No próximo sábado, a quadra do Império Serrano, em Madureira, será palco de mais uma edição da tradicional Feijoada Imperial. Além da boa música e da deliciosa feijoada, o dia marcará também o pontapé inicial da disputa de samba-enredo para o Carnaval 2026. Os portões abrem às 13h e os ingressos estão à venda através da plataforma Sympla. A festa terá como atração o cantor Nego Damoé, que vai comandar a roda de samba “Fogo no Parquinho”. A abertura ficará por conta da Resenha de Madureira. Para completar a programação, o público ainda vai curtir os agitos do DJ Glauber, garantindo animação do início ao fim.
Os desfilantes da escola têm condições especiais para participar do evento. Quem apresentar a carteirinha de componente terá entrada gratuita até às 15h. Já os ingressos custam R$ 30,00 com feijoada incluída ou R$ 10,00 apenas a entrada, disponíveis para compra antecipada no Sympla. Além disso, mesas estão à venda na Boutique Imperial, no 3º piso do Madureira Shopping. A mesa VIP (quatro lugares + quatro feijoadas) sai por R$ 200,00, enquanto a mesa comum (quatro lugares) custa R$ 120,00.
O evento acontece na quadra da escola, localizada na Avenida Edgard Romero, 114, em Madureira. No Carnaval 2026, o Império Serrano levará para a Sapucaí o enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, uma homenagem à escritora Conceição Evaristo através das suas obras literárias.
Serviço:
Feijoada Imperial
Data: 20 de setembro (sábado)
Horário de início: 13h
Endereço: Av. Ministro Edgard Romero, nº 114 – Madureira, Rio de Janeiro.
Atrações: Nego Damoé, Resenha de Madureira, DJ Glauber e apresentação dos sambas concorrentes para o Carnaval 2026
Vendas online: https://www.sympla.com.br/evento/feijoada-imperial/3099860
– Ingresso de pista: R$ 10,00
– Ingresso + feijoada: R$ 30,00
Mesas e cadeiras: À venda na Boutique Imperial – 3º piso do Madureira Shopping
– Mesa VIP (4 lugares + 4 feijoadas): R$ 200,00
– Mesa comum (4 lugares): R$ 120,0
Informações: WhatsApp (21) 96594-5147
A Unidos do Viradouro vive mais uma etapa marcante do seu processo de escolha do samba-enredo para o Carnaval 2026. Na próxima sexta-feira, a quadra da vermelho e branco de Niterói será palco da semifinal, e entre os concorrentes que seguem na disputa estão nomes que carregam no coração, e nas próprias trajetórias, a marca de serem verdadeiras “crias da Viradouro”. Homens forjados no chão da escola, que cresceram embalados pelo som da bateria Furacão Vermelho e Branco e hoje escrevem a história do pavilhão com poesia, melodia e devoção. Cada um deles carrega memórias, vitórias e aprendizados que ajudaram a construir a identidade da Viradouro nos últimos anos.
Com 28 anos de casa, Thiago Carvalhal (com os parceiros Bebeto Maneiro, Ludson Areia, Babby do Cavaco, Carlinhos Viradouro, Vinícios Moro, Pablo Adame e Rodrigo Neves) já conhece de perto a emoção de ser campeão: em 2019, assinou o antológico “Viraviradouro”, que embalou o desfile vitorioso da escola. Experiente em finais, são duas até aqui, ele fala sobre a atmosfera única da disputa em Niterói.
Foto: Muitamidia/Divulgação Viradouro
“O grande diferencial da disputa na Viradouro é a forma como a escola trata os compositores, sempre com respeito, carinho e igualdade. Esse acolhimento transforma a disputa em algo saudável, onde o amor pelo pavilhão e a paixão pelo samba falam mais alto que a rivalidade”.
Claudio Mattos (parceria com Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet e Thiago Meiners) começou ainda menino na Viradouro. Em 2007, era cavaquinista da escola mirim; em 2012, estreou como compositor. De lá pra cá, já soma 18 anos de trajetória, com impressionantes nove finais e cinco sambas campeões no currículo. Entre eles, obras que marcaram a história recente da escola, como “E Todo Menino é um Rei” (2017), “Rosa Maria Egipcíaca” (2023) e “Arroboboi, Dangbé” (2024).
Foto: Muitamidia/Divulgação Viradouro
“O que mais me agrada no processo de escolha de samba da Viradouro é que a diretoria possui um histórico muito coerente, algo que nem sempre acontece em outras escolas. Isso incentiva os compositores a se dedicarem de verdade. O clima entre as parcerias também merece elogio, pois, apesar de ser uma disputa, as relações na quadra são de muito respeito”.
Há 14 anos na Viradouro, Lucas Macedo (com os compositores Diego Nicolau, Jefferson Oliveira, Vinicius Ferreira, Richard Valença, Miguel Dibo, Orlando Ambrosio, Hélio Porto, Aldir Senna e Wilson Mineira) é mais um exemplo de dedicação e amor pela vermelho e branco. Campeão em 2018 com o samba “Vira a Cabeça, Pira o Coração – Loucos Gênios da Criação”, já alcançou sete finais em sua trajetória.
Foto: Muitamidia/Divulgação Viradouro
“O principal ponto positivo na disputa de samba da Viradouro é a lisura do processo. A escola tem uma diretoria extremamente competente e preocupada em escolher o melhor samba, sem cair em pressões e estando sempre atenta a todos os detalhes ao longo do concurso”.
Ícone entre os compositores da Viradouro, Mocotó (com a parceria PC Portugal, Arlindinho Cruz, J. Lambreta, André Quintanilha, Rodrigo Deja, Ronilson Fernandes, Renato Pacote, Reinaldo Guimarães e Bira Fernandes) é pura história. São 36 anos de estrada, dez finais e nada menos que sete sambas campeões, entre eles, clássicos como “Trevas! Luz! A Explosão do Universo” (1997) e “Os Sete Pecados Capitais” (2001). A cada disputa, renova o compromisso com a escola do coração.
Foto: Muitamidia/Divulgação Viradouro
“A disputa na Viradouro é muito sadia, todos se respeitam. Até porque as diretorias e a presidência nos oferecem esse respeito desde o tira-dúvidas até o final do processo”.
Paixão que vem de berço
A semifinal da Viradouro não é apenas um momento de competição. É um encontro de gerações, de histórias entrelaçadas e de amores que nasceram dentro da quadra e jamais se perderam. Thiago, Claudio, Lucas e Mocotó representam uma corrente de compositores que são muito mais do que autores de sambas: são herdeiros e guardiões da alma da vermelho e branco de Niterói.
Na próxima sexta-feira, a quadra promete pulsar com a força dessa tradição. Afinal, cada verso entoado por esses “crias da Viradouro” é também uma declaração de amor ao pavilhão que os formou.
A Grande Rio faz no sábado, em Duque de Caxias, a final de samba-enredo para o Carnaval 2026. Cinco parcerias estão na decisão. Abaixo, você pode ouvir os sambas e apontar a parceria favorita para vencer. Vamos divulgar o resultado no sábado.
O enredo da Acadêmicos do Grande Rio para o Carnaval 2026 se chamará “A Nação do Mangue”, tema que vai celebrar o movimento cultural Manguebeat, surgido no Recife. O carnavalesco responsável é Antônio Gonzaga, recém chegado à escola após a saída de Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A Grande Rio desfilará na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, sendo a terceira escola.
COMPOSITORES: NININHO RECIFE, BARRÃO, TONY E BETO SAMBSTAR.
INTÉRPRETES: JJ, ROGÉRIO BOLE BOLE, DIDO MONTEIRO E TONY
OXENTE CAXIAS, NÃO SE AVEXE CHEGO JÁ.
SE A BAITERA NÃO VIRAR, LEVO ARATU, SIRI.
DOBRA SURDO DE TERCEIRA E ALFAIA
NESSE ‘GRANDE RIO’ DE LAMA VOU PLANTAR MINHA RAIZ
VOU EU MENINO PELAS MARGENS DA MARÉ
COM AS BENÇAM DE NANÃ VOU FINCAR A MINHA ARTE
NESSE CHÃO DE CONCHAS E ESPINHOS
VI BROTAR CADA NAÇÃO, CADA ESTANDARTE.
UM MOVIMENTO CONTRA CULTURAL
A FAUNA E A FLORA EM SINTONIA
INSPIRAÇÃO QUE VEM DO MANGUEZAL
A VOZ QUE ECOA NA PERIFERIA
LAMENTO NEGRO AO SOM DO TAMBOR
OS IDEAIS VOAM NO MEU PENSAMENTO
DA FOME, VIOLÊNCIA E PALAFITAS.
O MEU CANTO É RESISTÊNCIA E FUNDAMENTO
MANAMAUÊ O GALO CANTOU
CARANGUEIJO EU SOU, CIRANDA PRAIEIRA.
MARACATU DARUÊMALUNGO
SALVE SALÚ E AS FESTAS DE PERNAMBUCO
O POVO NÃO QUER VIVER NA LAMA
MAS NA LAMA ESCORRE O SEU SUOR
A GENTE QUER UM MUNDO LIVRE SEM GANÂNCIA
E UMA CERVEJA PRA PENSAR MELHOR
ESSE OVERDRIVE LEVANTA A POEIRA
É MANGUEBEAT QUE CORRE NA VEIA
DE BRASÍLIA TEIMOSA A CAPIVARI
DE 04 A NAÇÃO ZUMBI
CHICO, CAXIAS TE ABRAÇA.
É REVOLUÇÃO CHEGOU A HORA
É TEMPO DE RECOMEÇAR
UM NOVO DIA RENASCERÁ
João Vitor Araújo, junto à equipe criativa da Beija-Flor e outros integrantes da escola, participou da centenária tradição do Bembé do Mercado, considerado o maior candomblé de rua do mundo, realizado no município de Santo Amaro (BA), no último 13 de maio. O CARNAVALESCO conversou com o artista durante a apresentação da sinopse para os compositores, ocasião em que ele detalhou como a vivência no Bembé influenciou o enredo e marcou sua trajetória pessoal. O artista destacou a oportunidade de presenciar a cerimônia presencialmente, pouco tempo após o anúncio do enredo da Beija-Flor, ressaltando a religiosidade e a energia vividas em Santo Amaro como um momento profundo e especial.
“É uma oportunidade dourada, porque, graças ao orixá, é uma festa que acontece em maio, então deu tempo. Queria ver se ela acontecesse em dezembro, janeiro, perto do carnaval… então deu tempo de a gente beber daquela fonte sagrada e tomar a bênção de cada pai e mãe de santo do Recôncavo. É renascer. Eu, que sou renascido para o orixá, acho que renasci lá 65 vezes, porque é uma energia única, um momento único. Acho que todos que tiverem a oportunidade deveriam conhecer o Recôncavo e o Bembé”.
Estar presente em Santo Amaro, segundo ele, foi determinante para compreender profundamente a energia da cerimônia, algo que só se sente in loco.
“É uma energia espiritual. O Bembé você pode até ver no YouTube, em documentários, vídeos e registros, mas é diferente. Você precisa estar lá para sentir. Lá, você percebe coisas que não sente assistindo a um vídeo e vê coisas que a câmera não mostra”.
O artista também destacou o papel do povo na manutenção da tradição, lembrando que a associação do Bembé pediu que a fé da comunidade fosse valorizada no enredo.
“É interessante falar sobre isso. O povo e a fé de cada pessoa que habita aquela cidade, sejam católicas, de outra fé, são fundamentais. O Bembé, que é o Candomblé, respeita todas as religiões. Durante a apresentação da sinopse, falei sobre a intolerância religiosa, que não vinha respeitando o Bembé, mas o Bembé respeita todos e reza por todos”.
A Acadêmicos do Tucuruvi enfim tem uma nova casa. Após anos realizando seus ensaios na quadra da Avenida Mazzei, a escola passa a ocupar uma estrutura muito maior, oferecendo mais conforto à comunidade e possibilitando a realização de eventos de grande porte. O espaço da Mazzei tem valor afetivo e sempre foi um lar acolhedor para os sambistas, mas havia um consenso dentro da agremiação de que o “Zaca” precisava de um local mais amplo para receber seus componentes. A nova quadra está localizada na Rua Manuel Gaya, 200, na própria Vila Mazzei, onde funcionava o antigo barracão da escola. O CARNAVALESCO ouviu o vice-presidente Rodrigo Delduque, que falou sobre a realização desse sonho e os próximos passos de melhorias.
O clima foi de emoção e orgulho durante a apresentação da nova quadra da Acadêmicos do Tucuruvi. Rodrigo Delduque relembrou sua trajetória na agremiação e destacou a conquista do novo espaço.
“Eu era muito pequeno quando entrei aqui pela primeira vez e, hoje, temos essa estrutura maravilhosa. Nós fizemos tudo pela comunidade. Quero agradecer ao Movimento Salve Periférico e ao papai Milton Leite, que nos abençoou. Graças a Deus, hoje contamos com uma grande quadra para a comunidade, para os trabalhos sociais e para o uso do povo do Tucuruvi em geral. Esta casa não é só de carnaval, é de samba, de família, e é onde o componente pode chegar e se sentir dono do espaço, contribuindo para melhorar”, celebrou.
Futuro da antiga sede e centralização na nova quadra
Apesar do espaço recém-inaugurado, a Tucuruvi mantém sua sede localizada na Avenida Mazzei, que é o espaço principal da escola desde sua fundação. Antes, a região era um campo de futebol, e a agremiação foi realizando diversas transformações até se tornar a quadra de ensaios atual. No entanto, trata-se de um imóvel alugado, e a ideia da Tucuruvi é resolver as pendências no local e concentrar todas as atividades apenas na Manuel Gaya.
“Nós ainda temos alguns afazeres e pendências para resolver, mas, a partir de agora, todos os eventos serão concentrados aqui na Rua Manuel Gaya. Já demos o pontapé inicial na semana passada com a festa da feijoada, e a tendência é dar continuidade”, afirmou.
O novo espaço, por sua vez, funcionava anteriormente como um dos barracões da escola. Diferentemente da Avenida Mazzei, a quadra recém-inaugurada é um imóvel próprio da Tucuruvi, o que certamente ajudará a reduzir custos nos próximos anos. Delduque revelou que, após a adaptação completa e a conclusão das obras, a mudança será definitiva.
“A outra sede, por enquanto, ainda abriga algumas coisas nossas e assuntos a serem resolvidos, mas, assim que estivermos totalmente adaptados aqui e com as obras concluídas, vamos nos transferir de vez para cá e entregar o outro espaço”, explicou.
Felicidade de Seo Jammil
Embora Rodrigo Delduque esteja à frente da escola no carnaval e nos principais assuntos da Tucuruvi, Seo Jammil continua sendo o presidente da agremiação. Aos mais de 90 anos, ele teve um antigo sonho realizado, segundo Rodrigo.
“O Seo Jammil está maravilhado. Ele até me emocionou quando entrou aqui outro dia. Esteve comigo e foi humilde ao dizer que acabei realizando um sonho dele. Fico muito feliz pela felicidade dele. O Seo Jammil é uma figura importante não só para a Tucuruvi, mas também para o carnaval de São Paulo”, concluiu.
A próxima sexta-feira promete em Ramos e toda Zona da Leopoldina do Rio. Nove vezes campeã do Carnaval carioca, a Imperatriz Leopoldinense realiza em sua quadra, a partir das 20h, sua grande final para a escolha do samba-enredo que irá para a Marquês de Sapucaí no ano que vem. Três parcerias estão na final: Hélio Porto e cia (Samba 05), Jeferson Lima e cia (Samba 10), e Gabriel Coelho e cia (Samba 13). Abaixo, você pode votar e escolher a parceria favorita para vencer. Vamos divulgar o resultado na sexta.
Com a expectativa de uma noite repleta de alegria e emoção, onde contará com apresentações especiais dos segmentos da escola, as vendas de ingressos para a decisão na Rainha de Ramos já estão esgotadas. Na última terça-feira), o sorteio com a ordem de apresentação das três parcerias aconteceu na Cidade do Samba, no barracão da agremiação, durante um almoço com a diretoria da escola e um representante de cada parceria finalista. O grande homenageado e a Rainha de Bateria IZA também participaram do encontro. Ficou definido que cada uma das parcerias terá 25 minutos de apresentação, com duas passadas sem bateria.
Em 2026, a Imperatriz Leopoldinense será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval (15/02). A agremiação busca o seu 10º campeonato.
SERVIÇO:
Final de samba-enredo Carnaval 2026 da Imperatriz Leopoldinense
Data: 19.09 (sexta-feira)
Horário: a partir das 20h
Endereço: Quadra de Ensaios LPD- Rua Professor Lacé, 235- Ramos
O Paraíso do Tuiuti concluiu uma importante etapa do processo de criação para o Carnaval 2026. A agremiação apresentou os protótipos das fantasias criadas pelo carnavalesco Jack Vasconcelos para o enredo “Lonã Ifá Lucumi” sobre uma vertente religiosa afro-cubana que vem sendo redescoberta no Brasil. O colorido característico da região estará bastante presente nos figurinos.
“A pesquisa visual desse desfile foi muito rica e bastante interessante. E isso vai se refletir nas fantasias dos componentes. Cada setor foi pensado esteticamente de uma forma e isso vai se revelar, naturalmente, na cor de cada um deles”, pontua Jack.
Os interessados em desfilar no Tuiuti já podem realizar a inscrição nas alas da comunidade. O cadastramento está sendo feito às segundas, a partir das 19h, na quadra da agremiação. É preciso levar documentos básicos, como RG, CPF, comprovante de residência e uma foto 3×4.
Logo após o cadastro, a partir das 20h, a agremiação também realiza os ensaios de canto com o samba do Carnaval 2026. A quadra do Tuiuti fica no Campo de São Cristóvão, 33, no bairro de São Cristóvão.
A escola será a primeira a desfilar na Marquês de Sapucaí, na terça-feira de Carnaval.
Casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos do Viradouro desde 2018, Julinho e Rute refletem sobre a trajetória na escola e a preparação para o Carnaval 2026. Eles relembram a chegada à agremiação em um momento difícil da carreira, quando vinham da pior nota do Grupo Especial, e comemoram a retomada na vermelha e branca de Niterói.
“Chegamos à Viradouro em uma fase complicada, cheios de dúvidas sobre se conseguiríamos resgatar o casal que já fomos. Encontramos aqui uma estrutura gigantesca, algo que nunca tínhamos vivido. Bateu aquele medo: ‘E agora? Será que vamos entregar o que a escola espera?’”, contou Rute, que soma 29 carnavais como porta-bandeira.
Segundo Rute, a emoção foi imediata já no primeiro desfile. “Quando vi os carros chegando na concentração, tive uma crise de choro. Pensei: ‘A escola está linda, não posso decepcionar a diretoria’. Graças a Deus, renascemos junto com a Viradouro, como uma fênix”, completou.
Emoção com Ciça
Para 2025, a emoção é redobrada com o enredo em homenagem a Ciça, figura marcante do carnaval carioca. O casal destaca a honra de viver esse momento ao lado do mestre.
“Estamos vivendo uma emoção diferente a cada dia. A gente ama e admira o Ciça e tudo o que ele representa pro carnaval. Temos a oportunidade de conviver com ele, nos vemos representados, em tudo que ele está vivendo e sentimos juntos cada emoção desta contagem regressiva até o desfile. A Viradouro mais uma vez sendo pioneira, com ideias novas”, disse Julinho.
Rute reforça que, mesmo não sendo a homenageada diretamente, sente-se representada: “Eu estou me sentindo homenageada através do Ciça. Não dava para escolher todos, mas junto com ele estão os casais, os mestres, as baianas. Esse vai ser nosso diferencial. Nós sabemos o que ele sente em uma quarta-feira de cinzas, porque vivemos isso também. Então é como se fosse conosco”, reforça a porta-bandeira.
Julinho projeta o desfile, imagina a emoção do mestre na avenida e acredita que a homenagem ao Ciça trará uma energia única para a Viradouro: “Vai ser muito louco. Ele entrar com a bateria e atrás dele a escola contando a história da vida dele. Cada componente vai querer passar essa vibração para ele. É um combustível. Vai mexer com a comunidade, com cada componente. Estar nesse enredo é como se fôssemos nós sendo homenageados também”, pontuou o mestre-sala.
Ensaios e cabine espelhada
Sobre a preparação, o casal mantém a rotina de ensaiar cedo: “Colocamos isso como prioridade. O que acontecer ao longo do dia, já cumprimos a tarefa mais importante, que é ensaiar”, explicou Rute.
Quanto à novidade da cabine espelhada, que será usada pela primeira vez na apuração, eles admitem dúvidas, mas garantem adaptação: “As reuniões aconteceram com os presidentes, não com os casais. Estamos fazendo testes, vendo como nos adequar. Mas temos certeza de que todos os casais vão dar conta do recado. Se tem uma coisa que mestre-sala e porta-bandeira sabem fazer, é se reinventar”, finalizaram.
Seis parcerias subiram ao palco na semifinal da disputa de samba-enredo da Acadêmicos do Grande Rio, na noite da última terça-feira, na quadra da agremiação. Apesar da disputa em aberto, duas parcerias se destacaram, entre elas a de Ailson Picanço. Ao todo, cinco obras concorrentes seguirão para a grande final, que acontecerá no próximo sábado. As finalistas devem ser anunciadas nas próximas horas, por meio das redes sociais da Tricolor da Baixada. A escola de Duque de Caxias levará para a Marquês de Sapucaí em 2026 o enredo “A Nação do Mangue”, de autoria do carnavalesco Antônio Gonzaga. Veja, abaixo, as análises das apresentações desta penúltima etapa.
Parceria de Derê: O intérprete Bruno Ribas ficou responsável por defender a parceria composta por Derê, Licinho Jr. Moratelli, Julio Alves e Fabio Gomes. Apesar de ser forte e imponente na gravação, o samba não trouxe tanta animação ao público e ficou abaixo do esperado. Já os torcedores levaram bandeirões nas cores da agremiação, mas poucos cantavam. Apesar da força, o grupo teve uma apresentação apenas regular.
Parceria de Mariano Araújo: A obra também é assinada por Moisés Santiago, Dionísio, Aldir Senna e Wolkester Rolleigh. O intérprete Tuninho Jr. ficou responsável por defender a parceria e foi um diferencial na hora de levantar o samba. A composição chama a atenção pela riqueza e por conseguir conectar o enredo às raízes da Tricolor Caxiense, como em: “Caranguejos emergem da periferia/ Num grito que une Recife e Caxias”. Já o refrão, apesar de forte, faz referência à bateria da Grande Rio em “No baque virado dos tambores da invocada” — nome descontinuado nos últimos anos. Ainda assim, o grupo fez uma ótima apresentação e contou com uma torcida numerosa e animada, que levou bandeirões da Grande Rio. Nem todos cantavam, mas ao final da apresentação os torcedores fizeram questão de entoar o samba em coro.
Parceria de Myngal: Os intérpretes Charles Silva e Tinguinha ficaram encarregados de representar a parceria composta por Myngal, Denilson Sodré, João Diniz, Miguel Dibo e Hélio Porto. Ambos foram fundamentais na ótima apresentação do grupo, que contou com o apoio de uma torcida presente em peso, embora nem todos cantassem. A obra traz críticas sociais e políticas, como em: “A pobre elite não vê, ou sempre finge/ o que me aflige, eu brado, é grave”. Ao fim, os torcedores da parceria seguiram cantando o samba.
Parceria de Marcelinho Santos: Os intérpretes Tem-Tem Jr., Ito Melodia, Vitor Cunha e Thiago Brito defenderam a obra escrita por Marcelinho Santos, Henrique Bililico, Xande de Pilares, Ricco Ayrão e Sérgio Daniel. O samba consegue ser animado e, ao mesmo tempo, um dos que mais se aproximam do manifesto do mangue. O refrão “chiclete” facilitou o canto dos torcedores sem soar simples demais: “Maré que vem, maré que vem/ Caranguejo em movimento não aceita ser refém”. A letra, o palco forte e o peso da maior torcida da noite resultaram em uma ótima apresentação.
Parceria de Ailson Picanço: Os intérpretes Dodô Ananias e Fábio Moreno ficaram responsáveis por defender a obra composta por Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni e Marcelo Moraes. Juntos, contribuíram para a excelente apresentação do grupo. A parceria aparenta ir na contramão de parte das concorrentes ao abrir mão de um hino animado para apostar em um samba-manifesto. A obra é enfática e dialoga com o Manguebeat em referências culturais, sociais e políticas. Um exemplo é o verso “Gramacho encontrou Capibaribe”, que estabelece, de forma indireta, um paralelo entre o rio Capibaribe e o lixão de Jardim Gramacho. Se este for o tom escolhido pela escola para o desfile, trata-se de uma grande obra em potencial. Apesar da riqueza poética e da ótima condução dos intérpretes, é importante destacar que a torcida deixou a desejar em determinados momentos da apresentação. Um melhor desempenho na grande final pode ser um diferencial na busca pela vitória.
Parceria de Samir Trindade: Wantuir comandou o samba escrito por Samir Trindade, Mateus Pranto, Laura Romero, Binho Teixeira e Leandro Custódio. O palco forte e a torcida animada, que esteve presente em peso, ajudaram no bom desempenho da obra. O samba é mais poético e utópico, com foco na ancestralidade e na força simbólica do mangue. O refrão, embora fácil de memorizar e bastante cantado pela torcida, causou uma quebra no tom (importante: não estamos falando de tom musical, mas de discurso na letra) ao encerrar com “Respeite o meu chão/ Grande Rio eu sou”. A torcida levou bandeiras e balões nas cores da escola, ajudando a valorizar ainda mais a apresentação.