A Mocidade Unida da Glória se destacou na noite de recuperações no Sambão do Povo. Foi a única candidata ao título do Carnaval de Vitória a se apresentar na primeira noite de desfiles do Grupo Especial. A escola de Vila Velha sobrou.
Mas isso não quer dizer que tenha sido o único ponto alto da noite. A Jucutuquara fez um lindo desfile sobre Maria Padilha e encantou o público. O Novo Império também saiu orgulhoso por dar a volta por cima após um desfile ruim no ano passado.
Pega no Samba, com problemas de evolução, e Imperatriz do Forte, com fantasias excessivamente simples e um contingente reduzido de componentes, brigam contra o rebaixamento.
A escola do Forte São João, última a desfilar nesta sexta-feira, pegou o Sambão do Povo quase vazio e realizou o desfile mais simples esteticamente da primeira noite do Grupo Especial de Vitória.
Com o enredo “Xirê: festejo aos ancestrais”, a verde e rosa apresentou quesitos fortes, que podem ajudá-la a permanecer no grupo. A começar pela comissão de frente, coreografada por Junior Barbosa, que assumiu a missão há poucas semanas. Sem elemento cênico, a escola defendeu o quesito com uma dança cheia de garra e significado.
O casal Thiaguinho e Jéssica também se apresentou com qualidade e firmeza e deve garantir bons pontos. Outro ponto alto foi a pesada bateria de Vitor Rocha e Amon Lucas, dona do melhor naipe de caixas da noite.
As alegorias do carnavalesco Marcus Paulo estavam corretamente decoradas e não ficaram devendo, ao contrário das alas, com fantasias muito simples e com poucos componentes.
Isso deve atrapalhar o desempenho do samba, embora tenha sido muito bem cantado por Dodô Ananias.
A Imperatriz fez um desfile com o objetivo de tentar permanecer no grupo. Vai depender das demais.
A maior campeã do século em Vitória, a Mocidade Unida da Glória, jogou pesado nesta sexta-feira no Sambão do Povo. Com um visual impactante, contou o enredo “O diário verde de Teresa”, sobre a incursão científica de uma princesa da Baviera por terras capixabas no século XIX.
Mostrando a natureza da região e os indígenas que motivaram a viagem da princesa, o carnavalesco Peterson Alves usou muito verde e tons terrosos nas fantasias e alegorias, que apresentaram a maior volumetria e o melhor acabamento até então. Tudo foi feito com muito cuidado e sem uso de matéria-prima animal.
Os quesitos foram muito bem defendidos, desde a comissão de frente coreografada por Marcelo Lages, que arrancou suspiros do público com uma acrobacia, passando pelo seguro casal Hudson e Klaura e pela excelente bateria de mestre Lucas.
A evolução da MUG se destacou pela ocupação total da pista e pela grande compactação dos componentes. Com tudo isso, faltou aos componentes se mostrarem mais animados e vibrantes. Ou estavam acomodados com a nítida vantagem visual da escola, ou estavam tímidos. Não se soltaram. Mas isso não tira o Leão da Glória da disputa pelo título. Vai brigar!
Um grande ensaio da bateria “Pura Cadência”, da Unidos da Tijuca, comandada pelo mestre Casagrande. Uma conjunção sonora de raro valor foi produzida, em um ritmo que se mostrou bastante equilibrado, além de muito bem equalizado. Essa equalização acima da média, proporcionada pela belíssima afinação de surdos, ajudou a dar impacto sonoro às paradinhas tijucanas.
Na cabeça da bateria da Tijuca, um naipe de cuícas bem sólido ajudou a marcar, de forma ressonante, o belíssimo samba tijucano. Uma boa ala de chocalhos exibiu grande virtude sonora, tocando de forma interligada a um naipe de tamborins de nítida qualidade coletiva. Tamborins e chocalhos tijucanos exibiram uma convenção pautada pela simplicidade, destacando, com nuances rítmicas, as variações do melodioso samba do Pavão.
Na cozinha da bateria tijucana, foi percebida uma afinação preciosa de surdos, com destaque para a bela ressonância do surdo de segunda. Marcadores de primeira e de segunda foram firmes, mas, ao mesmo tempo, seguros. Um balanço envolvente dos surdos de terceira preencheu a musicalidade dos graves com requinte. Uma ala de repiques tocou de forma coesa junto de um naipe de caixas de guerra simplesmente fabuloso, cujo toque serviu de base sonora, amparando as demais peças da “Pura Cadência”.
Bossas bem vinculadas ao que o samba da Tijuca pedia foram realizadas com precisão cirúrgica. Sempre aproveitando as variações melódicas para consolidar seu ritmo, os arranjos apresentaram pressão sonora, graças à afinação de surdos acima da média, sem contar a boa utilização dos diferentes timbres durante as bossas. Um acerto musical envolvendo, principalmente, bom gosto: uma criação conceitual que soube valorizar a obra da escola e ajudar a impulsionar a comunidade.
Uma grande apresentação da bateria da Unidos da Tijuca, dirigida pelo mestre Casagrande. Um ritmo tradicional, com bossas funcionais, contendo pressão e deixando claras as diferenças de timbres, foi exibido. Uma bateria “Pura Cadência” da Tijuca beirando a excelência, mostrando-se pronta para brigar pela pontuação máxima no próximo Carnaval.
“Ela é Maria, Mariá…”. Maria Padilha incorporou na Unidos de Jucutuquara e levou a tradicional escola da Coruja a realizar um delicioso desfile de carnaval. Os componentes flutuaram no Sambão do Povo com o samba de Rafael Mikaiá e parceiros. O canto alegre e a evolução solta, cheia de representação, mostraram a força de uma agremiação feliz por ter se reencontrado com sua própria alegria.
A comissão de frente, assinada por Márcia Cruz, abriu mão de elementos cenográficos e apostou no carisma de suas dançarinas, dentro da representação clássica da homenageada. Arrancou aplausos.
A bateria dos mestres Yan Corrêa e Ed Wisley ainda apresentou pequenas falhas na execução de alguns naipes, mas se mostrou bem ensaiada e com marcações firmes.
O visual não comprometeu, mas passou longe de ser o ponto forte do desfile. O desenvolvimento do enredo nas fantasias ficou um pouco repetitivo, porém bem executado.
Um ensaio técnico excepcional da Ala de Bateria da Estação Primeira de Mangueira, sob o comando dos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Um ritmo com andamento confortável, equalização privilegiada de timbres e uma brilhante conjunção sonora foi exibido. Com paradinhas requintadas e repletas de bom gosto, é possível dizer que a bateria ajudou a impulsionar o samba-enredo e os componentes da escola do Morro de Mangueira.
Na cabeça da bateria da Verde e Rosa, uma ala de xequerês ajudou a dar leveza à parte frontal do ritmo. Cuícas seguras e sólidas ajudaram a marcar o samba mangueirense com exatidão. Um naipe de ganzás, com boa ressonância, tocou de forma interligada a uma ala de tamborins extremamente acima da média. Os tamborins executaram um desenho rítmico complexo e de difícil execução com maestria, parecendo um só instrumento por toda a pista, evidenciando um trabalho coletivo de qualidade primorosa. Agogôs de duas campanas (bocas) também deram sua contribuição no preenchimento musical das peças leves, inclusive participando de forma bastante musical em bossas.
Na cozinha da bateria mangueirense, foi notada uma pesada e potente afinação de surdos. Os marcadores de primeira tocaram com firmeza e bastante segurança. O surdo mor ficou responsável por um balanço simplesmente espetacular, deixando claro o trabalho brilhante envolvendo os graves. Repiques tecnicamente acima da média tocaram junto de um naipe de caixas de guerra simplesmente deslumbrante, com a tradicional batida rufada brilhando em um toque uníssono. Nas laterais e nos fundos da bateria vieram os marabaixos, que iam até o corredor do ritmo para momentos de bossas, sendo uma delas com sua luxuosa participação. Na primeira fila da parte de trás da bateria “Tem que respeitar meu tamborim”, um naipe de timbales exibiu um trabalho magistral, tanto na sustentação do ritmo quanto nas participações pra lá de especiais em bossas.
Bossas bem vinculadas à canção mangueirense foram exibidas com classe e extrema categoria. Uma criação musical com escolhas de muito bom gosto, todas pautadas pelas nuances da melodia do samba da Mangueira, consolidou o ritmo dos arranjos. Totalmente fora da curva, a bossa envolvendo os marabaixos contou com uma retomada muito bem pontuada, feita pelos ritmistas com o instrumento. As conversas rítmicas dos arranjos esbanjaram musicalidade dançante, impulsionando o desfilante e auxiliando a escola com um conceito criativo que valorizou o samba-enredo.
Uma apresentação fenomenal da bateria “Tem que respeitar meu tamborim”, da Estação Primeira de Mangueira, dirigida pelos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Um ritmo potente, com andamento confortável e bela fluência entre os mais diversos naipes.
Acompanhar a bateria da Mangueira de perto, hoje em dia, é ter uma grande chance de contemplar uma verdadeira experiência sensorial. Um ensaio para acreditar em uma apresentação que arrebate julgadores com pontuação máxima no desfile oficial e, quiçá, busque premiações, diante de um trabalho impecável em todas as peças.
O Novo Império mostrou a tradição de seus 70 anos e pisou forte no Sambão do Povo, elevando o nível do desfile. Com o enredo “Arauanayê: guardiãs dos mistérios ancestrais”, do carnavalesco Osvaldo Garcia, a vizinha do Sambão do Povo teve problemas com fantasias inacabadas em uma ala e também na bateria, mas fez uma apresentação vibrante e compacta, que deve render boas notas em harmonia e evolução.
O destaque, mais uma vez, foi o intérprete Danilo Cezar, que deu um show de canto, carisma e comunicação. Ele entoou um bonito samba de Júnior Fionda, Tem-Tem Jr. e Arlindinho Cruz, que explodiu no refrão e emocionou nos primeiros versos, mas destoou ao deslocar a sílaba tônica da palavra “cristal”.
A porta-bandeira Alana Marques teve muitos problemas com o vento no primeiro módulo de julgamento e não conseguiu impedir que seu pavilhão enrolasse no mastro. Mas ela e seu parceiro, Wesckley Black, se recuperaram e fizeram uma bonita apresentação no segundo módulo. A comissão de frente não chegou a se destacar, embora não tenha cometido erros aparentes.
O conjunto alegórico estava volumoso e representativo, mas apresentou alguns problemas de acabamento.
Não foi um desfile para título, mas a escola superou o que mostrou no ano anterior.
A vice-campeã do Grupo de Acesso em 2025 abriu os desfiles de Vitória com o enredo “Oke Caboclo Sete Flechas”, do carnavalesco Jorge Mayko, que também é o coreógrafo da comissão de frente da agremiação do bairro Consolação.
A escola já cantava seu samba havia alguns minutos quando seus primeiros componentes pisaram na pista, devido a um atraso na chegada do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luan Gomes e Grazi Cardoso.
Passado o contratempo, a escola fez um desfile com o objetivo de permanecer no grupo. Apresentou alas quase sempre simples, mas representativas do enredo. A bateria “Locomotiva” executou várias bossas com muita firmeza, mas ainda precisa trabalhar a sincronia de suas caixas de guerra.
Fotos: Eugênio Leal/CARNAVALESCO
As alegorias estavam corretas, embora sem grande brilho na execução. Os componentes cantaram com alegria os principais trechos do samba, mas não houve um canto uníssono de toda a letra.
A maior dificuldade, entretanto, foi a evolução: muito irregular, com acelerações e paradas, abrindo alguns buracos em frente às cabines dos jurados.
Sem maiores intercorrências, a Pega no Samba teve a dificuldade de desfilar para o pequeno público presente no Sambão do Povo na abertura da noite.
Um ótimo ensaio técnico da bateria “Não Existe Mais Quente”, da Mocidade Independente de Padre Miguel, sob o comando do mestre Dudu. Um andamento bem confortável propiciou uma boa conjugação sonora dos mais diversos naipes, com suas levadas peculiares, além de execuções firmes nas paradinhas. Impressionante o casamento musical íntimo entre a criação conceitual rítmica e a melodiosa obra da Mocidade. Os belos arranjos ajudaram a impulsionar o samba da escola.
Na parte da frente do ritmo da “NEMQ”, uma ala de cuícas segura tocou junto a uma boa ala de agogôs de duas campanas (bocas), dando brilho sonoro às peças leves. Uma ala de tamborins, dotada de técnica coletiva apurada, tocou entrelaçada a um naipe de chocalhos absolutamente competente. Os chocalhos, com sua típica subida cascavel, adicionaram requinte à sonoridade da cabeça do ritmo nas retomadas das bossas. É possível dizer, inclusive, que o belo casamento musical entre tamborins e chocalhos foi um dos pontos altos do ritmo independente, com um carreteiro brilhantemente encaixado entre ambos.
Na cozinha da bateria Independente, a tradicional afinação invertida de surdos mostrou seu resultado prático, junto a marcadores de primeira e segunda firmes e bem precisos. O balanço bastante envolvente dos surdos de terceira evidenciou o grande trabalho dos graves da Estrela Guia. Repiques altamente técnicos se uniram a um naipe de caixas bem tocado, com seu jeito swingado, graças à acentuação na “mão fraca”. Uma sonoridade profundamente vinculada à musicalidade independente, com sua levada tradicional e peculiar servindo de base para esse grande trabalho da parte de trás do ritmo.
Um leque de bossas dançante e impactante foi exibido, sempre seguindo as variações do melodioso samba da verde e branca da Zona Oeste para consolidar os arranjos. Simplesmente fabulosa a paradinha do estribilho, deixando claro o nítido bom gosto em uma criação musical bem vinculada à obra da escola de Padre Miguel. Muito bom o encaixe musical dos arranjos com o samba-enredo da Mocidade, evidenciando um conceito criativo que valorizou o samba com boas conversas rítmicas.
Uma ótima apresentação da bateria “NEMQ” da Mocidade Independente, dirigida pelo mestre Dudu. Um ritmo com profundo encaixe musical, com um leque de bossas que valorizou o samba-enredo, foi exibido. Graças ao andamento confortável, as execuções das paradinhas foram impecáveis. O conceito criativo musical de deixar a obra da escola dançante para o componente funcionou de forma prática, além de provocar interação com o público, com arranjos tão bem casados com a obra independente. Uma apresentação segura, equilibrada e consistente, mostrando uma bateria da Mocidade no rumo certo para mais um grande carnaval, sonhando com a nota máxima.
Um bom ensaio técnico da “Cadência de Niterói”, no ano de estreia do mestre Branco Ribeiro. Um ritmo com andamento mais confortável foi apresentado. Isso ocasionou diretamente uma melhor exibição do conjunto de bossas, hoje mais afiadas e precisas, evidenciando o bom ensaio da bateria da Niterói.
Na cabeça da “Cadência de Niterói”, uma ala de cuícas sólida ajudou a marcar o samba, dando brilho sonoro à parte da frente do ritmo. Um bom naipe de chocalhos executou um desenho rítmico simples, com eficácia e segurança. Uma ala de tamborins, com qualidade coletiva, exibiu uma convenção rítmica pautada pela simplicidade, baseando-se nas nuances melódicas para consolidar seu toque. O entrosamento entre os toques de chocalhos e tamborins foi o ponto alto das peças leves, incluindo um bom carreteiro.
Na parte de trás do ritmo da Niterói, uma boa afinação de surdos ajudou os marcadores de primeira e segunda a realizarem um trabalho com firmeza e segurança. O balanço bem envolvente dos surdos de terceira, tanto no ritmo quanto nas bossas, auxiliou no bom trabalho envolvendo os graves. Repiques coesos tocaram junto a um naipe de caixas com solidez coletiva.
Bossas e nuances rítmicas eram pautadas pela melodia do samba, sempre se aproveitando da pressão sonora dos surdos, além da diferença entre os timbres das afinações. Em um movimento que pretende ter interação popular durante o desfile, os ritmistas se abaixavam, subindo junto a tapas progressivos para a realização da mais extensa conversa rítmica antes do refrão do meio. Pode-se dizer que as execuções foram superiores às da semana passada, muito por causa do andamento apresentado, mais confortável para a realização dos arranjos.
Uma boa apresentação da bateria da Acadêmicos de Niterói, sob o comando do estreante mestre Branco Ribeiro. Uma “Cadência de Niterói” mais ajustada e com andamento que permitiu melhor aproveitamento na execução dos arranjos propostos. Um bom ensaio da “Cadência”, demonstrando evolução na reta final visando o desfile oficial, além de ter encontrado o andamento mais apropriado e confortável para a melhor execução possível de suas paradinhas.