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Jorge Silveira e Leonardo Antan revelam curiosidades da ‘Brasiléia Desvairada’ da Mocidade Alegre para 2024

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Após conquistar o 11º título da elite do carnaval paulsitano, a Mocidade Alegre decidiu por apostar na mesma fórmula de sucesso do enredo de 2023, que uniu uma história original e inovadora a um tipo de enredo ao qual a escola costuma se dar muito bem. A equipe do site CARNAVALESCO conversou com o carnavalesco Jorge Silveira e o enredista Leonardo Antan, que explicou a origem da proposta do tema (“Brasiléia Desvairada: A busca de Mário de Andrade por um país”) para o desfile em que a Morada do Samba buscará o bicampeonato consecutivo.

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Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO

“Foi muito difícil pensar algo para depois do Yasuke, dar essa ideia de continuidade. Tivemos a ideia de cultura, que é muito diferente do Yasuke. Tentamos alguns caminhos antes do Mario, apresentamos algumas ideias para a escola. Eram ideias, de alguma maneira, muito parecidas com coisas que a escola já havia feito, e a escola nos pediu algo diferente. Acho que o Yasuke trouxe esse verniz de unir o trabalho do Jorge com o trabalho da Mocidade Alegre, e dar uma cara ao mesmo tempo familiar e diferente. Acho que a junção disso foi um grande acerto. A partir disso, nos motivamos a pensar o que seria isso, o diferente, mais familiar para a Mocidade Alegre, e fomos descobrindo essas coincidências de ser uma escola que já pensou muito São Paulo e brasilidade. Chegamos na figura de Mário de Andrade, que me acompanha há muito tempo, sempre me despertou interesse por ser esse desbravador e construtor da cultura brasileira. É isso que une o meu trabalho com o Jorge, um ponto de convergência muito importante e que agora estamos acompanhados de Mário, somos quase um trisal nesse sentido, pensando esse assunto”, contou Leonardo.

Busca de Mário de Andrade por um país

A importância da obra de Mário de Andrade é incalculável para as mais diferentes áreas. O objetivo do enredo da Mocidade Alegre, de acordo com Jorge Silveira, é focar no trabalho que inspirou registros como os apresentados no livro “Turista Aprendiz”, concluído em 1943.

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“Especialmente o foco que vamos dar ao trabalho é o foco no olhar do Mário sobre o próprio Brasil. Vamos caminhar pela interpretação do Mário nessa trajetória de descoberta desse Brasil profundo, esse Brasil distante da capital. Vamos passear necessariamente por aquilo que é mais autêntico, genuíno e original da nossa cultura, das nossas manifestações, da alegria do nosso povo. Esses símbolos, essas imagens que compõem o nosso imaginário sobre a diversidade brasileira são a matéria-prima que eu vou transformar em fantasias e alegorias. Esse caldo intelectual todo o Léo traz com toda a pesquisa dele, com todo conteúdo e a formatação das ideias. A maneira como ele conseguiu ler a viagem do Mário e traduzi-la de uma forma que me entregue um material rico o suficiente para gerar as imagens. Tem uma coisa que eu gosto muito de trabalhar com o Léo e temos uma facilidade muito grande, que deu muito certo no Yasuke, é a geração de imagens. O carnaval é uma festa audiovisual, e precisamos ser claros na transmissão da nossa informação, é uma obrigação nossa levar esse conteúdo. Esse carnaval tem um papel educativo muito importante, de educar a nossa visão sobre a nossa própria matriz cultural. Quanto mais claro formos, mais direto e mais didáticos, eu acho que isso contribui para que a leitura do carnaval seja boa. Mário deixou um farto material de referências para que possamos nos guiar”, explicou Jorge.

Busca pelas origens do samba paulista

A parte final do desfile será dedicada ao trabalho de Mário de Andrade em busca de conhecer as origens do samba paulista, no chamado samba rural. Leonardo Antan destaca a importância de se falar a respeito das raízes do carnaval de São Paulo.

“Essa parte para nós foi uma parte muito querida nesse enredo, porque é algo que cabe pensar aqui no carnaval de São Paulo. Estamos pensando o carnaval de São Paulo, o carnaval dessa cidade e o samba dessa cidade. Para nós é muito importante pensar o samba que se desenvolveu em São Paulo. O samba em São Paulo tem uma matriz rítmica diferente do samba do Rio. São origens distintas. A origem do samba paulistano foi definida pelo Mario de Andrade como “samba rural paulista”. Ele tem um texto, que é da década de 1930, em que ele foi a Pirapora do Bom Jesus, que é esse berço de encontro de ex-escravizados e de negros nesse período do início do século XX e que criaram essa matriz rítmica do samba de São Paulo. Terminamos o nosso enredo relembrando e festejando simbolicamente a festa de Bom Jesus de Pirapora como essa matriz. É uma cidade hoje tocando a herdeira dessa tradição do samba de Pirapora. Mário, como essa figura que peregrinou não só Brasil, mas peregrinou também dentro do estado de São Paulo. Terminamos fazendo essa brincadeira, de que depois de passear o Brasil inteiro, ele passeou aqui mais pertinho para pesquisar e pensar o samba rural paulista. Falamos muito sobre a casa da Tia Ciata, sobre esse espaço do samba carioca que é fundamental, mas esquecemos que aqui em São Paulo tem uma outra matriz. É a contribuição de outras pessoas, de Madrinha Eunice e toda essa galera que vinha de Pirapora e que fundou os primeiros grupos carnavalescos aqui em São Paulo”, declarou o enredista.

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Jorge Silveira é um carnavalesco carioca cujo talento é reconhecido no eixo Rio-São Paulo. Questionado sobre alguma curiosidade que se destacou ao longo dessa pesquisa sobre as origens do samba paulista, o artista revelou que para 2024 o foco de sua atenção está mais próximo com a ponta oeste da Via Dutra. Para Jorge, o sentimento de desfilar em ambos os carnavais não tem distinção.

“Isso dá um podcast! Mas assim, muitas vezes me fazem essa pergunta porque eu sou talvez um dos que mais faz fluência entre Rio e São Paulo. Eu brinco dizendo que eu fiz cinco carnavais no Rio, cinco carnavais em São Paulo, mas farei o 11º invertendo a tabela para São Paulo, então estou mais paulistano que carioca. Claro que existem tecnicamente diferenças, maneiras de fazer diferentes, tem sonoridade diferente, tradição diferente, mas no fundo o sentimento é o mesmo. Quando toca aquela sirene, o sentimento lá na curva da Sapucaí ou quando entra no Anhembi é a mesmíssima coisa, porque bate no coração da gente com muita forte. O jeito de fazer é diferente, tem peculiaridade, mas sentimento é o mesmo, é o que nos une enquanto brasileiros. Eu tento enxergar mais o que nos une do efetivamente aquilo que nos separa”, destacou o carnavalesco.

Brasiléia Desvairada de Fernando Pinto

A escolha de “Brasiléia Desvairada” para o título do enredo causa uma inevitável comparação com o nome do enredo campeão da escola de samba Estácio de Sá em 1992 “Paulicéia Desvairada – 70 anos de Modernismo”. Questionado se esse e outros desfiles serviram de base para dar nome ao carnaval de 2024 da Mocidade Alegre, Leonardo Antan conta, porém, que a referência é anterior a essa, de um projeto que nunca vira a luz de um dos maiores nomes da história do carnaval brasileiro.

“Tem uma lista! Um ponto muito em comum do nosso trabalho é que somos malucos por carnaval. Para fazer esse enredo, assistimos uns cinco desfiles juntos. Ficamos na casa do Jorge assistindo desfiles, uma coisa chatíssima (risos). Assistimos o Paulicéia, assistimos Villa-Lobos do Renato Lage, que acho que é um desfile parecido de alguma medida também da época do nosso enredo, de dois pensadores do Brasil. Trazemos a ideia da Paulicéia muito mais para o trabalho do Mario que para o desfile da Estácio. Entender que a Paulicéia era pequena, que a Brasiléia era algo que ele precisava se deter mais abrangentemente. E o título tem uma brincadeira também com Fernando Pinto, que tinha um enredo chamado “Brasiléia Desvairada” que ele nunca desenvolveu, que ele disse em entrevista. A “Brasiléia Desvairada” aparece no final de “Tropicália Maravilha”, desfile de 1980 da Mocidade Independente de Padre Miguel, então para nós traz um aroma de Fernando Pinto nessa brincadeira, nessa salada que o desfile representa para a gente”, concluiu.

‘Mancha Verde de esperança!’ Com emoção em anúncio, escola define samba para o Carnaval 2024

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Por Gustavo Lima e Lucas Sampaio

A Mancha Verde definiu na noite do último sábado o seu samba-enredo para o Carnaval 2024. O evento foi acompanhado com o seu tradicional ‘arraiá’ de festa julina, e nem mesmo o grande frio de São Paulo afastou o componente da escola para acompanhar a disputa. A decisão foi composta por três sambas (3, 5 e 7). O primeiro a se apresentar foi o da dupla Edinho Gomes e Gilson Bernini e, após, foi a vez do time de Bruno Rodrigues e cia. Para fechar, a parceria de Lico Monteiro e cia foi a última a subir no palco e venceu a disputa. A agremiação será a sexta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval.

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Fotos: Gustavo Lima e Lucas Sampaio

Com forte discurso do presidente Paulo Serdan e entrega do pavilhão do enredo para o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, o intérprete Fredy Vianna deu a voz do samba e os compositores fizeram a festa no palco, onde levaram um grande troféu como premiação pela vitória.

Os responsáveis pelo hino da Mancha para 2024 são: Lico Monteiro, Tinga, Marcelo Lepiane, Leandro Thomaz, Richard Valença, Jeferson Oliveira, Telmo Augusto, João Perigo, Lucas Macedo, Ailson Picanço, Rodrigo Peu, David Gonçalves, Tiago Caldeira e Paulo Sergio

História da obra

Um dos sambas do Carnaval de 2022 e que deu o título para a agremiação é fruto desta parceria. O compositor bicampeão pela escola, Leandro Thomaz, descreveu o sentimento em sair vencedor nesta noite. “É a nossa terceira final consecutiva e o nosso segundo samba na Mancha Verde. É só gratidão pela aposta da escola no nosso trabalho. A Mancha faz parte da nossa história como parceria, porque o jeito em que vivemos a pandemia em 2020 na tela do computador e depois no Anhembi em 2020, foi simplesmente mágico. Foi o meu primeiro ano e de cara a escola acreditou na nossa poesia. Foi a famosa ‘água de benzer’, fiquei muito feliz e lembro como se fosse ontem a arquibancada vibrando com a gente. Isso só nos motivou. Então, estar aqui nessa terceira final consecutiva e vencer, é só uma confirmação da parceria. Uma união de ideias e energias. Que bom que a gente conseguiu retratar o que o André pensou, e principalmente o presidente Serdan que trabalha muito e está sempre no ‘front’ pela escola”. É uma parceria grande que exalta e trabalha em conjunto em prol da Mancha Verde”, disse.

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Leandro ainda disse que, como a parceria é entre São Paulo e Rio de Janeiro, algumas reuniões ocorreram pela internet com o objetivo de colocar a obra em prática. “Foi quase que uma feitura híbrida. A gente fez alguns encontros presenciais, mas sempre trocando pelo Whatsapp, porque é uma parceira Rio e São. Porque como eu falei, fizemos o melhor pela Mancha Verde. Também, por estarmos juntos por quatro anos, nos entendemos uns aos outros. A parte que eu mais é a segunda. Fala justamente da vida do homem no campo”, completou.

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Presidente comenta enredo e hino

O presidente Paulo Serdan, tem papel fundamental em tudo quanto é escolha dentro da Mancha Verde. É um mandatário ativo, toma a linha de frente, tem ideias de desfile, coloca em prática e, desta vez, não está sendo diferente. Assim como em 2023, onde ele levou o “Xaxado” de tema, no próximo Carnaval, Serdan mostrou a ideia do agro para o carnavalesco André Machado desenvolver e, por enquanto, tem dado tudo certo no projeto. “A ideia do enredo surgiu de uma amiga minha conversando comigo. Vendo essa polarização, onde as pessoas estão denegrindo o agro, querer colocar na sarjeta é um pecado. Tem o seu lado ruim, mas isso não pode acontecer. A gente fez uma viagem para Pato de Minas para conhecer a Fundação Brasil Amor e tivemos uma aula absurda do que é ser apaixonado pelo que faz. Não é só dinheiro. A gente saiu de lá podendo fazer mais dois enredos. A nossa vontade é essa, não queremos ficar apontando o lado ruim do agro. Se estamos alimentados, vamos ao mercado, compramos frutas, tanto faz. Ninguém quer saber como acontece. Quando começa-se toda especulação em cima das coisas ruins, que tem em todo lugar, até dentro da minha entidade, eu não posso ser esse cara que vai apontar. A gente quis olhar esse outro lado e acertamos. Foi uma ideia mais ou menos minha e que tem dado muito certo”, explicou o presidente.

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O dirigente também é quem comanda as reuniões com o objetivo de escolher os sambas e transmite opiniões muito claras sobre o sistema. Pelo o que dá a entender, será desse jeito por um bom tempo. “Foi um ano bem gostoso de fazer as eliminatórias. Na verdade, foi o melhor. A gente tinha grandes sambas e foi curtindo. Cada ano que passa o nosso pessoal está gostando da nossa forma de escolher. Vem todos os setores da escola: comissão de frente, harmonia, diretor da ala das baianas, ala da comunidade, pessoal das fantasias e é uma média de 32 pessoas a cada noite de reunião”, declarou.

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A mudança no quesito será feita, mas segundo o presidente, a sinopse foi entregue já pensando nessas questões. “Quando entregamos a sinopse, já fizemos pensando no novo regulamento, mas tem coisas que a gente não tem que ouvir agora para ver se a harmonia de cordas está encaixada ou não. Mas aí é uma parte deles, mas graças a Deus a gente tem um time excelente e escolhe o que se sente melhor cantando e dá nas mãos deles para consertar. Sobre a letra, esse samba não vai mexer em nada na letra. No Carnaval passado a gente já tinha mexido em alguma coisa antes de chegar na final, mas todos estavam absurdamente dentro”,

Se adequar ao samba

Fredy Vianna, intérprete oficial, falou sobre o samba-enredo. O cantor é experiente e está indo para o seu décimo primeiro Carnaval defendendo a Mancha Verde. Vianna parabenizou a escolha da escola “A Mancha tem um método de escola muito coerente. Nós vamos eliminando sambas cantando aqui fazendo dinâmicas imaginando como seria a voz da comunidade. No meu modo de ver é um grande samba, bonito. Claro que quando termina uma eliminatória a gente tem que lapidar e jogar na voz do intérprete, na minha região, mas no geral é um samba belo e diferenciado que a Mancha vai levar para a avenida”, declarou.

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É sabido que o carro de som será julgado a partir de 2024 e é uma novidade para todos os intérpretes. De acordo com Fredy, vale atenção máxima e o estudo do samba será muito importante para contribuir nessa nova regra. “A gente não pode vacilar. Vai ter várias pegadinhas nisso. A gente vai estudar todo o samba para não ter nenhum tipo de falha. Por exemplo, uma ‘cacofonia’ não pode acontecer. Também não podemos deixar escapar de formar uma outra palavra e dar um entendimento errado. Tem um lance de contracanto que a minha ala musical é acostumada a fazer e no próximo ano tem que tomar cuidado. Temos que deixar o samba cada vez mais solto para o jurado não ‘canetar’ a gente”, finalizou.

Sistema de escolha

Paolo Bianchi, diretor de carnaval, falou da importância de como a Mancha tem optado por fazer suas definições. Segundo o diretor, o canto interno é primordial para a decisão dos sambas que vão para as finais.

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“Esse sistema tem sido benéfico porque passamos alguns anos atrás por processos difíceis de escolha. Aprendemos a ouvir a opinião de todos. Entendemos que o samba no CD e no palco tem um efeito, e quando você canta ele quase 25 dias seguidos é outro. Viemos todos os dias na semana praticamente, salvo algumas exceções. Cantamos o samba, sentimos o samba. Experimentamos eles várias vezes e dá para sentir se irá funcionar. Muitos sambas funcionam bem no CD e no palco, mas na avenida ele não funciona. É um processo bom tecnicamente e bom para o clima da escola. Não temos aquela disputa, não permitimos que a própria diretoria entre em uma ‘vibe’ de discussão, vamos harmonizando e sentindo. Fazemos ali na sala uma última reunião para tomar a decisão junto com o presidente, e acho que é o quinto ou sexto ano que a gente tem o anúncio ali, e você não tem frustração. Mesmo aqueles que tinham preferência por outro samba, e respeitamos isso, saem dali felizes. É muito importante para o clima da escola. Daqui pra frente começou o carnaval de verdade, e a diretoria tem que se encaminhar para esse lado. Esse samba cresceu durante o mês de audição que fizemos. Ele retrata muito fortemente o nosso enredo, e tem um ‘swing’ que me agrada muito. A harmonia e a melodia dele me agradavam muito. Juntou as duas coisas, tanto o conteúdo de enredo quanto a melodia, ela é bem diferenciada do que vínhamos trazendo nos últimos sambas”, explicou.

Primeiros passos para o bailado

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcelo Silva e Adriana Gomes, opinaram sobre a obra. Obviamente tal escolha reflete em todos os segmentos, mas vale uma atenção especial no quesito de mestre-sala e porta-bandeira, visto que a chance de mudança é muito grande. Embora a dupla não tenha mencionado tanto, vale destacar a importância da coreografia enfatizada por ambos. “Eu acho que é a etapa mais complicada. Depois da escolha do enredo é a escolha do samba-enredo, porque ele se torna vital para tudo que irá acontecer até o dia do desfile. É o desenvolvimento com a bateria, com o time de canto, e para a nossa coreografia e da comissão de frente. Acho que a escolha foi grandiosa e difícil porque temos grandes compositores de samba-enredo no carnaval, e quando eles escolhem fazer um samba na Mancha Verde é uma honra. Acho que devemos respeitar todos que dedicaram seu tempo para fazer suas letras e melodias para a escola. Foi uma festa bonita, e acredito que teremos um grande hino para o Carnaval. Até lá seremos muito felizes, podem ter certeza, diz a porta-bandeira, Adriana.

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“O trabalho que a Mancha Verde faz desde o início, com as audições, acho muito importante. Todos participam, representantes de todos os segmentos. Eu confio na minha escola e em todos que participaram das audições. Acho que em qualquer final de samba-enredo todos os sambas tem condições de ir para a Avenida, mas ela foi feita para perceber os detalhes de cada um em relação ao que a escola está preparando para apresentar na Avenida, como irá desfilar. Seja qual fosse o samba que ganhasse, seria um samba com condições para ir para a Avenida. Os três sambas tinham condições, porém no dia da final essa audição tem que ir além da audição. Imaginar o desfile, o que irá acontecer na Avenida, como será a ordem de apresentação do enredo, e é assim que se chega na decisão. Eu confio na minha comunidade, é um samba bonito e vamos com ele. Agora é a nossa audição, minha e da Adriana, para incorporarmos essa audição na nossa dança”, completou o mestre-sala, Marcelo.

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Escolha certa

André Machado, carnavalesco vice-campeão, ganhou um grande voto de confiança e está indo para o seu segundo ano de Mancha Verde. O profissional também é convocado para ouvir os sambas concorrentes. Machado foi mais um que elogiou a condução de eliminatórias da agremiação e concordou totalmente com a escolha do hino para 2024.

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“O processo de escolha de samba aqui da Mancha é diferente de tudo que já vi, e eu acho muito assertivo. A Mancha convoca todos os diretores para ficarem um mês praticamente trancados dentro de uma sala ouvindo todos os sambas. As duas primeiras semanas ouvindo os sambas através do CD e as duas últimas semanas que antecedem a final a gente vem pra cá para cantar. Primeiro começamos a cantar três passagens de cada samba e por últimos ficamos 15 minutos cantando os três sambas, para podermos avaliar aqueles que são realmente bons para cantar e desenvolver na Avenida. Diferente de todas as outras escolas, o processo gera amizade e união entre os diretores, porque estamos aqui todos os dias para escolher o melhor. Durante essa escolha, uma coisa que eu acredito muito é que estamos em torno de uma mesa, comendo juntos, repartindo o pão. Isso acaba aproximando, criando laços afetivos dentro da diretoria. Não existe rivalidade. Não vou escolher um samba só porque eu quero, vou escolher um que agrade a todos, e isso foi do início ao fim. Os três sambas que foram para a final eles mereciam porque foram os sambas que essa galera escolheu, e hoje o samba campeão foi da mesma forma. Graças a Deus a Mancha foi muito assertiva. É um samba que irá contar de uma maneira muito bacana o nosso enredo, de uma leitura muito fácil. Um samba que eu acredito muito que é escrito de uma forma poética, um tipo de samba que eu gosto e que eu aprendi a gostar. Se tudo der certo, a Mancha tem tudo para ser campeã do Carnaval. Quando você tem um samba que conta bem a história e permite o componente cantar evoluir é meio caminho andado para o campeonato”, opinou.

Vídeos: apresentação do Império Serrano no Salgueiro Convida

 

Mancha Verde: samba-enredo para o Carnaval 2024

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Compositores: Lico Monteiro, Tinga, Marcelo Lepiane, Leandro Thomaz, Richard Valença, Jeferson Oliveira, Telmo Augusto, João Perigo, Lucas Macedo, Ailson Picanço, Rodrigo Peu, David Gonçalves, Tiago Caldeira e Paulo Sergio

Ocô, sua flauta anunciou
A colheita verdejou… Na terra
Regou a missão de Olorum
Junto à forja do senhor da guerra
Vai o legado… No balanço desse mar
Solo sagrado germinou a plantação
Ê, caiana levada pro cais
A força dos cafezais
Vem da fé que ergueu essa nação

Escorre à enxada o suor que vem do povo
Em cada grão a liberdade na raiz

Escorre à enxada o suor que vem do povo
Traz na semente o futuro do país

Brasil onde mora o verde
Brasil, teu celeiro partilha
Coragem na busca de um sonho
À mesa o amor da família
Orvalho que toca a viola
Dá o tom pro matuto versar
Levando aos céus
As bênçãos dessa noite de luar
Se as lágrimas molham a terra
Eu faço um samba em oração
Meu São José, nos dê a tua proteção!

Antes do galo cantar
Da flor do campo nascer
Vem semear a nossa eterna aliança
E da semente, o amor
A nossa gente plantou:
Mancha Verde de esperança!

Unidos de Padre Miguel 2024: parceria de Gefinho Raiz

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Compositores: Gefinho Raiz, Roger Corrêa, Quinho (Vou Te Pescar), Luiz Cláudio, Mauro Dias, Maguinho Vem No Batuke, Henrique do Cartório e Francelino
Intérprete: Maguinho Vem No Batuke e Sandro Mota

A EXPLOSÃO ILUMINOU O CRATO
O SANTO VEM DO VENTRE DE QUINÔ
DO ALTO, O MENSAGEIRO ENVIADO
TROUXE O PREDESTINADO, ENCARNAÇÃO DO AMOR
CABRA MENINO OUVIU CANTAR OS PASSARINHOS
AS TENTAÇÕES SENDO VENCIDAS NO CAMINHO
DIRIGIA ORAÇÕES AO REINO CELESTIAL
VISÕES DE UM SER ESPECIAL
FOI ORDENADO PADRE, GRANDE MILAGREIRO
SUA MISSÃO DESEMPENHOU NO JUAZEIRO
CORDÉIS ENTOAM O SAGRADO
FAZENDO UM CHAMADO NOVO
CÍCERO! TOME CONTA DESSE POVO

OH! REDENTOR DO SERTÃO
SIGO EM CORTEJO, FÉ E DEVOÇÃO
NA PERSISTÊNCIA, AS BÊNÇÃOS VÊM
É HORA DO MILAGRE DA VILA VINTÉM!

PAI, SACIAI A NOSSA FOME
MORTE, SINA QUE CONSOME
ÊTA! PROVAÇÃO DA PESTE
O SERTANEJO PADECIA DE AFLIÇÃO
INFERNO E DESTRUIÇÃO
ASSOMBRANDO O MEU NORDESTE
GRAÇAS! O LEAL PROTETOR
SUA GENTE EXALTOU, ATÉ MESMO NA DOR
A COMUNIDADE AGRADECE A REDENÇÃO
A FORÇA DO LEGADO SÃO FIÉIS EM COMUNHÃO
OS DONS SANTIFICADOS CHEGAM À SAPUCAÍ
VITÓRIA! APOTEOSE AO CARIRI!

VALEI-ME, MEU PADIM, MEU PADIM CIÇO
NASCEU A ESPERANÇA, UM BRILHO NO CÉU
PROTEJA O MEU BOI VERMELHO
ROGAI PELA UNIDOS DE PADRE MIGUEL

Unidos de Padre Miguel 2024: parceria de Jaílson

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Compositores: Jaílson, Wilson Amaral (Boca), Ditão, Danilo, Caetano, Júlio Saquarema, Ronaldo, Fernando de Lima

EU VI BROTAR LÁ NO SERTÃO
O DEUS MENINO DESTE CHÃO
DONA QUINÔ GERA ESTE SER DE LUZ
DESSE MILAGRE NASCE MEU JESUS
JUAZEIRO CELEBROU
LIMPA AS LÁGRIMAS DESTE MATUTO QUE CHORA
ILUMINADO, VEM NOS SALVAR AGORA!

O SERTANEJO CLAMA AO SENHOR
LEVE A TRISTEZA E TRAZ A PAZ DO SEU AMOR

SIM, Ó MEU PADIM O AGRESTE PEDE SALVAÇÃO
ATRÁS DA FOME E DA MISÉRIA
BRILHA O SOL DA REDENÇÃO
MUITA FÉ, DAS ALMAS DE RESISTEM VEM DA FÉ
O CÉU EMOCIONADO VAI FICAR
AO VER O SOLO ESTÉRIL GERMINAR
CIÇO, VEM FESTEJAR
VIDA DAS SUAS MÃOS VI BROTAR
FINDA NA TERRA SUA MISSÃO
LEVA NA MALA O MEU CORAÇÃO
SANTO QUE VIROU CORDEL
VINTÉM LEVANTA AS MÃOS PRO CÉU

Ó MEU PADIM CIÇO VENHO LHE PEDIR
TRAZ CHUVA DE BÊNÇÃOS PRO MEU CARIRI
MATIZA A ESPERANÇA DESTE SEU FIEL
PROTEJA A UNIDOS DE PADRE MIGUEL

Unidos de Padre Miguel 2024: parceria de Jaci Campo Grande

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Compositores: Jaci Campo Grande, Marfim, Rogerinho, Beto Fera, Paulo China, Bachini e Leozinho Nunes
Intérpretes: Leozinho Nunes, Igor Pita, Márcio Preza e Duda Coelho

CORRE NOS CAMINHOS DO RACHADO CHÃO
O SUOR QUE REGA A LIDA DO SERTÃO
DOIS ANJOS SELAM O DESTINO
DE JESUS MENINO, CICERO ROMÃO
FULGENTE AMOR É CANDEIA
NO CRATO, A ESPERANÇA CLAREIA
VEM VER SALPICAR O JUAZEIRO NA SANTA CEIA

O CARIRI CHOROU, A FOME APERREOU
GASTURA, DISSABOR NO CORDEL
LENDAS, ASSOMBRAÇÕES, MEU SÃO JOÃO PREVIU
LAMENTO E DOR NO ESQUECIDO BRASIL

MEDO, “MULESTAS” EXPOSTAS
COMOVEM REVOLTAS POR LIBERTAÇÃO
MESMO A INJUSTIÇA IMPOSTA
NÃO DEIXOU DE SER CRISTÃO
O POVO CONFIRMARIA
O SANGUE UNGIDO EM MARIA
“SENHORA”, CURA AS “DORES” DA TAPERA
E DA FAVELA..
ROGAI POR NÓS, NOVA JERUSALÉM
NA ROMARIA DE VILA VINTÉM
E AOS OS FIÉIS DA ZONA OESTE
A CANDURA DO NORDESTE

PROMETI DE JOELHO
CONSAGRAR MEU BOI VERMELHO!
REDENTOR MILAGREIRO TRAZ DO CÉU
UNIDOS VEJAM PADIM CIÇO
EM FESTA COM PADRE MIGUEL

Unidos de Padre Miguel 2024: parceria de Eli Penteado

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Compositores: Eli Penteado, Gulle, Marquinho Sorriso, Alemão do Cavaco, Juca, Cleo Auquste, Anderson Olveira e Gilmar Souza
Intérprete: Emerson Dias
Direção Musical: Alemão do Cavaco e Andre Ricardo

NASCEU, O DEUS MENINO DO SERTÃO
EM CRISTO, A LUZ DA SALVAÇÃO
SERTANEJO SANTO FORTE
CARIRI É O SEU NORTE, RESPLANDECE ESSE LUGAR
O SOL CASTIGAVA ESSA TERRA
A LUA VINHA ALUMIAR
ÁGUAS IRRIGAVAM A ESPERANCA
EM GOTAS DE SUOR E LÁGRIMAS
PRA SUPERAR ESSA DOR
EIS O MISTERIO DA FÉ

SECA… ASSOMBRAGÕES,
VISÕES DA FOME ASSOLAVAM ESSE CHÃO
EM TODO CANTO UM RECEIO EM CADA OLHAR
VENCENDO O MEDO A VITORIA HÁ DE CHEGAR

EM NOVA JERUSALÉM
A SONHADA REDENCÃO
SEGUINDO O CORTEJO, ROMARIA EM CORDEL
PEREGRINOS E BEATAS, ETA POVO FIEL
MILAGRES.. PADIM CIÇO FEZ ACONTECER
COM SUAS MÃOS ESSA GENTE ELE CURAVA
NA EMOÇÃO DO CÉU A PLANTAÇÃO CRESCEU
VALEI-ME CABRA DA PESTE, FILHO DO NORDESTE
SANGUE VIVO ÉS ROMÃO, IMAGEM DO CRIADOR
QUE FEZ BROTAR A SEMENTE DA PAZ
BOTA FÉ QUE VAI

El, PADIM! VEM ABENÇOAR
A UNIDOS AJOELHA NESSE ALTAR
OH! REDENTOR DO SERTÃO
EM ORACÃO DIGA AMÉM
PRO BOI VERMELHO DA VLA VINTÉM

Unidos de Padre Miguel 2024: parceria de Toninho do Trailer

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Compositores: Toninho do Trailer, Drummond, Leo D’Vinci, Gringo Jab, LC D’Avenida, Joca Amaral, Sidinho da Cuíca, Pernambuco, Gylnei Bueno, T Martins e Mauro Naval R. Barbosa

BRILHA O CHÃO EM BRASA NO MEU CEARÁ,
O CHÃO RACHADO TEM O MEU SUOR…
DIVINA LUZ DESABA EM MEU QUINTAL
“OXENTE”, ESSE MENINO CELESTIAL
UM DEUS ENCARNADO, NO LEITO TROCADO
VAI, SEGUE A MISSÃO QUE O PAI LHE DEU…
ENTRE VISÕES E O SOM DOS PASSARINHOS,
“SE AVEXE, NÃO”… SUPERA A DOR,
CONFIA NA VISÃO DO SALVADOR!

CAVALEIRO ANUNCIAM… É O JUÍZO FINAL
É A SECA, É A FOMA… PADECIA SEU NORDESTE
AFLIÇÕES DO SERTANEJO… NÃO É SEGREDO
VENCEU O MEDO, O “CABRA DA PESTE”

PADRE, MILAGREIRO, LENDA DO SERTÃO…
SANTO, CURANDEIRO, ANUNCIAÇÃO…
LÁGRIMAS DE CHUVA VÃO MOLHAR O CARIRI,
CÂNTICOS SAGRADOS VÊM SALDAR OS SEUS MILAGRES,
NO ALTAR, MEU PADIM CIÇO, VENHA ME GUIAR…
NA IMENSIDÃO DE CADA CORAÇÃO…
A ESPERANÇA BRILHA EM CADA OLHAR…
NO VERSO DO CORDEL, EM CADA ORAÇÃO…
“BOTA FÉ QUE VAI…” EU SIGO A PROCISSÃO
AO “REDENTOR DO SERTÃO”!

“ÊTA”, BOI VERMELHO, SEGURA QUE EU QUERO VER
COM AS BÊNÇÃOS DO PADIM, TÁ NA HORA DE VENCER
ONDE HÁ FÉ E ESPERANÇA, NOSSO POVO DIZ AMÉM
SOU GUERREIRO “ARRETADO, SOU VILA VINTÉM