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Gaviões da Fiel faz junção de dois sambas para fazer a gira na casa de Ogum no Carnaval 2027

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Por Pedro Ribeiro e Will Ferreira

Para fazer uma gigantesca celebração de religiões afro, os Gaviões da Fiel ousaram na final de samba-enredo da escola, realizada na última sexta-feira. Com cinco sambas na disputa, a diretoria da escola optou pela junção de dois sambas: o de número 01 no concurso, composto por Grandão, José Rifai, Luciano Costa, Sukata, Dentinho do Morro, Fadico, Marcelo Paschoal JB, Gabriel Lima, Alex Biro, Morganti, Oliveira, Neck e Andrezinho; e o 12, de autoria de Cláudio Russo, Luiz Antônio Simas e Chico Poeta. A música será a responsável por embalar o desfile de “É Noite de Gira na Casa de Ogum”, assinado pelos carnavalescos Julio Poloni e Rayner Pereira. Presente em todos os grandes eventos que envolvem as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO conversou com nomes importantes da escola para saber mais sobre a obra e como a canção caiu no gosto dos Gaviões da Fiel. Nem um dos três autores do Samba 12 estavam presentes no evento.

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Fotos: Pedro Ribeiro e Will Ferreira/CARNAVALESCO

A parceria responsável pelo Samba 01 é, por si só, uma junção – e fez questão de deixar isso claro até mesmo citando o texto-base para a composição do samba: “Antes de falar da sinopse do Julio e do Rayner, vou dar um passo um pouquinho atrás. Nós fizemos uma junção esse ano com a parceria do Grandão. Eu, o Luciano e o Fadico já tínhamos uma parceria de longos anos. O Grandão não precisa nem falar, é uma referência máxima. Mas, no ato da sinopse, da explanação do enredo, ficou muito claro que eles almejavam uma noite de gira. Como é chegar num terreiro de umbanda, desde uma varrição ou de uma defumação. Isso foi trazendo inspirações para a parceria como um todo. Embora ali tenha os católicos, tenha evangélicos, tenha quem é da macumba, a gente caiu dentro da sinopse e estudou. Procuramos fazer aquilo que a gente entendeu de poesia, baseado em toda a religiosidade que a escola pedia”, destacou Alex Biro.

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O compositor destacou que o processo de criação passou pela criação de diversos trechos, filtrando o que tinha ainda mais destaque: “A nossa parceria é pura bomba atômica! Quando a gente acha que a primeira está boa, surge uma outra ideia. Mas esse samba, especificamente, aconteceu muito naturalmente. Ele aconteceu basicamente em três ou quatro encontros. A letra foi passada por uma avaliação dentro da escola”, comentou.

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Alex fez questão de exaltar um dos parceiros de parceria – que também foi ouvido pela reportagem: “O Luciano é mais antigo de casa e é muito criterioso. Ele é um cara muito meticuloso, ele analisa com os anos de Gaviões e fala que algo funciona ou não. Às vezes dá certo a opinião como um todo, como aconteceu esse ano, graças a Deus. Mas, às vezes, existe divergência na parceria. É democrático, é óbvio. Aí a gente tenta casar a música com a letra e com a história, dentro do respeito e do sincretismo das religiões. Tem toda uma crença, tem algo muito especial pra você seguir. Não adianta você começar de trás para frente, tem todo um respeito às entidades e aos orixás. E surgiu, aconteceu”, destacou.

Como resposta, Luciano Costa pontuou que o cuidado com a religião afro norteou o processo de composição e que a inspiração veio naturalmente: “Um ano é sempre diferente do outro. Para esse samba aqui, nós conseguimos fazer uns cinco refrões e umas três primeiras até chegar nessa daí, que era a mais correta num termo que se fala de umbanda. Como se abre, como se prossegue e como se termina a umbanda. Uma gira, na verdade. E deu nisso aí. A maioria gostou, ganhou porque também foi aceito aqui na quadra, pela comunidade do Gaviões”, comemorou.

Indagados pela reportagem, ambos não hesitaram em citar a parte favorita da composição: “A parte favorita é unânime na parceria: ‘a umbanda clareou, foi mandinga e oração/Cai por terra o inimigo que mexer com o gavião’. É uma preparação para o refrão, é um bis”, explicaram.

Mandatários satisfeitos

Fábio Câmara, popularmente conhecido com Fantasma, vice-presidente dos Gaviões da Fiel, defendeu a junção proposta pela agremiação: “Todos os sambas tinham algumas partes que se destacavam. A junção facilita o trabalho para ser o resultado que a gente espera. Se eu falar para você que um é melhor que o outro ou que uma parte é melhor que a outra, é um pouco injusto. Cada um tem um destaque especial. Juntando os dois dá o resultado que a gente espera”, comentou.

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Ele próprio destacou que a decisão não foi simples de ser tomada: “Quando fecha a salinha, as discussões sempre são acaloradas porque sempre a gente busca o melhor para os Gaviões da Fiel. Como conclusão, o resultado foi para o nosso povo, para a nossa comunidade. A gente decidiu pela nossa comunidade aquilo que mais chamou atenção. Trouxemos para a discussão e conseguimos fazer a junção de dois sambas bons que vão trazer um bom resultado para nós”, prometeu.

Da sinopse para a prática

A dupla de carnavalescos dos Gaviões mostrou-se satisfeita não apenas com os finalistas, mas com todo o processo de eliminatória de samba-enredo. Rayner começou: “A gente se surpreendeu com a quantidade de sambas que a gente recebeu. A grande maioria atendia além do que a gente pediu na sinopse. Isso é um motivo de orgulho, e é o motivo do porquê fizemos uma final com mais do que a gente queria inicialmente. É o resultado de que todo mundo entendeu e todo mundo acreditou na proposta que a gente tem para apresentar dentro da avenida”, comentou.

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Julio seguiu a mesma linha: “A gente tinha cinco grandes sambas na final e isso não é conversa para ser mais específico. Acreditamos que qualquer um dos cinco está pelo menos no top cinco dos melhores sambas do Carnaval. Estamos muito felizes, muito orgulhosos por termos uma feliz missão para cumprir aqui hoje. A gente está muito tranquilo porque os cinco sambas nos atendiam, os cinco estavam dentro do enredo, os cinco eram baitas sambas e tinham a potência que a gente preza para o desfile. Os sambas escolhidos a gente já sabe que vão sair daqui como uma única grande obra – e, com certeza, será o samba que a gente precisa para impactar o Anhembi em 2027”, comemorou.

O processo de escolha de samba-enredo dos Gaviões, de fato, chamou atenção de todo o universo do Carnaval paulistano. A começar pelo número de obras inscritas: vinte e sete, tido como de uma abundância rara. A escola costuma levar três sambas para a final; mas, dado o alto número de inscritos e a qualidade de muitos deles, a decisão contou com duas canções a mais.

Diretoria abrindo caminhos

Celso Ribeiro, um dos diretores de Carnaval dos Gaviões, destacou quais foram as solicitações que a escola fez para os compositores: “A gente fez alguns pedidos para as parcerias. A começar que era para seguir pela linha da umbanda mesmo, porque é o samba e porque é uma religião brasileira. Permitimos que algumas coisas entrassem nos sambas porque é uma religião que vem da África, embora ela tenha surgido aqui no Brasil. Hoje, temos um pouco dessa mistura, e, por isso, pedimos que entrasse no sincretismo da religião e que fosse um samba totalmente voltado para a umbanda. Eles podiam misturar pontos das entidades e saíram essas obras de arte. Nós tínhamos cinco obras de arte de verdade e escolhemos duas delas para nos representar”, destacou.

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Voz da Fiel feliz

Intérprete dos Gaviões da Fiel desde 1985, Ernesto Teixeira mostrou-se satisfeito com os cinco finalistas: “Primeiramente, positividade para todo mundo aí que está nos lendo. Todos os sambas que foram para a final estavam muito bem elaborados: cada um com um detalhezinho diferente. As apresentações mostraram aquilo que veio nas gravações. Eu estou muito feliz aqui. Tenho certeza que as duas obras que gente escolhei darão um grande samba para o ano que vem”, comentou.

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Ao ser perguntado sobre os cuidados para cantar uma canção que terá palavras em religiões africanas, Ernesto foi além e pontuou que outras questões também são importantes para se observar: “São vários detalhes: a questão da tonalidade, a questão da dicção. Mas, se tiver que cantar um samba em mandarim, nós cantamos também, não tem problema. É só trazer, a gente vai ensaiar e vamos levar para a avenida. Não tem sido nenhuma dificuldade cantar palavras em iorubá”, tranquilizou.

Mestre de bateria com ideias

Comandante da Ritimão, bateria dos Gaviões da Fiel, mestre Ciro Castilho destacou que já está com a cabeça fervilhando: “A gente já tem bastante coisa em mente. A gente tem uma ala que às vezes é timbau, às vezes vai de tambor. Esse ano vai ser tambor, vai ser macumba pura, mesmo. A gente vai trazer muita coisa legal. Muito toque característico e as ideias já começam depois de hoje. Com os sambas escolhidos, a gente já vai para a casa com a mente ‘a milhão’. Vamos para cima!”, energizou-se.

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Riscando desde o primeiro momento

Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira dos Gaviões da Fiel, Wagner Lima e Carolline Barbosa deixaram claro que já estão pensando tal qual participantes de um ato religioso: “A junção dos sambas vai trazer a cultura e a religião afro para dentro da pista de uma forma diferente, em formato de uma gira, mesmo. E, pensando no regulamento, a gente tem que trazer alguma coisa coreográfica que remeta ao tema. Não vou contar muitos spoilers da nossa coreografia, mas sim, pretendemos colocar alguma coisa para estar dentro do universo da umbanda e dentro da religião”, contou Carol, misteriosa.

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Ao falar do enredo, Wagner aproveitou para fazer o gancho com o clube que tem os Gaviões como principal torcida organizada: “Esse enredo a gente vive no dia a dia dos Gaviões, que é Corinthians, São Jorge, Ogum. É como a Carol disse, algumas coisas na avenida a gente tem que pincelar em cima do enredo. Imagine uma gira que tenha danças dentro dessas giras. E algumas danças serão colocadas sem tirar de vista o critério de julgamento”, explicou.

Evento completo

Como costuma acontecer em eventos especiais na quadra dos Gaviões da Fiel, o Bom Retiro estava tomado por corinthianos. O próprio acesso à final foi feito em um espaço anterior ao portão da quadra: no meio da rua Cristina Tomás, e não já na esquina com a avenida Presidente Castelo Branco, onde está localizada a quadra. Tudo para dar mais conforto à comunidade, em um recuo com food trucks e espaço ao ar livre.

Um DJ animava a Fiel até a Ritimão começar o esquenta, com cortejo e saudação ao pavilhão. O departamento de casais, a Harmonia Guerreira, a Velha Guarda, as Baianas, o Departamento Cênico, a Comissão de Frente, as Passistas, a Ala das Crianças e as Destaques de Chão se apresentaram em momentos pré-determinados. Também houve espaço para a execução do Hino do Corinthians (algo tradicional na quadra), a entrega do pavilhão de enredo ao segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira e a lembrança de sambas históricos dos Gaviões da Fiel.

Sambas marcantes

O primeiro samba a se apresentar foi o 01, um dos vencedores da eliminatória. A apresentação chamou atenção pela ausência de refrões cortando estrofes, com um falso refrão antes do refrão da cabeça e o restante da obra corrida, sem repetições. Algumas das palavras finais também não tinham rimas próximas, o que aumentava o impacto da apresentação e agradava ouvidos mais atentos.

O seguinte foi o Samba 03, da parceria de Samir Trindade, Leo Trindade, Marcelo Silva, JB Oliveira, Deco, Masterson Alves, Márcio Keleque e Armandinho do Cavaco. A repetição de alguns versos bem característicos de enredos afro, como “Ê aruanda” e “Ê ciganinha” cativou torcedores, bem como o verso “chegou a hora de ser campeão”, lembrando das boas colocações dos Gaviões da Fiel nos últimos anos (quarto em 2024, terceiro em 2025 e segundo em 2026), além de rememorar que o último título do Grupo Especial da Torcida Que Samba veio em 2003.

O segundo samba vencedor, o de número 12, foi o terceiro a se apresentar. A primeira estrofe longa, com catorze versos, contrastou positivamente com a segunda, com dois versos que se repetiam logo após o refrão do meio. O refrão de cabeça, curto e com três “saravá” em dois versos, também trouxe ótima impressão para quem acompanhava a exibição.

O Samba 07, composto por Mc Hariel, Minuettos, Renato do Pandeiro, Rica Leite, Luciano Rosa, Cacá Mascarenhas, Eduardo Regianno, Vini, Beto Cabeça, Portuga, Alves, Rafa Cria, Imperial, Biro e Willian Tadeu, chamou atenção logo de cara pela presença maciça de torcedores na quadra. O verso inicial do refrão de cabeça, “toca o xequerê”, fazia a quadra cantar um trecho do samba que, ao contrário de outros tantos sambas-enredo, tinha execução mais longa que o normal. A segunda estrofe, bastante extensa, acabava com o verso “Vai passar o terremoto Gaviões”, frase muito utilizada por Alexandre Domênico Pereira, o Alê, presidente da agremiação.

Por fim, o Samba 23, de autoria de Nelsinho Velha Guarda, Diego Nicolau, Nando do Cavaco, Dom Alvaro, Caio Ricci, Guinê, Bruno Galasso e André Filosofia, tinha como destaque o refrão do meio bastante enxuto e simples de se cantar, que fazia com que a comunidade comprasse a ideia da obra. A segunda do samba, com as saudações características de diversos orixás, aproximava quem era de religiões afro; e o falso refrão antes do refrão de cabeça mexia, em especial, com a escola protegida por Ogum, chamando-o de “guia da casa”.

Leozinho Nunes relembra desafio após perda de Gilsinho e celebra sintonia com a Tom Maior para 2027

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Foto: Pedro Ribeiro/CARNAVALESCO

O ciclo do Carnaval 2026 foi profundamente doloroso para a Tom Maior. A perda de Gilson da Conceição, o Gilsinho, intérprete oficial de 2022 até seu falecimento, em setembro de 2025, abalou o cotidiano da quadra e do barracão. Nesse contexto árduo, coube a Leozinho Nunes assumir essa responsabilidade gigantesca no desfile de 2026 e seguir com a escola para 2027. O talentoso intérprete conversou com o CARNAVALESCO sobre sua chegada à Tom Maior, os desafios e a sintonia com a escola.

“Eu cheguei aqui, a escola estava triste com a perda do Gilsinho, como eu sou um cara irreverente, eu pensei: poxa, eu preciso tocar fogo para a galera vir comigo. Eu descia do palco. Falava com um; falava com outro; a galera foi me abraçando, e a escola deu toda a estrutura para minha evolução”, disse.

O carnaval paulistano possui seus detalhes, histórias e curiosidades. Na Tom Maior, o presidente Carlos Alves e o mestre de bateria, Mestre Carlão, possuem o número de CPF idêntico. Para a ala musical, isso pode ser uma vivência exclusiva para quem trabalha com a folia, e o intérprete contou ao CARNAVALESCO como está sendo essa experiência.

“É inédito! Ele é um cara excepcional, que trabalha muito; incansável! Ele gosta de ensaio. Por ele, era ensaio todo dia”, brinca.

Desde a apresentação do enredo “Eu Sou o Pão da Vida”, a Tom Maior intensifica o desenvolvimento do projeto para o Carnaval 2027. O tema, que percorre história, religiosidade, cultura, política e simbolismos, mantém viva a expectativa da comunidade, principalmente após o excelente desfile de 2026, quando Chico Xavier foi levado à avenida. Integrado ao trabalho que vem sendo desenvolvido pela escola, Leozinho Nunes comentou ao CARNAVALESCO o que espera para o próximo desfile:

“A gente fez um belíssimo desfile, mas infelizmente ficamos em 6º lugar. Eu acho que a gente merecia um pouquinho a mais, mas Deus sabe o que faz. A gente vai trabalhar muito para conquistar voos maiores”, finaliza.

A demonstração de alegria e vitalidade do intérprete é um exemplo de postura na ala musical e energiza toda a comunidade depois de tudo o que enfrentou. O carnaval cura, e o casamento entre Leozinho Nunes e a Tom Maior já superou a etapa de ser promessa ou algo promissor. É uma realidade.

‘Norte nos dá sorte!’: Soberanos esperam ano grandioso para a Beija-Flor em 2027

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Foto: Thomas Reis/Divulgação Rio Carnaval

Para conquistar a décima sexta estrela, a Beija-Flor aposta em um enredo que evoca um passado campeão. “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, enredo de 2027, é uma referência ao desfile que deu o título à escola em 1998. Os torcedores da Soberana já estão ansiosos para repetir a vitória no próximo ano e compartilharam suas expectativas com o CARNAVALESCO. Em 1998, a Beija-Flor levou para a avenida o enredo “Pará – O Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu”, que consagrou a sexta estrela da escola. Agora, para 2027, a agremiação levará para a avenida a trajetória da ambientalista Zeneida Lima, reconhecida como a última pajé marajoara. A história de Zeneida é retratada no livro O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó (1992), no qual o enredo de 1998 foi baseado.

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Como os grandes carnavais dos anos 1990, relembrar a vitória toca em um lugar afetivo para os apaixonados pela Soberana. O torcedor Gabriel Bellino conta que foi o primeiro campeonato de que se lembra de assistir quando criança e ressalta a importância de retomar essa memória, agora sob a ótica do protagonismo feminino. O sambista também destaca que falar do Norte sempre é um bom presságio para a Beija-Flor.

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Fotos: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Eu acho importante por dois fatores: primeiro, por estar celebrando uma mulher tão importante, porque a gente sente falta dos enredos femininos; e pela questão do Pará. Toda vez que a gente está falando do Norte, parece que traz uma energia boa, que sempre dá um resultado bom para a gente. Já fomos campeões duas vezes com enredos sobre o Amapá e o Pará, e a expectativa está boa. Acho que o mundo do samba aceitou bem o enredo também. Eu vejo os comentários em geral na internet, a galera está gostando”, afirmou.

Confirmando o potencial agregador do carnaval, assim como Nilópolis contará a história de Marajó, o portelense e paulista Fabio Gatamorta vestiu a camisa da Soberana enquanto aguarda a posição da escola para o próximo carnaval. Sambista “raiz”, destaca que é fruto de uma mistura de todas as escolas, mas se identifica com a Beija-Flor e já tem expectativas altas para mais uma narrativa sobre a força do Norte contada na Sapucaí.

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“Eu gostei, gostei bastante do enredo. Sou portelense, a Portela vai falar de Monarco, sou paulista e corinthiano. Eu sou uma mistura, porque eu gosto de carnaval, e a camisa que eu mais me identifiquei este ano foi a da Beija-Flor. Hoje resolvi fazer essa homenagem”, disse.

Apesar da esperança em mais um grande enredo sobre o Norte, os torcedores perderam um de seus “amuletos”: a escola não desfilará em seu dia de “sorte”, a segunda-feira. Para a torcedora Isis Araujo da Silva, agente comunitária que vive intensamente o carnaval e sua escola de coração, o enredo de “Zeneida” está mais do que aprovado. Mesmo com o desfile marcado para o primeiro dia do Grupo Especial em 2027, domingo, o que importa mesmo é ver sua escola campeã.

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“Eu vibro pela vitória da minha Beija-Flor. Eu estou aqui, acreditando na possibilidade do primeiro lugar, da vitória da minha grande Beija-Flor!”, declarou.

Exercícios para ativar o nervo vago e reduzir a ansiedade

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Frequentemente vemos a ansiedade como uma luta mental, uma mente acelerada que se recusa a silenciar. No entanto, a ansiedade consome rapidamente todo o corpo, prendendo-nos em um modo de sobrevivência de “luta ou fuga”. Embora esse estado nos ajude a escapar de um perigo físico, ele é exaustivo durante um dia de trabalho comum. Nossa frequência cardíaca aumenta, os músculos ficam tensos e a respiração torna-se curta. Precisamos de uma maneira de acionar o “pedal de freio” nessa resposta ao estresse, e o segredo reside na nossa própria fisiologia. Seu corpo possui um sistema embutido para descanso, conhecido como sistema nervoso parassimpático. Em seu centro está o nervo vago, que sinaliza efetivamente ao seu cérebro que você está seguro.

Entendendo seu Nervo Vago

O nervo vago é o mais longo e complexo dos nervos cranianos. Ele funciona como uma supervia, viajando do seu cérebro até o seu intestino, passando pelo coração e pulmões ao longo do caminho. Como ele toca tantos órgãos vitais, sua influência em seu estado geral é imensa. Quando seu nervo vago está funcionando bem — o que especialistas chamam de ter um “alto tônus vagal” — seu corpo pode se recuperar do estresse muito mais rapidamente.

Se você percebe que seu coração acelera facilmente, sofre de problemas digestivos ou mantém uma tensão constante no pescoço, pode estar apresentando sinais de baixo tônus vagal. Você pode pensar no nervo vago como um músculo que precisa de exercícios regulares. Se você nunca o usa, ele se torna “preguiçoso”, e seu corpo luta para sair do modo de estresse. Por que a ativação funciona? Porque ela contorna seus pensamentos. Você não precisa “pensar” para sair da ansiedade; você pode usar ações físicas específicas para forçar seu sistema nervoso a mudar de marcha. A ativação consistente é a chave para construir a resiliência necessária para permanecer calmo durante as tempestades da vida diária.

Exercícios para calma imediata

Quando você sentir a ansiedade aumentando no momento, precisa de ferramentas que funcionem rapidamente. Uma das técnicas mais eficazes é o “suspiro fisiológico”. Isso envolve realizar duas inspirações rápidas pelo nariz — uma longa, seguida por uma mais curta para inflar totalmente os pulmões — e, em seguida, uma expiração muito longa e lenta pela boca. Esse padrão específico de respiração é uma maneira rápida de reduzir a frequência cardíaca. Ele força os pulmões a se expandirem e, então, libera o dióxido de carbono que se acumula quando nos sentimos em pânico.

Outro método poderoso é a estimulação vocal. O nervo vago passa diretamente pelas suas cordas vocais. Quando você cantarola, entoa ou canta, cria vibrações na parte de trás da garganta que estimulam diretamente as fibras nervosas. Você não precisa ser um músico para ver resultados; simplesmente cantarolar uma nota baixa e constante por um minuto pode fazer uma diferença notável em quão centrado você se sente. Por fim, considere o poder da exposição ao frio. Salpicar água fria no rosto ou segurar uma bolsa de gelo contra o peito ativa o “reflexo de mergulho dos mamíferos”. Essa resposta biológica antiga reduz instantaneamente a frequência cardíaca como se você estivesse mergulhando em água fria, proporcionando um reset físico e imediato para o seu sistema nervoso.

Técnicas físicas para regulação do sistema nervoso

Além da respiração e do som, você pode usar movimentos corporais sutis para sinalizar segurança ao seu cérebro. Um método muito conceituado é um exercício específico de movimento dos olhos. Tente manter a cabeça perfeitamente imóvel enquanto olha o mais longe que puder para a direita apenas com os olhos. Segure essa posição por cerca de trinta segundos até notar uma liberação física, como um suspiro, engolir em seco ou um bocejo. Em seguida, repita o processo olhando para a esquerda. Esse movimento simples alonga os pequenos músculos na base do crânio, que estão estreitamente conectados ao nervo vago, sinalizando ao seu cérebro que você está fora de perigo.

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Alongamentos suaves de pescoço e garganta também podem proporcionar alívio, pois liberam os músculos tensos que frequentemente “comprimem” a via do nervo vago. Além disso, concentre-se em mudar da respiração peitoral para a respiração diafragmática. A maioria de nós respira na parte superior do peito quando estressada, o que mantém o corpo em modo de alerta máximo. Em vez disso, coloque uma mão no estômago e concentre-se em empurrá-la para fora a cada inspiração. Ao respirar fundo até a barriga, você massageia as fibras nervosas localizadas no diafragma, incentivando o corpo a entrar em um estado de descanso.

Hábitos de estilo de vida para apoiar o tônus vagal

Embora esses exercícios sejam ótimos para alívio imediato, você também pode apoiar sua saúde vagal por meio de hábitos diários. O movimento consciente, como ioga, Tai Chi ou até mesmo uma caminhada lenta e deliberada, ajuda a manter seu sistema nervoso fluido e responsivo. Essas atividades ensinam seu corpo a atravessar o estresse em vez de ficar preso nele.

A conexão social é outro fator surpreendente, porém essencial. Interações positivas, como rir com um amigo, abraçar ou até mesmo manter um contato visual firme e caloroso, demonstraram desencadear a atividade vagal. Somos seres sociais, e nossos sistemas nervosos são projetados para se autorregular com as pessoas ao nosso redor. Além disso, tenha em mente o eixo intestino-cérebro. Como o nervo vago tem uma presença maciça no seu trato digestivo, o que você come importa. Uma dieta rica em alimentos integrais apoia um intestino saudável, que por sua vez envia sinais mais claros e calmantes ao seu cérebro através do nervo vago.

Construindo sua rotina

Lembre-se de que a consistência é muito mais importante do que a intensidade. Você não precisa passar horas praticando essas técnicas. Em vez disso, trate-as como “micropráticas” que pode entrelaçar facilmente no seu dia a dia. Cantarole enquanto está no banho, pratique a respiração profunda na barriga enquanto seu café é preparado ou use o exercício de movimento dos olhos antes de iniciar o trabalho. Ao integrar esses hábitos, você para de apenas reagir à ansiedade; você constrói um sistema nervoso resiliente, flexível e calmo. Escute seu corpo e escolha ferramentas eficazes. O verdadeiro alívio começa com essas pequenas escolhas.

Mangueira 2027: samba da parceria de Gustavo Louzada

Compositores: Gustavo Louzada, Dulce Santos, Alexandre Naval, Valtinho Botafogo, Raimundo Santa Rosa

RASGOU O CÉU, O RAIO ANUNCIOU, OYÁ DEWO
FORÇA DESCOMUNAL, A DONA DO TEMPORAL
OYÁ DEWO! OYÁ DEWO! DEWO
ELA É A BRISA QUE PRINCIPIA EM ESPIRAL
A VENTANIA, ENERGIA DO CORAL
É TERRACOTA ENGRANDECIDA PELA FÉ
Ó NI LÁBÁ-LÁBÁ, Ó NI OLÚAFÉÉFÉ

OS TAMBORES QUARTA-FEIRA
NOS TERREIROS EM MANGUEIRA
AJERÊ CARREGA A CHAMA, PRECEITO DO CANDOMBLÉ
FAZ UM BANHO DE ERVA PRATA, PÕE DENDÊ NO ACARAJÉ

LEVE FEITO BORBOLETA, GRANDEZA DE UM EFÒN
PODER DA TRANSFORMAÇÃO, IMPÕE E DOMINA
INTENSIDADE DE CADA MUDANÇA
GUERREIRA, POTÊNCIA FEMININA
A TEMPESTADE QUE TRAZ A BONANÇA
BELA RAINHA DO AMOR DE OGUM, DE XANGÔ
REDEMOINHA NO AMOR DE XANGÔ, DE OGUM
SENHORA DA LIBERDADE, MÃINHA DOS NOVE ORUNS
INSPIRADORA DE MÃES PROVEDORAS
AVASSALADORAS FILHAS DE IANSÃ
PARA O QUE DER E VIER, O AXÉ DA SUPERCAMPEÃ

ALAFIOU! A DONA DO MUNDO
MOVE MOINHO, SACODE A ROSEIRA
ALAFIOU! ELA DANÇA NO VENTO
A MÃE QUE PROTEGE A ESTAÇÃO PRIMEIRA

OYÁ TETE, OYÁ TETE, AÌYÀGBÀ
OYÁ TETE, OMO OLÓYÁ, OYÁ TETE AÌYÀGBÁ
EPAHEY IANSÃ, OYÁ POR NÓS, A POEIRA VAI SUBIR
É BOM SE SEGURAR (Ô)
CUIDADO QUE A MANGUEIRA VEM AÍ

Mangueira 2027: samba da parceria de Chacal do Sax

Compositores: Chacal do Sax, Verônica dos Tambores, Laura Roméro, Rafael Capiberibe, Giovani e Ronie Machado
Intérpretes: Pixulé, Lissandra Oliveira e Juan Briggs

Vento que sopra e abre os caminhos
É gira de Ketu pro povo passar!
A força que vai conduzir meu destino
Relampejou… vai clarear!
Rainha dos insurgentes
Seu raio tem energia
A mãe de toda essa gente
A natureza bravia
Sagrada, imponente, potente no axé
A borboleta-mulher!

Oyá te te, Oyá te te Ayabá!
Oyá te te Oloyá, Oyá te te!

Ah, Epahey mamãe, Oyá!
Sou filho seu, nasci pra guerrear!
A dona do meu ori é bravura e amor
A brasa viva da fogueira de Xangô

Senhora do ajerê
Acarajé já preparei pro ajeum!
Em cada Ilê-axé
Sagrado é o obé do axogum!
Dança, rainha, no afefé
Nas ruas e afoxés
Governa minha fé… Odara!
Fio de contas vermelho no peito
Não ouse me desafiar!
Homem nenhum pode me calar!

Quando ela passa, nada fica no lugar!
Incendeia, mãe! Incendeia!
Eu não seria nada sem Oyá!
Quem é do fogo tem dendê na veia!

Ô, ô ogã, bate o daró ogã!
Eu sou Mangueira, ventania de Yansã
Iluminando essa favela inteira
Oyá por nós da Estação Primeira!

Mangueira 2027: ouça o samba-enredo campeão

Compositores: Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Orlando Ambrósio, Guilherme Sá, Paulinho Bandolim
Intérpretes: Tinga e Grazzi Brasil
Intérprete Convidada: Daniela Mercury

QUANDO TOCA O ADARÓ SOMOS TANTAS NUMA SÓ
A NAÇÃO EVOCA MINHA MÃE IANSÃ VIRA TEMPO, TEMPESTADE
PRA VARRER TODA MALDADE, SOB OS RAIOS DA MANHÃ AH! EPARREY MEU POVO É TROVOADA
O TAMBOR DO RECOMEÇO QUANDO VIRA A ENCRUZILHADA SOU REBELDIA DE OLUAFEFÉ
PELE DE BÚFALO NO CORPO DE MULHER AFULELÉ ADÊ Ô, DEIXA INCORPORAR OLONIFÉ DE OGUM, FORJA PRA LUTAR PAIXÃO QUE ATIÇA, FOGO DE AKARÁ
NO CORAÇÃO DE XANGÔ DEIXA ELA GIRAR

IYÁ MESAN ORUN… TREME-TERRA DESCE O MORRO, SOBE O RUM… É GUERRA BATE O OGUÊ QUE O SANGUE TEM DENDÊ
TÁ PRA NASCER QUEM MANDA NELA

ELA DANÇA NO ILÊ AXÉ, DÁ CAMINHO NO AXEXÊ FAZ DO SEU FURACÃO, BALÉ, DONA DO AJERÊ MEU ORÍ, TUA CORAGEM, LIBERDADE OBIRÍN
PORQUE NÃO EXISTE MACHO QUE LEVANTE A MÃO PRA MIM É QUE EU SOU PRETA MACUMBEIRA E DE OYÁ
SOU VENTANIA QUE NINGUÉM PODE AFRONTAR COLO DE KETU, SOLO DO GUETO, FORÇA DE ORIXÁ
QUEM TEM FÉ NA QUARTA-FEIRA SABE QUE EU NÃO ANDO SÓ O BRASIL DA INTOLERÂNCIA EU DESPACHO NO EBÓ
NADA FICA NO CAMINHO, A RAINHA VAI PASSAR SEGURA QUE O XIRÊ VAI COMEÇAR

OYÁ TETÊ OYÁ TETÊ OYÁ OYÁ TETÊ OYÁ MANGUEIRA YABÁ Ê MAMÃE, TRAZ DE NOVO TEU AXÉ
RELAMPEJOU PRA VITÓRIA.. MOTUMBA LÈ

Mangueira 2027: samba da parceria de Arlindinho

Compositores: Arlindinho, Pedro Terra, Tomaz Miranda, Herval Neto, Paulo César Feital e Igor Leal

OYÁ OLHAI POR NÓS, IYÁ MESAN GUERREIRA TEM FUNDAMENTO NO MEU IGBÁ
O CÉU VAI RELAMPEJAR, CHEGOU A ESTAÇÃO PRIMEIRA
A NOVE PASSOS DO ORUN, LUTAI COM A ESPADA DE OGUM POR TODA MULHER, MANGUEIRA
É FOGO O AMOR DE XANGÔ, ESQUENTA O AJERÊ BANHA O CASAL DO DENDÊ DE VERDE E ROSA
NA FÚRIA DE UM FURACÃO A FERA VAI SE TRANSFORMAR ASAS DE LÁBÁ-LÁBÁ, LARÔ, EXU ELEGBARA

Ô GIRA A SAIA VAI COMEÇAR O XIRÊ BATE CABEÇA É NOITE DE TEMPESTADE VARRE A MALDADE, DERRAMA O PODER OYÁ TETÊ É TEMPO DE LIBERDADE

VENTANIA NA FAVELA
QUEM ME PROTEGE É MEU ORIXÁ ARMADA DE ADAGA E FIO DE CONTA PODE VIR DEMANDA EU VOU DERRUBAR FAZ AJEUM, ABARÁ E ACARAJÉ
CHAMA YAÔ, O POVO DE SANTO E OS FILHOS DE FÉ O MEU ORI É SEU E O NOSSO AXÉ VENCEU

AH, EPAHEY, ELA É OYÁ, A BELA OYÁ AH, EPAHEY, A MINHA MÃE É IANSÃ
É QUARTA-FEIRA TEM MACUMBA NA MANGUEIRA BATUQUEI A NOITE INTEIRA AMANHECI CAMPEÃ

DOBRA O ADARÓ, RUFA O ALUJÁ, NO TOQUE DE GUERRA A MANGUEIRA VAI PASSAR DOBRA O ADARÓ E O ALUJÁ, NO TOQUE DE GUERRA A MANGUEIRA VAI PASSAR

AH, EPAHEY, ELA É OYÁ, A BELA OYÁ AH, EPAHEY, A MINHA MÃE É IANSÃ
É QUARTA-FEIRA TEM MACUMBA NA MANGUEIRA BATUQUEI A NOITE INTEIRA AMANHECI CAMPEÃ

Mangueira 2027: samba da parceria de Bete da Mangueira

Compositores: Bete da Mangueira, Jorge Luiz da Mangueira do Amanhã, Denise Mineira, Vera de Jesus, William César

DEIXA CHOVER, DEIXA VENTAR
RELAMPEJOU, ÒRUN A CLAREAR
TRAZENDO ÀSE AO POVO VEM CHEGANDO A VERDE E ROSA
SAUDAÇÕES OYÁ!

VAI COMEÇAR O XIRÊ, O TAMBOR Á ECOAR
ÈSÙ ABRE OS CAMINHOS, PRA ELA PASSAR
VAMOS CANTAR PRA YABÁ, EPARREY OYÁ
NUVENS DE CHUMBO NO OLHAR
CHEGOU PRA GUERREAR
MISTÉRIO DAS MUTAÇÕES
ELA É TUDO O QUE QUISER
VOA AOS NOVE CÉUS A LIBERDADE
BORBOLETA FLOR MULHER

DEUSA, DA TEMPESTADE,
NO FIO DA ESPADA LUTOU POR AMOR
ACENDEU SUA BRASA ARDENTE, E NOVA PAIXÃO CONQUISTOU
MULHER DE DENDÊ, COMANDANTE DE GUERRA
FEZ REVOLUÇÕES E AFETO NA TERRA

ABREM-SE OS TERREIROS
É NOITE DE CANDOMBLÉS
MACUMBA PURA NO BAILADO DE IANSÃ
TEM CANTORIA E DEFUMAÇÃO
DAMA DO TEMPO GOVERNAI NOSSA NAÇÃO HOJE É SUA FESTA MANIFESȚAÇÃO AFRO-BRASILEIRA
BATUQUE, AFOXÉ, MARACATU,
HONRAMOS SEU LEGADO MATRIARCAS E HERDEIRAS

RODOU A SAIA, SEU GIRAR SE FEZ O VENTO
SEU SOPRO VARREU CORRENTES
DONA DO VENDAVAL,
NO MEU PAVILHÃO CELEBRAÇÃO É CARNAVAL AGUERÊ VAI DA FAVELA AOS ANCESTRAIS
OYÁ POR NÓS, MANGUEIRA VENTO DE PAZ!