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Primeiro casal da Em Cima da Hora recebe aval de carlinhos de jesus
Na tarde desta quinta-feira (12), às vésperas do desfile oficial, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Em Cima da Hora, Marlon Flôres e Winnie Lopes, visitou o ilustre Carlinhos de Jesus em seu estúdio de dança, em Copacabana.

A ida foi uma surpresa preparada pela azul e branca de Cavalcanti: apresentar, em primeira mão, o figurino que o casal levará para a Marquês de Sapucaí.
Renomado bailarino e coreógrafo, Carlinhos de Jesus iniciou sua trajetória no mundo do samba ainda criança, como passista da própria Em Cima da Hora. Foi na escola que conquistou seu primeiro Estandarte de Ouro — lembranças que guarda com carinho e que vieram à tona ao reencontrar representantes da agremiação.

“A Em Cima da Hora me ensinou tudo o que sou hoje. Tudo o que aprendi devo a essa escola. Receber o primeiro casal aqui é uma alegria imensa. Ver de perto o figurino que eles levarão para a Avenida me emociona”, afirmou.
Carlinhos não estará presente no desfile deste sábado (14), devido a um compromisso profissional previamente assumido. Ainda assim, garantiu que sua torcida será intensa.

“Tenho certeza de que farão um lindo desfile. A escola está bonita, está com garra. Meu coração estará com eles.”
Com o aval do artista, Marlon e Winnie celebraram o momento especial às vésperas do grande dia.
“É um momento muito importante. Receber o carinho e a validação de alguém com tanta história nos fortalece ainda mais para entrar na Avenida”, destacou o mestre-sala.

Para Winnie Lopes, a bênção tem um significado ainda mais simbólico. “Carlinhos é uma referência no mundo do samba e, para nós, tem um valor especial porque ele nasceu artisticamente aqui. Ele amou o figurino e a nossa dança. Isso nos deixa ainda mais confiantes.”
A Em Cima da Hora será a segunda escola a desfilar no sábado de Carnaval e apresentará o enredo “Salve Todas as Marias – Laroyê Pombagiras”, assinado pelo carnavalesco Rodrigo Almeida.
Série Barracões: Do sonho à artesania, o caminho de Heitor dos Prazeres na Vila Isabel de Bora e Haddad
Ao escutar as palavras de Heitor dos Prazeres, homenageado da Vila Isabel no Carnaval 2026, os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad reconheceram, na obra do multiartista, um princípio estético: o sonho. Esse princípio ganha forma nas técnicas que atravessaram a vida e a arte de Heitor e se traduz no projeto visual que a azul e branco levará à Sapucaí.

Para Bora e Haddad, o sonho não se refere a uma experiência do dormir, mas a um modo de fabular o mundo a partir da vida cotidiana, da festa, da fé e das experiências coletivas. Essa compreensão aproxima a obra de Heitor dos Prazeres da própria lógica das escolas de samba, entendidas como espaço de imaginação compartilhada, celebração da ancestralidade e afirmação da identidade negra.
“Esse sonho que o Heitor pintou e cantou a vida inteira é uma espécie de ‘Kizomba’, o próprio sonho de uma escola de samba: essa união comunitária, esse desejo de celebrar a vida, a alegria e a própria ancestralidade, com suas visões feéricas e invenções tecnológicas”, declarou Bora.
Dessa compreensão do sonho surgem as primeiras imagens do desfile. Nas alegorias, técnicas como a carpintaria, a escultura, a alfaiataria e, sobretudo, a pintura transformam em forma, cor e matéria o universo de Heitor dos Prazeres, anunciando uma Vila Isabel que se quer salpicada de tinta do início ao fim e inaugurando o percurso visual que a escola levará à avenida em 2026.
Abre-alas: Onde o sonho de Heitor começa a tomar forma na Vila Isabel
A primeira imagem do desfile da Vila Isabel em 2026 já tem forma: um abre-alas inspirado nos ranchos carnavalescos que marcaram a infância de Heitor dos Prazeres. Divulgado nas redes sociais nas últimas semanas, o carro apresentou ao público os primeiros sinais do universo visual concebido por Leonardo Bora e Gabriel Haddad e antecipou o caminho plástico que a escola pretende levar à Sapucaí.
Mais do que uma referência histórica, o rancho aparece como porta de entrada simbólica do enredo. Ao retomar a tradição dos cortejos festivos que ocuparam as ruas do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX, a alegoria projeta um cenário de celebração coletiva em que festa, memória e presença negra se afirmam como fundamento da narrativa visual.
“A abertura é um rancho, essa tradição carnavalesca das mais feéricas e iluminadas que temos. Era esse o cenário que o Heitor via quando criança, desfilando nos ranchos, e foi a partir dessa imagem que a gente pensou o abre-alas como um rancho dedicado a Heitor dos Prazeres”, explicou Gabriel Haddad.
No barracão, a alegoria ganha densidade por meio de um trabalho artesanal que envolve diferentes frentes de criação. Escultura, carpintaria, pintura, acabamento e a produção de joias cenográficas constroem uma imagem marcada pela exuberância visual e pelo cuidado com os detalhes, reafirmando a artesania como linguagem fundamental do desfile.
A apresentação do carro ao público também evidenciou a natureza processual do carnaval. “É um trabalho que está sempre sendo avaliado. A alegoria no papel é uma coisa, no barracão é outra, e na avenida é completamente diferente. Mesmo ainda sem os destaques, os efeitos finais, o chassi acoplado, a recepção foi muito generosa e reconheceu o cuidado do trabalho”, afirmou Leonardo Bora.
O carnavalesco destacou ainda a atuação da equipe responsável pela execução da peça, com menção à diretora-chefe Daiane Almeida, ao escultor Max Miller e aos profissionais de ferragem, pintura, carpintaria, vidraçaria e alfaiataria.
As roupas das composições teatralizadas foram desenvolvidas por Rogério Pacheco, em um processo que exigiu modelagem e acabamento rigorosos. “Quando as pessoas percebem esse cuidado, a gente fica muito feliz, porque ele foi pensado com carinho em busca de muito axé para a comunidade da Vila”, completou.
Um desfile salpicado de tinta
A pintura assume protagonismo no projeto visual da Vila Isabel para 2026. Fantasias nascem do gesto manual do pincel, enquanto tripés e partes das alegorias recebem tinta diretamente na madeira, materializando, em cor, superfície e textura, o universo de Heitor dos Prazeres.
A aposta coloca a pintura no centro do projeto visual. Para Leonardo Bora, ela não entra apenas como referência ao artista homenageado, mas como linguagem do próprio desfile: “Ela não é só um tema, ela é forma”, resumiu o carnavalesco.
A partir dessa premissa, Leonardo Bora e Gabriel Haddad trabalham para manter visível o gesto artesanal. Pinceladas aparentes, fantasias pintadas à mão, tripés pintados e superfícies que preservam textura e camadas criam a sensação de um cortejo “salpicado de tinta” do início ao fim.
O azul aparece como fio condutor dessa atmosfera. Recorrente na obra de Heitor e identidade cromática da escola, a cor ajuda a costurar variações de grafismos como listras, xadrez, losangos e bolinhas. “A ideia é construir quase um fundo, como um céu azulado, para que as pessoas possam flutuar na avenida, cantar o samba, brincar”, explicou Bora.
A artesania se estende também à alfaiataria. As fantasias foram desenhadas com redução de volume e maior liberdade de movimento, buscando deixar o componente mais solto para evoluir na pista — uma escolha que dialoga diretamente com as diretrizes mais recentes do regulamento e com a expectativa de uma evolução mais leve.
“A gente reduziu um pouco o tamanho das fantasias para deixar o componente mais solto, mais livre na avenida. Isso já era um desejo nosso e agora também dialoga com o novo regulamento, que passa a observar mais diretamente a leveza e a espontaneidade do desfile”, explicou Haddad.
Na Sapucaí, a promessa é que o público reconheça não apenas a imagem final, mas o próprio modo de fazer: um desfile atravessado pela pintura e salpicado de tinta do primeiro ao último setor, em que forma, cor e gesto manual prolongam, na avenida, o sonho artesanal que estrutura o enredo da Vila Isabel em 2026.
O contágio do samba-enredo
Se a pintura estrutura o campo visual do desfile, é o samba-enredo que vem fazendo a Vila Isabel vibrar coletivamente. Desde as primeiras apresentações na disputa, a obra escolhida pela azul e branco ultrapassou o percurso competitivo tradicional e passou a ser tratada como aclamação da comunidade, instaurando um clima de contágio que atravessou a temporada de ensaios de rua.
Para a dupla, essa resposta imediata revelou a força comunicativa da parceria de André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho. “Foi um samba que explodiu já como concorrente. Desde as primeiras apresentações, a gente sentiu um envolvimento muito forte das pessoas, um samba que mexeu com o emocional, que contagiou a comunidade”, afirmou Haddad.
A repercussão transformou a escolha em experiência coletiva antes mesmo de o desfile ganhar forma plena na avenida.
Parceria, amizade e pesquisa
A parceria entre Leonardo Bora, Gabriel Haddad e o pesquisador Vinícius Natal antecede a própria formação da dupla como assinante de desfiles e se confunde com uma trajetória de amizade construída dentro do carnaval.
“É incrível, porque a nossa amizade com o Vinícius vem antes de a gente começar a trabalhar juntos, antes de a gente começar a assinar desfiles”, lembrou Haddad.
O primeiro encontro aconteceu em 2012, na arquibancada do Desfile das Campeãs, e, já no ano seguinte, o grupo dividia a criação de um carnaval coletivo na Mocidade Unida de Santa Marta, onde conquistou o título.
A convivência seguiu por diferentes experiências, da Sossego à Cubango, onde, em 2019, o enredo “Igbá Cubango, a Alma das Coisas e a Arte dos Milagres” surgiu atravessado pelo sonho.
Para Bora, a presença de Vinícius é estruturante não apenas pela proximidade afetiva, mas pela densidade de sua pesquisa.
“É uma figura fundamental para a compreensão da nossa própria relação. É um amigo com quem a gente troca vivências carnavalescas desde sempre e um pesquisador muito cuidadoso”, afirmou.
No encontro em torno de Heitor dos Prazeres, as investigações seguiram caminhos complementares: enquanto a dupla aprofundava a visualidade e o universo plástico do artista, Vinícius desenvolvia estudos sobre o Heitor sambista, o cidadão do pós-abolição e a expressão da modernidade negra no Rio de Janeiro.
Dessa confluência orgânica de olhares nasceu o enredo da Vila Isabel. Mais do que colaboração pontual, trata-se de uma continuidade construída no tempo, capaz de ampliar a pesquisa e enriquecer a criação.
“Se torna mais rico você desenvolver um enredo a partir de outros olhares”, resumiu Bora.
O processo ainda mobilizou arquivos de familiares de Heitor, instituições de memória e novas parcerias de investigação, em uma pesquisa que a equipe espera ver seguir em desdobramento mesmo depois do carnaval.
Dakar: o sonho encontra a África no último quadro da Vila Isabel
O desfecho do desfile da Vila Isabel se ancora em um encontro que aproxima definitivamente a trajetória da escola da de Heitor dos Prazeres fora do Brasil. Em 1966, ambos participaram do Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, em Dakar. A agremiação apresentou o documentário Nossa Escola de Samba, enquanto Heitor integrou a programação com o filme Heitor dos Prazeres, registro dedicado à sua vida e obra.
Mais do que um episódio biográfico, a passagem pelo Senegal sintetiza o sentido do enredo. Depois de imaginar a África durante décadas em suas obras, Heitor a encontra no mesmo movimento em que a própria Vila Isabel atravessa o Atlântico para exibir sua memória negra.
Ao escolher esse encontro como último quadro, a escola inverte o percurso tradicional dos enredos afro, que costumam partir da África para chegar ao Brasil. Aqui, o caminho nasce no corpo coletivo do samba, na matéria artesanal do desfile e na alegria como gesto de existência, para então alcançar o continente africano não como origem distante, mas como continuidade viva.
É nesse ponto que o sonho retorna — não mais apenas como princípio estético identificado pelos carnavalescos na obra de Heitor dos Prazeres, mas como experiência coletiva que reinventa passado e presente, pintura e avenida, memória e celebração.
Na Sapucaí, a África deixa de ser imagem sonhada para se tornar encontro partilhado — e o sonho, longe de se encerrar, segue desfilando como promessa de comunidade, altivez e alegria negra que a escola insiste em imaginar, ano após ano, em seus carnavais.
Conheça o desfile
5 alegorias
3 tripés
5 setores
27 alas
3.200 componentes
1º Setor — Príncipe Lino
O desfile se abre com a infância de Heitor dos Prazeres entre os ranchos carnavalescos ligados às casas de Tia Ciata e Tio Hilário. O brilho desses cortejos, observado ainda menino, antecipa o artista, o brincante e o sujeito do samba que ele se tornaria.
A alegoria traz balangandãs ampliados e joias de axé como metáfora desse olhar infantil sobre a festa e, ao mesmo tempo, sobre o nascimento do samba na região da Praça XI e da Pedra do Sal.
2º Setor — Ogã-Alagbê Nilu
Ainda jovem, Heitor é iniciado nos terreiros e passa a frequentar especialmente a casa de Tia Ciata, onde se torna ogã, responsável pelos tambores e pelo canto. Nesse espaço, diferentes manifestações culturais — cirandas, jongos, maracatus, cateretês — se encontram, formando o caldo que daria origem ao samba.
Na leitura do enredo, o terreiro se expande como metáfora da própria cidade: a cidade como grande terreiro, onde música, religiosidade e convivência se misturam.
3º Setor — Mano Heitor dos Cavacos
A troca do piano pelo cavaquinho marca a afirmação de Heitor como sambista nos anos 1920. Entre a Festa da Penha, disputas de autoria e circulação pela cidade, ele se consolida como compositor, músico e personagem central do universo do samba.
O setor apresenta também o modo de vida boêmio, a confecção e pintura dos próprios instrumentos, a noite carioca, os cabarés e as paixões que atravessam sua trajetória artística.
Gabriel Haddad relaciona esse percurso ao próprio desenvolvimento do samba:
“Ele cresce vendo os ranchos desfilarem, passa a frequentar os terreiros e entende sua relação com os instrumentos como Ogã-Alagbê Nilu, organizando a música do terreiro de Tia Ciata. Tudo isso vai se misturando até culminar no momento em que ele se torna um grande sambista, conhecido como Mano Heitor.”
4º Setor — Afro-Rei Pierrot
Heitor se afirma como compositor de carnaval, vence o concurso de Zé Espinguela em 1928 e convive com figuras como Paulo da Portela, Cartola e outros fundadores das primeiras escolas de samba.
O setor destaca sua atuação como brincante dos blocos de rua, compositor de marchinhas — entre elas Pierrot Apaixonado, em parceria com Noel Rosa — e personagem influente na formação do carnaval carioca.
5º Setor — Embaixador
O último quadro apresenta Heitor como artista reconhecido além do samba: cenógrafo, figurinista, radialista, compositor de trilhas, participante da primeira Bienal de São Paulo e representante brasileiro no Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, em Dakar.
É nesse ponto que sua trajetória se cruza com a da própria Vila Isabel. Em 1966, ambos chegaram ao Senegal levando seus filmes — Heitor dos Prazeres e Nossa Escola de Samba, registro do carnaval que levou a escola ao Grupo Especial — selando o encontro que encerra o desfile.
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Viviane Araújo retorna como porta-voz de campanha de Carnaval contra o assédio no RJ criada pela NOVA
O Governo do Estado do Rio de Janeiro lança nova campanha de Carnaval focada no combate ao assédio, reforçando o compromisso contínuo com a segurança das mulheres durante a festa. A criação é da agência NOVA, que assina a iniciativa pelo quarto ano consecutivo.

Ancorada no conceito “Não é Não! Respeite a decisão”, a campanha traz novamente Viviane Araújo como porta-voz e protagonista da campanha. Presença constante nas ações dos últimos Carnavais, a atriz, ritmista e Rainha de Bateria reforça a mensagem de que o enfrentamento ao assédio é uma responsabilidade coletiva e permanente.
A comunicação parte do entendimento de que o assédio afasta mulheres da festa, do Carnaval e da vida social. Ao mesmo tempo, evidencia como as políticas públicas de prevenção, proteção, atendimento e investigação contribuem para garantir que elas estejam nesses espaços com segurança e liberdade.

Entre as iniciativas destacadas estão a Patrulha Maria da Penha, que já realizou mais de 370 mil atendimentos; o aplicativo Rede Mulher, com mais de 150 mil downloads; o Protocolo Não é Não, que já capacitou mais de 15 mil profissionais de estabelecimentos comerciais; e as Delegacias da Mulher, responsáveis por mais de 115 mil casos investigados em todo o estado.
Uma das mensagens centrais de Viviane Araújo na campanha reforça que o Rio de Janeiro conta com decreto estadual contra o assédio em estabelecimentos comerciais, por meio do Protocolo Não é Não. No lettering das peças, o destaque é claro: “Mais de 15 mil profissionais capacitados”.
A campanha também amplia o conhecimento da população sobre os canais de apoio e denúncia, com o chamado direto: “Ligue 190. Baixe o app Rede Mulher.”

Com foco na conscientização e na mobilização social, a iniciativa reforça que informar, proteger e apoiar não é apenas papel do poder público, mas de toda a sociedade. O mote final, dito por Viviane Araújo, sintetiza a mensagem: “Não é Não. Respeite a decisão”.
A campanha conta com filmes nas versões de 60” e 30”, spots e testemunhais de rádio, anúncios em revista e jornal, peças digitais e mídia exterior (OOH e DOOH), garantindo ampla cobertura durante o período carnavalesco em todo o estado do Rio de Janeiro.
Série Barracões: Rosas de Ouro aposta em astrologia no Carnaval 2026
A Rosas de Ouro chega ao Carnaval 2026 apostando em uma viagem pelo universo da astrologia com o enredo “Escrito nas Estrelas”. Depois de conquistar o título no último carnaval, a escola da Brasilândia chega embalada e promete levar para a avenida uma narrativa que atravessa a criação do cosmos até o momento em que a humanidade passa a se orientar pelos astros como forma de compreender o mundo e o próprio destino.
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O projeto está nas mãos do carnavalesco Fábio Ricardo, que traz no currículo uma formação construída no carnaval do Rio de Janeiro. Antes de assumir a autoria de desfiles, ele atuou como assistente de Joãozinho Trinta e Max Lopes, dois nomes centrais da história do carnaval carioca. A estreia como carnavalesco veio em 2008, na Acadêmicos da Rocinha, e, desde então, o artista passou por escolas como São Clemente, Grande Rio, Império Serrano, Mocidade Independente de Padre Miguel e, no último carnaval, pela Unidos de Vila Maria.
A agremiação será a quinta a desfilar na sexta-feira de carnaval, na abertura dos desfiles do Grupo Especial de São Paulo.
Entenda o desfile
O enredo “Escrito nas Estrelas” propõe um percurso que vai da criação do universo à relação das civilizações com os astros. A narrativa começa com a expansão do cosmos, passa pela formação das estrelas e pela construção simbólica das grandes civilizações guiadas pelo céu, até chegar a uma reflexão espiritual sobre a Era de Aquário e os rumos da humanidade.
Durante visita do CARNAVALESCO ao barracão da escola, o carnavalesco Fabinho destacou o processo intenso de criação e a busca por fundamento para tratar do tema.

“Eu falei para eles que, para falar desse enredo, a gente precisava ter fundamento. Receber e devolver energia, como o universo faz. O que você emana para o universo, ele devolve para você. A escola precisava estar aberta para receber isso. Eu trabalho muito com essa questão de energia. Aos 50 anos, comecei a equilibrar isso, que é fundamental para qualquer artista que lida com o público e com a comunidade. Esse enredo foi tão energético que eu levei cinco meses em processo criativo, de segunda a segunda, das nove da manhã até, às vezes, três da manhã, junto com a equipe. Foi um processo de conexão muito forte, de estudo e entrega”, lembrou Fabinho.
Setor 1
A abertura mergulha no imaginário da criação do universo e no nascimento simbólico da constelação Rosa de Ouro. A proposta é apresentar o cosmos como origem de tudo, com a Terra surgindo como um grande santuário, espaço de acolhimento da vida.

“O enredo começa com a expansão do universo. A gente cria, no nosso imaginário, a constelação Rosa de Ouro. Dessa constelação vem uma nave que percorre o universo, resgatando e semeando. Essa semente chega à Terra, que é o nosso grande santuário. A comissão de frente é um tributo ao universo, com um tripé em movimento, porque o universo está sempre em movimento. A escola não pede nada ao universo; a escola oferece um presente ao universo. O casal de mestre-sala e porta-bandeira representa a formação da vida, com o hidrogênio e o hélio, que são a base de tudo o que conhecemos no universo”, explicou Fábio.
Setor 2
Na sequência, o desfile apresenta o nascimento das estrelas e das constelações e faz a ponte com as civilizações que, ao longo da história, passaram a olhar para o céu como guia de conhecimento e organização do mundo.
“Depois, a gente entra no setor da nebulosa, o berço das estrelas, de onde nascem planetas e elementos de vida. O abre-alas traz constelações como Sírius, Órion, Lira e Pégaso. Em seguida, vem o setor de Atlântida, a civilização matriz, que teria vindo das estrelas para cuidar da Terra. Os sábios se espalharam pelo mundo para transmitir o conhecimento, dando origem a civilizações como Suméria, Egito, Grécia, Índia e os maias, cada uma com sua missão, sempre guiadas pelos astros”, pontuou o carnavalesco.
Setor 3
O terceiro setor avança para o campo do pensamento humano, reunindo ciência, astrologia e simbolismos que ajudaram a construir a forma como o homem interpreta o céu e o próprio destino.

“No terceiro setor, entram os grandes pensadores da astronomia e da astrologia: Ptolomeu, Copérnico, Galileu, além de referências como Nostradamus. A gente também traz o tarô, com cartas como a estrela, a lua, o mundo, a roda da fortuna e até o diabo, com uma leitura simbólica e humana. Cada planeta tem um pensador diferente encenando ali”, disse Fabinho.
Encerramento
O desfile se encerra com uma leitura espiritual e contemporânea da Era de Aquário, propondo uma reflexão sobre consciência coletiva, sustentabilidade e mudança de postura da humanidade diante do mundo.
“No último setor, a gente fala da Era de Aquário. Aquário traz sustentabilidade, consciência coletiva, igualdade, amor ao próximo e espiritualidade. Diferentemente da Era de Peixes, em que se buscava um salvador fora, Aquário propõe olhar para dentro. A gente encerra com a figura de Aquário banhando tudo com sua ânfora, trazendo a luz de Aquário para a escola, para a arquibancada e para todos que estiverem presentes”, finalizou Fabinho.
Marcelo Freixo defende investimento público no carnaval e destaca força internacional da Sapucaí em entrevista ao CARNAVALESCO
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, concedeu entrevista ao CARNAVALESCO e abordou a importância do Carnaval do Rio para o turismo nacional, o debate sobre investimento público nas escolas de samba, o enredo da escola de Niterói sobre o presidente Lula e a possibilidade de apoio para que o Paraíso do Tuiuti construa sua quadra.

‘O Carnaval do Rio é o mais internacional dos carnavais’
Ao falar sobre a relevância do Carnaval carioca para o turismo brasileiro, Freixo foi enfático ao destacar a dimensão global do espetáculo apresentado na Marquês de Sapucaí.
“A importância do carnaval do Rio para o turismo brasileiro é gigantesca. Existem carnavais incríveis no Brasil. O Carnaval de BH é maravilhoso, o Carnaval de Minas Gerais é inteiro, o Carnaval da Bahia, o Carnaval do Recife, o que é Olinda, né? Tem carnavais por todo o Brasil que são incríveis, mas o Carnaval do Rio é o mais internacional dos carnavais. É um carnaval assistido por 160 países que assistem ao desfile. Não estou nem falando do carnaval de rua, estou falando do desfile da Sapucaí”, afirmou.
Freixo ressaltou ainda a grandiosidade artística e o impacto econômico da festa. “As escolas de samba representam um espetáculo que é muito difícil você ter alguma coisa parecida em qualquer época do ano, em qualquer lugar do mundo. São três dias de um espetáculo muito esplendoroso, de muito luxo, de muito trabalho, é de muito significado para uma cidade, de quem faz aquela festa. É muito importante a gente promover o Brasil a partir da festa, da alegria, da geração de emprego”.
Ele citou o volume de trabalhadores envolvidos na produção dos desfiles: “Cada barracão hoje da escola de São Paulo tem 250 pessoas trabalhando. É muito trabalho que tem por trás de cada carro alegórico, de cada fantasia. É muito importante a gente promover o Brasil através da maior festa do mundo, que é o carnaval”.
Investimento público e crescimento recorde do turismo
Questionado sobre críticas ao apoio financeiro do poder público às escolas de samba, o presidente da Embratur afirmou que vê “oportunismo” nas contestações.
“Não sei se é preconceito, eu acho que tem um certo oportunismo, de quem é da oposição, de querer dizer que não pode, enfim, é papel da oposição. Mas a gente tem muita clareza de que a Prefeitura está correta quando investe dinheiro no Carnaval, o governo do Estado está correto e o governo federal também”.
Freixo detalhou os aportes realizados. “A Prefeitura investiu 24 milhões, o governo do Estado investiu 40 milhões, nós investimos 12, porque, claro, a gente tem o Brasil inteiro. Mas é muito importante patrocinar o Carnaval porque o mundo hoje está buscando ser feliz. As pessoas, quando viajam, estão buscando um sentido da vida. E o Brasil está oferecendo isso”.
Ele relacionou o investimento à performance do país no cenário internacional. “O Brasil foi o país que mais cresceu no turismo internacional. Em 25, o Brasil cresceu 37%. O segundo país que mais cresceu foi o Egito, cresceu 20%. O Brasil foi o país que mais cresceu no recebimento de turistas estrangeiros no mundo. Isso tem a ver com a nossa festa, com a nossa cultura, com a nossa capacidade de receber a gente do mundo inteiro sem preconceito. Alguns países o número de turistas caiu, o nosso aumentou e aumentou 37%”.
Enredo sobre Lula e liberdade das escolas
Sobre o desfile da escola de Niterói com enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Freixo afirmou que o chefe do Executivo assistirá às apresentações de domingo, mas negou qualquer interferência do governo no tema escolhido.
“O presidente Lula vai assistir a todas as escolas do domingo, entre elas a de Niterói. O enredo é uma escolha da própria escola. As escolas têm liberdade da escolha do seu enredo. O presidente Lula é um personagem da história que merece ser o enredo, sem dúvida alguma, e essa foi a escolha de Niterói”.
Ele reforçou que não há participação do governo na definição temática. “Nós não temos envolvimento com o enredo, não temos envolvimento com o tema e nem podemos ter.”
Questionado se o desfile poderia ser interpretado como propaganda eleitoral, respondeu: “Não, porque não é algo do governo. É algo de uma escola de samba. Cada escola de samba tem a liberdade de escolher o seu enredo e colocar na avenida. O patrocínio é para todas as escolas igualmente. É um patrocínio para o Carnaval, no mesmo valor que foi no ano passado e que eu espero que seja no ano que vem. Não há nenhuma distinção conforme o enredo de uma escola nem outra. Nem para mais, nem para menos. A responsabilidade do enredo é da escola, não é nossa”.
Apoio à quadra do Paraíso do Tuiuti
Ao final, Freixo comentou a situação do Paraíso do Tuiuti, que ainda não possui quadra própria.
“É fundamental. Eu já cobrei isso de Eduardo. A Tuiuti é uma escola que tem um trabalho incrível, não tem quadra. Eles têm até um terreno doado pela prefeitura, mas ou eles fazem o carnaval, ou eles fazem a quadra. A prefeitura corretamente ajudou o início da Tijuca, e houve um pedido meu, junto com o Thor, Renato Thor, que é o presidente da Tuiuti, para que a prefeitura também ajudasse a Tuiuti”.
Segundo ele, há compromisso do poder municipal. “A prefeitura se comprometeu a ajudar, e eu acho que é muito justo. É uma escola que tem um trabalho incrível, um trabalho social incrível, e tem que ter uma quadra. É bom para o Rio”.
Rio Carnaval 2026 aberto! Rei Momo recebe chave da cidade e Paes diz: ‘não há nada que represente mais o espírito desta cidade do que o carnaval carioca’
Por Maria Estela Costa e Matheus Morais
Ao entregar, de forma simbólica, a chave da cidade ao Rei Momo Danilo Vieira, o prefeito Eduardo Paes e o vice-prefeito Eduardo Cavaliere inauguram, na manhã desta sexta-feira, o carnaval de 2026 no Rio, dando início ao reinado da corte carnavalesca deste ano. A cerimônia de oficialização da folia no Rio contou com a presença de toda a Corte Real, no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul do município.
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“Para mim, é uma honra, pela décima quarta vez, entregar a chave da cidade ao Rei Momo, e a sua corte. Conclamamos a todos os cariocas e aos que nos visitam a receberem o nosso espírito festivo, a nossa alegria, e que aproveitem cada instante. Não deixem de se divertirem um minuto sequer. O Rio de Janeiro é uma experiência de vida, um estado de espírito, e não há nada que represente mais o espírito desta cidade do que o carnaval carioca. Se divirtam, mas com responsabilidade”, afirmou o prefeito Eduardo Paes.
O Rei Momo, Danilo Vieira, comemorou. “É com muita gratidão, com muita honra, que eu venho agradecer à prefeitura do Rio de Janeiro por essa oportunidade de poder representar todos os foliões. Declaro, agora, oficialmente, aberto o Carnaval do Rio de Janeiro de 2026”, disse Vieira.
A cerimônia também contou com apresentações da bateria da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, campeã do Carnaval do ano passado, e da banda da Guarda Municipal do Rio. O presidente da Riotur, Bernardo Fellows, afirmou que o Carnaval está diretamente ligado à forma como o Rio construiu sua identidade e força.

“Esse é um evento de suma importância para o Carnaval e para a cultura carioca. O período está diretamente ligado à forma como o Rio construiu sua identidade. Oficialmente, abrimos o carnaval do Rio e celebramos esse momento de folia e realizações, que valoriza nossas raízes e mantém viva a tradição cultural que faz do Rio a capital mundial do Carnaval”, afirmou Fellows.
Além do Rei Momo, estiveram presentes na cerimônia Tia Surica; a Rainha do Carnaval 2026, Caroline Xavier; as Princesas Samara Trindade e Luana Fernandes; e a Corte LGBT+ do carnaval, composta pelo muso John Sorriso; pela musa Viviane Carvalho; e também pela cidadã não-bináriaWend.
















































