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Unidos de Padre Miguel sofre com erros de evolução e falhas de acabamento causadas pela chuva

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Por Geissa Evaristo

upm desfile2019 62Primeira escola a desfilar sem chuva forte na madrugada desta sexta-feira na Marquês de Sapucaí, a Unidos de Padre Miguel, escola sempre aguardada devido aos seus últimos grandes carnavais fez a melhor arrancada da noite entre as cinco que já desfilaram, no entanto, apresentou problemas de acabamento em alegorias e graves erros em evolução. A escola estourou três minutos dos 55 máximos do tempo de desfile. A agremiação apresentou o enredo “Qualquer semelhança não terá sido mera coincidência”, uma homenagem ao dramaturgo Dias Gomes.

Comissão de Frente

upm desfile2019 61A comissão de frente de David Lima trouxe “Oya por nós, santa senhora!” uma referência à Santa Bárbara em O Pagador de Promessas. A coreografia muito bem elaborada pelo coreógrafo foi dividida em alguns momentos. Bem marcante na letra do samba-enredo. O ápice, porém acontecia quando Iansã se revelava saindo do tripé e dançando. Determinado momento ela dava um grito e o público reagia. O grupo de apresentou sem erros frente as cabines de módulos dos julgadores. Destaque para o figurino e a maquiagem bem elaborada com pedacinhos de papel.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

upm desfile2019 68Vinicius Antunes e Jéssica Ferreira não desfilaram com chuva, porém a pista de desfiles continuava completamente molhada com alguns pontos de poça d’agua, mas não eles aparentavam nenhum tipo de insegurança ou receio. Executaram a dança com leveza e muita segurança. A sintonia da dupla demostra ser cada vez maior. Jessica manteve o pavilhão esticado a todo tempo em todas as cabines de julgadores e Vinicius o tempo todo à cortejava com graça e simpatia. Ao final da apresentação, antes de se despedirem dos julgadores, o mestre-sala oferecia uma rosa vermelha à porta-bandeira que seguia dançando portando o adereço. A dupla em sua fantasia representou ” O encontro do Zé Burro com Santa Bárbara”.

Harmonia 

upm desfile2019 81Acostumada a cantar o samba-enredo à plenos pulmões, a Unidos de Padre Miguel não apresentou problemas no quesito. A comunidade muito bem ensaiada deu conta do recado, exceto as composições da alegoria que em sua maioria se limitavam a cantar apenas os refrões. O intérprete Pixulé comandou com muita categoria e impulsionamento o rendimento do canto dos componentes.

Enredo

upm desfile2019 60O carnavalesco João Vitor mostrou que é um dos melhores da nova geração. O artista apresentou fantasias lindas, e, acima de tudo com muita leitura. Destaque para a ala das crianças, uma referência na Unidos de Padre Miguel. O leigo que chegasse no Sambódromo facilmente reconheceria o enredo sobre Dias Gomes. Leitura clara nos carros alegóricos, inclusive, dispensando o roteiro do desfile em muitos momentos.

Evolução

A evolução foi o grande ponto fraco da Unidos de Padre Miguel nessa noite. A escola não soube controlar o andamento das suas alas e acabou abrindo grandes buracos em momentos distintos do desfile. Um grande clarão foi aberto frente à cabine 2 e outro com a dimensão de 8 pirulitos de caixa de som foi aberto na quarta cabine de julgadores na frente do último carro alegórico. Algumas alas também ficaram espaçadas demais. Aos 46 minutos a escola mudou o andamento do desfile passando a acelerar demais para não estourar o tempo. A ala da velha guarda por exemplo, passou dentro da ala à frente.

Samba

upm desfile2019 58“Aqui se aprende a amar o samba”, o verso foi cantado com componentes batendo no peito, parece ter sido a parte favorita dos componentes da Vintém que desfilaram na Marquês de Sapucaí nesta madrugada. A obra rendeu como o esperado para uma escola considerada favorita desde a fundação da Lierj, mas não contagiou o público.

Fantasias

Muito bem vestida, a Unidos de Padre Miguel não contou com problemas de acabamento em fantasias. Criativas, passaram boa leitura do enredo mais especificamente nas alas do primeiro setor do desfile. Destaque para as alas Coronel Odorico, ala 6 e As borboletas do Dirceu, ala 7. A riqueza de detalhes das fantasias foi até o pé do componente que não usou as tradicionais sapatilhas simples utilizadas pela maioria dos componentes da Série A. Na escola, os pés de todas as alas, incluindo a bateria estavam protegidos por calçados diferentes e visivelmente mais caros. A ala 19, As doces tentações de Dona, em cor neon e coreografada surtia um belo efeito visual.

Alegorias

upm desfile2019 48Acostumada a trazer para a Avenida alegorias luxuosas e impecáveis, a escola também não repetiu neste quesito o mesmo apresentado nos seus últimos carnavais. A alegoria 2 “Perdidos a gente não sabe em quem acreditar” apresentou grave problema de acabamento. Ferros estavam visíveis e tortos, dando a impressão de que o teto da alegoria iria se desprender a qualquer momento. Na alegoria 3, “Natureza, capital, bicho e carnaval”, o leão estava com a pintura descascando e na quarta e última alegoria ” Na apoteose do absurdo, viva Santo Dias”, a grande escultura atrás da alegoria possuía um problema de acabamento no rosto do boneco. Além disso, a mão da escultura da Dona Redonda estava decepada.

Bateria

upm desfile2019 72Com uma das fantasias mais luxuosas da noite, a Unidos de Padre Miguel levantava o público durante a passagem de mestre Dinho e seus ritmistas. Representando “O Rei de Ramos” o grupo executou bossas perfeitamente encaixadas dentro da letra do samba. Destaque para o retorno da rainha, Karina Costa vestida de ” A sorte” com um figurino à altura do apresentado pelos ritmistas.

Unidos de Padre Miguel 2019: Galeria de fotos do desfile

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Galeria de Fotos do desfile da Tucuruvi no Carnaval 2019

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Ala “Primatas” da Rocinha faz crítica ao preconceito

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Por Karina Figueiredo

Primatas RocinhaNo último ano, o Brasil sofreu queda de 17 posições em ranking global que mede atos discriminatórios em um país, ocupando o 37º lugar em uma lista de 120 nações. Como reflexo desta realidade, a Acadêmicos da Rocinha, terceira a desfilar nesta sexta-feira de carnaval, levou para a avenida uma crítica ao preconceito. Na ala “Primatas”, a agremiação exibiu a diversidade em todos os seus sentidos, reforçando a importância do atual enredo da escola da zona sul carioca como protesto às inúmeras manifestações de discriminação ainda muito presentes no país.

“A ala Primatas é muito importante. Ela fala sobre o preconceito e a igualdade. Ela mostra como a diferença de cor de não nos faz diferentes. Somos todos humanos. Temos os mesmos direitos, bem como deveres”, disse Jorgina Teixeira Rodrigues, estreante na Acadêmicos da Rocinha.

Nas demais alas e carros, a agremiação também apresentou as principais vítimas de intolerância, como mães solteiras, homossexuais, moradores de rua e das comunidades, e os negros. Para Sueli Oliveira, de 73 anos, veterana na escola, o enredo da Rocinha tem grande valor cultural e social por tratar de temas que ainda persistem na sociedade brasileira.

“O preconceito é muito presente nas comunidades, assim como a violência contra a mulher negra. São casos que precisam de mais atenção por parte das autoridades políticas”, apontou Sueli.

Para Cristina Rodrigues, que também integra a ala, não é diferente. “O enredo fala que as pessoas não devem ser preconceituosas e que nós, como seres humanos, devemos combater todos os diversos tipos de discriminação”, comentou.

Chuva atrapalha diversos quesitos no desfile da Santa Cruz em 2019 na homenagem para Ruth de Souza

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Por Fiel Matola

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A Acadêmicos de Santa Cruz entrou na Sapucaí para emocionar, com um samba-enredo aclamado positivamente pela crítica no período pré-carnavalesco, além de uma homenagem para ninguém botar defeito, com o enredo “Ruth Souza – Senhora Liberdade, abre asas sobre nós”. A escola teve muitos problemas em seu caminho, a maioria por conta da chuva que não parou durante todo o seu desfile, queda na Comissão de Frente, escorregão da Porta-Bandeira, lentidão no início, correria no fim, além de fechar seu desfile com 57 minutos. Pelo regulamento, a escola pode perder 0,2. O tempo de desfile máximo é de 55 minutos.

Antes da sirene tocar, a bateria fez sua entrada com uma faixa homenageando grandes mestres de bateria, com os dizeres “Paulão e Jorjão – mestres das paradinhas.” De início já era nítido que a escola conduziria o desfile pela emoção. Continuando em seu esquenta, o presidente Zezo falou da morte de sua esposa e fez um paralelo com o enredo sobre a Ruth, pois ele considera as duas como mulheres fortes, ainda deu recado que todo homem deve respeitar a mulher e que a homenageada é símbolo dessa resistência e luta. Porém, na pista, além dos momentos de emoção, o que se viu foi uma escola conturbada com diversos erros.

Comissão de Frente

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Representando o início da história da vida da homenageada, sob título “Um Cortejo de Saudade” a Comissão de Frente trouxe uma criança apresentando Ruth na infância e uma mulher apresentando sua mãe, vale registrar a emoção passada em todo momento pelas duas integrantes, além das duas, existiam 11 componentes com um barco e que em certo momento saiam do barco e “abriam flores”, impressionante notar como toda a equipe de Marcelo Chocolate cantou do início ao fim o Samba da Escola. Mas, a emoção maior ainda estava por vir, em um elemento cenográfico de apoio representando um pé de frutas, a pequena Ruth come uma dessas frutas e se “transforma” (entrando no elemento cenográfico) na atriz já consagrada, quem representou Ruth quando adulta, foi a atriz Isabel Fillardis, que arrancou aplausos da plateia, porém na cabine 1, ao sair do elemento, Isabel tomou um tombo por conta do piso escorregadio, devido a isso a escola pode perder pontos, nas demais cabines a passagem foi conforme planejado.

Mestre-sala e porta-bandeira

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O casal Carlos Eduardo, mais conhecido como “Muskito” e Roberta Freitas, reverenciou a grande atriz com a fantasia sob título “A Ruth com carinho”. Os dois com uma indumentária verde e dourado: ele com uma coroa, brasão da escola no peito além de pedrarias reluzentes, ela tal qual, com bastante plumas, e na sua saia também o brasão da escola, fantasia de belíssimo bom gosto, mas que foi castigada pela chuva, chegando no último módulo não tão volumoso quanto no primeiro. O casal estava envolto de guardiões vestidos com as cores da escola, representando guerreiros com um escudo na mão. A chuva foi o principal problema para os dois, na primeira cabine, as águas caíram mais que o que já estava o que fez o casal dar passos bem lentos, além disso Roberta escorregou no segundo Módulo e Moskito neste mesmo módulo não conseguiu pegar a bandeira, os problemas não pararam na terceira cabine, a bandeira tocou o mestre-sala, chegando a quase enrolar, já na última cabine, o casal passou bem, mostrando realmente seu bailado, e como deveria ter acontecido nos outros módulos.

Harmonia

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A Harmonia foi um ponto bom da Santa-Cruz, porém, alguns clarões e a correria no final, podem tirar décimos da escola, isso porque como sabemos muitos jurados descontam pontos por não conseguir verificar o canto. A boa condução do carro de som da agremiação, pelo intérprete Roninho, foi o ponto ápice desse quesito. Alas como Refazenda, Copacabana, Ondas do Rádio, são dignas de aplausos pelo bom canto, porém a ala como a Bem na Fita não foi tão bem.

Enredo

O enredo sobre a atriz foi dividido em quatro setores, a abertura representou o teatro, com cores verde e dourado, apresentando o momento em que a homenageada começa a dar passos como atriz, no teatro experimental do negro, com Abdias do Nascimento, indo até a estreia dela no palco do Theatro Municipal. O segundo setor já destacou a estreia de Ruth no cinema, com cores mais vibrantes, representou sua paixão pela sétima arte na infância, fazendo um paralelo com ela já consagrada como uma atriz, assim como as emoções da rádio novela. O terceiro setor deu uma pincelada em personagens das novelas que a atriz participou, como por exemplo a novela “A Cabana de pai Tomás”, sob título de Estrela, esse setor também trouxa na fantasia da bateria o prêmio Kikito de melhor atriz, pela atuação no filme “ As filhas do Vento”. O último setor, mostrou outros artistas negros, assim como Ruth deixaram legados, fechando com o último carro que teve como título o próprio enredo: “Ruth de Souza – Senhoras Liberdade, abre as asas sobre nós.”

Evolução

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Por conta de problemas iniciais no abre alas, que estava andando bem devagar, a escola ficou sem muito movimento demorando um grande tempo na passagem da sua “cabeça” da cabine 1 para cabine 2 de julgamento. Mas, não foi só isso, o início lento proporcionou o chamado efeito sanfona, com algumas alas com clarões, principalmente no final, quando a escola teve correr para não estourar o tempo. Além disso, problemas com o terceiro carro que foi todo torto e expeliu fumaça próximo ao recuo da bateria, fez a escola abrir mais um clarão no último módulo, e os problemas não terminaram, a bateria não fez seu recuo por conta do tempo, a Santa Cruz correu muito no final e ainda estourou o tempo em dois minutos, pelo regulamento ela pode perder dois décimos, que podem ser preciosos na contagem final das notas.

Samba

Um dos sambas mais bem falados pelos especialistas, dos compositores Samir Trindade, Elson Ramirez e Júnior Fionda, o samba forte proporcionou à escola emoção, o samba passou bem, é de se notar que realmente o samba foi um dos melhores quesitos da Santa Cruz, seu tom hora melódico hora com força, deu fluidez para o desfile, exceto quando os problemas inerentes ao samba e já falados ocorreram.

Fantasias

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As fantasias da escola foram de fácil assimilação, você olhava para elas e via o que dizia, porém algumas como “Refazenda” e “Brincadeira de Criança” destoavam de outras como “Carolina de Jesus” na sua execução. Falta de sapato em alas como “Uma Aluna Nota 10” e “Assalto ao Trem Pagador”, e a fantasia da ala “Bem na Fita” se desfazendo, pode ser um fator complicador na apuração, assim como as últimas alas terem passado rápido. Ponto positivo para “Ala das Crianças” que estavam bem vestidos de Brincadeira de Crianças.

Alegorias

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Com um conjunto alegórico aquém do esperado, a Santa Cruz teve problemas de iluminação no carro 3, além deste estar com falta de composição, próximo ao recuo da bateria ele parou e saiu muita fumaça do carro, e passou maior parte da avenida torto. No Abre-alas , onde veio a homenageada tinha uma coroa imponente, mas, a sombrinha que cobria Ruth de Souza não estava carnavalizado ficando fora do contexto do carro. O último carro, faltou composição, além de uma peça torta à frente. As Alegorias também eram de fácil assimilação como a fantasia.

Bateria

A Bateria do mestre Riquinho, passou bem, arrancando aplausos do público presente. O problema foi no setor final, onde ela passou sem entrar no recuo, o que não é uma obrigação, mas passou pelo módulo 4 na mesma rapidez.

Outros Destaques

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Destaque para atriz mirim que fez a Ruth quando criança na Comissão de Frente, que cantou e fez belas expressões, atuando muito bem. A atriz Isabel Fillardis que mesmo na queda na primeira cabine levantou, mostrando força, ela que brilhou nas outras cabines;

Outro destaque foia a “A ala das Crianças” que esbanjou simpatia, elegância e muito canto. E lógico para a homenageada Ruth de Souza, que veio no abre alas e foi muito aplaudida pelo público presente.

Kikito de Ouro de Ruth de Souza marca a passagem da bateria da Santa Cruz pela avenida

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Por Juliana Cardoso

santacruz desfile2019 7Com o enredo “Ruth de Souza – Senhora Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós”, a Acadêmicos de Santa Cruz levou para a avenida uma grande homenagem à atriz Ruth de Souza, um dos ícones da dramaturgia brasileira. A bateria da verde e branca da zona oeste carioca cruzou a Marquês de Sapucaí representando o prêmio Kikito de Ouro, um dos mais importantes no mundo do cinema e conquistado pela atriz em 2004, no Festival de Cinema de Gramado.

O festival tem como objetivo levantar discussões no campo cinematográfico. Na época, Ruth conquistou o prêmio de ouro por sua atuação no filme “As Folhas do Vento”, dirigido por Joel Zito Araújo. Além das premiações recebidas, ela também foi a primeira mulher negra a protagonizar uma novela nas telinhas e a primeira atriz negra a estar em um espetáculo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Neste sentido, o mestre Riquinho, que comandou a bateria da verde e branca de Santa Cruz nesta sexta-feira de carnaval, comemorou a homenagem da escola a uma artista de tamanho prestígio. Para ele, os carnavalescos da agremiação são muito merecedores deste reconhecimento.

O ritmista Júlio Porto, que toca tamborim, ainda lembrou a garra da escola em desfilar debaixo de temporal. “Mesmo com a chuva, as agremiações se entregaram e se esforçaram para fazer o melhor carnaval do Rio de Janeiro. Eu daria o ‘Óscar do carnaval’ para o Cahê Rodrigues, que está fazendo um trabalho bem bonito, mesmo com as dificuldades da Santa Cruz. Todos sabem que trabalhar no acesso é bem diferente de se trabalhar no grupo especial. Com os poucos recursos que temos, ele está fazendo um bom trabalho!”, elogiou.

Já outros integrantes da escola apontam a Ruth como merecedora do “Óscar do carnaval”. Segundo a ritmista Jack Cruz, não é à toa que a atriz virou enredo. “É uma honra realizar um desfile com a participação dela, que veio no abre-alas da escola, deixando o trono preparado para ela de lado e participando do desfile em sua cadeira de rodas”, disse ela sobre Ruth, que foi aplaudida pelo setor 1 da Sapucaí.

Rocinha surpreende com desfile criativo nas alegorias e com fantasias de fácil leitura do enredo

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Por Diogo Sampaio

Rocinha desfile2019 42Uma apresentação onde a criatividade dos materiais e a fácil leitura plástica, principalmente das fantasias, triunfou. A Acadêmicos da Rocinha teve a difícil missão de encarar a pista molhada e iniciar seu desfile mesmo embaixo de uma chuva intensa. Com o enredo “Bananas para o Preconceito”, a tricolor de São Conrado foi a terceira escola da noite e realizou a sua apresentação em 55 minutos, o tempo máximo.

Comissão de Frente

Coreografada por Leonardo Calvo, a comissão de frente da Rocinha veio representando a “Essência primata” e criticou em sua apresentação o racismo por trás da comparação de humanos com macacos. Ao todo, eram 15 integrantes. Um deles representava o pai da teoria da evolução, Charles Darwin, enquanto os outros vinham com metade do corpo representando um macaco e outra um diferente estereótipo. Entre os perfis tinha uma madame, um militar, uma drag queen, uma mãe de santo, uma freira, entre outros.

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A coreografia trazia em alguns momentos da apresentação movimentos que remetia a movimentos de primatas, como os macacos. Um dos destaques era o momento que os integrantes formavam a escala da evolução de Darwin na coreografia. O ápice da apresentação ocorria quando, ao final, todos os componentes davam as mãos, e do livro de Darwin era estendida uma faixa com a mensagem: “Somos resistência”. Um final que arrancou aplausos do público em todas as cabines de jurado.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius de Jesus e Viviane Oliveira, desfilaram com a fantasia “Yes, nos damos banana”, vindo ele simbolizando um macaco e ela a banana descascada. Um figurino ousado, pois o mestre-sala desfilou com uma máscara no rosto. Uma curiosidade ficou a cargo de quem veio apresentando o casal, o mestre-sala do Império Serrano Diogo Jesus, irmão de Vinícius.

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O casal enfrentou dificuldade durante as suas apresentações para os jurados. Devido a pista molhada, Viviane economizou nos giros e Vinicius não arriscou muito no bailado. Porém, apesar da dança contida, o casal não cometeu erros graves, e mesmo com a chuva forte na primeira cabine, a porta-bandeira conseguiu manter o pavilhão estendido.

Harmonia

A harmonia da Rocinha foi um tanto irregular. Algumas alas cantavam o samba a plenos pulmões, enquanto outras passavam completamente caladas e apenas sorrindo, esse último caso ocorreu principalmente nas alas do último setor.

Evolução

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Apesar da pista molhada, a Acadêmicos da Rocinha apresentou uma evolução bastante satisfatória. As alas vieram com componentes soltos e brincando carnaval, além de não ter corrido e nem ter ficado parada muito tempo, somente durante as apresentações nas cabines.

Uma das poucas falhas, que podem ser citadas no quesito, foi o clarão aberto pela bateria na entrada do segundo recuo. No entanto, o espaço foi rapidamente preenchido antes de se configurar em um buraco propriamente dito.

Samba-Enredo

A obra não figurou entre os sambas mais badalados e aclamados no pré-carnaval, e no desfile teve um desempenho apenas mediano. Funcionou no início do desfile, mas do meio para final perdeu fôlego, o que refletiu na ausência de canto dos componentes das últimas alas.

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Em sua estreia na agremiação, Ciganerey apresentou uma performance satisfatória. Defendeu bem o samba, mesmo não sendo capaz de impedir a queda no desempenho da obra assinada por Cláudio Russo, Diego Nicolau e companhia, na metade final.

Enredo

Criado e desenvolvido pelo carnavalesco Júnior Pernambucano, o enredo “Bananas para o preconceito” buscou focar não em casos de racismo, mas sim enaltecer figuras e personalidades negras que superaram barreiras e venceram o preconceito.

Com fantasias e carros alegóricos de fácil leitura, a escola conseguiu se comunicar bem com o público da Sapucaí e passou a sua mensagem com clareza.

Alegorias e Adereços

Após enfrentar problemas no pré-carnaval para a construção das alegorias, a Rocinha surpreendeu com um conjunto alegórico bastante criativo e bem acabado. No entanto, a escola teve problemas com a iluminação. Pelo menos um refletor veio apagado em cada alegoria. O terceiro carro estava com a lateral direita apagada, e o último por completo.

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Apenas um carro apresentou falha grave de acabamento, e foi um ponto fora da curva dentro do conjunto. Foi o caso da segunda alegoria, aonde a águia da frente veio com as duas asas danificadas. A ponta da asa direita veio com ferro aparecendo. O encaixe da asa direita com o corpo também veio com o ferro exposto.

Fantasias

Com fantasias criativas e de fácil leitura, os figurinos da Rocinha foi um dos pontos fortes da apresentação. Usando materiais alternativos, a fantasia da ala das baianas foi um dos destaques. Representando “Mães Maria Lata D’Água”, a roupa trazia pregador de roupa e colheres de pau.

Uma possível perda de pontos pode acontecer na ala 11 “Pelé, Negro Rei dos Verdes”, onde a maioria dos componentes vieram sem as bolas de futebol na cabeça, que haviam caído com a chuva. Alguns chegaram a desfilar segurando elas nas mãos.

Bateria

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A bateria ritmo avassalador da Rocinha, sobre o comando do Mestre Júnior, teve um bom desempenho durante todo o desfile. Vestidos de malandros, nas cores da escola, os ritmistas fizeram várias bossas e convenções. Destaque para a realizada no refrão do meio.

Outros Destaques

A rainha de bateria Mônika Nascimento, que está em seu quinto carnaval a frente da ritmo avassalador, esbanjou carisma durante o desfile. Com um figurino em pedras e um costeiro com penas nas cores do arco-íris, ela chamou atenção e interagiu com o público e os ritmistas.

Santa Cruz 2019: Galeria de fotos do desfile

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