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Samba se destaca em desfile do Morro da Casa Verde sobre a luta feminina pela liberdade

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

O Morro da Casa Verde realizou na noite de sábado seu desfile no Sambódromo do Anhembi. O samba da escola interpretado por Wantuir foi o grande destaque da apresentação, que teve constantes problemas de evolução. A Verde e Rosa da Zona Norte foi a décima escola a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, fechando os portões aos 49 minutos.

Comissão de Frente

A comissão de frente intitulada “A Força das Yabás sobre a Figura Feminina” se apresentou em dois atos marcados pelo samba. Há a presença de uma protagonista que contracena com dois diferentes grupos, sendo o primeiro representando as Yabás e o segundo a Figura Feminina. Os grupos se intercalam em interações com a protagonista ao longo dos atos, se juntando na dança em dado momento.

MorroDaCasaVerde et ComissaoFrente

A coreografia chama atenção pela volumetria das fantasias, que dão a sensação de que a pista está preenchida de pessoas ao longo da apresentação do conjunto. Mas a dança não é clara em seu propósito em vários momentos, com exceção em situação onde os demais atores reverenciam à figura da protagonista. O final do segundo ato, onde um dos agrupamentos se alinha para reiniciar a dança, se mostrou problemático ao longo da Avenida, com a atriz principal se adiantando em relação aos demais no primeiro módulo, mas ficando para trás nos demais.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal do Morro, formado por Gabriel e Juliana Souza, desfilou com fantasias representando “Orum Ayê”. A atuação ao longo de todos os módulos apresentou problemas de sincronia nos giros, sendo no primeiro e no terceiro módulo a porta-bandeira por várias vezes concluiu seus passos após o mestre-sala parar. A clara desatenção da parte da dupla pode comprometer a nota final da escola.

MorroDaCasaVerde et PrimeiroCasal

Enredo

O enredo da escola da Casa Verde em 2024 foi “O canto de Ominirá: Negra é a raiz da liberdade!”, assinado pelo carnavalesco Ulisses Bara. A proposta do Morro foi falar sobre a necessidade de exaltar e preservar a cultura e o nome e mulheres pretas que lutaram por sua liberdade e deram suas vidas por seu povo. “Ominirá”, na língua yorubá, significa “independência, liberdade”, o clamor que o tema da Verde e Rosa faz pelas mulheres pretas batalhadoras de todo o mundo.

MorroDaCasaVerde et DonaGuga

Na Avenida, porém, a leitura do enredo se mostrou confusa pelas alas, com poucos segmentos sendo identificados com facilidade. O enredo não conseguiu ser claro em sua proposta após a passagem do Abre-alas, gerando um declínio de reação até seu desfecho.

Alegorias

MorroDaCasaVerde et AbreAlas

O Morro se apresentou com dois carros alegóricos. O Abre-alas foi nomeado como “As Sete Deusas Sagradas – O Berço de Ominirá”, e o segundo carro foi intitulado “A Coroação da Mulher – A Nossa Voz Jamais se Calará – Viva Ominirá!”. A primeira alegoria chamou atenção pelo belo acabamento como um todo e clareza na identificação de seus elementos, em especial as figuras das entidades representadas. O desfile se encerrou com um carro, porém, cujas esculturas não esclareciam sua proposta de representar uma coroação. Havia um grupo cênico em uma estrutura muito elevada o qual do campo de visão observado não estava claro o significado de sua atuação.

MorroDaCasaVerde et SegundoCarro

Fantasias

O Morro da Casa Verde desfilou com alas em referência a diferentes mulheres pretas cujos nomes marcaram a história pela luta e superação. As fantasias apresentaram um bom conjunto de acabamento, porém eram de difícil leitura em sua maioria. Haviam conjuntos de fácil identificação, como a ala “Anastácia e a Máscara do Silêncio”, mas em geral é preciso grande conhecimento da temática abordada para elucidar o significado das roupas.

MorroDaCasaVerde et 9

Harmonia

O coral do Morro começou o desfile animado e vigoroso, mas a lentidão com a qual a escola evoluiu na pista fez com o que o clamor do samba pela comunidade da Casa Verde fosse comprometido. Em dado momento, já na reta final do desfile, com o ritmo acelerado da escola para não estourar o tempo e após um considerável tempo sem tentar apagões, os componentes das alas demoraram a responder gerando um instante de silêncio que comprometeu o andamento do samba.

MorroDaCasaVerde et InterpreteWantuir

Samba-enredo

O samba do Morro da Casa Verde foi composto por Sidney Arruda, André Ricardo, Rubens Gordinho, Thiago SP, Douglas Chocolate, Ulisses Sousa, Jacopetti, Nega e Celsinho Mody, e foi defendido na Avenida pela ala musical liderada pelo consagrado intérprete Wantuir. Considerado um dos melhores sambas do ano de 2024 em São Paulo, a obra se apresentou de maneira correra ao longo de boa parte do desfile, com o início da escola sendo o grande destaque aliado ao bom desempenho inicial da harmonia da escola.

MorroDaCasaVerde et 17

Evolução

­O quesito que mais causou problemas ao Morro da Casa Verde. O início vagaroso do desfile da escola comprometeu o andamento como um todo, e em dados momentos notou-se interrupções no fluxo do cortejo da escola. O receio de não fechar os portões no tempo máximo regulamentar fez com que a escola passasse a acelerar o passo, comprometendo consideravelmente a compactação das alas entre os módulos três e quatro.

MorroDaCasaVerde et Baiana

Outros Destaques

As baianas do Morro da Casa Verde vieram representando “A Realeza Ancestral”, se destacando dentre o conjunto visual da escola. A Rainha Bruna Costa deu o tom do ritmo da “Bateria do Morro”, comandada pelo mestre Fábio Américo. Os ritmistas da Verde e Rosa apresentaram um bom conjunto de bossas, que animaram o público ao longo da apresentação da escola.

MorroDaCasaVerde et RainhaBruna

Fotos: desfile do Morro da Casa Verde no Carnaval 2024

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Equilibrada, Imperador do Ipiranga sonha alto ao falar do universo infantil

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Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins

É difícil destacar um único quesito no desfile da Imperador do Ipiranga no Grupo de Acesso II em 2024. Bastante coesa, a agremiação foi a nona a se apresentar para defender o enredo “Desperte a Criança que Há Dentro de Você” e conseguiu destaque, entre outros motivos, pela ótima Evolução, por carros alegóricos bonitos e muito bem acabados e uma bateria com naipes pouco comuns hoje em dia. Encerrado em 49 minutos, o desfile empolgou componentes e arquibancadas.

Comissão de Frente

O tripé do segmento, que não era dos maiores no ensaio técnico e estava inteiro no ferro, enfim foi revelado: era uma espécie de cápsula do tempo em tons terrosos. Na coreografia em dois atos, destacam-se um homem aparentemente já na melhor idade em um momento e uma menina, chamada Yasmin, no segundo. O grande momento de toda a exibição se dá quando a criança interage com um pavilhão da escola, sendo erguida em tal momento. A explicação para tal dinâmica, importante para entender o desfile como um todo, pode ser conferida no quesito Enredo.

ImperadorDoIpiranga et Comissao1

Mestre-sala e Porta-bandeira

Após um ensaio técnico no qual Vitor Barbosa e Naiomy Pires enfrentaram fortes ventos, o desfile oficial teve condições climáticas bem mais favoráveis para eles. E, pensando nos quatro módulos de julgamento, em três deles não foram identificados erros – sendo que em todos os balizamentos obrigatórios foram realizados. Logo na primeira cabine, entretanto, foi notada uma dificuldade do casal para finalizar alguns dos movimentos propostos.

ImperadorDoIpiranga et PrimeiroCasal

Enredo

Para falar do universo infantil, a Imperador do Ipiranga focou nas lendas e imaginações das crianças. Palhaços, o bicho-papão e soldadinhos de chumbo, por exemplo, marcaram presença no desfile. Nesse ponto, a presença das alas “doces e guloseimas” e “pipas”, por exemplo, ganham espaço por conta de tudo que uma criança é capaz de imaginar utilizando tais itens. Basicamente resumido em referências, o desfile teve uma associação bastante clara, ganhando a simpatia de quem acompanhava a exibição. Também é importante pontuar o fio condutor da temática: na história proposta pelo carnavalesco Anselmo Brito, um homem de mais idade começa a recordar a infância e todos os brinquedos com que gostava de se divertir – e, a partir disso, todos eles foram ganhando espaço no desfile.

ImperadorDoIpiranga et 10

Alegorias

O abre-alas, intitulado “O Universo Infantil da Imaginação”, remetia a um parque de diversões ou a um circo – com atrações como uma roda-gigante, palhaços, carrosséis e espaço, até mesmo, para jogos eletrônicos portáteis. A alegoria, por sinal, tinha explosões de serpentinas e muito brilho. Já o segundo, “Reino Encantado”, altíssimo, tinha um castelo com destaque e uma bruxa levitando, chamado atenção pela movimentação suspensa no ar. Não foram identificados erros de execução e nem de acabamento em ambos e no tripé “Bicho Papão”, inteiro preto com um rosto em tons de amarelo e laranja.

ImperadorDoIpiranga et 9

Fantasias

A agremiação usou e abusou das cores e da criatividade para montar as fantasias em 2024. Se ancorando na temática infantil, também foram utilizados materiais como fitas e pompons, altamente integrados ao enredo. Alguns segmentos tinham identificação instantânea, como a ala 09, “Exército de Baralhos” – com uma roupa inteira preta e uma carta de baralho na frente.

ImperadorDoIpiranga et 7

Harmonia

Apesar da boa atuação do carro de som e do samba-enredo receber elogios da comunidade carnavalesca paulistana, o canto da escola foi irregular ao longo do desfile. A ala 01, “Palhaços”, por exemplo, tinha pouca força no canto. A já citada ala “Exército de Baralhos”, porém, contribuía bastante para o canto – e o segundo setor, é bem verdade, tinha rendimento superior ao primeiro. A comunidade crescia quando a Só Quem É, bateria da Imperador, executava um apagão na parte final da canção – ao todo, foram dois.

ImperadorDoIpiranga et 17

Samba-enredo

Todas figuras representadas figuram na obra – como o bicho-papão e palhaços em geral. Toda a canção, por sinal, é dedicada a momentos simples que toda criança costuma fazer: empinar pipa ou brincar com soldadinhos de chumbo, por exemplo. Na música, elas ficam juntas com situações que são desejos de todo pequeno e pequena – como brincar nas nuvens e vencer alguma partida de um jogo qualquer. Vale destacar que a obra buscou, até mesmo, inserir cada elemento na narrativa na ordem em que eles aparecem no desfile. Focando na referenciação de tudo que aparece no enredo, a canção foi muito bem defendida pelo intérprete Rodrigo Atração (fantasiado de palhaço). Dida, uma das integrantes do carro de som, veio como uma princesa, e os demais cantores estavam de boné, meia alta e shorts coloridos – tal qual um garoto levado. A obra, por sinal, foi composta por Xandinho Nocera, Nando do Cavaco, Fredy Vianna, Rodrigo Atração, Edson Liz, André Filosofia, Thiago SP e Ronny Potolski.

ImperadorDoIpiranga et SegundoCarro

Evolução

Enquanto outro coirmãs precisaram apertar o passo para não estourar o tempo limite, a Imperador teve ótima atuação em tal quesito. Novamente, o recuo da bateria foi um prenúncio do que estava por vir: os ritmistas ocuparam o espaço à frente do box, viraram o corpo e, depois, entraram em linha reta. A ala seguinte foi bastante célere ao ocupar o espaço deixado, em movimento que consumiu cerca de 70 segundos – ótima marca. Encerrado com alguma folga em relação aos 50 minutos tolerados pelo regulamento, o quesito teve especial contribuição para a ótima exibição da escola da Zona Sul.

ImperadorDoIpiranga et InterpreteRodrigoAtracao

Outros Destaques

Dentre os ritmistas, destacaram-se um pratista e um componente tocando reco-reco – instrumentos raros nas baterias paulistanas. A corte da Só Quem É, comandada por Mestre Thiago Praxedes, por sinal, tinha Kananda Santos (rainha), Jaiana Sales (musa), Victorya Menezes (princesa), Sarah Cristina Azevedo (Miss Simpatia) e Arthur Martins (malandro). Após o encerramento da exibição, as arquibancadas aplaudiram a atuação e os componentes, na Concentração, gritavam “É campeão”.

Fotos: desfile do Imperador do Ipiranga no Carnaval 2024

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Conjunto visual se destaca em homenagem da Primeira da Cidade Líder à centenária Portela

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

A Primeira da Cidade Líder realizou na noite de sábado seu desfile no Sambódromo do Anhembi. O conjunto visual formado tanto pelas fantasias quanto pelas alegorias se destacou na apresentação, que teve problemas de evolução na reta final. A Azul e Amarelo da Zona Leste foi a oitava escola a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, fechando os portões aos 49 minutos.

Comissão de Frente

A comissão de frente intitulada “Galeria de Sambistas Imortais” se apresentou dividida em dois grupos em dois atos marcados pelo samba. No primeiro ato, o primeiro grupo, vestido como sambistas representando a comunidade da Portela, fazia passos à frente e cumpria as obrigatoriedades de apresentar a escola e saudar o público, enquanto o segundo grupo, mais atrás, veio vestido cada um de diferentes baluartes portelenses sambando, e quando um deles era citado pela letra do samba, o seu representante ia ao centro. No segundo ato, os baluartes passam à frente junto com o elemento alegórico, um caixote, do qual é retirado um grande pavilhão da Portela desfraldado por eles. Essa bandeira, porém, é virada em dado momento da dança ao passo que uma criança representando Nossa Senhora da Conceição aparece: a outra face do manto portelense se revela como sendo o manto da padroeira da Águia de Madureira. Os atores passam a reverenciar a santa, em um momento que rendeu aplausos do público.

PrimeiraLider Et Comissao2

A dança foi marcada pela boa sincronia dos sambistas do primeiro grupo, que não falharam em cumprir seu papel em nenhum dos quatro módulos. O segundo grupo, porém, apresentou uma leve inconsistência na coreografia por parte de um dos baluartes de frente ao módulo 1, problema solucionado diante dos demais jurados. No terceiro módulo, o pavilhão demorou um pouco a ser recolhido para esconder a criança, o que fez ela ficar levemente à mostra antes de entrar no pequeno tripé.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal da Cidade Líder, formado por Fabiano Dourado e Sandra de Jesus, desfilou com fantasias representando “A majestade do samba e a Águia Altaneira”. As roupas da dupla chamaram atenção, sendo a de Fabiano, representando a Águia, vinha com uma iluminação de LED nos olhos e a de Sandra, representando a Portela, vinha com iluminação espalhada por toda a saia, mas sem exageros, ambos dando um belo efeito visual.

PrimeiraLider Et PrimeiroCasal 1

O casal conseguir obter um bom desempenho em todos os módulos, cravando os movimentos obrigatórios com elegância. Fabiano se destacou pela irreverência de sua dança, cortejando Sandra sempre com um sorriso no rosto. O desempenho seguro do casal poderá render boas notas para a Cidade Líder.

Enredo

O enredo da Primeira da Cidade Líder em 2024 foi “Salve ela! A Majestade do Samba Portela!”, assinado pelo carnavalesco Ewerton Visotto. A proposta da Líder foi contar a história centenária da escola de samba carioca Portela através de seus baluartes.

PrimeiraLider Et 10

A maneira original a qual a Cidade Líder apostou em conseguir resumir grandes momentos da história portelense em tão poucas alas permitiu ao desfile uma leitura agradável e recheada de referências de fácil leitura. As duas alegorias cumpriram seu papel de representar símbolos históricos da Portela, fazendo do conjunto da escola um desfile compreensível para qualquer um que conheça a centenária história da Águia de Madureira.

Alegorias

A Primeira da Líder se apresentou com dois carros alegóricos. O Abre-alas foi nomeado como “O teu azul é o infinito, sob o céu de Madureira a Águia Altaneira, da Padroeira nasce a escola de Samba Portela”, e o segundo carro foi intitulado “Se for falar da Portela, hoje não vou terminar, O samba sempre a florescer em versos aos pés da Jaqueira, Centenário de Emoção”.

PrimeiraLider Et AbreAlas

O Abre-alas chamou atenção não apenas pela gigantesca escultura de Nossa Senhora da Conceição, como também pelo fato da imponente Águia à frente do carro vir emitindo o clássico grasnido que a homenageada traz em seu símbolo. O segundo carro trouxe um grande pavilhão portelense estampado à frente, com esculturas representando sambistas nas laterais e uma jaqueira no topo da estrutura, que contou com a presença de pessoas convidadas. Ambas as alegorias vieram com bom acabamento e conseguiram ilustrar a proposta do enredo com clareza, contribuindo positivamente para a leitura do enredo.

Fantasias

A Primeira da Cidade Líder apresentou suas alas de uma forma diferenciada. As alas foram nomeadas em homenagem a grandes baluartes da história da Portela, mas cada ala veio apresentando diferentes conjuntos de fantasias simbolizando registros históricos das épocas em que viveram esses grandes portelenses, como a fundação da escola e desfiles marcantes.

PrimeiraLider Et 14

A ideia de formar filas de fantasias diferentes dentro da mesma ala permitiu um aumento no número de referências percebidas diante do pequeno contingente da Cidade Líder. A qualidade do acabamento das fantasias chamou atenção, com todas as alas observadas representando bem seus significados. Destaque especial para a fantasia da bateria, que mesmo com mais simplicidade representou o considerado primeiro samba-enredo da história, “Teste ao Samba”, com todos os ritmistas trajando becas.

Harmonia

PrimeiraLider Et InterpreteThiagoMelodia 1

A comunidade da Primeira da Cidade Líder clamou o samba com vigor em boa parte do desfile. Ao longo dos dois primeiros módulos, a escola apostou em várias bossas com a bateria “Batucada de Primeira”, sempre bem respondidas pelo canto dos componentes. O vigor do segmento, porém, enfraqueceu na parte final do desfile conforme a escola precisou acelerar o passado para conseguir fechar os portões no tempo limite, o que poder ser observado especialmente no quarto módulo.

Samba-enredo

O samba da Cidade Líder é assinado por um elenco de grandes compositores como China da Morada, Portuga, Fábio Souza, Gui Cruz, Vitor Gabriel, Turko entre outros, e defendido pela ala musical liderada pelo intérprete Thiago Melodia. A letra inicia com uma exaltação à Portela, e conforme vai passando os baluartes são apresentados em meio a referências a enredos históricos.

PrimeiraLider Et 17

A obra ilustra de forma poética os grandes nomes que marcaram a história da escola carioca, encaixando de forma inteligente cada um deles sem necessariamente se apegar à época aos quais estiveram presentes. A ala musical defendeu a obra com grande eficiência, engrandecendo a apresentação da agremiação da Zona Leste.

Evolução

PrimeiraLider Et 7 1

­O único quesito que destoou dos demais no desfile da Primeira da Cidade Líder. A evolução foi comprometida por um início muito lento, que dificultou a leitura do andamento da escola conforme a apresentação avançava. Restando apenas dez minutos para o encerramento do desfile, a bateria mal havia saído do recuo, o que gerou um receio quanto ao estouro do tempo que fez a escola acelerar muito o passo. A consequência da decisão foi uma correria que causou a abertura de um buraco à frente do segundo carro diante do quarto módulo, que pode gera consequências à escola. No fim, os portões se fecharam aos 49 minutos, restando ainda pouco mais de um minuto para não ultrapassar o limite regulamentar.

Outros Destaques

PrimeiraLider Et RainhaAmanda 1

À frente da bateria “Batucada de Primeira” reinaram soberanos a Rainha Amanda Martins e o Rei Robson Sambista. Os ritmistas da Cidade Líder, comandados pelo mestre Alê, fizeram grande apresentação dominada por várias bossas diferentes em sequência, demonstrando confiança e levantando o público por onde passou.

Fotos: desfile da Primeira da Cidade Líder no Carnaval 2024

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Por um segundo, Camisa 12 estoura tempo em desfile com ocorrências, bom samba e exibição segura do casal

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Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins

Quem acompanhou o início do desfile da Camisa 12 jamais poderia esperar pelo final do mesmo. Com uma comissão de frente muito bem celebrada e um abre-alas extremamente imponente, a escola começou a exibição impressionando. Com os primeiros componentes evoluindo morosamente, um acidente com o segundo carro alegórico, um passo bastante apertado nos últimos dez minutos e o estouro do cronômetro em um inacreditável segundo (!), cabe ressaltar o bom apresentado pelo samba-enredo, a boa condução por parte de bateria e ala musical e uma noite bastante segura do casal de mestre-sala e porta-bandeira ao defender o enredo “Meu Black é de Rei, Minha Coroa é de Chico. Chico Rei Entre Nós”, sétima agremiação a desfilar no Grupo de Acesso II neste sábado.

Comissão de Frente 

Com um ator representando Chico Rei, a comissão de frente investiu na dança e em uma coreografia bastante expressiva, e não em tripés alegóricos – como muitas coirmãs. O protagonista do enredo, por sinal, era cortejado por alguns “súditos” em um trono que evoluía na avenida. A coreografia, em dois atos, era revezada entre dois grupos distintos de componentes – ambos dourados: um que trazia um cabelo black power com detalhes dourados; outra simulando pepitas de ouro no cabelo e que abria um display com iminentes personalidades afrodescendentes – como Madrinha Eunice e Hélio Bagunça. O grande ponto de atenção do segmento coreografado por Yaskara Manzini foi a Evolução bastante morosa do segmento, que chegou à Dispersão com cerca de quarenta minutos – apenas dez antes do tempo-limite.

Camisa12 et ComissaoFrente

Mestre-sala e Porta-bandeira

Se, no ensaio técnico da agremiação, Luã Camargo e Estefany Righetti focaram na segurança, ambos vieram com bem mais energia no desfile oficial – sem Sol, com pouco vento e temperatura agradável. Em nem um dos quatro módulos foram perceptíveis erros de execução e todos os balizamentos obrigatórios foram cumpridos – sendo que, em todos eles, o casal fez três sequências de giros. O figurino também ganhou destaque, com o amarelo ganhando companhia do azul – já que o ouro encontrado em Minas Gerais durante o ciclo da mineração também vinha de lagos e rios. No caso de Estefany, a barra da saia tinha tons mais terrosos – e um lado do figurino não tinha mangas, enquanto o outro possuía.

Camisa12 et PrimeiroCasal

Enredo

Repleta de mensagens antirracistas, a história de Chico Rei foi contada pela Camisa 12 com um grande leque de situações. No primeiro setor, a história da mítica figura foi contada; depois, veio a hora de exaltar a resistência afrodescendente e falar sobre a presença da negritude durante o Ciclo da Mineração – e, em menor proporção, em toda a história nacional a partir de então; por fim, exaltar pessoas que, de acordo com o enredo, são herdeiros de um dos afrodescendentes mais conhecidos da história do Brasil – e, aqui, a escola optou por focar em ramos de atuação, como a imprensa e o teatro. O segundo carro era mais específico, com nomes de figuras importantes da história do Brasil que representam o legado de Chico Rei – como Leci Brandão e Emicida. Vale destacar, também, que tal fio condutor foi bastante utilizado no documentário “Chico Rei Entre Nós”, que conta com uma canção do rapper citado na linha anterior.

Camisa12 et 9

Alegorias

O abre-alas da agremiação, “Reino do Congo e Sequestro”, era bastante expressivo em todos os pontos possíveis: bastante alto e com três chassis acoplados – e alguns componentes que vinham no chão entre o primeiro e o segundo. Com predomínio do azul, a alegoria espantou a todos pela opulência e pelo bom gosto em esculturas e na confecção – repleto de tiras para emular o mar, com direito a uma caravela que fazia menção à chegada de Chico Rei ao Brasil em um navio negreiro. Importante notar, entretanto, as rodas aparentes no primeiro chassi.

Camisa12 et 3 1

O segundo carro, “Chico(s) Rei(s) entre nós”, com muitos tons de amarelos, trouxe uma série de desafios. Logo nos primeiros espaços da passarela, a alegoria bateu em uma das grades e teve uma parte do acabamento arrancado, ficando com madeiras à mostra. O nome de Abílio Ferreira, um dos escolhidos como um dos “descendentes” de Chico Rei, também estava dobrado por uma das tantas bolas emulando pepitas de ouro no carro.

Camisa12 et 6

Fantasias

Com muitos tons de amarelo, a Camisa 12 teve bastante detalhes em costeiros e ao longo do conjunto de fantasias no geral. A roupa de cada uma delas também variava: algumas tinham tecidos mais simples, outras possuíam mais detalhes – como a ala 10, “Caifazes”. Também é importante pontuar a Ala das Baianas, “Black da Alforria”, inteira em um tom mais fosco de dourado – e quebrando com extremo bom gosto o brilho na roupa de outros componentes.

Camisa12 et 22

Harmonia

Se o canto da agremiação preocupou no ensaio técnico, realizado sob muito Sol, a escola claramente evoluiu e mostrou estar habituada à madrugada. Vale destacar que a agremiação começou a cantar o samba-enredo de 2024 cinco minutos antes do cronômetro ser disparado, deixando a escola mais “quente”. Ao longo de todo o desfile, a agremiação teve bom volume vindo dos componentes – uma das poucas exceções foi a ala 08, “Coroação de Chico”, coreografada e que focou na dança, não na canção.

Camisa12 et Interpretes

Samba-enredo

Sem muitos cacos ou exagero em rimas, a canção foi dividida da seguinte maneira: a primeira estrofe narrava o que acreditam ser os primeiros momentos da vida de Chico Rei, já com toda a temática da luta por direitos e cidadania em foco; a chegada da figura na cidade mineira de Ouro Preto, com a igreja de Nossa Senhora do Rosário como pano de fundo, é o tema do refrão do meio; enquanto a segunda estrofe da obra conta toda a mensagem de resistência que Chico Rei traz para os afrodescendentes – além, é claro, de exaltar a própria icônica figura. Na avenida, viu-se uma condução correta de Tim Cardoso e um pouco mais irreverente de Clóvis Pê, que tentava empolgar componentes e público com mais cacos que o companheiro de microfone.

Camisa12 et 17

Evolução

Ao falar da comissão de frente da agremiação, foi destacado que a Evolução tinha andamento moroso – o que já começou a preocupar. O recuo de bateria da escola foi outro prenúncio negativo: embora feito com um movimento bem simples, a ala seguinte não foi muito célere em ocupar o espaço deixado pelos ritmistas – em dinâmica que demorou cerca de cento e cinquenta segundos. Para tentar recuperar tempo, a escola, claramente, começou a apertar o passo após a saída da comissão de frente. Tal situação fez com que a agremiação deixasse alguns buracos consideráveis na avenida – como, por exemplo, à frente do segundo carro alegórico nos Setores A e C. Uma das cenas mais dramáticas foi a ala 11, “Imprensa Negra”, composta por diversos componentes PCD que, nitidamente, precisou ter um andamento bem mais acelerado do que quando começou a exibição. Mesmo com todos os esforços, o destino foi cruel com a agremiação, que encerrou seu desfile com cinquenta e um minutos cravados – sim: apenas um segundo tempos do tempo-limite.

Camisa12 et 4

Outros Destaques

Bateria da agremiação, a Ritmo 12 contou com duas destaques na corte: Vanessa Aggio (rainha) e Mayra Ribeiro (musa).

Fotos: desfile da Camisa 12 no Carnaval 2024

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Visual da X-9 Paulistana se destaca em desfile no Carnaval 2024

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Por Gustavo Lima e foto de Fábio Martins

A X-9Paulistana levou o Nordeste para o Anhembi. O desfile se destacou pelo visual colorido que se viu, claramente algo alegre que a comissão de carnaval quis passar para o público. A comissão de frente, executando as danças típicas do Nordeste também merece um adendo especial. Todo o visual foi caprichado, as fantasias além de belas, davam conforto aos componentes e, por fim, as alegorias deram tom na apresentação. A X-9 Paulistana foi a sexta escola a desfilar, com o enredo “Nordestino Sim, Nordestinado Jamais”, assinado por uma comissão de carnaval.

Comissão de frente

Comandada pelo coreógrafo Jaime Arôxa, a ala desfilou apresentando a escola significando as “Danças Nordestinas”. Como o nome já diz, a coreografia incorporava bailados da região, como o forró e xaxado. A mensagem da comissão era clara: Passar alegria ao público, que era a missão do desfile. Na dança, os bailarinos sempre formavam um casal de homem e mulher para representar tais atos.

X9Paulistana et Comissao1

Todos os componentes desfilaram com chapéus e roupas iguais, mas cada casal tinha cores diferentes, como tons marrom escuro, claro, cor vinho e bege.

Ainda dentro da ala, havia outro componente que vestia um chapéu de cangaceiro e segurava uma espécie de caixa. Este integrante circulava solto no ato da comissão de frente.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Igor Sena e Julia Mary, casal oficial da verde e vermelho da Zona Norte, representou o “Coração Nordestino” em sua fantasia. Em todos os módulos, observou-se que a dupla executou a dança com segurança, optando por giros horário e anti-horário do que propriamente a coreografia dentro do samba. Entretanto, mesmo com o sucesso obtido, há de se ressaltar certa dificuldade da porta-bandeira nos giros, que por vezes era lento, muito provavelmente pela fantasia.

X9Paulistana et Casal

Enredo

A verde e vermelho da Zona Norte apresentou ao Anhembi um enredo nordestino em uma homenagem ao artista Patatitva de Assaré. Intitulado “Nordestino Sim, Nordestinado Jamais”, X-9 quis passar uma visão de um nordeste alegre, com danças e demais coisas citadas pelo poeta ao seu amado local. Além de toda essa energia positiva, a bravura e o trabalho do povo nordestino foram citados.

X9Paulistana et 13

Alegorias

O abre-alas, simbolizando o “Nordestino Relicário”, entrou com um colorido forte e esculturas, com destaque para as esculturas de mulher negra, nordestinos com enxadas e, na parte de trás, esculturas de sanfoneiros com chapéus de cangaço.

X9Paulistana et AbreAlas

A segunda alegoria desfilou pela pista com o “Populário Nordestino” e com uma figura branca e preta de Patativa de Assaré. Também havia uma iluminação bem forte de luzes coloridas. Também havia bastante detalhes dourados e vermelhos. Sem dúvidas, o carro destaque da escola no desfile.

X9Paulistana et 6

Fantasias

A X-9 levou uma paleta de cores muito variadas, puxando bastante para o colorido. Tal jogo de cores era visto o tempo todo, claramente casando com a estratégia das alegorias. As vestimentas estavam em bom estado e não atrapalharam o componente ‘xisnoveano’. Todos puderam evoluir com tranquilidade.

X9Paulistana et 12

Harmonia

A escola teve certa dificuldade com o canto em algumas alas. Alguns componentes não conseguiam acompanhar a letra de forma correta e optava por só evoluir, voltando a cantar apenas nas partes de seu conhecimento. Realmente um desempenho não satisfatório no volume do canto da X-9. Entretanto, vale ressaltar que os refrões de cabeça e do meio, os componentes conseguiam cantar forte. Também tem a questão da característica do samba, que oscila em sua melodia. Ora era lento e ora explodia, como no refrão de cabeça.

X9Paulistana et Interpretes

Samba-enredo

A obra, composta por Cláudio Russo e Fadico, nitidamente passava uma alegria nos componentes e público do Anhembi. Vale destacar o grande desempenho que os estreantes Hélber Medeiros e Daniel Collete executaram. O primeiro fez a sua estreia como cantor principal na escola e o segundo volta para a sua terceira passagem na agremiação da Zona Norte.

X9Paulistana et MestreAdamastor

Evolução

A evolução da X-9 foi satisfatória. Não houve problemas com buracos e demais coisas negativas que poderiam prejudicar. Vale lembrar que no único ensaio técnico realizado, a escola deixou muito a desejar no quesito, ficando bastante atrapalhadas nas questões citadas acima. Entretanto, foi corrigido e alas desfilaram compactas entre os setores. As fileiras também vieram corretas.

Outros destaques

Ala das baianas, vieram vestidas com uma bela fantasia tendo como significado a “Mulher Rendeira”. A bateria “Pulsação Nota 1000”, regida pelo mestre Adamastor, executou poucas bossas. Foi estratégica. Optou por marcar o samba de forma correta.

X9Paulistana et Baianas

A madrinha de bateria, Valéria de Paula, desfilou com costeiros no tipo de asas e nas cores de vermelho, amarelo e laranja.

Fotos: desfile da X-9 Paulistana no Carnaval 2024

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