Compositores: Guga Martins, Passos Júnior, Gustavo Clarão, Lucas Macedo, Leandro Gaúcho, Clairton Fonseca, Richard Valença, Gigi da Estiva, Abílio Jr., Marquinho Paloma, Cristiano Teles e Ailson Picanço
Intérprete: Pitty de Menezes
OLHE PRO CÉU ONDE A LUA VAGUEIA
AS ESTRELAS BRILHAM NO CHÃO
SABEDORIA É A LUZ QUE CLAREIA
PORTO DA PEDRA NO MEU CORAÇÃO
SOU SEU LUNÁRIO! CONSELHEIRO IMORTAL!
JÁ ‘FOLHEANDO’ CADA PONTO CARDEAL
ALQUIMIA DE ALMANAQUE (SOU EU, SOU EU)
CADA TOQUE NO ATABAQUE (SOU EU, SOU EU)
QUEM ACENDEU AS LAMPARINAS DESSE CÉU?
NO BRASIL OS RETIRANTES SÃO OS ASTROS DE CORDEL
O SERTÃO PROFETIZOU, CADA FLOR DO CARIRI
A ‘CIÊNCIA’ DESSE POVO, EU NÃO GUARDO SÓ PRA MIM
SEPAREI AS FOLHAS SECAS MISTURADAS NO PILÃO
CONFIEI À REZADEIRA UMA NOVA ORAÇÃO
… SÓ PORQUE EU ESCOLHI, NAVEGAR POR ESSE MAR!
A VIOLA PERGUNTOU PARA O SANTO DO LUGAR:
RESPONDA, ‘MEU SINHÔ’! SERÁ QUE É AMOR?
MEU POVO VAI PASSAR!
TANTA GENTE ESPEROU POR ESSE DIA…
O PINCEL, A CANTORIA… NUNCA FOI PONTO FINAL!
E LÁ DO ‘AUTO’ COMO A VIDA É UM REPENTE
O ESTANDARTE VAI NA FRENTE
MUITO MAIS QUE CARNAVAL!
VEM ANTÔNIO, VEM MENINO!
SEU DESTINO É CIRANDAR
UM BRINCANTE NORDESTINO
A MISSÃO: PERPETUAR!
QUARTO MINGUANTE, A MORINGA QUASE SECA
MARÉ VIROU… VIROU LUAR!
TEM ALAMBIQUE PRA BEBER NA QUARTA-FEIRA
OKÊ, CABOCLO! TEMPO BOM VEM PRA FICAR!
QUARTO MINGUANTE, A MORINGA QUASE SECA
MARÉ VIROU… VIROU LUAR!
TEM ALAMBIQUE PRA BEBER NA QUARTA-FEIRA
FALTAVA O TIGRE PRO LUNÁRIO COMPLETAR!
Por Lucas Santos, Raphael Lacerda e Nelson Malfacini
Foi uma noite épica! O retorno do “Encontro no Paraíso” teve como ponto alto a apresentação do samba-enredo do Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2024 que demonstrou ser uma obra já abraçada pela comunidade que mesmo com o pouco tempo de contato, festejou e vibrou bastante com o hino desenvolvido para o próximo desfile da Azul e Amarela de São Cristóvão. Antes, porém, a escola apresentou um show de pouco mais de duas horas desfilando uma coleção de sambas de muita qualidade, alguns recentes, como o icônico “Meu Deus, Meu Deus”, passando pelo “Bode Ioiô”, de 2019 , “Ka Ríba Tí Yê”, e o “Cadê o boi” do carnaval passado, entre outros. A atual campeã do carnaval 2023, Imperatriz Leopoldinense foi a escola convidada da vez e encerrou o espetáculo.
Compositores do samba de 2024. Fotos: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
Depois de realizar disputa de sambas para os dois últimos carnavais, o Paraíso do Tuiuti voltou a uma fórmula que deu muito certo em anos anteriores, inclusive, no aclamado samba de 2018 que gerou um vice-campeonato e a melhor colocação da história da Azul e Amarela de São Cristóvão. Desta forma, para o próximo desfile, a agremiação voltou ao modelo de encomenda de samba. Os autores, já bastante conhecidos da casa, são Cláudio Russo, Moacyr Luz, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Alessandro Falcão, Pier Ubertini e W Correia. A obra vai embalar o desfile que traz o enredo “Glória ao Almirante Negro!”, do carnavalesco Jack Vasconcelos. O tema é uma homenagem a vida e história de João Cândido, marinheiro brasileiro que se empenhou na luta contra os maus-tratos, a má alimentação e as chibatas sofridas pelos colegas. O Tuiuti será a quinta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval.
“Este samba representa falar de uma história de luta, uma das mais bonitas histórias do Brasil, personagem muito forte que é João Cândido, e pela segunda vez eu estou fazendo isso. Já fiz isso na Renascer. Nós tentamos nesse samba fazer uma letra muito forte com uma melodia de fácil entendimento. Não tentamos fazer nada mirabolante com a melodia. Tentamos uma melodia mais fácil com a letra um pouco mais apurada. Eu fico muito feliz de mais uma vez ter essa encomenda no Tuiuti e eu acho que hoje eu tenho a cara do Tuiuti, e o Tuiuti tem a cara dos meus sambas. Isso é muito bom, há uma interação muito grande. O Tuiuti nunca podou a nossa inspiração. Sempre nos deu liberdade. É um toque ali, outra aqui, mas sempre respeitando a nossa criação. Eu tenho que agradecer essa confiança ao presidente Thor e a toda comunidade. Eu gosto muito do samba todo, mas me chama atenção o começo da segunda do samba que vem do ‘Meu nego, a esquadra foi rendida, e toda gente comovida’ até o ‘preferiu a traição’, isso sintetiza tudo que aconteceu com João Cândido. E depois de tudo que aconteceu, o governo traiu ele com a falsa promessa de anistia”, explicou o compositor Claudio Russo.
“A emoção é muito grande, fazer um samba de novo para o Tuiuti, um samba desse, para esse enredo, um samba esperado pela comunidade, feito para a família Tuiuti. E o Claudio Russo, esse grande parceiro do samba, nossa parceria mais uma vez conseguiu atingir o coração do pessoal do Tuiuti, a comunidade toda cantando, um samba lindo. Eu espero que a gente possa ser muito feliz. E ‘Desce o morro do Tuiuti’ é muito forte, é uma consagração e exaltação do Tuiuti”, contou o compositor Júlio Alves.
De volta ao Grupo Especial, o intérprete Pixulé terá a responsabilidade de comandar o carro de som do Paraíso no próximo desfile. Nos últimos carnavais, o cantor desfilou pela Série Ouro como voz principal de Cubango e Unidos de Bangu. Sua última passagem pela elite do carnaval carioca foi em 2014 com o Império da Tijuca. O artista revelou como seu estilo “bateu” com a essência da escola.
“Essa chegada ao Tuiuti representa tudo, a gente retornar ao Grupo Especial, primeiramente agradecer ao presidente Thor, ele abriu as portas para mim, e representa tudo na minha carreira, eu não tenho palavras para expressar a minha felicidade de estar de volta ao Grupo Especial e ainda por cima no Tuiuti. Ou seja , eu estou no “paraíso”. Eu me sinto envaidecido , eu sinto uma leveza, eu me sinto como se eu estivesse no quintal da minha casa, como se estivesse no meu sofá sentado com o pé em cima da mesa”.
Pixulé elogiou bastante a obra do Tuiuti para 2024, entendendo que as comparações com o carnaval de 2018 representam mais motivação e responsabilidade.
“Em 2017 quando eu cheguei na Unidos de Padre Miguel, eu já cheguei com um baita samba. Me deram um baita samba, me deram Ossain, e o samba ganhou vários prêmios. Eu estou debutando aqui no Tuiuti, e logo de cara me deram um baita samba, um baita presente para eu cantar na Avenida. Então eu estou muito feliz de estar no Tuiuti, mas também de ganhar esse belíssimo presente que é esse samba enredo maravilhoso de Claudio Russo e companhia. Mas não tem pressão, tem uma motivação maior, aquele momento que você fica todo emotivo, e a responsabilidade, afinal de contas, é o Tuiuti”.
Samba mexe com o presidente
O presidente Renato Thor exaltou a vibração que a obra do Tuiuti para o próximo carnaval gerou na comunidade e convidados da noite, e revelou que o momento mexeu bastante com o mandatário da Azul e Amarela.
“Quando a gente vê toda uma comunidade e nossos visitantes contagiados com essa obra prima, eu me sinto muito feliz e envaidecido. Hoje ali no palco a minha lágrima só não caiu porque eu sou uma pessoa meio “ogra”. E todo momento que eu me sentia emocionado eu virava de costas para o palco, para que ninguém pudesse ver a minha emoção. Hoje para mim e para a minha comunidade é um dia muito emocionante. Eu vi o quanto ela estava feliz com essa obra. Queria agradecer a minha ala de compositores e explicar que “encomenda” é uma palavra que eu não gosto muito. Até porque o samba é de compositores da casa. A encomenda para mim é quando você pega compositores de outras escolas e traz para a sua para encomendar um samba. E quando você tem os próprios compositores da casa, para mim não é encomenda. O Paraíso do Tuiuti se organizou para fazer um samba e graças a Deus e a todos aqueles que nós protegem, estamos sendo felizes nesse novo projeto. Nesses dois anos teve um novo projeto que tal qual nós tivemos que voltar ao que era antigamente. Então , o projeto do Paraíso do Tuiuti vem dando certo e foi provado hoje”.
Renato Thor também explicou semelhanças da obra e enredo atual com o espetacular carnaval de 2018, além de comentar o retorno do carnavalesco Jack Vasconcelos.
“Nós temos o título de o Quilombo do Samba, nós fomos o campeão do povo em 2018. Nós estamos exaltando um negro , que é um herói e nós vamos colocar ele como herói, de fato e de direito tal qual ele não foi reconhecido. Esse enredo tem tudo a ver com Paraíso do Tuiuti, confirme o enredo de 2018, mas cada um com uma essência diferente. A linha é a mesma. E o Jack voltou para casa, é um carnavalesco que a gente se entende. Quem não entendeu o Jack por aí, com todo respeito as coirmãs, porque aqui é uma escola de samba que a gente se entende. E por esse entendimento que vem do Jack com o Paraíso do Tuiuti, vocês podem ter certeza que vão ver um belíssimo trabalho através da obra do Jack Vasconcelos”.
Jack Vasconcellos emocionado
De volta ao Tuiuti depois de passagens por Mocidade Independente e Unidos da Tijuca, o carnavalesco Jack Vasconcellos, vice-campeão com a escola em 2018, comentou o processo de trabalho a partir de um samba produzido sem disputa.
“Acho que facilita no sentido de que a gente tem acesso a letra mais cedo. Então, alguma coisa do projeto em termos de visual, a gente tem tempo de adaptar ou tem tempo de fazer alguma coisa que encaixe com a letra caso apareça algum gancho bacana. Então, ter um intimidade maior com a letra antes é bem bacana. Ela não vai e volta muito quanto as pessoas pensam porque eu também não gosto de ter uma interferência muito grande na liberdade do compositor. Meu papel é tentar deixá-lo no norte que a gente vai seguir em termos de narrativa de enredo mesmo. Eu procuro não interferir”.
Jack com o filho do homenageado João Cândido
Jack também comentou sobre como pretende realizar o desenvolvimento do carnaval 2024 e se há alguma semelhança com o processo de 2018.
“É um desfile em homenagem a um grande herói brasileiro. E o desfile foi montado e está sempre sendo pensado pra gente saudar essa figura histórica brasileira. O que não pode faltar é uma ‘intimidade emocionada’, se você consegue me enteder. É uma homenagem feita de coração, não só uma observação de um fato histórico. Há uma intimidade, um nivelamento em relação ao João Cândido, porque ele representa o povo brasileiro. É uma coisa de espelho. O ano de 2018 é engraçado porque foi uma resposta que a gente teve de público que a gente não contava de início. Acho que o povo percebe quando a coisa é feita de coração. Não tem nenhum outro intuito por baixo. A gente fez realmente aquilo que a gente queria muito, e era de verdade. Se tem alguma semelhança com 2018, é isso. É um enredo feito com muita verdade e vontade, e a gente quer muito falar de João Cândido, sobretudo por esse momento que o Brasil está atravessando”.
Sobre o primeiro contato com a obra, Jack revelou que o samba mexeu com o artista desde o início
“Fiquei emocionado e isso é bom (risos). É legal, porque logo em uma primeira audição, o samba já falar com você , é muito legal, me tocou muito. Ele cumpre a função de explicar o enredo, é poético, é de fácil entendimento, vai ajudar muito para explicar a parte visual”.
Adalberto Cândido, filho caçula de João Cândido, esteve presente na quadra e falou com o site CARNAVALESCO. “É uma satisfação muito grande para mim, para a minha família, para todos os admiradores do meu pai, por ele ser reconhecido e já pelo povo. Meu pai é um herói popular. É bom ele ser reconhecido pelo povo brasileiro. E no desfile, a emoção vai vir na hora, na hora que entrar no sambódromo, não é para qualquer. Se Deus quiser estarei desfilando com minha família e amigos”.
Excelência no ritmo
Outro grande trunfo do Tuiuti para o Carnaval 2024, foi a renovação do mestre Marcão que irá comandar a “SuperSom” pelo terceiro desfile seguido. Sem perder nenhum décimo no último carnaval, mestre Marcão falou sobre o trabalho que vem desenvolvendo desde 2021 no Paraíso.
“Eu cheguei em 2021, na pandemia, e não teve desfile. Mas já tinha um trabalho. Em 2022, o trabalho foi concluído, Em 2023, botamos uma bateria. Hoje eu posso te confirmar, que hoje o Paraíso do Tuiuti, tem uma identidade em sua bateria, quem chega tem que conhecer o que vai fazer. Já temos uma identidade. Quando eu cheguei eu tive que me adaptar. O meu trabalho era diferente também, o pessoal abraçou a causa, trouxe vários diretores do morro do Tuiuti, essa molecada veio e colocamos como deveríamos colocar e eu fico muito satisfeito por eles”.
Marcão também explicou como se dá o processo da bateria sendo trabalhada com um samba já pronto em agosto e que teve sua realização acompanhada pelo mestre de bateria.
“Eu trabalho né. O trabalho vem logo no começo, e isso é muito bom. Não desmerecendo os outros sambas, outros compositores, eu gosto de ver bastante obras, mas esse ano, o presidente optou por um samba encomendado que tem como você mexer. E facilita para a gente por que já estamos ensaiando, já tem várias segundas-feiras, e a gente já está pensando em paradinhas, bossas, mas colocando uma de cada vez para que fique na mente dos caras. Hoje fizemos duas, mas daqui a pouco vamos colocar mais duas. São seis. Isso facilita. O desenho do tamborim já está pronto, ainda não estamos executando, porque ainda falta fixar. O desenho do chocalho está pronto. Estamos colocando devagar para não se antecipar. Temos que ver com o intérprete também”.
Novidades na comissão de frente
Em sua segunda passagem pela Paraíso do Tuiuti, a coreógrafa Cláudia Mota, desta vez, comandará a comissão de frente em parceria com o coreógrafo Edifranc Alves. A dupla comentou sobre a responsabilidade de trabalhar em um desfile que promete ser um grande carnaval da escola de samba de São Cristóvão.
“A Tuiuti sempre traz enredos muito fortes e muito importantes, de muita potência. E foi isso que me fez, também, encher os olhos para voltar pra cá. Trabalhar com o Jack, ter essa responsabilidade de um enredo tão importante pra nossa cultura – e fazer com que o João saia daquela avenida consagrada como herói, porque ele é”, disse Claudia Mota.
“O enredo já nasceu gigante e maravilhoso. Ele só solidifica essa luta – que certamente virá com vitória para a escola e comunidade. Para mim é uma grande honra ter essa oportunidade desse convite de estar como coreógrafo, junto com Cláudia Mota. Acho que tem tudo pra dar certo, principalmente por trazer esse herói nacional que merece essa coroação”, afirmou Edifranc.
Casal na vida real, a dupla contou como funciona a divisão de trabalhos. Os dois são bailarinos do Theatro Municipal do Rio e atuam juntos há bastante tempo, mas é a primeira vez que, em conjunto, vão assumir uma comissão de frente. Para eles, a parceria da dupla somada ao trabalho do carnavalesco Jack Vasconcelos tem tudo para dar certo.
“Já não é a primeira vez que ele tá comigo, mas esse ano ele vai assumir a comissão de frente junto comigo. Está sendo novo para os dois. Porque eu nunca dividi trabalho com outro coreógrafo. Apesar da gente ser casado, sabemos dividir bem as funções. A gente respeita muito a ideia do outro, somos muito parceiros e nos complementamos nas ideias. Acho que dá muito certo. E o Jack é um terceiro – é um trio que eu acho que confio muito para que dê muito certo”, disse a coreógrafa.
“A gente trabalha há muito tempo. Nós somos um casal na vida real e também no trabalho. Somos artistas bailarinos do Theatro Municipal, trabalhamos juntos há mais de vinte anos. É uma congruência muito boa. A gente trabalha todos os dias, temos essa nuance do cotidiano. Mas também, neste caso agora, como coreógrafos, tem a questão da criatividade que a gente vai colocar à prova para poder trazer um significado na Avenida com essa comissão de frente, com esse enredo tão forte. É uma grande responsabilidade que nós abraçamos com muito amor e muita vontade de fazer. A gente quer ver esse nosso herói coroado como um herói nacional, que é o que ele merece”, completou Edifranc.
Para o coreógrafo, o trabalho em dupla facilita o processo criativo. “A gente consegue trocar mais. Existe a disponibilidade um do outro de poder trocar e discutir as questões, porque trabalhar com carnaval é complicado, não é fácil. É trabalhoso, mas sempre edificante, porque a gente aprende muito e é um aprendizado sempre”.
Ensaio de rua em outubro
Para o diretor de carnaval André Gonçalves, o Andrezinho, o samba encomendando facilita a harmonia entre carro de som e comunidade. Ele também falou sobre a previsão para o início dos esperados ensaios de rua.
“Na verdade, nós começamos a fazer um ensaio de canto há duas semanas. Segunda-feira vai ter o ensaio, porque nós estamos com o terceiro casal. Foram dez casais para a final. Mas o ensaio de rua mesmo vai iniciar na última segunda-feira de outubro. Facilita (samba encomendado), porque o que acontece: se a gente entra na disputa, só vamos ter o samba escolhido lá no começo de outubro. Então isso é muito importante pra escola, porque a gente já está trabalhando o samba e toda a comunidade”, explicou o diretor de carnaval.
Andrezinho também comentou sobre a chegada do intérprete Pixulé, que assumiu o comando do carro de som da Paraíso do Tuiuti após a saída de Wander Pires, que foi para a Viradouro. Segundo o diretor de carnaval, Pixulé foi abraçado pela comunidade do Tuiuti.
“O Pixulé tem uma coisa especial: ele é um cara agregador. A comunidade gostou muito dele e foi muito bem recebido. Além da volta dele para o Grupo Especial, eu acho que a comunidade do Morro do Tuiuti estava aguardando o Pixulé. Ele é a cara da escola”, contou.
Casal celebra ano de 2023
Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Tuiuti, fizeram um balanço do carnaval deste ano. Com duas notas 9.9, e dois dez, a dupla considera que 2023 foi um grande ano e um divisor de águas.
“Para nós foi um grande ano. A gente achou que começamos a criar ainda mais a identidade do casal. O primeiro ano a gente veio com o enredo afro, eu acho que tem muito a ver comigo e com o Raphael. O segundo ano já foi um desafio de sair da temática e criar a nossa identidade – não perder a nossa identidade que a gente criou no primeiro ano ao longo deste trabalho. Foi positivo. A gente teve alguns probleminhas na concentração, a entrada foi um pouco aguerrida, mas mediante ao pré, a gente ficou muito feliz com o que a gente fez. Muito satisfeitos com o que nós conseguimos apresentar. É isso: a cada ano evoluir, melhorar um pouco mais o entrosamento com a escola, os detalhes finos para conseguir chegar na nota”, comentou a porta-bandeira.
“Ela falou tudo. Não tenho mais o que acrescentar. 2023 foi um divisor de águas para gente. Depois de 2022, um Carnaval que criaram muitas expectativas e mesmo assim a gente conseguiu alcançar um grande objetivo. 2023 foi o nosso divisor de água. Dentro dos problemas que nós apresentamos, dentro das coisas que aconteceram eu acredito que nós apresentamos um excelente carnaval”, completou o mestre-sala.
Questionada sobre o que manter para 2024, Dandara destacou a dança espontânea e o bailado do casal. Já quando perguntada sobre o que melhorar, a porta-bandeira citou a sincronia que foi cobrada pelo júri.
“Acho que a gente tem tentado manter um pouco dessa força que a gente traz, assim, na identidade, um pouco da espontaneidade. Eu e Raphael nos encontramos muito numa dança espontânea, que nem sempre está milimetricamente coreografada. Acho que isso a gente vai manter enquanto estivermos dançando juntos, porque tem a ver com os outros lugares onde a gente se encontra – na dança de salão e em outras relações. Ficamos muito satisfeitos quando a gente consegue executar de forma leve o bailado do casal”, comentou.
“O que mudar, eu acho que encontrar um pouco dessa sintonia que o jurado não viu – essa sincronia entre a gente talvez. A gente olha que tinha muito a ver com a nossa proposta deste ano, entre feminino e masculino não fazerem exatamente as mesmas coisas e as mesmas finalizações, mas talvez esse seja o ponto que precise mudar e também vamos ver ao longo do trabalho”, completou Dandara.
Para a porta-bandeira, o samba definido antecipadamente facilita o desenvolvimento do trabalho que será apresentado na Marquês de Sapucaí. Dandara contou que o casal já começou a estudar a dança na quadra – que ela considera fundamental.
“Com certeza (ajuda no trabalho). Você tem um samba para trabalhar por mais tempo. A gente está aproveitando que já tem samba escolhido e sim, começando a pensar, fazendo laboratórios, e pensando também na dança da quadra. Eu gosto muito de dançar o samba na quadra para a gente sentir junto o que que vai surgir, o que que vai rolar e daí começarmos a trabalhar. Daí temos um pouco mais de tempo para fazer isso, o que nos dá vontade de criar esse trabalho e deixar ele bem redondinho para que essa sintonia fina apareça e salte aos olhos para todo mundo na Avenida”, comentou.
Perguntado sobre o peso de entrar na Passarela do Samba após o desfile da Mangueira, que levará Alcione para a Avenida, e anteceder a Viradouro, o mestre-sala contou que não vê esses fatores como uma responsabilidade e enfatizou a estrutura e os grandes carnavais que a Paraíso do Tuiuti realizou nos últimos anos.
“Assim, eu não vou ser polêmico, mas eu não acho que seja responsabilidade. Responsabilidade é a gente ser a primeira, segunda, terceira. Eu acho que entre Mangueira e Viradouro são só mais duas coirmãs que vão disputar com a gente. Hoje o Tuiuti tem uma estrutura e condição muito grande e vem apresentando bons trabalhos, numa crescente muito boa. A pergunta tem que ser feita para eles: qual é a responsabilidade de vir antes ou depois do Tuiuti. Acho que é essa a pergunta”, afirmou Raphael.
Uma escola em busca de se reencontrar. É isto o que foi visto na final da disputa de samba da Estácio de Sá para o Carnaval de 2024. Após enfrentar diversas dificuldades para conseguir colocar o desfile de 2023 na rua, a vermelha e branca aposta no enredo “Chão de Devoção: Orgulho Ancestral”, do carnavalesco Marcus Paulo, para novamente voltar aos bons tempos. Para escolher o hino oficial que guiará o desfile, a escola promoveu uma grande festa em sua quadra na noite dessa sexta-feira, embalada pelo alto nível dos quatro sambas finalistas. A obra vencedora foi a da parceria encabeçada por Júlio Alves. Os demais compositores são: Claudio Russo, Magrão do Estácio, Filipe Medrado, Thiago Daniel, Diego Nicolau, Tinga, Dilson Marimba, Guilherme Karraz, Barbara Fonseca, Telmo Augusto e Marquinhos Beija-Flor. Em 2024, a Estácio de Sá irá se apresentar na sexta-feira de Carnaval, primeiro dia de desfiles da Série Ouro. O chamado “Berço do Samba” será a quinta agremiação a cruzar a Marquês de Sapucaí na ocasião.
“Eu queria muito ganhar esse samba. Era uma vontade muito grande. Samba lindo e com a cara da Estácio. Essa é minha quinta vitória, como se fosse a primeira. É muito bom ganhar. Nosso samba não tem defeito é todo lindo”, afirmou o compositor Júlio Alves.
“Dou sorte. Já é o segundo samba que ganho para 2024, semana passada, foi na Mancha Verde. Espero que siga assim. Me emociono muito no samba da Estácio, principalmente, na parte ‘segue o tumbeiro..’ é muito forte. Fazemos o samba com muito amor para ajudar a escola no desfile”, comentou Tinga, que além de intéprete, assina a obra como compositor.
“A sensação é de muita gratidão. Desde quando a escola anunciou o enredo eu pensei que tinha que disputar após ficar dois anos fora. A saudade apertou e quis voltar. Fomos abraçados pela comunidade. É o terceiro samba que venço na minha escola. Agora, é curtir o momento. O trabalho não para”, garantiu o compositor Filipe Medrado.
Presidente promete grande desfile
Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente Edson Marinho prometeu fazer um dos maiores desfiles da história da escola.
“O carnaval da Estácio de Sá em 2024 vai ser um dos maiores de todos os tempos. Isso começa pelo enredo, que foi muito bem aceito pelos críticos, pelos grandes pesquisadores de carnaval. Desde o lançamento, ele foi muito comentado. Como consequência desse enredo, nós tivemos uma safra de samba, que compositor nunca tinha visto uma tão forte quanto essa. E olha que disputei samba na Estácio durante 39 anos. Algumas pessoas, alguns diretores da escola, até vieram comentar comigo que eu estaria na maior dificuldade no mundo, que não queriam estar no meu lugar, por ter que escolher apenas um de uma safra tão forte. Hoje tivemos aqui na quadra quatro sambas. Eu poderia ter fechado os olhos e pescado qualquer um que a Estácio estaria muito bem representada. Isso me deu certo conforto, me deixou muito tranquilo, que não tinha como errar. Qualquer um dos quatro poderiam ser o samba campeão. Então, podem esperar um dos maiores desfiles da história da Estácio”.
O dirigente citou após ser compositor por quatro década possui agora um grande desafio que é comandar a escola. “É um desafio muito grande assumir a Estácio no momento atual, mas eu sou muito apaixonado pela escola. Fiquei quase quatro décadas aqui como compositor, eu tenho um tempo bom de casa. De fato, nesse início de trabalho tivermos muita dificuldade realmente, mas hoje o barracão da Estácio está coberto, os protótipos estão entre 90% e 95% prontos e a gente deve terminar ainda esta semana, vamos começar a fazer reprodução das nossas roupas… Aos poucos, estamos arrumando as coisas. Podem ter certeza de um grande carnaval”.
Edson Marinho revelou também como está o processo de melhoria do espaço que a escola conseguiu para fazer seu barracão, no bairro do Rio Comprido, na Zona Norte da cidade. “A parte mais crítica era a cobertura. Já foi instalada a luz, a Cedae esta semana vai colocar água, falta agora a gente dá uma ajeitada no piso. Porém, a maior dificuldade nossa era a cobertura. Afinal, chuva e sol, destrói tudo. Então, esse problema já foi resolvido e estamos muito felizes com a cobertura. Graças a Deus, vamos começar a mexer nos carros já e quem conhece a Estácio garanto que vamos fazer um Carnaval para disputar o título. A Estácio vai voltar para o lugar de onde ela nunca deveria ter saído”.
Carnavalesco volta para Sapucaí
De volta para Marquês de Sapucaí em 2024, o carnavalesco Marcus Paulo abordou o período fora e a responsabilidade de conduzir o desfiel da Estácio no carnaval do ano que vem.
“Resolvi ficar afastado da Marquês de Sapucaí e fiz só a Rocinha na Intendente, que também foi muito difícil de conciliar com o doutorado. E posso garantir que fez muita falta pra mim, como artista, pelo que gosto de fazer no carnaval. Quando surgiu esse convite da Estácio, ainda no meio do meu processo de doutorado, eu demorei a dar um pouquinho a resposta, mas quando eu vi que eu conseguiria conciliar e voltar a fazer a minha arte, a minha paixão, o que eu gosto na Sapucaí, eu vim aqui, conversei, aceitei e ganhei esse grande presente que é esse enredo da Estácio de Sá. Estou muito feliz de poder voltar desta forma. Quem conhece um pouquinho o meu trabalho antes dessa minha parada, desde a Unidos da Tijuca até a Acadêmicos da Rocinha, sabe que eu gosto de inventar, eu sou inquieto mesmo. Gosto de procurar uma forma nova, uma estética diferenciada, materiais pouco usuais. Gosto de impactar no visual, até porque se eu passar igual a todo mundo, é mais do mesmo, você não faz aquele cara que está na arquibancada ou que está em casa assistindo pela TV, parar e prestar atenção. Por isso, eu procuro ousar um pouquinho nas formas e nas texturas pra prender a atenção das pessoas e convencer os jurados de que aquela estética merece a nota dez”.
Agora, com a saída do carnavalesco Mauro Leite, Marcus Paulo conduzirá sozinho o desfile da Estácio. O artista contou como foi essa decisão do companheiro de trabalho. “O Mauro iria ficar mais com a coordenação artística, porque a parte da escrita eu tenho muita expertise para isso, então naquele momento ali da saída dele já era uma parte que eu iria caminhar sozinho de qualquer forma. Já o motivo dele deixar o projeto é que ele teve algum compromisso de trabalho com a Rosa Magalhães, que não está fazendo o carnaval, mas que pegou um espetáculo grande pra fazer e ele não conseguiu conciliar. O Mauro conversou com a diretoria e achou melhor se dedicar a esse trabalho com a Rosa, porque ele é um funcionário dela, ele é um assistente da Rosa para o que quer que ela faça, seja teatro ou carnaval. Ele entrou de licença da Estácio de Sá este ano e de repente ele volta para o ano que vem, para formar essa parceria que ficou um trabalho ainda inacabado, que eu acho que daria muita liga nós dois”.
Marcus Paulo citou como pensa enfrentar o desafio de fazer o desfile, ainda no barracão em construção, e com todas dificuldades de trabalhar em uma escola da Série Ouro, que possui menos recursos financeiros. “É um novo momento da escola, uma reconstrução. A Estácio estava sem um barracão coberto, foi um local que ela arrumou ali na pressa, ainda estava se organizando pra ver se ficaria naquele espaço ou não. E ela ganhou esse barracão, já cobriu o teto e agora a gente está terminando a estrutura, mas só de ter essa cobertura já é uma grande vantagem. Eles fizeram com uma lona improvisada no ano passado, teve que fazer tudo muito em cima da hora. Então, de fato, é uma reestruturação que está sendo feita por essa nova diretoria e um novo momento dos componentes também. Acho que eu estou sendo um privilegiado que eu estou pegando a Estácio em um momento que as pessoas estão com muita vontade de fazer uma escola competitiva. Estou aproveitando bem esse momento, cheguei no momento certo”.
Chuvisco já pensa nas paradinhas
Experiente no comanda da bateria ‘Medalha de Ouro’, mestre Chuvisco fez um balanço do desfile de 2023 e o que fazer para 2024. “A dedicação e a entrega que a gente tem ao fazer o nosso trabalho, faz com que a chegue às notas 10 e ajudar a nossa escola a terminar o carnaval em uma boa colocação. A nossa bateria tem uma consistência muito grande. Aqui, a gente costuma dizer que é uma família e tudo funciona dentro do respeito. O maior segredo para manter a consistência da bateria é o respeito que a gente tem uns com os outros”.
O comandante explicou como ter o samba escolhido mais cedo facilita o trabalho com os ritmistas e citou o que pensa de paradinhas para 2024. “Ajuda bastante. O nosso presidente teve uma sacada muito grande de definir o samba logo cedo. Assim, temos mais tempo para trabalhar o samba, temos calma para montar os arranjos. Para, quando chegar na hora certa, estar tudo bonito para podermos desfilar. O nosso enredo proporcionou que fossem feitas grandes obras. Já penso em paradinhas, sim. Assim que sai o enredo, a gente procura ver a origem do enredo, ver o que ele permite e tenta inserir na avenida”.
Dupla de cantores
Para o desfile do ano que vem, a Estácio terá uma dupla de cantores: Tiganá e Charles Silva. Ao CARNAVALESCO, eles falaram sobre como é mais fácil trabalhar o samba-enredo quando ele é escolhido mais cedo.
“Facilita e muito. Não só no meu entrosamento com o Tinganá, com a bateria e com todos os seguimentos da escola. O grande diferencial da diretoria foi essa agenda, que a gente conseguiu reunir grandes compositores colocando samba na escola e escolhendo, ainda em agosto, com bastante tempo para a gente fazer um grande desfile”, disse Charles.
“É bom para a gente. Eu já trabalhei bastante com o Charles, em outros locais, mas em desfile será a primeira vez. A parceria está dando certo, a gente se conhece. Escolher o samba cedo possibilita a gente sentar, ver tudo direitinho para no dia do desfile a gente estar pronto”, completou Tiganá.
Ambos também comentaram as virtudes do companheiro e o que o esperam do trabalho para o desfile de 2024. “A gente se conhece há bastante tempo, se respeite e tem tudo para dar certo. A gente está com uma parceria muito maneira. Tenho certeza de que isso não vai mudar e a gente vai fazer um grande trabalho. O nosso grande diferencial é a parceria. Sem ela, não vamos chegar a lugar nenhum”, comentou Charles.
“A nossa dupla já está dando certo. Vai dar muito mais certo na avenida, nos ensaios. A expectativa é a melhor possível. Está sendo uma experiência muito boa trabalhar com ele. É uma excelente pessoa. A nossa sintonia está excelente. A partir do momento que escolher o samba, vocês verão uma dupla que vai parecer uma pessoa só”, garantiu Tiganá.
Estácio já projeta ensaios de rua
Diretor de carnaval da Estácio, Mário Mattos explicou a importância de escolher o samba-enredo em um período mais cedo do que o normal e comentou como será o processo de produção do desfile.
“Quando você escolhe um samba antes, você tem tempo de trabalhar ele melhor. Existe a facilidade de pegar, não só a sua comunidade, mas como todos os segmentos da escola e fazer com que daqui um mês, um mês e meio, esteja todo mundo com o samba na ponta da língua, cantando forte. “A previsão é que os ensaios de rua da Estácio, provavelmente, só comecem a partir de dezembro. Porém, os treinos com a comunidade, com os segmentos, devem ter início no meio do mês de agosto. Passando essa semana agora, já para outra, a gente começa os ensaios de canto”.
O diretor de carnaval também falou sobre a dupla de intérpretes para 2024 e o trabalho de construção do barracão.
“Graças a Deus o barracão está de pé, está coberto, já estamos iniciando o trabalho, o nosso carnavalesco, a nossa direção comigo, com Alexandre, com o Edvaldo, já estamos colocando a mão na massa, fazendo a triagem dos carros. A expectativa é começar este mês a parte de ferragens, madeira. Esperamos que até dezembro a gente esteja com Carnaval de 2024 pronto. A chegada do Charles traz um impacto importante. Está ali ele e o Tiganá cantando juntinho, todos os dois são excelentes e tem uma danada de voz, então ajuda bastante a crescer ainda mais o potencial do nosso carro de som. Com certeza, vamos explodir na Avenida com eles cantando”.
Porta-bandeira volta em 2024
O carnaval do ano que vem também marca a volta da porta-bandeira Thais Romi para o Sambódromo da Sapucaí. Ela fará par com o mestre-sala Feliciano Jr, que dançou na Estácio com Alcione em 2023.
“É maravilhoso voltar, ainda mais defendendo o pavilhão da Estácio, uma escola tão tradicional. E ao lado do Feliciano, que é meu amigo há mais de 15 anos. Foram dois anos. O tempo que eu fiquei fora da Sapucaí, eu ganhei a minha filha Helena, desfilei na Tradição e trabalhei muito dentro da minha profissão (fonoaudióloga) e não deixei de ensaiar”, garantiu a porta-bandeira.
“É um prazer gigante dançar com ela. A maior virtude da Thaís é a alegria e ela é super dedicada. Eu acredito que a nossa amizade ajuda o trabalho a crescer. Desde o início da parceria começamos a ensaiar. Agora, a gente está construindo um novo método para a nossa dança”, afirmou o mestre-sala.
Confira análise de cada apresentação na final
Parceria de China do Estácio: A primeira parceria a se apresentar na grande final foi a formada por China do Estácio, Marcelo Kará, Binho Teixeira, Cunha Bueno, Bira Moreno, Wagner Guerra, Fred Lima, Claudio Austero, Rodrigo Canela, Marcelo Maguila e Cesar Ouro. Defendido pelo intérprete Vitor Cunha, o samba tinha explosões nos refrões, em especial o refrão do meio. A parceria preparou uma performance, onde duas pretas velhas vinham à frente da torcida, benzendo e abrindo os caminhos. Havia ainda bastões de velas, além de bandeiras nas cores vermelha e branca, que eram utilizados pelos torcedores em diferentes coreografias. Apesar do espetáculo promovido pela parceria, o restante da quadra e os segmentos da escola reagiram apenas de forma tímida ao samba.
Parceria de Serginho do Porto: Na sequência, a parceria encabeçada por Serginho do Porto é quem ocupou o palco da grande final estaciana. O samba que conta também com a assinatura dos compositores Gustavo Clarão, Richard Valença, Rafael Prates, Serginho Castro, Merica Boa Esperança, Diego Nascimento, Orlando Ambrosio, Marquinhos Bombeiro, Fernando Gogó de Ouro e Alfredo Jr. foi entoado pelo próprio Serginho do Porto, que já teve três passagens como voz oficial da escola e detém forte identificação com a vermelha e branca. Isso foi um dos fatores que podem ter contribuído para um bom desempenho da obra. O samba melodioso, mas com refrões fortes, teve maior receptividade da quadra, quando comparado ao primeiro. Ao longo dos 30 minutos, pode ser observado alguns segmentos cantando e sambando, entre eles baianas. A apresentação teve ainda uma torcida ornamentada com bandeiras e bexigas nas cores da escola. Assim como a anterior, a parceria fez uso de chuva de papel picado e de fogos de artifício no palco. Além disso, soltaram balões do teto da quadra.
Parceria de Júlio Alves: A parceria de Júlio Alves, Claudio Russo, Magrão do Estácio, Filipe Medrado, Thiago Daniel, Diego Nicolau, Tinga, Dilson Marimba, Guilherme Karraz, Barbara Fonseca, Telmo Augusto e Marquinhos Beija-Flor foi a terceira a se apresentar. A torcida veio com bandeiras da escola e bexigas vermelhas, e pulou e cantou o samba durante os 30 minutos. A parceria, conforme as anteriores, fez uso de papel picado e fogos de artifício no palco. Como diferencial, trouxe também um elemento cenográfico, que consistia em uma cruz estilizada com elementos da religiosidade negra, como figas e uma guia de preto velho. O samba melodioso e aguerrido foi o que mais conquistou a quadra em geral.
Parceria de Alexandre Naval: Encerrando a noite, a última parceria a se apresentar foi a formada por Alexandre Naval, Jaílton Russo, Maurício Amorim, Edinho, Luiz Thiago, Diego do Carmo, Lucas Rigonato, Rodrigo Pinho, Gigi da Estiva, Daniel Barbosa, Rico Bernardes e Rafael Mikaiá. O samba defendido por Igor Sorriso, intérprete da Mocidade Alegre no Carnaval paulistano, apostou em um ritmo acelerado, tendo como destaque o refrão principal. Ornamentada com bandeiras e bexigas nas cores vermelha e branca, a torcida manteve um forte canto e animação ao longo dos 30 minutos de apresentação. No entanto, não se observou o mesmo no restante das pessoas presentes na quadra, incluindo os segmentos. Seguindo a tendência de outras parcerias, houve uma performance de duas pretas velhas. Também foi utilizado o recurso da chuva de papel picado. Teve ainda uma faixa em homenagem ao falecido compositor estaciano Luiz Sapatinho, um dos autores, junto com Alexandre Naval, do samba que embalou o desfile campeão da Estácio de Sá no Carnaval de 2019.
Compositores: Claudio Russo, Moacyr Luz, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Alessandro Falcão, Pier Ubertini e W Correia
Liberdade no coração
O dragão de João e Aldir
A Cidade em louvação
Desce o Morro do Tuiuti
Nas águas da Guanabara
Ainda o azul de Araras
Nascia um herói libertador
O mar com as ondas de prata
Escondia no escuro a chibata
Desde o tempo do cruel contratador
Eram navios de guerra, sem paz
As costas marcadas por tantas marés
O vento soprou à negrura
Castigo e tortura no porão e no convés
Ôôô A Casa Grande não sustenta temporais
Ôôô Veio dos Pampas pra salvar Minas Gerais
Lerê lerê mais um preto lutando pelo irmão
Lerê lerê e dizer nunca mais escravidão
Meu nego… A esquadra foi rendida
E toda gente comovida
Veio ao porto em saudação
Ah! nego… A anistia fez o flerte
Mas o Palácio do Catete
Preferiu a traição
O luto dos tumbeiros
A dor de antigas naus
Um novo cativeiro
Mais uma pá de cal
Glória aos humildes pescadores
Yemanjá com suas flores
E o Cais da luta ancestral
Salve o Almirante Negro
Que faz de um samba enredo
Imortal!
Uma agremiação jovem que vem em crescente no carnaval de São Paulo é a Dom Bosco de Itaquera, conhecida como escola do Padre, e com o slogan: ‘vai pensando que a gente só reza’, pois lutava há algum tempo pela vaga no Acesso I e conseguiu após vice-campeonato em 2023.
Carlos Shakila, diretor de carnaval da Dom Bosco. Foto: Fábio Martins/CARNAVALESCO
Na primeira vez no Grupo de Acesso I, o diretor de carnaval de agremiação de Itaquera, Zona Leste de São Paulo, Carlos Shakila é um dos mais antigos representantes da agremiação, e contou um pouco sobre o desafio na estreia da escola no grupo.
“Estamos ainda em êxtase por ter chegado no Acesso I, um sonho de um Padre, o sonho de uma comunidade, uma luta de todos nós. Vamos tentar fazer o nosso melhor, e tentando fazer o nosso melhor, fazer o nosso maior. Se superando a cada dia, esperamos mostrar o melhor e maior brilho que nossa escola já fez até hoje. E proporcionar ao carnaval de São Paulo, uma alegria e o entusiasmo muito forte. Vai pensando que a gente só reza”.
Em relação a agremiação ser ligada a igreja, é comandada pelo Padre Rosalvino, que é sempre uma figura marcante nos ensaios e desfiles da escola. O diretor de carnaval relatou sobre o projeto.
“Já dizia Dom Bosco: ‘uma casa sem música, é um corpo sem alma’, então a Dom Bosco traz aquilo que Dom Bosco, nosso santo maior, já passava para nós. Temos que levar alegria, cultura, interatividade, a igreja é um lugar religioso, mas é um lugar de povo e onde tem povo, tem samba”.
Para 2024, a Dom Bosco cantará: “Um causo arretado de um povo pra lá de valente…O cordel de um nordeste independente”, e o diretor Carlos explicou como será o desenvolvimento do enredo.
“Estamos trabalhando muito forte, nenhum dia parou ainda para respirar. Estamos focados em só fazer um carnaval simples, não, mas fazer um samba lindo, carnaval lindo, enredo maravilhoso. O enredo que fala o Nordeste muito vivo, rico, o cordel encantado para lá de valente, nosso enredo vai retratar aquilo que o nordestino é, guerreiro, saudável, feliz, alegre e promissor. É um enredo feliz, que você vai gostar muito, e o público vai amar demais”.
O elenco para 2024 foi quase todo renovado, teve uma baixa importante, a saída do Ronny Potolski, diretor da agremiação. Mas Carlos, que é cria da escola, exaltou todo o elenco construído pela Dom Bosco, que vem tendo resultado, já que brigou pelo acesso nos últimos anos, até que conseguiu em 2023.
“Olha só, nosso elenco é forte, é elenco com pouquíssimas mudanças, nós lutamos muito para gerar o melhor para nossa escola. O carnaval não se ganha apenas na pista, se ganha com equipe, projeto unido, então nós estamos aí, lutando muito, para tentar não só mostrar o melhor, mas mostrar uma amizade, alegria, família. A família Dom Bosco é isso”.
Vice-campeã do Acesso II, a Dom Bosco será a primeira escola a desfilar no Grupo de Acesso I no domingo, dia 11 de fevereiro, horário marcado para às 21h.
COMPOSITORES: PAULINHO POETA, ANDRÉ ALEIXO, MUCA, BARREIRINHA, MARQUINHUS DO BANJO, GUGU DAS CANDONGAS, CABELINHO
É DE ARREPIAR VÊ ESSE POVO CANTAR O MEU TIGRE VEM BRILHAR
EU SOU LUNÁRIO PERPÉTUO
COM SABEDORIA MILENAR MISTURA DE CIÊNCIA E MAGIA
“A VÃ FILOSOFIA” DA CULTURA POPULAR QUEM QUISER VEM APRENDER
SÓ DESFOLHAR MEU ALMANAQUE FUI CONDENADO E RENASCI NA ARTE A LIBERDADE FOI MEU GUIA
POR REINOS E PROVINCIAS ESCREVI ROMANCES EPOPÉIAS
RIMAS FORAM BROTANDO E TANGENDO UM SER-TÃO DE IDÉIAS
SOU ALQUIMIA A “PEDRA” QUE INCÊNDEIA “PORTO” DE SABEDORIA MISTÉRIOS DA LUA CHEIA
NESSA AVENIDA A PORTO DA PEDRA CLAREIA
UM PROFETA DO SABER
NAS VEREDAS DESSE CHÃO
A COLHEITA AGRADECER A PADIM CIÇO ROMÃO NO CÉU BRILHAM ESTRELAS “ENSINANÇA” AO NORDESTINO
MATUTO SÁBIO LÉ OS ASTROS
PRA TRAÇAR O SEU CAMINHO
A CRENDICE SE ESPALHA POR TODO LUGAR
O LIVRETO CONTA O QUE DEUS DEIXOU DE CONTAR NESSE REINO ENCANTADO O BRINCANTE MENINO GIRA O CARROSSEL DO DESTINO
DE SÃO GONÇALO VEM TODA MAGIA A POESIA HOJE SÁI DO CORDEL COM MUITA GARRA CHEGUEI PRA FICAR HÁ “ESPERANÇAR
A semana termina com a atual campeã do Grupo Especial, Imperatriz Leopoldinense, e a vice de 2023, Viradouro, conhecendo suas safras de sambas-enredo para o Carnaval 2024. A ilustadora Orádia Porciúncula preparou uma arte especial para a ocasião.
“Imaginei algo que representasse as três rainhas, a de Ramos, de Niterói e a rainha do carnaval. Entrelaçadas com seus respectivos enredos e a entrega dos sambas, as cores no corpo representam o sonho de cada mulher que participa do concurso e a faixa materializada em nota significa a entrega de cada compositor aos sambas criados”, disse Orádia.