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Especial gravações: Sob a batuta de Evandro e Fafá, Grande Rio mostra toda sua garra no álbum do Carnaval 2024

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Após um sexto lugar em 2023, a Grande Rio vem mordida para o próximo carnaval a fim de corrigir o que não deu certo no carnaval passado e voltar a disputar as primeiras posições, tentando conquistar seu segundo título do Grupo Especial. E uma etapa importante deste processo foi iniciada na Cidade das Artes, local da gravação oficial para o álbum de sambas-enredo da Liesa. Com a obra escolhida desde a final em 30 de setembro, a Vermelha, Verde e Branca de Caxias não perdeu tempo e fez uma preparação meticulosa para trazer para o estúdio montado no complexo cultural da prefeitura do Rio um trabalho que visou valorizar o samba vencedor, a partir de algumas pequenas alterações na letra e melodia, além de introduzir alguns sons que fazem alusão ao enredo. Na direção musical da Grande Rio, mestre Fafá e Evandro Malandro comandaram os trabalhos, mostrando muito entrosamento e seriedade durante todo o processo. A dupla contou um pouco do que preparou para o disco.

“Eu e o Fafá montamos um arranjo para cada samba, e acho que o público vai gostar muito da nossa faixa porque não inventamos nada fora do que pede o enredo, não tem nenhum exibicionismo. Trabalhamos exclusivamente dentro do arranjo e dentro das propostas que o samba pede”, definiu o intérprete, que está na Grande Rio desde o carnaval 2019.

“Nosso enredo passa por diversos lugares, a nossa onça passa por diversos lugares, por isso a gente quer fazer uma gravação bastante dinâmica, em que a pessoa possa conseguir ouvir em casa, sentir algo gostoso, tivemos muito cuidado e tato, não só eu, mas o Evandro e os músicos dele, na parte da harmonia, na parte do coro, no contracanto. Tivemos muito cuidado com tudo. A produção do disco deixou a gente muito à vontade para criar, então, desde a introdução até as paradinhas que a gente está fazendo, e a gente pensou na pessoa que quer aprender o nosso samba, quer conhecer o enredo. É um samba bem para cima, bem alegre. Sabemos que tem algumas palavras que dão uma travadinha ou outra, mas a gente está trabalhando muito bem isso aí para trazer uma faixa bem dinâmica”, acredita Fafá, que também comanda a bateria desde 2019.

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Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

“Trovejou! Escureceu!/O velho onça! Senhor da criação/É homem fera! É brilho celeste/ Devora e se veste de constelação” são versos da cabeça do samba recobertos de poesia, misticismo e encantaria. Com um processo de disputa de samba diferente, a Grande Rio mais uma vez apostou para o carnaval 2024 em um concurso com regras originais, como o fato do intérprete Evandro Malandro ter gravado todos os 11 sambas inscritos para o certame na sua própria voz. O diretor de carnaval Thiago Monteiro analisou como esta iniciativa ajudou na preparação para a gravação do disco e facilitou nos ajustes necessários realizados na obra.

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“Como o Evandro gravou todas as obras, então ele conhece este samba desde o início, quase até desde a sua geração, confecção. É lógico que ele fica mais firme para poder colocar sua voz, para poder achar os caminhos que o samba precisa percorrer. Quando o intérprete da escola tem apenas, não sei, por exemplo, uma semana, ou alguns dias para pegar a obra, que não é mais dos compositores, e sim da escola, após o resultado, e começa a trabalhar e buscar por onde ele vai percorrer, fica um pouco mais complicado. Então, dentro desse nosso formato de disputa, o Evandro está muito familiarizado com esse samba. Foi até muito fácil fazer as mudanças pontuais que foram feitas, tanto de letra, quanto de melodia. Ele participou de todas elas, porque ele já conhece bem o samba, a obra está bem sedimentada, não só no Evandro, mas no nosso carro de som como um todo. É bastante positivo, é mais um benefício deste sistema que a Grande Rio adota”, definiu Thiago.

No segundo ano consecutivo participando ativamente do processo de gravação dos sambas concorrentes, Evandro Malandro elogiou o formato que a Grande Rio projeta em seu processo de disputa e apontou de que forma esta proposta facilita o seu trabalho e ajuda a escola a realizar um trabalho de excelência na preparação para gravar a faixa da Liesa.

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“Eu estou muito feliz com esse processo que a Grande Rio fez que foi colocar todas as gravações já na voz do cantor oficial, isso aproxima da comunidade e fica melhor de quando se aproxima das finais, de a gente mais ou menos identificar ou traçar uma linha de trabalho para a gravação do CD oficial. Assim foi feito com os sambas finalistas, eu e o Fafá a gente sentou, como diretores musicais da escola, e alinhamos como fazer a questão de arranjo. Acho que o público vai gostar muito deste processo, desta faixa da Grande Rio porque a gente preparou com muito carinho, a gente não fez nada fora do arranjo, nada mirabolante”, classificou o cantor.

Toques indígenas na bateria

Preparada mais uma vez a trazer um tema inédito ou falar de algo conhecido de uma forma original, a Grande Rio levará para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí no ano que vem o enredo “Nosso Destino É Ser Onça”, criado e desenvolvido pela dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. O tema tem como proposta fazer uma reflexão sobre a simbologia da onça no cenário artístico-cultural brasileiro, tocando em temas como antropofagia e encantaria. Sempre atento ao que pede o enredo, mestre Fafá em conversa com a reportagem do CARNAVALESCO comentou o que pensou para o trabalho de bateria na faixa e destrinchou o processo para o desenvolvimento do samba até o desfile.

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“Nossa final foi dia 30 de setembro, então tivemos bastante tempo para trabalhar, conhecer o samba, mudar o que tivesse que mudar, acertar melodia, acertar tudo e pelo fato de a gente já ter gravado o samba, o Evandro ter colocado a voz e eu ter feito a gravação dos que foram para a disputa, facilita muito a gente porque já conhecemos a obra, sabemos como ela é, inclusive algumas coisas feitas para esta gravação, utilizei também para a faixa oficial, alguns toques de coisas indígenas, por exemplo. Já começamos a ensaiar, temos ensaiado bateria e carro de som para deixar tudo alinhado. Agora começa aquele meu trabalho gradativo de sempre”, explica o profissional.

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A obra composta por Derê, Marcelinho Júnior, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Tony Vietinã e Eduardo Queiroz conseguiu se sobressair ante as composições das outras três parcerias finalistas e sagrou-se vencedora da disputa promovida pela tricolor de Duque de Caxias. Fafá comentou os próximos passos com os ritmistas visando o próximo desfile.

“Deixo a comunidade aprender bastante o samba, vejo os pontos necessários porque eu sempre gosto de fazer uma paradinha que permita com que a comunidade cante uma parte alta do samba, a gente está estudando tudo isso, para em seguida começar a soltar as paradinhas com calma. Testar bastante. Temos tempo. Vamos fazer tudo com paciência, calma, sabemos que será um dos carnavais mais competitivos dos últimos anos. Boa parte das escolas de samba estão com grandes sambas e grandes enredos. Estamos preparando tudo para mais uma vez fazer um grande espetáculo “, aponta Fafá.

Experiência de Evandro e conhecimento da escola é trunfo

Indo para o quinto desfile como voz oficial da Grande Rio, Evandro Malandro foi encontrando o seu espaço entre os intérpretes mais respeitados do carnaval carioca. Com tranquilidade para trabalhar, com um título do Grupo Especial nas costas, Evandro esclareceu como trabalha sua voz e os cuidados específicos para cada processo que vai desenvolver na temporada até o grande dia do desfile na Marquês de Sapucaí.

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“Eu tenho, desde quando entrei na escola, o acompanhamento vocal do Pedro Lima, professor de canto, que é anual e não só neste processo. As pessoas de repente pensam que o cantor começa a fazer preparação em dezembro, janeiro, porque o carnaval é em fevereiro, não, é anual o processo. O Pedro Lima bota a gente para ralar mesmo, trabalhamos bastante, não só a preparação vocal, mas a conscientização de que uma coisa é você cantar no palco para sua comunidade no ensaio, uma outra coisa é fazer show na rua, e uma outra coisa é fazer uma gravação para o CD que vai ficar para o resto da vida, para todo mundo ouvir. Tem que ouvir o samba, a obra tem que ser cantada, tem que passar a mensagem da melhor forma e com uma boa melodia, colocando o vibrato onde tem que colocar, acertando o final das frases, ter o cuidado em não deixar a faixa muito poluída. E aqui eu estou falando do Evandro Malandro, porque tem muitos cantores que gostam, isso é característica de cada cantor. A característica do Evandro Malandro é traçada no mesmo molde que eu fiz com o Fafá, é com o meu professor Pedro Lima, e aí a gente define como vai lidar com o vibrato, com as notas para cada final de frase, onde vem mais junto com o coro, e por aí. Tudo foi muito bem traçado e conversado, espero que todos gostem”.

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Sobre o processo de gravação, Thiago Monteiro elogiou a iniciativa da Liesa de buscar uma gravação que trouxesse a emoção das baterias para o disco que mostra os sambas-enredo para o mundo do samba e simpatizantes.

“Eu gostei bastante da experiência, acho muito válido tentar sempre algo novo, e acho que a Liesa está de parabéns por essa iniciativa de tentar sair do lugar comum, tentar sair da mesmice. E sempre inovando, essa gravação na Cidade das Artes tem uma pegada, que não é ao vivo, mas ela tem mais emoção, uma pegada um pouco mais de ao vivo. Você pega mais um sentimento do que uma tecnicidade. A gente achou muito positiva. Eu fiquei muito feliz com o resultado da gravação, era realmente aquilo que a escola queria apresentar no andamento, na colocação muito bem feita pelo nosso cantor.Tenho certeza que a nossa comunidade vai ficar muito feliz. Trouxemos as características da Grande Rio”, concluiu o diretor.

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Quarta escola a desfilar na primeira noite de apresentações do Grupo Especial em 2024, a Grande Rio vai levar para a Marquês de Sapucaí o enredo “Nosso destino é ser onça”.

Mangueira ganha plantão de atendimento gratuito do Sebrae destinado a empreendedores locais

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O Sebrae faz às quartas, das 10h às 16h, na quadra da Mangueira, plantão de atendimento gratuito, para orientação e consultoria de empreendedores nos temas: Criação de Empresas, Finanças no Negócio, Vendas e Atendimento ao Cliente, Formalização do Negócio, Regularização do MEI, Emissão de Nota Fiscal, Emissão de DAS MEI. O Plantão de Atendimentoserá realizado através do desenvolvimento do projeto Comunidade Sebrae, iniciativa de incentivo ao empreendedorismo em áreas populares que está atualmente em 18 favelas, da cidade do Rio de Janeiro,totalizando mais de 100 comunidades e mais de 41 mil atendimentos.

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O Secretário de Desenvolvimento Econômico e Solidário da cidade do Rio de Janeiro Diego Zeidan, informou que este é o primeiro de uma série de serviços que estão previstos para a comunidade de Mangueira. “O Plantão Sebrae tem esse objetivo, de começar a organizar e instruir naquilo que for necessário os empreendedores e empreendedoras do Complexo de Mangueira. O Sebrae possui todo o conhecimento e experiência para o aconselhamento na gestão de empreendimentos em todas as áreas.”

O atendimento será realizado nos dias 29 de novembro e nos dias 6 e 13 de dezembro de 2023, o espaço serve ainda, para tirar dúvidas sobre precificação, gestão do tempo, planejamento, entre outros.

O Plantão Sebrae Mangueira é destinado para empreendedores e empreendedoras moradores da comunidade do Complexo de Mangueira e das regiões adjacentes, bem como para artistas e profissionais da Economia Criativa, Setor Cultural e do Carnaval.

“O Morro de Mangueira é conhecido e reconhecido por suas fortes características culturais, manifestadas através do samba da instituição Estação Primeira, sendo um grande celeiro de compositores e artistas, a economia criativa, o setor cultural e do Carnaval é uma possibilidade concreta de desenvolvimento econômico e social, e nosso objetivo é orientar e apoiar essas pessoas em seus empreendimentos.” Pablo Brandão, Subsecretário de Ação Territorial Solidária, Vice-presidente Financeiro da Estação Primeira de Mangueira e Membro do Conselho de Favelas da Cidade do Rio.

O plantão Sebrae Mangueira, neste sentido, é um instrumento de gestação, fortalecimento de projetos e empresas destinadas a produção criativa. Diego Zeidan afirmou ainda que a Mangueira é a sala de recepção da cidade do Rio de Janeiro e que é preciso olhar com carinho e atenção para esse território e sua população. Ele reforçou que será na Mangueira a instalação da primeira agência do Banco Comunitário, que irá fornecer crédito aos empreendedores locais a juros zero.

“Queremos constituir um polo gastronômico e um com o circuito culturaljá existente, potencializar o turismo comunitário e o desenvolvimento econômico. A Mangueira e seu povo, possuem uma enorme contribuição na constituição da identidade do carioca e do brasileiro, nada mais justo do que olharmos com carinho e atenção para essa comunidade”. Finalizou o Secretário Diego Zeidan.

O Plantão Sebrae Mangueira é uma parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, a Estação Primeira de Mangueira e da Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico e Solidário da cidade do Rio de Janeiro, através da Subsecretaria de Ação Territorial Solidária e conta com o apoio da Associação de Moradores do Complexo de Mangueira.

PLANTÃO SEBRAE MANGUEIRA
Quarta-feira, das 10h às 16h
Local: Quadra da Mangueira
Rua Visconde de Niterói, 1072
Informações Dúvidas: Camila Borges:21 92001-6288
Consultora Sebrae Mangueira
Atendimentos Gratuitos

Casal e samba-enredo brilham! Ensaio de rua do Tuiuti consolida quesitos da escola para o Carnaval 2024

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Com forte participação da comunidade e uma ótima apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, o Paraíso do Tuiuti realizou na noite da última segunda-feira seu quinto ensaio de rua. O treino começou em frente ao Colégio Pedro II e foi até a porta da quadra da escola de samba. No final do ensaio os componentes eram recebidos pelo chão da escola em clima de festa, que só terminou por volta de 23h45.

No ensaio desta segunda também ocorreram as gravações para as vinhetas de carnaval da TV Globo, que contaram com a presença de Milton Cunha. No carnaval de 2024, o Paraíso do Tuiuti levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Glória ao Almirante Negro!”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, e vai homenagear João Cândido. A Azul e Amarela será a penúltima escola a desfilar na segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. O diretor de carnaval André Gonçalves avalia uma melhora contínua entre os componentes.

“Foi uma noite maravilhosa. Ressalto que estamos em um ensaio de rua, e a tendência é só lapidar e melhorar. O aspecto hoje foi maravilhoso e acredito que a escola evoluiu muito. Para nós, está sendo muito satisfatório. Hoje foi muito bom (o canto). Estamos prontos para no sábado entrar no minidesfile e arrebentar. Temos o Morro do Tuiuti. É uma comunidade que ‘fez’ essa escola acontecer. Isso para a harmonia é incrível, porque interage muito”, comenta o diretor de carnaval.

Comissão de Frente

Comandada pelos coreógrafos Edifranc Alves e Cláudia Mota, a comissão de frente apresentou uma coreografia muito bem sincronizada. O ponto alto da performance foi quando uma das integrantes era erguida ao alto e se jogava, de costas, nos braços dos outros componentes.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

No quarto ensaio de rua que participou, o destaque foi para a evolução do trabalho realizado pela dupla Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane. Com uma dança mais tradicional, o casal deu um show de sincronia, conexão e troca de olhares. De fato, um dos destaques do ensaio desta segunda-feira. Vale ressaltar que esse foi o primeiro ensaio de rua que contou com a participação dos guardiões. O mestre-sala destaca que a dupla foca na sintonia, que foi uma das justificativas para a penalização do segmento do último carnaval.

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“Estamos trabalhando muito. O entrosamento está vindo com muito trabalho para tirar dos jurados essa impressão de falta de sintonia – estamos focando nessa parte. O enredo também ajuda, porque não pede coreografia e muita firula. Ele (o enredo) puxa a gente para a dança tradicional, mais ‘dançada’ e menos coreografada. Estamos testando algumas coisas. O que posso dizer é que o público terá surpresas com o Paraíso do Tuiuti e principalmente com Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane”, afirma Raphael.

A porta-bandeira completa: “Estamos em uma crescente muito forte durante os ensaios de rua. Hoje tivemos um novo elemento, que foi a chegada dos nossos guardiões. A gente vem treinando para cada vez mais estar forte e ‘trocando’ ainda mais com a comunidade. Acredito que nossos objetivos estão sendo alcançados e estamos felizes com a trajetória que estamos conseguindo criar. Sempre há mais um pouco para evoluir, e estamos em busca desse pouquinho para alcançar a nota máxima no carnaval”, ressalta Dandara.

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Harmonia

A comunidade começou a abraçar os ensaios de rua cada vez mais, e com o samba não foi diferente. Ser uma das escolas mais conectadas com suas raízes facilita a harmonia da Paraíso do Tuiuti. O canto dos componentes foi forte e teve seu ápice no refrão principal: “Salve o Almirante Negro/Que faz de um samba enredo/Imortal!”. Destaque para as alas 4 e 8, que cantaram bastante. Além do ótimo trabalho do intérprete Pixulé, o entrosamento entre carro de som e bateria desenvolve um papel fundamental no fortalecimento do samba.

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“Estamos em uma crescente e finalizando o recadastramento dos componentes. Conforme vai chegando o final do ano eles aparecem mais, então a cada semana semana estamos em uma crescente rumo ao nosso objetivo. O ponto alto foi o canto, porque é um samba que tem um canto muito forte. A galera está chegando e compreendendo o que a gente quer que aconteça”, afirma o diretor de harmonia da agremiação, Jeferson Carlos.

Evolução

Apesar da longa duração, a escola evoluiu bem até a rua que dá acesso à quadra, que serviu como segundo recuo para a “Super Som”. Por conta das calçadas estreitas, o público acaba invadindo a pista de ensaio. No geral, as alas conseguiram evoluir bem e o reflexo disso foi percebido ao final do desfile, com a comunidade alegre, sambando e cantando forte.

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“O canto evolui cada vez mais. A comunidade está aguerrida e cantando igual curió (risos). Estou muito feliz. A comunidade está cantando muito, e isso é bom para o nosso mini desfile de sábado, para o ensaio técnico de janeiro e para o nosso desfile. A relação entre carro de som e bateria é maravilhosa. É uma sintonia maravilhosa e não tem nada para mexer – está perfeito”, diz o intérprete Pixulé.

Samba

Abraçado pela comunidade, o samba-enredo teve um bom desempenho entre os componentes e o público. O sucesso também se dá por conta da ótima condução feita por Pixulé e pelos demais membros do carro de som do Tuiuti. Mestre Marcão, que gabaritou o quesito no último carnaval, deu um show juntamente com a “Super Som” e animou os componentes e o público presente.

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Outros destaques

Destaque para as musas da comunidade e a ala de passistas, que deram um verdadeiro show de samba no pé e simpatia. Vencedor do Prêmio Estrela do Carnaval no quesito, o segmento promete entregar mais um espetáculo na Passarela do Samba.

Vila Isabel e Secretaria Municipal de Educação do Rio promovem feira literária para abrir os festejos do Dia Nacional do Samba

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Uma parceria entre a Unidos de Vila Isabel e a Secretaria Municipal de Educação do Rio promete antecipar as comemorações do Dia Nacional do Samba. A quadra da agremiação três vezes campeã do Carnaval carioca recebe no dia 1º de dezembro, a partir das 9h, a primeira edição da Festa Literária e Cultural da Vila Isabel. Denominada “A criança é a esperança de Oxalá”, em alusão ao enredo “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”, que a azul e branca apresentará no Carnaval 2024, a FLIVILA será gratuita e contará com atividades culturais e até mesmo roda de samba.

Com uma vasta programação, o público poderá participar de oficinas de criação poética e de percussão, além de acompanhar contações de histórias, lançamentos de livros, bate-papos com autores renomados e apresentações artísticas. O evento irá até as 21h, com o objetivo de integrar alunos da Educação de Jovens e Adultos que estudam no período noturno.

Além de contar com distribuições gratuitas de livros para alunos da rede pública municipal, o evento também abordará de maneira didática questões presentes no enredo da agremiação para 2024, uma reedição do desfile de 1993, criado por Oswaldo Jardim, com samba de Martinho da Vila.

“A FliVila é uma forma da gente valorizar a escola de samba como algo que vai além do Carnaval. A agremiação também é uma transformadora de vidas, que ensina valores e cidadania. É o samba como conhecimento em sua forma mais ampla”, pontua Vinícius Natal, pesquisador da Vila Isabel e coordenador da FliVila, que tem como curadoras a diretora cultural do Herdeiros da Vila, Tathiane Queiroz, e a professora da rede pública, Luanda Machado.

A quadra do G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel fica no Boulevard 28 de Setembro, 382, em Vila Isabel.

FLIVILA
Data: 1º de dezembro
Horário: de 9h às 21h
Local: quadra do G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel – Boulevard 28 de setembro, 382 – Vila Isabel
Entrada gratuita

Especial gravações 2024: Na boca da comunidade, reedição de Gbalá traz tom lúdico para faixa da Vila no álbum da Liesa

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Composto por Martinho da Vila para o carnaval de 1993, desenvolvido pelo carnavalesco Oswaldo Jardim, pode se dizer que “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação” já está na ponta da língua do componente há uns 30 anos. Esta, sem dúvida, foi uma das razões para que a direção da Unidos de Vila Isabel escolhesse a obra para ser a primeira reedição de samba-enredo que a escola do bairro de Noel levará para a Sapucaí. Primeira agremiação a gravar a faixa oficial para o Carnaval 2024, na Cidade das Artes, o clima trouxe um olhar lúdico, infantil, como pede o enredo. Com o cavaquinho fazendo a intenção de uma flauta logo na introdução do samba, e com voz infantil no coro, o restante ficou por conta da potente voz de Tinga e dos ritmistas da “Swingueira de Noel” comandados pelo ótimo mestre Macaco Branco. Com muita alegria e leveza, o samba contagiou todos que presenciaram a gravação na sala de ensaios três do complexo cultural localizado na Barra da Tijuca.

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Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

Sendo mais uma vez a voz oficial da Vila em um disco da Liesa, o intérprete Tinga comandará em 2024 pela décimo sexta vez o carro de som da agremiação, somando as duas passagens pela escola. Para o cantor, a possibilidade de levar o samba de 1993 no próximo carnaval é um grande presente. Tinga também explicou como se deu o processo para colocar a obra em um formato que se adeque ao carnaval atual.

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“Para mim é uma honra estar cantando um grande samba do Martinho da Vila. A adaptação é colocar nos moldes de hoje mesmo. Hoje a bateria está um pouco mais para frente, mas o samba mesmo, a melodia, a gente procurou não mexer muito, não mudar muito, porque é um clássico. A gente está muito feliz em poder cantar o samba do jeito que ele é. É mais fácil de trabalhar, a gente já conhece bem, a comunidade está feliz demais, cantando com muita alegria, com muita força. É um enredo maravilhoso, vai ser muito bonito cantar esse samba com muita garra, a garra do componente da Vila Isabel”, promete o cantor.

Tinga contou que a preparação para a gravação não é só exclusiva do cantor oficial. Na Vila Isabel, todo o restante do coro, que acompanha o intérprete, precisa ter um cuidado especial com a voz.

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“Não só eu como todo o carro de som faz fonoaudióloga, faz aula de canto. A gente sempre está procurando fazer o melhor para chegar na Avenida e dar conta do recado. Agora após a gravação é só ensaiar mesmo, a comunidade está chegando juntinho já, o mais importante é a comunidade estar firme e forte na Avenida, cantando esse samba no gogó, e mostrando a força da nossa escola e a força da comunidade do Morro dos Macacos”, entende Tinga.

O arranjo preparado para a gravação oficial da Liesa foi desenvolvido pelo diretor musical da Vila, Douglas Rodrigues. O músico esclareceu que procurou trazer um tom lúdico, infantil para a gravação, como pedia o enredo, a obra, mas também valorizando a comunidade que habita o entorno da escola do bairro de Noel. Douglas confessou que a equipe procurou não ouvir tanto o que foi desenvolvido para 1993 para não ficar preso a ideias já produzidas, e se permitiu dar uma nova roupagem sem descaracterizar a obra.

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“O arranjo foi feito para interagir com a comunidade. Usamos palma da mão, solo, canto, para todos entrarem juntos e ter aquela interação. É muito legal quando você faz um arranjo que todos participam, não é só as cordas, ou não é só o canto, todo mundo participando, da bateria, até o cara que vai lá para conhecer o samba na quadra, a comunidade. O arranjo foi criado a partir desse entendimento, é um toque lúdico por conta das crianças. O cavaquinho dá a intenção de uma flauta. E em relação a gravação original, a gente não ouviu muito para também não ficarmos presos. Mas a gente não pesou a mão. Porque se pesar a mão vai ter aquela comparação. Foi uma parada bem tranquila. A roupagem já está na voz do Tinga. O Tinga já dá uma outra visão do samba. A gente só vai acompanhando”, explicou o diretor musical.

Preparação contemplou ensaios desde decisão por reedição

Presente à gravação na Cidade das Artes, o diretor de carnaval da Vila Isabel, Moisés Carvalho, relatou à reportagem do site CARNAVALESCO de que forma a escola se preparou para este importante passo no processo de desenvolvimento de um carnaval.

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“Desde que o presidente decidiu que o samba seria a reedição de Gbalá, todo o time, carro de som, parte musical, tem batido papo, indo para estúdio, para a gente achar o melhor caminho para fazer essa reedição em alto estilo. A gente está botando em prática nesta gravação tudo que vem ensaiando durante todos esses meses. Acho que encontramos o ponto ideal. Também já começamos nossos ensaios na 28 de setembro, ali vamos imprimir o ritmo que vamos levar para o desfile”, informa o diretor.

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Moisés Carvalho também explicou mais sobre o cronograma de trabalho da escola no que diz respeito ao trabalho de canto e evolução na preparação para o Carnaval 2024.

“Como já tínhamos o samba escolhido e na ponta da língua da galera, a gente conseguiu antecipar os nossos ensaios, não só de quadra, como também do Boulevard 28 de setembro, a fim de a gente chegar na excelência máxima que é o samba na ponta da língua, o carro de som entrosado com a bateria de mestre Macaco Branco que também participa das reuniões junto com o Tinga, com o Douglas (Rodrigues), com o preparador vocal, com nosso presidente Luizinho (Guimarães). Todos estão afinados para os ensaios e para o nosso CD, que tem a proposta de mostrar o samba, a letra do samba, com alguma coisa de bateria, mas focado na letra. O samba a gente fez da forma como executamos nos ensaios de quadra, de bateria”, concluiu Moisés.

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Intérprete oficial de 1993 é figura ilustre do carro de som

Uma presença especial na gravação foi do cantor Gera, que já faz parte há algum tempo do carro de som da Vila como uma das vozes de apoio do intérprete Tinga. Gera foi o responsável ao lado de Martinho da Vila por cantar Gbalá durante o desfile de 1993. O experiente cantor dá nome ao palco localizado na quadra da Vila no Boulevard 28 de Setembro e falou sobre a emoção de participar deste processo além de compartilhar algumas lembranças daquele carnaval de 1993.

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“Eu fiquei muito orgulhoso por estar com saúde. Trinta anos atrás eu cantei esse samba, eu e o Martinho da Vila. A gente gravou juntos. Agora estou com a garotada, dando esse apoio ao Tinga, para mim é um prazer muito grande . Eu quero ver na Avenida e eu acho que vai ser muito bacana porque o samba está com uma pegada maior, está mais em cima o tom, e a pegada muito firme. Eu me sinto muito orgulhoso por estar com a rapaziada. Choveu muito naquela noite, mas o carnaval era tão bonito produzido pelo nosso carnavalesco da época Oswaldo Jardim . Imagina o que virá agora com o Paulo Barros, com essa criatividade que ele tem. Naquele ano o samba rolou maravilhosamente bem. Ganhou prêmios e levou a escola bem, mesmo com toda a chuva que teve. Acredito que 2024 vai superar aquele desfile “, acredita Gera.

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Comandando a “Swingueira de Noel” desde o carnaval de 2019, mestre Macaco Branco participa de sua quinta gravação à frente dos ritmistas. Experiente no mundo musical, Macaco gravou de forma tranquila e explicou o que pensou para a faixa oficial da Liesa.

“A gente colocou um andamento mais orgânico, como é uma gravação ao vivo não tem como a gente estar medindo muito o andamento. Está ali na casa de 141, 142 BPM, que é para gente já ter a noção do que é um andamento perfeito para o samba da Vila Isabel. Os arranjos estão muito bonitos, bem encaixados na métrica, na melodia do samba. O projeto é lindo demais, usamos os instrumentos tradicionais de escola de samba, tem uma hora que a gente coloca palmas, em um jongo que tem muita relação com a temática do samba. A introdução tem bastante a ver com aquela gravação que a escola fez, mas há algumas diferenças que vocês vão perceber e espero que gostem”, deseja o mestre.

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Terceira escola a pisar na Sapucaí na segunda noite dos desfiles de 2024, a Vila vai levar para a Avenida o enredo “Gbalá” que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros.

Mais fotos da gravação da Vila

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Carnaval Impacta e Transforma a Economia Brasileira

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O Carnaval, mais do que uma celebração cultural, é uma força motriz na economia brasileira. Esta festa anual, conhecida por sua energia vibrante, fantasias coloridas e música contagiante, não é apenas um ícone cultural, mas também um gigante econômico. Explorar como o Carnaval, em suas diversas facetas, impulsiona significativamente a economia do país, desde o turismo até setores menos óbvios, como as apostas online, é uma rica viagem pelo aspecto financeiro desta importante festa.

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Foto: Alexandre Macieira/Riotur

Turismo e Hospitalidade: Os Benefícios Diretos

O Carnaval é um magnetismo para turistas, tanto nacionais quanto internacionais. Durante essa época, cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Recife veem um aumento exponencial no número de visitantes. Esse influxo de turistas impulsiona uma série de setores econômicos, especialmente a hotelaria, restaurantes, e serviços de transporte. Hotéis e pousadas geralmente operam com capacidade máxima, enquanto restaurantes e bares experimentam um aumento significativo nas vendas.

Além disso, o Carnaval gera uma demanda considerável por serviços de transporte, incluindo companhias aéreas, empresas de ônibus e serviços de táxi e aplicativos de carona. Essa festa proporciona um estímulo econômico vital para muitas cidades, contribuindo para o emprego e a geração de renda em várias indústrias.

Indústria da Moda e Artesanato: Criatividade que Gera Lucro

O Carnaval é uma vitrine para a moda e o artesanato brasileiros. Os elaborados trajes e fantasias são um aspecto crucial da festa, gerando uma demanda significativa por designers, costureiros e artesãos. Esse período do ano é crucial para pequenas empresas e trabalhadores autônomos que se especializam na criação de trajes de Carnaval, acessórios e souvenirs.

Além das roupas, o Carnaval também estimula a indústria de maquiagem e beleza. Salões de beleza e profissionais de maquiagem têm uma demanda incrivelmente alta durante o período, com muitos trabalhando horas extras para atender aos foliões. Além disso, há um aumento na venda de produtos de beleza, incluindo maquiagem à prova d’água, glitter e adereços.

Os artesãos locais também se beneficiam, produzindo uma variedade de mercadorias como bijuterias, lembranças e decorações temáticas. Esse impulso na economia criativa não apenas gera renda, mas também promove a cultura e a arte brasileiras.

Apostas Online: Um Novo Participante na Economia do Carnaval

Curiosamente, até mesmo o mundo das apostas esportivas online encontrou um nicho no Carnaval. Sites de apostas agora oferecem a oportunidade de apostar nas escolas de samba vencedoras dos desfiles. Esta tendência crescente não apenas adiciona uma nova dimensão à experiência do Carnaval, mas também movimenta a economia digital.

Essas apostas, embora menos tradicionais, geram receita e atraem um público que talvez não participe fisicamente dos eventos, mas que ainda deseja estar envolvido na emoção do Carnaval. A integração das apostas online com o Carnaval reflete a natureza em constante evolução da festa e sua capacidade de se adaptar às novas tendências econômicas. Para aqueles que querem se aventurar nas apostas no carnaval, mas não querem gastar seu próprio dinheiro para começar a brincar, é possível conseguir em alguns site de apostas 10 reais grátis para apostar em promoções.

O Carnaval Como Motor Econômico do País no Início de Cada Ano

O Carnaval vai além de uma celebração cultural; é um fenômeno econômico. De hotéis lotados a ateliês de costura agitados, de restaurantes cheios a plataformas de apostas online, o Carnaval gera uma onda de atividade econômica que atravessa diversos setores. Ele não apenas celebra a rica história cultural do Brasil, mas também desempenha um papel crucial na economia do país. À medida que o Carnaval continua a evoluir, seu impacto econômico também se expande, solidificando seu lugar como um dos eventos mais importantes e lucrativos do Brasil.

Cante com a Beija-Flor: samba para o Carnaval 2024

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O intérprete Neguinho da Beija-Flor canta o samba-enredo da escoal de Nilópolis para o Carnaval 2024. A azul e branco levará para Avenida o enredo “Um delírio de carnaval na Maceió de Rás Gonguila”.

Cante com a Porto da Pedra: samba para o Carnaval 2024

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O intérprete Wantuir canta o samba-enredo da Porto da Pedra para o Carnaval 2024. A escola de samba levará para Avenida o enredo “Lunário Perpétuo: A Profética do Saber Popular”.

Cante com a Unidos da Tijuca: samba para o Carnaval 2024

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O intérprete Ito Melodia canta o samba-enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2024. A escola de samba levará para Avenida o enredo “O conto de fados.

Samba-enredo tem funcionamento avassalador e impulsiona quesitos de chão em mais um ensaio de rua da Imperatriz

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Arrebatadora! Essa simples palavra sintetiza o que foi a apresentação da Imperatriz Leopoldinense no fim da tarde e início da noite do último domingo. A comunidade da Rainha de Ramos mais uma vez compareceu em peso na Rua Euclides Faria e mostrou toda a sua força neste terceiro treino a céu aberto na temporada para o Carnaval de 2024. O samba-enredo, conduzido com maestria pelo intérprete Pitty de Menezes, teve um rendimento espetacular, que se refletiu em um canto extremamente potente dos componentes e uma evolução bastante solta. A bateria “Swing da Leopoldina” também teve outra grande performance, contribuindo para esse sucesso do hino oficial junto aos desfilantes e espectadores. Em entrevista concedida com a reportagem do site CARNAVALESCO, o diretor de carnaval André Bonatte, que divide a função com Mauro Amorim, fez uma análise desse ensaio e ressaltou o trabalho a longo prazo visando o desfile do ano que vem.

“Eu venho falando isso a cada semana, eu acho que o trabalho é crescente. Nós fizemos uma boa largada. Na semana passada, mesmo com chuva, a escola superou o primeiro ensaio e, na minha avaliação, hoje nós superamos os outros dois. Então, é esse o caminho que a gente tem até o dia 11 de fevereiro. A gente tem que se superar a cada dia. Sempre olho assim e acho que a comunidade está de parabéns. Hoje, eu vejo o samba consolidado. Os componentes da Imperatriz estão cantando com muita força. A questão da harmonia, que é uma coisa que a gente avalia muito aqui, está funcionando extremamente bem, assim como a evolução. No ensaio desta semana, a escola mais uma vez caminhou bem, sem nenhum tipo de tropeço, a gente conseguiu fazer todas as paradas técnicas que tínhamos que fazer, mas eu sempre acho assim, é isso, é o caminho. Precisamos pensar sempre no que a gente pode melhorar e esse vai ser o meu trabalho até fazer a curva da Avenida. A ideia é buscar a perfeição”, defendeu André Bonatte.

No ano que vem, a Imperatriz Leopoldinense apresentará o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira. O tema tem como base um pequeno folheto que foi escrito há mais de 100 anos por Leandro Gomes de Barros, autor paraibano de cordéis que inspiraram o dramaturgo Ariano Suassuna a escrever o “Auto da Compadecida”. A proposta dá continuidade ao interesse da agremiação em se debruçar sobre o Brasil e sobre obras populares que souberam dar contorno à imaginação de caráter fantástico como uma extraordinária vocação do povo brasileiro. A Rainha de Ramos será a sexta escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, encerrando o primeiro dia do Grupo Especial do Rio, em busca do bicampeonato.

Comissão de frente

O show leopoldinense teve início com a apresentação dos integrantes da comissão de frente. O coreógrafo Marcelo Misailidis trouxe, mais uma vez, uma performance elaborada especialmente para os ensaios, que serve de base de criação para o trabalho que será levado por eles no desfile oficial. O número contou com a participação de dez componentes no treino desse domingo, divididos em cinco casais. As mulheres vieram com um figurino composto por saias longas estampas, top e lenço amarrado na cabeça; enquanto os homens tiveram como indumentária uma calça branca e uma camisa do enredo. A coreografia tinha como referência a cultura cigana, mesclando passos de danças típicas com movimentos um pouco mais acrobáticos. A dança alternou entre momentos em dupla e de grupo, todos marcados pela intensidade e sincronia. O ponto alto ficou para o efeito causado pela saia das bailarinas, seja na hora dos giros ou nos deslocamentos.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, novamente se destacou durante a passagem da Rainha de Ramos neste terceiro treino a céu aberto da temporada. A dupla, que após sete anos longe reatou a parceria no último Carnaval, segue demonstrando um aprimoramento, tanto na técnica, quanto no entrosamento entre si. Os dois apostaram em uma dança predominante mais tradicional, que teve como característica a intensidade e a velocidade. Apesar dessa força no bailado, a elegância nos gestos, a precisão dos movimentos e a delicadeza nos momentos de cortejo também estiveram presentes no decorrer da apresentação. Um dos segredos dessa evolução foi a chegada da primeira bailarina do ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ana Botafogo, como diretora artística do primeiro casal. Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, logo após a conclusão do treino, os defensores do pavilhão principal rasgaram elogios para a profissional e ressaltaram o impacto do trabalho realizado por ela.

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“Está sendo incrível. Hoje, eu me vejo uma nova Rafaela. Acho que muitas pessoas julgaram quando a Ana Botafogo chegou na família Imperatriz. Ela veio para somar e tem sido uma grande responsável pelo resgate do casal Phelipe e Rafaela. Depois de sete anos afastados, a gente retomou a parceria no último Carnaval, fomos campeões, porém só agora e aos poucos que a gente vê mais o Phelipe e Rafaela, aquele casal que iniciou aqui na Imperatriz. E tem sido muito positivo esse trabalho, porque ela em nenhum momento está deixando a dança tradicional do casal de mestre-sala e porta-bandeira se perder, como muitos acharam. A Ana veio para agregar com seus movimentos, braços, olhares, dar mais segurança e firmeza para o casal. Era isso que a gente estava precisando”, declarou Rafaela.

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“A Ana Botafogo é uma profissional incrível, não só na área dela, que é o ballet, o pas de deux. Ela traz muito dessa dualidade, desse lado postural do casal de mestre-sala e porta-bandeira para gente. Como a Rafaela falou, é uma conexão que a gente está encontrando novamente, depois de sete anos separados, conseguimos ser campeões no nosso reencontro, com um trabalho bom, mas o que a gente vem fazendo de conexão, de postura e de entendimento da nossa arte, dos movimentos que a nossa arte tem, é incrível. A Ana Botafogo, no meu ponto de vista, é a melhor bailarina do Brasil e eu tenho a sorte de hoje poder trabalhar com ela”, pontuou, em seguida, Phelipe.

Samba-enredo

O motor propulsor da performance avassaladora da Imperatriz Leopoldinense foi o samba-enredo. A obra de autoria de Renne Barbosa, Antonio Crescente, Miguel da Imperatriz, Luiz Brinquinho, Gabriel Coelho, Me Leva, Jeferson Lima, Rômulo Meirelles, Jorge Goulart, Silvio Mesquita, Carlinhos Niterói e Bello teve mais um desempenho espetacular neste terceiro ensaio de rua, sendo entoado com extrema força pelos componentes gresilenses e propiciando uma evolução leve. Para que isso fosse possível, a parte musical da agremiação foi fundamental. A bateria “Swing da Leopoldina” explorou com maestria o desenho melódico da composição, através de bossas e nuances, conseguindo dessa forma contagiar não só os desfilantes como também os torcedores que assistiam a passagem da escola pela Euclides Faria. Além dos comandados de mestre Lolo, o intérprete Pitty de Menezes, junto a todo o time de apoio do carro de som, imprimiu uma performance vibrante e aguerrida com o intuito de manter o alto rendimento do hino oficial para o ano que vem no decorrer de mais de uma hora de treino. Ao final do trajeto, o cantor principal da Rainha de Ramos falou com a reportagem do site CARNAVALESCO e fez um balanço do trabalho em cima do samba desde a junção.

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“Fico muito feliz com o sucesso que o samba está tendo. A gente sempre soube o que estava fazendo e tínhamos certeza que esse samba ia dar certo. A Imperatriz tem uma equipe que trabalha muito. A gente, várias vezes, antes de confirmar a junção, trabalhou muito em cima dela. Fizemos ensaios e a gente sabia do potencial que esse samba iria atingir. E não está sendo diferente agora. A comunidade está muito feliz, a Imperatriz é uma escola que está feliz. Tanto componente, quanto o torcedor da escola, já abraçou o samba. Hoje foi mais um exemplo de como a escola está cantando muito. Somos uma agremiação diferenciada. É bonito ver quando tem essa dúvida, você trabalha e o resultado dá certo, dá orgulho, dá gosto. A vontade de cantar se torna maior ainda e é isso que a escola está sentindo. A felicidade vem da presidência até toda a comunidade. Isso está contagiando todo mundo, por isso que o ensaio está sendo desse jeito aí, avassalador, todo mundo cantando muito. Com todo o respeito as outras coirmãs, mas a Imperatriz está trabalhando muito para conquistar esse bicampeonato. A comunidade está acreditando, então é isso, a felicidade está reinando. É o Carnaval do amor, a escola está se amando muito. Parece aquela pessoa apaixonada, amor à primeira vista, está assim. A comunidade está apaixonada pela escola novamente e, por isso, está dando certo. Estou muito feliz, eu saio de todos os ensaios com vontade de voltar para o ensaio de novo para começar. Dá gosto de vir para o ensaio e ver a comunidade cantando desse jeito”, relatou Pitty de Menezes.

Harmonia

O chão da Imperatriz Leopoldinense, mais uma vez, deu uma aula no ensaio de rua. A comunidade mostrou estar com o samba na ponta da língua e manteve um canto afiado ao longo das mais de uma hora de apresentação. Até mesmo alas que tradicionalmente não apresentam um canto tão forte, como é o caso das baianas, entoaram com bastante vontade a obra, tornando árdua a missão de apontar uma ou outra ala como destaque. O refrão principal, composto pelos versos “Vai clarear!/Olha o povo cantando na rua/A Imperatriz desfila com a sorte virada pra Lua”, foi a parte do samba que mais rendeu, sendo berrado pelos desfilantes. Além dele, o falso refrão que antecede o principal, “O que é meu é da cigana, o que é dela não é meu/Quando chega fevereiro meu caminho é todo seu”, e o refrão do meio, “O destino é traçado na palma da mão/E a vida se equilibra em cada linha/Andarilho, sonhador/Na corda bamba do amor/Encontrei minha rainha”, também se sobressaíram e foram entoados a plenos pulmões.

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Foto: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

Evolução

No embalo da excelente performance do samba-enredo, a evolução da verde, branca e ouro foi marcada pela alegria, descontração e leveza. Os componentes vieram totalmente soltos dentro das alas, brincando, pulando e cantando com bastante euforia. O uso de acessórios e adereços pelos desfilantes, como balões e leques, por exemplo, deram todo um charme a mais para a passagem. Nem mesmo alguns momentos mais coreografados da escola, como quando todos batiam palmas no trecho “O que é meu é da cigana, o que é dela não é meu/Quando chega fevereiro meu caminho é todo seu”, tiraram a espontaneidade da comunidade, que demonstrou estar completamente entregue e vivendo ao máximo o ensaio. E mesmo com esse clima mais relaxado, a agremiação passou extremamente correta, sem abrir buracos, ocorrer clarões e embolamentos. Quanto ao andamento, as paradas para simular as apresentações nas cabines de jurados, assim como a entrada e saída da bateria do recuo, aconteceram sem nenhum transtorno e não atrapalharam o ritmo fluindo da Rainha de Ramos. Mantendo essa pegada cadenciada durante toda a passagem, a Imperatriz Leopoldinense concluiu o percurso pela Euclides Faria, entre o Largo do Itararé até a altura da Rua Doutor Miguel Vieira Ferreira, em 68 minutos, tempo este que a direção de carnaval ainda pretende reduzir nas próximas semanas.

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“Pretendemos reduzir o tempo de desfile para 66 minutos. O problema é que a gente tem que entender que não adianta também correr com a escola. Hoje, a gente fez o percurso em 68 minutos e a meta é ir baixando esse tempo. Apesar do nosso andamento atual estar bom, temos que pensar em imprevistos. No ano passado, nos programamos para encerrar o desfile com 64 minutos, até porque o samba era um pouquinho menor. Para 2024, a ideia é trabalhar com o tempo de 66 minutos, pois o samba tem algo entre 15 a 16 segundos a mais cada passada na comparação com o de 2023, que tinha em torno de dois minutos. Então, precisamos ganhar uma passadinha aí, mas sem sacrificar o ritmo da escola. Acho que a gente consegue, é mais questão de tempo mesmo, e ver aonde a gente pode ganhar isso”, afirmou André Bonatte em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO.

Outros destaques

A “Swing da Leopoldina” deu mais um show no ensaio de rua desse domingo. Os ritmistas liderados pelo mestre Lolo mostraram novamente o motivo de colecionarem notas máximas ao longo dos últimos anos e agitaram o público presente na Rua Euclides Faria. Entre as bossas executadas, a que simulava uma seresta foi uma das que mais chamou a atenção. Outro momento de destaque ocorreu quando a bateria fazia uma parada e deixava o som do violino, que veio junto ao carro de som, tocando sozinho durante os versos “Ao som de violão e violino/O verso da mais pura inspiração”.

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Quem também roubou a cena neste terceiro treino ao ar livre da Imperatriz Leopoldinense foi a rainha de bateria Maria Mariá. A beldade, que veio com um figurino simples nas cores branco e prata, esbanjou beleza e carisma à frente dos ritmistas, ostentando todo o seu gingado e muito samba no pé. Atenciosa, ela fez questão de atender vários apelos dos espectadores durante a sua passagem com a escola, tirando fotos, dando abraços e dançando com as pessoas.