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Sinopse do enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2024

APRESENTAÇÃO

A Unidos da Tijuca, no carnaval de 2024, embarca em uma viagem a uma Portugal mítica e mística repleta de fábulas. Um enredo que contará, em clima de encantamento, fatos, mistérios elendas populares que paíram sobre a formação dessa nação.

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Nessa história, um dos protagonístas será o “Fado”, que em seus múltiplos significados, além de representar o gênero musícal típico lusitano, traz consigo a ideia de destino e de fabulação. Nesse jogo de palavras o “Conto de Fada” se torna “Conto de Fado”, o lúdico e o imaginário interagem com as histórias narradas, inventadas, repaginadas.

“OFIUSSA, a Terra das serpentes”, o nome grego dado na mitologia a Portugal, é o ponto de partida desse nosso relato cantado, contado como um “Fado”. o destino. Está selado o destino da Unidos da Tijuca, víver essa experiência cheia de fantasia, a alma de todo carnaval.

Traremos a história dessa nação que se notabilizou pelos grandes feitos no passado, pelas conquistas e reconquístas, por suas lendas e mistérios do além mar, uma tradição oral que, ao longo do tempo, criou versões e mitificou personagens heroicos. Essas histórias, incorporadas ao imaginário do povo português, perduram até hoje, compondo um mosaico multifacetado de culturas.

Por fim, o enredo ressalta o grande mistério da fé e de um segredo bem guardado quando todas as crenças se unem em oração, em consagração através de milagre e aparição. Vale a pena conferir? Tudo vale a pena… por que Alma Carnavalesca não é pequena.

SINOPSE

Em um mundo de mitos e lendas, recorremos a Orfeu da Conceição como nosso Aedo, narrador e condutor da história. Descendente do mito grego, ele, que conhece o passado, o presente, e o futuro, ele, que por amor desceu “ao abismo da saudade, aos confins da eternidade”, aprendeu a cantar, contar e interpretar histórias, principalmente, as que dizem que nunca existiram. Depois de viajar por muitos séculos, nosso Orfeu, juntando as lendas, tentou fazer um fado, mas quis o destino que saísse um samba fadado… fadado a contar como as histórias de lã acabaram sendo também as histórias de cá.

1. Hoje a Tijuca é o pescador de histórias, essas que flutuam nas vagas de um oceano mágico, imaginário, de espumas que rendam e bordam personagens.

Ó, mar salgado! Quanto de teu sal vem dos “fados” de Portugal? És o mar cantante que dedíilha uma lira e versa versos de Orfeu, que entoa tudo aquilo que não se prova existir, que mareja nos olhos do horizonte distante e que, em seu vagar constante, se faz ouvir, “do nada que é tudo”, e que cisma em nos contar.

Vai buscar, no tempo distante, “OFIUSSA”, o Reino mítico, terra das serpentes que residiu nas épicas linhas do poema de Homero; páginas de feitos heroicos daquele Odísseu, que singrou o mar, fora do azul Egeu, num desvio aventureiro, para além das colunas de Hércules, ao desconhecido para desvendar o mistério de um mágico lugar.

Descreve do alto de um castro imponente, a morada encantada da mulher, rainha serpente, fadada à solidão e carente, a governar um povo hostil, temido por todo e qualquer navegante. Diz o destino, fado, por ironia, que ela se deixou seduzir, um dia, por esse tal guerreiro errante e que por ele fez de pedras se erguer uma cidade deslumbrante, Olissipo, Lisboa, disposta à foz do Tejo, que brota do desejo como a cidade de Ulisses em honra ao bravo herói de Tróia visitante. Fado que canta traição e ciúme que se faz eternamente como uma ardente lenda de amor.

Contam suas águas, em melodia, nos acordes dessa lira do delírio, que nessa terra, um dia, se deixou desvendar o segredo guardado das naus fenícias, que serias tu a terra mágica das riquezas escondidas, da prata e do ouro de Ofir.

Foste, então, de sua praia bravia, disfarçada em brumas, de onde esse tal tesouro escorria, o raro metal que luzia no rico trono de Salomão. Seria lá a mina resguardada pelo negro rochedo dos cavalos de Fão, o eterno guardião, que ora se esconde para emergir das marés e proteger-te dos grandes olhos da cobiça.

Eis o desafio do conto que aumenta um ponto.

2. Permanece o mistério…

Foste, em tempos ídos, a terra pisada da grande caminhada dos povos na idade do bronze. Esses que te confiaram a magia druída dos celtiberos e que te apresentaram a crença pagã de primitivas divindades e seus cultos a florescer e festejar primaveras.

Também foste o refúgio dos povos que te ofereceram a celebração do vinho e te trouxeram as cepas para germinar, na fertilidade de seus vales, espalhando, em teu solo, tribos, reinos sem reinado.

3. Serviste também como palco constante de invasão de impérios ricos e dominantes, e viste a tua terra escrava, por tempos de muito tempo… uma era; mas, que também se levantou altiva, pois lutaste batalhas, forjaste heróis do solo lusitano e triunfaste sob a espada e a coragem do mito herói Viriato – aquele te fez conhecer a breve liberdade e te fez nascer um reino!

Mas um dia, o tempo não te fez estável a gozar da soberania e viveste um novo domínio que se arrastou por longos mil anos. Uma era que modelou costumes, crenças, língua, hábitos e arquitetura; que te dera segredos mágicos, receita de sabores; que compartilhou saberes, encantarias e sortilégios, dando-te o mosaico: um rabisco de tez forte, de traços e de contornos morenos, mouriscos…

Passaram-se centenas de “mil e uma noites” nesse teu “Conto de Fado”….

4. E finalmente se batizou, como o conhecemos, Portugal; transformaste em reino de vocação e de ímpeto ao mar, pois é, de fato, fado, porque “assim a lenda escorre ao entrar na realidade e, ao fecundá-la, decorre”.

“Navegar é preciso”, nesse lendário lugar, onde, por mais que se procure diferir, tudo rima com mar, desbravar, invadir, glorificar, com tanto fado de amar, lança homens de coragem ao mar, em velas que se inflam e partem avante, de Sagres, o saber sem par.

Seguindo o caminho sobre as ondas e, assim, conhecer, desvendar, sincretizar mistérios mundo afora. Dos ilês de África, contidos nas conchas do Ifá, lavar a alma, o espírito de aventureiro de sal e de sol, ao vento, percorrer no intento, contornos do Reino de Matamba até as praias de Zanzibar.

E é dessa forma que o Fado, navegador errante, segue o rastro de aroma inebriante, de especiarias distantes, no Índico mar de Samorim, a beijar ardentemente, com gosto de cravo e de canela, a Costa do Malabar. Fado que ainda mais vagueia, rabiscando, nas águas, imagens alheias, palavras soltas que Camões irá juntar e ilustrar naquela famosa viagem, quando os navegantes chegam à Ilha dos amores, grande e bela, e encontram as ninfas a espera, e depois de um descanso profundo, se desvela a “Máquina do Mundo”, total explicação da vida, verdade que fora escondida.

Ao sabor do vento ou na deriva da calmaria, seu fado desliza lento e tece encontro e conhecimento, da terra da seda, negócio da China milenar… mas, que também vislumbra a miragem de paraísos selvagens, da “ilha de Vera Cruz”, de “Pindorama” ou mais além, as terras da aborígene Guiné no desconhecido e longínquo mar da Oceania. Ao longe, sempre e forte, ouve -se a voz do Velho do Restelo, consciência crítica e apelo contra a cobiça desmedida, desvelo, voz que entoa o alerta desse fado, contra a ganância sem fim, a voz de empatia com cada terra conquistada e invadida, voz ainda hoje ouvida.

5. Esse Fado – que hoje é o nosso canto – vem agora cumprir seu ideal ao revelar, com grandeza e encantos, versos do pequeno, imenso Portugal. Através de seus poetas que descrevem jeitos e maneiras, os nossos descreverão um pouco dessa gente que se espalhou ao mundo e fez da nossa a sua pátria também.

Hoje , assim como o fado, inventamos um mar nessa Tijuca, um vaivém de encanto que se veste, imponente e orgulhosa, a ostentar suas “ eiras e beiras”, com o seu “Samba Fadado” a se unir num orfeão que ecoa ao cantar esse conto. Vem festejar e te abraçar, perfumada de flores, de alfazema, de cravos e tantas outras cores e 6 se cobrir de encanto, de devoção, de cantaria e de fé num desfile em romaria.

Abençoado Portugal! Que assim seja o vosso nome, por todos os Santos, filhos do seu chão.

Que Fátima, com seu último segredo, nos faz descobrir que também és “Aparecida “ e nesse enredo, esse Fado de sambistas“ , “Orfeus do Carnaval “ és também Oxum e todas as Yabás, porque toda mãe é rainha em oração e todas as crenças se unem em perdão!

E roguemos a Deus que leve os nossos corações com fervor ao seu sagrado Rosário na Cova da Iria, que a sua graça esteja presente, na Unidos da Tijuca, no seu grande dia!

Amém!

ALEXANDRE LOUZADA
Primeiro setor:  FADOS de Ofiussa e Ofir
Segundo setor:  FADOS de magia
Terceiro setor: FADOS invasores
Quarto setor:  FADOS à  beira mar
Quinto setor: FADOS d’alma “portuguesa com certeza”
Sexto setor: FADOS dos segredos da fé

Águia de Ouro comemora 47 anos e anuncia retorno de experientes profissionais

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Completados no último dia 09 de maio, a Águia de Ouro realizou a festa de 47 anos de existência no último sábado. Com direito a bolo e “Parabéns pra Você”, a agremiação do bairro da Pompeia, na Zona Oeste de São Paulo, aproveitou para apresentar a equipe para o carnaval 2024. Com grande parte dos integrantes em cargos de gestão e diretoria mantidos, o retorno de dois participantes para a composição de uma Comissão de Carnaval que assumirá as rédeas da parte criativa do desfile foram os grandes presentes da noite, aproveitando o clima festivo na quadra da azul e branca.

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Fotos: Will Ferrreira/site CARNAVALESCO

Velhos conhecidos

Dois dos três principais nomes criativos da Comissão de Carnaval da Águia de Ouro voltam à escola após anos de hiato. Um deles é Victor Santos, carnavalesco que assinou os desfiles entre 2006 e 2009 de maneira solo e esteve na comissão que montou os carnavais de 2000, 2001 e 2003 – os dois últimos anos, por sinal, tiveram execução da ala musical e da bateria: “De Salém a Brasília, o que vale é a bruxaria” e “A milenar cultura de um povo, quem tem olho grande já entra na China”, respectivamente.

Em 2024, completam-se quinze anos do último desfile que teve Victor Santos à frente do desfile. Ele revelou o sentimento de retornar à Pompeia: “É muito especial. Muito! Eu sou cria da Beija-Flor de Nilópolis e fazia parte da comissão de carnaval, com o Laíla e toda aquela equipe maravilhosa de profissionais. Eu resolvi vir para São Paulo e o Águia de Ouro, com o presidente Sidnei, acreditou no meu trabalho como carnavalesco solo. E, ali, foi plantada uma semente. Isso faz 23 anos, muito tempo. Hoje, você vê: agora, eu sinto que estou colhendo os frutos daquele período maravilhoso, com grandes carnavais e polêmicas – enredos como pedofilia e a bruxaria de Salém. Agora, eu volto e encontro uma Águia amadurecida, com uma estrutura maravilhosa para fazer o carnaval. A recepção, depois de tanto tempo, encontrar essas pessoas, eu sinto que é um caso de amor. Eu só tenho a agradecer, porque quando acontece um encontro como esse, é só alegria, é uma felicidade muito grande. É diferente quando a gente participa de uma escola como profissional e não conhece a escola: aqui eu me sinto parte da escola, parte dessa família. Isso conta para o desenvolvimento de um enredo que é pura emoção. Quanto mais emoção, melhor”, pontuou.

Quem também está de volta é Claudio Cavalcante. Se você não o conhece com o nome de batismo, certamente o reconhecerá pelo apelido no mundo do samba: Cebola. Participando de, ao todo, sete desfiles da escola (como carnavalesco solo em 2004, 2005, 2012 e 2013 e criando desfiles juntamente com outros profissionais em 2011, 2014 e 2015), o experiente sambista revelou que será diretor artístico.

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“É especial, eu fiquei emocionado. Eu não só queria estar aqui como eu pedi para estar aqui. Dez anos depois eu volto, e eu acho que eu não consegui expressar tudo aquilo que eu queria, eu vou expressar com trabalho. Com as nossas loucuras, com as nossas teatralizações – o Águia vem bem teatralizado nesse ano a pedido do presidente. Essa equipe que ele montou é fantástica, de peso. Com essa comunidade, é só seguir o trajeto que eu acho que a gente vai chegar no nosso objetivo maior”, revelou, já contando um dos pedidos do presidente da escola, Sidnei Carrioulo Antonio.

Quem atuará de maneira próxima aos dois novos contratados é Marcio Gonçalves, que já estava na escola em 2022 como diretor de alegorias. Em declaração à comunidade, ele citou a força do barracão da Águia de Ouro e também revelou estar muito contente por ter permanecido na agremiação.

Sem comparações

Ao resgatar o passado na azul e branca de Nilópolis, onde atuou com frequência a partir de 1998 (ano em que a Beija-Flor passou a contar com uma comissão de carnaval), Victor fez questão de pontuar que o carnaval paulistano possui uma identidade própria que precisa ser cada vez mais valorizada.

“Eu não consigo fazer esse paralelo. O cenário é São Paulo, e nós temos que olhar para as nossas raízes: como surgiu o carnaval, quais são e fortalecer essas tradições, procurar uma identidade de carnaval com a cidade. As pessoas têm tentado fazer muitos paralelos entre o carnaval de São Paulo e do Rio de Janeiro, e o carnaval daqui é muito diferente, a começar pela moldura da cidade. No RJ há uma moldura com o Pão de Açúcar, a praia; e, aqui, temos a cidade, a modernidade, a novidade, a coisa caótica que encontra um sentido no meio dessa cidade. Esse carnaval adquire uma identidade muito diferente da que temos no Rio. Agora, a estrutura para desenvolver grandes desfiles nós já temos. Temos a Fábrica do Samba, equipamentos novos (e o Águia está se estruturando para isso) para cada vez termos carnavais mais poderosos e bem estruturados, para alcançar o nível que o carnaval brasileiro alcançou – que é muito grande”, afirmou.

Após o tão sonhado título do Grupo Especial conquistado no ano de 2020 com o enredo “O Poder do Saber – Se Saber é Poder… Quem Sabe Faz a Hora, Não Espera Acontecer”, a Águia de Ouro busca retornar ao Desfile das Campeãs. Em 2022, a Pompeia foi a sexta colocada com “Afoxé de Oxalá – No ‘Cortejo de Babá’, Um Canto de Luz em Tempo de Trevas”, enquanto foi a oitava colocada em 2023 com o tema “Um Pedaço do Céu”.

Enredo para 2024

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Estava previsto para a festa de aniversário da Águia de Ouro o lançamento do enredo da escola para o próximo carnaval. Ao assumir o microfone da festa, Sidnei Carrioulo revelou que “uma das revelações não poderia ser feita naquela noite”. Ao falar que tal situação envolvia o tema da agremiação, ele optou em utilizar poucas palavras e comentou que não queria gerar qualquer tipo de má interpretação. Nas palavras do comandante, dentro de “dez ou, no máximo, quinze dias”, todos saberão do enredo.

Recebida com festa e carinho, Lucinha Nobre declara: ‘Me sinto genuinamente feliz, sempre amei a Tijuca’

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Novidade importante e também nostálgica na equipe da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2024, é a volta da consagrada porta-bandeira Lucinha Nobre, a qual já possuía passagem pela escola em que sempre demonstrou muita afeto e respeito. Ela fará par com o jovem mestre-sala Matheus. * CONHEÇA AQUI O ENREDO DA TIJUCA

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Fotos: Isabelly Luz/Site CARNAVALESCO

“Eu me sinto genuinamente feliz, sempre amei a Tijuca. Eu saí da escola, mas meu irmão ficou, minha família tem muita história nesse lugar. Comemorar meus 40 anos de carreira nessa escola tão querida para mim é realmente especial”, disse a porta-bandeira.

A relação de carinho entre Lucinha e a Tijuca sempre foi algo visível, uma vez que mesmo após sua saída em 2009 com passagens por outras agremiações como Mocidade e Portela, os torcedores tijucanos sempre desejaram sua volta triunfal. Convém também lembrar a relação harmônica e de muitos anos de amizade envolvido entre a porta-bandeira e o presidente da Unidos da Tijuca Fernando Horta, por quem a mesma sempre garantiu ter muito carinho e gratidão.

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Lucinha e Matheus, primeiro casal da Unidos da Tijuca

“Reencontrar e voltar a conviver com o Horta para mim é um presente da vida. Ele sempre foi como um pai para mim, foi responsável pela formação do meu caráter, tanto da porta-bandeira quanto do ser humano que eu sou, então poder estar na asa dele é muito gratificante”.

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Thainá Teixeira e Rafael Gomes, segundo casal da Tijuca

A festa tijucana no último sábado também contou com a apresentação oficial da segunda porta-bandeira Thainá Teixeira, primeira porta-bandeira da Acadêmicos de Vigário Geral. Já na defesa pelo pavilhão tijucano, Thainá fará par com Rafael Gomes, que até o ano passado bailava com a porta bandeira Lohane Lemos, também na agremiação.

Milionária, Beija-Flor projeta enredo delirante para brigar pelo topo do Grupo Especial no Carnaval 2024

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A Beija-Flor de Nilópolis anunciou no último sábado o seu enredo para o carnaval de 2024. A quarta colocada de 2023 levará para a avenida o enredo “Um delírio de carnaval na Maceió de Rás Gonguila”. O tema é desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo, que estreia na Deusa da Passarela e volta a propor delírio em um desfile. Com promessa de apoio milionário da prefeitura de Maceió, o evento na quadra da escola contou com a presença do prefeito da capital alagoana, que festejou a parceria com o carnaval carioca. Se tudo caminhar como o anunciado, escola está rica. A prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, publicou neste 15 de maio, no Diário Oficial da cidade, que destinará a quantia de R$ 8 milhões para a Beija-Flor ser mais deusa do que nunca no carnaval 2024. Aporte financeiro que muda o patamar da escola e deixa o carnavalesco João Vitor, mais à vontade para voar na imaginação e, quem sabe, voltar a dar a escola notas máximas em quesitos, como, “Alegorias” e “Enredo”. * LEIA AQUI A SINOPSE

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Prefeito de Maceió, João Henrique Caldas. Fotos: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Um enredo patrocinado com apoio de uma prefeitura, mas que está longe de um simples CEP. Assim que se pode definir a temática que a Deusa da Passarela levará para seu próximo desfile. O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, presente na quadra exaltou participação de sua cidade no desfile da Marquês de Sapucaí e falou da importância que é a cultura da cidade ser mostrada no maior espetáculo da terra.

“Estamos extremamente felizes em fazer parte dessa escola. Sairemos eternizados e vocês vão garantir que nós, lá de Maceió, sejamos a capital do Nordeste mais visitada e, agora, mais conhecida culturalmente. Pelas nossas histórias, pelas nossas belezas, pelas nossas raízes e pelas nossas tradições”, falou o prefeito JHC.

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Prefeito de Maceió presente na quadra exaltou participação de sua cidade no desfile da Marquês de Sapucaí

A escola que, nos últimos 20 anos, foi campeã com Manaus e Macapá, agora propõe um encontro das nobrezas de Maceió, Nilópolis e da Etiópia, representadas por personagens que nunca se viram. Essa narrativa tem como ponto central a história de um homem chamado Benedito, cujo apelido era Gonguila (por sua falta de habilidade em uma brincadeira de infância), e em uma profecia terminou se autodeclarando príncipe da Etiópia e colocando a palavra Rás na frente de seu apelido, que é um prefixo do nome de um nobre. Daí nasceu o delirante enredo que João Vitor Araújo defenderá na azul e branca de Nilópolis. Para ele não é novidade enredos que partem de uma ilusão, já que apresentou a mesma ferramenta para desfilar a Unidos de Padre Miguel, em 2018, e o Paraíso do Tuiuti, em 2020.

“Eu já conhecia a história de Rás Gonguila através do nosso enredista Rodrigo Hilário. É uma história muito bonita desse homem preto que se autocoroou príncipe da Etiópia e vivia em Maceió. A partir disso, ele se tornou um dos homens mais respeitados da história da cidade. Ele era um influenciador na época. Até Getúlio Vargas precisou que Rás Gonguila subisse no palanque para alavancar sua candidatura no Nordeste. Quando a gente apresentou a proposta para escola, se criou uma parceria. E surgiu ainda o acordo da prefeitura de Maceió conosco, que fez desse lugar lindo, cenário para a nossa história”, disse o carnavalesco, explicando a sua ideia do enredo.

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Carnavalesco João Vitor estreia com o status de sonho antigo do presidente Almir Reis

O carnavalesco João Vitor estreia com o status de sonho antigo do presidente Almir Reis. Com a saída de Alexandre Louzada, agora na Tijuca, e de André Rodrigues, atualmente na Portela, o caminho estava livre para o ex-parceiro de Rosa Magalhães trocar o Campo de São Cristóvão pela Estrada Mirandela. Com a bagagem de bons trabalhos realizados e belo desfile pelo Tuiuti, no último carnaval, João falou ao CARNAVALESCO sobre sua chegada à nova escola e a influência de trabalhar com a professora.

“A Rosa Magalhães me deixou mais leve, mais sonhador. Por isso eu me dediquei muito à essa história, que é um delírio e não fiquei preso a uma referência. O enredo está pronto e a escola está toda desenhada. Estou trabalhando desde que cheguei, porque estar na Beija-Flor é diferente. Com todo respeito à minha história em outras escolas, mas aqui é diferente”.

Novo carnavalesco na busca de brigar pelo título

Desde 2018, a Beija-Flor vem fazendo ajustes no posto de carnavalesco da escola, procurando manter uma base artística. Em 2018, a escola desfilou com uma comissão de carnaval liderada por Laíla. Com a saída do lendário griô, a escola manteve a comissão para 19 e acrescentou Válber Frutuoso, hoje diretor de harmonia. Para 20, a comissão de carnaval foi desfeita e Cid Carvalho ficou para assinar o enredo, em parceria com o recém-chegado Alexandre Louzada. Já para 22, Cid deixou a escola e Louzada assinou o desfile sozinho, que recebeu a companhia de André Rodrigues na produção do carnaval 2023. Agora, sem Louzada e André, um novo carnavalesco chega para dar uma repaginada na parte artística da escola, que manterá a equipe de barracão.

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‘A gente tem hoje o carnaval entregue ao João, que vai zelar pela plástica e apresentar na avenida um trabalho a altura do que é Beija-Flor’, diz Dudu Azevedo

“A escola sai das concepções e das leituras que estava fazendo. A gente preserva sempre a criação coletiva com a nossa equipe de carnaval no barracão. A gente tem hoje o carnaval entregue ao João, que vai zelar pela plástica e apresentar na avenida um trabalho a altura do que é Beija-Flor. E ele vai contar com uma grande estrutura que a escola tem. Se deus quiser, a gente garantindo notas com os quesitos de chão e fazendo uma boa plástica, faremos um grande trabalho em 2024”, disse o diretor de carnaval Dudu Azevedo.

A expectativa é que, com o aporte financeiro de R$ 8 milhões da prefeitura de Maceió e mais o que a escola puder arcar, a equipe artística da escola consiga implementar todo o seu projeto no desfile. A escola de Nilópolis deixou alguns décimos na pista no último carnaval em quesitos que hoje competem à João Vitor. E ele contou como pretende resolver o problema e agradar aos jurados.

“Trabalhando sério e corrigindo os erros. A gente tem que trabalhar em cima daquilo que é exigido pelos jurados. Eu espero muito estar aqui, no próximo 13 de maio, agradecendo de joelhos”.

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Próximo passo para o carnaval 2024, será a entrega dos sambas para a disputa na Beija-Flor

Se é para falar do encontro de nobrezas, dando tudo certo na verba prometida, dinheiro não será problema em Nilópolis. Agora, caberá ao novo carnavalesco e à direção de carnaval ajustarem o quesito “Alegorias e Adereços”, que nos últimos anos têm tirados pontos que fazem falta na classificação final da Beija-Flor. Enredo também despontuado no último desfile, é outra parte que coube João Vitor solucionar.

Disputa de samba começa em 13 de julho

O próximo passo para o carnaval 2024, será a entrega dos sambas para a disputa na Beija-Flor. O diretor Dudu Azevedo informou que fará uma reunião com a ala de compositores e, no dia 13 de julho, se iniciará o processo de escolha do samba-enredo para o carnaval 2024, se não aparecer nenhum empecilho na reunião.

Laísa Lima é a nova mestra de bateria do Leão de Nova Iguaçu

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A bateria “Rugido do Leão” já tem uma nova comandante. Laísa Lima assumirá o posto de mestra da agremiação para o carnaval de 2024. Já conhecida da escola, Laísa era diretora da bateria da vermelha, amarela e branca nos últimos 3 anos. A mestra é mais uma novidade da escola rumo ao próximo desfile.

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Foto: Divulgação

Laísa começou no carnaval desfilando na Beija-flor aos 8 anos de idade. Aos 11 entrou na bateria e aos 16 já era diretora de tamborim da agremiação. Musicista Profissional Regulamentada pela Ordem dos Músicos do Brasil, Laísa atualmente é diretora de tamborim da Beija-flor de Nilópolis e da Vigário Geral. Também já integrou o carro de som da Botafogo Samba Clube e no último carnaval foi mestra de bateria do Acadêmicos de Jacarepaguá.

“O Leão é uma escola de nome muito importante, que merece voltar à Marquês de Sapucaí. E é com esse nome tão grandioso que eu quero subir e ser conhecida como a primeira mestra da Marquês junto a eles. Agradeço a oportunidade de toda diretoria da escola por esse reconhecimento e vamos com tudo para 2024”, revelou Laísa.

Em sua equipe de 2024, o Leão já anunciou a chegada do intérprete Tiganá, dos carnavalescos Miro Freitas e Amauri Santos, a renovação dos diretores de harmonia Juarez e Nathan e do coreógrafo da comissão de frente Marcus Mesquita.

É brasilidade! Em festa das campeãs, Mocidade Alegre anuncia o seu enredo

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A atual campeã do Grupo Especial de São Paulo, Mocidade Alegre, promoveu na noite de spabado o evento “Festa das Campeãs”, onde houve apresentações das coirmãs Vai-Vai, que ganhou o Grupo de Acesso I e a escola carioca vencedora, Imperatriz Leopoldinense. Porém, o objetivo principal da festa era apresentar o enredo que a agremiação contará no Anhembi em 2024. Era madrugada, por volta das 4h e, após vários shows, a ansiedade já tomava conta. O tema foi apresentado com um longo vídeo e encenações feitas pelo Grupo Miscigenação. Logo após o enredo foi revelado, a presidente Solange Cruz e o carnavalesco Jorge Silveira discursaram e a comunidade presente mostrou uma grande aceitação com o que está por vir. O enredo se trata de: “Brasiléia Desvairada: A busca de Mário de Andrade por um país”.

Enredo e a confiança de um carnavalesco

O carnavalesco Jorge Silveira conversou com o CARNAVALESCO e falou brevemente sobre como pretende contar o tema na avenida. “A gente vem de um campeonato, a responsabilidade aumenta e vamos falar de brasilidade. A gente usa como referência uma viagem do poeta Mário de Andrade, que ele fez exatamente há 100 anos atrás. Mário é um dos principais nomes da poesia nacional e da literatura paulistana. É um ícone da cidade de São Paulo e, a partir de 1924 ele vai explorar o território nacional buscando conhecer, entender a identidade brasileira através da cultura nacional”

O enredista Leonardo Antan, está em parceria com Jorge Silveira e é responsável pela pesquisa do enredo. O profissional falou sobre o tema. “A gente desenvolveu alguns enredos para a Mocidade depois do carnaval. A gente sabia da dificuldade de fazer um enredo da altura do “Yasuke”, que foi campeão. Primeiro tentamos enredos parecidos com esses que a Mocidade tinha feito e depois fomos para esse enredo cultural, artístico e que celebra de alguma maneira a Semana do Modernismo, que começou em 1922. Investiga também como é ser brasileiro nesses momentos de crise. Isso era pauta também há 100 anos atrás. Com isso a gente vai olhar para o Mário e ver com ele quem é esse povo brasileiro”, completou.

São poucas as escolas que depositam confiança em um carnavalesco. No âmbito do carnaval se vê muitas agremiações propondo enredos para os artistas desenvolverem. Na Mocidade Alegre tem acontecido o contrário. É o segundo ano consecutivo em que a diretoria irá apostar todas as suas fichas em Jorge Silveira, visto que deu tudo certo no último desfile. Pelo discurso do profissional, ambos se encontraram e a sinergia tem dado certo. “Acho que isso tem muito a ver com trabalho. Temos que procurar desenvolver com responsabilidade e com uma narrativa que o carnaval precisa. A presidente entendeu o que estávamos trazendo para agregar com a comunidade. O carnaval é um discurso popular que precisa falar com as pessoas e a Solange tem uma responsabilidade muito grande com a sua comunidade. Ela entende que artisticamente a gente tem autoridade para fazer isso. Ela nos dá essa liberdade e nos estimula para que a gente possa criativamente conduzir essa narrativa. Para nós é um cenário perfeito e a gente pode fazer tudo que a gente acredita com o apoio da instituição. Acho que é o ideal”, disse.

Foi o primeiro título de Silveira em sua carreira, contando São Paulo e Rio de Janeiro. O carnavalesco se disse muito feliz e que a ficha ainda está caindo, além da confiança para buscar mais uma taça para a escola. “A ficha está caindo gradativamente porque eu nunca tinha sido campeão de nada na vida. Nunca ganhei nem rifa. É a primeira vez. É maravilhoso pelo carinho das pessoas. Há um ano atrás tudo era desconfiança. Agora o sarrafo aumentou, a responsabilidade aumenta, mas a confiança aumenta também. Agora eu conheço esse brinquedo e quero fazê-lo girar na máxima potência”, finalizou.

Enredo e o futuro da escola

A presidente Solange Cruz contou o processo de escolha do enredo. De acordo com ela, havia outras possibilidades, mas o último apresentado agradou, até por fazer um paralelo com o título conquistado em 2004 homenageando a cidade de São Paulo. “A Mocidade tinha dois enredos. O Jorge tinha apresentado para nós e a gente achava que ainda não era aquilo, mas ele voltou na semana seguinte com uma narrativa, explicação e todo um consenso que convenceu todo mundo porque nos emocionou. Acho que estamos carentes desses enredos. A Mocidade foi campeã com o enredo de 450 anos de São Paulo e 20 anos depois temos a Semana de Arte Moderna, todas essas viagens que Mário de Andrade fez. Eu acho que a Mocidade Alegre vai ser muito feliz com esse enredo. Eu queria demais esse resgate, convenceu a comissão de carnaval na hora da apresentação. Estamos muito felizes com essa “Brasiléia Desvairada”, disse.

Solange revelou os próximos passos de planejamento que a escola vai dar para o próximo carnaval. “Vamos ter a explanação do enredo para os compositores, até porque o Jorge já desenhou quase tudo. Ele tem pouquíssimas coisas para nos entregar. Muito bacana, ele se identificou com a escola e é incrível o trabalho que ele vem desenvolvendo aqui no nosso carnaval de São Paulo. Ele é oriundo do Rio e veio ganhar o carnaval aqui”, declarou.

Com esse campeonato a Mocidade Alegre conseguiu o seu décimo primeiro título e empatou com a Nenê de Vila Matilde se tornando oficialmente a segunda maior campeã do carnaval paulistano. Perguntada sobre a ambição de buscar a maior detentora de taças, que é o Vai-Vai, a presidente mostrou ambição. “Claro, até porque a gente fala que a Vai-Vai é uma senhora idosa que merece todo o nosso respeito. É uma escola que abrange mais de 90 anos e com todos esses títulos. Eu estou na metade ainda, mas ‘Tadeuzinho eu vou te alcançar’”.

Ito Melodia canta sambas históricos da Tijuca em apresentação na quadra

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Lendas portuguesas no enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2024

A Unidos da Tijuca anunciou o enredo que levará para a Marquês de Sapucaí em 2024 com grande festa de lançamento em sua quadra na noite de sábado, 13 de maio, data em que se comemora o dia de Nossa Senhora de Fátima, padroeira de Portugal. O Conto de Fados é o tema da agremiação. O enredo leva a assinatura do carnavalesco Alexandre Louzada, estreante na agremiação.

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O enredo não é sobre o Fado, o estilo musical típico português. A partir da etimologia do termo, Fado – destino – fabulação, amplia-se seu significado para contar as lendas relativas à história de Portugal, um conto de Fado, uma narrativa em que o destino de uma nação é descrito através das histórias passadas de geração para geração. O fado, estilo musical, se faz presente no enredo no setor da alma portuguesa.

“O Conto de Fados”, título do enredo, é literalmente uma viagem a uma Portugal mítica e mística. Um enredo que contará, em clima de encantamento, fatos e lendas populares do país. Em um jogo de palavras, o “Conto de Fadas“ se torna “O Conto de Fados”. O lúdico passa a interagir com as histórias narradas, inventadas e, sobretudo, repaginadas. Tem histórias dos antigos reinos, da Terra das Serpentes, das Minas do Rei Salomão, dos Druidas. Entre conquistas e reconquistas, o enredo cria um mosaico de riquezas, de tradições e de romarias.

Quis o destino que as caravelas de lá viessem para cá e fossem nos encontrar, e, a gosto ou a contra gosto, nos legassem uma língua, uma crença e muitas histórias. Entre erros e acertos, quis o destino que viesse de Portugal um ensaio que nos ensina a enxergar a cegueira coletiva, a perceber que a cegueira da colonização e da escravidão não foram lendas, e por mais carnavalesca que seja a nossa narrativa, temos a certeza que as sociedades devem se reinventar e, sobretudo, repensar o futuro. Estamos em tempo de reescrever essa história com cores diferentes do passado, com cores de respeito a todas as pessoas e de fé na humanidade.

Por enquanto …é isso! O resto é “segredo, não conto a ninguém! 
Sou Tijuca vou além”… além mar! A sinopse será entregue aos compositores na próxima segunda-feira, 15 de maio, às 20 horas, no barracão de alegorias situado na Cidade do Samba.

Conheça o enredo da Estácio para o Carnaval 2024

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A Estácio de Sá divulgou na tarde deste sábado o enredo para o Carnaval 2024. O desfile será desenvolvido pelos carnavalescos Marcus Paulo e Mauro Leite.

“O enredo é um grande presente da escola. Vamos falar do povo preto que disseminou sua cultura e transformou a diáspora africana em solo brasileiro. A arte, religião e dança. Vamos dar luz ao povo preto, nomear os heróis e heroínas. É o papel sócio-cultural da Estácio para o Carnaval 2024. Quando tiver todo o desenvolvimento artístico vamos sentar (Marcus Paulo e Mauro Leite) para dividirmos o trabalho”, disse Marcus Paulo ao site CARNAVALESCO.

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Confira abaixo o texto da escola de divulgação do enredo

“A Estácio de Sá, consciente do seu papel sociocultural, procura evidenciar a cultura do povo preto em um espaço de resistência, a favor do mínimo de dignidade humana e da legitimação de origens e traços culturais, extremamente, rico e diverso e as religiões de matriz africana que desempenham um papel fundamental na sua expressão.

E foi com a chegada desse povo, da região congo-angolana, em terras brasileiras que a magia africana se infiltrou nesse solo, criando raízes profundas carregadas de fé, cultura e arte mostrando o poder do renascimento e da transformação. Essa força e magia vieram guardadas no coração dessas mulheres, pretas mães, nossas mães, tias, avós, nossas bases. Não foi nada fácil e, ainda hoje, não é!

O apagamento das histórias e identidades dos pretos e pretas escravizados no Brasil é um fenômeno que ocorreu ao longo de séculos e que tem consequências até os dias atuais. Mas, o nosso povo afro, estrategicamente, criou formas de praticarem suas culturas, sua fé e sua culinária natal. Plantaram suas sementes e, mesmo num solo adverso, puderam florir entre dores e lágrimas. E tem até hoje suas histórias mantidas pela oralidade.

A Primeira Escola de Samba do Brasil vem de forma poética numa livre adaptação artística, e, também, baseado em lendas e em ricos relatos, através desse enredo, dar visibilidade as mulheres pretas guerreiras, que aqui serão “chamadas” com seus possíveis nomes de suas terras natais, ainda livres dos horrores que mais tarde as assolariam. As meninas “Kianda e Mwana ya sanza”, Cambinda e Maria Conga, respectivamente, e as estratégias por elas, e, por seus pares, utilizadas em favor da propagação de suas culturas, artes, saberes e suas espiritualidades contra a invisibilidade de suas histórias.

Por fim, cabe salientar que a Estácio tem a clara intenção de combater o apagamento cultural causado por preconceitos estruturais contra tudo que venha do povo afro-brasileiro e a agremiação entende que isso inclui aprender sobre a história das nossas irmãs e dos nossos irmãos vindos de regiões da África, cuja, cultura culminou em solo brasileiro em diáspora africana”.

Sinopse do enredo da Beija-Flor para o Carnaval 2024

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Enredo: Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila

ARGUMENTO

O enredo da Beija-Flor para 2024 é sobre as nobrezas de Maceió, de Nilópolis e da Etiópia. Um encontro mágico de personagens reais, mas que nunca se viram, guiados pela luz dos encantados e da ancestralidade, com as cores, os ritmos e os pisados dos folguedos das Alagoas. Um delírio baseado na realidade, desafiando o espaço e o tempo, algo que só o Carnaval pode nos brindar.

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Nossa história começa com as festas de Palmares e suas raízes nos cultos africanos e saberes indígenas. Marca de fé e resistência no maior dos quilombos, entranhadas nas tradições populares alagoanas, que têm o engraxate Benedito como um de seus brincantes mais ilustres. Parceiro de boêmios e damas da noite, o nobre folião das encruzilhadas passou a se chamar Rás Gonguila, a dizer que era, ele mesmo, descendente direto do último imperador da Etiópia.

Vamos mergulhar nos devaneios de Gonguila para contar como ele viu a corte de Haile Selassie embarcar numa jangada encantada para conhecer, do outro lado do mundo, os folguedos de uma terra de cores intensas, brisa mansa e mares quentes. Viajaremos no tempo e na mente do príncipe etíope dos carnavais alagoanos para mostrar o encontro dele com a Deusa da Passarela e seus soberanos.

Nessa celebração à beira-mar, veremos uma gente que pisa forte e canta alto para defender a nobreza da cultura popular. Bravos foliões de sangue alagoano, etíope e nilopolitano, que batem cabeça para os mestres do passado e repetem o gesto de Gonguila, ao vestir a fantasia da liberdade e da imaginação para se tornarem reis e rainhas na corte do Rei Momo.

Vem todo mundo para esta festa, pois os bons ventos delirantes vão guiar jangadas e pássaros encantados, a flutuar pelos mares e ares rumo Maceió – e a um belíssimo desfile na Marquês de Sapucaí!

Nilópolis | Maio de 2023

SINOPSE

Quem será o Benedito?

Nasceu em Maceió, no ano de 1905, um menino chamado Benedito, sobrenome dos Santos. Veio ao mundo numa rua que não existe mais, numa parte da cidade com cheiro de magia e maresia, entre as Igrejas de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e de São Benedito. Pouco se sabe sobre seu pai e sua mãe. Seus nomes e suas memórias viraram cinzas. A única certeza que se tem sobre eles é que sofreram na alma o horror da escravidão. Libertos e analfabetos, ganhavam o pão vendendo frutas nas ruas da velha cidade ou limpando os palacetes dos barões do açúcar.

Ao pé do ouvido do moleque, sussurravam histórias encantadas de antepassados que eram reis e rainhas em um país africano, a distante Etiópia, e que desfilavam sua realeza lá pelos altos da Serra da Barriga. A tradição que atravessou gerações levava Benedito de volta ao tempo de Palmares, o maior dos quilombos, cujo sangue nobre ainda corre nas veias das Alagoas. Tempo de dor e luta, mas também de resistência e celebração, quando Benedito ouvia dos pais: “Meu filho, dia de festa era dia de descansar as armas”.

Abaixa teu escudo, guerreiro quilombola. Repousa tua flecha, bravo caeté-wassu. Que hoje dançaremos com os espíritos dos nossos ancestrais em pajelanças caboclas, crenças do catolicismo popular e rituais da Mãe África! É dia de fazer nossos cantos e tambores ressoarem pela eternidade! Assim, sob a proteção de gameleiras e juremas, aqueles que resistiram ao açoite e não dobraram os joelhos deram origem a um povo que brinca sem perder a fé nas suas raízes.

É ele que manda na folia de Maceió

Antes mesmo de Benedito nascer, a Abissínia – nome antigo da Etiópia – já inspirava festas e cortejos no centro de Maceió, região que os jornais da época chamavam de Maceyobissínia. Era um pedaço de África na capital das Alagoas, onde os moleques passavam o tempo pelas ruas ensolaradas. Quando não rodavam direito o pião, e ele tombava no chão, diziam que era uma ‘gonga’. A falta de traquejo de Benedito com o brinquedo de madeira e o barbante de algodão deu a ele o apelido de Gonguila.

Aprendeu o ofício de engraxate e sua lida era na ponta da flanela. Gastava prosa nas calçadas, a lustrar sapatos de políticos, artistas e intelectuais na porta dos cafés e tabacarias. Mas era entre bêbados, meretrizes e desocupados que mais gostava de estar, entre goles e cigarros, carteados e sinucas. Pois foi na boêmia e nas encruzilhadas que Gonguila lapidou seu maior talento: ser folião. Um devotado súdito de Momo, líder do Cavaleiro dos Montes, bloco que fez história nos carnavais da capital, com nome inspirado nas dunas de areia da Praia do Jaraguá.

Naquele tempo, Maceió fervia entre o Sábado de Zé Pereira e as cinzas da Quarta-feira. Debaixo de um sol de brasa, a única nuvem era de confete e serpentina. Em seus conversíveis, almofadinhas e madames se divertiam nos corsos, enquanto a massa trançava as pernas no passo do frevo, importado do vizinho Pernambuco. Nas batalhas de orquestras que arrastavam multidões, vencia a que soprasse mais alto seus metais. E tome cerveja gelada para esfriar a goela e lapada de cachaça para incendiar o povo de novo!

Gonguila descia do Farol ao cais do porto e seguia até a Ponta Grossa – onde até hoje moram seus descendentes. Alto e forte, tocava clarim pelo trajeto, sempre ao lado do estandarte do bloco, todo de veludo e ornamentos dourados, com a imagem de um ginete montado num alazão. Aqui e acolá, um brincante espetava algum tostão com alfinete no pano do estandarte. Dava pelo menos para pagar os músicos e alguma bebida. Depois do desfile, virava porteiro da Fênix Alagoana, o clube dos ricos, que se embriagavam de lança-perfume nos luxuosos salões.

Um dia, faltava pouco para o Carnaval, Gonguila ouviu a notícia: bem longe dali, Rás Tafari – “príncipe respeitado” – era coroado imperador da Etiópia. Fechou os olhos e puxou na gaveta da memória as histórias dos nobres etíopes de Palmares. Entre o real e a fantasia, assumiu o parentesco com o monarca, botou um Rás na frente do apelido de infância e transformou-se em Rás Gonguila. Testemunhou a coroação do imperador e profetizou: um dia, ainda haveria de ver o encontro encantado das realezas de Maceió, da Etiópia e de uma corte azul e branca, maravilhosa e soberana.

Imperador de estandarte na mão

Em sua profecia, Rás Gonguila quase caiu duro quando descobriu sua herança africana. Tudo começou há mais de 700 anos, quando um primo distante, descendente direto da Rainha de Sabá e do Rei Salomão, fundou o Império Etíope. Séculos depois, num truque do destino, Zawditu, a imperatriz do momento estava lá super de boa, na dela, quando adoeceu e foi desta para uma melhor. Rás Tafari, filho de um conselheiro do palácio, não nasceu para reinar, mas viu o trono cair no seu colo.

Na festa da coroação, coisa igual nunca se viu. Aquele que seria o último imperador da Etiópia escolheu o nome de Haile Selassie – “O Poder da Divina Trindade”. Etnias de várias partes vieram saudar Sua Majestade Imperial, cada uma com seus trajes e adornos de festa: flores na cabeça, barro nos cabelos, pintura no corpo, joias de madeira e miçangas. Vieram também cristãos das cidades de Lalibela, onde Jesus e Maria são pretos, e de Gondar, com seu colorido festival Timkat. De presente, toda sorte de panos de estamparia, cestos, sementes, ossos e chifres de exóticos animais.

Depois de sete dias e sete noites de música, dança e banquetes, estava coroado o novo Leão de Judá. Rás Gonguila viu com seus próprios olhos quando ele saiu do palácio empunhando o estandarte imperial, de manto vermelho sangue, cetro de marfim e espada de ouro cravejada de pedras preciosas. Subiu com a imperatriz Menen em uma carruagem puxada por zebras e antílopes. Atrás deles, um cortejo alucinante de brincantes etíopes. Gonguila achou até que parecia um grande bloco de rua, rumo à jangada encantada que partiria com destino a Maceió.

De sangue azul, nilopolitano

Gonguila mergulha ainda mais fundo nos seus devaneios e convida o povo da Mirandela a participar da festa. De ori consagrado a Iemanjá e protegido por Ogum, essa gente soberana que exalta a própria nobreza com samba no pé. Tem sido assim desde os tempos dos blocos Centenário e Irineu Perna de Pau, que pavimentaram o caminho vitorioso do Beija-Flor. Em seu sonho, o Rás alagoano viu a corte nilopolitana flutuando no cais do porto de sua querida Maceió.

Pois chegou o grande dia! Batuqueiros, é hora de esticar o couro dos tambores. Velha guarda alinhada com chapéu de fita azul e branca. Passistas com bicolor e sandália de prata no pé. Baiana ajeitando a saia antes de girar na imensidão do asfalto. Acerta o passo, nobre mestre-sala, e desfralda o pavilhão, guardiã do nosso maior tesouro. Olha a Beija-Flor aí, gente, mostrando que essa escola nasceu para vencer e, cá entre nós, sempre foi chegada a viajar na imaginação.

Caiu dos olhos dos nossos ancestrais uma lágrima de saudade, lembrando o velho tempo que passou. Brincando com a imaginação, hoje seremos fantasia, um lindo beija-flor anunciando uma delirante viagem carnavalesca rumo às Alagoas. Tirem do passado a nobreza, joguem fora a roupa do dia a dia e vistam-se de reis e rainhas, como Gonguila e Selassie, que é o que vocês são!

Sobe todo mundo nesse pássaro encantado, pois os bons ventos vão nos guiar pelos ares rumo àquele pedacinho de Brasil.

Rei dos brincantes

Lá vem jangada com nobres da Etiópia singrando o mar. Lá vem Beija-flor e sua corte nilopolitana batendo as asas e soprando os ventos. No cais enfeitado de cor, Gonguila os espera ao som do frevo e balé de estandartes. E o povo nas ruas de Maceió regendo o apito dos mestres, que brincam folguedos em todos os cantos de Alagoas e abrem a sede* desta grande festa da ancestralidade.

Tem chegança e fandango de marujos. Samba de matuto dos canaviais e coco de roda da beira da praia. Bumba-meu-boi e mascarados; pastoril, caboclinhos e papangus. Cambindas e taieiras de saias rodadas. Toré dos caetés-wassu, quilombo dos cativos e maracatus – antes perseguidos, mas que hoje podem rezar bem alto o seu xangô.

E tem guerreiro, com suas cabeças de catedrais e mantos de fitas, o mais querido dos folguedos, que sintetiza a alma dos alagoanos: povo de olhar e palavras doces como o mel da cana, abraço quente como o sol e gingado manso como o balançar da palha do coco e da cana. Gente que celebra de noite e de dia, na proteção de Nossa Senhora do Rosário e dos encantados, de São Benedito e dos orixás, com a fé tecida nas tramas de rendas e bordados.

Está cumprida a profecia do encontro de realezas, que hoje coroam Gonguila, imperador do Carnaval de Maceió. É o triunfo da cultura popular, em um esfuziante banho à fantasia nas águas de infinitos azuis. Neste congraçamento, todo mundo é rei e rainha. Basta se deixar levar por um delírio de Carnaval.

* Abrir a sede (lê-se séde) é como os alagoanos chamam o início das apresentações de seus folguedos, sempre com um canto puxado pelo mestre dos brincantes. É abrir a gira, começar os trabalhos.

CARNAVAL 2024

Presidente de Honra: Anísio Abraão David
Presidente: Almir Reis
Diretor de Carnaval: Dudu Azevedo
Carnavalesco: João Vitor Araújo
Pesquisador de Enredo: Rodrigo Hilário

REFERÊNCIAS

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__________, Edberto. Rás Gonguila, o príncipe etíope dos carnavais alagoanos. História de Alagoas, 2020. Disponível em: https://tinyurl.com/muyk3h8c

Agradecimentos especiais: Prefeitura de Maceió e Fórum de Cultura Popular e Artesanato de Alagoas (Focuarte).

Entrevistas realizadas em Alagoas: Lienete Marques do Nascimento e Silviany Domingues do Nascimento (descendentes de Rás Gonguila); Mestres e mestras do Folclore Alagoano: Ana Alves Ferreira (Pastoril Recordar é Viver/Maceió), Ana Paula Rocha Lins (Taieiras Nair da Bertina/São Miguel dos Campos), Edivar Vicente Feitosa (Guerreiro Treme Terra Pilarense/Pilar) e Lucimar Alves da Costa (Chegança Silva Jardim/Coqueiro Seco); João Victor Lemos Viana (jornalista e pesquisador); Edberto Ticianeli (jornalista e pesquisador); Cármen Lúcia Dantas (museóloga); Hildenia Oliveira (museóloga); Victor Sarmento (museólogo).