Por Philipe Rabelo
O carnaval do Rio de Janeiro vive um novo momento nos camarotes. Nos últimos anos, a tendência de público mudou. Hoje, os super camarotes entraram com força e oferecem inúmeras vantagens em seus espaços. Um dos principais da Avenida é o Camarote do King, que está localizado no Setor 8 do Sambódromo, área nobre da Sapucaí, e que cresceu pelo terceiro ano consecutivo em mais 200 m², totalizando uma área de 1.400 m². Com a ampliação, grandes mudanças no layout do espaço foram possíveis. A já tradicional Boate do King, que por dois anos esteve no terceiro andar, desceu para o primeiro e está com isolamento acústico reforçado. Enquanto isso, a varada com vista para Avenida também cresceu. O espaço que era destinado para boate acabou se tornando uma área gourmet, com objetivo de facilitar a logística para o jantar dos foliões.
“Estou expandindo porque eu acredito no carnaval, toda essa brincadeira é séria. Eu acredito que o país já já vai passar dessa crise, que a violência na cidade vai diminuir e os investidores vão voltar ao Rio e vão entrar no carnaval”, disse João King, empresário responsável pelo espaço.
O ingresso custa a partir de R$ 770 para sexta e sábado de carnaval e a partir de R$ 1980 para domingo e segunda do Grupo Especial. Você pode clicar aqui para comprar o seu.
O café da manhã também é uma novidade para o carnaval deste ano, assim como a expansão do King’s Spa, que em 2019 terá uma área totalmente dedicada para massagem. Maquiagem, cabelos e unhas continuam como destaques. O tema que rege a decoração de todo o camarote é a cidade italiana de Veneza, uma escolha de Dona Eliane, mãe de João King. “Quem decora o camarote, quem escolhe o tema é minha mãe, ano passado o tema foi a Índia por uma escolha exclusivamente dela”, disse João.
Desta vez, o camarote terá duas musas. Jéssica Rodrigues, esposa do cantor Latino, e Dani Bolina, ex-Panicat. Dani, inclusive, é estreante no carnaval carioca. “Nunca desfilei no Rio, mas estou há sete anos no carnaval de São Paulo. É uma honra receber esse convite do João”, afirmou.
Mesmo com a expansão, o número de pessoas por noite continua o mesmo do ano anterior. João King comenta que isso acontece porque tem uma irmã que é muito rigorosa com a organização. “A Lilian chega a ser chata, ela não gosta de tumulto, ela não quer que ninguém reclame que está cheio, que o banheiro está ruim, que o ônibus estava lotado e demorou demais, ela não quer ter reclamação de nada”, explicou.
Já uma das preocupações do próprio King é não atrapalhar os desfiles por conta da boate. Há um isolamento acústico especial para que nenhum som se propague para a Avenida. Dentro da boate há uma televisão exibindo os desfiles, cujo objetivo é situar os foliões que estão curtindo a noitada, sobre qual escola está desfilando. Em 2019 mais atrações como bandas e shows estão na programação da bote do King, mas os DJ’s continuam marcando presença. “Eu preciso agradar o público que compra. Eles pedem shows e eu coloco shows. Eu sou mais de eletrônico, mas o camarote não é pra mim”, comentou King.
Na sexta-feira de carnaval a principal atração da noite é o baile de máscaras comandado pelo Cordão do Bola Preta. Sábado é a vez de Suelen e Serginho, além do grupo The Funk! Domingo os shows são de João Gabriel e Xande de Pilares. Segunda é a vez de Latino comandar a boate do King. Na terça-feira de carnaval a festa muda de lugar, a Feijoada do King acontece no Espaço Ribalta, na Barra da Tijuca. Fechando o carnaval, no sábado das campeãs, a boate do camarote recebe o Grupo Bom Gosto e o Baile do Poderoso.
O camarote já possui cerca de 50% dos ingressos vendidos. De acordo com o produtor Tadeu Silva, a maioria desses ingressos são de clientes que já participaram em outros anos. “Hoje já estamos com 90% do camarote pronto para o carnaval, falta apenas a parte de decoração”, revelou Tadeu.
O espaço também é multifuncional. Em 2018, a equipe do King organizou três rodas de samba, uma delas acabou sendo na quadra da Estácio. As outras duas foram na Sapucaí, dentro do que é o camarote do King, e cada uma delas recebeu cerca de 600 pessoas.
“Sempre tive essa vontade de ter um camarote meu. Ia no camarote dos meus amigos, mas queria ter o meu, mas nunca tive dinheiro. É uma brincadeira um pouco cara, mas há três anos entrou a Itaipava e fizemos um camarote comercial. Do jeito que a situação está difícil, não da para deixar de vender ingressos”, explicou João King. Mas o sonho do rei do camarote é ainda mais ousado. “Eu quero mesmo é ter o setor 8 todo, mas não tiraria os jurados. Eu só preciso do primeiro e do terceiro andar”, brincou King.


Os ensaios técnicos carregam um alto nível de importância para as agremiações do carnaval de São Paulo. É o momento em que os dirigentes podem corrigir, arriscar e enxergar a escola na mesma forma do desfile oficial. Tanto nos últimos anos, como nos recentes treinos de 2019, as escolas colocam o que exibirão no desfile oficial. Grande parte das comissões de frente ensaiam o que vão apresentar no desfile, a diferença se da pela liberdade maior que tem por não estar sendo julgada e a ausência de eventuais surpresas que estão propondo.
“Nós colocamos na pista as duas coreografias oficias que vamos apresentar no desfile, e a importância dos ensaios é justamente esse, ajustar o que precisa pra prevenir alguma coisa que possa ocorrer de errado no dia. Quem fala algo precisa conhecer o que está acontecendo, claro que alguns críticos identificam algo que ocorre, mas às vezes não. Toda a crítica eu vejo como construtiva”, afirma.
“Aqui a gente pode errar, no técnico a gente vê o que vai dar certo no dia e o que não vai dar, a gente já tira, ele é essencial”, revela Isabel que acrescenta também: “Depende muito da crítica né, se a gente vê que é algo construtivo nós absorvemos, agora quando consideramos que não é muito coerente, ai a gente não usa mesmo”.
“O Vai-Vai faz esse modelo de ensaio técnico desde a década de 90. Começamos a fazer isso no estádio do Pacaembu, a gente dava volta na pista e depois fazíamos o teste de som na Tiradentes. A gente sempre esteve acostumado com esse teste na pista, e tecnicamente falando é a única forma de esticar a escola e de fazer o melhor simulado para o carnaval”. Lourival comenta também sobre os comentários da internet que diz que a entidade é “campeã de ensaio técnico”. “A gente tem trabalhado e vamos continuar trabalhando pra reverter essa história. Tem três anos que a gente não ganha carnaval, passamos por uma temporada muito difícil mas vamos chegar muito fortes para disputar o título do carnaval 2019 sem sombra de dúvida”.
“Os ensaios técnicos pra bateria são fundamentais. Antigamente nós íamos pro Anhembi só para o desfile. Na década de 90 não tinha ensaio técnico. Temos muitas pessoas formadas na escolinha e foi no ensaio técnico a primeira vez que pisaram no Sambódromo, eles estão super emocionados”.
Em relação aos comentários e críticas durante a realização de ensaio técnico, a presidente da Mocidade Alegre, Solange Cruz, desabafa: “Eu acho que quando a crítica é construtiva, ela é válida. Agora a crítica ela tem que ser pra todas, e não direcionada. Primeiro que existe muita gente entendida de carnaval e não sabem o que a gente passa do outro lado, e coloca todo mundo na mesma panela, eu não gosto disso. Fico um pouco triste em determinadas situações, quando a crítica é construtiva ela até nos alerta, mas quando ela é direcionada eu fico até um pouco chateada, porque desmotiva a escola, independente de ser a minha ou não”.
O mestre Rafa da Rosas de Ouro já foi alvo de bastantes comentários durante época de ensaios técnicos, e sobre isso ele nos conta que procura fazer vista grossa.
A Acadêmicos do Cubango ensaiou neste domingo na Avenida Amaral Peixoto, no Centro de Niterói, e o treino foi movido pela força de um samba que a comunidade abraçou. Depois de um carnaval muito bem visto aos olhos da mídia especializada, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da escola, construíram um enredo que rendeu um bom samba.
A comunidade que compareceu ao ensaio foi o ponto alto da noite. Se esbaldaram de alegria embalado por um excelente carro de som, com uma ótima performance do intérprete Thiago Brito. O samba fez bem o seu papel. Ter palavras afros não foi problema para a comunidade que já está acostumada com sambas do gênero. O refrão do meio tem uma linha melódica muito bem desenvolvida e foi bem cantado.
Iniciando às 21h42 e terminando às 22h30, a comunidade evoluiu muito bem, com as alas bem demarcadas, sem embolação, e sem os famosos clarões, tudo como manda o figurino. Além disso, gesticulações, garra e diversão foram percebidos durante o ensaio. Ponto positivo para o samba no pé dos passistas.
Faltando menos de dois meses para o Carnaval 2019, a São Clemente não abre mão de reforçar ainda mais seus segmentos rumo ao tão esperado desfile deste ano. Agora, a escola da Zona Sul acertou a chegada da bailarina e diretora do Theatro Municipal, Bárbara Lima, que se juntará a Fabricio Pires e Giovanna Justo na preparação do casal de mestre-sala e porta-bandeira.
Patrícia Souza, de 25 anos, foi oficialmente apresentada à nação mangueirense como musa para o carnaval deste ano. Morando há três anos em Londres, Patrícia é nascida e criada em São Cristóvão e já desfilava na verde e rosa antes mesmo de sua transição, iniciada em 2014. (Fotos Divulgação/Gláucio Burle)
O ensaio de rua da Viradouro, neste domingo, foi mais uma prova do que a escola está se preparando para realizar um grande desfile no domingo de carnaval. Força e vibração são sinônimos do que se viu no treino. No dia de São Sebastião, quem olhava para o céu da cidade de Niterói, poderia jurar que seria um ensaio debaixo d’água, e mesmo sob um prenúncio de uma tempestade, os componentes foram em peso para a Avenida Amaral Peixoto. O ensaio, que teve duração de aproximadamente 50 minutos demonstrou uma Viradouro “ressurgindo das cinzas”, como o próprio enredo revela. É importante afirmar e frisar que a Vermelho e Branco está no nível das grandes potências para o Carnaval 2019 do Grupo Especial. (Fotos: Carlos Papacena)
Comissão de Frente
Julinho e Rute iniciaram o bailado com bastante leveza. O casal não teve problema nenhum na ensaio. Um vento forte passou no momento em que a dupla se apresentava no que seria a primeira cabine do jurado, mas o que se viu foi a elegância do mestre-sala. Julinho apresenta um bailado dinâmico, suntuoso e de bastante sincronia, com um olhar direto para sua porta-bandeira. Rute parece que ganhou uma energia ainda maior. Ela lutou com bravura e ganhou do vento, a porta-bandeira mostrou um bailado de uma mulher guerreira, com rotações perfeitas e com uma bela apresentação de seu pavilhão. Ponto alto na parte do samba “das cinzas voltar, nas cinzas vencer”, quando os dois expressam em suas faces: determinação e confiança.
Zé Paulo e seu time do carro de som deram um espetáculo de canto. É impressionante ver como a escola abraçou o intérprete e vice-versa. O cantor vai para o meio das alas, o que deixa o componente mais animado. Ponto positivo para a virada do samba e o refrão principal, o canto do componente aumenta exponencialmente. O samba faz o seu papel. “E quem ousou desafiar a ira divina/ Vagou no mar/Cego pela sede da ambição/ Carregando a sina dessa maldição” é o único momento que o componente parece descansar um pouco e o rendimento cai.
“Esse ensaio foi maravilhoso, se eu não me engano é nosso décimo ensaio. Sem dúvida, foi o que mais se aproximou do que a gente está pensando em fazer na Marquês. É claro que ainda tem chão pela frente, isso significa que podemos evoluir mais, com muita humildade e muito trabalho. Estamos ensaiando desde outubro incessantemente. Até o carnaval tem muita coisa ainda. O importante é que estamos felizes e confiantes e com muita vontade de fazer. Estou aqui desde 2013, vendo Amaral Peixoto lotada, o pessoal com essa energia toda”, disse o intérprete.
O ensaio da Viradouro fluiu bem, a escola ensaiou seu recuo de bateria e não teve grandes problemas. Os componentes brincaram, principalmente, na parte “mas, a coragem que me faz lutar”, onde toda escola joga as mãos para frente e para trás. Outro ponto positivo foi a ala Zumbis, fãs de Paulo Barros podem aguardar muito dessa ala. Os componentes estavam maquiados lembrando um “Walking Dead”, além de dentro samba fazerem coreografias de lutas de Zumbis. A escola deve ter atenção para ala de passistas, que apesar de um samba no pé perfeito, comandados por Valci Pelé, foi possível identificar clarões, em alguns momentos, em que eles ficavam muito espaçados da bateria.
Mestre Ciça parece que nunca saiu da escola. Sentindo-se em casa e alegre, abusou das bosas, tudo numa cadência perfeita. Bem ativo em todos os momentos da condução da bateria, o mestre agraciou o público com paradinhas e coreografias. “O brilho no olhar voltou” é a parte do samba em que Ciça faz com que a bateria pare e ouça somente a voz da comunidade. Nesse momento, o contingente cante o refrão com grande empolgação.
“Meu balanço do ensaio é que foi bom. Minha maior satisfação é ver essa rapaziada da antiga tocando, isso não tem preço que se pague. Quer surpresa? Você viu aí hoje, não viu?”, terminou sua fala sorrindo.
O empresário Roberto Medina, criador do Rock in Rio, revelou que após o Carnaval 2019 ajudará na recuperação dos rumos dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, que estão abalados pela relação com a Prefeitura do Rio e a falta de patrocínios privados.