retorno do Porto da Pedra ao Grupo Especial, o carnavalesco Mauro Quintaes celebra a obra feita no barracão. Ele explicou como a mudança facilita o desenvolvimento artítisco do espetáculo que o Tigre vai produzir para o ano que vem.

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“Reforça a confiança da diretoria no processo de trabalho do carnavalo. Minha presença no barracão full time. Tivemos dez pessoas trabalhando para o desfile de 2023. A filosia é menos gente e mais qualidade. Quando você o presidente focado em fazer o melhor, gera confiança muito grande e se torna muito mais produtivo. Além da segurança e dignidade para quem trabalha, o que mais me fascina é você ter tudo junto no mesmo espaço. Facilita a rotina de trabalho. Gosto de ter uma sala no terceiro andar e uma no mesmo nível dos carros alegóricos. A Cidade do Samba traz o benefício de todo o trabalho concentrado. Hoje, o carnavalesco é um grande diretor de arte. Ele apresenta os caminhos. Aprendi isso com o João 30”.

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Mauro Quintaes define a flexibilidade artística como fator importante para o desenvolvimento do trabalho dentro do barracão.

“O carnaval mudou muito. Hoje, a comissão de frente é fator fundamental para o sucesso de uma escola. Aprendi o ditado de que um dia vale dois para quem diz já e não depois. Quanto mais rápido você definir os materiais e trabalhar com os profissionais mais tempo terá para detectar possíveis erros. A flexibilidade artística é muito importante. Não me agarro no projeto e vou com ele até o final. O meu projeto é mutante”.

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Dowglas Diniz, revelação de 2023: ‘Esse Estrela do Carnaval não é só meu, é do meu carro de som, é do Morro da Mangueira’

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Vencedor do prêmio “Estrela do Carnaval“, na categoria Revelação, Dowglas Diniz, estreante comandando o carro de som da Mangueira em 2023 ao lado de Marquinhos Art’Samba, falou sobre a alegria de vencer a premiação e dedicou ao trabalho realizado em conjunto com os cantores e músicos da Estação Primeira. A festa está marcada para o dia 7 de maio, a partir das 13h, na quadra da Imperatriz Leopoldinense (Rua Professor Lacé, 235, em Ramos), com direito a tradicional feijoada da escola. Valores: Pista: R$ 20,00 (Primeiro lote) e Mesa (4 lugares): R$ 120,00 (Primeiro lote); Feijoada: Antecipado: R$ 30,00 e No dia: R$ 35,00; Reserva: (21) 98317-6137.

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Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Eu fiquei muito feliz, gostaria de agradecer a toda a equipe do site CARNAVALESCO, para mim isso é muito importante poder estar honrando o meu trabalho, não só meu, ganhar o Estrela do Carnaval, mas coroar toda essa rapaziada que vem comigo, pois a gente trabalhou bastante. Esse prêmio não é só meu, é de todo mundo, é do morro da Mangueira, é do carro de som e do Marquinhos também, sem esse time eu não conseguiria”, acredita o cantor.

Com um trabalho de alto rendimento no elogiado samba da Mangueira, que tirou só notas dez no quesito, a dupla de intérpretes viu um dos jurados tirar um décimo da harmonia justificando “desencontro do canto com a bateria e com a base harmônica”, além de “por algumas vezes, notas graves do canto não foram atingidas”. Sobre esta avaliação Dowglas preferiu não dar uma definição se considera justa ou injusta.

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“É muito complicado falar assim de nota, mas eu falo também feliz, satisfeito de um trabalho que foi feito durante esse tempo todo, a gente conseguiu executar tudo aquilo que a gente vem trabalhando. Agora eu não posso dizer se a gente concorda ou não concorda com esse 9.9. Vamos buscar não chegar a perfeição, mas fazer um trabalho digno de tudo aquilo que a gente ensaia”, concluiu.

Já Marquinhos Art’Samba externou sua discordância com a nota que foi descartada, mas preferiu valorizar o trabalho da escola.

“Foi legal pra caramba, fomos agraciados com esse quinto lugar, em um carnaval dos mais disputados dos últimos anos. A gente nunca concorda com a justificativa porque é o trabalho de um ano todo. Mas, a gente vai procurar acertar, sempre melhorar”, avaliou o experiente cantor.

Em 2023, a Estação Primeira de Mangueira foi a quinta colocada com o enredo “As Áfricas que a Bahia canta”.

Encontro em Brasília estreita laços entre a Liesa e o Governo Federal

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Uma comitiva formada por organizadores do Rio Carnaval se reuniu na quinta-feira com a ministra da Cultura, Margareth Menezes. O encontro, realizado em Brasília, contou com as presenças do vice-presidente e do diretor de Marketing da Liesa, Helio Motta e Gabriel David, e do vice-presidente financeiro da Mangueira, Pablo Brandão, representando a presidente Guanayra Firmino, que organizou a reunião.

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Fotos: Divulgação

Além de estreitar laços com o Governo Federal, foram levantadas possíveis iniciativas para fortalecimento das escolas de samba e das respectivas comunidades.

“Estamos em um momento fundamental para a valorização e o reconhecimento de uma das maiores expressões culturais do país, que é o Carnaval. Tivemos a oportunidade de debater não só questões estruturais, mas também a preservação e a promoção do espetáculo. Tenho certeza que colheremos muitos frutos”, destaca o diretor de Marketing do Rio Carnaval, Gabriel David.

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O Rio Carnaval 2023 foi um sucesso cultural, de público e financeiro, com o Rio de Janeiro batendo recorde na arrecadação de ISS de Turismo para o mês de fevereiro, segundo dados da Secretaria municipal de Fazenda e Planejamento e da Riotur. Em 2024, os desfiles acontecerão nos dias 11 e 12 de fevereiro.

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Vila Maria anuncia contratação do intérprete Royce do Cavaco

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A Vila Maria anunciou na tarde deste sábado a contratação do intérprete Royce do Cavaco. Veja abaixo o comunicado da escola.

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Foto: Divulgação/Vila Maria

“Royce do Cavaco dispensa apresentações. Compositor e cantor consagrado do nosso Carnaval, o intérprete teve passagens pelas coirmãs Rosas de Ouro, Nenê de Vila Matilde, X-9 Paulistana, entre outras. Para o Carnaval 2024, a nossa Comunidade o recebe com carinho e admiração. Juntos com a nossa já consagrada Ala Musical, faremos um grande desfile! Vamos juntos Royce. A Vila Mais Famosa lhe abraça e deseja muito sucesso”.

Salgueiro tem novo diretor de Harmonia

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Sem interromper o trabalho de reestruturação da equipe para o carnaval de 2024, os Acadêmicos do Salgueiro já têm um novo nome para a direção de Harmonia. Repatriando Jackson Carvalho, que já integrou o time da escola em duas ocasiões, a vermelha e branca contará com a experiência do profissional para que o desempenho no quesito alcance as notas máximas.

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Foto: Anderson Borde/Divulgação Salgueiro

“Jackson é um excelente profissional, que teve a oportunidade de aprender com grandes nomes como Laíla e Fernando Costa. Chegou a integrar a equipe de Harmonia do Salgueiro em 2016 e conhece bem a estrutura da escola, o que vai ajudar muito na construção do trabalho”, diz Wilsinho Alves, diretor de carnaval da agremiação que entrará na briga pelo título do Grupo Especial do ano que vem com enredo que aborda aspectos da cultura indígena do povo Yanomami.

Jackson iniciou sua trajetória no quesito Harmonia em 2007, vestindo as cores do Paraíso do Tuiuti. Tem passagens pela Unidos da Tijuca, Grande Rio e Unidos da Tijuca, onde ficou por 06 anos. No Salgueiro, chegou a integrar a equipe de Harmonia em 2016, quando Dudu Azevedo era o responsável pela direção de carnaval. Segundo ele, o fato de ter a oportunidade de estar ao lado de grandes profissionais, é um trunfo para que o trabalho dê certo.

“O Salgueiro é uma grande escola na qual tenho certeza de que realizaremos um grande trabalho. Temos uma das melhores equipes do carnaval e estou chegando para somar forças na busca deste título”, diz o novo contratado.

Rosa Magalhães fala sobre estar fora do Carnaval em 2024: ‘Calhou de não fazer, não ser chamada e não querer’

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Na primeira entrevista após o Carnaval 2023 e a certeza que não estará no Carnaval 2024 como carnavalesca do Grupo Especial, Rosa Magalhães conversou com a Mais Carnaval sobre estar fora da folia.

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Foto: Divulgação/Tuiuti

“A gente se aposenta quando quer. Até agora espero não ir para nenhuma escola. Calhou de não fazer, não ser chamada e não querer. Juntou. É muito cansativo. Foi difícil fazer certas coisas. Quando libera a verba é em cima da hora. É estressante. Essas verbas deveriam ser mais organizadas. Você ter tempo para ver como pode gastar. Agora, estou escrevendo meu segundo livro. A gente não pode é parar”, afirmou Rosa.

A artista elogiou o carnavalesco João Vitor Araújo seu parceiro na produção do desfile do Tuiuti em 2023 e que agora está na Beija-Flor.

“Me dei muito bem com o João. Ele é uma pessoa encantadora. Ele não reclamou de nada (risos). Desejo que ele seja muito recebido na Beija-Flor. Agora, ele não vai sofrer tanto com a falta de dinheiro”.

Sobre a presença forte de enredistas nas escolas de samba, Rosa Magalhães defendeu que o trabalho siga nas mãos dos carnavalescos.

“Negócio de enredista é tão bobo. Você tem sentimento do enredo que o enredista não tem. Ele não vê o espetáculo. Você tem mais trato com a história e dar o realce. É uma parte encantadora você ler, pesquisar e discutir. Isso é coisa de moda. Igual os três carros acoplados. Passam 10 anos e muda. Espero que não mude para quatro (risos). É exagerado”.

Unidos de Lucas comemora aniversário com angu grátis para a comunidade

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A Unidos de Lucas comemora, no feriado de 1º de maio, seus 57 anos, com o já tradicional angu à baiana para a comunidade. O presidente Weles Silveira, carinhosamente conhecido por Elinho, comentou sobre os preparativos da festa e do que a escola prepara para o carnaval de 2024:

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“Nossa festa é sempre pensada na comunidade. Não cobramos entrada e servimos o angu à baiana, que já é uma tradição por aqui gratuitamente, pois queremos todos fazendo parte deste momento. Estamos em um viés de alta, fizemos um carnaval muito bom e vamos estar ainda melhores em 2024. Por isso, todo o povo de Lucas e adjacências estão convidados a comemorar conosco estes 57 anos de lutas e glórias”.

A festa começa a partir das 14h, com apresentação da banda Copa 7 e show com os segmentos da escola. A entrada é franca e o angu é oferecido a comunidade gratuitamente. Em 2023, o Galo de Ouro da Leopoldina ficou com a 7ª colocação no primeiro dia de desfiles da Série Prata da Nova Intendente.

SERVIÇO:
57º aniversário da Unidos de Lucas
Data: 1/5 (segunda-feira)
Horário: a partir das 14h
Endereço: Quadra da escola – Rua Cordovil 333, Parada de Lucas
Atrações: Banda Copa 7 e segmentos da escola
Entrada franca
Angu à baiana grátis

Sinopse do enredo da Mangueira para o Carnaval 2024 sobre a cantora Alcione

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Justificativa do Enredo

“A Mangueira está na minha história, está na minha vida e eu diria até que meu sangue é verde e rosa.” (Alcione, 2023)

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A Estação Primeira de Mangueira para seu carnaval de 2024, ouvindo o clamor de sua comunidade, irá homenagear em seu desfile Alcione, umas das maiores vozes brasileiras e mangueirense histórica. A base para nossa narrativa será os caminhos percorridos pela cantora na construção de seu amanhã. Esses se dão, principalmente, por suas crenças, que promovem sentido à sua caminhada, aliado à música que lhe acompanha desde menina como missão e a cultura popular que a formata enquanto artista.

Sua história, narrada pelo amanhã, partirá da fé da cantora, pilar de sua vida, que tem como base a sua família, seus valores e tradições do Maranhão, não apenas uma religião específica. Sendo assim, há um trânsito inter-religioso baseado na própria vivência da cantora e no contato, desde menina, com a diversidade e mistura de credos, promovida por seus familiares e sua terra natal. Desenvolvendo um sentido amplo de sua fé que abarca santos, entidades, instituições, orixás, parentes e pessoas. Tornando-se, portanto, ponto de partida e norte para a construção de seu amanhã.

Se o Maranhão foi cenário de desenvolvimento de suas crenças, é responsável também pela imersão de Alcione na cultura popular, sendo palco de algumas práticas festivas que tiveram a participação ou o olhar da intérprete. Abrindo o calendário de festas, na companhia de seu pai João Carlos, cantava em ladainhas na “Queimação de Palhinha” em Dia de Reis.

Chegando ao “Carnaval”, via os fofões brincando nas ruas, se fantasiava com suas irmãs com roupas feitas por sua mãe, Dona Felipa. Na “Turma do Quinto”, escola de samba da região para qual torce, pai e irmãos aproveitavam a folia e caiam no samba.

Nos festejos onde louva-se São João, São Pedro e São Marçal, está presente também o “Tambor de Crioula”, patrimônio cultural do Brasil, que consiste numa uma dança de origem africana em devoção a São Benedito, com saias rodadas, muito cantado por ela. No mesmo período, brinca-se de Bumba Meu Boi, onde via seu pai dançar como caboclo de fita no “Boi de Leonardo”. Voltou para reviver suas memórias de menina no “Boi de Maracanã”, gravando uma de suas toadas mais importantes “Maranhão, meu tesouro, meu torrão!”. Os festejos maranhenses são, então, o espaço de pensar e construir o seu amanhã enquanto artista popular e contribuir para ele, já que, para além de festa, estamos falando sobre as formas de manifestações de uma população.

Somado a essa bagagem e a formação musical adquirida por Alcione, através dos ensinamentos de seu pai e a sua atuação na “Orquestra Jazz Guarani”, onde Seu João Carlos era maestro, desistiu de lecionar e mudou-se para o Rio de Janeiro em busca do sonho de ser cantora. Chegando em fins dos anos 1960, trazia consigo seus valores e seu piston, instrumento de sopro, que se tornaria companheiro na busca pelo seu amanhã. Seu primeiro contato com a música na cidade maravilhosa se deu como vendedora na loja ”Império dos Discos”, lançandose, anos depois, em concursos de calouros e cantando pela noite carioca.

Ficou conhecida e recebeu diversos convites de trabalho que a levaram a se apresentar também na capital paulista, fazendo turnês pelo Brasil e pelo mundo e, entre elas, a que a apelidou de Marrom. Durante esse período, cantou diversos gêneros musicais como jazz, bolero, blues, em especial obras interpretadas por vozes femininas, mas foi o samba que mudaria sua vida desde então.

Em um momento de explosão do gênero na música brasileira, Alcione foi lançada como uma de suas primeiras cantoras negras, gravando em seu trabalho inicial um EP contendo duas faixas “Figa de Guiné” e “O sonho acabou”, no início dos anos de 1970. A partir desse momento, não parou mais, lançando mais de 40 discos, colecionando prêmios em 50 anos de carreira, cercados de muitos sucessos que acompanharam a cantora ao longo de sua trajetória, marcando, pelo menos, três gerações de brasileiros. Consolidando, assim, seu amanhã musical.

Marrom é a cor do Brasil por cantar, a partir do samba, a feminilidade, sua negritude, a potência cultural nordestina e as diversas emoções. Destacou-se no cenário musical com sua voz potente e carisma, mostrando que a mulher negra brasileira pode cantar seus sentimentos e posicionamentos, sendo um reflexo artístico da alma feminina e trilha sonora de tantos amanhãs. Os elementos de sua carreira, estiveram presentes também em seu programa de tv “Alerta Geral”, que estreou em 1979, cujo foco era exaltar a música brasileira em uma época onde o estrangeirismo era massivo.

Por fim, ressaltamos o laço estabelecido pela verde e rosa com a menina Alcione, a partir do Maranhão, se encantando pela ala de baianas através de revistas antigas, que retratavam o desfile da Estação Primeira. Sua paixão pela escola a fez se aproximar, em terras cariocas, dos baluartes, partideiros e líderes femininas da comunidade, passando a desfilar e tornando o amor pela Mangueira ainda maior e longevo.

As escolas de samba são fundamentais em sua carreira ao abraçá-la em suas apresentações ao longo dos anos, sendo pautadas, também, por ela em seu projeto musical, gravando diversos sambas-exaltação e enredo, e ao mesmo tempo, entendendo o significado ancestral e cultural dessas manifestações.

A partir desta compreensão, e de seu olhar para o povo, expandiu sua participação no universo das escolas de samba, tornando-se militante e pioneira na atuação comunitária através do projeto de escolas mirins. Em 12 de agosto de 1987, fundou a “Mangueira do Amanhã” ao lado de Dona Zica e Dona Neuma, que passou a receber as crianças do morro para ensinar ofícios artísticos, como de mestre-sala e porta-bandeira, baiana e mestre de bateria, entre outros, e que pensa o futuro da Mangueira a partir das crianças de sua própria comunidade. Assim, em tons de verde, rosa e marrom, transformou o seu próprio amanhã como exemplo a tantos outros e tornou-se, também, elo de atuação em novos amanhãs. Em Mangueira, o amanhã é hoje e tem em Alcione sua negra voz!

Texto: Sthefanye Paz, Annik Salmon e Guilherme Estevão.

Enredo: “A NEGRA VOZ DO AMANHÔ

O sonho que me criou tinha som!
Canto de voz negra, de mulher,
De São Luís do Maranhão.
De sangue Nazareth, do amor de Seu João Carlos e Dona Felipa.
Conduzida pela fé, pelos encantos de sua gente e solos de piston.
Pelo desejo de ser, o destino em vencer, pela vontade em tecer
Novos caminhos aos sambistas e mulheres de uma nação.
Da esperança fez seu afã;
De sucesso, sou eu, o seu amanhã.

Nasci a sombra de um velho cajueiro,
Templo de memórias de minha pequena,
Cuja família farta foi sua primeira devoção.
Dos filhos, era a quarta,
De uma infância de bonecas feitas à mão,
Ao som dos metais, ensinados pelo pai,
Em sua instrumental criação.
Na sua vida, logo a música marcou presença
Mergulhada, também, em tantas crenças, preces e procissões
De seu povo que lhe ensinou desde cedo
Que a fé vai muito além das religiões.
Tudo é questão de crer numa força maior e do bem,
Seja de Mina, Encantado ou de amém.
Adorê as almas! Que se afaste de nós todo quebranto!
Xangô nos guie com Iansã
Na graça de Deus, da Virgem Maria e do Espírito Santo!

Me bordei com ela em fitas, rendas e flores
Se encantou com os tambores
Que falam com pandeirões e matracas;
Caixas e maracas fazendo tremer o chão!
Em ladainhas de reisado, em folias de Fofão,
Em louvor a São Marçal, São Pedro e São João.
Quem “inda” não viu Tambor de Crioula do Maranhão?
Rodam saias de coreiras em cortejo colorido,
Pés descalços, canto preto, coração a São Benedito!
Cazumbá chegou e o boi se levantou
Riscou a ponta na terra que o terreiro poeirou,
Brincaram caboclos no balançar das penas,
Desfilaram vaqueiros montando a cena.
Pra festejar o touro negro que a encantou.
Cresci ao viver o que a cultura popular lhe proporcionou!

Me arriscou pra se fazer mais forte!
Sob a batuta de seu velho, cantou os primeiros acordes
Educou e buscou a própria sorte após uns solos de trompete.
Desembarcou num Rio Antigo
E, através dos discos, seguiu o sonho da canção.
Buscou a sua “grande chance” sendo o som das madrugadas,
Das turnês, clubes e baladas
Até se tornar a Marrom.
O cantar marcante que entoava
As poderosas divas negras, até ser notada
Como aquela que seria a grande voz
Do Swing e da ginga; do soul e mandinga;
Do banzo e Blues;
Do partido alto e seu primo Jazz,
Afro-mestiço, preto de olhos azuis.
Recebeu, enfim, seu anel de bamba
Começava, ali, a sua história com o samba.

Ganhei corpo malandreado e um gostoso requebrado
Que a levou às paradas de sucesso, ao tão sonhado estrelato
Obviamente, não foi fácil, mas onda forte não derruba quem tem fé
Nem machuca quem tem Figa de Guiné!
Seu surdo te escutava e chorava para o povo se alegrar
E aí foi que eu sambei, comadre
Com seu companheiro, o amigo pandeiro,
Que apanha sorrindo pra gente cantar. Que sufoco!
Amor louco pelo samba, que me vira a cabeça e envenena,
Mas que sempre vale a pena, pois é garoto maroto, menino sem juízo,
E já aprendemos a te aceitar assim, faz bem pra mim e pra todo mundo.
Você o transformou, também, como bandeira de luta, dando um alerta geral
Sobre a importância da música nacional, a nossa negra cultura ancestral,
Através de seu cantar, como um ser de luz, um eterno sabiá,
Tornou-se o vício das massas, a porta voz de sua raiz,
A estranha loucura de um país. A loba escondida de várias mulheres,
A cor marrom de tantos Brasis.

Mas eu não estaria completo se não chegasse onde você queria,
Na comunidade em que deixo de ser apenas seu, para ser de tantos, como magia.
Onde o ébano desce o morro,
Se vestindo em verde e rosa e encantando a poesia,
Além da menina, que via fotos das baianas pelas páginas do Cruzeiro
E se deu como missão encontrar os baluartes e partideiros
Da Primeira Estação, fazendo desse chão seu novo terreiro.
Mas não bastava apenas desfilar, era preciso transformar aquele lugar,
Pois seu dom sempre foi, além de cantar, estar pronta para alegrar e ajudar.
Mangueira é uma mãe que escolheu você como filha
Que não nasceu no Buraco Quente, mas veio de amorosa ilha
Para transformar o “Amanhã” dessa gente que hoje brilha
Como rainhas e ritmistas, cantores, casais e passistas
Crianças que se transformaram e encantam como artistas.
De uma escola onde não sou apenas amanhã,
Sou hoje!
Que luta com você para nunca deixar o samba morrer!
De um povo que te ama, que na avenida te espera e aclama
Por te conhecer ao longe,
A minha negra voz, a nossa amada Alcione!

Texto e desenvolvimento de enredo: Guilherme Estevão, Annik Salmon e Sthefanye Paz