Grande Rio e Imperatriz são destaques na primeira noite do Grupo Especial no Carnaval 2024
A primeira noite de desfiles do Grupo Especial colocou duas escolas na briga direta pelo título. A Imperatriz Leopoldinense, atual campeã, se mostrou praticamente irretocável no quesito a quesito. A disputa pelo campeonato também tem a Grande Rio, que fez um desfile de grande apuro estético e mostrou uma comissão de frente histórica.
A Beija-Flor de Nilópolis apresentou um desfile de extremo bom gosto e luxo nas alegorias e fantasias. O Salgueiro fez um desfile de ótima harmonia e linda apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira.
A Unidos da Tijuca homenageou Portugal em um desfile com destaque para bateria. A Porto da Pedra fazia uma apresentação muito boa em seu retorno ao Grupo Especial, apresentando uma comissão de frente espetacular. Leia abaixo a análise de cada escola.
PORTO DA PEDRA

A Porto da Pedra entrou na Sapucaí neste domingo abrindo o desfile do Grupo Especial com alegorias muito bonitas, comissão de frente levantando a Sapucaí com uso de truques de levitação e hologramas. O tigre rugia no “pede passagem” da escola e o primeiro carro também abusou do recurso tecnológico do holograma. Porém, um problema com a última alegoria fez com que ela demorasse a entrar na Avenida provocando um buraco enorme que pode ter sido notados pelas duas primeiras cabines de julgamento, sendo que a segunda era módulo duplo, o que deve gerar bastante despontuação. No final do desfile, era perceptível notar o clima mais fechado, desapontado, de alguns componentes e da diretoria na finalização do desfile. Com 1h09 de exibição, a Porto da Pedra apresentou o enredo “Lunário Perpétuo – A profética do saber popular”, que contou a história do almanaque que prometia decifrar desde a previsão do tempo até o comportamento dos insetos. Durante 200 anos, foi o livro mais lido do Nordeste brasileiro. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
BEIJA-FLOR

A Beija-Flor de Nilópolis foi a segunda escola a pisar na avenida na primeira noite de desfiles do Grupo Especial. Apesar de estar em uma posição de desfile inédita para a agremiação e considerada ingrata para muitos sambistas, a escola entrou na avenida com a habitual garra da comunidade. O desfile desta noite marcou o reencontro da azul e branca com a sua identidade visual que marcou história no carnaval, o conjunto de alegorias e fantasias teve gigantismo, luxo e acabamento de primeira marcaram todo o desfile. A passagem Nilopolitana pela avenida começou de forma marcante, a comissão de frente apostou no uso de pequenos elementos cenográficos e causou uma boa impressão junto ao público, assim como a apresentação encantadora de Claudinho e Selminha Sorriso. Porém, nem tudo foi perfeito, a evolução, apesar de correta em boa parte do percurso, teve um grande deslize justamente em frente ao módulo duplo de julgamento, a quinta alegoria travou pouco depois de entrar na avenida, as alas da frente seguiram e um grande buraco foi deixado. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
SALGUEIRO

O Salgueiro foi a terceira escola a se apresentar na Marquês de Sapucaí neste domingo de carnaval do Grupo Especial. A agremiação entrou com bastante força na avenida, com o público cantando forte o grande samba-enredo. A comissão de frente fez uma bela apresentação, com movimentos firmes, transformação de elementos e um ápice de emocionar, que traduziu muito bem o enredo. O casal de mestre-sala e porta-bandeira mostrou um número fabuloso, como já era esperado. Um bailado limpo, bonito e impactante. Mas logo depois, o carro abre-alas apresentou um problema de locomoção, gerando um buraco na frente da primeira cabine de jurados. As alegorias da escola apostaram muito nas cores verde, amarelo e vermelho, além da iluminação forte. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
GRANDE RIO

Acostumada nos últimos anos a fazer grandes desfile, após um sexto lugar ano passado, a Grande Rio veio mordida, e, com perdão do trocadilho com o enredo, mostrou suas garras para se colocar de forma séria na briga pelo título. Com um começo arrasador através da comissão de frente que levantou o público, a escola utilizou muito bem a iluminação cênica da Sapucaí na própria comissão e no “trovejou, escureceu” que evidenciava também as alegorias todas bem preparadas para que as cores dialogassem com a iluminação. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
TIJUCA

A Unidos da Tijuca foi a quinta escola a pisar na avenida na primeira noite de desfiles do Grupo Especial. A passagem da bateria pura cadência de mestre Casagrande foi o grande destaque do desfile, com ritmo equilibrado e paradinha dançante no refrão do meio. Porém, evolução e harmonia inconstantes fizeram com que a escola passasse pela avenida de forma burocrática. Em sua estreia pela Tijuca, o carnavalesco Alexandre Louzada entregou um bom conjunto de fantasias. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
IMPERATRIZ

Motivada desde logo depois do título de 2023 por um bicampeonato que não aparece na Sapucaí desde 2008, a Imperatriz mostrou com o dia já quase clareando o porque de apostar nos profissionais que chegaram à escola no carnaval passado e de outros que já tem mais de alguns carnavais na Verde e Branca. Com trabalho primoroso e repleto de bom gosto e criatividade de Leandro Vieira, que promoveu soluções até diferentes dos últimos anos, a Rainha de Ramos ainda teve na dobradinha Pittty de Menezes e Mestre Lolo mais uma avassaladora apresentação que confirmou que o antes “Frankesnteis” samba da Imperatriz, criado a partir de uma junção de duas obras, se transformou em um belíssimo príncipe cigano, cantado, até nos momentos da bossa de seresta da Swing da Leopoldina pela comunidade e pelo público que esperou até de manhãzinha para cantar o “Vai clarear” a plenos pulmões. A ex-certinha de Ramos, apelidada por seu carnavalesco mais uma vez, foi quente na pista, mas também certinha, não cometendo erros e se colocando forte na briga. Com o enredo “Com a sorte virada para a lua, segundo o testamento da cigana Esmeralda”, a Imperatriz encerrou seu desfile com 1h09. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA
Imperatriz abriu desfile com alas representando dias de sorte e azar
Campeã do Carnaval em 2023, a Imperatriz Leopoldinense foi a última escola a desfilar neste primeiro dia de espetáculo das escolas do Grupo Especial. A Rainha de Ramos levou o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”. O carnavalesco da agremiação criou duas alas que fizeram referência ao calendário da cigana: a ala nove representou os dias de sorte, enquanto a dez retratou os dias de azar.
As fantasias eram acompanhadas de estandartes de mão. Em cada uma, uma data que, segundo a cigana, traria sorte ou azar. É o que explica o diretor da ala, Lucas Santiago, de 28 anos. Para ele, a quarta-feira de cinzas pode representar um dia de sorte ou de azar: tudo depende do resultado do carnaval.
“A ala representa os dias de sorte, aquele dia que você acorda com sorte. Por isso que a ala vem com estandartes e com várias datas, como 4 de fevereiro e 16 de dezembro. Esses são os dias de sorte segundo o testamento da Cigana Esmeralda. O dia feliz será a quarta-feira de cinzas – se a Imperatriz for campeã. Se não for, será um dia de azar (risos)”, disse Lucas.
Em meio a expectativa para o bicampeonato, o 11 de fevereiro realmente entrou no calendário da sorte, segundo os leopoldinenses. Confiante, Raphaela Jesus, 22 anos, componente da ala, acredita que a quarta-feira de cinzas será o grande dia de sorte para a comunidade de Ramos.
“Deus queira que a quarta-feira de cinzas seja um dia feliz com a Imperatriz sendo campeã. Hoje é um dia feliz, porque estou muito confiante e acreditando que a vitória virá. A fantasia está impecável e surreal e destaca a busca pelo bicampeonato”, disse Raphaela.
Apesar da fé no testamento da cigana Esmeralda e com a sorte virada pra lua, a Imperatriz Leopoldinense ainda vai precisar esperar e torcer para a quarta-feira ser de sorte: Nesta segunda-feira, passam pela Marquês de Sapucaí Mocidade Independente de Padre Miguel, Portela, Vila Isabel, Mangueira, Paraíso do Tuiuti e Viradouro.
Mocidade Unida da Mooca encerra desfiles do Acesso I com chave de ouro e vira uma das favoritas pelo título
Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins
Fechando todo o carnaval paulistano, a Mocidade Unida da Mooca deu ao público um desfile de gala. Digno de Grupo Especial. A MUM gabaritou praticamente em todos os quesitos e a escola conseguiu homenagear a escritora Helena Thedoro perfeitamente. A comissão de frente onde havia uma Helena criança interagindo com a sua mãe de religião africana, Iansã, foi um dos pontos altos do desfile. Além disso, o canto, bateria e as alegorias foram de uma enormidade. O abre-alas vale um destaque especial por sua grandiosidade, foi algo monumental que deu a escola um conjunto alegórico que viria a ficar em evidência logo após. Contudo, vale ressaltar que tudo o que foi feito nos ensaios técnicos, a agremiação da Zona Leste repetiu no desfile oficial e, com isso, a briga pela vaga no Especial é uma realidade novamente para a comunidade da Mooca sonhar.
Com o enredo “Oyá Helena”, a Mocidade Unida da Mooca fechou o grupo de Acesso I e todos os desfiles das agremiações filiadas á Liga..
Comissão de frente
A ala mostrou uma coreografia criativa e de fácil leitura. Nela, uma criança representava Helena Theodoro criança e interagia com outra bailarina que representava a orixá Iansã. Aparentemente, a entidade dava à criança o dom da leitura. No grande tripé elaborado, ela subia, abria um livro e começava a jogar borboletas. Uma encenação lúdica, mas que indicava o perfeccionismo que a escritora iria herdar no futuro. Grande sacada do coreógrafo do coreógrafo Nilson Jeffer e, com certeza, um dos destaques do desfile da MUM.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O estreante casal, Jefferson Gomes e Karina Zamparolli, não sentiram o peso de pisar pela primeira vez em um desfile oficial pela Mocidade Unida da Mooca. A dupla realizou uma apresentação para lá de satisfatória. O entrosamento desde a Mocidade Alegre nitidamente permanece e dá para analisar que os dois saem felizes com o desempenho. A sincronia entre os movimentos na coreografia fora vital para o sucesso da atuação.
Enredo
O tema da MUM consistia em homenagear a escritora Helena Theodora em forma de religiosidade, visto que ela é filha da orixá Iansã, na ótica da matriz africana.
Tudo foi explicado perfeitamente, principalmente na comissão de frente. A ala já decifrou o enredo inteiro, onde acima foi explicado, que ambas interagiam entre si e a entidade dava o dom para a criança que representava a Helena.
Alegorias
O abre-alas veio com uma grande escultura realista logo à frente. Na alegoria, havia bastante água, parecia até uma pequena chuva e deixou um pouco a pista molhada. Belo jogo de cores e abriu bem o conjunto alegórico que a Mocidade levou ao Anhembi.
A segunda alegoria foi totalmente dedicada à escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Não é segredo que Helena tem uma paixão pela agremiação. Com isso, a MUM fez um carro com iluminação toda vermelha e uma escultura de Xangô com martelo e segurando o brasão da ‘academia do samba’.
O terceiro carro foi visto com uma gigante escultura de um búfalo. Acoplado, a homenageada desfilou nesta alegoria, sendo na primeira parte da própria. Um tom todo dourado destacou o elemento.
Fantasias
Vestimentas bem acabadas e com fácil domínio dos componentes deram o tom do quesito. A Mocidade Unida da Mooca abriu mão do luxo, mas não deixou de colocar a grandiosidade em suas roupas. Foi visto que a escola abusou bastante do vermelho, cor predominante da agremiação, o que deu certo. Sobre a evolução com as próprias, os desfilantes se sentiram à vontade e conseguiram se movimentar facilmente, bem como fizeram nos ensaios técnicos.
Harmonia
O canto da MUM, como sempre, foi forte. Esse samba claramente foi o mais abraçado desde o ano de 2020. Só para recapitular, na apresentação da quadra, quase toda a quadra já sabia a letra. E isso já foi levado para a avenida nos ensaios técnicos e sacramentado no desfile oficial. Uma harmonia forte do início ao fim foi destaque e, além disso, vale destacar que os integrantes da harmonia estavam leves e havia pouca cobrança para cima dos componentes.
Samba-enredo
Impressionante a performance do trio Bico-Doce, Gui Cruz e Clayton Reis, especialmente do primeiro, que teve o tom mais evidente que os demais. Os outros, apareciam nos cacos dentro do samba. Talvez pelo fato do forte grave que a voz do Bico tem. A performance do carro de som casou perfeitamente com a bateria e tudo deu certo no quesito. Mais um tópico gabaritado.
Evolução
O quesito fluiu naturalmente. Em todos os setores, mesmo com os vários tripés levados, a evolução foi satisfatória. O espaçamento foi válido entre as alas e as fileiras conseguiram evoluir bem entre si. Foi uma noite em que deu tudo certo para a Mocidade Unida da Mooca, e o quesito evolução é um grande termômetro para avaliar tais questões.
Outros destaques
A bateria “Chapa Quente”, regida pelo mestre Dennys, deu um andamento diferenciado. De longe, parece uma batucada acelerada e, de perto, cadenciada. Um dos destaques do desfie também.
A rainha de bateria, Waleska Reis, sambou na frente da bateria e se destacou por uma coreografia que realizava junto a um grupo cênico. Tal feito, provocou uma grande reação do público.
Vários tripés foram levados, com destaque para sambistas ligados à Helena, como Beth Carvalho, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho.

