Compositores: Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto, Igor Leal
FINQUEI MINHA RAIZ
NO EXTREMO NORTE ONDE COMEÇA O MEU PAÍS
AS FOLHAS SECAS ME GUIARAM AO TURÉ
PINTADA EM VERDE-E-ROSA, JENIPAPO E URUCUM
ÁRVORE-MULHER, MANGUEIRA QUASE CENTENÁRIA
UMA NAÇÃO INCORPORADA
HERDEIRA QUILOMBOLA, DESCENDENTE PALIKUR
REGATEANDO O AMAZONAS NO TRANSE DO CAXIXI
CORRE ÁGUA, JORRA A VIDA DO OIAPOQUE AO JARI
ÇAI ERÊ, BABALAÔ, MESTRE SACACA
TE INVOCO DO MEIO DO MUNDO PRA DENTRO DA MATA
SALVE O CURANDEIRO, DOUTOR DA FLORESTA
PRETO VELHO, SARAVÁ
MACERA FOLHA, CASCA E ERVA
ENGARRAFA A CURA, VEM ALUMIAR
DEFUMA FOLHA, CASCA E ERVA… SARAVÁ
NEGRO NA MARCAÇÃO DO MARABAIXO
FIRMA O CORPO NO COMPASSO
COM LADRÕES E LADAINHAS QUE ECOAM DOS PORÕES
ERGO E CONSAGRO O MEU MANTO
ÀS BENÇÃOS DO ESPÍRITO SANTO E SÃO JOSÉ DE MACAPÁ
SOU GIRA, BATUQUE E DANÇADEIRA (AREIA)
A MÃO DE COURO DO AMASSADOR (AREIA)
ENCANTARIA DE BENZEDEIRA QUE A AMAZÔNIA NEGRA ETERNIZOU
NO BARRO, FRUTO E MADEIRA, HISTÓRIA VIVA DE PÉ
QUILOMBO, FAVELA E ALDEIA NA FÉ
DE YÁ, BENEDITA DE OLIVEIRA, MÃE DO MORRO DE MANGUEIRA
OUÇA O CANTO DO UIRAPURU
YÁ, BENEDITA DE OLIVEIRA, BENZE O MORRO DE MANGUEIRA
E ABENÇOE O JEITO TUCUJU
A MAGIA DO MEU TAMBOR TE ENCANTOU NO JEQUITIBÁ
CHAMEI O POVO DAQUI, JUNTEI O POVO DE LÁ
NA ESTAÇÃO PRIMEIRA DO AMAPÁ
Compositores: Alexandre Naval, Wendel Uchoa, Ronie Machado, Giovani, Marquinho M. Moraes e Ailson Picanço
Ao ecoar o som do maracá
Meu jequitibá é ritual de fé
Awê Turé! Awê Turé!
A flauta anuncia o transe do pajé
Karipuna já dançou Wajãpi no chão bradou
Tawari anuviou sereno
Mestre Sacaca é ensinamento
Na beira do rio Guardou o balanço da maré
Na pororoca carregado de axé
Sobe o Jari, seu moço … Ê canoeiro!
Se não corre em furo d’água
Não se mete com banzeiro
Na palafita amparada de palmeiras
Deixa um presente à Estação Primeira
Folha seca pra benzer na moleira
Faz a reza Tucuju Se manifesta pra criança se curar
Ê sumano vá buscar Garrafada pra menina
Na fervura sete dias … sete noites ao luar!
Foi na encruzilhada que se formou
No encontro dos igarapés
Quilombo vivo assentado em nossos pés
Sob a raiz do Amapá
Giram matriarcas puxando o vento
Pro divino anunciar Macacaueiro em pele de sucuriju
No tronco oco ressoou o meu tambor!
Canta! No terreiro oração se dança!
No toque de caixa ligeiro
A bandaia se faz entender Samba!
No Laguinho, rei sentinela
Com os crias da favela
A floresta vai vencer!
Xamã Babalaô! Guardião do meu Ilê!
Rompe mato e faz tremer aldeia
Caboclo Preto Velho Verde e Rosa é meu sagrado
Toca o Marabaixo, Mangueira!
Compositores: Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antônio Neto, Clovis Junior, Marcelo Zona Sul
SACACA ESCUTEI UMA VOZ
ERA VOCÊ, NO MEIO DE NÓS
EU SOU MANGUEIRA, NA MAGIA DA FLORESTA
A SABEDORIA QUE RESPEITA A TERRA
O VENTO SOPRA O TRANSE DO PAJÉ
ROMPE A MEIA-NOITE, É RITUAL TURÉ
FUMAÇA DE TAWARI, O XAMÃ BABALAÔ
NUM GOLE DE KAXIXI ENCANTOS REVELOU
MARÉ ME LEVA NAS ÁGUAS DO CURIPI
DE QUEM SEMPRE ESTEVE AQUI, WAIÃPIS E CARIPUNAS
PELO JARI, ESPERANÇA EM CADA OLHAR
RIBEIRINHO NUNCA DEIXA DE SONHAR
ENTRE OS FUROS E BURITIS
RISCA O AMAPAZEIRO, PÕE SEIVA NA CACHAÇA
CURO O CORPO, CURANDEIRO, BENZEDEIRA CURA A ALMA!
PRETO VELHO “ENGARRAFOU” RIQUEZAS NATURAIS
“CABOCO” NÃO SE ESQUEÇA DOS SABERES ANCESTRAIS!
BEBERICANDO COM O MESTRE
“MAR ABAIXO”, “MAR ACIMA”, A GENTE SEGUE
SAIA FLORIDA, “SÁ DONA”, NO CURIAÚ
A FÉ “ENCRUZA” NO “EM CANTO” TUCUJÚ
“É DE MANHÃ, É DE MADRUGADA”
“É DE MANHÃ, É DE MADRUGADA”
COURO DE SUCURIJU NO BATUQUE ENVOLVENTE
QUILOMBOLA DA AMAZÔNIA JAMAIS SE RENDE!
EU VI… EM CADA ORAÇÃO O CORPO ARREPIAR
BANDEIRAS VIBRANDO À LUZ DO LUAR
TAMBORES SE ENCONTRAM CANTANDO EM LOUVOR
SENTI OS SABORES, AROMAS E CORES
NAS MÃOS QUE MOLDAM NOSSOS VALORES
“MEU PRETO”, DA MATA ÉS O GRIÔ!
AJUREMOU, DEIXA AJUREMAR
O SAMBA É VERDE E ROSA E GUIA MEU CAMINHAR
AJUREMOU, DEIXA AJUREMAR
CUIDADO, CHEGOU MANGUEIRA, NA GINGA DO AMAPÁ
A Grande Rio promove neste sábado, a grande final do Concurso de Samba-Enredo para o Carnaval 2026. A disputa começa às 22h, na quadra da escola, em Duque de Caxias, com entrada gratuita para o público. Em enquete com os leitores do CARNAVALESCO, a parceria de Ailson Picanço foi apontada por 55,3% dos votos como a favorita para vencer. A parceria de Marcelinho Santos recebeu 25,5%, a parceria de Samir Trindade ficou com 7,3%, a parceria de Myngal teve 6,4% e a parceria da Pérola do samba (Recife) ficou com 5,5%.
Cinco obras seguem na competição e vão se apresentar na noite decisiva, quando será escolhido o hino oficial que embalará o desfile da tricolor de Caxias no próximo Carnaval. A noite também será marcada por um momento especial: a coroação de Virgínia Fonseca como rainha de bateria da Grande Rio. Para quem não puder comparecer presencialmente, o evento contará com transmissão ao vivo pelo canal oficial da escola no YouTube, pelo link: https://www.youtube.com/live/rJ8uaaXRJNA?si=_ExIJNUvTmamHU0G
A Zona Oeste do Rio de Janeiro se prepara para viver uma noite histórica neste sábado, quando a Mocidade Independente de Padre Miguel realiza a grande final de samba-enredo para o Carnaval 2026. Mais do que a escolha do hino oficial, o evento se consolidou como um verdadeiro festival, reunindo música, cultura, serviços e entretenimento, com a expectativa de receber até 10 mil pessoas no Maracanã do Samba. Três obras disputam o direito de assinar o samba que a Estrela Guia levará para a Sapucaí: as parcerias de Jefinho, Paulinho Mocidade e Paulo César Feital. Em enquete com os leitores do CARNAVALESCO, a parceria de Jefinho Rodrigues foi apontada por 87,7% dos votos como a favorita para vencer. A parceria de Paulinho Mocidade recebeu 8% e a parceria de PC Feital ficou com 4,3%.
De acordo com o diretor de comunicação e marketing da escola, Bryam Clem, a dimensão da festa justifica o título de “maior final do carnaval carioca”.
“A final da Mocidade sempre foi um acontecimento por ser um momento esperado para toda a Zona Oeste. De uns anos para cá, aumentamos ainda mais e temos muito orgulho em batizar de maior final do carnaval carioca por tudo que ela representa em números e eventos. É muita gente trabalhando. O Marcelão lidera toda produção, mas é um time gigante por trás para entregar um evento desta magnitude”, destacou.
Festival de experiências
O evento contará com dois palcos e mais de 14 horas de programação, pensado para valorizar não apenas o samba, mas também a experiência do público. Na área gastronômica, haverá uma mega praça de alimentação com marcas consagradas, como o Bob’s. Além disso, diversas ativações gratuitas foram preparadas, incluindo massagem, corte e barba, maquiagem e flash tattoo.
“Trabalhamos o ‘produto final’ há um mês já. A marca Mocidade fica em evidência ainda mais porque é um verdadeiro festival. Conseguimos elevar o nível de entrega e teremos uma live transmitindo tudo. É um evento que mostra a força do carnaval carioca na hora de entregar um produto aos parceiros e público em geral”, explicou Bryam.
Tradição, inovação e grandes atrações
A programação da final une tradição e inovação. O público poderá conferir apresentações do Grupo SER, da Velha Guarda da Mocidade convidando a Velha Guarda do Império Serrano, além do tradicional show da escola.
Um dos momentos mais aguardados será o after, que neste ano ganhou palco batizado em homenagem à carnavalesca Márcia Lage. Para marcar a celebração, o espaço terá um show especial de Tati Quebra Barraco, prometendo sacudir os Independentes até a manhã de domingo.
“O desafio de renovar público é diário e fazemos de tudo para isso. O after é uma ótima resposta para aproximarmos públicos novos. Porém, nunca deixaremos de valorizar o sambista. Tem palco para a Velha Guarda, tem pagode, tem escola. É do jeito que o sambista gosta”, ressaltou Bryam.
Serviço
Grande Final de Samba-Enredo – Mocidade Independente de Padre Miguel
📅 Data: 20 de setembro (sábado)
⏰ Horário: a partir das 20h
📍 Local: Maracanã do Samba – Av. Brasil, 31.146 – Padre Miguel
📺 Transmissão: canal oficial da Mocidade no YouTube
🎟️ Ingressos:
Pista: R$ 40
Mesa (4 lugares): R$ 250
Mesa bistrô: R$ 100
Camarote: R$ 1.200
Venda: plataforma Ingresse
No próximo Carnaval, a Mocidade será a primeira escola a desfilar na segunda-feira, com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage.
A Unidos do Viradouro realizou, na última sexta-feira, a semifinal da eliminatória de sambas-enredo para o Carnaval 2026. Quatro obras se apresentaram na quadra da vermelho e branco em busca de uma vaga na final. A escola de Niterói levará para a Avenida o enredo “Pra Cima, Ciça!”, homenagem ao mestre de bateria da agremiação e um dos maiores da história do Carnaval carioca. O samba de Claudio Mattos segue como favorito e conquistou diversos segmentos, mas a parceria de Lucas Macedo fez uma bela apresentação e não ficou atrás na noite. Os finalistas devem ser anunciados na segunda-feira. A seguir, o CARNAVALESCO analisa a passagem dos sambas semifinalistas.
Parceria de Lucas Macedo: Zé Paulo e Charles Silva defenderam o samba da parceria de Lucas Macedo, Diego Nicolau, Jefferson Oliveira, Vinicius Ferreira, Richard Valença, Miguel Dibo, Orlando Ambrósio, Hélio Porto, Aldir Senna e Wilson Mineira. A obra abriu a semifinal, esquentando a quadra com uma forte apresentação. Zé Paulo e Charles tiveram um desempenho vigoroso, levantando o samba. O refrão de cabeça “Repinique de André, seu Hélio na marcação, na caixa de guerra, Louro, swinga a terceira, Jorjão, tem Marçal no tamborim, bateria que enfeitiça, quem convida é a Viradouro do mestre Ciça” cita outros grandes mestres de bateria e foi cantado com muita animação. O início da obra, com os versos “ê menino, que um dia desceu o São Carlos, foi gingando no embalo, riscado no pé, malandragem é boemia, pelo ar a poesia, quando o samba de sambar vira fé”, também se destacou. A segunda parte apresenta variações melódicas interessantes, como no trecho “êêêêêê tá de alma lavada o caveira, êêêá é macumba de Alafiá”. Foi uma passagem consistente, que se sustentou bem durante todo o tempo, apesar do canto da torcida ter diminuído após as primeiras passadas.
Parceria de Claudio Mattos: O samba de Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet e Thiago Meiners foi defendido por Freddy Vianna e Grazi Brazil. A obra mostrou ser a mais abraçada por segmentos e componentes, que acompanharam o samba na ponta da língua. Porém, a ausência de Pitty de Menezes fez falta para uma maior explosão no palco, apesar da condução competente de Freddy, Grazi e seus auxiliares. Mesmo assim, o samba reafirmou sua qualidade, com destaque para o refrão central “quando o apito ressoa parece magia, num trem caipira, no olhar da baiana, medalha de ouro, suingue perfeito, que marca no peito da escola de samba”. Outro ponto forte está na segunda parte, nos versos “peça perfeita pra me completar, feiticeiro das evocações, atabaque mandou te chamar, pra macumba jogar poeira, firma a caixa pra resistir, o nome de Moacyr é legado do mestre Caveira”, com melodia que convida a gingar e sambar. O refrão de cabeça “se eu for morrer de amor, que seja no samba, sou Viradouro, onde a arte o consagrou, não esperamos a saudade pra cantar, do mestre dos mestres herdei o tambor” é inspirado e reforça o brilho da obra. A torcida acompanhou com força todos os versos. É o samba claro favorito da disputa, mostrando sua qualidade mesmo em uma apresentação mais equilibrada na noite.
Parceria de Mocotó: A obra da parceria de Mocotó, PC Portugal, Arlindinho Cruz, J. Lambreta, André Quintanilha, Rodrigo Deja, Ronilson Fernandes, Renato Pacote, Reinaldo Guimarães e Bira Fernandes teve Marquinho Art Samba e Wandinho Pires como intérpretes principais. O samba teve ótimo rendimento no refrão de cabeça “Viradouro é seu coração na avenida, ‘amor, amor, amor’ em sua história nossa vida, sabe Moacyr, a esperança virá, no vermelho e branco que brilha em seu olhar”. O refrão central trouxe uma quebra melódica interessante no último verso: “põe a caixa no alto, quebra a baqueta, vai botando mais tempero no feijão com arroz, batucada desvairada, toca o trem caipira, divina condução, consagrado no compasso da inovação”. A segunda parte apresentou uma bonita melodia e também contribuiu para uma boa performance, embora tenha perdido força nas últimas passadas. A torcida mostrou mais empolgação do que canto em alguns momentos da apresentação.
Parceria de Thiago Carvalhal: O samba da parceria de Thiago Carvalhal, Bebeto Maneiro, Ludson Areia, Babby do Cavaco, Carlinhos Viradouro, Vinicius Moro, Pablo Adame e Rodrigo Neves foi defendido por Nego e Tem Tem Jr., em um palco que sustentou uma obra composta por diversos trechos em tom maior. Apesar de se manter em alta, o desempenho foi irregular. O refrão de cabeça “abraço de mãe na Viradouro, a sua história não se apagará, é dia de festa, maestro do morro tem muita macumba pra comemorar” funcionou muito bem, ao contrário da primeira parte, que apresentou sinais de arrastamento. Na segunda parte, o rendimento voltou a crescer, sobretudo no bis antes do refrão de cabeça: “hoje a saudade apertou, eu voltei pra flores em vida eu te entregar, tudo que eu pedi a Deus vai se realizar (pra cima, Ciça)”. A menor torcida da noite acompanhou de forma afiada os refrãos, mas não manteve a mesma energia no restante da obra.