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“São Verde e Rosa as Multidões”: 24ª ala da Mangueira representa moradores das comunidades brasileiras

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Por Nathália Marsal

A história real do descobrimento, da independência, da abolição, e de tantos outros momentos foi para a Avenida no desfile da Estação Primeira de Mangueira, na madrugada desta terça-feira. A última ala “São Verde e Rosa as Multidões” representou as multidões de homens e mulheres, moradores de comunidades espalhadas pelo Brasil.

“São personalidades atuantes socialmente que não tiveram o devido reconhecimento. É uma referência à história do negro que morre e é esquecido, mas é um herói, um patriota”, contou o professor e mangueirense André Luiz da Silva Pereira.

Mangueira Desfile2019 089A fantasia da ala representa os baluartes do samba, da Mangueira e os atores sociais que foram expostos ao longo do desfile. O traje com as cores da agremiação, um fraque brilhoso e com os detalhes exuberantes foi inspirado na roupa que Cartola usou em 1976. Nas mãos de cada integrante, bandeiras com rostos da vereadora Marielle Franco, da escritora Carolina Maria de Jesus, entre outros.

André Luiz, assim como diversos outros componentes da escola, pesquisou o enredo antes de a escola entrar na Avenida.

“Talvez só tenhamos futuro se olharmos mais atentamente para o nosso passado. Precisamos olhar mais criticamente os fatos que passaram em branco. Crimes graves, assassinatos, mortes de pessoas… É um momento para se refletir”.

Para a pesquisadora e mangueirense Vânia Balassiano, o enredo ajuda a iluminar a importância de pautar a educação, que sofre com a defasagem de determinados assuntos. Para ela, o desfile da Verde e Rosa desenquadrou a memória existente acerca da construção da história do Brasil.

“Precisamos apresentar quem são os atores sociais e quem consta nos documentos oficiais. O negro aparece em momentos muito ‘en passant’ com a chegada da corte portuguesa. Temos uma série de questões para trabalhar em relação a como isso está sendo ensinado”.

Homenageando os 60 anos da madrinha Imperatriz, Siri de Ramos tem problemas de evolução

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Por Lucas Santos. Fotos: Magaiver Fernandes

Sirideramos carnaval2019 36Segunda escola a desfilar na noite de terça feira de Carnaval na Intendente Magalhães, o Siri de Ramos fez uma homenagem de forma lúdica ao aniversário de 60 anos da Imperatriz e os 40 anos de serviços prestados pelo patrono Luizinho Drummond. No enredo, a escola mostrou a atuação de três barões importantes da história do Brasil: o Barão de Drummond, criador do bairro de Vila Isabel e do primeiro jardim zoológico do Rio de Janeiro; o Barão de Guaraciaba, o primeiro negro a se tornar barão durante o império; e o Barão de Mauá, que entre outros feitos, destacou-se a implantação da primeira ferrovia brasileira.

Sirideramos carnaval2019 21Na parte final de seu desfile, o ex-presidente da Liesa e da Imperatriz, Luizinho Drummond, surgiu em um carro sendo coroado “Barão da Leopoldina”, completando a homenagem à Imperatriz. Durante o desfile, a escola teve problemas de evolução, principalmente na parte final. A agremiação correu para não estourar o tempo. Algumas alas estavam muito espaçadas e com buracos quando passaram próximas ao quarto módulo de julgamento. A apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira foi diminuída a partir do terceiro módulo. A comissão de frente também teve problemas com a roupa dos integrantes que não parecia adequada ao bio tipo dos componentes.

Por destaque pode ser citado o casal de mestre-sala e porta-bandeira que fizeram uma boa apresentação misturando dança coreografada com bailado tradicional

Comissão de frente

Sirideramos carnaval2019 37A comissão de frente do Siri apresentou o Imperador D. Pedro I e a Imperatriz Dona Leopoldina realizando um bailado, cercados pela Guarda Imperial e por indígenas, primeiros habitantes do Brasil. A coreografia foi bem executada pelos componentes com boa sincronia de movimentos, mas a partir da segunda para terceira cabine de jurados, um dos integrantes teve problemas com a roupa que abriu atrás, deixando-o um pouco inseguro nos movimentos. A roupa, aliás, parecia não estar adequada e confortável ao manequim de alguns dos bailarinos, pois revelava partes do corpo.

Casal de Mestre-sala e Porta-Bandeira

Sirideramos carnaval2019 15Diego Lucas e Monalisa Mendes vestiram-se com uma indumentária própria do Império. Diego inclusive usava a coroa do imperador. A fantasia de Monalisa bem trabalhada em vermelho foi um ponto alto. A apresentação do casal no primeiro e segundo módulos se destacou, misturando inicialmente passos coreografados com bailado tradicional posteriormente. Além da sincronia de movimentos, a simpatia do casal e a expressividade de Diego também chamaram a atenção. Nos demais módulos, o casal manteve um bom nível nos passos, mas precisou se apressar um pouco por conta do atraso da escola.

Harmonia

Sirideramos carnaval2019 41A escola começou o desfile com um bom canto, principalmente nas alas do segundo e do terceiro setor, porém na parte final do desfile, com a correria para não estourar o tempo, as alas passaram caladas.

Samba-enredo

O samba proclamado por Jean Cláudio e Jefão retratou bem o enredo, mas não empolgou o público e nem os componentes que pouco cantaram. Passou bastante frio.

Evolução

Sirideramos carnaval2019 10Neste quesito a escola pecou demais e comprometeu boa parte do desfile. Com um início lento por conta da apresentação da comissão de frente, que demorou a trafegar de um módulo a outro, a escola precisou correr para não estourar os 45 minutos de desfile. Algumas alas passaram não perfiladas, deixando buracos logo depois do quarto módulo. A evolução lenta dos dois primeiros módulos fez com que o casal de mestre-sala e porta bandeira precisasse abreviar um pouco de sua apresentação nos demais módulos

Enredo

Sirideramos carnaval2019 34Ao que se propôs no enredo, a escola passou bem. Os quatro setores da escola estavam bem divididos apresentando os três barões retratados na história e no final realizando a homenagem para a Imperatriz e para Luizinho Drummond. Apesar de não ser de fácil entendimento, a jogada dos barões foi ideia original para a homenagem.

Fantasias

Sem muito aporte financeiro com a crise que atrapalhou as escolas do Acesso, principalmente da Série B para baixo, a escola trouxe fantasias de fácil leitura, mas com aspecto estético pouco desenvolvido.

Alegorias

Sirideramos carnaval2019 46A ideia das alegorias do Siri até foi bem desenvolvida e de fácil entendimento, como o primeiro carro representando o jardim Zoológico de Vila Isabel criado pelo Barão de Drummond e o último fazendo referência a Imperatriz e a Leopoldina, trazendo o homenageado Luizinho Drummond, mas a concepção não ficou tão bem realizada com problemas de acabamento. A falta de iluminação que esteve presente em outras escolas prejudicou a estética das alegorias do Siri.

Bateria

Sirideramos carnaval2019 35A bateria do Siri de Ramos comandada pelo mestre Gláucio, fez uma apresentação correta, mas como o resto da escola na parte final precisou correr para não ter problemas de buraco com a ala da frente. Mesmo com um andamento para frente, não conseguiu empolgar o público na Intendente.

Outros Destaques

Sirideramos carnaval2019 50O Siri se propôs a realizar homenagem para a Imperatriz e o ponto alto do desfile ficou para a entrada de Luizinho Drummond, patrono da escola, que desfilou no último carro como destaque maior e distribuiu simpatia e energia, inclusive na parte final do desfile quando a escola correu.

Portela retrata com emoção um altar de tradições em alegoria

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Por Juliana Cardoso

Portela Desfile2019 133

A Portela passou pela Marquês de Sapucaí, nesta segunda-feira de carnaval, para homenagear Clara Nunes, uma de suas torcedoras mais apaixonadas, que levou o nome da Azul e Branca de Madureira para o mundo. A religiosidade da artista mineira foi retratada em um altar, com a presença da velha guarda e da cantora e atriz Emanuelle Araújo, que interpretou Clara guerreira.

A alegoria, intitulada “Altar do Samba”, retratou um lugar de culto há alguns símbolos importantes da escola e tinha sua estética baseada nas cores azul e prata. Velas iluminadas foram colocadas na parte inferior da frente do carro e, acima, Emanuelle estava caracterizada como a cantora. A seu lado estavam o ator Milton Gonçalves e o músico Jorge Maia que representaram, respectivamente, Natal e Candeia.

“É minha responsabilidade vir aqui participar deste desfile. Farei o melhor que eu posso para representar esse ilustre personagem que é o Natalino. Já o fiz no cinema e agora farei novamente na Avenida. Estou muito feliz!”, afirmou Milton, já na alegoria.

miltongoncalves

Maria Helena Pires, que desfila na Portela há 54 anos e, que participou da composição do carro, contou que é uma grande honra homenagear Clara Nunes.

“Este carro comportou muito bem a velha guarda da Portela. Trouxe as grandes tradições da escola”, completou.

Os veteranos da agremiação vieram no meio da alegoria, à frente de uma gigante escultura de Nossa Senhora com detalhes dourados. Nas laterais, queijos carregaram destaques, que usavam a reprodução do conhecido arco de flores e conchas que Clara costumava utilizar para adornar os cabelos. Na traseira, grandes bandeiras com o pavilhão da escola e um imenso quadro que emoldurava uma pintura da cantora, acompanhada pela frase “Até um dia…”.

Com enredo sobre o Galo Português, Unidos de Lucas abre desfile da Intendente

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Por Fiel Matola. Fotos: Magaiver Fernandes

Lucas carnaval2019 5Com o enredo “Do Galo de Barcelos ao Galo de Ouro, Lucas conta uma história de fé e Justiça”, contando a Lenda do Galo de Barcelos a Unidos de Lucas abriu as apresentações da Série B do carnaval 2019. A Vermelho e Dourado da Parada de Lucas mandou seu recado, com um samba com força no refrão. A bateria e o casal de mestre-sala e porta-bandeira levantaram o público.

Comissão de Frente

Lucas carnaval2019 14Comandada por Renata Monnier a equipe representava o mito do Galo, ou seja, o jantar onde o Galo assado cantou, livrando uma pessoa da injustiça da nobreza. A execução misturou dança com teatralização, com uma indumentária simples e utilizando um tripé representando a mesa de jantar, com direito até à um vinho português, os bailarinos passaram o recado, muito aplaudido pela platéia e contando claramente o proposto. Ponto positivo para o canto destes, que em nenhum momento da coreografia pararam de cantar, com bom humor e expressões, o quesito passou bem e só pode perder décimos por conta indumentária.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Lucas carnaval2019 24O primeiro casal da escola Léo Chocolate e Layne Ribeiro fez uma apresentação firme, com uma fantasia toda em tons rosas. Eles entravam no campo de visão dos jurados com rodopios perfeitos, aliando graciosidade e força o mestre-sala chegava perfeitamente no momento da parada da porta-bandeira. Sempre com a bandeira hasteada e rodopios bem executados, principalmente, os anti-horários, o casal passou bem pelo módulo de julgamento. Porém, alguns problemas podem tirar décimos: parte do adereço do costeiro caindo somente no primeiro módulo e no terceiro módulo a bandeira toca rapidamente a porta-bandeira.

Alegorias

Lucas carnaval2019 47Com dois tripés e uma alegoria, a Unidos de Lucas apresentou um trabalho muito bem executado. O primeiro tripé muito bem acabado, em preto dourado e prata. Já a única alegoria trouxa bom acabamento, luxo e até luzes, apresentando o homenageado da noite, o Galo Português. Na frente um destaque muito luxuoso, assim como o central no alto. As cores da bandeira portuguesa assim como a frente rodeada de velas deram uma excelente impressão do trabalho. Porém, as outras composições que usavam as fantasias das alas do desfile destoaram do belo visual.

Fantasias

Lucas carnaval2019 38Com fantasias simples, porém dignas, sem grandes problemas, na maioria das alas dava para entender o que estava passando só de olhar as fantasias. As baianas vestidas de dourado e branco estavam bonitas, mas faltava cordões em muita delas.

A ala dos passistas chamou atenção. As mulheres estavam vestidas de passistas masculinos e os homens de passistas feminino, o líder, era metade homem e metade mulher.

Enredo

Lucas carnaval2019 52Quando olhamos a figura do Galo Português não entendemos a lenda. Os carnavalescos Ney Junior, Walter Guilherme e Cristiano Plácido Chaves contaram sobre o mito do Galo em Portugal, com um paralelo da Justiça.

Nos primeiros setores foram apresentados o mito em si, o que se conta em terras de Portugal, na parte central do desfile um paralelo Portugal-Brasil e no setor final as injustiças, os impostos, por exemplo, com o povo brasileiro pagando por um dinheiro que os políticos usurpam.

Samba-Enredo

Lucas carnaval2019 33Dos compositores M. Sheik, Ney do Pagode, Branco, Tinta Forte, André Kabala, Pelé Hostinho, Rosali Ahumada Carvalho e Robson Moratteli, o samba-enredo da Unidos de Lucas funcionou na Intendente. A letra coube bem para a leitura do enredo e o refrão principal impulsionou a comunidade.

Harmonia

Lucas carnaval2019 67Sob o canto do intérprete Francisco Ribeiro (Chicão), o canto de Lucas oscilou, no início, alas cantando muito, todo o samba por sinal, já as alas finais não foram conforme as primeiras, só cantando o refrão.

Ponto positivo para a ala após as baianas que cantou muito bem, já os pontos negativos vem das alas que apresentaram as injustiças no último setor.

Evolução

Lucas carnaval2019 48A evolução foi regular, por conta da sua arrancada rápida e um buraco na apresentação da bateria no terceiro módulo. A bateria parou e a escola continuou a andar. Mas, a evolução do componente dentro das alas fez sucesso. Outros pontos de destaques são as baianas rodando muito e a ala de passistas dando show de samba no pé.

Bateria

Lucas carnaval2019 55Com bossas muito bem executadas, a bateria de Celso Filipe Frazão (Celsinho) levantou o povo presente, principalmente, na bossa do refrão. Há de se aplaudir o setor de agogôs, apresentando com precisão e harmonia o toque do instrumento. Os componentes da ala de chocalhos vieram com muita alegria na execução.

Outros destaques

Lucas carnaval2019 54A rainha Débora Souza Reboredo com um look vermelho, preto e dourado e um costeiro com muita pena para ninguém botar defeito. Quando o buraco foi feito no terceiro setor, ela foi lá e preencheu com muito samba no pé.

A velha guarda da escola que estava muito bem trajada e vindo após ao primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira com simpatia e animação.

O segundo casal com rodopios de deixar qualquer um de queixo caído, aplausos para a porta-bandeira que rodou sem medo de ser feliz.

Segundo carro da Mangueira representa o genocídio de índios nas expedições bandeirantes

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Por Nathália Marsal

Mangueira Desfile2019 124Sangue. Muito sangue. O vermelho do segundo carro da Estação Primeira de Mangueira estava espalhado por animais, índios, placas… Tudo. A alegoria que recebeu o nome “O sangue retinto por trás do herói emoldurado” representou o genocídio de mais de 300 mil índios pelos Bandeirantes. A alegoria trazia cerca de 25 pessoas, com o intuito de contar a verdadeira história.

barracao mangueira2019 6“Existe muita coisa escondida que precisamos mostrar a verdade”, afirmou a mangueirense Danielle Masta, que escolheu desfilar no carro.

Mangueira Desfile2019 126Em geral, esse assassinato em massa é contado de forma que os Bandeirantes são considerados heróis. A Mangueira revela a história real por trás do monumento às Bandeiras localizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e questiona os fatos das versões históricas oficiais. A obra mangueirense apresenta uma remontagem do monumento com os índios amordaçados, que não tiveram voz para contar sua história.

Mangueira Desfile2019 041O carro também trouxe placas com inscrições de “mulheres”, “tamoio” entre outras vítimas. Além de tamanduás, tatus e lagartos que representam a fauna da região. Todos na cor vermelha, enfatizando a violência.

Mangueira Desfile2019 040Miraci Mendes que também desfilou de destaque, acredita no poder do samba-enredo para atrair o público e provocar mudanças.

“Precisamos mudar esse futuro e buscar a justiça”, disse, confiante.

Baianas da Mangueira cruzam a Avenida interpretando as irmandades negras

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Por Juliana Cardoso

A Estação Primeira de Mangueira levou para a Avenida o enredo “História para Ninar Gente Grande”. A escola mostrou um outro lado do passado brasileiro, trazendo uma narração que não foi contada nos livros. As matriarcas da verde e rosa representaram mulheres negras que utilizavam seu dinheiro como escravas de ganho para comprar cartas de alforrias.

Mangueira Desfile2019 139Intitulada como “Irmandades negras”, a ala das baianas vestiu uma fantasia de tons marcantes. A saia negra foi adornada com faixas e cinturões de estampas africanas na cor laranja. No pescoço, búzios, terços e figas, ornamentos que remetem a religiosidade. Na cabeça, um chapéu em forma de bandeja, uma clara simbologia destas personagens, que usavam o pouco que ganhavam para ajudar outros negros da época.

Mangueira 2“Muitos se esqueceram dos 338 anos de escravidão, de que quatro milhões de pessoas foram retiradas de suas terras e trazidas para esse país em condições desumanas. Foram obrigadas a aceitar uma vida medíocre e aprender a fazer muito com pouco. Para mim, como mulher negra, desfilar com essa fantasia é resgatar as nossas raízes e valorizar o que a história escondeu”, disse a médica Maria Nazaré Ramos, componente da ala.

MangueiraA irmã dela, Maria Inês Ramos, completou:

“É emocionante representar a história escondida dos meus antepassados na Avenida, ainda mais em um traje tão bonito e representativo como o das baianas”, disse.

A verde e rosa foi a sexta agremiação a entrar na Marquês na segunda noite de desfiles do Grupo Especial.

Último carro do Salgueiro traz baluartes da escola representando ministros da Justiça

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Por Lucas Gomes

O Salgueiro encerrou seu desfile sobre Xangô homenageando alguns integrantes da Velha Guarda na quinta e última alegoria. O carro representava a esperança de que Xangô, em sua misericórdia e espírito de justiça e lealdade, defenda os brasileiros de ladrões, corruptos, maus políticos e pessoas mal intencionadas que causam sofrimento ao Brasil.

Salgueiro desfile2019 086Com bom humor, trouxeram os baluartes da escola representando os Ministros do Supremo Tribunal Federal na parte da frente da alegoria, que ainda contava com uma grande balança dourada, símbolo maior da Justiça, além de figuras de raios, representando o poder de Xangô.

O senhor Timbó do Salgueiro, com 60 anos de serviços prestados a Academia do Samba, disse que para ele é uma honra vir representando um cargo tão importante como o de Ministro da Justiça.

“É a primeira vez que eu venho no carro. Estou me sentindo feliz de vir no carro em que estão os 12 ministros da Justiça. É um prazer para mim, que sou benemérito da escola e tenho meus serviços prestados à alegoria”, contou seu Timbó, emocionado.

Dona Vera Sônia é uma das fundadoras da escola e desfilou no primeiro ano de Salgueiro. Neste, representando os Ministros do Supremo e também os 12 obás do Xangô, ela, aos 79 anos, com 68 de Salgueiro, desfilou mesmo de bengala.

“Eu estou até de bengala aqui. É um sentimento bastante intenso. Como enfermeira, o meu sentimento é de amor ao próximo, que anda faltando, inclusive para se fazer justiça. Eu sou uma das fundadoras do Salgueiro, saí no primeiro ano da escola”, disse, orgulhosa.

Outros elementos irreverentes da alegoria foram as policiais federais na lateral. Vestidos de farda e quepe, além das algemas, as “federais” vieram representar uma categoria da justiça que tem aparecido constantemente na mídia após a deflagração de operações com a Lava Jato.

Ana Renata, com 11 anos do Salgueiro passando por alas da comunidade e, desta vez no carro alegórico como “federal”, acredita que este é o momento para se fazer a crítica social.

“O nome da fantasia é “Dá Federal” e este carro é da justiça, principalmente da justiça de Xangô. Esse carro é uma parte mais da atualidade. Então, nós estamos criticando a corrupção. É como se fôssemos da “Lava Jato”, as federais. Acho que tem toda a relação com o momento em que estamos vivendo. Todo esse último setor é uma crítica social”.

Então, nesse momento tão conturbado que o Brasil está vivendo, e a gente vir de juiz, é uma satisfação muito grande. Espero que a gente alcance o campeonato e o nosso Brasil melhore”.

Curicica: galeria de fotos do desfile de 2019

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Religiosidade de Clara Nunes é retratada em alegoria da Portela

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Por Nathália Marsal

Portela Desfile2019 125Sob as bênçãos dos orixás, o carro “Conto de Areia” passou pela Avenida, nesta segunda-feira, para mostrar a religiosidade afro-brasileira de Clara Nunes, uma das características marcantes da homenageada da Portela.

Trazendo Oxalá como destaque principal, a alegoria contou ainda com integrantes vestidos de Yawos – filhos de santo no Candomblé já iniciados na religião mas que ainda não completaram o período de 7 anos da iniciação – ao redor.

Há 18 anos na escola de Madureira, Joel Rochas, de 56 anos, afirma que é um carro muito representativo pois há diversos orixás ali sendo contemplados.

religiosidade

“Nossa religião há muito tempo vem sendo ferida pelas pessoas. Representar essa parte do enredo é importante para que a tolerância das pessoas floresça e a gente consiga mostrar nossa fé e religiosidade”.

Outra integrante do carro, Monaliza Marques, de 26 anos, escolheu desfilar este ano pela primeira vez devido ao enredo e a homenagem à Clara Nunes.

“O samba está apaixonante”.

Último setor do Salgueiro pede justiça como solução para a corrupção no Brasil

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Por Lucas Gomes

Salgueiro desfile2019 157Após citar em seu desfile diversas características que permeiam a fé no Orixá Xangô, o “justiceiro da nação Nagô” proclamado na letra do samba do Acadêmicos do Salgueiro, a agremiação trouxe na parte final do seu desfile alguns exemplos de impunidade frequente para casos de corrupção nos dias atuais. O desenvolvimento mais crítico do enredo no quinto apresentou a lavagem de dinheiro, barões que enriqueceram com o dinheiro do povo e o andamento vagaroso da justiça no Brasil.

A ala lavagem de dinheiro trazia alusão a uma máquina de lavar com notas de dólar penduradas, criticando a prática ilícita e fazendo referência à “limpeza” de dinheiro sujo de negociata e corrupção. Aline Amaral, componente da ala em seu segundo ano de Salgueiro, falou da importância de denunciar a prática que tem se tornado comum no país.

“Acho que a ala Lavagem de Dinheiro mostra a situação que hoje nós estamos vivendo no país, entre outras coisas. Desfilar no Salgueiro, para mim, já é uma emoção muito grande, não tenho com explicar. E é essa parte final do enredo é um alerta para a população sobre corrupção.”

Já na ala “Quem rouba pouco é ladrão, quem rouba muito é barão”, a crítica esteve presente na falta de ética na administração pública, na qual governantes utilizam do poder para enriquecimento ilícito. A fantasia faz alusão aos políticos da República Velha que usavam de chantagem e troca de favores para se manterem no poder, os chamados Barões.

A catarinense Sibila da Silva, veio de Joinville para desfilar no Salgueiro, se sentiu honrada em dessa crítica que julga tão importante.

“Essa crítica que o Salgueiro está fazendo aos barões que enriquecem às custas do povo é correta. O que não é certo é o que foi feito por eles, né? Eu acho justo nós trazermos isso para a Avenida e mostrar para eles que estava errado, tentar mudar essa história.”

Ainda na parte final de seu Desfile sobre Xangô, o Salgueiro citou os agentes da justiça e os magistrados, pedindo que pratiquem o desprendimento de interesses em seus julgamentos. Na ala “Data Vênia”, a crítica foi para a morosidade dos processos judiciais. Na fantasia, a tradicional beca, com o martelo de juiz e a balança – símbolo da justiça – eram exibidas nas costas da vestimenta.

O também estreante no desfile do Salgueiro Renato da Silva pediu mais transparência para combater a corrupção no país.

“Eu acho que nós temos que pedir mais transparência nas investigações, combater a corrupção. Essa fantasia é a justiça e a balança equilibrada representa a neutralidade da Justiça, sem tender para nenhum dos lados. É como deveria ser, mas infelizmente nem sempre é, né? É uma cobrança à nossa Justiça também”.

Antes do último carro, alguns integrantes da velha-guarda vieram no chão na ala Supremo Ministros de Xangô que representavam os 12 Obás de Xangô, os mestres e o livre arbítrio.

Sandro Compositor, com 10 anos de desfile pela escola, agradeceu a homenagem à velha-guarda.

“Para gente está sendo muito legal. Estamos muito honrados da nossa fantasia ser de juízes.