A última vez que o Salgueiro tinha ficado fora das campeãs foi em 2007. O famoso “Candaces”. Um desfile impactante e muito mal julgado. Agora, em 2023, a Academia do Samba terminou na sétima colocação. Colocação ruim para uma escola de samba que investe, tem receita e possui quesitos muito fortes, como Comissão de frente, Bateria, Mestre-sala e Porta-bandeira e Harmonia. O que faltou? Como foi muito falado no pré-carnaval, infelizmente, o calcanhar de aquiles salgueirense foram os quesitos Enredo e Samba-Enredo.
Fotos: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
Em Enredo, o Salgueiro perdeu 1,2 pontos, com as notas 9.7, 9.6, 9.8 e 9.7, já em Samba-Enredo teve 0,6 décimos, recebendo 9.8, 9.8, 9.9 e 9.9. O dever de casa, que é sair de casa com os dois quesitos fortes, não foi atingido pelos salgueirenses. Se tivesse na manga as pontuações máximas ou perto disso era certeza que brigaria no topo do carnaval.
Sendo assim, a escola mudou o foco para 2024. Trouxe o enredista Igor Ricardo, salgueirense, e que já desenvolveu bem o papel na Unidos da Tijuca, Viradouro, e lançou o enredo “Hutukara”, que caiu nas graças do torcedor, e, mais uma vez, será desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.
É importante falar que Edson Pereira, na parte plástica, entrou bem demais no Salgueiro. Com o enredo de 2024, a projeção é de um grande espetáculo plástico salgueirense e com o discurso que pede o atual modelo de julgamento dos desfiles das escolas de samba. Tradicionalmente, a vermelho e branco possui como característica a apresentação de enredos com relevância social e cultural.
No contexto de quesitos fortes, a Harmonia do Salgueiro fez bonito em 2023. Desde os ensaios de rua e o técnico da Sapucaí, estava bem claro que a comunidade tinha abraçado o contestado samba-enredo, e, principalmente, o intérprete Emerson Dias, o carro de som e o diretor Alemão do Cavaco cumprido com maestria o trabalho. A atuação de Emerson Dias foi magistral neste ano. Digna de prêmios. Além de conduzir a obra, o cantor usou seu dom de conquistar o público.
Foto: Allan Dufffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
O clima favorável tomou conta dos salgueirenses para 2024. A expectativa para safra de sambas-enredo é muito grande. Atingindo o objetivo do samba, a certeza é de um pré-carnaval empolgante para o Salgueiro. Faz tempo que o clima de “vem a décima taça” não ronda a Academia do Samba. Confesso que sinto falta, como sambista, e como responsável por um veículo especializado em escola de samba.
A organização do diretor de carnaval Wilsinho Alves também é essencial para o sucesso da produção do desfile de 2024. Além dele, o Salgueiro trouxe Luan Teles para direção de barracão e Jackson Carvalho para direção de harmonia.
Foto: Divulgação/Salgueiro
E a ordem do desfile? Isso já saberemos na terça-feira, dia 20 de junho, na Cidade do Samba. Já pensaram no Salgueiro desfilando segunda-feira? Fechando o carnaval? Aí, quem sabe não será a hora da décima conquista chegar. O dever de casa está sendo feito e deixando o otimismo no ar. É aguardar todo o pré-carnaval e o desfile acontecer para ver qual Salgueiro vamos ver em 2024 na Sapucaí.
Chega de especulações, 3 de fevereiro de 2024 é a noite de desfiles do grupo de Acesso 2 de São Paulo. Mesmo com o carnaval acontecendo mais cedo neste próximo ano, a Liga-SP optou por manter o modelo que foi sucesso de público nos últimos dois carnavais, um sábado antes, valorizando o espetáculo das 11 escolas que compõem o grupo atualmente.
Foto: Jose Cordeiro/ SPTuris.
Originalmente, as agremiações do Acesso 2 desfilavam na segunda-feira, véspera do feriado de Carnaval. O grupo teve a noite de desfile antecipada para um sábado antes dos demais em 2022, com o Carnaval da Vida, em abril, por um conflito de datas no sambódromo do Anhembi. Os desfiles do grupo de Acesso 2 foram mantidos no sábado antes do fim de semana de Carnaval em 2023, após o sucesso do ano anterior.
Carnaval SP 2024
Quando cai o Carnaval em 2024? Se você acompanhou os Desfiles das Escolas de Samba de São Paulo nos últimos anos e se fez esta pergunta, talvez tenha se preocupado com a data dos desfiles do grupo de Acesso 2, que têm acontecido um sábado antes do Carnaval na capital, com entrada gratuita, um sucesso de público.
Em 2024, portanto, o Carnaval de São Paulo começa no dia 3 de fevereiro, sábado, com as 11 escolas do grupo de Acesso 2. Nos dias 9 e 10 de fevereiro, sexta-feira e sábado, é a vez das 14 agremiações do Especial. Em seguida, no dia 11 de fevereiro, domingo, passam pelo sambódromo do Anhembi as 8 escolas do grupo de Acesso 1. A ordem dos desfiles será sorteada no dia 19 de junho, segunda-feira.
Durante a live “Galera no CARNAVALESCO“, Guilherme Campagnuci, Freddy Ferreira e Renata Campagnuci falaram sobre o enredo da Mangueira para o Carnaval 2024. Escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “A negra voz do amanhã”. Veja abaixo o vídeo.
A feijoada de junho da escola de samba Renascer de Jacarepaguá, será no sábado, dia 17 de junho, a partir de 13h, na quadra da escola em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Além do tradicional feijão, que é o ponto chave do evento, a feijoada será acompanhada de muito samba com o mestre Felipe D’Lelis, terá shows com Leonardo Bessa e segmentos, Xandynho e Wallace Porto.
E, só para lembrar, este ano a escola volta a sediar a tradicional disputa de samba. Fique ligado nas redes sociais da vermelha e branca para saber como participar.
Em 2024, o carnavalesco Rodrigo Pacheco vai levar para Intendente Magalhães “UBÚNTU: Do Berço Ancestral, Um Ideal Para Mudar o Mundo”, que vai mostrar que o continente africano, exaustivamente celebrado no carnaval brasileiro pelo vigor de suas danças, de seus tambores, de sua religiosidade e de sua mão-de-obra, fundamental para o desenvolvimento da História universal, também pode e deve ser mostrado pelo seu conhecimento a respeito do papel dos seres humanos no conjunto de fatores que determinam a vida no Universo. Sim! O pensamento africano também procura compreender o mundo, estudando os aspectos fundamentais da existência humana. E, assim, produz Filosofia.
“Vamos reviver, em 2024, os ideais dos ancestrais bantos do povo brasileiro, para enfim entender o Ubúntu como filosofia de vida capaz de transformar a nossa existência. É preciso nos conectarmos com nossa ancestralidade, com a humanidade e a natureza, para juntos celebrarmos os novos tempos. Inspiremos amor, espalhemos amor, sejamos amor! Despertemos para o melhor sentimento que existe em cada um de nós. É essa a força capaz de nos transportar para onde quisermos. Que nos leva a sonhar, viajar, acreditar. E que faz “Renascer em Jacarepaguá” à vontade e o desejo de sua comunidade de semear “Um Ideal Pra Mudar o Mundo”. Ubúntu é o que desejamos!”, pontua Rodrigo Pacheco.
O presidente André Augusto, conhecido como Dedé, a disputa de samba irá resgatar a Ala de Compositores e trazer de volta à escola os sambistas raiz. “A Renascer tem tradição de fazer bons sambas e estamos resgatando essa essência”, disse Dedé.
Serviço:
Feijoada da Renascer
Data/Horário: Sábado, dia 17 de junho, a partir das 13h
*Feijoada servida até às 17h
Local: Quadra da Renascer, na Avenida Nelson Cardoso, n° 82, Tanque, Jacarepaguá, RJ
Atrações: Roda de samba com o mestre Felipe D’Lelis, Show com Leonardo Bessa e segmentos, Xandynho e Wallace Porto.
A entrada é franca
Valor da Feijoada: R$ 20 (vinte reais)
Venda antecipada de mesas: (21) 99177 06 89
Almejando o retorno à Série Ouro do carnaval carioca, a Verde e Branco de Campinho fará o lançamento do enredo no próximo domingo, na quadra da escola. A festa também contará com a apresentação e renovação dos segmentos que irão fazer parte do próximo desfile.
Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO
Com o título de ‘Festa da Largada’, o evento terá como prato principal uma tradicional galinhada, que será acompanhada de muito samba dos anos 90 com o Pagode do Azeitona, e é claro, o show com todos os segmentos da escola ao som da Ritmo União.
A Festa da Largada será realizada no dia 18/06, domingo, a partir das 13h, na quadra da agremiação, localizada na Estrada Intendente Magalhães, 445 – Campinho. Para mais informações sobre reservas de mesa e vendas de camarotes: (21) 98727-0261.
Serviço:
Festa da Largada: Lançamento do enredo.
Atrações: Pagode do Azeitona e elenco show da escola.
Dia: 18 de junho (domingo)
Horário: A partir das 13h.
Local: Quadra da União de Jacarepaguá (Estrada Intendente Magalhães, nº 445 – Campinho)
Ingressos: Entrada Franca
Mesa: R$ 50,00 ( 4 pessoas + 4 Galinhadas)
Prato de galinhada individual: R$ 15,00
Reservas de mesas: (21) 98727-0261.
Com 18 anos de reinado, Laynara Telles segue firme à frente da “Sinfonia Imperial” para o próximo carnaval. Apesar de inicialmente Laynara ter anunciado a sua saída do posto, ela decidiu seguir. Sempre elogiada pelo seu samba no pé e carisma, a rainha pretende encerrar sua carreira em breve para dar lugar a uma sucessora. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, ela explicou como está o processo de encerramento desse ciclo.
Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
“Eu estou em um processo de realmente encerrar minha carreira. Eu vou encerrar ou com 19, ou com 20 anos. Estou começando a falar que vou me despedir, porque 20 anos de reinado é muita coisa. Acho que está na hora de eu dar lugar para uma nova rainha”, disse Laynara
Mesmo com tanto tempo de reinado, Laynara se empolga a cada desfile. Segundo ela, sempre há algo novo a cada carnaval.
“Para mim é uma honra. Por mais que eu esteja há 18 anos, sempre tem uma novidade, o coração acelera, é uma coisa diferente. A emoção vai ser sempre como se fosse a primeira vez”, expressou Laynara.
Os elogios ao samba no pé de Laynara a acompanham desde sempre. Segundo ela, esse dom vem de nascença.
“Eu acho que isso já nasceu comigo. A gente só vai aprimorando, como qualquer outra profissão, faz aulas… Fico muito lisonjeada por até hoje estar recebendo muitos elogios”, revelou Laynara.
O carnavalesco Wagner Santos é um dos artistas que está mais tempo no mercado do carnaval paulistano, com trabalhos consecutivos e entregando resultados importantes para suas agremiações. Desde o fim dos anos 90, Wagner Santos passou por Mocidade Alegre, Vila Maria, Tucuruvi, e está indo para o sexto carnaval consecutivo na Tatuapé. Em conversa com o site CARNAVALESCO, o artista falou sobre a carreira, momento e deu recados importantes.
Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Primeiramente, Wagner Santos refletiu sobre o carnaval como um todo, e a importância da formação artística que acontece no mundo das escolas de samba. Mas demonstrou receio em relação ao futuro.
“Carnaval é sempre um desafio. Não importa o ano, a data, você cada vez que passa, ano que passa, fica mais difícil se fazer o carnaval. Porque está tendo uma mudança cultural muito grande no povo, na população. Hoje em dia as pessoas não querem mais. As formações artísticas são tudo através de computadores, muita tela, programas, mas na verdade, as pessoas, o espetáculo tendem a ter dificuldade no futuro. Pois não vamos ter artistas para trabalhar na confecção e realização deste espetáculo”.
Em relação ao que abordou acima, Wagner complementou falando também da maneira que o carnaval é julgado e refletiu sobre a maneira que leva em seus enredos.
“O carnaval ainda é uma vertente que conseguimos formar diversos artistas, pois se não existisse o carnaval, a cultura estaria mais desfalcada ainda, pois temos uma deficiência grande na cultura. As gerações, cultura é só teclado, fica muito difícil cada vez mais concluir um espetáculo, carnaval, levar arte para avenida, levar cenografia, carnaval não é simplesmente luxo. As pessoas tem que entender que carnaval não é um luxo, carnaval é um espetáculo, onde você tem que retratar aquela história que você se propôs, não é sua história, seu desejo, sua vaidade de apresentar um carro bonito. Mas aquele carro não conta história e informação. Carnaval é cultura e informação, só que para quem leu a sinopse, para quem tem o entendimento, quem tem esse acesso, para quem não tem esse acesso fica muito difícil, por isso que as pessoas julgam o carnaval totalmente diferente. Pois poucas têm acesso à informação que é a sinopse”.
Carreira e os desafios
Wagner Santos está em atividade no carnaval paulista desde 1998, mas contou seus primeiros passos como um artista, e foi na sua infância no Maranhão.
“A minha história começou na arte muito cedo. Eu sou artista desde muito cedo, desde que me conheço por gente, já era um admirador de arte. Era do tipo de pessoa, criança, que ia muito na igreja, era admirador de peças religiosas, e sempre fui frequentador de procissões, manifestações folclóricas sempre estive presente. Nasci em São Luís do Maranhão, nasci em uma ilha, repleta de folclore, cultura, tradições, diversos tipos de tradições, desde africanas, folclóricas, religiosas, vivi muito isso. Tenho um aprendizado desde criança. Adoro ter a possibilidade de ter sido parte da modificação de todo esse espetáculo que é o carnaval de São Paulo. Faço parte do carnaval de São Paulo, desta história. Sou um dos carnavalescos que mais tempo está no carnaval de São Paulo e passei por todas as transformações, ficar no carnaval é muito difícil”.
Complementando, o carnavalesco deu recado importante sobre toda a criação e a essência da parte artística: “Não é qualquer pessoa que põe e que ganha o carnaval, o carnaval não é um espetáculo que as pessoas ganham, porque apresentou um carro alegórico bonito, não é a beleza, é a informação artística que o enredo leva. É assim que o jurado julga o carnaval, informação que está contida, se você trouxe informações naquele carro. Não é um espetáculo fácil de criar, as pessoas estão viajando muito só pelo lado bonito da coisa, mas não é, é a informação que você tem que passar”.
Sexto carnaval consecutivo na Tatuapé
Quando conversamos com algum carnavalesco chegando em uma casa nova, é falado sobre o tempo de adaptação, conhecimento da escola, e tudo mais. Wagner Santos vai para o sexto carnaval consecutivo na Tatuapé, e explicou um pouco deste processo.
“Quando o carnavalesco fica muito pouco tempo na escola, o primeiro ano é muito difícil, quando chega em uma agremiação. Pois quando chega em uma agremiação, você primeiramente precisa saber onde você está pisando, quem são as pessoas que você está trabalhando, como é aquela escola. Você tem que fazer o carnaval de acordo com as condições daquela agremiação. Não é o carnaval dos seus sonhos, é o carnaval do bolso da escola, do sonho da escola. A agremiação está colocando aquilo que ela tem condição de botar na avenida”.
Importância do trabalho de reciclagem
O enredo da agremiação da Zona Leste de São Paulo será Mata de São João, cidade baiana, e logo vieram comparações com o enredo de 2023 que foi Paraty. Ao ser perguntado sobre alegorias, estruturas e conceitos, Wagner Santos foi enfático e deu um recado sobre reciclagem e material.
“Ideia do ano passado não, cada carnaval é um espetáculo diferente. Não existe carnaval do ano passado, existe sim, se estiver falando sobre isso, existe reaproveitamento, no Rio de Janeiro já é uma lei dentro dos barracões. Aqui em São Paulo ainda existem agremiações que todo ano desmontam seus carros alegóricos, desmancham suas estruturas, e fazem outro carnaval novo. O carnaval já começou um espetáculo se aproveitando materiais, reciclando, eram de tampinhas, hoje em dia existe um desperdício e jogam os trabalhos do último carnaval, como se não fosse nada. Muitas pessoas não sabem reaproveitar o material, hoje em dia, se não souber trabalhar com material, não consegue desenvolver nada, tem que saber trabalhar. Material está muito caro, vai chegar uma época que as pessoas não terão condições de comprar material. Material cortado, isopor, tudo muito caro, não é pouco”.
A Tatuapé foi campeã com Wagner Santos em 2018, depois teve um 7ª lugar em 2019. Já em 2020 e 2023 ficou no 4ª lugar, voltando no desfile das campeãs. Em 2022 acabou ficando na 12ª colocação devido a utilização de um maquinário.
Dando ponta pé inicial para o Carnaval 2024, a Acadêmicos de Vigário Geral realizará o lançamento do enredo e apresentação de todos os segmentos da agremiação, no dia 30 de junho, às 19h, com entrada franca, em sua quadra.
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
A agremiação levou no Carnaval 2023 para Marquês de Sapucaí o enredo “A Fantástica Fábrica da Alegria”, pedido feito pela mandatária Elizabeth da Cunha, Betinha, e, neste ano não será diferente. A presidente, mais um vez, fez um super pedido para o trio de carnavalescos, Lino Sales, Marcus do Val e Alexandre Costa.
“Se vocês gostaram do carnaval de 2023, aguardem o nosso próximo enredo. Eu quis mais um enredo super alegre e contagiante. Minha comunidade pediu muito este enredo e olhei com um carinho especial e prontamente falei ‘é este!’. Estou muito contente e animada. Não temos dúvidas que a Vigário Geral levantará mais uma vez o público na Marquês de Sapucaí. Faremos um desfile lindo! Se preparem! Para cima deles, Vigário Gera”, disse.
Para o vice-presidente João Bororó, o enredo será mais um momento inesquecível para a azul, vermelha e branca. “Não tenho dúvidas que será mais um grande evento para nossa comunidade de Vigário Geral. Todos estão convidados para esta noite super especial conosco. Vigário Geral é uma enorme família. Estamos preparando um maravilhoso lançamento. Estou muito contente com o enredo. Quando me apresentaram não tive dúvidas que seria um grande carnaval”, finalizou o vice-presidente.
Para o próximo carnaval, a agremiação será a terceira escola de sexta-feira a pisar na Marquês de Sapucaí, no dia 9 de Fevereiro de 2024, pela Série Ouro.
Os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, durante a apresentação da sinopse do enredo “Nosso destino é ser onça” ressaltaram a importância de um samba que compreenda o tema de 2024. De acordo Bora, “O sucesso é compreender a poética e o universo do enredo. Quem conseguir viajar pela correnteza que apresentamos hoje, vai se dar bem”.
Foto: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO
Com carnavais elogiados pela crítica nos últimos anos, a Acadêmicos do Grande Rio aposta no samba-enredo como carro chefe de um bom desfile. Em entrevista ao site CARNAVALESCO e na fala para os compositores presentes, Gabriel Haddad e Leonardo Bora detalharam o que será o enredo da escola de Caxias e o que esperam do samba.
“A gente precisa de um samba, acima de tudo, valente. Um samba que não é oba-oba e que obviamente não tem que ser descritivo. É um samba que precisa compreender esse universo do enredo, que é um universo de luta, bravura, força, coragem e encantamento. Sem coragem a gente não irá fazer este carnaval. Precisamos entrar na Avenida ‘mordidos’ e ‘mordendo’”, enfatizou Bora.
“A gente sabe que cada compositor tem a sua característica própria de compor e isso que é o bacana e dá diversidade, tanto ao CD da liga em si, mas também dentro de uma disputa de escola de samba. A gente imagina um samba que traduza o enredo e tudo aquilo que estamos pensando em levar para a Avenida”, comentou Gabriel Haddad.
Com um trabalho iniciado em 2016 e baseado na obra de Alberto Mussa, o enredo “Meu destino é ser onça”, levará para a Avenida o mito tupinambá da criação do mundo, propondo uma reflexão sobre a simbologia da onça no cenário artístico e cultural do Brasil. Os carnavalescos detalharam o que será apresentado na Marquês de Sapucaí.
“É um desdobramento de ‘Meu destino é ser Onça’, de Alberto Mussa, onde a gente começa com o mito tupinambá de criação do mundo e, a partir daí, a gente destrincha toda forma cultural e toda manifestação artística que a gente tem e que envolvem as onças – não só como animal, mas também o símbolo da onça, como um símbolo de luta e resistência no Brasil. Daí a gente fala das questões que envolvem a onça para os povos originários, depois do desbravamento do mito tupinambá e então nós vamos construindo o nosso desfile”, explicou Gabriel Haddad.
Leonardo Bora ressaltou que o enredo deste ano é um trabalho que foi iniciado pela dupla nos últimos anos. “Começamos a aprofundar a pesquisa com base na obra do Alberto Mussa em 2016. Foi uma caminhada e um processo de amadurecimento muito legal até esse momento em que a onça, esse símbolo tão poderoso, essa divindade, entidade – tudo isso iremos mostrar na Avenida – se impôs e falou: agora é a minha vez. Era a hora dela rugir”.
Questionado se é um enredo denso e como carnavalizar o tema, Bora afirmou que é algo próximo do cotidiano brasileiro e que aborda questões que precisam ser tratadas na atualidade.
“Olha, a gente não acredita muito nessa nomenclatura. É um enredo que fala de muitos ‘Brasis’, o que há de mais profundo em relação com o que é ser brasileiro. Fala das cosmogonias e cosmovisões dos povos originários. Fala da diversidade de culturas que coexistem dentro deste território, dos desdobramentos pelos quais o símbolo da onça passou. É algo muito próximo da nossa vivência enquanto brasileiros e que fala de muitas questões urgentes da contemporaneidade. Eu tenho certeza que todo mundo vai compreender e vai se identificar com a força deste enredo”, explicou o carnavalesco.
Para Gabriel Haddad, é natural que descobertas sobre o enredo aconteçam ao longo de toda a preparação para o carnaval, principalmente em um tema que possui uma história oral presente.
“Na verdade, acho que isso vai acontecer até o desfile (descobertas), como aconteceu em 2020, em 2022 e, surpreendentemente, com o Zeca também – que tiveram histórias que chegaram para a gente já no final, quando quase estávamos entrando na Avenida. Então, quando a gente produz um desfile, estamos suscetíveis a mudanças de enredo, leitura e histórias que chegam. Isso vai acontecendo até o final. Ainda mais quando é a respeito dos povos tupi-guarani, dos povos tupinambá, é claro que nós vamos ouvir coisas sempre novas. São povos que têm a história oral presente nas suas manifestações”, comentou.
Em relação a saída do pesquisador Vinícius Natal, a dupla afirmou que o trabalho de pesquisa sempre foi compartilhado. Segundo a dupla, eles já possuem outros enredos prontos.
“A pesquisa a gente já realiza desde o início dos nossos trabalhos. Eu comecei no carnaval trabalhando como pesquisador. O Leo veio do Paraná para morar no Rio de Janeiro para fazer o mestrado no setor de teoria literária. A partir daí a gente vai desenvolvendo os enredos. Já temos alguns enredos prontos. O Vinicius é um grande amigo e pesquisador que a gente admira bastante. Vamos continuar a amizade sempre”, disse Gabriel Haddad.