A Vila Isabel, que apostou na reedição de “Gbalá – Viagem ao templo da criação”, ficou em sexto lugar no Carnaval 2024. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente, Luiz Guimarães, fez uma análise do desempenho da escola neste carnaval, comentou sobre os desafios enfrentados durante a apresentação, destacando a situação do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, cuja performance foi prejudicada devido à falta de luz em determinado momento do desfile, além de compartilhar os planos da agremiação para o próximo ano. Mesmo diante das adversidades enfrentadas em 2024, a Vila Isabel já está em processo de planejamento para o enredo de 2025, demonstrando determinação e comprometimento com a continuidade do seu legado no Carnaval carioca.
“Achei o carnaval no mais alto nível possível de uma maneira geral e está mostrando a força do investimento que cada escola está recebendo e está fazendo um bom uso para poder estar sempre melhorando. E a Vila Isabel, mais um ano veio nas campeãs, obviamente não foi o que a gente queria, que era buscar o campeonato, ou então estar perto, mas ajustes foram feitos para o ano que vem a gente poder estar brigando nas cabeças ali novamente”, comentou o presidente Luiz Guimarães.
Questionado sobre ter surpreendido a todos com a renovação de toda a equipe da escola antes do desfile, o presidente Luiz Guimarães contou como chegou nessa decisão: “Eu tomei essa decisão não baseada no resultado até porque eu não sabia ainda o que ia ser do desfile em si, mas acreditando muito na equipe de carnaval, justamente por isso eu fiz esse movimento de anunciar antes, pela credibilidade que eles me passam e por todo trabalho feito pela união que a gente tem, pela qualidade que todos eles têm e eu vejo o trabalho sendo feito da melhor maneira possível, eu não poderia não fazer esse gesto de renovar antes até para dar uma tranquilidade, uma segurança para eles”.
Foto: Maria Clara Marcelo/CARNAVALESCO
No Carnaval de 2024, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Siqueira e Cris Caldas, não conseguiu atingir o gabarito desejado. Durante o desfile, o casal optou por mais um ano de risco e inovação, incorporando em suas fantasias leds que combinavam com os efeitos de iluminação da Marquês de Sapucaí. No entanto, os jurados decidiram descontar alguns décimos da pontuação, justificando que a dança do casal se tornou difícil de visualizar devido às luzes de led.
“A gente buscou inovar, acabou tendo um pequeno delay entre a luz e o início da apresentação, acabou que eles começaram a se apresentar no escuro, que não seria isso no caso e acabou o jurado enxergando isso de maneira negativa e está tudo certo, faz parte, a gente buscou arriscar e quem arrisca está sujeito a dá certo ou dá errado, mas ano que vem a gente vem de uma maneira diferente para poder entrar nos nove quesitos e sair buscando o título”, desabafou Luiz.
Sobre o enredo para o Carnaval de 2025, o presidente Luiz Guimarães revelou: “Ainda não tem nada definido, a gente ainda tem mais um mês e pouco para poder definir isso. Estamos entre dois, três caminhos ainda, a gente está estudando muito para saber a melhor decisão, porque o Paulo preza muito pelo plástico visual e a gente também preza muito por um bom enredo. Vamos casar isso da melhor maneira possível, tem que ser uma decisão muito acertada, estou pensando, não tomamos a decisão, estamos tendo reuniões constantes diárias, semanalmente, para poder anunciar na maneira certa e tomar a decisão acertada também”.
A Unidos de Padre Miguel está se preparando para sua estreia no Grupo Especial em 2025. Para garantir um desfile marcante e a permanência na elite do Carnaval Carioca, a escola está recebendo o apoio de dois experientes enredistas: Clark Mangabeira e Victor Marques. Os novos contratados, trarão todo o seu conhecimento e paixão pelo carnaval para auxiliar a dupla de carnavalescos, Alexandre Louzada e Lucas Milato, na pesquisa e desenvolvimento do próximo enredo
“Estamos muito felizes com a chegada de Clark e Victor na escola. Temos certeza de que eles irão contribuir muito para que tenhamos um enredo incrível para nossa estreia no Grupo Especial em 2025”, disse o diretor de carnaval, Cícero Costa.
Victor possui mestrado em Antropologia Social pela UFMT e está atualmente cursando doutorado em Estudos de Cultura Contemporânea. Clark é mestre em Ciências Sociais pela UERJ, doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ e pós-doutor em Artes Visuais.
Ambos são coautores do livro “Assombros e Enredos”, uma obra que explora as raízes do carnaval brasileiro. Além disso, juntos, escreveram o enredo da Unidos de Padre Miguel em 2022, intitulado “Iroko – é tempo de xirê!”, e contribuíram com enredos para outras escolas de samba renomadas, como Unidos de Vila Isabel, Mocidade Alegre, Unidos do Viradouro, entre outras.
A apresentação da equipe completa para 2025 ocorrerá no próximo dia 23 de abril, durante a feijoada de São Jorge, na quadra de ensaios da escola.
Este artigo deseja pormenorizar uma atividade em meio aos desfiles das Escolas de Samba na Marquês de Sapucaí, da qual tornou-se uma missão hereditária, em respeito à ancestralidade recente, cuja, ainda ocorre, há mais de meio século, em um espaço de pertencimento natural, a partir da figura lendária de José Geraldo de Jesus (1920-1997), o Candonga. Segundo o jornalista José Luís Azevedo eex-funcionário da Riotur, os jornalistas tinham um local de encontro, ali na rua Salvador de Sá, rua que cruza a Marquês de Sapucaí ou Passarela do Samba.
De fato, bem no local onde ficava a cabine da TV Globo e TV Manchete, José Luís Azevedo relata, emocionado, que assistia do seu local de encontro de jornalistas e comentaristas como: José Carlos Rego, Albino Pinheiro, Fernando Pamplona, Manoel Alves, Darcy Moreira, enfim, os jornalistas que atuavam na transmissão do Carnaval da cidade. Esses jornalistas presenciaram acontecimentos maravilhosos na Marquês de Sapucaí, esses acontecimentos ou novidades, não foram escritos, eram divulgados entre eles, ou no mundo do samba. Um desses relatos, talvez o mais interessante, era sobre a presença de um funcionário da Riotur, apaixonado pelas Escolas de Samba e pelas baterias das Escolas de Samba, José Geraldo de Jesus, o Candonga, como era chamado, que estacionava seu próprio carro, no cantinho do segundo recuo das baterias. Esse manejo de Candonga já era conhecido bem antes dos desfiles serem realizados na Sapucaí, na verdade, é desde a avenida Presidente Vargas, ou mesmo na avenida Antônio Carlos, onde o sambista, por sua comodidade, estacionava dentro da Passarela do Samba.
A partir de 1984, com a construção em cimento armado da passarela do samba, o segundo recuo das baterias ganhou notoriedade singular. Para o jornalista Haroldo Costa, amigo pessoal de Candonga, ali tornou-se “o Feudo do Candonga”. De fato, sobre o Mestre Candonga, precisa-se de um livro inteiro para relatar sua vida, da qual merece ser apresentado ao público.
Leda Maria Martins teria argumentos acadêmicos para pontuar Mestre Candonga, em sua “Afrografias da Memória”. Com efeito, Mestre Candonga nasceu em Santo Estevão, na Bahia, em 05 de dezembro de 1920. José Geraldo de Jesus veio para o Rio de Janeiro com 13 anos de idade, sem nada nas mãos, tentar a sorte na cidade do Rio, e foi morar no bairro do Estácio.
Candonga, ainda muito jovem, reconhece a vida boêmia efervescente e mundana que o cercava. Escolhe a Marinha do Brasil para servir à pátria e torna-se marinheiro foguista de caldeira de navio, e logo em seguida é designado para trabalhar no Palácio do Catete, tornando-se homem de confiança do Presidente Getúlio Vargas.
Sua adoração pelo samba aproximou Mestre Candonga do Jogo do Bicho e da contravenção, chegando a trabalhar para a mãe de Castor de Andrade, seu futuro padrinho de casamento com Dona Aparecida de Jesus. Esses relatos foram colhidos do próprio Candonga. Mestre Candonga amava incondicionalmente o Carnaval, sobretudo as Escolas de Samba. Ele era a figura marcante na Passarela do Samba, e seus 160 quilos, vigor físico adquirido quando jovem nas lutas de boxe, junto à academia do seu amigo Santa Rosa – aliás, foi Santa Rosa que o apelidou de Candonga. José Luís Azevedoassevera em conversa, com requintes de detalhes, o domínio espacial de Candonga na Sapucaí, e sua relação com todas as Escolas de Samba, principalmente as gigantescas baterias e seus ritmistas.
Foto: Instituto Cultural Candonga
Após a morte do jornalista Darcy Moreira, a LIESA cria a sala de imprensa Darcy Moreira, no Setor 1, onde o grupo de jornalistas que antes reunia-se à frente do segundo recuo de baterias, passa a frequentar a sala de imprensa na Sapucaí. No entanto, todos os jornalistas, fotógrafos, políticos e outros credenciados para permanecerem na pista de desfiles, sabiam que Candonga guardava em seu porta-malas do seu carro estacionado dentro da Sapucaí, algumas cervejas, muita água para os seus ritmistas e uma bebida especial chamada Cravo Escarlate, que, segundo o Candonga, era uma bebida afrodisíaca. A história que ele contava é que seu bisavô era reprodutor escravo de senzala e como trabalhava na fazenda de cana de açúcar, sua função era de reprodutor, ou seja, gerava filhos para trabalhar na fazenda. Candonga contou que seu bisavô africano conhecia as ervas da mata, reuniu algumas ervas e as mergulhou em algo semelhante a aguardente. Esta mistura de ervas foi deixada descansando por algum tempo em infusão, e assim ele criou um tônico especial. O reprodutor bebia este tônico regularmente para manter-se ativo sexualmente e reproduzir. Segundo Candonga, este bisavô escravo teria mais de 120 filhos. Ele mesmo mestre Candonga dizia ao vento que tinha 47 filhos.
Os dirigentes das Escolas de Samba, assistindo o desenvolvimento dos ritmistas após beberem da água servida por Candonga, resolveram também parar com suas baterias à frente da TV Globo e TV Manchete, ou melhor, no segundo recuo das baterias, para receberem a água de Candonga. Em seguida, além de pararem suas baterias de suas Escolas de Samba, passaram a conduzi-las para dentro do espaço vazio entre os setores 09 e 11, também estacionamento do carro do Mestre Candonga. O chamado recuo das baterias, nasceu através da ação humanitária de Candonga em servir água na boca dos ritmistas.
Segundo o jornalista José Luís Azevedo, que teve várias funções no Sambódromo, além de diretor de operações da Riotur, não há no regulamento da Liesa, qualquer menção de obrigatoriedade em adentrar com as baterias das Escolas de Samba, no chamado recuo das baterias, ou atualmente reconhecido como Espaço Candonga. Entenda-se sobre a ação, de servir água na boca dos ritmistas, esses artistas, batuqueiros ou percussionistas, marcando o ritmo contagiante das Escolas de Samba, que não podem parar de tocar seus instrumentos. Assim Candonga servia na boca de cada ritmista. Foi ideia do Mestre Candonga, que começou com a sua Portela, com a finalidade de dar uma sobrevida a todos os ritmistas, e que depois passou a servir a todos os ritmistas de todas as Escolas de Samba desfilando na Passarela do Samba Darcy Ribeiro ou Marquês de Sapucaí.
Mestre Candonga também era o Guardião da Chave da Cidade; em algum tempo remoto, o ex-segurança de Getúlio Vargas, criou uma chave de um artefato de madeira de um metro e meio e o cobriu de lantejoulas para simbolicamente abrir o Carnaval da Cidade. Criou uma chave, que seria para sempre a Chave da Cidade para uso no Carnaval no Rio de Janeiro. Candonga, sem saber, imortalizou esta cerimônia, que acontece em todo o Brasil. O prefeito recebe a Chave da Cidade e entrega ao Rei Momo para este, dar início ao Carnaval da Cidade. Os jornalistas Sérgio Cabral, Albino Pinheiro, Ferdi Carneiro, João Ubaldo Ribeiro, Fernando Pamplona, Ricardo Cravo Albin, enfim, um grupo seleto de amigos, todos entusiastas do Samba e do Carnaval do Rio, e em plena ditadura militar, ajudaram Mestre Candonga com esta ação. Candonga resolveu criar a chave, na premissa que o Carnaval da Cidade era aberto, mas não tinha uma chave. Maria Cristina Silva de Jesus (1959-2021) deixou em depoimento no documentário “Candonga, Cravo e Passarela”, da Boni Comunicações, ao asseverar que Candonga percebeu que sempre sumiram com a chave, assim resolveu, ele mesmo, fazer uma chave, que tomou para si a responsabilidade de guardá-la para o próximo Carnaval. E, desde então, esta cerimônia acontece há muitos anos, tendo iniciado em 1964 – exatamente no início da ditadura militar no Brasil.
Candonga não está mais entre nós. Esse baiano de Santo Estevão faleceu em 27 de março de 1998, no entanto, o ethos deixado como legado das ações absolutamente simples de Candonga, este afrodescendente, suscita reconhecer esses símbolos orientados por Maria Leda Martins, como sendo ecos da “Afrografia da Memória”, acentuadamente, intrínseca tanto no contar e repassar essas verdadeiras histórias, desenvolvidas na oratória, ano após ano, concebidos com tamanha beleza estética coloridas, fortes culturais.
O raciocínio sobre os códigos e o ethos estão impregnados não apenas na figura mítica de José Geraldo de Jesus – o Candonga -, mas também nas suas ações culturais, além de todo universo espacial que a Sapucaí congraça. A alta capacidade do povo preto, trazido forçosamente para o Brasil, e estabelecer a alteridade, envolvendo-se na cultura dos povos tradicionais e caucasiana, tornou a etnia preta empoderada culturalmente na sua densa historiografia. O poder de ajustamento negro, o uso sistemático da alteridade, o pertencimento, suscita o surgimento de outras Culturas, fortalecendo as etnias e sua história. A mistura étnica ajudou a desenvolver nuances de outras culturas, sociais e de fato, de aspecto comportamental.
O fenômeno ocorrido nas Américas no encontro das três etnias foi marcado por violências brutais. No entanto, fato histórico relevante, agravado pelo rentável comércio escravo, que perdurou por três séculos no Brasil. Com efeito, a violenta intromissão do conquistador, a fatalidade da diáspora africana e logo após a tentativa do aniquilamento da outra cultura, mitigou o desenvolvimento da rica cultura brasileira. Ainda assim, histórias reais vividas no campo santo Apoteose, na rua Marquês de Sapucaí, confirmam a necessidade de se estudar a relação memória, resistência e o pertencimento, assim como o poder da textualidade oral afro-brasileira, de fato, espaços preservados na memória, no entanto, também construídos fisicamente e no inconsciente da ancestralidade preta. Candonga, além de sambista, foi um mensageiro de intuições do passado, não escritas, não lidas, um ator que desempenhou seu papel na rica construção do conhecimento, embora não científico, porém de aspecto epistemológico, intrínseco em cada movimento cultural, ele assume, inconscientemente ou não, com extrema felicidade a harmonia de ser negro.
Ao concluir, torna-se muito importante a preservação desses locais, movimentos ou temas culturais, que fazem parte da nossa Cultura. O Espaço Candonga é apenas um pedacinho de chão na Marquês de Sapucaí, protegido por fazer parte do grande palco, do maior espetáculo do planeta Terra. No entanto, de enorme teor cultural, antropológico, histórico, de pertencimento, de inclusão, representante vivo do ethos brasileiro.
O Espaço Candonga nasceu do amor incondicional de um sambista, loucamente apaixonado pela sua cultura, reverenciado por todos que beberam e até hoje bebem de sua água, mas também, por qualquer um do povo, que é servido pela cultura gerada naquele espaço. Portanto,Candonga, sua Caravan laranja, seu Cravo Escarlate, sua Chave da Cidade, são símbolos muito importantes, intocáveis, imutáveis, da afrografia da nossa memória.
Sérgio Firmino [email protected]
@sergioalmeidafirmino
Assessor Especial de Economia Criativa do Carnaval pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.
Presidente da Federação da Indústria Criativa Cultural do Carnaval do Estado do Rio de Janeiro – FICCCERJ.
Diretor Conselheiro Pró Bono do Instituto Cultural Cravo Albin.
Agradecimentos: aos jornalistas José Luiz Azevedo, Haroldo Costa e Ricardo Cravo Albin.
Referências
Martins, leda Maria (1997). “Afrografias da Memória: O Reinado do Rosário do Jatobá”. São Paulo: Perspectiva Belo Horizonte: Mazza Edições 1997 (coleção perspectiva).
Sodré, Muniz (1942).“A Verdade Seduzida”. Rio de Janeiro. DP&A 2005, 3ª Edição.
Sodré, Muniz (1942). “Samba, O Dono do Corpo”. 2ª Edição, Rio de Janeiro (1998).
Araújo, Hiram (1991): “Memórias do Carnaval”, Rio de Janeiro: Oficina do Livro, Carnaval-História- 2 Rio de Janeiro (Cidade) Escolas de Samba – História.
Leopoldina, J. S. (1978). “Escola de Samba, Ritual e Sociedade”. Petrópolis: Vozes.
Pamplona, Fernando (2013). “O Encarnado e o Branco”. Nova Terra.
A Imperatriz Leopoldinense divulgou, nesta segunda-feira, o título de seu próximo enredo: “ÓMI TÚTÚ AO OLÚFON – Água fresca para o senhor de Ifón”. Depois de 46 anos, a Rainha de Ramos volta a abordar a temática afro-religiosa ligada à mitologia dos orixás como eixo principal. O último desfile leopoldinense tendo um orixá como protagonista foi em 1979, com a lenda de Oxumaré, assinado por Mário Barcellos e Caetano Costa.
Agora, sob o comando de Leandro Vieira, a escola apresenta o mito iorubá (itã) que narra ida de Oxalá ao reino de Xangô. No descortinar da história, o artista vai abordar as intercorrências do percurso e os desdobramentos religiosos que ainda hoje são realizados em reverência ao orixá “Deus da Criação” em função do conteúdo expresso no itã.
O desejo de fazer uma Imperatriz Leopoldinense de contornos estéticos africanizados é uma antiga vontade do carnavalesco, que pensou em dedicar-se ao tema já em sua estreia na escola, em 2023. Na ocasião, optou pela literatura de cordel, na saga de Lampião em busca de morada no céu ou no inferno. O desfile rendeu o título de campeã do carnaval carioca após 22 anos de jejum. Vice-campeão com a cigana Esmeralda no último Carnaval, o artista se mostra animado com o trabalho rumo a 2025.
Arte: Antonio Vieira/Divulgação
“Esse enredo é um antigo desejo meu. E na Imperatriz pude encontrar um terreno fértil nos anseios de meus parceiros de trabalho e nos desejos da comunidade que sempre que podiam me pediam essa Imperatriz mergulhada num ambiente de sonoridade e visualidade preta. Tá sendo feliz pra mim e pra eles. Isso faz toda a diferença”, conta Leandro.
O carnavalesco destaca ainda a vibração dos companheiros de trabalho após a escolha do enredo.
“Vi a ideia ser recebida com muito entusiasmo de todos, da presidência aos meus companheiros de jornada, e especialmente a comunidade. Não à toa, diante de tanto entusiasmo coletivo, os desenhos estão adiantados, a setorização do desfile tá concluída, a sinopse em vias de ser finalizada e as alegorias do último desfile já estão sendo desmontadas no barracão que já se estrutura para pensar aquilo que virá”, revela o carnavalesco.
O Paraíso do Tuiuti anunciou na última sexta-feira, data do aniversário da agremiação, o enredo para o Carnaval de 2025: “Quem tem medo de Xica Manicongo?”, sobre a primeira travesti não-indígena do Brasil. O carnavalesco Jack Vasconcelos, em conversa com o CARNAVALESCO, contou um pouco mais sobre o enredo. Ele ressaltou a importancia do tema chamar atenção da sociedade, através da repercussão que o enredo teve nas redes.
“Eu estou muito feliz, não é só pela repercussão, eu estou feliz porque a gente está conseguindo chamar atenção para o que a gente quer de verdade que é a questão da cidadania trans, do respeito. A gente tem uma agenda que quer muito contribuir. Chamar atenção para isso é o que vale mais. É claro que a gente fica feliz, porque é o nosso enredo, está furando as bolhas como se diz, mas eu acho que o mais importante é o que a discussão leva com ela”.
Jack também contou sobre como o enredo chegou até ele, através da pesquisa para outro enredo, dando como exemplo o enredo sobre a Rainha Njinga no Império da Tijica em 2008: “Eu tive acesso a essa história da Xica dentro de uma pesquisa que eu estava fazendo para outro enredo. Isso já tinha acontecido comigo outras vezes, isso aconteceu quando eu fiz a Rainha Njinga para o Império da Tijuca. Às vezes um personagem ou alguma passagem histórica elas se apresentam para a gente no meio de uma pesquisa que não tem necessariamente a ver com ela. Eu guardei para mim e falei: ‘vou prestar atenção e vou correr atrás’. Passei alguns anos recolhendo o material de pesquisa, vendo que muitas pessoas já estavam escrevendo sobre elas, fazendo teses. O texto que eu tive acesso primeiro foi do professor Luiz Mott que pesquisa muito profundamente a questão da perseguição a pessoas LGBTs no período da santa inquisição no Brasil. Eu dei de cara com esse texto dele falando do Francisco Manicongo que consta na Torre do Tombo em Portugal e eu achei essa história fantástica e falei: ‘isso pode virar um bom enredo, uma boa coisa para carnaval’. Fui vendo que isso dá gancho para um monte de outras coisas, um enredo de escola de samba eu acho que ele é o anzol, mas ele traz um peixão muito grande junto com ele”.
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO
O artista contou sobre o privilégio de poder, através de Xica Manicongo, homenagear muitas pessoas trans que fazem e que fizeram parte da história do carnaval e do país, destacando as questões sociais do tema:
“Primeiro eu me sinto um privilegiado de poder homenagear as pessoas que ajudaram a erguer a história do desfile das escolas de samba. Nós temos pessoas trans que trabalham em carnaval, que fizeram carnaval desde os primórdios e a gente trabalha com várias Chicas durante o ano, a gente vê elas aqui na Cidade do Samba, por que não homenageá-las? Por que elas não são merecedoras de foco, de luz, de homenagem mesmo? Somos gratos ao trabalho, a dedicação e ao amor que elas tem ao carnaval, ao samba. Para mim é uma oportunidade muito grande de homenagear essas pessoas que a gente deve tanto. Fora que o Brasil já está pelo décimo terceiro ano encabeçando a lista de países que mais matam pessoas trans no mundo, a gente tem que fazer alguma coisa. É uma coisa que a gente não deve se orgulhar, a gente tem que sair desse ranking imediatamente”.
O Tuiuti tem como costume a encomenda do samba-enredo, e com isso Jack falou sobre o qie pediria aos compositores para colocar na obra, salientandobque quer uma visão sobre o amor: “Eu não sei se é uma coisa especifica, eu quero principalmente que eles olhem com amor. É o que a gente precisa, eu acho que o mundo precisa disso. É super piegas eu falar isso aqui, estou me sentindo uma miss, mas é isso, a gente está precisando de amor, porque com ele vem um monte de coisa, vem a compreensão, vem o cuidado, vem a escuta. E vem o desarme, as pessoas precisam se desarmar em relação as outras, isso ajudaria muito”.
Por fim, em nossa conversa, comentamos sobre a deputada Erika Hilton, que foi uma das primeiras vozes a comentar sobre o enredo nas redes socais, e se ela poderia desfilar na escola, no que Jack Vasconcelos encerrou aos risos: “Isso eu já não posso falar. Vai vir muita gente legal, vocês podem apostar”.
Após garantir a nota 40 no último desfile, a harmonia da União de Maricá segue sob a direção geral de Junior Cabeça. Ele é o quarto renovado da escola para o Carnaval 2025, que terá Leandro Vieira como carnavalesco na busca pelo título da Série Ouro e o acesso ao Grupo Especial.
Cabeça chegou na União de Maricá após passagens por Porto da Pedra, Viradouro, Paraíso do Tuiuti, dentre outras. No Carnaval 2024, além da escola maricaense, ele esteve como diretor de carnaval da Estação Primeira de Mangueira, no Grupo Especial. O diretor de harmonia falou sobre o que foi determinante para a manutenção do trabalho visando 2025:
“Três pilares foram muito importantes para a continuidade desse trabalho. Primeiro e mais importante foi o desafio e o prazer de seguir na construção dessa comunidade forte, linda e apaixonada. A segunda foi a manutenção e fortalecimento do projeto como um todo, envolvendo a equipe, a direção e toda a cidade. Por fim, em terceiro, as metas estabelecidas com muita humildade, pés no chão, mas com sonhos altos a serem alcançados”, destacou.
Foto: Diego Mendes
Até o momento, além de Junior Cabeça e Leandro Vieira, a União de Maricá também confirmou Wilsinho Alves como diretor de carnaval, Patrick Carvalho como coreógrafo da comissão de frente e Julio Cerqueira como chefe de ateliê. Exceto o carnavalesco, todos os demais profissionais integraram a equipe que conduziu a escola ao quarto lugar em seu primeiro desfile na Sapucaí.
Após o sucesso da primeira edição, o Acadêmicos do Salgueiro faz neste domingo a edição de abril do Circuito Salgueirense de Botequins, das 13h às 21h, na quadra da agremiação, na Rua Silva Teles, 104, Andaraí. O evento que estreou em março de 2024, proporciona aos amantes da culinária de boteco a oportunidade de desfrutar de um novo cardápio oferecido pelos dez bares que compõem o evento, além de contar com a participação especial do Bar Santo Remédio, vencedor do Comida di Buteco em 2015 e do Veja Rio 2018/2019.
A abertura do evento será marcada por uma Roda de Conversa especial, contando com a participação de renomados especialistas: Luiz Antônio Simas, escritor, professor, historiador, compositor e babalaô no culto de Ifá; Pai Sandro Luiz, cantor, médium e sacerdote umbandista; e Padre Wagner Toledo, Capelão do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro e vigário da Igreja de São Jorge, no Centro do Rio. Juntos, eles irão desvendar curiosidades sobre o Santo Guerreiro e suas relações com os botequins, e com os fiéis e suas crenças.
Convidado especial desta segunda edição, o Bar Santo Remédio traz consigo uma tradição familiar e uma abordagem única para seus pratos, combinando petiscos de boteco com um serviço de restaurante centrado na comida e na conversa. Reconhecido como “o bar pra quem não gosta de jiló”, o estabelecimento tem como especialidade essa iguaria, presente em seu cardápio principal, além de receitas de família preparadas com ingredientes de primeira qualidade.
Quem comanda a roda de samba é o grupo Quintal da Furiosa, liderado pelos mestres de bateria Guilherme e Gustavo Oliveira, que trarão convidados especiais para animar ainda mais o domingo em família.
O evento oferece duas modalidades de ingresso de pista:
– *Ingresso Solidário:* Disponível gratuitamente no site GuicheWeb, mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível na entrada da quadra. Caso o alimento não seja entregue no momento da entrada, será cobrada uma taxa de R$ 10,00.
– *Ingresso de Pista:* Disponível para compra no site da GuicheWeb pelo valor de R$ 10,00.
Para aqueles que buscam uma experiência mais exclusiva, os camarotes estão disponíveis para reserva, com valores variando de R$ 250,00 a R$ 400,00, também através do site Guichê Web pelo link Guichê Web – CSB e na secretaria do evento.
Além disso, é oferecida a opção de reserva de mesas para maior conforto dos participantes, com um custo de R$ 30,00. As reservas podem ser feitas através dos contatos abaixo:
– *Grace:* (21) 99871-5666
– *Vera:* (21) 97994-2060
CSB – Circuito Salgueirense de Botequins:
O Circuito Salgueirense de Botequins é um evento que traz uma experiência única para os amantes de botequim. Composto por uma série de atividades, o circuito oferece aos participantes a oportunidade de explorar a rica cultura e tradição do botequim, com deliciosos petiscos, bebidas e música ao vivo. Seja para relembrar antigas histórias ou criar novas memórias, o Circuito Salgueirense de Botequins é uma celebração imperdível para os apaixonados por essa tradição tão querida.
SERVIÇO:
CSB – Circuito Salgueirense de Botequins – Salve Jorge (edição de abril)
Dia 07 de abril de 2024
Das 13h às 21h
Roda de conversa sobre São Jorge com Luiz Antônio Simas, Pai Sergio Luiz e Padre Wagner Toledo
Roda de samba com Quintal da Furiosa e convidados
Ingressos pista – a partir de 10 reais
Vendas pelo link Guichê Web – CSB e na secretaria do evento
A Unidos da Ponte anunciou a chegada do intérprete Leonardo Bessa para assumir o carro de som para o Carnaval 2025. Veja abaixo a publicação da escola.
“Leonardo Bessa é a voz oficial da Unidos da Ponte para o Carnaval 2025
Leonardo chega à azul e branca de São João de Meriti com uma vasta bagagem na carreira, iniciada em 2004 no Arranco do Engenho de Dentro. Dois anos após, Bessa, que hoje é um dos produtores do álbum oficial da Série Prata do Carnaval carioca, também coleciona passagens por São Clemente; Salgueiro, onde ficou por oito carnavais; e Renascer de Jacarepaguá, além da Tucuruvi, em São Paulo, e em diversas Escolas de Samba espalhadas pelo Brasil. No último Carnaval, Bessa esteve na Sapucaí, mas como apoio do carro de som do Paraíso do Tuiuti.
Seja muito bem-vindo, Leonardo Bessa! A casa é sua”.
Faleceu nesta sexta-feira Arnaldo Manoel de Jesus, mestre Mugue da Portela. Não foi divulgada a causa da morte. Veja abaixo o pronunciamento da escola.
“Portela lamenta profundamente a morte de Mestre Mugue
É com pesar comunicamos ao mundo do samba o falecimento de Arnaldo Manoel de Jesus, o mestre Mugue da Portela. Com uma vida dedicada ao samba, o nome pelo qual era popularmente conhecido teve origem num antigo bonequinho chamado “Mug”. Por acha-lo parecido com o boneco, este acabou se transformando em apelido para toda a vida. Mais do que isso, esta virou a marca com o qual ficou conhecido no “mundo do samba”, a alcunha que o acompanhou ao longo de sua intensa jornada no carnaval.
Foto: Reprodução
Exímio sambista, Mugue começou como passista na Unidos de Padre Miguel, aos 13 anos de idade, desfilando com autorização dos pais. Chegou a Portela no ano de 1971, iniciando sua trajetória de sucesso em nossa bateria tocando agogô. A partir de então, além de ritmista, exerceu as funções de Diretor e Mestre, assumindo o comando da tabajara do samba em 1995, estreando no memorável desfile “Gosto que me enrosco”.
Ao todo, Mugu esteve à frente da Tabajara do samba em oito carnavais: Em 1995, 1996, dividindo o posto com Paulinho Botelho, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2004. Por esta trajetória, é reverenciado como um dos ritmistas com maior identificação com as raízes da bateria da Portela, legado iniciado por Mestre Betinho, da qual Mestre Mugue foi um legítimo herdeiro, dando continuidade a esta longa tradição. O Mestre faleceu hoje, aos 72 anos, após lutar contra uma infecção.
O presidente, Fábio Pavão, o Vice-presidente, Junior Escafura, o Mestre de bateria, Nilo Sérgio, a Tabajara do Samba e toda a família portelense lamentam a morte de Mestre Mug e se solidarizam com familiares e amigos”.
A primeira Feijoada Nota 10 da temporada do Carnaval 2025 acontece neste domingo, a partir das 14h na quadra da Unidos da Tijuca. O evento misturará samba, cultura e axé recebendo a roda de samba do Samba de Caboclo e seus convidados, Grupo Arruda e Samba da Folha.
As batidas envolventes dos tambores ecoarão pelo local, enquanto o aroma irresistível da tradicional iguaria brasileira irá se misturar com a energia contagiante do povo na aldeia tijucana que terá no próximo carnaval “Logunedé” como enredo. Nesta edição, será uma festa que transcenderá barreiras, unindo pessoas em uma experiência única de celebração da rica cultura carioca e do samba.
Foto: Divulgação/Samba de Caboclo
O público confere o melhor do samba e pagode a partir das 14h. A tradicional feijoada poderá ser degustada por apenas R$ 25,00. A quadra também possui vasta opção de alimentação nos quiosques situados na área externa. Os ingressos custam a partir de R$ 30,00 e poderão ser adquiridos on-line através do Sympla, ou na bilheteria, no horário do evento. Sujeito à lotação.
A quadra da escola fica situada à Avenida Francisco Bicalho n° 47 – Santo Cristo. Há estacionamento amplo no local.
Serviço
Feijoada Nota 10 da Unidos da Tijuca
Data: 07/04/2024
Atrações: Samba de Caboclo, Grupo Arruda e Samba da Folha
Horário: 14 às 22h
Endereço: Avenida Francisco Bicalho nº 47 – Santo Cristo
Ingresso: A partir de R$ 30,00
Classificação: 18 anos
Venda Antecipada: https://www.sympla.com.br/evento/samba-de-caboclo-unidos-da-tijuca/2378191