A invenção da paradinha mudou eternamente o ritmo das baterias. Mestre André sempre foi um visionário e revolucionário. A criação do surdo de terceira, por exemplo, deu um novo norte musical aos ritmos, que depois desse fato ficaram com muito mais balanço. Mas, sem dúvida, a mudança mais impactante nos rumos das baterias foi a criação da paradinha, por parte do lendário mestre. Mas levando em conta o desenvolvimento das bossas, será que mestre André estaria feliz ou preocupado diante do que deixou de legado?
O que eram arranjos musicais simples, com meras respostas as chamadas do repique, estão se transformando cada vez mais em convenções complicadas, densas e repletas de informações rítmicas. Obviamente existe uma relação ligada intimamente à cultura musical das agremiações. A bateria do Império Serrano, por exemplo, historicamente possui bossas mais elaboradas e até mais extensas que as demais escolas. Isso já é algo praticamente enraizado como tradição rítmica da “Sinfônica do Samba”. A criação conceitual de bossas, portanto, se encontra profundamente atrelada à cultura musical da escola representada.
Por vezes, a densidade da bossa pode representar um nível elevado de execução dos arranjos. Nesses casos, o ideal é sempre avaliar se o impacto buscado está mesmo sendo alcançado. Pois, em alguns casos, o próprio volume mais complexo de informações musicais pode estar sendo utilizado praticamente em vão, já que dificilmente será percebido por julgadores, que possuem um tempo pequeno para assimilar sonoridades. Acreditar no conceito criativo do “menos é mais” pode gerar paradinhas de maior impacto, com nível de execução relativamente mais tranqüilo, deixando os ritmistas mais soltos, além de confiantes para realização das bossas.
Facilitar ou simplificar uma paradinha pode sim ser a chave do sucesso tanto musical, como também mental para consolidar um arranjo dentro do ritmo. Se a musicalidade não está fluindo, não custa absolutamente nada reavaliar e readaptar a bossa. Por vezes essa “enxugada” pode auxiliar a encorpar mais o ritmo, gerando consistência num momento onde já rola a dúvida entre a capacidade técnica da galera do ritmo e o nível desafiador envolvendo a dificuldade da convenção. O mais importante, na realidade, é garantir sempre a melhor execução possível, pois sendo um arranjo complexo ou não, certamente isso que será cobrado por jurados. Levando isso em conta, inclusive, é possível afirmar que a desejada versatilidade rítmica é importante, mas a precisão das retomadas do ritmo ao voltar das bossas também se mostra vital. Essa precisão ao retomar é fundamental para demonstrar o encaixe perfeito do samba com o arranjo musical, bem como evidenciar que a execução privilegiada da bateria na bossa contou com a volta no tempo e no andamento certo.
Se existe algo importante na hora da criação conceitual de uma bossa é a conferência da integração musical do novo arranjo em relação ao samba-enredo. É buscar entender se há fluidez musical durante toda a execução da paradinha, incluindo sua retomada. Quanto mais integrada à melodia da obra estiver o arranjo, mais orgânico e fluído ele ficará dentro da canção. Aqui o primordial é sempre buscar dar ao samba o que ele pede. Criar conceitualmente em cima das variações do samba-enredo permite resultados ainda mais expressivos e impactantes, além de perfeitamente entrosados com as nuances presentes na melodia.
Cada mestre de bateria tem seu estilo musical e sua estratégia rítmica. De maneira geral, vem sendo possível perceber uma parcela considerável de mestres que possuem bossas em cada trecho do samba (uma para primeira do samba, outra no refrão do meio, com outra na segunda e mais uma para o refrão principal). Essa medida vem tentando adequar o ritmo produzido ao esquema atual de julgamento. Pois assim, independentemente do ponto do samba em que a bateria chegar à cabine de julgadores, têm bossas para execução imediata, utilizando assim todo o tempo de apresentação musical em seu benefício.
Agora, se tem algo que poucos mestres tem se atentado são nas interferências dos volumes das cordas no momento de executar as bossas. Cavaco e violão acompanham os arranjos rítmicos de forma praticamente constante. E, algumas vezes, seus toques podem acabar encobrindo a criação rítmica proposta pela bateria. Esse fato precisa ser analisado com bastante atenção e cuidado. Havendo diretor musical na agremiação, vale demais pedir sua ajuda para que essa análise seja feita da forma mais apurada e técnica possível. É justo e musicalmente coerente que as cordas participem dos arranjos, desde que não interfiram na propagação sonora de qualquer naipe que seja, garantindo assim a mais perfeita execução rítmica possível.

Homenageando o líder da Revolta da Chibata, a agremiação de São Cristóvão escalou o jornalista Ernesto Xavier para interpretar João Cândido em uma das fases de sua vida no próximo desfile. O repórter das manhãs da TV Globo e neto da grande atriz Chica Xavier esteve no barracão do Tuiuti, na Cidade do Samba, para conferir de perto os preparativos da escola e se emocionou com o que viu.
Não é só no Carnaval que a Unidos do Porto da Pedra vem estabelecendo cada vez mais a sua força. Fundada em 1978, a escola que representa o segundo maior município do Estado, vai inaugurar sua primeira loja fisica onde o público poderá ter acesso aos produtos oficiais da agremiação.
“A gente vai buscando crescimento a cada ensaio. E o entrosamento com a comunidade. Porque acho que o casal de mestre-sala e porta-bandeira tem muito disso. Temos a responsabilidade de levar para o grande público tudo o que nossa escola representa. Toda a ancestralidade, toda a história, todo o amor e toda a magia que tem no carnaval do Salgueiro. E isso a gente só consegue com verdade. A nossa verdade é essa. Estar aqui no ensaio de rua sentindo o clima da galera, sentindo essa energia que as pessoas passam pra gente e que trocamos com elas a cada giro, a cada cortejo. A nossa busca é crescente. A gente espera estar 100% prontos no dia do desfile. Não queremos estar prontos antes disso. Queremos fazer acontecer no dia, pra gente não chegar lá achando que já fizemos tudo que poderíamos fazer”, falou Marcella.
Mais um grande desempenho da comunidade salgueirense. A obra musical já está na ponta da língua de todos. Os componentes cantam com muita garra e força todo o samba. O refrão principal ‘’Ya temí xoa! Aê, êa!/Ya temí xoa! Aê, êa!/Meu Salgueiro é a flecha pelo povo da floresta/Pois a chance que nos resta é um Brasil cocar!’’ segue mostrando que será um dos pontos altos do próximo carnaval. O falso refrão de meio “Você diz lembrar do povo yanomami em 19 de abril/Mas não sabe o meu nome/E sorriu da minha fome/Quando o medo me partiu” também é entoado a plenos pulmões pelos desfilantes. O intérprete principal Emerson Dias não pode estar presente. Mas isso não foi problema. O cantor de apoio Charles Silva conduziu o samba com muita segurança e potência.
O diretor de carnaval Wilsinho Alves falou com o Site CARNAVALESCO sobre a evolução do Salgueiro ao longo dos ensaios de rua: “Mais um ótimo ensaio. Vi mais uma melhora no canto da escola e na evolução dos componentes. Hoje, algumas alas, que ainda não tinham sido adicionadas, participaram. Com isso, a escola vai ganhando corpo. É uma construção a cada ensaio. Mas já estou ficando muito satisfeito. E só tende a melhorar”.
O presidente André Vaz, que esteve presente no ensaio, contou para o Site CARNAVALESCO sobre a felicidade em escolher o samba enredo: “Foi uma safra maravilhosa, na qual esse samba se destacou. A comunidade, os segmentos e a diretoria abraçaram. Até quem não era Salgueiro abraçou. O resultado é esse. Todo mundo cantando. E a tendência é crescer ainda mais durante janeiro e fevereiro. Para que no dia 11, a gente possa explodir na Marquês de Sapucaí. Se Deus quiser, vamos brigar por esse campeonato tão sonhado”.

“Tivemos essa estratégia de ter vozes experientes no carro de som para reforçar o canto e deixar o Ito mais a vontade, e ter um carro de som seguro atrás deles, aí pegamos pessoas que se destacavam e deixamos só dois que já eram nossos. Pegamos o Tem Tem, o Matheus (Gaúcho), o Tuninho, que já são puxadores só Acesso para dar o reforço e estamos dando conta dos ensaios e isso estamos começando agora, até o dia do desfile, vamos melhorar com certeza”, entende o diretor geral de harmonia da escola, Fernando Costa.
Um ponto de muito destaque da noite, pois a Unidos da Tijuca soube mesclar a evolução mais espontânea com algumas alas coreografadas. Uma delas, trazia os componentes fazendo danças típicas portuguesas no trecho “Que o fado vira samba, e o samba vira fado”. Uma das últimas aulas, em determinado momento os componentes se juntavam, formando um único organismo. A escola, em seu treino, não apresentou buracos, realizou bem as paradas para a apresentação, principalmente do casal, já que a comissão de frente não esteve presente. A entrada e saída do recuo foram eficientes, da bateria, tudo de forma bastante organizada e fluída. Legal destacar a velha-guarda vindo ainda no início, logo depois do casal, na cabeça da escola.
A obra teve um rendimento bom, impulsionada pelo bom trabalho de mestre Casagrande e seus ritmistas que procuravam colocar a composição em um andamento para favorecer tanto o canto e principalmente para que ela não ficasse arrastada e perdesse suas características de ataque, principalmente na cabeça do samba. Com muita cadência, mantendo o ritmo até o final, a obra acabou gerando uma maior alegria do componente, influenciando na harmonia e evolução. O trabalho de Ito Melodia e do carro de som também ajudou a sustentar o andamento e manter a animação. Os trechos mais cantados foram os dois refrões da obra.

Harmonia
Evolução
Samba-Enredo
Outros destaques

Um dos compositores do Samba-Enredo do Acadêmicos do Salgueiro para o Carnaval 2024, o cantor Dudu Nobre, será a atração principal da primeira edição do CSB – Circuito Salgueirense de Botequins, a grande novidade gastronômica e cultural, que acontece no dia 07 de janeiro de 2024, na quadra da agremiação. Idealizada pela Academia do Samba, junto aos dez bares participantes (Bar da Frente, Bar do Momo, Bar da Gema, Bar do Bode Cheiroso, Cine Botequim, Bar da Portuguesa, Botero, Pescados na Brasa, Baixela e Groen), a iniciativa tem apoio da Prefeitura do Rio, por meio da RioTur.
Em movimento que busca inserir e avançar nas questões de sustentabilidade em seu carnaval, o Império Serrano decidiu apostar na criação de uma nova diretoria: a de Sustentabilidade. Ela será comandada por Diego Carbonell, referência no tema, e que inclusive já atua no carnaval carioca como Diretor de Sustentabilidade e ESG da Superliga Carnavalesca do Brasil.