A Câmara Municipal de Nilópolis realizou uma sessão solene emocionante em homenagem à Beija-Flor, consagrando a escola como um dos maiores símbolos da identidade cultural do município. Durante a cerimônia, foram oficializadas três conquistas marcantes: o reconhecimento da Beija-Flor como Patrimônio Cultural e Imaterial de Nilópolis, a inclusão do seu símbolo na Lei Orgânica da cidade, e a criação da Avenida Beija-Flor de Nilópolis, novo nome da antiga Rua Pracinha Wallace Paes Leme, via onde está localizada a quadra da escola.
A sessão reuniu figuras emblemáticas da agremiação, como o casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso, os intérpretes Nino e Jéssica Martins, as ex-rainhas de bateria Neide Tamborim e Sonia Capeta, além do carnavalesco João Vitor Araújo. Também esteve em destaque o troféu de campeã do Carnaval 2025, exposto no plenário como símbolo recente da grandiosidade da azul e branco.
Para o presidente da Beija-Flor, Almir Reis, o momento é de emoção e reconhecimento: “Esse momento representa muito para todos nós. É o reconhecimento da importância da Beija-Flor não só como escola de samba, mas como força cultural e social de Nilópolis. Essa conquista é, sobretudo, consequência do trabalho incansável do nosso eterno presidente de honra, Anísio Abraão David, que dedicou a vida à Beija-Flor e à valorização da nossa cidade.”
Com raízes profundas em Nilópolis e reconhecimento nacional e internacional, a Beija-Flor segue fazendo história — agora com seu legado eternizado nas leis, nas ruas e no coração da cidade.
A Em Cima da Hora oficializou a chegada de Vinicius Drumond como seu novo patrono. Nome conhecido nos bastidores do carnaval carioca, Vinicius é filho de Luizinho Drumond, lendário presidente da Imperatriz Leopoldinense, e traz consigo a experiência de quem também já foi vice-presidente da agremiação de Ramos. Agora, ele se junta à azul e branco de Cavalcanti para contribuir com a escola na Série Ouro.
O nome de Vinicius Drumond é associado a uma atuação discreta, mas constante, na sustentação de projetos de escolas, seja com apoio financeiro ou articulação nos bastidores. A chegada dele é vista como mais um passo na reconstrução da Em Cima da Hora, que busca solidez administrativa e competitividade na Marquês de Sapucaí.
Para o Carnaval 2026, a Em Cima da Hora levará para a Sapucaí o enredo “SACOA-Y-REMA, Onde o Altar Encontra o Mar”, do carnavalesco Rodrigo Almeida. A proposta é exaltar a cidade de Saquarema, revelando suas belezas naturais, a força da religiosidade, as lutas históricas e a riqueza da cultura popular fluminense.
Depois do amargo sabor da injustiça no Carnaval 2025, quando apresentou um desfile elogiado e mesmo assim ficou fora do sábado das campeãs, o Salgueiro retorna à Marquês de Sapucaí com a dignidade de quem transforma frustração em força. E não volta de qualquer forma. A Academia do Samba promete um espetáculo que mistura reverência e emoção, colocando no centro da avenida uma das figuras mais brilhantes da história do carnaval: Rosa Magalhães. * LEIA AQUI A SINOPSE DO ENREDO
A escolha não poderia ser mais simbólica. Homenagear Rosa é reconhecer uma mestra que moldou, com delicadeza e genialidade, a linguagem dos desfiles. Sua assinatura estética e narrativa é responsável por momentos inesquecíveis da folia, e o Salgueiro, que já teve Rosa como carnavalesca, como em 1991, quando ela conquistou o vice-campeonato, agora a consagra como enredo.
Comandando esse tributo está o carnavalesco Jorge Silveira, em sua segunda temporada na escola. A proposta é clara: mergulhar na mente criativa de Rosa e celebrar sua trajetória como professora, artista e revolucionária da arte carnavalesca. O título do enredo já nos dá o tom do delírio poético que se pretende: “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”. É Rosa em estado puro. Mérito também de Leonardo Antan, enredista da escola.
A sinopse apresenta uma verdadeira viagem pela memória do carnaval brasileiro, costurada com elementos que Rosa eternizou em suas obras. Um dos trechos mais tocantes resume o espírito da homenagem: “Professora, hoje, sua herança desfila aqui… Todos somos seus honrosos alunos”. É um desfile que nasce do afeto e da admiração. É o Salgueiro se colocando, com humildade e orgulho, como herdeiro da sabedoria dessa mulher que ensinou o carnaval a contar histórias com alma.
Entre as muitas escolas por onde Rosa passou, a Imperatriz Leopoldinense ocupa lugar especial. Foi ali que viveu uma fase de ouro, com carnavais consagrados que marcaram época. Citar a Imperatriz na sinopse não é apenas uma lembrança é o reconhecimento de que Rosa é patrimônio de toda a folia carioca, uma artista que transcende os barracões.
O Salgueiro também escreve sua própria página histórica: pela primeira vez, no modelo organizado pela Liesa, será a escola responsável por encerrar o Carnaval do Rio. Na terça-feira, 17 de fevereiro, a vermelho e branco terá os olhos sobre si. Um posto de honra, mas também de responsabilidade. E quem melhor do que Rosa para dignificar esse gran finale?
A expectativa é alta, mas justa. O desfile carrega a potência de um tema apaixonante e a vontade de uma comunidade que quer e pode voltar ao topo. Se o desfile traduzir tudo o que a sinopse promete, o Salgueiro tem nas mãos a chance de transformar a dor do injusto resultado do Carnaval 2025 na sua redenção. Rosa Magalhães merece todas as homenagens. Que a Sapucaí vibre, que o samba ecoe, e que esse tributo se transforme em história.
A partir desta terça-feira, 8 de julho, a quadra da Grande Rio será palco de mais uma temporada do Projeto Samba de Ouro, iniciativa que promove o ensino e a valorização da cultura popular por meio da dança. Com turmas para todos os níveis, o projeto acontece às terças-feiras e aos sábados, com aulas de samba no pé para iniciantes e avançados, além de um espaço dedicado às danças típicas brasileiras. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link.
Os encontros serão conduzidos por um time de profissionais experientes com longa trajetória no carnaval: Luciene Santinha, Allan Bastos, Caroline Mota, Ananda Dias e Avelino. Às terças, as aulas acontecem das 19h às 21h, com foco no samba no pé em dois níveis. Aos sábados, das 10h às 12h, o ritmo começa com o samba no pé e se amplia para outras expressões da dança brasileira, com direção artística voltada à diversidade dos movimentos e à valorização dos ritmos nacionais.
Em uma ação delicada e simbólica, o Salgueiro distribuiu rosas vermelhas na última sexta-feira, na Rua do Ouvidor, no Centro do Rio. A iniciativa emocionou os pedestres e teve como objetivo anunciar o grande tributo que será realizado no dia 26 de julho, na quadra da escola, em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, um ano após sua morte. A escolha do local para a distribuição das flores remete ao enredo apresentado por Rosa em 1991, “Me masso se não passo pela Rua do Ouvidor”, quando conquistou o vice-campeonato com o Salgueiro. A cena, recriada agora de forma poética, relembra a ligação da artista com o centro histórico carioca e com a própria escola, onde iniciou sua trajetória na década de 1970.
O tributo do próximo dia 26, que será realizado na quadra da Silva Teles, no Andaraí, contará com uma apresentação artística especial dirigida pelo coreógrafo Paulo Pinna. A noite promete reunir segmentos da escola e convidados para celebrar a vida e a obra da carnavalesca que marcou gerações com sua sensibilidade estética e narrativa.
Em 2026, o Salgueiro encerrará os desfiles da Marquês de Sapucaí com o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, uma homenagem à trajetória de Rosa. O tema será desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira e pelo curador Leonardo Antan, com colaboração de Ricardo Hessez e Allan Barbosa.
Para Silveira, Rosa foi “o maior nome que a cultura carnavalesca brasileira produziu”, e o enredo será uma forma de traduzir sua genialidade e seu humor refinado. Leonardo Antan destaca o caráter pedagógico da homenagem: “Rosa foi uma artista que redefiniu a linguagem do carnaval, misturando povos, tempos e saberes com profunda pesquisa e sensibilidade”.
Artista múltipla, Rosa Magalhães unia formação em pintura, cenografia e indumentária à experiência como professora da Escola de Belas Artes da UFRJ. Foi campeã do Grupo Especial em oito ocasiões e responsável pela cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007, que lhe rendeu um Emmy Internacional. Sua passagem pelo Salgueiro, especialmente nos anos 1990, foi decisiva para sua carreira e para a renovação estética da escola.
O tributo e o enredo reafirmam o legado imortal da carnavalesca. Rosa não era só uma flor. Era um gesto. Uma lembrança. Um carinho silencioso entregue no meio da cidade, como quem sussurra: Rosa vive.
Serviço — Tributo a Rosa Magalhães
Evento: Tributo a Rosa Magalhães
Data: Sábado, 26 de julho de 2025
Horário: A partir das 20h30
Local: Quadra do GRES Acadêmicos do Salgueiro
Endereço: Rua Silva Teles, 104 – Andaraí, Rio de Janeiro
Atrações: Apresentação artística dirigida por Paulo Pinna, participação de segmentos da escola, convidados especiais e celebrações em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães
Ingressos: Em breve à venda nos canais oficiais do Salgueiro
Classificação etária: Livre
Informações: @salgueirooriginal (Instagram) ou www.salgueiro.com.br
O carnaval do Rio de Janeiro ganha um novo aliado tecnológico em 2026. O Mercado Pago foi anunciado como o banco oficial do Rio Carnaval, iniciativa da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), e ampliará sua atuação muito além da Sapucaí. Além da pré-venda de ingressos para os desfiles do Grupo Especial, o banco digital também vai operar as vendas de comidas e bebidas nas quadras das 12 escolas de samba do Grupo Especial e nos eventos oficiais da festa.
A mudança já começa a valer no dia 8 de agosto, durante a “Noite dos Enredos”, que marca a apresentação dos temas que cada agremiação levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2026, na Cidade do Samba. A partir deste evento, todos os operadores utilizarão exclusivamente as maquininhas do Mercado Pago.
A iniciativa representa um passo significativo na modernização da experiência do público com o carnaval carioca. “A Liesa e o Mercado Pago compartilham o mesmo propósito de valorização à cultura. A tecnologia que o novo banco oficial do Rio Carnaval traz para o maior espetáculo da Terra reforça que essa parceria vai muito além do campo financeiro, sendo um passo estratégico para aprimorar ainda mais a experiência daqueles que vivem a folia”, afirmou Gabriel David, presidente da Liesa.
Para o Mercado Pago, a união consolida uma estratégia de aproximação com o universo do samba e seus milhões de apaixonados. “Há dois anos, iniciamos campanhas com foco no Carnaval e o sucesso da nossa estratégia mostrou o potencial dessa data como um grande motor de engajamento para a marca. Com essa nova parceria, reforçamos ainda mais o nosso objetivo de apoiar um evento que movimenta a vida de milhões de brasileiros”, declarou Pethra Ferraz, vice-presidente de marketing da empresa.
A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) inicia na quarta-feira uma nova etapa da venda de ingressos para os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval 2026. Os ingressos de arquibancadas especiais poderão ser adquiridos, inicialmente, por clientes do Mercado Pago, banco digital do Grupo Mercado Livre, que passa a se tornar o banco e o meio de pagamento oficial do evento. A abertura para o público em geral acontece no domingo. Para adquirir o ingresso, que terá preços entre R$ 200 (R$ 100 a meia) e R$ 230 (R$ 115 a meia), o cliente do banco digital deve acessar normalmente o ambiente de vendas da plataforma oficial, a partir das 10h, pelo site www.riocarnaval.com.br/ingressos e escolher o setor desejado. Quem ainda não for cliente poderá abrir uma conta gratuitamente para garantir a sua vaga antecipada.
Já os demais espectadores poderão comprar os ingressos a partir de domingo, às 10h. Cada CPF poderá adquirir até quatro ingressos, sendo apenas uma meia-entrada. Todas as modalidades de vendas serão exclusivamente online.
Os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval 2026 acontece, nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, com as seis primeiras colocadas retornando ao Sambódromo no dia 21 para festejar no Sábado das Campeãs.
Como solicitar o cartão de crédito Mercado Pago
Baixe o app do Mercado Pago na loja de aplicativos do celular. Em seguida, faça o cadastro com seus dados pessoais e confirme a identidade com um documento (RG ou CNH em mãos). Com a conta criada, já é possível solicitar o cartão de crédito Mercado Pago. Após a análise e aprovação, o cliente poderá começar a usar o cartão digital imediatamente.
Mesmo com a temperatura girando em torno dos 14°C, no último domingo, a quadra da Mocidade Unida da Mooca, sob o viaduto Bresser, foi puro calor humano. A escola foi a primeira do Grupo Especial de São Paulo a lançar, de forma oficial, seu samba-enredo para o Carnaval 2026. A obra que embalará o desfile “Gèlèdés – Agbara Obinrin” é assinada por Lucas Donato, Gui Cruz, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinicius, Vitor Gabriel, Biel, Mateus Pranto e Willian Tadeu. E bastaram os primeiros acordes para mostrar que o samba já está na ponta da língua da comunidade. * OUÇA AQUI O SAMBA-ENREDO
Samba antes da sinopse
A dinâmica para coroar um samba-enredo na Mocidade Unida da Mooca é bastante peculiar. A canção, por exemplo, precede a sinopse. Esse é um ponto importante para entender uma das tantas particularidades da MUM, segundo Vitor Gabriel, diretor de carnaval da escola e um dos autores do samba.
“Desde 2017, a Mocidade Unida da Mooca opta por um processo interno. A gente não abre disputa. A escola seleciona alguns compositores, monta uma ala interna e desenvolve o samba, inclusive com a presença do presidente. Aqui, o presidente também é compositor. Ele é um pouquinho carnavalesco, um pouquinho compositor… se envolve bastante”, revelou.
Gui Cruz, também compositor e intérprete da escola, reforçou: “Na Mooca, quem manda é a música. A gente sente a energia e escreve. O texto base existe, claro, mas a construção parte do que a melodia nos inspira”.
Gui Cruz (intérprete), Marcos Vinicius (diretor musical) e Vitor Gabriel (diretor de carnaval) que assinam o samba com os compositores Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Biel, Mateus Pranto e Willian Tadeu. Fotos: Gustavo Lima e Will Ferreira/CARNAVALESCO
Fórmula que dá certo
Rafael Falanga é constantemente citado pelos artistas da escola como parte fundamental do sucesso. “Aqui, o presidente é um pouco carnavalesco, um pouco compositor, um pouco de tudo. Ele se envolve em todas as etapas”, diz Vitor Gabriel.
Falanga também fez questão de valorizar o caminho trilhado: “Damos liberdade para os compositores se expressarem com o coração. Música é sentimento. E é essa emoção que queremos levar para a avenida”, declarou.
Gui Cruz (intérprete) e Marcos Vinicius (diretor musical) – ambos compositores do samba
Marcos Vinícius, outro compositor da canção, complementa: “A música fala primeiro. Não tem como a gente colocar uma letra dentro de um samba-enredo sem uma música . conduzindo o trabalho da ala musical e já saio um passo na frente”, comemorou.
Elogios à equipe
Outro profissional do MUM elogiado foi o carnavalesco Renan Ribeiro. Quem teceu homenagens a ele foi Vitor Gabriel: “O processo com o carnavalesco foi super tranquilo. O Renan é um cara que, além de ser um profissional excelente no seu trabalho, é muito aberto para as ideias. Eu participei desde a construção do enredo, desde quando a proposta surgiu. A acessível dele por esse desenvolvimento do enredo e do samba é a prova viva disso – porque, no samba, o compositor sempre foge um pouco do que o carnavalesco imaginava”, revelou.
Nada disso, entretanto, aconteceu com o carnavalesco da MUM: “Ele é um cara que não foi resistente a isso – pelo contrário: ele foi super agregador e gostou da proposta do samba. Mesmo as partes que estavam fora da ideia inicial dele, ele buscou se adaptar. Hoje, a gente já está na parte de produção dos pilotos, a gente já fez a construção final da sinopse e, tudo isso, o Renan foi se ajustando com a equipe dele. Tem sido super tranquilo, mesmo”, disse Vitor Gabriel.
Outro nome importante da Mocidade Unida da Mooca elogiado foi Rafael Falanga. E quem o elogiou foi Marcos Vinícius, relembrando a própria história dele na instituição: “Eu já tinha desfilado na MUM como cavaquinista por dois anos. O Rafael é um amigo de longa data.
Trio de intérpretes
Sté Oliveira, intérprete que passa a ser uma das oficiais do MUM a partir do ciclo de 2026, também elogiou o mandatário da agremiação: “O sentimento é de muita garra e muito carinho. sintetizou.
No fim das contas, as palavras de Sté Oliveira ressoam e destacam não apenas o enredo da MUM, para o papel social de uma escola de samba: “A verdade é que o tema faz parte da minha vida. O enredo não está falando só de mim, Sté, mulher preta, mas representa milhares de mulheres. Estou muito grata por estar cantando a minha própria história”, emocionou-se.
Sté Oliveira, intérprete que passa a ser uma das oficiais do MUM a partir do ciclo de 2026
O elogio de Marcos Vinícius foi feito para um dos intérpretes da agremiação: “Acho que Deus coloca tudo no lugar certo. Para esse ano, já temos a volta do Gui Cruz para o tempo, que é um cara que tem dez sambas na escola e conhece os caminhos. Eu só quero agradecer a Deus e aos orixás por ter feito essa especificamente, porque é a primeira vez da escola no Grupo Especial e a gente foi agraciado com esse presente”.
Emerson Dias, outro componente do trio de intérpretes da Mocidade Unida da Mooca, fez questão de elogiar os companheiros de microfone principal: “Tem coisas que são inexplicáveis – e a gente não tem dimensão para poder falar o que acontece. Eu tinha escutado o samba, eu já vinha trabalhando ele lá do Rio de Janeiro. Ainda não tinha feito nada com a comunidade, nem com o Gui e a Sté – que, para mim, são um tesouro. Mais uma voz do carnaval de São Paulo que vai ganhar o Brasil, assim como Eliana de Lima, Bernadete e Grazzi Brasil”, comentou.
Emerson Dias, componente do trio de intérpretes da Mocidade Unida da Mooca
Ele também enalteceu a comunidade mooquense: “A comunidade já roubou o samba e é acostumada a cantar. Parece que eles têm um grave defeito que é só fazer samba bom. A gente começou a cantar aqui um pedaço da discografia e foi só ‘porradão’, com a escola cantando muito. É um privilégio poder estar aqui mais um ano um ao lado daquelas pessoas que tanto batalharam para levar a escola ao Grupo Especial. O sonho foi realizado, a comunidade está feliz e eu acho que a escola tem um potencial muito grande para conquistar muito espaço ainda no carnaval de São Paulo. Tenho certeza de que a gente vai permanecer em uma posição muito boa e segura”, prometeu.
Palavra do presidente
Não foi apenas o samba que foi elogiado por Rafael Falanga – ele também fez questão de enaltecer o enredo da escola: “É muita felicidade! Mais um grande enredo, e, consequentemente, mais um grande samba. Quero agradecer inclusive os nossos compositores. encontrar raízes na comunidade. É um enredo relevante, é um samba que a comunidade escondeu e parece que é uma coisa natural Hoje foi uma demonstração: a escola cantou muito e acredito que vai ser assim até o final”, comentou.
Presidente Rafael Falanga
O mandatário aproveitou para já projetar uma apresentação da escola, que inaugurará o Grupo Especial de São Paulo em 2026: “A MUM tem uma oportunidade na mão de fazer o maior e o melhor carnaval possível, entregar tudo que ela tiver e mais um pouco para fincar bandeira no Grupo Especial do carnaval de São Paulo. O que acontecer é consequência real de uma oportunidade que nós vamos abraçar com todas as forças, o tempo inteiro, a cada oportunidade que a gente tiver aqui dentro, no Anhembi e no dia do desfile”, vislumbrou.
Adaptações
O diretor de carnaval, Vitor Gabriel, também destacou algumas mudanças que a agremiação fez para estrear no pelotão de elite do carnaval paulistano: “Para começar a conversa, o início da produção dele já foi todo diferente. A Mooca foi a primeira escola a anunciar e divulgar o samba, a gente já divulgou lá no evento da ordem dos desfiles. Já foi diferente a partir daí, nessa antecipação. A Mooca é uma escola que está chegando agora pela primeira vez no Grupo Especial, as outras escolas saem um pouco na frente em processo de produção e tudo mais. Já a gente precisa acelerar alguns processos”, afirmou.
Inaugurar os desfiles da sexta-feira também entra na somatória de novidades do MUM: “Além da atenção e desse processo diferenciado, tem aquele peso do Grupo Especial, de abrir o carnaval no horário nobre na televisão, logo, tem essa questão de adiantar todo esse processo. Foi bem diferente, sem dúvidas”, refletiu.
Preferências
Muitas vezes, o samba-enredo costuma ter diversas partes citadas como favoritas por membros da escola. Em relação ao samba da Mocidade Unida da Mooca para 2026, entretanto, uma dessas partes foi muito comentada: o refrão principal.
Vitor Gabriel foi um deles: “Eu tenho trechos favoritos no samba. Mas eu acho que a cabeça do samba foge um pouquinho do convencional. Ele tem uma virada para a parte do silêncio, onde a bateria faz uma bossa… o meu xodó acaba sendo esse início do samba, mas chamo atenção para o refrão principal e para o refrão no meio. É um samba muito interessante, é um samba curto, samba divertido, samba gostoso de cantar. Eu tenho certeza que vai ser um sucesso para abrir o carnaval”, comentou.
Gui Cruz citou: “Eu gosto muito do refrão de cabeça: ‘Quero ver, casa-grande vai tremer’. Eu acho muito forte, e quando essa comunidade se juntar para cantar lá no Anhembi vai ser sensacional, tenho certeza”, revelou.
Marcos Vinicius foi mais um a ir nessa linha: “O refrão de cabeça tem muita força e impulsos a escola a cantar. Eu costumo dizer que o samba-enredo é meio caminho andado para uma escola de samba ter sucesso no projeto, porque através do samba vem a dança do casal, evolução, canto, bateria. É tudo”, comemorou.
Emerson Dias ratificou: “O refrão de cabeça é de uma vibração única. Ele tem umas quebradinhas que… também vamos abrir um parêntese para esse gênio que é o mestre Dennys. Ele consegue ter uma percepção do que a música pede. Ele faz uns arranjos que completam o que a música está indo. Além de marcar a letra do samba e onde está sendo cantado, marca a posição e o corpo do componente – porque a comunidade se mexe de acordo com o que a bateria está fazendo”, finalizou, elogiando o mestre de bateria da Chapa Quente.
Como foi o evento
O Samba da Barraca, realizado no meio da rua fechada Bresser, deu início aos trabalhos na quadra. Depois, a Chapa Quente, bateria da agremiação comandada por mestre Dennys Silva, fez o esquenta para a comunidade – já com algumas bossas no ritmo do samba de 2026. Após, todos os segmentos da Mocidade Unida da Mooca fizeram um show com pontos de orixás e grandes-sambas-enredo da agremiação.
Rainha de bateria, Valeska Reis
Foi chegada a hora de se despedir de “Krenak – O Presente Ancestral”, samba que garantiu o vice-campeonato do Grupo de Acesso I de 2025 – e o primeiro acesso ao Grupo Especial da história da MUM. O pavilhão de enredo da agremiação também foi trocado ao som do samba-exaltação da escola. E, enfim, a agremiação começou a executar o samba-enredo.
Chamou atenção a evolução da escola, já com os segmentos em uma ordem próxima do desfile. Uma comissão de frente abriu o cortejo, seguida pelo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e ala das baianas. Passistas, malandros, as demais duplas com um pavilhão e outros tantos grupos da agremiação já estavam perfilados. Para dar ainda mais cara de desfile, os componentes passaram a dar a volta pelo quarteirão, entrando e saindo do terreiro da escola pela rua Bresser.
No Carnaval 2026, a Estação Primeira de Mangueira reafirma sua vocação de ser mais que uma escola de samba: se consolida como um instrumento de reconstrução da memória brasileira. Pela segunda vez consecutiva, o carnavalesco Sidnei França aposta em um enredo autoral, agora voltando o olhar para o Norte do país, mais precisamente para o Amapá, com o tema “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”.
A iniciativa vai além da escolha de um personagem pouco conhecido do grande público. É um gesto de ousadia e responsabilidade histórica. Sidnei França, que já demonstrou em sua estreia na Verde e Rosa um apuro na abordagem de figuras simbólicas da cultura negra carioca, agora mergulha nas águas encantadas da Amazônia para trazer à Sapucaí a trajetória de Raimundo dos Santos Souza, o mestre Sacaca: curandeiro, folclorista, conhecedor das ervas e guardião dos saberes afro-indígenas da região tucuju.
Com cinco “encantos”, a sinopse é uma verdadeira celebração da oralidade, da cura ancestral e da sabedoria popular. A Mangueira entra em sintonia com o Brasil profundo. Em tempos em que o carnaval busca se reinventar sem perder sua essência, a escolha por contar uma história enraizada nas tradições do Norte do país é uma forma corajosa de ampliar o território simbólico.
A Verde e Rosa, mais uma vez, se propõe a iluminar figuras que ficaram à margem dos livros oficiais. Ao apostar em mestre Sacaca, a Mangueira faz o que sabe melhor: homenageia o Brasil que canta com a alma, fé e carrega na memória os saberes do povo. É a ancestralidade em movimento, atravessando os rios do Amapá até desembocar em plena Marquês de Sapucaí.
O enredo 2026 da Mangueira é um chamado à reflexão sobre identidade, territorialidade e pertencimento. E mais uma vez, como tem feito ao longo de sua história, a Estação Primeira mostra que o seu carnaval é também um manifesto político, social e cultural.
O Paraíso do Tuiuti anunciou David Lima como o novo coreógrafo da comissão de frente para o Carnaval 2026. O anúncio foi feito pelo presidente Renato Thor durante a feijoada em comemoração aos 73 anos da agremiação, na quadra da escola, em São Cristóvão. Com experiência em escolas como Unidos de Padre Miguel, Acadêmicos de Santa Cruz e São Clemente, David assume o desafio de criar um espetáculo que encante a Marquês de Sapucaí. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o coreógrafo não escondeu sua emoção.
“Estou muito feliz. E não vou medir esforços para dar o melhor para o Tuiuti. Nós já estávamos em conversa, estava tudo meio encaminhado, mas hoje chego aqui e ganho esse presente de ser o coreógrafo do Paraíso do Tuiuti”, contou David, que ainda revelou que foi pego de surpresa com o anúncio público durante a festa.
David Lima adiantou que a abordagem sobre o enredo para 2026: “Loña Ifá Lukumi”, que fala da religiosidade afro-cubana e sua influência no Brasil, trará um diferencial. “Será um enredo afro, mas com uma pegada inovadora. Já estou arrumando as malas para ir para Cuba”, brincou.
Sobre a temática, o coreógrafo destacou: “Trabalhar com ancestralidade é resgatar todos os nossos valores antepassados. E falando da dança, a gente trazendo a latinidade, aí estará o teor diferencial. Em 2025, quase todas as escolas trouxeram o enredo com temática afro. E, agora, nós vamos trazer uma outra temática Afro, mas com um requinte um pouco mais diferenciado. Eu já me vejo entrando na avenida com uma comissão maravilhosa”, disse entusiasmado.
Comissão de frente: 50% dança e 50% elemento surpresa
David Lima também comentou o uso de elementos cênicos nas comissões de frente. “Creio que todos os profissionais da área sabem fazer sem e com [o elemento cênico]. Só que com esse espetáculo dentro do espetáculo, que a cada ano vem inovando, ele é muito favorável. Porque às vezes é nele que você vai conseguir apresentar aqueles outros 50% que você precisa para o jurado – 50% vêm na dança e os outros 50% nesse elemento que traz um pouquinho mais de surpresas para o público”, afirmou.
Compromisso com o Tuiuti
O novo coreógrafo da comissão de frente promete à comunidade do Paraíso do Tuiuti um trabalho incansável na busca pelo título. “Não vai faltar esforços para colocar a escola em primeiro lugar, vamos trabalhar incansavelmente. É como sempre fiz em todos os meus trabalhos, em todas as escolas. A comunidade do Tuiuti pode esperar um coreógrafo presente aqui dentro que vai estar junto com eles. Vamos trabalhar e fazer um grande desfile”, finalizou.