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Iphan e Riotur lançam campanha de conscientização no Carnaval

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Com a chegada do Carnaval de Rua no Rio de Janeiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Riotur lançam a campanha “Quem samba cuida”, voltada à conscientização dos foliões sobre a importância da preservação dos bens culturais tombados em nível federal durante a festa.

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Foto: Divulgação/Riotur

A iniciativa é desenvolvida em parceria pelo Iphan, Riotur e Dream Factory, empresa vencedora do Caderno de Encargos da Riotur e responsável pela operação logística da festa popular mais emblemática do país junto à Prefeitura.

Desde o ano passado, Iphan e Riotur vêm desenvolvendo ações de conscientização direcionadas ao público que frequenta os blocos de rua, com o objetivo de incentivar atitudes responsáveis e conciliar a celebração da maior festa popular com a proteção do patrimônio histórico do Rio de Janeiro.

A campanha poderá ser vista no aplicativo Blocos do Rio, que traz a programação oficial de blocos de rua do Rio de Janeiro, e no site oficial Blocos do Rio da Riotur, além de estar presente em pontos estratégicos próximos a bens tombados, por meio de cartazes e lonas informativas instaladas nos cercamentos, que trazem a história de prédios e monumentos históricos com logo da campanha, especialmente em áreas por onde passam os cortejos carnavalescos.

Um hotsite do Iphan dá visibilidade à ação.

A campanha é ainda veiculada no CarnaLED, um cubo de dimensões gigantes instalado na Praia de Copacabana, que veicula informações relevantes sobre a festa popular e campanhas públicas de conscientização e educação. Também acontece divulgação nas redes sociais, que reforçam a importância da colaboração do público e orientam para que não subam nos monumentos e que não pratiquem qualquer forma de depredação dos bens históricos. Durante o período de desfiles, acontecem conversas constantes com a direção dos blocos do calendário oficial para um trabalho em conjunto da disseminação de informações.

 

Para a superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Patricia Wanzeller, a participação dos foliões é decisiva para a proteção destes bens. “Os monumentos históricos contam a história da cidade e do país. Preservá-los é um ato de respeito à nossa memória coletiva. O Carnaval é uma manifestação cultural potente, que pode e deve acontecer com cuidado e responsabilidade em relação ao patrimônio”, afirma a superintendente.

 

 

Segundo o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, o Carnaval de Rua do Rio ocupa alguns dos espaços mais simbólicos da nossa cidade, e essa campanha é um convite para que todos os foliões celebrem com consciência. “Preservar os bens históricos é cuidar da memória, da identidade e do futuro do Rio. É possível curtir a festa com alegria e, ao mesmo tempo, com respeito ao nosso patrimônio cultural”, completou ele.

Ingressos populares para o desfiles do Grupo Especial do Rio Carnaval 2026 serão vendidos nesta quinta-feira

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A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) realiza nesta quinta-feira (5) a venda dos ingressos populares para o Rio Carnaval 2026. Com o preço de R$ 10 (R$ 5 a meia-entrada), será possível garantir um lugar nos setores 12 ou 13 da Marquês de Sapucaí para os desfiles do Grupo Especial.

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Foto: Divulgação/Rio Carnaval

Assim como no último ano, as vendas acontecerão na plataforma da Ticketmaster Brasil, a partir das 10h. Será possível adquirir entradas para todos os dias de desfiles competitivos – domingo, segunda e terça-feira –, além do Sábado das Campeãs. Basta acessar o link https://www.riocarnaval.com/ingressos e clicar em Arquibancada.

Ingressos gratuitos para o Setor 1

Um dos locais preferidos dos sambistas que gostam de acompanhar o tradicional “esquenta” das escolas de samba, o Setor 1 receberá uma nova etapa de cadastro gratuito neste sábado, a partir das 8h. Depois de percorrer as quadras das agremiações para receber torcedores e componentes, chegou a vez do Sambódromo, onde cada espectador poderá registrar, no espaço montado atrás do Setor 11, na Avenida Salvador de Sá, a biometria facial para um dia de desfile competitivo à escolha, além do Sábado das Campeãs.

Para validar a participação, basta levar um documento oficial que contenha foto e CPF, como RG ou CNH. Menores de idade devem estar obrigatoriamente acompanhados dos responsáveis. O cadastro irá até as 14h ou até esgotarem as vagas disponíveis.

Os desfiles competitivos do Rio Carnaval 2026 acontecerão nos dias 15, 16 e 17, com as seis melhores colocadas voltando para comemorar no Sábado das Campeãs, dia 21.

Público reage sobre os ensaios técnicos da Viradouro, Imperatriz, Grande Rio e Beija-Flor

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A noite de domingo chegou para finalizar o primeiro final de semana dos ensaios técnicos do Grupo Especial, com apresentações da Unidos do Viradouro, Imperatriz Leopoldinense, Acadêmicos do Grande Rio e Beija-Flor de Nilópolis. Apesar da chuva forte, a noite foi marcada por um público apaixonado e pronto para enfrentar os obstáculos com alegria para viver a magia do carnaval. Os espectadores ficaram encantados e surpreendidos com o desempenho de cada escola. Foi uma noite emocionante, marcada pela potência das comunidades e pela paixão do público, que se manteve ali do início ao fim, reafirmando o amor e o pertencimento de estar na Marquês de Sapucaí. Cada pessoa com sua perspectiva, impressões e opiniões sobre as escolas, sobretudo unidas em prol do maior espetáculo da Terra.

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Foto: Vítor Melo/Divulgação Rio Carnaval

Renata Cristina, de 49 anos, mãe de santo e torcedora da Vila Isabel, nasceu na segunda-feira de carnaval e esteve presente no ensaio para começar as comemorações de seu aniversário e aproveitar o espaço para tirar fotos que serão exibidas no painel de sua festa. Renata afirma que amou os ensaios, mas que a melhor escola da noite foi a Grande Rio.

“A Grande Rio levantou para mim mais população. Sabe qual é a minha escola de samba? Vila Isabel, mas eu amei tudo. Amei a comissão de frente da Beija-Flor e da Grande Rio. Para mim, maravilhosa. A Beija-Flor me surpreendeu mais por causa da evolução, a coreografia, o passo ensaiado, foi tudo muito bonito, mas a Grande Rio fez um belo desfile”, afirma Renata.

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Renata Cristina, de 49 anos, mãe de santo e torcedora da Vila Isabel

O chefe de cozinha Luiz Fernando Bento, de 31 anos, esteve na frisa 3 assistindo ao ensaio do início ao fim e também falou sua perspectiva sobre cada escola.

“Todas as escolas tiraram onda, mas a Viradouro tem que levantar o samba dela, porque o samba dela está muito para trás… A Grande Rio tem que levantar o samba, que é uma escola boa, porque não adianta ter dinheiro e o samba estar lá atrás. O que vale é o samba. Agora, Beija-Flor e Imperatriz hoje tiraram onda”, afirma Luiz.

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Chefe de cozinha Luiz Fernando Bento, de 31 anos

Para ele, o samba que mais rendeu na avenida foi “Bembé”, da Beija-Flor de Nilópolis, que também considera ter sido a melhor da noite. Porém, ficou surpreso com o desempenho do canto da Viradouro e da Grande Rio.

“Eu fiquei surpreso com a Viradouro. Eu pensei que a Viradouro e a Grande Rio iam vir botando para frente, mas o samba estava muito lá atrás, a bateria tem que melhorar um pouquinho. Mestre Ciça tirou onda, a bateria do mestre Ciça, todo respeito, vamos respeitar, mas o samba em si está um pouco para trás. Vamos levantar mais esse samba”, diz Luiz Fernando.

Débora Inaê, de 23 anos, estudante, também classificou a Imperatriz Leopoldinense como a melhor da noite. Mesmo sendo torcedora apaixonada da Unidos do Viradouro, ela afirma que a Imperatriz “rasgou” a Sapucaí.

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Débora Inaê, de 23 anos, estudante

“Eu sou viradourense, porém eu acho que a Imperatriz este ano leva porque veio muito mais animada, veio explosiva. Ela explodiu a Sapucaí, ela rasgou a Sapucaí inteira. Com chuva, com sol, ela veio e rasgou a Sapucaí. Minha Viradouro também, porém eu senti mais animação da Imperatriz”, diz Débora.

Débora ficou surpresa com o rendimento da Beija-Flor: “A surpresa para mim foi a Beija-Flor, porque eu já vi ela ‘morta’, muito ‘morta’ na avenida. Não sei se é porque este ano, como ela é a campeã, ela veio rasgando… não sei. Mas este ano ela veio rasgando bonito também”.

Tauã Martins, de 20 anos, estudante de Direito e torcedor da Vila Isabel, também esteve presente no ensaio técnico e, apesar de afirmar que todas as escolas estão bem, acredita que a Beija-Flor e a Imperatriz foram as que tiveram melhor rendimento, principalmente no samba, e também classificou o ensaio da Imperatriz como o melhor da noite.

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Tauã Martins, de 20 anos, estudante de Direito e torcedor da Vila Isabel

“Imperatriz, porque eu gostei mais da bateria, achei que a bateria deu mais vida. Toda a escola estava cantando. A Beija-Flor foi muito ajudada pelo povo, eu acho. A Grande Rio. Não achei que ela viria tão abaixo no rendimento, achei que ela viria melhor”, afirma ele.

Amor ao pavilhão: Rute e Julinho emocionam no primeiro ensaio técnico da Viradouro na Sapucaí e reafirmam devoção pela escola

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O primeiro ensaio técnico do ano da Viradouro na Marquês de Sapucaí foi marcado não apenas pelo excelente desempenho técnico do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rute Alves e Julinho Nascimento, mas também por momentos de intensa emoção e demonstração de força. O casal entrou na avenida logo após Julinho receber uma notícia pessoal extremamente delicada e, mesmo diante da dor, ele demonstrou profissionalismo, dedicação e profundo respeito à escola. Julinho foi fortemente amparado por Rute, pela comunidade e por toda a Viradouro. Esse apoio e sensibilidade renderam elogios sinceros da porta-bandeira, que falou sobre a agremiação com imensa gratidão.

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“Eu tenho 30 anos de carnaval e o Julinho tem 36. Talvez hoje tenha sido a maior prova que nós tivemos que dar como profissionais e como respeito à nossa escola, a esse público e ao nosso mestre. E, com isso, independentemente das situações coreográficas, eu dou nota 10 para o nosso ensaio, sem modéstia. E não estou me referindo apenas à coreografia. A Viradouro é realmente uma escola diferenciada. Infelizmente, porque o que ela é deveria ser unanimidade entre todas as outras, independentemente de situação financeira. Eu não estou falando em cifras, falo de respeito, de apoio, de um contribuir, um ajudar, um torcer pelo outro. Quero agradecer muito à nossa diretoria, aos Marcelos e ao Kiko, que deram a oportunidade de nós dois não ensaiarmos hoje, principalmente o Julinho. E, ainda assim, nós entramos na avenida fazendo o nosso papel”.

Quando se fala em emoção, é impossível não lembrar do enredo da Viradouro para este carnaval, que homenageia o mestre de bateria Ciça, o lendário “Mestre Caveira”, figura histórica da escola e agora celebrado em vida. Ao comentar o samba-enredo, Julinho não poupou palavras para exaltar o legado do homenageado, deixando evidente sua admiração pelo mestre, tanto como símbolo do carnaval quanto como ser humano.

“Eu acho que não só nós, mas todos da Viradouro nos sentimos homenageados. Todos nós nos sentimos Ciça, todos nós somos um Ciça na avenida. Quem conhece e convive com ele sabe exatamente quem é o Ciça.

Cada um está deixando um pouquinho do Ciça na dança: nas características, na personalidade dele, nesse jeito brincalhão e, principalmente, no ser humano que ele é.

Só quem conviveu com ele, sejam diretores ou ritmistas, sabe o ser humano que o Ciça é. Cada um de nós quer deixar uma emoção a mais, um algo a mais nesse desfile. Esse desfile vai ser por ele. Independentemente do resultado da Viradouro. que todos nós queremos, com respeito a todas as coirmãs. vai ser uma grande comoção, uma grande emoção. Não só os desfilantes da Viradouro, mas todo sambista e todo o Sambódromo vão se emocionar com essa homenagem ao Ciça”.

Questionados sobre a responsabilidade de, por mais um ano, defenderem o pavilhão vermelho e branco e sobre a busca pelos tão desejados 40 pontos, o casal fez questão de destacar o comprometimento com a escola.

“Acredito que a gente permaneça por tantos anos dançando e defendendo a bandeira pelo nosso profissionalismo. Estar tanto tempo à frente do pavilhão, com a escola acreditando que eu e Julinho podemos honrar essa responsabilidade, é algo muito grandioso. É muita honra, é muita gratidão: à minha fé, a tudo que me guia e à minha irmandade com o Julinho. Ano passado tivemos um êxito maravilhoso em relação aos resultados, mas acreditamos que isso acabou na quinta-feira depois da Quarta-feira de Cinzas. Na quinta-feira, zera tudo. Estamos ensaiando mais do que ensaiamos no ano passado, nos dedicando ainda mais para continuar ajudando a nossa escola a ser campeã”, afirmou Rute, visivelmente emocionada.

No aspecto técnico, Julinho comentou as mudanças provocadas pela cabine espelhada e como elas exigem ainda mais atenção e entrega dos casais durante a apresentação.

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Fotos: Luiz Gustavo e Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“O que muda é a exigência de estarmos o tempo todo atentos, não só aos jurados, mas aos dois lados da pista. Isso nunca foi uma preocupação tão grande, porque sempre existia uma atenção maior à cabine julgadora, o que acabava sendo vantajoso para quem estava daquele lado. Hoje, precisamos dançar e apresentar o pavilhão para os dois lados. Mesmo a dança sendo circular e cíclica, existem momentos em que estamos mais voltados para um lado do que para o outro, dependendo de onde o jurado esteja. Com a cabine espelhada, essa preocupação é constante durante toda a apresentação. Eu acho que o público ganha com isso e, nessa adaptação, entendemos que é muito mais valoroso apresentar para os dois lados”.

Em um dos momentos mais marcantes da entrevista, Julinho deixou uma mensagem carregada de fé e resiliência, refletindo o que viveu naquele dia ao lado da amiga e parceira de dança.

“Uma mensagem que resume tudo o que eu estou sentindo hoje, ao lado da Rute, e que levo para a minha vida, assim como ela leva para a dela, é que ainda temos muita lenha para queimar.

Deus é misericordioso, Deus é bom demais, e nada é por acaso. Tudo vem para nos fortalecer. Mais cedo ou mais tarde, entendemos, no tempo de Deus — e não no nosso — os propósitos Dele. Mesmo quando não entendemos, Deus sabe o que está fazendo. Hoje foi uma grande prova. Eu tenho comigo uma mulher muito forte, uma verdadeira fortaleza. A gente se abraça muito nesses momentos e se fortalece. Com o apoio da escola, da gestão, da diretoria, dos componentes, das pessoas, isso só nos levantou ainda mais. Estamos muito felizes, apesar dos pesares”.

Rute retribuiu o carinho do companheiro de dança na mesma intensidade. “Eu dou 10 para o meu mestre-sala e quero dizer que tenho muito orgulho de ser a porta-bandeira dele. A escolhida do coração dele”.

Camaleônica: Comissão de Frente da Imperatriz contempla multiplicidade de Ney Matogrosso

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A Rainha de Ramos, em 2026, presta homenagem ao lendário cantor Ney Matogrosso, artista conhecido por suas múltiplas facetas e pela diversidade de sua obra. Diante da vastidão de seu repertório e de sua trajetória, a escola se lança em inúmeras possibilidades criativas. Em conversa com o CARNAVALESCO, na véspera do primeiro Ensaio Técnico na Sapucaí, o coreógrafo Patrick Carvalho compartilhou que os “Neys” apresentados pela escola refletem a multiplicidade do artista.

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“O Ney é uma parada muito desafiadora, porque a cada ensaio poderia fazer uma comissão diferente sobre ele. A gente fez uma no mini desfile, vai fazer uma aqui, talvez faça outra depois, porque é muita coisa. E o mais difícil dessa comissão deste ano foi escolher o que fazer. O Ney é muito artista, é muito aberto”, explicou o coreógrafo.

Com álbuns que marcaram época e visuais icônicos ao longo de mais de 50 anos de carreira, Patrick também relatou a dificuldade de representar um artista tão diverso em referências e revelou a importância da orientação do carnavalesco Leandro Vieira no processo criativo.

“Não dá para resumir o Ney numa comissão. Dá vontade de falar de tudo, de fazer de tudo, porque você vai no Secos e Molhados e pensa: ‘é lindo’. Daqui a pouco olha ‘Rosa de Hiroshima’ e é mais lindo ainda. ‘O Homem de Neanderthal’ é mais lindo ainda. Dá vontade de colocar tudo numa comissão. E o Leandro falou pra mim: ‘calma, vamos escolher alguma coisa para falar dele’. A maior dificuldade foi escolher o que dizer sobre o Ney”, refletiu.

Em um ano de novidades na Sapucaí, as escolas terão critérios diferentes de avaliação para as Comissões de Frente, exigindo adaptações. Diante disso, Patrick revelou que a coreografia será abrangente e interativa, ocupando toda a pista.

“A gente vai fazer o que o julgador está pedindo e o que a Liesa está pedindo. Vai ser 360 graus, para todos os lados. Então é muito do jurado entender, em poucos segundos, e pensar: ‘isso foi pra mim’. Ele não tem dois minutos exclusivos, ele tem segundos para entender que aquilo é para ele”, contou.

Para embalar a homenagem à vida e à obra de Ney Matogrosso, a escola optou por uma junção de sambas, estratégia já utilizada no vice-campeonato de 2024. Para este ano, Patrick aposta na força da obra na avenida.

“A Imperatriz teve muito sucesso com a ‘Cigana’ na junção, e eu acho que este ano, mais uma vez, esse samba vai explodir na avenida. A gente vai sentir isso agora, pela primeira vez. Na rua, a escola abraçou, a comunidade abraçou, e as pessoas que assistem cantam junto com a gente. Mas hoje a gente vai sentir o poder desse samba”, declarou.

Em seu segundo ano na escola, e também à frente da Comissão de Frente da União de Maricá, o coreógrafo destacou seu amor pelo quesito e pela responsabilidade de representar Ney Matogrosso.

“A Comissão de Frente salva a minha vida. É ela que me dá um norte, tanto profissional quanto como ser humano. É o que me faz me inspirar em outras pessoas e também inspirar outras pessoas”, afirmou.

Camarote Rio Praia recebe participação inédita do Cordão da Bola Preta

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A avenida já está em contagem regressiva, os tamborins afinados e a Sapucaí em clima de expectativa para viver mais um capítulo histórico. Em meio à vibração da maior festa popular do planeta, uma notícia chega como destaque e promete agitar a folia: pela primeira vez, o Camarote Rio Praia recebe o Cordão da Bola Preta, em uma estreia inédita que entra para a história do Carnaval.

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Foto: Divulgação/Cordão da Bola Preta

A participação do Cordão da Bola Preta acontece no Sábado das Campeãs (21/02), logo após a última escola cruzar a avenida. É nesse instante que o tradicional bloco assume o protagonismo e puxa, literalmente, a alegria. O momento já foi apelidado de “Arrastão” porque vai conduzir o público da frisa, para dentro do camarote, reunindo os foliões para encerrar o evento daquele jeito que todo mundo ama, aproveitando até o último segundo da folia.

Durante 40 minutos, o Camarote Rio Praia se transforma em um verdadeiro baile carnavalesco. Marchinhas clássicas, coro afinado, sorrisos largos e aquela energia que atravessa gerações vão embalar o encerramento do Carnaval 2026, fechando a festa com chave de ouro. Um final apoteótico e alegre!

A presença do Cordão da Bola Preta no Camarote Rio Praia não é apenas uma atração, é um encontro simbólico entre tradição e experiência. Considerado o bloco de carnaval mais antigo do Rio de Janeiro, o Bola Preta foi fundado em 1918 e se tornou, ao longo das décadas, um dos maiores ícones da cultura popular brasileira. Suas cores preto e branco, as marchinhas eternas e o famoso hino “Quem não chora, não mama” fazem parte do imaginário coletivo da cidade e do país.

Ao longo do tempo, o Cordão da Bola Preta deixou de ser apenas um bloco para se tornar um verdadeiro megabloco, arrastando milhões de foliões pelas ruas do Centro do Rio e simbolizando os grandes carnavais de rua. Dos antigos coretos aos trios elétricos, o Bola Preta carrega em sua trajetória a alegria de gerações inteiras, sendo reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro e o último grande remanescente dos tradicionais cordões do século XX.

Trazer essa potência cultural para dentro do Camarote Rio Praia, pela primeira vez, é celebrar o Carnaval em sua essência: encontro, memória, música e emoção. É transformar o pós-desfile em desfile, a despedida em ápice e o fim em mais um começo. Quando o Cordão da Bola Preta entra em cena, não existe plateia, todo mundo vira folião.
E além da novidade da participação do Cordão da Bola Preta, o Camarote terá todas as noites o projeto Rodas de Samba e grandes nomes da música brasileira para os shows principais: Xande de Pilares (13/02), Thiago Martins (14/02), Arlindinho e Thiago Soares (15/02), Pixote (16/02), Tiee (17/02) e Belo (21/02).

Com uma das estruturas mais completas da Sapucaí, o Rio Praia está localizado entre os setores 8 e 10, com vista privilegiada para o 2º recuo da bateria. O espaço oferece open bar premium, buffet de gastronomia brasileira e japonesa, transfer exclusivo, ambiente climatizado, banheiros privativos, DJs, área beauty, customização de abadás, área VIP, lounge corporativo e o meeting point oficial no Pestana Rio Atlântica, em Copacabana.
Com tradição, excelência e olhar atento à essência do Carnaval, o Camarote Rio Praia reafirma seu papel como um dos espaços mais emblemáticos da Sapucaí. Ao unir conforto, experiência e ícones da cultura popular, o camarote celebra o passado, valoriza a história e mantém viva a alma da maior festa do planeta.

Serviço
Localização: setores 8 e 10 da Sapucaí, de frente ao 2º recuo da bateria
Site oficial: https://camaroteriopraia.com.br
Link venda: ingresso.camaroteriopraia.com.br
Central de vendas: (21) 99994-3632

Série Ouro 2026 tem ingressos esgotados e garante Sapucaí lotada mais uma vez

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A Marquês de Sapucaí estará mais uma vez completamente lotada para os desfiles da Série Ouro do Carnaval 2026. No início da tarde desta segunda-feira, foram vendidas as últimas unidades de ingressos disponíveis para a sexta-feira, 13 de fevereiro, garantindo casa cheia nos dois dias de apresentações organizadas pela Liga RJ.

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Foto: Liga RJ/S1 Comunicação

Os ingressos para o sábado, 14 de fevereiro, já estavam esgotados há cerca de duas semanas, restando apenas uma pequena carga para a sexta-feira, que agora também teve sua venda totalmente encerrada. Com isso, a Série Ouro repete o sucesso de público dos últimos anos e consolida sua força junto aos foliões e amantes do carnaval.

O presidente da Liga RJ, Hugo Junior, comemorou o resultado e destacou a importância da resposta do público.

“É motivo de muito orgulho ver a Série Ouro com ingressos esgotados novamente. Isso mostra o crescimento do nosso carnaval, o trabalho sério que vem sendo feito pelas escolas e o interesse cada vez maior do público em prestigiar grandes desfiles na Sapucaí”, afirmou o dirigente.

Confira abaixo a ordem completa dos desfiles da Série Ouro 2026:

Sexta-feira, 13 de fevereiro
1ª Unidos do Jacarezinho
2ª Inocentes de Belford Roxo
3ª União do Parque Acari
4ª Unidos de Bangu
5ª Unidos de Padre Miguel
6ª União da Ilha
7ª Vigário Geral

Sábado, 14 de fevereiro
1ª Botafogo Samba Clube
2ª Em Cima da Hora
3ª Arranco do Engenho de Dentro
4ª Império Serrano
5ª Estácio de Sá
6ª União de Maricá
7ª Porto da Pedra
8ª Unidos da Ponte

Os desfiles da Série Ouro 2026 acontecem nos dias 13 e 14 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, a partir das 21h. A escola campeã garante acesso ao Grupo Especial, enquanto as duas últimas colocadas serão rebaixadas para a Série Prata.

União de Maricá revela alegoria ‘Ogum e a forja do metal’ para o Carnaval 2026

A União de Maricá revelou, na tarde desta segunda-feira, a sua segunda alegoria para o Carnaval 2026. Intitulada “Ogum e a forja do metal”, a alegoria integra o enredo “Berenguendéns e Balagandãs”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, e encerra um dos setores do desfile que a escola apresentará na Marquês de Sapucaí, na Série Ouro.

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O carro faz referência direta ao imaginário do orixá Ogum dentro da simbologia dos balangandãs — joias de tradição afro-brasileira carregadas de fé, proteção e identidade. Conhecido como o “deus-ferreiro” e o “senhor da forja”, Ogum representa o saber africano da manipulação dos metais, conhecimento fundamental para a produção dos berloques que compõem as tradicionais pencas.

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“Ao trazer Ogum para o encerrar esse setor, a gente está exaltando o saber ancestral africano que transforma o metal em símbolo, em proteção e em identidade. Ogum é trabalho, é tecnologia, é conhecimento, e tudo isso dialoga diretamente com a construção dos balangandãs”, explica o carnavalesco Leandro Vieira.

Ainda segundo o carnavalesco, a alegoria apresenta visual predominantemente metálico. Ferro e prata são os materiais que orientam toda a concepção estética do conjunto, presentes tanto na estrutura quanto nos adornos cenográficos. Desde os cães que “puxam” o carro — animal associado a Ogum no imaginário religioso afro-brasileiro — até os atabaques e elementos decorativos espalhados pela alegoria, tudo é tingido em tons metálicos e prateados, reforçando o simbolismo do metal como elemento central.

No centro do conjunto alegórico, Ogum surge representado como um guerreiro retinto, vestindo uma armadura prateada que remete à sua força e à sua função como divindade do ferro.

“Essa alegoria traduz visualmente a ideia do balangandã como joia-amuleto. Os instrumentos de Ogum, feitos de ferro e prata, dialogam diretamente com o design dessas pencas, que sempre carregaram devoção, resistência e estratégia de sobrevivência”, completa Leandro Vieira.

União na Portela: portelenses falam sobre nova gestão e o time para Carnaval 2026

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Em 2026, a Portela vive um momento de profundas transformações. A principal mudança foi a chegada da nova presidência, comandada por Junior Escafura. Para integrar a bateria, assumiu o mestre Vitinho, e na ala musical, como intérprete oficial, chegou Zé Paulo. A comunidade portelense mantém uma relação histórica e afetiva intensa com a agremiação: escola e comunidade se reconhecem como partes essenciais uma da outra, complementares em sua existência. Juntas, atravessam esse processo de renovação com paixão, respeito e união, sendo força mútua em cada mudança.

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A Portela encerrou no último sábado com maestria a segunda noite de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. No Carnaval 2026, a agremiação levará para a Avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará: a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, que contará a história de Custódio Joaquim de Almeida, figura fundamental para o movimento negro, especialmente na região Sul do Brasil.

Jane Garrido, contadora aposentada, tem 79 anos de vida, sendo 63 deles dedicados à Portela. Ela falou sobre as mudanças vividas pela escola. Portelense apaixonada e sempre atenta ao futuro da agremiação, Jane inicialmente não recebeu bem a entrada de Escafura na presidência, mas, com o passar do tempo, sua percepção mudou.

Jane Garrido Portela

“Meu desejo é que consiga conquistar o título, porque eu fui oposição a ele, mas estou achando que ele está fazendo um trabalho muito bom. Ele está unindo a comunidade, ele está unindo a escola. Eu espero que chegue aonde eu quero, porque, independente de quem é quem, eu sou Portela. Eu tenho 63 anos de escola, minha mãe foi baiana da época de Paulo. Tudo que eu quero é o melhor para a Portela. E eu acho que está no caminho certo”, afirmou Jane.

Jane também contou que conhece o mestre Vitinho desde pequeno e elogiou seu trabalho à frente da bateria Tabajara do Samba.

“Vitinho é minha cria ali também da Portela. Eu também comandei os Filhos da Águia, e o Vitinho veio dos Filhos da Águia, ele começou ali. Excelente garoto, está fazendo um trabalho excelente. Modernizou a bateria, porque hoje quem não acompanha o modernismo, perde. Não falando mal do Nilinho, porque o Nilinho era um excelente mestre de bateria, mas o Vitinho está no caminho certo.”

Além disso, Jane recebeu de forma positiva a chegada do novo intérprete e acredita que Zé Paulo já estava bem encaixado no samba, justamente por ter defendido a obra durante a disputa.

“O Zé Paulo encaixou o samba com a escola, porque, inclusive, ele foi quem defendeu o samba na disputa. E o nosso intérprete faleceu, então é um cara que já estava encaixado no samba. Foi excelente. Ele está levando o samba em comum acordo com o Vitinho, encaixou tudo. Eu acho que a Portela está na hora de arrebentar. É tudo nosso”, afirmou Jane Garrido.

A biomédica Eliane de Santanna, de 48 anos, desfila na Portela há cinco anos e está confiante de que, com essa nova gestão, a escola tem plenas condições de conquistar o título.

Eliane de Santana Portela

“Com essa nova gestão, vamos conquistar esse título que a Portela e Madureira esperam levar para casa. Estamos muito ansiosos, felizes com essa gestão, alegres, e a Portela vai chegar com muita surpresa, muita alegria e muita entrega”, disse Eliane.

A perda de Gilsinho ainda é recente e profundamente sentida pela comunidade portelense. Por isso, foi de extrema importância a forma como Zé Paulo chegou à agremiação, acolhendo a comunidade e deixando claro que não veio para substituir ninguém, mas para somar. Eliane comentou sobre essa recepção:

“O Zé Paulo é super povão. Ele está junto com a comunidade, e a comunidade abraçou o Zé Paulo. Como ele diz, ele não veio para substituir o Gilsinho, mas sim para somar com a Portela como um bom portelense. E toda a Portela o abraçou com muito carinho.”

Sobre a bateria, Eliane também destacou a atuação do novo mestre:

“O mestre Vitinho trouxe inovação, trouxe um ar novo para a bateria. A Tabajara está diferente, mais potente, mais alegre e vai surpreender na avenida.”

Márcio Henrique, de 28 anos, assistente logístico, também estreou na bateria da Portela neste ano. Apesar da chegada recente, ele já conhece o mestre Vitinho de outros carnavais, inclusive tendo trabalhado com ele anteriormente. Márcio acredita que o trabalho do presidente Escafura levará a escola a mais uma conquista.

Marcio Henrique Portela

“Ele, o Junior Escafura, rejuvenesceu a Portela, a equipe, tudo. E eu já tinha trabalhado com o Vitinho também, então, para mim, eu estou em casa”, contou Márcio.

Sobre a chegada de Zé Paulo, ele também comentou:

“O cara tirou onda. Foi pego de surpresa pelo que aconteceu, mas está sabendo carregar a Portela nas costas. Todo mundo gosta do trabalho dele. A gente não pode fazer muita cobrança, porque foi tudo muito repentino, mas, por enquanto, ele está sabendo se sair bem.”

A administradora Josi Mascarenhas, de 44 anos, está na Portela há 11 anos e percebe a nova gestão como mais humana, próxima da comunidade e presente no dia a dia dos portelenses. Para ela, trata-se de uma administração que dá voz à comunidade e fortalece a união da escola.

Josi Mascarenhas Portela

“Eles são mais humanos, mais comprometidos com a comunidade, parceiros e realmente presentes no nosso dia a dia. Eles se importam com as pessoas, e é isso que o Carnaval precisa. A gente precisa fazer uma boa entrega, mas também precisa de humanidade, companheirismo e compreensão. Essa gestão é excelente. Eu sou apaixonada por eles. A Nilce, inclusive, é minha irmã de santo, então eu só tenho a agradecer e ficar muito feliz com essa nova gestão da Portela”, afirmou Josi.

Com muita fé e amor pela agremiação, Josi contou como recebeu a chegada de seu amigo de infância, mestre Vitinho:

“O mestre Vitinho é excelente. Eu fiz uma novena para a gente ganhar o Estandarte de Ouro. Conheço o Vitinho desde criança, somos amigos, e eu estou muito feliz. Eu rezei muito, e isso se concretizou, para o bem do Carnaval e para o bem de nós, portelenses.”

Por fim, Josi falou sobre o novo intérprete:

“Eu acho uma voz que se encaixa com a Portela. O Gilsinho é hors concours, não tem como comparar. Mas é uma voz que se encaixa, ele é muito humilde, interage com a gente o tempo inteiro e faz questão de fazer parte da família. E ele é da família. É espetacular. Só tenho a agradecer.”

‘A gente sente o que canta’ Componentes reafirmam o Tuiuti como quilombo do samba

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Durante a concentração da Paraíso do Tuiuti para o ensaio técnico realizado neste sábado, a identidade da escola como “O Quilombo do Samba” ganhou contornos ainda mais nítidos a partir do olhar e da vivência de quem constrói o desfile na prática. Componentes da agremiação, todos desfilantes anônimos, foram ouvidos pela reportagem e reafirmaram a força do slogan da escola, além da importância de a Tuiuti seguir apostando em temas que exaltam a negritude, a ancestralidade e a diáspora africana.

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Fotos: Marielli Patrocínio e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Para o Carnaval 2026, a escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, que promete mais do que um desfile: uma verdadeira experiência imersiva na cultura do Ifá cubano, abordando seus aspectos históricos, espirituais e a forte noção de comunidade que atravessa o povo preto em diferentes partes do mundo. Um tema que, segundo os entrevistados, dialoga diretamente com a identidade que a Tuiuti vem construindo ao longo dos anos.

Músico percussionista e educador musical, Douglas Jorge, de 37 anos, faz seu primeiro desfile pela Paraíso do Tuiuti. Apesar de estreante na escola, ele carrega uma trajetória sólida no carnaval, tendo sido criado na Portela, onde chegou a ocupar o cargo de diretor de bateria. Para Douglas, o conceito de quilombo ultrapassa limites geográficos e se manifesta onde quer que a cultura preta esteja viva.

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“Com certeza a Tuiuti é o quilombo do samba. Tem muita coisa que as pessoas ainda não entendem sobre esse enredo e sobre essa proposta. No Brasil, os negros se juntaram e formaram o candomblé, misturando Angola, Benin, Sabá. Em Cuba foi a mesma coisa: os negros chegaram e se cultuou a Lukumi, que é o Ifá, que vem da África e permaneceu lá. Em Cuba também é quilombo. Em todo o mundo existe o quilombo. Nos Estados Unidos, em vários lugares, você vê espaços onde a cultura preta se mantém viva. Às vezes muda o nome, muda a forma de falar, mas é quilombo. A cultura preta nunca vai sumir, ela está no mundo inteiro”, afirmou.

Ao comentar a tradição da Tuiuti em levar para a avenida enredos que falam de negritude, o percussionista destacou a importância pedagógica e emocional dessas narrativas.

“É muito bom a gente poder falar de nós, trazer conhecimento, porque muita gente não tem. A Tuiuti faz isso muito bem. Quando o samba desse ano saiu, muita gente criticou, mas quando traduziram o que ele dizia, as pessoas choraram, se emocionaram e entenderam a mensagem”, comentou.

Ligado diretamente à ancestralidade por meio dos tambores, Douglas explicou que desfilar em um enredo afro provoca uma sensação única.

“Não é à toa que eu estou aqui com os tambores. Eles carregam a minha descendência, a minha cor. Quando o enredo fala de negritude, é totalmente diferente. Eu sei que estou no lugar certo”, concluiu.

Pela primeira vez vestindo as cores da escola, a estrategista de marketing Luciana Dias Domingues, de 41 anos, ressaltou que a Tuiuti se diferencia por manter a negritude não apenas como discurso, mas como prática cotidiana dentro da agremiação.

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“É uma escola onde a gente observa um número muito grande de componentes pretos. Isso aparece na bateria, nos tambores, na forma como a escola se organiza. Existe respeito e cultivo à cultura e aos nossos ancestrais. Outro ponto importante é a representatividade preta em destaque na escola. A Mayara é um grande exemplo desse processo. Uma menina preta, da comunidade, que está ali se destacando de forma brilhante. Isso diz muito sobre a escola e sobre o que ela defende”, afirmou.

Para ela, a insistência da Tuiuti em exaltar a negritude nos enredos é fundamental para a preservação da cultura preta dentro do carnaval.

“O carnaval é uma cultura preta. Não que pessoas brancas não possam estar nele, mas ele nasce da nossa cultura. Então nada mais justo que pessoas pretas ocupem esses lugares de poder. Isso serve de referência para as novas gerações e mantém essa cultura viva”, comentou.

Ao falar sobre a experiência de desfilar em um enredo afro, Luciana foi direta ao descrever o impacto emocional.

“É tudo. É o que dá axé, dá molho, dá swing. A batida da bateria dentro de um enredo preto faz o coração vibrar. Como mulher preta retinta e mãe de um menino preto, isso é preservação da nossa cultura”, concluiu.

Professor e desfilante pelo segundo ano consecutivo, Jorge Cardoso Paulino, de 36 anos, acompanha a Tuiuti como torcedor desde 2018 e associa o slogan da escola às escolhas artísticas e políticas feitas nos últimos carnavais.

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“Eu reafirmo esse slogan principalmente pelos enredos que a escola vem trazendo. Pela presença do Pixulé, um cara preto, com uma voz gigante puxando o samba, e pela nossa rainha de bateria, que é uma menina preta da comunidade. Eu só queria ver mais gente preta nas harmonias, botando ordem. Muitas vezes são pessoas brancas gritando com a gente para organizar, e isso não é muito legal. Ainda assim, eu confirmo: a Tuiuti é o quilombo do samba”, comentou.

Para ele, o carnaval cumpre um papel educativo essencial.

“O carnaval é pedagógico. Ele ensina a comunidade e a sociedade por meio dos sambas e dos enredos. A Tuiuti dá visibilidade a personagens negros que muitas vezes não são lembrados e não fica só na narrativa da escravidão, mas também fala de resistência e de glória”, destacou.

Ao comentar a sensação de desfilar em um enredo preto, Jorge reforçou a identificação com a escola.

“Quando o samba fala de resistência, o canto sai com muito mais força. A gente sente o que está cantando. A parte do ‘Canta Tuiuti’ vem da alma. Arrepia de verdade”, concluiu.

Também professor e estreante na Paraíso do Tuiuti, Leonardo Avelar, de 37 anos, afirmou que o slogan “O Quilombo do Samba” traduz com precisão a identidade que a escola vem construindo.

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“A Tuiuti é uma escola que acolhe e defende temas ligados à identidade preta e à ancestralidade. Esse slogan conversa diretamente com o que ela vem construindo como identidade para o seu carnaval. A gente precisa reafirmar a potência do povo preto. Não é só uma história marcada por dor e tristeza, mas também por luta, resistência e muita glória que precisa ser contada”, comentou.

Ao comparar a experiência de desfilar em enredos distintos, ele destacou o sentimento de pertencimento proporcionado por temas afrocentrados.

“Quando o enredo é preto, a identificação é outra. A gente se sente pertencente à história que está sendo contada e cantada na avenida”, concluiu.