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Liga-SP revela como está a revisão dos critérios de julgamento do carnaval de São Paulo

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O Carnaval SP 2024 promete cara nova às disputas nos grupos Especial, Acesso 1 e Acesso 2. O critério de julgamento dos Desfiles das Escolas de Samba de São Paulo passa por uma reformulação, com a participação de artistas envolvidos diretamente no espetáculo. Todos os quesitos estão sendo revisados e alterados de acordo com a avaliação dos grupos, em reuniões periódicas na sede da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, na Fábrica do Samba.

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Foto: Divulgação/Liga-SP

O que aconteceu:

  • Ainda em fevereiro, ao término do Carnaval SP 2023, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo decidiu por revisar os critérios de julgamento dos desfiles.
  • Desde março, grupos especializados, associações dedicadas a quesitos do Carnaval e agentes envolvidos diretamente na execução de um desfile estudam mudanças e rumos do julgamento.
  • Quesito a quesito, o presidente da Liga-SP, Sidnei Carriuolo, tem se encontrado com os artistas e trabalhadores do espetáculo para um bate-papo.
  • Até o momento desta publicação, foram reavaliados os quesitos Fantasia, Alegoria, Enredo, Samba-enredo e Mestre-sala e Porta-bandeira.

Por dentro do processo

Esta é a primeira vez na história recente que pessoas envolvidas diretamente nas notas, representando suas agremiações, participam de alterações no critério de julgamento. “Foi de extrema valia o presidente Sidnei ter aberto a pauta de conversação com todos os representantes de cada escola, e ele também ter se posicionado, ter ajudado. Eu tenho certeza de que, no ano que vem, as pessoas vão notar a diferença no resultado da apuração do Carnaval 2024”, diz Douglinhas Aguiar, intérprete oficial da Águia de Ouro e um dos artistas que participaram da revisão do critério de julgamento de samba-enredo.

O texto apresentado aos avaliadores é de extrema importância e sofreu ajustes necessários ao longo dos anos, para se adequar à evolução natural do contexto no qual o Carnaval paulistano está inserido, uma vez que não é um mundo à parte, desconexo da realidade da capital. O encerramento do Carnaval SP 2023 coincide com o fim de um ciclo na disputa e, consequentemente, o início de uma nova era, com colaboração e cocriação. “As propostas apresentadas, as mudanças pontuais no texto de avaliação produzido por nós, os que estão a frente da criação, nos permite, sem dúvida, inovar, ousar e contribuir com a ascensão do espetáculo. A concepção artística, o conjunto (algo que não era visto) e subjetividade nos permitirá novas sensações. Será preciso ousar, se arriscar e inovar. O artista não deve ter medo de se arriscar, ele precisa trazer o diferencial”, adianta Fábio Gouveia, carnavalesco da Nenê de Vila Matilde, que fez parte da reformulação dos quesitos do módulo visual: Alegoria, Fantasia e Enredo.

“Essas oportunidades, junto à Liga, abrem uma nova era. O jurado passa a compreender com clareza e maior treinamento o que cada agremiação apresentará em seu desfile. Estamos num grande momento de crescimento e isso requer uma melhor avaliação”, completa.

Tendo o Carnaval das escolas de samba seus próprios ritos, tradições e ancestralidade, em cada passo pesa a preservação da cultura e o desenvolvimento do espetáculo. Um dos quesitos que se equilibra entre a essência e o futuro é o casal de mestre-sala e porta-bandeira, que tem um bailado singular e muitas particularidades, uma combinação que não é vista em outro lugar a não ser em uma agremiação, o que torna o entendimento um pouco mais difícil.

Contornar isto passa, invariavelmente, pela vivência de quem pode ensinar: “Eu sempre sou muito a favor dos julgados serem escutados, acho que é uma forma de clareza, de ser justo, de ser leal para todas as escolas”, explica Adriana Gomes, porta-bandeira da Mancha Verde e uma das pessoas ativas e envolvidas na revisão do critério de julgamento do quesito. “Qualquer tipo de iniciativa que conte com a colaboração de todos os participantes do evento acho que é superválida. Isso já sai com com meio ponto a mais, sabe? Então, a gente vai construindo um negócio bacana pra que todo mundo saia feliz e todo mundo entre na pista sabendo daquilo que vai acontecer, entendendo o critério, entendendo a regra do jogo”, diz.

Na disputa, o primeiro lugar consagra a escola campeã, mas todos ganham quando o Carnaval se permite evoluir: “Pra gente crescer, não pode ter medo de ser julgado. O erro acontece. Então se houve um erro, se houve um acerto, vocês que estão em casa, [é] porque nós estamos preparando um grande espetáculo, acredite, nós estamos fazendo o melhor pra vocês, sem pensar em nomes”, ressalta Rubens de Castro, mestre-sala da Dragões da Real.

No Carnaval de São Paulo, os jurados avaliam os desfiles no sambódromo do Anhembi em 9 quesitos: Alegoria, Fantasia, Enredo, Bateria, Samba-enredo, Harmonia, Mestre-sala e Porta-bandeira, Comissão de Frente e Evolução.

Cubango anuncia comissão de carnaval para 2024 com Gabriel Haddad e Leonardo Bora no comando

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O Acadêmicos do Cubango anunciou uma comissão de carnaval para a realização do desfile de 2024. Oito artistas e pesquisadores irão se dividir na função de carnavalescos, coletivo que conta com a coordenação de Gabriel Haddad e Leonardo Bora. Além deles, fazem parte do grupo a pesquisadora Thayssa Menezes, o cenógrafo e figurinista Rafael Gonçalves, a figurinista Joana D’Arc Prosperi, o historiador da arte Theo Neves e as cenógrafas Jovanna Souza e Sophia Chueke.

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Foto: Raphael Lacerda/Site CARNAVALESCO

A empreitada representa o retorno da dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora para a Academia do Samba de Niterói, que sonha com o asfalto da Marquês de Sapucaí. Foi deles a ideia de construção de um coletivo de jovens artistas e pesquisadores que atuam em diferentes cenários, conforme explica Haddad:

“Nossa trajetória como carnavalescos começou em uma comissão de 7 pessoas. Dez anos depois, nos vemos na posição de coordenadores de uma nova comissão, que reúne artistas incríveis. Acreditamos na horizontalidade e na troca. A comunidade cubanguense pode ter certeza que está tendo início um ciclo de muita criatividade”.

Fazer carnaval na Intendente Magalhães está longe de ser uma novidade para eles, uma vez que lá assinaram 4 desfiles, passando por Mocidade Unida do Santa Marta e Acadêmicos do Sossego. O carnavalesco Rafael Gonçalves também participou da comissão de 2013 e reforça a importância do trabalho em grupo:

“Todo desfile é uma criação coletiva e a mistura de olhares é fundamental para que o resultado artístico final seja mais interessante. Também é muito importante ver que a comissão da Cubango expressa diferentes caras da Escola de Belas Artes da UFRJ, onde eu me formei em Cenografia e Indumentária”.

Representantes da “nova geração” da EBA, Theo Neves, Sophia Chueke, Jovanna Souza e Joana D’Arc já trabalharam em outras agremiações carnavalescas, com destaque para a atuação no barracão da Grande Rio, durante a construção do carnaval sobre Exu. Nesse trabalho, participaram da equipe que construiu a última alegoria do desfile. Eles revelam a alegria de assinar um desfile na Série Prata, conforme narra Jovanna:

“Cada escola de samba tem a sua particularidade e todo processo de criação artística tem os seus próprios caminhos. Temos certeza que conseguiremos desenvolver um belo trabalho na Cubango, muito poderoso, honrando a tradição da escola”.

Theo Neves e Sophia Chueke já trabalharam nas duas frentes artísticas básicas de um barracão de escola de samba: fantasias e carros alegóricos. A experiência como coordenadores de equipes de reprodução de fantasias é algo destacado por Sophia:

“Na universidade, atuamos em projetos grandes, como a montagem de óperas. Mas a montagem de um desfile de escola de samba é algo muito diferente, único. A experiência acumulada na Cidade do Samba certamente é um diferencial”.

Theo Neves, que estuda História da Arte, complementa o exposto por Sophia: “Atuar como aderecista e coordenador de equipes permitiu que conhecêssemos o dia a dia de um barracão, que é um universo de saberes. Queremos experimentar ao máximo, é essa a nossa forma de trabalho”.

Joana D’Arc Prosperi tem uma trajetória artística um pouco diferente: ela já assinou desfiles como carnavalesca, no interior de Minas Gerais, e, no carnaval de 2023 da Grande Rio, participou do ateliê de Fantasias Especiais e Destaques da escola. Para ela, participar da comissão da Cubango será um novo desafio em sua trajetória:

“Fazer carnaval é um aprendizado constante. Cada um de nós conhece determinadas técnicas e modos de fazer, o que é muito rico. Há uma diversidade de experiências acumuladas, e isso é bonito e estimulante”.

Já Thayssa Menezes, que é pedagoga pela UFF, professora e pesquisadora de questões de gênero e étnico-raciais no contexto das escolas de samba (é idealizadora do projeto “Mulheres Negras no Carnaval”), reforça a dimensão coletiva das escolas de samba em si, bem como a importância da integração com a comunidade:

“Escola de samba é terreiro e ancestralidade. Ouvir os compositores e caminhar pelas memórias de fundadores e demais componentes é algo fundamental. A Cubango é uma escola de muito fundamento e isso estará presente no desfile de 2024”, arremata.

João Vitor trabalha na Beija-Flor para o Carnaval 2024 com a missão de devolver o gabarito no quesito Alegorias e Adereços

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Para desenvolver o carnaval de 2024, a Beija-Flor levou João Vitor Araújo para Nilópolis. A missão dele, no entanto, vai além de garantir um bom desfile para escola. O novo carnavalesco chega com a expectativa de devolver o patamar imponente em Alegorias e Adereços. Há cinco carnavais que a Deusa da Passarela não gabarita o quesito.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

“Queremos resolver pelas mãos de João Vitor. Quando a gente tem um enredo espetacular e condições de buscar tudo o que ele pode enriquecer para o desfile, fica fenomenal. Maceió que veio para ser uma grande parceira. O carnaval precisa de estrutura, e nós temos. A riqueza e a exuberância, eu deixo nas mãos do João”, comentou Dudu Azevedo ao site CARNAVALESCO.

Para o carnavalesco João Vitor, é preciso trabalhar sobre o que os jurados querem ver. Esse parece ser a receita dele para garantir a nota máxima. Ele agora terá condições de literalmente viajar em suas criações, uma vez que desenvolverá um enredo que propõe um delírio com apoio financeiro de fora da escola. A prefeitura de Maceió irá financiar parte do carnaval, que levará para Sapucaí o enredo “Um delírio de carnaval na Maceió de Rás Gonguila”.

Em busca da tão sonhada regularidade, gabaritar quesitos vai além de conquistar o título do carnaval para a Beija-Flor. Assim como aconteceu com a comissão de frente, um ajuste fino garante anos mais tranquilos. Está começando mais um trabalho para os nilopolitanos. Com os quesitos plásticos sob nova direção, o presidente Almir Reis prometeu lutar pelo título e não se contentou com o quarto lugar de 2023:

“A comunidade pode esperar um grande espetáculo e aquilo que já faz parte da nossa história: fazer bons carnavais. Esse ano teremos muito mais gana porque está engasgado o grito de campeã”, comentou Almir Reis, no lançamento da sinopse para o Carnaval 2024.

Paraíso do Tuiuti realiza feijoada com UPM e Vai-Vai neste sábado

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Neste sábado, o Paraíso do Tuiuti realiza mais uma edição da sua tradicional feijoada, na quadra, a partir das 13h. A festa será animada com apresentação das escolas de samba Unidos de Padre Miguel e Vai-Vai (do Grupo Especial de São Paulo). Haverá também uma animada roda de samba com diversos convidados e o grupo 100%.

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Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO

Os ingressos antecipados custam R$ 20 (o prato da feijoada sai pelo mesmo valor) e podem ser adquiridos pelo telefone (21) 97398-1021.

No próximo Carnaval, o Paraíso do Tuiuti desfila com o enredo “Glória ao Almirante Negro!”, do carnavalesco Jack Vasconcelos. O tema é uma homenagem a vida e história de João Cândido, marinheiro brasileiro que se empenhou na luta contra os maus-tratos, a má alimentação e as chibatas sofridas pelos colegas.

Feijoada do Paraíso com UPM, Vai-Vai, Grupo 100% e mais
Sábado, 3 de junho, a partir das 13h
Primeiro lote a R$ 20 (feijoada a R$ 20)
Mais informações de como comprar o ingresso e reservar mesa: (21) 97398-1021

Academia das Apostas: Cursos de Qualidade

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Sem dúvida, a Academia das Apostas se destaca por oferecer cursos de excelente qualidade para apostadores que buscam aprimorar suas habilidades e conhecimentos no mundo das apostas esportivas. Esses cursos oferecem uma base sólida e recursos valiosos para aqueles que desejam levar a sério suas atividades de apostas e aumentar suas chances de sucesso.

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Um dos destaques dos cursos da Academia das Apostas é a qualidade do conteúdo educacional. Os cursos são desenvolvidos por profissionais com larga experiência na área de apostas esportivas, garantindo que os participantes tenham acesso a informações precisas, atualizadas e relevantes. Esses especialistas em apostas esportivas oferecem seus conhecimentos na forma de aulas estruturadas e detalhadas, abrangendo uma ampla gama de tópicos essenciais.

Ferramenta para apostadores novos e experientes 

Os cursos da Academia das Apostas são projetados para se adaptar a diferentes níveis de experiência. Quer seja um principiante absoluto ou já tenha algum conhecimento sobre apostas desportivas, irá encontrar os cursos certos para si. Os cursos introdutórios cobrem o básico, incluindo terminologia chave, tipos de apostas e estratégias fundamentais. Por outro lado, os cursos avançados se aprofundam em tópicos mais complexos, como análise estatística, interpretação de probabilidades e técnicas de gerenciamento de banca.

A plataforma de aprendizado da Academia das Apostas do Brasil oferece uma experiência interativa e prática. Os cursos são elaborados com uma combinação de teoria e exercícios práticos, permitindo que os participantes apliquem o que aprenderam em situações reais. Isso ajuda a consolidar conceitos e desenvolver habilidades práticas que são fundamentais para o sucesso nas apostas esportivas.

Além do conteúdo do curso, a plataforma brasileira de apostas também oferece aos alunos acesso a ferramentas e recursos adicionais. Isso pode incluir modelos de rastreamento de apostas, planilhas para análise estatística, software de simulação e outras ferramentas úteis. Esses recursos complementares permitem que os alunos coloquem em prática o que aprenderam de maneira eficaz e aperfeiçoem seu processo de tomada de decisões de apostas.

Outro destaque dos cursos da Academia das Apostas é a possibilidade de interagir com outros alunos e especialistas da área. Por meio de fóruns de discussão, grupos de estudo e sessões de perguntas e respostas, os participantes podem compartilhar ideias, fazer perguntas e receber feedback de pessoas com interesses semelhantes. Essa interação social e colaborativa enriquece o processo de aprendizagem e oferece uma perspectiva mais ampla sobre as apostas esportivas.

Vantagens de escolher Academia de apostas 

Flexibilidade é outra vantagem dos cursos da Academia das Apostas. Os participantes podem acessar o material do curso a qualquer momento e de qualquer lugar, permitindo que adaptem seu aprendizado de acordo com seu próprio ritmo e conveniência. Isso é especialmente aprimorado para quem tem agendas lotadas ou mora em fusos horários diferentes. 

Em resumo, os cursos oferecidos pela Academia das Apostas são de excelente qualidade e garantem aos apostadores recursos valiosos para aprimorar suas habilidades e conhecimentos. 

Musa da escola, Wenny Isa faz gravação especial de ‘Portela na Avenida’

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Wenny Isa, a irmã caçula de Lexa, rainha de bateria da Unidos de Bangu, no Rio, da Independente de Boa Vista, no Espírito Santo, e musa da Portela para o Carnaval 2024 fez uma gravação especial de “Portela na Avenida”. Veja abaixo a publicação feita nas redes sociais.

“Cantei “Portela na Avenida”, para homenagear a escola e a saudosa Clara Nunes. Coloquei minha voz, neste lindo samba, em uma linda tarde de sábado, e é exatamente em um sábado que serei enfaixada na quadra da Portela. Meu coração está no mais alto nível de alegria! Obrigada, Portela, por me receber e me fazer uma filha sua. convidamos à todos para amanhã, sábado, estarem na quadra vivendo com a gente esse lindo momento de alegria e muito amor ao samba”.

 

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Após o rebaixamento injusto em 2023, Império Serrano festeja fechar os desfiles da Série Ouro em 2024

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O Império Serrano fez uma apresentação espetacular em 2023, mas acabou injustamente rebaixado no Grupo Especial. Para o desfile do ano que vem, a escola de Serrinha terá a missão de fechar os desfiles da Série Ouro, no sábado de folia, na Marquês de Sapucaí. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Jeferson Carlos, diretor de carnaval, falou da opção por encerrar o espetáculo.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Acho que foi tudo positivo para o Império Serrano. A gente já se planejava para vir na posição par, até por questão logística de barracão, e graças a Deus a gente vai mais uma vez fechar o carnaval que era tudo que os imperianos queriam. Nosso presidente Flavinho está conseguindo fazer o dever de casa e o Império está seguindo dentro do seu planejamento”, garantiu.

Jeferson Carlos também comentou sobre o enredo (lançamento no dia 15 de julho) para o desfile do ano que vem e confirmou que a escola fará disputa de samba-enredo.

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Jeferson Carlos assumiu o cargo de diretor de carnaval. Foto: Pedro Siqueira/Divulgação

“A gente está trabalhando com quatro ou cinco possibilidades de enredo. A gente está analisando qual o melhor caminho. Estamos muito tranquilos com essa questão de enredo. Vai ser com disputa, tradicional, tudo que os imperianos gostam, a gente vai seguir mantendo”.

No retorno ao Grupo Especial, Porto da Pedra aposta na sabedoria popular brasileira para mostrar as garras na avenida

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Depois de garantir o tão sonhado retorno ao Grupo Especial com o aclamado desfile “A Invenção da Amazônia” em 2023, a Unidos do Porto da Pedra se prepara para pisar forte no Grupo Especial do carnaval carioca. Novamente, o desfile será desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes, renovado para o carnaval de 2024, a partir do texto e da pesquisa do enredista Diego Araújo. Na apresentação da sinopse do enredo “Lunário Perpétuo: A profética do saber popular”, que apostará na valorização da cultura e do saber popular brasileiro, a partir do livro homônimo de 1594, o Tigre de São Gonçalo apostou em uma novidade. Os compositores da escola receberam o texto que guiará a escola no próximo carnaval em um livro, representando o Lunário Perpétuo, do astrônomo e naturalista espanhol Jerónimo Cortés. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Mauro Quintaes abordou o surgimento da ideia do enredo, a partir de um programa de rádio.

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Fotos: Gabriel Gomes/Site CARNAVALESCO

“Depois do sucesso da Invenção da Amazônia, eu estava saindo da comemoração da quadra, na Ponte Rio-Niterói, ouvindo rádio e estava passando um especial do Elomar, que é um encantador nordestino com foco na música medieval. Aí, surgiu o nome do Antônio Nóbrega e ele me abriu um olhar para o seu trabalho de 2002, chamado Lunário Perpétuo. Quando cheguei em casa e fui pesquisar o Lunário, já liguei pro Diego Araújo e falei: ‘Já temos o enredo’ e mandei o texto do Lunário Perpétuo, a partir daí, a ideia foi se consolidando com a pesquisa dele. Quando eu mostrei pro presidente, ele na mesma hora aceitou, pois realmente, é um enredo muito pertinente, é bonito, é diferente, tem essa pegada nordestina, mas também fala de alquimia, agricultura, relações humanas. O Lunário foi um grande achado, esse livro que é importantíssimo para nós nesse momento. A presença do Antônio Nóbrega, esse personagem importante da cultura musical, teatral,
esse grande pesquisador, homem da cultura, dentro do nosso enredo, vai ser muito bom para escola e pro carnaval carioca”, explicou o carnavalesco da Porto da Pedra.

Apesar de se basear na obra “Lunário Perpétuo”, de 1594, engana-se quem pensa que o enredo da Porta da Pedra para 2024 será a mera narrativa da famosa e difundida obra dos tempos medievais. A partir dos saberes aglutinados na obra, o desfile da escola exaltará os saberes populares do Brasil, sobretudo, do nordeste brasileiro, local onde a obra teve enorme difusão.

“A mensagem é que os ensinamentos se perpetuam, da mesma maneira que a vida das pessoas vão se renovando, o próprio Lunário se ramificou em outros almanaques, em outras versões e a Porto da Pedra vai fazer a versão dela, isso é um compilado de vida, são centenas de anos que perpetuaram essa história. A cultura, o saber, o interagir, o ensinar não tem idade e a Porto vai levar isso, vai mostrar isso”, ressaltou o carnavalesco Mauro Quintaes.

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Novamente, o desfile será desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes, renovado para o carnaval de 2024, a partir do texto e da pesquisa do enredista Diego Araújo

“O Lunário Perpétuo é uma celebração aos saberes populares do Brasil, é uma viagem de um livro medieval ao Brasil para dizer como a gente pode celebrar o que a gente tem de melhor do brasileiro que é o saber popular que emerge das pessoas. Como diz a sinopse de nosso enredo, a gente encontra ele nas fases, nas vozes e na singularidade do nosso país. Isso é o mais bacana, a gente faz um passeio por como o lunário se embrenhou entre as pessoas mais simples do Brasil, nordestinos, indigenas, negros. Em cada momentinho, a gente vai encontrar um pouquinho de saber por aí”, resumiu o enredista da escola, Diego Araújo.

Obras na quadra e disputa de samba

Em busca de maior estruturação rumo ao carnaval de 2024, a Unidos do Porto da Pedra iniciou uma série de obras, em sua quadra e no barracão na Cidade do Samba. Por conta disso, o calendário da disputa do samba do Tigre ainda não está definido, como explica o Diretor de Carnaval, Aluizio Mendonça.

“Nós estamos com a quadra em obra, nós estamos esperando a obra da quadra e do barracão, ficando impossível determinada data neste momento. Entregamos a sinopse sem data para os compositores devolverem por enquanto. A Porto da Pedra vem com tudo em 2024, nós vamos fazer um samba para superar o de 2023, nós estamos indo para Cidade do Samba para ficar, pode ter certez”, ressaltou Aluizio.

Em Cima da Hora prepara desfile para valorizar a luta dos operários

A escola de samba Em Cima da Hora vai levar para a Marquês de Sapucai no Carnaval 2024, o enredo “A Nossa Luta Continua”. Após divulgarem o tema e logo do trabalho que irão desenvolver, os carnavalescos Rodrigo Almeida e Ricardo Hessez falaram sobre essa grande homenagem que irão fazer para os operários do Brasil na segunda noite de desfiles da Série Ouro no próximo ano.

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Foto: Divulgação

“Será mais especificamente um enredo sobre operários do que sobre o trabalhador em sim. Uma classe extremamente desvalorizada, não só nas fábricas espalhadas pelo Brasil, mas também no carnaval. Vamos mostrar a luta dos operários, desde os que fazem o carnaval nos barracões, até os que levam os carros para a Sapucaí”, contou Ricardo Hessez num papo com a TV Mais Carnaval.

Rodrigo Almeida falou sobre o caminho que será percorrido durante o desenvolvimento do enredo, bem como a linguagem que pretendem utilizar. “Nossa missão é dar uma visão um pouco mais poetizada do trabalhismo, mas não no sentido de tornar isso romântico. A ideia é dar uma linguagem construtiva de carnaval mais interessante, mais palatável para o público”.

A Em Cima da Hora já se prepara para divulgar a sinopse de seu enredo, visando a sequência dos trabalhos para o próximo Carnaval. Em 2024 a Azul e Branco contará com os intérpretes Rafael Tinguinha e Lissandra Oliveira, os carnavalescos Rodrigo Almeida e Ricardo Hessez, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Diego Falcão e Winnie Lopes, a coreógrafa da comissão de frente Luciana Yegros, além de outros nomes que chegaram para compor sua nova diretoria.

Sinopse do enredo do Salgueiro para o Carnaval 2024

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Para todo salgueirense.
Flecha para tocar o coração da sociedade não indígena.

Há mais de mil anos os Yanomami vivem na maior Terra Indígena (TI) do país, em um território ao norte do Brasil e sul da Venezuela, nos estados do Amazonas e Roraima, nas bacias do Rio Negro e do Rio Branco. Ou seja, quinhentos anos antes dessas duas nações existirem, eles já estavam lá. Viver na floresta é um ofício que requer uma sabedoria ancestral, não fabricada em laboratório, nem encontrada nas páginas dos livros do “povo da mercadoria”. Viver na floresta como Yanomami é ser parte dela. É conviver com seres humanos e não humanos, animais, plantas, vento, chuva e milhares de espíritos.

sinopse salgueiro2024

“Omama recriou a floresta, pois a que havia antes era frágil. Virava outra sem parar, até que, o céu desabou sobre ela. Por isso, Omama criou uma nova floresta, mais sólida, cujo nome é Hutukara”

Davi Kopenawa – A queda do céu

Entre em transe. Sonhe.

Sob o luar de um anoitecer, todos se deitam, em redes, e iluminam o breu, numa aldeia sem luz elétrica, com lanterninhas e pequenas fogueiras que vão ajudar a amenizar o ar gélido da madrugada amazônica. A nossa noite, porém, é o seu dia. Sob o efeito da yãkoana, pó alucinógeno feito das raspas de árvores que dá acesso aos espíritos, os xamãs da aldeia convocam os xapiris. Eles vêm com seus corpos translúcidos, sempre belamente adornados e brilhantes. Só quem os conhece pode vê-los porque são muito pequenos e brilham como a luz. Há muitos, muitos, milhares deles. Xapiri é luz que dança e canta.

Ãë, ãë, ãë, e, e, e, e, e, ãë, ãë, ãë, ãë!

Os cantos dos xapiris são tão numerosos que suas palavras são inesgotáveis. Eles aprendem tais melodias a partir das árvores de cantos. São árvores imensas, com troncos cobertos de lábios que se movem sem parar, uns em cima dos outros. Dessas bocas saem cantos belíssimos, tão abundantes quanto as estrelas do peito do céu. Todos os cantos dos espíritos provêm dessas árvores muito antigas. Esses espíritos ancestrais foram criados por Omama para que os Yanomami pudessem se vingar das doenças e se proteger da morte. Os xapiris são os protetores dos humanos e seus filhos, independentemente de quantos sejam, e da floresta. Eles garantem a todos nós, indígenas e não indígenas, a certeza de que o sol nascerá no dia de amanhã e que o céu não desabará sobre a nossa cabeça.

Vislumbramos o sol do alvorecer. Céu azul, corpos pintados de vermelho. Coberta de palha e folhas, com uma praça de terra batida ao ar livre, o povo da aldeia parte para a caça e a coleta da pupunha, ingrediente principal do seu “mingau”. Eles usam arcos e flechas. Elas pegam seus cestos, seus facões, seus bebês e seguem para a roça. Aventuram-se mata adentro, com corpos imitando animais, procurando alimentos, seguindo seus rastros. Abelhas comem no jatobá-roxo, jacarés passeiam pelas águas, a sumaúma impõe majestade, e os perfumes exalam do fundo da selva. Flecham os animais, pescam os peixes. Mais tarde, chegarão com tatus, mutuns, jabutis, antas… Convidam uns aos outros, de casas diferentes, para dançar durante suas grandes festas reahu.

Mas ouvem-se roncos. Estrondos. Militares estão raspando a pele da terra-mãe para a construção de estradas. A floresta é cortada em pedaços, feito retalho. Os garimpeiros, “comedores de terra”, chegaram. Para os Yanomami, as coisas que se extraem das profundezas da terra, como ouro e petróleo, são artifícios maléficos, perigosos, impregnados de tosse e febre. Omama escondeu o minério embaixo da terra para que seu irmão Yoasi,o criador da morte, não fizesse mal uso dele. Apesar da prudência de Omama, Yoasi fez com que os não indígenas soubessem desses metais, despertando a cobiça dos invasores.

O que fazem os brancos com todo esse ouro? Por acaso, eles o comem?

Enquanto reviram a terra para tirar de lá as lascas do céu, da lua, do sol, e das estrelas que caíram no primeiro tempo, a fumaça xawara da doença se espalha: a água fica barrenta; rios são destruídos; animais desaparecem… A terra é demarcada, mas nem por isso protegida. Nada será forte o suficiente para restituir o valor da floresta doente. Nenhum dinheiro poderá devolver aos espíritos o valor de seus pais mortos.

O ronco dos motores para ao anoitecer. É aí que se ouve um ruído muito pior: O DAS CRIANÇAS CHORANDO DE FOME!

Em meio à essa tragédia, precisamos admirar a beleza e a força deles. Para os inimigos dos povos indígenas, o extermínio dos Yanomami passa pela destruição dessa beleza, passa pelo esquecimento de quem são. Porque é reconhecendo a beleza, a cultura, a memória, a sua própria língua, que os Yanomami afirmam a sua humanidade no mundo. Apaixone- -mos por esse povo, por sua maneira particular de contar histórias. O respeito só pode nascer da admiração, não da pena. Afinal, o genocídio visto hoje mostra mais quem são os napë (não indígenas) do que sobre os Yanomami.

Assim como os sonhos Yanomami que surgem quando as flores da árvore dos sonhos desabrocham, sonhemos com um Brasil indígena. Os Yanomami não apenas pensam sobre seus sonhos, eles sonham aquilo que pensam, ampliando e moldando sua forma de conhecer e imaginar o mundo. De Norte a Sul, do Nordeste ao Sudeste, por toda a terra-floresta até os limites da Hutukara, os sonhos dos diversos povos originários continuarão desabrochando em nós e seguiremos sendo resistência. Antes do verde e amarelo, existia o Brasil do jenipapo e do vermelho. Antes da Coroa, existia (e ainda existe) o Brasil do cocar. Não conheceremos o Brasil antes de vislumbrar e respeitar a história indígena. Precisamos sonhar verdadeiramente a nossa terra.

YA NOMAIMI! YA TEMI XOA! (Eu não morro! Ainda estou vivo!).

sal enredo

Texto: Igor Ricardo
Desenvolvimento: Edson Pereira e Igor Ricardo
Colaboração: Davi Kopenawa e Marcos Wesley (Instituto SocioAmbiental)

Setorização
• Abertura – A Terra-Floresta: Hutukara
• SETOR 02 – Por Dentro da Mata
• SETOR 03 – A Tragégia Yanomami
• SETOR 04 – Waitheri, Totihi e Peheti! – Coragem, Beleza e Verdade Yanomami
• SETOR 05 – O Sonho de um Brasil Indígena

Bibliografia:
• KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã Yanomami. 1ª edição.\ São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
• BALLESTER, Anne. A árvore dos cantos. 2ª edição. São Paulo: Editora Hedra, 2022.
• LIMULJA, Hanna. O desejo dos outros: uma etnografia dos sonhos Yanomami. São Paulo: Ubu Editora, 2022.
• Nogueira, Thyago (org.), Claudia Andujar: A Luta Yanomami (Instituto Moreira Salles, 2018).
• PEDROSA, Adriano; RIBEIRO, David. Joseca Yanomami: nossa terra-floresta. São Paulo: MASP, 2022.
• GIMOVSKI, Fábio. Ancestrais da terra. Curitiba, PR: Editora Urukum, 2021.