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Confira a sinopse do enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2025

Estou aqui para contar a minha história…

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1 – Nascente. Olho d’água… Útero do mundo. Numa cabaça mergulhada no fundo do rio turvo, um espelho reflete as múltiplas formas da vida. As águas do rio Oxum fazem nascer, germinar a semente. Grande fertilidade banha as terras negras de Ilexá… Essas águas fluem como itans que se revelam e que se entrelaçam como correnteza que me leva ao meu destino.

2 – Um dia, Oxum emergiu do fundo dessas águas, nadou até a margem, onde desejou ardentemente um belo caçador chamado Erinlé. Famoso por sua beleza bruta, Odé só se interessava pelas mulheres das matas, rejeitava as das águas. Mas ela o amou tanto que quis ter um filho com ele. Consultou Ifá para saber como conquistá-lo. Os búzios revelaram que, para alcançá-lo, Oxum deveria ser selvagem como as folhas e exalar o aroma das fêmeas dos bichos da floresta. Sob uma camada de lama, mel e ervas aromáticas, a rainha se tornou a caça perfeita para o abate. A magia assim se deu: o rio desaguou de tanto desejo, que eu, peixinho, mergulhei no ventre de minha mãe. E, celebrado pelos espíritos superiores do Orun, nasci no Aiyê para cumprir o que, em suas mandalas, determinou o oráculo sagrado.

3 – Pelos veios da savana, ancestrais se levantaram como grandiosos elefantes e me trouxeram marfins como presente. As mais poderosas sacerdotisas da terra me ofertaram deliciosas comidas: axoxô de meu pai e omolokum de minha mãe, mas também muitos lelês adoçados com mel silvestre. E, ao som de ilús bem tocados no ritmo ijexá, toda a gente dançava, reconhecendo que sou de nobre linhagem.

4 – Sim, o grande príncipe herdeiro da raça dos meus pais! Tenho a sensibilidade e a inteligência de minha mãe e a bravura e a esperteza de meu pai. Caçador e pescador, sou minha própria natureza. Eu sou o úmido e o seco, o líquido e o sólido. Represento a neblina que esconde os limites entre os reinos, a areia molhada, o cílio das matas, a floresta, a margem e o fundo dos rios. Sou o único capaz de reunir todos os mundos. Sou o equilíbrio entre os homens e as mulheres. Assim tenho tudo, pois príncipe sou!

5 – E, como recomendam os velhos sábios africanos, foi preciso toda uma aldeia para me educar. Havia um grande mundo a ser desbravado para além dos limites de Ilexá. Recebi de Exu o poder da transformação. Com Ogum, aprendi a forjar minhas armas e armaduras. Com Oyá, entendi como manejar a espada afiada. Obaluayê me orientou como curar as feridas. Ossaiyn me ensinou que, sem as folhas, é impossível seguir. Ewá me deu o poder da camuflagem. Tudo isso me fez merecer o meu nome: Ologun-Edé, O Senhor das Guerras de Edé!

6 – Quando houve a guerra entre o Império de Oyó e Daomé, Ilexá foi atingida e, por isso, ainda jovem, me encantei. Os inimigos queriam desafiar a riqueza e a prosperidade de nosso povo, humilhar nossa altivez e realeza, controlar as águas com as quais nos nutríamos, escravizar nossos corpos, vender nossa liberdade como objetos úteis.

7 –  Para superar isso tudo, nos refugiamos em Abeokutá, onde, sob a luz da Lua, Iemanjá, a senhora do rio que corre para o mar, nos deu na foz uma estratégia de sobrevivência: na presença dos demais peixes, uma tropa de cavalos-marinhos. Entre os jovens encantados, cavalgamos o enorme oceano em direção à outra margem do espanto atlântico. Adeus, Ilobu, das savanas e planícies férteis de meu pai Erinlé! Adeus, Oxogbô, do rio caudaloso de minha mãe Oxum!

8 – Aportamos nas praias brasileiras. Novo Mundo, povo estranho conhecemos. Mas quem pode partir as águas e contar as folhas? Não seremos repartidos pela escravidão! E, quando rufaram os ilús dos primeiros candomblés, renasci na cabeça dos Reis e Rainhas de um Príncipe Coroado. Pois eu sou o segredo, filho do Rei da Nação Ketu e da Rainha da Nação Ijexá. Quando as mulheres clamavam a minha mãe pela esperança de ter filhos, riquezas e sucesso nos negócios, eu estava. Quando os homens clamavam ao meu pai por liberdade, prosperidade e fartura, eu também estava.

9 – E assim sou cultuado nos axés do Brasil, terra e água que deram lugar ao meu reino. Com Severiano, ergui, na Bahia, a casa do Kalé Bokum. Com Zezito, minha força chegou ao Rio de Janeiro, onde desembarquei com a Corte Real Ijexá. Estou presente em todos aqueles que reconhecem que sou “santo menino que velho respeita”, como falou Mãe Menininha do Gantois. Zelo pela minha nobreza e pela do meu povo, através dos ensinamentos que levam meus filhos e filhas ao melhor destino.

10 – Estou nos assentamentos, idés, otás e ibás que sustentam a vida dos que me seguem. Ergam seus ofás, abebés e balanças! Busquem comigo a solução das causas impossíveis! Depois, façam festa! Saiam em cortejo ao toque de afoxés! Celebrem estar vivos! Curtam, dos velhos às crianças, a jovialidade que emana do meu mistério. Exibam seus axés em praça pública! Contem minha história! E reconheçam o destino que o velho Orunmilá me determinou.

11 – Eu sou a força da juventude no tempo. Estou no presente e daqui olho para o futuro. Estou no passado e de lá resgato as tradições. Estou no futuro em que meu legado é imortal! Eu nunca morro. Eu sou o horizonte para as novas gerações, a continuidade da vida. Eu sou o sopro que toca os ouvidos de cada um, quando inspiro seus desejos.

12 – Também estou no desafio aos limites. Neste mundo de afrontas, sou o combate à humilhação das pessoas subalternizadas, empobrecidas e constrangidas simplesmente por existirem. Ousadia é meu nome contra os que negam uma vida plena e digna aos jovens pretos.

13 – Jovens, sejam altivos como o pavão, exibindo sua nobreza. Sejam versáteis como o camaleão, afrontando e, baphônicos, existindo. Sejam leves como os pequenos pássaros, cantando para serem ouvidos. Sejam espertos como a lebre, dançando, encantando e quebrando tudo. Sejam ferozes como o leopardo, lutando imponentes contra os que caçam suas vidas e as descartam.

14 – Pois isso é ser cria: ser honrado pelos “meus consagrados” mais velhos por onde eu passo. Sou o orgulho dos que já nos deixaram e a esperança para o dia de quem ainda vai chegar.

15 – Amarelo ouro, azul-pavão. Cumpro o meu destino pousado no alto de suas casas. Envolvo o meu Morro do Borel no aconchego das minhas asas. Abro minha cauda em leque como um lindo milagre de Oxalá.

16 – E assim me ordenou Orunmilá: “Enquanto cresceres, entre o céu e a terra, entre a mata e o rio, entre a África e o Brasil, entre a comunidade do Morro do Borel e a Marquês de Sapucaí, serás grande e imortal no pavilhão de uma escola de samba, que te mostra ao mundo inteiro, no giro da porta-bandeira e no bailar do mestre-sala, espalhando o teu axé”.

Bradem comigo, confirmando em Benin: Eu sou a Tijuca! Eu sou Logun-Edé!

Ore Iye Iye Osun!
Ara unse! Ara unse kòke Odé Erinlé!
Loci, Loci Logun!

Enredo: Logun-Edé: “santo menino que velho respeita”
Presidente: Fernando Horta
Direção de Carnaval: Fernando Costa
Carnavalesco: Edson Pereira
Enredistas: Mateus Pranto e Rodrigo Hilário.
Consultores: Osmar Igbodê e Raphael Homem.
Texto: Edson Pereira, Mateus Pranto, Rodrigo Hilário, Osmar Igbodê e Raphael Homem.

Rainha do Pop encontra o samba! Vai ter carnaval no show de Madonna em Copacabana

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O Rio de Janeiro vai parar na noite de sábado, principalmente, o bairro de Copacabana, na Zona Sul da cidade, com o show da cantora Maddona, que celebra o último encontro da turnê “The Celebration Tour” da “Rainha do Pop”. O carnaval das escolas de samba não ficará fora do espetáculo.

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Foto: Reprodução/Instagram/@ricardogomesinst

Segundo informações divulgadas por Hugo Gloss, o sambista Pretinho da Serrinha comandará uma bateria que fará uma participação, durante uma das músicas cantadas por Madonna, inclusive, ela já ensaiou com o pessoal no Copacabana Palace.

A bateria será formada por jovens que fazem parte das baterias das escolas de samba do Rio de Janeiro.

A cidade do Rio de Janeiro espera que 1,5 milhão de pessoas compareçam ao show de Madonna em Copacabana no sábado, 4 de maio. Segundo as autoridades da cidade, Madonna deverá subir ao palco às 21h45 para um show de duas horas. O evento, porém, está previsto para começar com apresentação de DJs às 19h e terminar às 2h. O show será transmitido por 18 torres localizadas na frente e atrás do palco, que ficarão em frente ao mundialmente famoso Copacabana Palace.

Segurança

A Polícia Militar vai mobilizar 3,2 mil policiais somente em Copacabana e deverá reforçar o patrulhamento no local.

Além das câmeras de reconhecimento facial já em funcionamento, serão instaladas mais 12 no bairro, além de dois drones equipados com a tecnologia. O esquema de segurança incluirá ainda dezoito pontos de busca ao longo da Avenida Atlântica com detectores de metais. Não serão permitidos objetos pontiagudos ou garrafas de vidro na orla.

Com informações da Agência Brasil

Unidos da Tijuca divulga vídeo sobre o enredo para o Carnaval 2025

A Unidos da Tijuca publicou na manhã desta quinta-feira, nas redes sociais, um vídeo sobre o enredo para o Carnaval 2025. A escola do Borel levará para a Avenida no ano que vem “Logun-Edé – Santo Menino que velho respeita”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira. Veja abaixo a divulgação.

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Artista do cartaz:Thiago Morganti

“BENIN! No jogo de búzios, a confirmação de todos os orixás sobre meu destino! Eis aqui a minha história!

MEU MORRO DO BOREL, estou no desejo e na força de cada jovem preto que ousa e supera seus limites e é respeitado pelos mais velhos.

Vistam-se de amarelo ouro e azul-pavão e exibam seus axés em praça pública!

Eu sou a Tijuca! Eu sou Logun-Ed”

Em balanço após o desfile de 2024, casal da Vila Isabel quer o tradicional em 2025

No Carnaval de 2024, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila Isabel, Marcinho Siqueira e Cris Caldas, não alcançou o gabarito desejado. Receberam total de 29,5, com três notas 9,8 e uma nota 9,9. Durante o desfile, o casal optou, mais uma vez, por arriscar e inovar. Suas fantasias estavam equipadas com LEDs, combinando com os efeitos de iluminação da Sapucaí. No entanto, os jurados decidiram descontar alguns décimos, argumentando que a dança do casal com as luzes de LED era de difícil visualização, houve problemas com a pegada do pavilhão do mestre-sala de costas, e a apresentação não transmitiu a tradição e a nobreza esperada.

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Foto: Maria Clara Marcelo/CARNAVALESCO

Em uma entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, o casal fez o balanço sobre o carnaval. A porta-bandeira Cris Caldas desabafou: “Não foi o resultado que a gente esperava, mas a gente sabe que se entregou ao máximo, não depende só da gente, mas estamos prontos para um carnaval bem lindo e grandioso para 2025”.

Marcinho complementou: “Com todas as dificuldades que a gente sabia que teria, a gente sempre imagina que pode ser um pouco melhor o resultado. A gente ficou chateado, óbvio, mas sabemos que podemos fazer de uma forma diferente o Carnaval de 2025. As coisas não aconteceram da forma que esperávamos este ano, nunca foi algo imposto pela escola, imposto pelo Paulo, essa novidade, essa diferença na apresentação, mas no ano que vem esperamos fazer algo mais tradicional”.

Sobre os jurados citarem que as notas foram prejudicadas pela falta de luz e não pela dança do casal, Marcinho e Cris compartilharam o quanto essa situação foi dolorosa e frustrante. Marcinho expressou: “Sabemos que, por mais que tenha a relação com a luz ter apagado, com os LEDs também da minha roupa terem apagado durante a apresentação, a fantasia dificultou muito, limitou muito a nossa dança, o nosso preparo para estar ali, então isso foi muito frustrante, mas viramos a página e, olhando para frente, sabemos que em 2025 será totalmente diferente e muito melhor”. Cris acrescentou: “Dói até hoje, mas é aquilo, bola para frente, sabendo que no ano que vem o casal, a escola já tem ciência que a gente quer vir super tradicional, deixando a gente livre para dançar com o que a gente sabe fazer e ama fazer”.

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Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO

Ultimamente, os julgadores têm pedido cada vez mais para os casais apresentarem uma dança mais tradicional, e o mestre-sala, Marcinho Siqueira, deixou sua opinião sobre o assunto: “Eu acho interessante, acho que isso tem sido discutido nos últimos anos, sabemos que algumas vertentes atuais, como o TikTok, acabam influenciando muito na nossa dança também, e acho importante não deixar a essência de lado. Como em toda dança, com o passar do tempo, com a evolução do espetáculo, é normal também que se evolua, que se façam coisas diferentes, coisas novas, mas no momento em que isso começa a destoar muito da essência, acho que é bom dar um passo atrás, recuperar um pouco a memória de como as coisas eram e depois avançar novamente, por enquanto, vamos voltar para o tradicional”.

Conheça o enredo da Independente Tricolor para o Carnaval 2025

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A Independente Tricolor anunciou na noite desta quarta-feira o enredo para 2025: “Gritos de resistência”, que será desenvolvido pelo carnavalesco André Marins. Veja abaixo a publicação da escola que lutará pela volta ao Grupo Especial de São Paulo.

logo independente2025

“À beira do rio, ressoou um grito: “Independência ou Morte!”

E desde aquele sete de setembro de 1822, as águas continuaram a fluir sem grandes mudanças. Inúmeros outros clamores ecoaram desde então, e certamente mais serão ouvidos ao longo da história.

A força retumbante de uma voz que não se cala e se transforma em união por uma causa. Gritos que marcaram a história deste país!

Hoje a Independente Tricolor solta seu grito em forma de samba e mostra a coragem de um povo guerreiro que resiste!”

Daniel Silva é o novo intérprete da Inocentes de Belford Roxo

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Daniel Silva volta para Inocentes de Belford Roxo como intérprete oficial. Ele fez parte do carro de som da agremiação em 2004, como apoio do Bruno Ribas. E agora assume o microfone principal para 2025. O convite foi feito pelo presidente de honra, Reginaldo Gomes, e logo aceito pelo artista.

“Cantar comandando o carro de som na Inocentes de Belford Roxo é uma nova página que escrevo na minha vida. Estou feliz, tranquilo, com garra para defender o pavilhão vermelho, azul e branco rumo a vitória. Fiquei surpreso ao receber o telefonema do meu amigo e presidente Reginaldo Gomes, sou grato pelo convite, pois é um sonho que estou realizando. Minha comunidade belforroxense tenho esse recado: Ih! É disso que o povo gosta, com muita paz no coração; Salve a Caçulinha da Baixada! Pisa forte Inocentes!”, falou com entusiasmo o novo cantor da Inocentes de Belford Roxo.

Daniel Silva
Foto; Divulgação/Inocentes

O novo intérprete vem de uma família de músicos. Formado pelo Conservatório Brasileiro de Música em Cordas (cavaco, banjo, bandolim e violão) é também percussionista. Aos sete anos de idade foi mascote da ala de Tamborim da São Clemente com oito anos já defendia samba tocando cavaco. Aos 17 anos foi vocalista do Grupo Raça e continuou intensificando sua carreira de cantor de apoio em várias escolas de samba, Império Serrano, Inocentes, Paraíso do Tuiuti, Sossego, Unidos da Tijuca, Mocidade Independente de Padre Miguel e atualmente na Mangueira. Como cantor oficial passou pelo Engenho da Rainha, Santa Cruz, Paraíso do Tuiuti e Império da Tijuca.

A apresentação à comunidade deverá acontecer no mês de julho, na festa de aniversário da Tricolor da Baixada Fluminense.

Conheça o enredo da Mancha Verde para o Carnaval 2025

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A Mancha Verde apresentou na tarde desta quarta-feira o enredo para o Carnaval 2025. A escola levará para o Anhembi no ano que vem o enredo “Bahia, da fé ao profano”.

Inspirado na série-documentário com o mesmo nome, idealizada pelo produtor Gastão Netto, baiano de Salvador, o enredo sugere demonstrar como alguns dos costumes sagrados e tradições das festas religiosas afro-católicosbrasileiros estão presentes e se misturam com a ‘profanidade’ da Bahia.

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Um mergulho intenso de fé e festa que vem do povo baiano.

Todo filho da Bahia nasce com uma vaidade inerente. O baiano é um povo que adora se embelezar e se enfeitar para cultuar sua fé através dos seus Santos e Orixás e para ‘profanar’ nas festas, quase que ao mesmo tempo.

Quando o significado de profanar na “linguagem” baiana está muito mais próximo de festejar, curtir, “comer e beber” as suas festas, usar o seu corpo seja para dar ‘passagem’ a seu orixá no candomblé seja para seguir as procissões de santos católicos, ou para deixar aflorar as mais diversas expressões da sua ancestralidade em forma de cultura, de dança, se deixando levar pelos diversos ritmos e sons, tradicionais e contemporâneos, que brotam de todos os cantos da cidade, deixando fluir a sensualidade e o prazer.

Tudo harmoniosamente misturado. Tudo abençoado, profanamente permitido e justificado pela fé proferida em algumas das festividades religiosas das mais importantes e populares de Salvador e seu entorno.

Ali se cultua Senhor do Bonfim, Iemanjá, São Bartolomeu no Recôncavo,
Bom Jesus dos Navegantes, Santa Bárbara entre outras centenas de santos e orixás.

Se ouvem os ritmos ancestrais africanos, marcados pelo toque dos atabaques, se misturando ao canto gregoriano que surge das igrejas da cidade, ao axé do carnaval, ao pagodão baiano e ao eletrônico e sistêmico som dos paredões que brotam da periferia.

Expressões que se renovam a cada dia, nesse lugar de fé, sagrado e profano que é Salvador e a Bahia.


substantivo feminino
1. confiança absoluta (em alguém ou em algo); crédito.
2. RELIGIÃO: no catolicismo, a primeira das três virtudes teologais.

Para a Mancha Verde, fé é aquilo que nos fez acreditar que poderíamos ter
chegado até aqui.

Fé é o que nos move, o que nos faz resilientes. Fé em nossos Orixás, em Iemanjá,
Iansã ou Santa Bárbara.
Fé em Bom Jesus dos Navegantes, em Oxalá ou Senhor do Bonfim.
Na nossa essência, fé em nossa Mãe Aparecida.
Nós somos intensos, acertamos e erramos, rezamos, e profanamos, e é a fé que nos equilibra.

Embelezar
verbo transitivo
Tornar mais belo, enfeitar, ornar: embelezar a casa;
o sonho embeleza a realidade. Embelezar uma história, orná-la em detrimento da verdade

Para a Mancha Verde, todas as pessoas têm o direito de buscar sua beleza.
Tem gente que se embeleza para ir à missa, no culto, no terreiro, para professar sua fé.
Tem gente que se embeleza para curtir, dançar, brincar, seduzir.
Todos buscam assim se realizar e se afirmar. Todos buscam encontrar a beleza da vida e a felicidade.

Profanar
Verbo transitivo direto
tratar com irreverência, desrespeitar a santidade de tratar desrespeitosamente; ofender, afrontar, macular

Para a Mancha Verde, profanar é aproveitar de forma irreverente o que a vida nos proporciona. Curtir, se afirmar, amar, beber, comer, dançar, sensualizar, enfim equilibrar as coisas sérias com as coisas divertidas que a existência nos permite.

‘O Auto da Compadecida’ é o enredo da Unidos de Lucas no Carnaval 2025

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Uma das maiores obras do mito da Literatura Brasileira, Ariano Suassuna, “O Auto da Compadecida” será enredo no carnaval de 2025. A Unidos de Lucas levará para a Intendente Magalhães “As lambanças de dois cabras da peste, o testamento, alguns tostões e o livramento da Compadecida”, desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Lopes.

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“É um enredo que por si só é forte e conta uma história que todos conhecem. Levaremos uma adaptação carnavalesca da grande obra de Ariano Suassuna. As loucuras de Chicó e João Grilo vão encantar a todos mais uma vez e fortalecer essa obra em outro nível artístico. Fico feliz em poder transformar essa obra em carnaval”, revelou o carnavalesco Lucas Lopes.

O Auto da Compadecida representa o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária que ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel, foi capaz de envolver a nação brasileira com muita história e humor. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, “O Auto da Compadecida” mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, a cultura popular e as tradições religiosas e outros regionalismos relativos ao Nordeste.

A Unidos de Lucas desfilará na Intendente Magalhães, pela Série Prata do carnaval carioca.

Confira a sinopse

Enredo: “As Lambanças de Dois Cabras da Peste, o Testamento, Alguns Tostões e o Livramento da Compadecida”

APRESENTAÇÃO DO ENREDO.

O G.R.E.S. Unidos de Lucas apresenta o enredo “As lambanças de dois cabras da peste, o testamento, alguns tostões e o livramento da Compadecida” rumo ao Carnaval de 2025. O tema levará uma versão carnavalesca de “O Auto da Compadecida”, uma das maiores obras do mito da Literatura Brasileira, Ariano Suassuna.

O Auto da Compadecida representa o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária que ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel, foi capaz de envolver a nação brasileira com muita história e humor.

Sendo um drama do Nordeste brasileiro, “O Auto da Compadecida” mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, a cultura popular e as tradições religiosas e outros regionalismos relativos ao Nordeste.

Esta peça projetou Suassuna em todo o país. Em 2000, inspirou o filme homônimo dirigido por Guel Arraes.

SINOPSE DO ENREDO

Oxente! Espie, que o GRES Unidos de Lucas vem contar uma história que até Deus duvida!
Não, ele não duvida, seu filho presenciou e até a Compadecida se meteu!

Essa história mostra a luta de um povo, a cara do Brasil representado em cordéis, em linguagens e na cultura popular lá do interior do sertão nordestino. Um povo que faz de tudo para vencer na vida! Contra a fome, a miséria, a violência e a pobreza, mesmo que surjam alguns tostões de réis em troca! E que comece o auto!

Dois amigos arretados, Chicó e João Grilo, que adoravam se meter em confusão, caminhando no sertão vai Chicó contar que teve um cavalo que era “bento”. Sua antiga dona afirmava que ele era “bento” mesmo e que era para ter muito cuidado, e Chicó acreditava mesmo! Um dia, ele e o cavalo correram atrás de uma garrota das 06 da manhã até às 06 da noite, sem parar.

Corria atrás de boi, sem reclamar de nada e quando o cachorro da mulher do padeiro estava nas últimas e o patrão queria que o bichinho fosse benzido pelo padre com a esperança que o cachorro melhorasse. Foi João Grilo e Chicó atrás do padre na igreja, pedir para que o cachorro fosse benzido.

O padre, que não gostou nem um “tantinho” dessa história, achou um absurdo e disse que não! João então, teve a ideia de dizer que o bicho era de Antônio Moraes, um major temido por todos. O padre, todo sorridente, começou a pensar melhor na possibilidade de benzer o bichinho, e vendo que não teria mal nenhum em abençoar as criaturas de Deus, estava por um triz de aceitar. Chicó ficou foi assustado com a invenção do seu amigo em acrescentar o major na história, igualzinho como o dono do cachorro para conseguir o fato, e começou a reclamar achando que isso não poderia dar certo. De repente, o major entra na igreja, João Grilo tratou logo foi de tentar se safar do que poderia vir! Inventou para o major que o padre estava louco, querendo benzer tudo! O Major estranhou…

Chicó até tentou fugir, mas João agarrou-o pelo pescoço, obrigando-lhe a ficar! O padre encontrou o major, e foi logo perguntando sobre o bichinho. O major, claro, não entende é nadinha e logo pensa que o padre está falando de sua esposa e se aborrece, mas então João que ali estava quietinho assistindo a confusão se instaurar, intercede pelo padre e pede para que Antônio Moraes vá embora e seu pedido é atendido.

A mulher do padeiro chega desesperada na igreja, implorando para o cachorro ser benzido, mas o padre continua firme com a sua resposta. O padeiro aparece e questiona o padre que se o cachorro do major pode, por que o dele não pode ser benzido?! Ele lembra que é uma figura relevante, pois era o presidente da Irmandade das Almas. João até tenta ajudar os patrões, mas o padre continua com o não na boca. A mulher então se enfurece e diz que vai acabar com as doações que dava para a igreja, cobrando até a vaca que forneceu para dar leite para o vigário! O sacristão chega querendo saber do acontecido e acaba se envolvendo na confusão!

Ao olhar para a porta, o cachorro, tadinho, estava morto, para desespero de sua dona:
“- Ai meu Deus, meu cachorrinho morreu!”.
Chicó confirma a morte do bichano.
A mulher pede para o padre que enterre seu cachorro em Latim.
O padre se espanta e acha um absurdo e diz que não!
O padeiro, revoltado, ameaça cortar o rendimento da irmandade.

É aí que então, João solta no ar um “causo” sobre um testamento que o cachorro deixou, comentando com a patroa sobre a parte em dinheiro doada para o padre e o sacristão.

Curioso, o sacristão pergunta se realmente o cachorro deixou um testamento e João Grilo confirma. É aí que as coisas mudam! O sacristão até se emociona com a boa ação do cachorro e convence o padre a fazer o enterro em Latim do bicho, para alívio dos donos!

O padre, revoltado com João por ter descoberto a enrascada que ele se meteu por culpa dele que envolveu o major Antônio Moraes, encontrou João Grilo e descascou em cima dele! Ai, ai, ai… O bispo acaba descobrindo sobre o enterro do cachorro em Latim e fica furioso! Ameaça suspender o padre e demitir o sacristão!

João tenta limpar a barra dos dois e conta sobre um testamento que o cachorro deixou e inclui o bispo no repasse do dinheiro. Logo, ele muda de opinião dizendo que os animais também são criaturas de Deus, interessado nos tostões que iria ganhar, claro!

Sabe do gato que descome dinheiro? Sabe não?! Mais um plano ardiloso de João para faturar em cima da mulher do padeiro!

Chicó se assusta e pergunta:
– Descome dinheiro, João? Que retruca
– Sim, descome dinheiro, come ao contrário!

João então, pede para Chicó que enfie 10 contos de reis na traseira do gato e pediu para ele aguardar ser chamado. Ele atende o pedido do amigo, visando ganhar algo em troca.

Ao encontrar com a mulher do padeiro, João oferece o gato, afirmando que o gato descome
dinheiro. Ela, curiosa, se anima e pede que João mostre essa faceta diferente de um gato. João chama Chicó e pede para trazer o gato e mostra que o gato descome dinheiro, tirando 5 tostões de reis do bicho.

Incrédula, ela pede para fazer novamente e João tira mais alguns trocados do gato surpreendendo a mulher do patrão que topa ficar com gato em troca de 500 contos e ainda ameaça demitir João caso não aceite a proposta! João aceita e ela sai feliz com a nova aquisição, elogiando o bichinho, achando que tiraria o prejuízo do enterro do outro animal.

Passado algumas horas, o padeiro aparece arretado ao descobrir que o gato não descome dinheiro e que era mais uma trapaça do João Grilo! De repente, ouve-se gritos de desespero e a mulher avisa: “O temido Severino de Aracaju e o seu cabra cangaceiro acabam de chegar na cidade”, para o desespero de todos! A polícia foi chamada, mas correu com medo! É Ave Maria para cá, Ave Maria para lá e então Severino aparece falando alto “Avisa quem correr, morre!”

O Bispo finge desmaio, mas logo é acordado por Severino, mandando-o parar com o chilique, logo após pegar os tostões de todos os presentes.

A mulher do Padeiro então, chega cheia de graça arrastando asa para o capitão que logo avista a aliança no dedo e se estressa por uma mulher casada estar se exibindo para outro dentro da
casa de Deus. Logo, Severino ameaça matar a todos, que sentem suas espinhas gelarem e suas
mortes chegarem!

O primeiro a partir foi o bispo, deixando o sacristão e o padre tremendo de medo: Severino mira o seu rifle, dá um tiro e adeus bispo.

Chega a vez do padre, que tenta jogar o sacristão para ir primeiro. Para não ter briga, Severino decide matar os dois juntos, “casando” os dois com a morte. Dois tiros dados e adeus Padre e Sacristão.

Os próximos? O padeiro e a esposa safada! O padeiro pede um último desejo e surpreende a esposa em pedir para que a mate primeiro. Severino atende o pedido, porém na hora o padeiro abraça a esposa e com um só tiro acerta os dois.

Vem chegando a hora de João Grilo, que já vinha pensando em mais uma para tentar se safar da morte: João oferece um presente peculiar para Severino, uma gaita que que faz morto viver, que seria abençoada por Padre Cícero, ele se espanta soltando um: “- Que conversa é essa? Gaita que cura ferimento de rifle?”. Severino pede para que João o mostre o funcionamento da tal gaita.

João pega o punhal de Severino e diz que vai dar uma punhalada em Chicó que se assusta,

João cochicha tentando lembrá-lo da bexiga com sangue que tirou do cachorro, mas seu amigo não entende e reclama. João então, dá uma punhalada no seu amigo e logo após começa a tocar a gaita. Chicó entende a traquinagem do amigo e após se jogar no chão fingindo estar morto, começa a se mover no ritmo da música e vai se levantando e dançando para espanto de Severino.

Chicó, diz que viu Nossa Senhora e o próprio Padre Cícero no céu e que o mesmo disse que abençoou a gaita, com isso João oferta a Severino a gaita, em troca de ser liberado junto de Chicó. Severino retruca e diz que seria injusto com os outros que já partiram e que não queria ser assombrado por eles. João, esperto, diz que a gaita daria a oportunidade de Severino conhecer o seu santo de devoção e que ainda traria ele de volta a vida. Então, ele sugere que o cangaceiro dê um tiro em Severino, para ele conhecer o santo e que logo em seguida tocaria a gaita para trazê-lo a vida. Severino topa o suicídio, o cabra cangaceiro reluta ao homicídio, porém é obrigado a atirar no capitão que cai morto.

O cangaceiro se desespera e logo pede pra João tocar a gaita, mas João diz para dar um tempo Pra que Severino conhecesse o santo. O cangaceiro logo cai na real sobre a farsa de João e entra em luta com os dois amigos, João então pega o punhal e acerta o cangaceiro. Os dois pensando que tinham se livrado da morte, fazendo planos e tudo sequer percebem que o cangaceiro tinha morrido é nada! Ele aponta a arma e atira em João Grilo, que cai para desespero do Chicó e então João se foi.

Acordando em uma igreja, que servia de entrada para o céu ou purgatório, João encontra os demais mortos em espera de serem chamados para seus julgamentos, quando de repente me aparece o diabo para controlar a hora da verdade. O “encourado”, que quer levar todos para o inferno é questionado, claro, por João sobre o julgamento. João reclama sobre não ter direito a uma apelação e que para o chifrudo condenar alguém, tem que ouvir os condenados. João então, se ajoelha e clama pelo senhor Jesus Cristo para haver um julgamento justo e não só ser entregue para o diabo e como um sonho esfumaçado, Jesus aparece e manda todos se reunirem para começar o julgamento.

O encourado começou a ler as acusações dos mortos:
– O bispo tinha uma lista grande;
– O padre debochou dizendo que não tinha nada, mas o “encourado” desmentiu dizendo que toda a acusação que disse do bispo poderia ser aplicada ao padre e com mais um agravante, a preguiça por deixar tudo nas costas do sacristão resolver;
– O padeiro e sua mulher são julgados por serem os piores patrões que a cidade já teve, além da avareza do marido e dos adultérios da mulher. “Cada um é pior que o outro”;

– Na vez de Severino, o “chifre ruim” ri tamanhas foram as mortes que ele provocou, Severino concorda e não nega;

O Diabo em um suspiro (in)feliz aponta que as coisas estavam feias para todos, causando pânico nos julgados. Jesus então concorda com o “encourado”, pois eram acusações graves.

Eis então que me surge João Grilo se manifestando sobre ainda não ter sido julgado. O “chefe do fogo debaixo da terra”, então começa a dizer as acusações de João:
– Armação das mais variadas trapaças envolvendo todo mundo.

João, não satisfeito, pede licença e começa a clamar por outra santidade, a mãe da justiça, advogada dos pobres, recitando em versos:

“- Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré! A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer. A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé. Já fui barco, fui navio, agora sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher. Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré.”, quando logo, descendo de uma nuvem branca e afofada, surge reluzente a linda Nossa Senhora!

A compadecida ouve as acusações. Defendeu a todos, tentando convencer seu filho, Jesus, de que todos ali estavam apenas querendo sobreviver com as mazelas de onde vivem. Jesus, tentou, mas acatou ao pedido da Compadecida, mas ainda achando que todos deveriam pagar de alguma forma as coisas ruins que fizeram.

João então se manifesta novamente com uma nova ideia, sugerindo que todos fossem para o purgatório pagar os seus pecados, menos ele, pois queria uma nova chance de voltar a vida. Jesus estranha, mas sua mãe acha uma boa ideia. Todos os julgados concordaram em não ir direto para o inferno e agradeceram a João Grilo. O “encourado” que não gostou de nada, revoltado, tentou atacar João, mas a Compadecida o fez voltar para o inferno arrastado, sem levar nenhuma alma.

Jesus e sua mãe concordam em levar João a vida novamente, que fica todo feliz e agradecido pela nova oportunidade. Pegou seu chapéu e voltou. Chicó já ia levando o corpo do seu amigo, reclamando do peso. Quando ele ouviu um barulho estranho, de alma assombrada.

João ergueu a cabeça e viu seu amigo tremendo de medo, clamando pela Nossa Senhora. Até que João salta e diz: “- Estou aqui, Chicó!”. Morrendo de medo, Chicó não acredita no que seus olhos veem e acha que era a alma do amigo. João dá um tapa em Chicó e pede para que ele aperte seu braço, que acaba acreditando que o João voltou a viver. Os dois comemoram o milagre.

João se lembra do dinheiro de um testamento, Chicó começa a resmungar desesperado e confessa que fez uma promessa para caso o amigo saísse dessa. João sem entender, pergunta o porquê da reclamação e Chicó confessa sua promessa ao amigo que solta: “- Ah, promessa desgraçada! Ah, promessa sem jeito!”. João questiona o amigo informando que não fez promessa nenhuma exigindo que o Chicó pague com a sua parte, mas João estava morto e ele ficou responsável por todo o dinheiro e então prometeu todo o dinheiro.

João volta a reclamar, mas os dois aceitam doar a quantia para a Nossa Senhora pelo milagre que foi a ressuscitação de João.

João agradece a sua “advogada” que intercedeu por ele, mas deu uma bronca no amigo para tomar cuidado com as coisas que ele promete! Lá do céu, Nossa Senhora ri da inocência dos amigos indecentes e abençoa seus caminhos que com certeza serão cheios de “jeitinhos” para sobreviver enquanto os dois vão embora mundo afora.

Se isso tudo é verdade? E você vai duvidar de Jesus, Nossa Senhora e o “Cramunhão”? Eu
não duvido! Se é verdade eu não sei, só seu que foi assim!

Lucas Lopes.
Carnavalesco

André Rodrigues: ‘sonho de verdade com a valorização trabalhista dos profissionais do carnaval’

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O carnavalesco André Rodrigues, da Portela, fez uma publicação nas redes sociais, na manhã desta quarta-feira, sobre o Dia do Trabalho e falou da relação com o carnaval das escolas de samba. Veja abaixo na íntegra.

andre rodrigues
Foto: Emerson Pereira/Divulgação

“Dia do trabalho, né? Que bom celebrar o esforço, os acordos, os direitos para quem trabalha. Acordei e me olhei no espelho, lembrei da data e um filme -involuntariamente- passou na minha cabeça. Pela primeira vez, desde 2012, trabalharei em apenas uma escola. Sem humilhação.

Passei 12 anos trabalhando em mais de um barracão ou mais de um projeto, para conseguir o que eu mais queria: vida digna, conforto e não depender da minha mãe para sobreviver. 12 anos acordando muito mais cedo e indo dormir muito mais tarde. Cansado, ansioso e cheio de esperança.

12 anos, colecionando poucos contratos assinados de fato. Tendo poucas oportunidades de registrar o processo. Fazendo meu nome na raça mesmo. Coleciono 2 demissões por falta de respeito ao meu trabalho. Coleciono alguns passos para trás. Muitos para a frente.

Carrego mentiras sobre mim, meu jeito de trabalhar e de tratar o trabalhador. Carrego amigos, muitos, dos que fizeram de mim o profissional que sou e que nesses 12 anos de duplas/triplas jornadas me estenderam a mão. 2025 completarei 18 anos trabalhando com escola de samba.

18 anos e sinto que minha carreira finalmente está começando, mesmo sendo sempre muito perigoso que esteja próxima do fim. 18 anos. 12 trabalhando em 2 ou 3 estados diferentes. Em mais de um projeto. Lembrei agora do dia que enfaixei a mão para continuar desenhando e não parar.

Sempre tive um compromisso muito grande com a entrega dos meus trabalhos. Sempre reflito muito sobre o que eu poderia fazer a mais por quem trabalha e também é pouco reconhecido, mas tem um senso sobrenatural e passional de entrega dos acordos e na maioria das vezes é esquecido.

O dia do trabalho, dia dos direitos, dia dos acordos, serve para que pensem sobre os acordos não pagos, os dedicados não remunerados, os esforçados não reconhecidos e por ai vai.

Tenho muito orgulho da minha trajetória de trabalho. Tenho muito orgulho do que faço, não troco por quase nada. Mas sonho de verdade com a valorização trabalhista dos profissionais do carnaval. Não é simples, sao trabalhos difíceis de quantificar, de abranger, mas é necessário.

Um beijo pra minha mãe, para todos os profissionais das escolas de samba, pro meu espelho, pra quem me deve, pra quem eu devo, pra quem sonha e para quem não tem mais sonho nenhum. O que importa no fim de tudo é o direito, papel e caneta”.

Pré-lançamento do Casa Carnaval reúne personalidades do mundo do samba

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Tia Surica, Maria Augusta, Selminha Sorriso, Egili Oliveira e Thay Magalhães foram alguns dos nomes que prestigiaram o pré-lançamento do Casa Carnaval, empreendimento de Fabiana e Bruno Amorim, que faz parte do projeto Reviver Cultural, da prefeitura do Rio de Janeiro, o qual visa a reocupação do Centro, não só no segmento imobiliário, mas também promovendo arte e entretenimento no coração financeiro da cidade.

casa carnaval
Foto: Ewerton Pereira/Divulgação

Tendo Márcio Moura como diretor artístico, os carnavalescos Tarcísio Zanon, atual campeão pela Unidos do Viradouro, e João Vítor Araújo, profissional da Beija-Flor, como curadores, o Casa Carnaval nasce com a proposta de ser um espaço dedicado a quem idealiza, produz e conduz o espetáculo, dando a oportunidade para que o grande público possa conhecer um pouco mais desses artistas que estão dentro dos barracões o ano inteiro.

“O Casa Carnaval é um espaço aberto para exposições, cursos, oficinas das mais variadas e, principalmente, um ponto de encontro para que a arte, a cultura, possam estar acessíveis a todos”, diz Márcio, conhecido no carnaval por assinar comissões de frente em escolas como Portela, Estácio de Sá e União da ilha. Ator e gestor teatral, Márcio vem propagando seu trabalho como diretor artístico da Viradouro.

Ainda em processo de abertura, o casarão de quatro andares tem previsão de inauguração total até o fim de maio, no entanto, o evento de pré-lançamento, já garantiu o bom gosto e assinatura artística dos responsáveis. Bruno Chateaubriand foi quem “inaugurou” o espaço dedicado a palestras e workshops, com uma roda de conversa abordando o ofício de mestre-sala e porta-bandeira. Com 35 anos de carreira celebrados este ano, Selminha Sorriso, foi um dos destaques da conversa que reuniu também, profissionais da União da Ilha, Beija-Flor e Vila Isabel.

Dando ritmo à festa, Mestre Chuvisco, da Estácio de Sá, apresentou um pouco da potência da Medalha de Ouro, uma das baterias mais esperadas nos desfiles das escolas de samba. Quem também se destacou foram as percussionistas do grupo Delas, responsável pela roda de samba que marcou o evento.

Presenças como a do ator Fernando Bicudo e Isabel Fillardis ressaltaram o cunho cultural da Casa que terá como “rainha” a atriz e professora de samba no pé Egili Oliveira.

“Fui pega realmente de surpresa, pois não esperava um convite tão lindo. Isso mostra que a Casa Carnaval já nasce com este espírito de valorizar os sambistas e profissionais que militam o ano todo para que a nossa festa seja reconhecida pelo seu valor cultural e artístico. Me senti extremamente honrada e feliz por ter sido lembrada”, disse a atriz que este ano brilhou à frente da bateria da Vigário Geral e foi um dos destaques performáticos mais comentados no desfile da Viradouro.