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Barracões: Porto da Pedra luta pelo campeonato da Série A através da força cultural de Antonio Pitanga

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barracao pp2019 4Para buscar o sonho de voltar ao Grupo Especial, a Unidos do Porto da Pedra segue uma fórmula que vem dando certo desde 2016: a exaltação à cultura nacional. No carnaval deste ano o ator Antônio Pitanga será homenageado pelo Tigre de São Gonçalo. Porém engana-se quem pensa que a agremiação irá na contramão das temáticas de cunho social que permeiam a safra da Série A em 2019. Ao receber o CARNAVALESCO no barracão, o carnavalesco Jaime Cezário exalta a figura de Antônio Pitanga e diz que ele abriu portas para os atores negros no cinema nacional.

“Ele ser o primeiro ator negro de destaque é algo que eu não sabia. Se existem outros hoje e aí vai do gosto de cada um, quem abriu as portas foi o Pitanga. De família pobre, de Salvador, nordestino e conquistou o Brasil. Isso nos ensina que se você tem um sonho e corre atrás você vai chegar lá”, conta.

barracao pp2019 3Para contar a história de uma das personalidades negras mais importantes do Brasil, o carnavalesco da Porto da Pedra precisou escolher trechos da obra de Pitanga que coubessem dentro da estrutura de desfiles da Série A.

“É um personagem riquíssimo. São muitos filmes, peças de teatro, novelas. O enredo foi construído a quatro mãos. Minhas e dele. Expliquei a ele que um desfile de Série A precisa ser mais objetivo. Desde que vim para a Porto da Pedra tenho feitos enredos de fácil assimilação. Ele me pincelou momentos da vida e dividimos em movimentos”, destacou.

A temática foi escolhida pela Porto da Pedra ainda antes do desfile de 2018 e apresentada ao carnavalesco Jaime Cezário. Após o desfile, Cezário sentou-se com Pitanga e começou a traçar as diretrizes do enredo, dando sequência à exaltação da cultura nacional, algo que vem se repetindo desde 2016 quando o artista foi contratado pela escola.

barracao pp2019 1“Era uma ideia antiga da diretoria da escola, e eles me sugeriram antes mesmo do desfile de 2018. Existe uma afinidade da escola com o Antônio Pitanga e essa luta, garra e determinação dele realmente emocionam. A diretoria o procurou, marcaram uma conversa e ele concordou no ato. No meio do ano ele faz 80 anos e o desfile vai ser uma parte importante dessas comemorações. O enredo passa a ser meu com o desenvolvimento, mas a ideia não partiu de mim. É um enredo que vem na sequência da ideia de exaltação da cultura nacional, desde que vim para cá. Pitanga é o primeiro ator negro protagonista no cinema nacional”.

Terceira colocada no desfile do ano passado, a Porto da Pedra esteve bem próxima do acesso ao Especial, grupo onde desfilou entre 2002 e 2012. Jaime Cezário não se faz de rogado e diz que o projeto construído pela escola é sim de disputar o campeonato.

“Brigamos para voltar ao Especial. A Porto da Pedra já está a oito carnavais no acesso e vem fazendo um trabalho a cada ano para voltar. Temos o direito de sonhar, sentir isso de perto. Ano passado se você tirasse o quesito samba-enredo a escola era campeã. Faço meu trabalho querendo ganhar, embora não seja um santo milagreiro. A escola fez um projeto para ser campeã”, garante.

Conheça o desfile

barracao pp2019 2Setor 1: Salvador, onde ele nasceu. A família dele tinha bastante consciência e a mãe dele despertou no filho essa característica. Ele foi batizado na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, feita por escravos. Ele vai morar ao lado de um clube de fantoches. Ali havia um grupo de teatro, e ele não podia entrar por ser negro. Ele ficava do lado de fora ouvindo e fez amizade com o grupo. A partir daí ele foi incentivado a fazer testes para seu primeiro filme, ‘Bahia de todos os santos’. Ele interpretava um baiano de nome Pitanga. A partir daí incorpora o nome artístico.

Setor 2: Vamos mostrar esse início no cinema e grandes filmes pontuados pelo próprio homenageado. ‘Quilombo’, ‘Ganga Zumba’, ‘O Pagador de Promessas’, ‘A Grande Feira’, ‘Barravento’, ‘Idade da Terra’.

Setor 3: Falamos do Pitanga no teatro e TV. Ele segue um conselho do Glauber Rocha para ser ator de teatro. O Glauber ficou impressionado com a energia dele e o incentivou. Pontuei três fases: teatro baiano, paulista e carioca. Na Bahia pegamos a peça ‘Chapetuba FC’. Em São Paulo temos ‘O poder negro’, e no Rio a peça ‘Hair’. Pontuamos a primeira novela dele, ‘Sangue do meu sangue’ e um papel de muito sucesso, o Tião Pastel na novela ‘O Clone’.

Setor 4: Os amores. Desde o futebol, pois ele é um grande vascaíno. O Vasco foi o primeiro a aceitar atletas negros. A Mangueira e as lutas política e social. O amor dele ao carnaval, foi ele quem levou as escolas cariocas para a Argentina em San Luís.

Entrevistão com Fafá da Grande Rio: ‘O ritmista só é amigo do ritmo’

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granderio ensaiotecnico 2019 84Quando o telefone do jovem Fabrício Machado tocou e do outro lado da linha estava o presidente de honra da Grande Rio, Helinho Oliveira, o então diretor da Invocada pensou se tratar de trote. De apelido quase infantil, Fafá demonstra em poucos meses de trabalho uma personalidade poucas vezes vista em pessoas de sua idade. O site CARNAVALESCO conversou com o músico para a série ‘Entrevistão’ sobre o desafio de comandar uma das maiores baterias do carnaval. Ele fala da gratidão por Thiago Diogo e defende o andamento adotado: ‘Estamos tocando samba’. Confira o bate-papo com o mestre Fafá.

Como foi receber a notícia de que seria o novo mestre da Grande Rio?

“Eu estava em casa assistindo TV e me preparando para dormir. O presidente Helinho me ligou, mas eu não vi a ligação. Retornei e ele falou para eu me preparar que eu era o novo mestre de bateria. Ele me pediu para eu ir ao barracão no dia seguinte conversar. Quando o Thiago Diogo anunciou sua saída pelas redes sociais, aí que minha ficha caiu que era verdade”.

Como era antes e como é hoje sua relação com o Thiago Diogo?

“O Thiago foi um cara muito importante na minha vida, principalmente na parte técnica, de harmonia e musicalidade. Ele é um cara de um coração imenso. Ele me desejou boa sorte e me aconselhou muito. Eu jamais posso deixar de mencionar ele com todo carinho e gratidão”.

Teve receio em fazer uma mudança tão brusca no andamento da bateria?

granderio ensaiotecnico 2019 83“Dizem que o que estamos fazendo é coisa de maluco. Botando um andamento atrás e pedindo para a escola cantar o samba. Atualmente no carnaval se você for parar para analisar a Unidos da Tijuca, a Beija-Flor, são baterias de excelência e um andamento muito mais próximo daquele que eu acredito ser o ideal. Laíla que é um cara que tenho um profundo respeito sempre defende também um andamento que não seja tão na frente. O que dizemos lá é que para os padrões atuais é difícil fazer, mas precisamos manter até o fim, sem deixar cair”.

Como tem sido conversar com o seu pai e o Odilon, eles vão desfilar?

“Odilon se tiver de puxar orelha, puxa. A gente é amigo do ritmo, uma frase dele. Amizade fica fora da bateria. Ele me deu alguns conselhos, claro que vou seguir, nunca escondi de ninguém que ele é o meu mentor. O meu pai já está mais certo no desfile que eu, se emocionou comigo no ensaio técnico. Ele está extremamente feliz. Recebemos a volta de ritmistas da época do Odilon. Ele não poderá vir conosco pois ele será jurado do Estandarte de Ouro”.

Quando você decidiu implementar esse andamento da bateria?

“A decisão na mente eu tinha quando me convidaram para ser o mestre. Graças a Deus a resposta foi positiva. Todos os desenhos estão em cima da melodia do samba”.

Você acha que o samba pode ‘arrastar’ com andamento mais atrás?

granderio ensaiotecnico 2019 18“O que posso dizer em defesa de nosso andamento é que estamos tocando samba. Eu estudo. Os áureos tempos da Grande Rio, quando por exemplo a escola voltou pela primeira vez nas campeãs, foram todos com andamento cadenciado. Estamos tentando colocar uma cara nova sem esquecer o passado. Estamos trabalhando em cima disso. Tudo que faço entrego o coração. Tenho ótimo pressentimento. Se der certo, as pessoas vão parar com essa correria nas baterias. E não é culpa dos mestres. Samba é samba, independente da qualidade. Bateria corrida não melhora samba, foi algo que aprendi”.

Como você trabalha as críticas e elogios em redes sociais?

“Essa é uma pergunta interessante. Sou nascido e criado na Grande Rio. Esses dias vi um comentário criticando a escola vindo lá de Fortaleza, o cara nem é daqui, nem desfila. Quando recebemos uma crítica construtiva eu ouço e respeito muito. Agora quando vem com ofensas e apelação, esses fakes que ficam de sacanagem eu nem dou atenção. O samba está passando por um momento difícil demais. Temos de estar unidos e fechados. Por mim eu nem teria rede social. Na minha posição atual eu não respondo nada”.

E essa história de ser galã?

granderio ensaiotecnico 2019 15“Eu sou muito tímido. Quando sou elogiado assim, agradeço mas eu fico bastante sem graça, confesso. O David Brazil acaba comigo, me gasta muito. Levo na esportivo qualquer elogio, mas sou tímido demais (risos)”.

Como é a relação com a rainha Juliana Paes?

“A Ju é uma pessoa de um astral imenso. Tem seus compromissos e o trabalho dela. Trocamos telefone e conversamos. Uma vez fizemos um ensaio só de bateria e ela foi. Está nos ajudando muito. Ela tem me auxiliado com essa vergonha que eu tenho de falar, me dá muita força. É uma mulher muito do bem”.

Barracões: Santa Cruz reverenciará primeira protagonista negra da TV

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Por Diogo Cesar Sampaio

Pioneira no teatro, no cinema e na televisão brasileira, Ruth de Souza escreveu seu nome na história. Ao longo de toda sua carreira, colecionou dezenas de marcas importantes, como ser a primeira brasileira a concorrer ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional, pelo filme “Sinhá Moça” (1953). Além disso, foi a primeira negra a protagonizar uma telenovela, com “A Cabana do Pai Tomás” (TV Globo – 1969). E agora, aos 97 anos, ganhará mais um feito para o seu currículo: ser enredo de uma escola de samba. A Acadêmicos de Santa Cruz é que será responsável por prestar essa homenagem, concebida e assinada pelo carnavalesco Cahê Rodrigues.

barracao scruz2019 2“Eu já tinha o desejo de falar da Ruth há algum tempo. Eu cheguei a ensaiar uma homenagem a ela em 2015, na Imperatriz, quando fiz o “Axé Nkenda”. Porém, ela estava muito debilitada de saúde na época, e achamos por bem não levá-la para o Sambódromo. Queria que ela tivesse um espaço, que fosse grande no enredo. A família achou por bem deixar um pouco mais pra frente, para que ela pudesse se recuperar. E no final do carnaval passado, eu me desliguei da Imperatriz. A ideia era ficar de fora, para que eu pudesse me dedicar a outros projetos. Só que aí veio o convite do Zezo (presidente da Santa Cruz). Eu falei para ele: vai me deixar fazer meu enredo? E ele me perguntou qual seria. Disse que era uma homenagem a Ruth de Souza e ele topou”.

Cahê Rodrigues mostra-se realizado com a oportunidade de finalmente tirar o projeto do papel. Ele destaca a abertura do desfile como um dos destaques, que contará com a presença da homenageada logo no carro abre-alas.

“Entre todos os momentos especiais da Santa Cruz esse ano, eu destaco a comissão de frente. Ela é um xodó, pois tem um significado muito grande pra vida da Ruth, além de ter uma carga emocional muito grande. Acho que vai ser um grande momento de emoção. O abre-alas também, que é aonde a Ruth vem. É um carro muito representativo pra ela. É a visão dela sobre o Theatro Municipal. Retrata a estreia dela no palco. Só que criamos um Municipal meio africanizado. É como se ele estivesse decorado pra receber a rainha. Tanto a comissão, quanto o abre-alas, são muito representativos dentro dessa homenagem.”

Saída da Imperatriz

Depois de seis carnavais consecutivos na escola de Ramos, Cahê Rodrigues encerrou sua trajetória na Imperatriz, após o desfile de 2018. Uma saída amigável e em comum acordo entre todas as partes, segundo conta o próprio Cahê. Para o artista, era algo que já se fazia necessário, pois ambos os lados precisavam de experiências novas.

barracao scruz2019 1“Eu conversei com o presidente Luizinho Drumond. Tinha assuntos pessoais e familiares pra resolver, e precisava dar uma pausa. O Grupo Especial nos toma muito tempo e dedicação. Fiquei quase que 18 anos direto vivendo isso. Precisei me desligar, e foi super saudável. Tenho um bom relacionamento com todos, frequento a quadra da escola e inclusive recebi um convite para desfilar com a Imperatriz, na diretoria. Aprendi dentro de casa a sempre deixar portas abertas, a saber entrar e sair dos lugares. Tenho uma gratidão eterna por tudo que vivi ali dentro. Acredito que estamos dando um tempo na relação. Isso faz parte. É bom pra todos. Estou me dedicando a outros projetos. Estou fazendo carnaval em Manaus, na Vitória Régia, que um lugar e uma terra que eu amo. Estou fazendo a Santa Cruz, fazendo algumas coisas para fora do Rio de produção de show e cenários”.

Retorno para Santa Cruz

A relação entre Cahê Rodrigues e a Santa Cruz é de longa data. Com o retorno do carnavalesco para a agremiação esse ano, já são três passagens ao todo. Além da atual, ele já esteve na escola entre 1996 e 1997, e novamente em 2003, tendo sido ele o responsável por assinar o carnaval da verde e branca em sua última estada no Grupo Especial.

barracao scruz2019 4“A minha primeira passagem na Santa Cruz foi em 1996, quando eu fui assistente do Albeci (Pereira, carnavalesco da escola na época). Na ocasião, fomos campeões do Acesso, e a escola subiu para o Especial. E em 1997, eu também fiz com eles o “Não se vive sem bandeiras”. Depois eu retornei em 2003, com o enredo sobre o teatro, de autoria da Roseli Nicolau, que era uma super amiga com quem eu dividi muitas coisas nessa vida, e que cuidou dessa escola com muito carinho. Sou muito grato a tudo que vivi na Santa Cruz com a Roseli e com o Zezo. E o retorno agora, após quase 18 anos de Grupo Especial, e a Série A nas condições que está agora, a Santa Cruz tendo de mudar de barracão, viemos para um lugar improvisado, sem teto, chovendo dentro do barracão. Uma situação muito complicada. Mas aqui temos uma parceria muito grande entre as pessoas. Tenho uma relação tão boa com a escola, que a gente consegue driblar todos esses problemas, com muita alegria e união”.

Adaptação ao carnaval da Série A

Acostumado a trabalhar em escolas do Grupo Especial, Cahê Rodrigues enfrenta agora outra realidade. Se a crise que impacta o carnaval já atinge muito as agremiações da elite, que dirá as dos grupos anteriores, como a Série A. Não basta a falta de verba e de material, é necessário lidar com questões estruturais também, por exemplo. Até mesmo o modelo de desfile se difere, exigindo do artista recém-chegado no grupo, uma adaptação às novas condições.

barracao scruz2019 3“Estou me reencontrando como profissional aqui. Estou reencontrando pessoas, que fizeram parte da minha vida e que ainda vivem nesse grupo, com tanta dificuldade. Às vezes, é preciso dar um paço pra trás. Hoje, eu estou na Série A por opção. Precisava viver algo diferente, afinal, estava há muito tempo no Especial. E lá, as coisas são muito menos difíceis do que na Série A. Por exemplo, você tem mais setores, carros e alas pra contar uma história. Para falar da vida da Ruth na Série A, tive de resumir tudo em quatro setores e quatro alegorias, somente. O que é extremamente desafiador, porque ela tem muita história e eu tive de pontuar de uma forma muito resumida, apenas destacando os principais momentos. A paixão dela pelo teatro, o cinema, a estreia dela na TV. As indicações, pois ela foi a primeira mulher negra em diversos segmentos. Foi a primeira mulher negra a protagonizar uma novela, a primeira mulher negra a pisar no palco do Theatro Municipal, foi a primeira artista negra a ser indicada a um prêmio internacional. Reduzir e resumir toda essa história em apenas quatro setores foi um grande desafio”.

Porém, engana-se quem pensa que Cahê Rodrigues é um novato no acesso. Apesar de ter se dedicado, ao longo dos últimos anos, a trabalhos no Grupo Especial, o carnavalesco já assinou desfiles em outros grupos, incluindo ao que hoje conhecemos como Série A.

barracao scruz2019 6“Eu venho do Acesso. Comecei minha carreira como carnavalesco na Vigário Geral, em 1998. Já fiz Sossego, tive uma experiência na Santa Cruz, então eu carrego uma carga muito grande, e sei o sufoco que é fazer escola do acesso. Então, não é novidade. Eu sinto falta da estrutura que tinha na Cidade do Samba, de poder trabalhar até tarde, coisa que aqui não dá, por conta da iluminação. Várias vezes tive de ir embora mais cedo porque chovia muito aqui dentro. Você não pode colocar a vida dos profissionais em risco, então com isso, não dá pra ligar máquina de solda, não pode ligar uma extensão…. Essa falta de estrutura é o que mais senti. Não ter uma sala decente pra receber as pessoas. Mas não fico triste. Estou muito tranquilo e feliz apesar das dificuldades. O Zezo tem sido incrivelmente parceiro nessa produção. Estou vendo a dificuldade que ele está tendo de correr atrás de material. Ele não tem medido esforços para comprar material, para podermos fazer um carnaval digno. E em meio a dificuldade a gente vai se redescobrindo. Temos driblado a crise com alegria, ânimo e vontade de fazer realmente a coisa acontecer, da melhor maneira possível. Não tem como se deixar contaminar com os problemas. O carnaval está difícil pra todo mundo e todos estão no mesmo barco. Não é só a Santa Cruz”.

Soluções para driblar a crise

Reconhecido por ser eclético, Cahê Rodrigues costuma variar o seu estilo artístico de um trabalho para o outro. Com facilidade, consegue ir do barroco clássico ao tecnológico moderno. E para esse ano, o carnavalesco promete uma estética limpa, sem tantos detalhes, até mesmo como uma saída para os problemas financeiros e estruturais, que tanto assolam as escolas do grupo.

barracao scruz2019 5“Eu procurei criar um carnaval limpo. Nós não temos tempo de rebuscar muito, nem alegorias e nem fantasias. Eu procurei criar um carnaval mais didático, para que as pessoas possam ter uma leitura mais direta da proposta. É um carnaval que tem uma cara mais limpa. Eu não consigo definir que cara ele terá exatamente, até porque não sei como iremos finalizar. Se tiver tempo, irei rebuscar mais. Se o material chegar, terei como dar uma caprichada. Minha preocupação foi de criar alegorias e fantasias que pudéssemos levar uma mensagem mais direta, com simplicidade, devido às dificuldades. As fantasias da Santa Cruz não terão luxo, mas terão modelagem. Eu não tenho plumeiros ou exageros de bordados. A escola não tinha condições de investir nisso. Então, fui para um caminho mais de figurino. As alegorias, a gente está trabalhando com o que estamos conseguindo. Procurei manter 70% das estruturas dos carros, fazer novas esculturas com muita dificuldade, e a cada nova semana, é uma novidade. Porque nunca sabemos se o material vai chegar ou se vamos encontrar o material nas lojas. É difícil dizer qual será o resultado final que terão essas alegorias. Mas garanto uma leitura fácil e finalização caprichada de decoração. Isso eu vou lutar pra gente conseguir levar pra avenida, até o fim”.

barracao scruz2019 7Outra saída encontrada pelo carnavalesco, para ausência de recursos, foi a utilização de materiais atípicos e alternativos ao espetáculo. Em meio a uma das mais graves crises que enfrenta a festa, a criatividade torna-se fundamental. Materiais como o plástico e a palha ganharam espaço na confecção do carnaval da Santa Cruz, por conta de características como custo e praticidade.

“Se a gente não tiver criatividade e bom gosto na Série A, fica difícil. Estamos reciclando muita coisa. Eu estou trabalhando com materiais como pratos de festa, copos coloridos, canudos, espetos de churrasco, pá de sorvete para fazer máscaras… Ás vezes, passo na rua, vejo algum material alternativo, compro e faço um teste. Se der certo, eu compro mais . Estou usando algodãozinho com pintura de arte nos carros. Estou usando palha, forração com esteira em uma das alegorias. Estou usando até plástico, porque como está chovendo muito aqui dentro, a minha opção é usar plástico e carpete. O carpete chupa a água e não aparenta muito a mancha. E o plástico se sujar, passamos um pano e está limpo. São dois tipos de materiais práticos e de fácil limpeza”.

Entenda o desfile

Com o enredo “Ruth de Souza – Senhora liberdade. Abre as asas sobre nós!”, a Santa Cruz será a quarta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval. A verde e branca levará ao todo 20 alas, 4 alegorias e 2200 componentes para a Sapucaí.

Setor 1: “Abrimos o carnaval falando do teatro, de quando ela começa a dar os primeiros passos como atriz, no teatro experimental do negro, com Abdias do Nascimento. E vamos até a sua estreia no palco do Theatro Municipal”.

Setor 2: “O segundo setor falamos da estreia dela no cinema. Ela desperta essa paixão pela sétima arte na infância, e depois mostra ela como uma atriz consagrada já”.

Setor 3: “O terceiro setor faz um passeio pelos personagens de novela da Ruth de Souza. O carro 3 é ‘A Cabana do Pai Tomás’, que é a novela na qual ela foi a primeira protagonista negra da televisão”.

Setor 4: “Nosso encerramento é a senhora mãe da liberdade, que abre as asas sobre nós. O último carro traz a mensagem do legado que a Ruth de Souza deixou. O setor mostra outros artistas negros, que estão hoje brilhando, devido às portas que a Ruth abriu”.

Alberto João: ‘Minha expectativa para o desfile do Salgueiro’

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Império Serrano, Ilha e Imperatriz ensaiam neste sábado na Sapucaí

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    Por Thaise Lima

    A Marquês de Sapucaí recebe neste sábado o quarto dia de ensaios técnicos do Carnaval de 2019. A abertura será com a União da Ilha com seu ensaio programado para começar às 19h30. A escola promete agitar a Sapucaí com a homenagem ao Ceará. Em seguida será a vez do Império Serrano levando para o povo o clássico samba de Gonzaguinha. O encerramento ficará por conta da Imperatriz Leopoldinense com enredo crítico, mas tratando os assuntos sérios de um jeito mais descontraído e subentendido.

    iserrano cd2019 5A reportagem do CARNAVALESCO ouviu integrantes das escolas que ensaiam neste sábado, no último final de semana antes do desfile oficial.

    “Vamos mostrar ao público a força da nossa comunidade e o que todos querem ver, como o nosso samba casou com a Sinfônica do mestre Gilmar. Vamos surpreender muita gente. A escola vem com 3 mil componentes. É no Sambódromo que a magia acontece. É treinar no campo de jogo, tudo muda, o espaço, a acústica e tem acertos. O samba e o povo precisavam dos ensaios”, disse José Luiz Escafura, diretor de carnaval do Império Serrano.

    ilha ensaio2019 20“A escola vai levar aproximadamente 3 mil componentes. Estamos ensaiando na Estrada do Galeão, realizando ensaios específicos com as alas e vamos preparados para realizarmos um grande ensaio. O ensaio técnico é a oportunidade de pontuar tempo e a interação da escola com a Avenida. Já para o público é a satisfação de cantar e encantar a Sapucaí”, declarou Dudu Azevedo, diretor de carnaval da União da Ilha.

    Para o diretor de harmonia da Imperatriz, Junior Escafura, o ensaio é importante para testar o canto da comunidade.

    ensaio imperatriz 2019 012“O ensaio técnico na Sapucaí virou um evento muito popular em que os sambistas esperam o ano inteiro para celebrar esse momento. Tecnicamente falando, acho importante para ver o canto e a espontaneidade dos componentes. Deixando claro que o ensaio técnico não pode ser tratado como uma competição, ninguém ganha ou perde o carnaval por causa de um ensaio técnico. Treino é treino e jogo é jogo, mas iremos pra avenida sempre pra fazer um grande ensaio e brindar o público que vai prestigiar. A expectativa é a melhor possível, a escola está com uma energia muito boa, cantando e evoluindo com muita alegria”, afirmou Escafura.

    Barracões: Para comemorar 60 anos da Imperatriz, Siri vai coroar Luizinho Drummond como Barão da Leopoldina

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    Por Lucas Santos

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    Apadrinhado pela Imperatriz Leopoldinense, o Siri de Ramos não pensou duas vezes na hora de escolher o enredo. Por unanimidade, entendeu-se que os 60 anos da Verde e Branca de Ramos, fundada em 6 de março de 1959, deveria ser retratado no desfile deste ano da agremiação da Série B. E para a festa ficar completa, o Siri também vai lembrar uma importante data comemorada em 2019: os 40 anos de Luizinho Drummond na Imperatriz. Além de atualmente ser presidente de honra da agremiação de Ramos, Luizinho foi presidente da Liesa entre 1998 e 2001. O idealizador do enredo, o diretor de carnaval, Nei Costa, fala da emoção de realizar a dupla homenagem.

    “Eu dei ideia dessa homenagem porque o Siri é de Ramos, e a Imperatriz também é de Ramos e é madrinha do Siri. E nada mais justo do que o afilhado prestar essa homenagem no caso com a madrinha. Nós queríamos dar um título ao senhor Luizinho pelos serviços prestados ao carnaval da Leopoldina. E nós queríamos dar o título de barão de Leopoldina para o seu Luiz” explica.

    Para realizar a homenagem, a escola resolveu citar em seu enredo, três barões importantes da história do Brasil: o Barão de Drummond, criador do bairro de Vila Isabel e do primeiro jardim zoológico do Rio de Janeiro; o Barão de Guaraciaba, o primeiro negro a se tornar barão durante o império; e o Barão de Mauá, que entre outros feitos, destacam-se a implantação da primeira ferrovia brasileira (a Estrada de ferro de Mauá), que posteriormente chegou a Leopoldina e foi influência para a escolha do nome da escola. Nei Costa destaca a atuação do Barão de Guaraciaba, que para ele foi o que mais lhe chamou a atenção durante a pesquisa do enredo.

    6D8C4EBD 8B74 4459 B5DB 574509AFF4D8“Eu particularmente fiquei fascinado pelo Barão de Guaraciaba. Um negro, que naquela época ganhou esse título (de barão), e foi um grande empresário, em uma época pós-escravidão. Ele mesmo chegou a ter alguns negros trabalhando para ele na fazenda, nas plantações. Naquela época, uma pessoa negra ser congratulada com esse título, tem que se bater palma” confessa Nei.

    O carnaval do Siri de Ramos está sendo tocado pelos carnavalescos Mateus Medeiros e Mônica Cabul. Ao final do desfile a escola pretende realizar a coroação do patrono da Imperatriz e grande amigo do Siri de Ramos, o presidente de honra da Leopoldina, Luizinho Drummond. Nei Costa acredita que este momento irá emocionar o público.

    “Nós temos diversos pontos interessantes no nosso desfile, primeiro ponto interessante é a parte inicial da escola onde aparece a despedida da realeza portuguesa quando vem para o Brasil. E a outra grande parte do enredo, é quando se chega ao título de barão ao senhor Luizinho Drummond. É a última parte da escola. Eu acho que vai ser bem interessante mesmo” espera Nei.

    20CCBB8E DFC5 427B 9A5A 2AEB35B6BE63Crise impressiona diretor de carnaval e afeta andamento do barracão

    Dividindo o espaço com outras escolas em um terreno próximo ao chamado Campo de Falcon em Oswaldo Cruz, homenagem ao ex-presidente da Portela, Marcos Falcon, assassinado em setembro e 2016, o diretor de carnaval, Nei Costa, conta que realiza o trabalho para o carnaval neste ambiente desde 2009, e desde então nunca tinha presenciado tantas dificuldades e tantos atrasos em relação ao Siri e às escolas que dividem o local com a agremiação.  

    “Está difícil, muito difícil. Jamais em uma época dessas, em uma data dessas, você veria este barracão como ele está. Para todas as escolas. A condição dos presidentes de escola, das nossas coirmãs, é que estão lutando e batalhando para que se possa realizar um bom desfile. Está havendo um acordo muito grande dentro do barracão. Todas as escolas estão sendo solidárias com as outras. Está todo mundo ajudando todo mundo” conta o profissional.

    Apesar dos problemas, Nei Costa diz que não desiste do carnaval e tem confiança na volta por cima não só do Siri, mas de todas as agremiações no objetivo de realizar um desfile muito bonito e emocionante.

    “O sambista usa uma frase de Nelson Sargento: ‘o samba agoniza, mas não morre’. Então, o cara que gosta do samba, nem que ele tenha que desfilar de chinelo de dedo! O negócio dele é estar na Avenida. Estar lutando! Aí, vai da criatividade de cada um. O nosso presidente está lutando e nós estamos indo, na realidade, pra chegar, se não nós nem iríamos lá” confia o diretor do Siri.

    A9F810C6 6197 49D0 9150 18F493AF75ECMadrinha Imperatriz ajuda desfile do Siri com doações de material

    Homenageada no desfile deste ano do Siri, a Imperatriz Leopoldinense não hesitou em contribuir de várias formas para que sua escola apadrinhada pudesse realizar o carnaval em honra aos seus 60 anos e aos 40 de Luizinho Drummond na agremiação. Algumas esculturas utilizadas em anos anteriores, como os animais que representaram o Zoológico da “Quinta da Boa Vista”, no ano passado, no enredo sobre o Museu Nacional, foram repassados ao Siri para serem integradas à alegoria que vai citar o primeiro zoológico do Rio que ficava em Vila Isabel construindo a partir da iniciativa do Barão de Drummond. O carnavalesco Mateus Medeiros cita que além da ajuda da Imperatriz, a escola vem utilizando materiais alternativos para fugir da crise.

    “A gente ganhou muito material da Imperatriz Leopoldinense e de algumas outras escolas. Então a gente sabe que temos que utilizar o que foi usado em outros anos. A gente está usando muito macarrão de piscina, acetato, e assim, a gente vai driblando a falta de verba. TNT também está sendo muito utilizado. Quem ama o carnaval não deixa ele morrer”.   

    Entenda o desfile

    Com cerca de 750 a 780 componentes, divididos em 19 alas, contando com duas alegorias e dois tripés, o Siri de Ramos vai ser a segunda escola a desfilar na terça-feira de carnaval na Estrada Intendente Magalhães com o enredo “A Soberana Ordem dos Barões – Os Caminhos Te Conduzem à Leopoldina”. Um dos carnavalescos, Mateus Medeiros, ajudou a desvendar um pouco do que a agremiação vai trazer em cada setor.

    Setor 1 – Barão de Mauá

    “No primeiro setor vamos falar do Barão de Mauá, que foi responsável pela implantação da primeira ferrovia no Brasil. Então, neste setor, nós vamos trazer o trem para representar essa que foi sua grande obra para o país”.

    Setor 2 – Barão de Drummond

    “O segundo setor vem o Barão de Drummond que é o criador do primeiro Jardim Zoológico que ficava em Vila Isabel, nele vamos trazer alguns esculturas de animais em nossa alegoria”.

    Setor 3 – Barão de Guaraciaba

    “O terceiro setor conta a história do Barão de Guaraciaba que foi o primeiro negro do Império. Este setor vai mostrar suas posses e a sua relação com os outros negros”.

    Setor 4 – Coroação do Barão da Leopoldina  

    “No último setor é o que vem o senhor Luizinho Drummond onda vamos realizar a coroação com o honroso título de Barão da Imperatriz e ao mesmo tempo vamos homenagear a Imperatriz pelos 60 anos de fundação. Um dos momentos mais esperados do desfile será a entrada da velha guarda do Siri, neste quarto setor, que virá acompanhada de integrantes da velha guarda da Imperatriz”.

    Intérprete Carlos Jr. reconhece erros do Império de Casa Verde e aposta nas mudanças para voltar a brilhar em 2019

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    casa verde 3ET 2019 3Para muitos amantes da folia paulista o resultado obtido pela Império de Casa Verde no desfile de 2018 foi surpreendente. O desfile sequer figurou entre as campeãs. Mas para o intérprete oficial da azul e branco, Carlos Jr, o Carlão, a escola precisa aprender com seus erros.

    “Sempre dá um dorzinha perder, mas sabemos reconhecer as nossas deficiências. Já experimentamos carnavais campeões, mas temos consciência de onde erramos. O povo reclamar de jurado é normal, por isso é diversificado. Estamos mais tranquilos sim com relação a isso”, declarou em entrevista ao site CARNAVALESCO.

    Além de reconhecer onde falhou, Carlão aponta para a nossa reportagem onde segundo sua opinião o Tigre Guerreiro do Brasil vai buscar evoluir para voltar a levantar o caneco, erguido pela última vez em 2016.

    “Tem coisas que serão novas, como ser a segunda de sexta. Sabemos da dificuldade que será, pois conhecemos a cidade de São Paulo nesse dia. Um novo carnavalesco. A nossa diretoria de harmonia está muito mais qualificada e experiente. Corrigimos esse contato entre povo e harmonia. Acredito que era o que estava faltando”, conclui.

    São Clemente terá comissão de frente mais cara de sua história

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    Por: Diogo Cesar Sampaio.

    Sao Clemente Ensaio Tecnico 2019 001Em pleno momento de crise do carnaval, tanto financeira, quanto de credibilidade, a São Clemente quer, em 2019, retomar a sua identidade crítica e irreverente. Indo para o seu nono carnaval consecutivo no Grupo Especial, a amarelo e preto de Botafogo escolheu revisitar um de seus maiores clássicos: “E o samba, sambou”. E para que a segunda passagem da obra pela Sapucaí seja exitosa, assim como foi a primeira, a escola não está poupando esforços e nem mesmo custos, como contou o coreógrafo da agremiação, Júnior Scapin:

    “Essa é a comissão de frente mais cara da história da São Clemente. Logo na minha primeira conversa com o Renatinho, ele me disse que daria todo o suporte para eu fazer uma comissão de frente muito bacana. E eu tenho certeza absoluta que, com o trabalho que nós estamos fazendo, com o suporte que nós estamos tendo, a gente vai fazer uma comissão de frente memorável. Até porque, está muito fresco na mente do povo o que nós vamos falar na comissão.”

    A proposta crítica do enredo e do samba estará presente no desfile, desde a sua comissão de frente. É o que promete o coreógrafo Júnior Scapin, mas sem deixar de lado o bom humor.

    Sao Clemente Ensaio Tecnico 2019 004“A gente vai trazer uma crítica, muito bem humorada, sobre a situação do carnaval. A gente vai tocar em uma ferida, que eu não posso falar. Vamos trazer um tripé, que a gente precisa necessariamente dele, para fazer o jurado. Mas a gente toca na ferida, fala do que realmente aconteceu, de uma forma maneira, de uma forma engraçada, de uma forma bem humorada. Afinal, não queremos agredir ninguém e nem ofender.”

    Faltando apenas alguns dias para o desfile oficial, o coreógrafo afirma já estar com tudo pronto. Para Júnior Scapin, o cronograma antecipado é um diferencial para o sucesso do trabalho na São Clemente.

    “Já está tudo pronto. Experimentamos o figurino, com a roupa toda pronta. Já estamos ensaiando com o tripé há bastante tempo. Agora damos uma parada, para que se possa começar a enfeitar e a fazer todo o adereçamento do tripé. Está tudo dentro do cronograma que a gente fez. É muito difícil eu ter isso em uma escola: antecedência. E graças a Deus, isso está acontecendo na São Clemente.”

    Sobre a sua relação com Jorge Silveira, Júnior Scapin alega ser uma parceria baseada no diálogo. A troca de ideias e a interação, entre o carnavalesco e o coreógrafo, foram de muita importância no processo de trabalho.

    Sao Clemente Ensaio Tecnico 2019 013“O Jorge (Silveira, carnavalesco) me deixou muito a vontade. Ele é um profissional que está perto e que constantemente dá todo o suporte. Deixou-me a vontade não só para fazer a concepção da comissão de frente, mas em tudo o que eu preciso. Desde se a roupa está boa, se a cor está boa, se o sapato está bom. Eu escolho isso, eu escolho aquilo. Antes de mexer no tripé da comissão, ele me consulta. Então é uma parceria muito grande. O Jorge é um carnavalesco super talentoso e super humilde. É bom trabalhar com pessoas assim, que está junto da gente o tempo todo, desde o primeiro momento que a gente conversou sobre comissão de frente, até o dia do desfile.”

    E se não bastasse a cobrança e a responsabilidade que é assinar uma comissão de frente no Grupo Especial, em 2019, Scapin terá de lidar com outra questão. Pelo enredo da São Clemente se tratar de uma reedição, é inevitável que surja comparações entre o que será apresentado e o que passou originalmente em 1990.

    “O que vamos trazer vai lembrar os antigos carnavais sim, por conta das nossas fantasias e por conta de todo o gestual que a gente vem fazendo. Porém, contando uma história que acabou ficando atemporal: o que acontecia em 1990, ainda acontece em 2019. Assim, o público vai sentir um pouquinho da nostalgia de 1990, tem algumas características da comissão daquele ano sim, mas a coreografia em si é bem contemporânea.”

    Sao Clemente Ensaio Tecnico 2019 014A comissão de frente de 2019 trata-se do primeiro trabalho de Scapin na São Clemente. Dono de um currículo extenso, o coreógrafo conta com trabalhos anteriores em agremiações como Mangueira, Império Serrano e Paraíso do Tuiuti.

    “Estou muito feliz de estar na São Clemente. Sinceramente, é uma escola que está me tratando muito bem. Eu já tive em inúmeras escolas, e nunca tinha vivido nada como estou vivendo aqui. O Renatinho está me dando um tratamento tão bacana, de profissional para profissional. Seja em termos de tratamento como equipe, comigo, em termo de coisas que preciso para minha comissão de frente, ele está me dando todo o suporte, para que a gente possa estar fazendo um trabalho muito bacana.”

    O coreógrafo ainda falou para a reportagem do site CARNAVALESCO, a sua opinião acerca do uso dos tripés e elementos cenográficos pela comissão de frente. E apesar de utilizar da ferramenta esse ano, Scapin se mostrou crítico ao seu uso e funcionalidade.

    “Eu não gosto de tripés. Se eu pudesse, traria uma comissão de frente só com bailarinos e algum artifício que pudéssemos ter. Mas o carnaval cresceu tanto, e depois de 2010 com a comissão do “É Segredo” da Tijuca, o tripé tornou-se praticamente obrigatório. Os jurados querem ver grandiosidade. E se você não traz essa grandiosidade, parece que você entra com menos um décimo na avenida. Eu acho até bacana trazer um tripé, desde que ele não seja o ponto principal da comissão de frente. Ele tem que interagir e complementar a apresentação apenas. Eu continuo acreditando que os bailarinos são a ferramenta ideal para uma comissão de frente. Mas repito, acho válido usar um elemento cenográfico. Não acho que deva ser grande, embora o que vou usar esse ano tenha uma dimensão enorme. Porém, é necessário para o que estamos propondo. Mas eu sonho com o dia, em que a gente vai poder voltar a trazer aquelas comissões dançadas, sem aquele trambolho atrás. Sou a favor da comissão de frente de pé no chão.”

    Conscientização bem humorada marcará comissão de frente da Grande Rio, em 2019

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    Por: Diogo Cesar Sampaio.

    granderio ensaiotecnico 2019 33Depois de quase uma década a frente das comissões do Salgueiro, o coreógrafo Hélio Bejani está de casa nova. Agora pela Grande Rio, ele promete uma apresentação que misture crítica com humor, e que traga também alguma conscientização para o público que assiste. É o que revela Bejani, em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO.

    “A comissão vem muito alegre e bem carnavalesca. A gente vem falando um pouco também da falta de educação, dando uns alertas. Trazemos toda uma linguagem, além da linguagem de dança. O que a gente apresentou no ensaio técnico foi apenas um pouco. Nossa comissão vai ser uma coisa que todos vão se identificar, e que está no dia a dia de todo mundo. Vamos fazer uma crítica bem-humorada, na verdade. Uma coisa irreverente, que no final é uma grande brincadeira.”

    Segundo Bejani, os preparativos para comissão de frente estão em dia e acordo com o cronograma pré estabelecido. Entretanto, o próprio coreógrafo não descarta haver mudanças de última hora.

    granderio ensaiotecnico 2019 26“Está tudo bem encaminhado e dentro do cronograma. Como costumo dizer, comissão se transforma até o momento de entrar na avenida. Está tudo dentro dos conformes. Começamos o projeto em maio e ele está chegando, está amadurecendo, os figurinos estão muito bacanas. Estamos trazendo algumas surpresas ainda, e eu acho que o público vai curtir.”

    O coreógrafo contou como se deu a sua chegada à Grande Rio. Bejani declara ter sido muito bem acolhido na escola de Caxias, além de garantir que recebeu todo suporte necessário para desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível.

    “Estou me sentindo muito bem, fui muito bem recebido. É uma escola profissional, que atende a todas as nossas necessidades com a comissão de frente. O projeto está sendo realizando da forma como foi imaginado, pensado. Estou fazendo o trabalho como sempre fiz. Aliás, eles pediram que eu fizesse assim, justamente para manter as mesmas características. Não pediram para se adaptar a nada. Estou trabalhando com o Renato Lage, com quem já tive nove anos de parceria no Salgueiro. A gente vai fazer o melhor que pudermos, como a gente sempre faz, para atender o público que vem assistir o nosso carnaval.”

    Sobre o seu reencontro com os carnavalescos Renato e Márcia Lage, Hélio Bejani se mostra muito contente em restabelecer a parceria profissional com o casal. Uma parceria que vai além do carnaval, e contempla a vida pessoal.

    granderio ensaiotecnico 2019 32“Acima do carnaval, eu e o Lage temos uma amizade muito grande. Não só minha com o Renato, mas com a Márcia também. Nossas famílias se conhecem, frequentam as casas uma das outras. A gente se entende muito bem. Comungo com os mesmos pensamentos dele, de uma cabeça de escola bem colocada, com um visual e uma estética muita arrumada, muito bonita. Então, te garanto que nos entendemos muito bem tanto no trabalho, quanto na amizade.”

    Durante a entrevista cedida, Hélio Bejani também comentou sobre a sua opinião a respeito do uso de tripés pelas comissões de frente. O coreógrafo, um dos mais experientes do Grupo Especial, nunca foi adepto de elementos cenográficos de tamanho muito grande, e sempre priorizou por utilizar tripés de menor porte.

    “Eu acho que coreógrafo faz aquilo que o seu trabalho pede, aquilo em que acredita. Eu realmente gosto de uma coisa mais limpa. Eu sempre digo e repito que, o maior efeito especial que eu posso ter, são os componentes da comissão, é o ser humano. E esse ano, eu consegui reduzir mais ainda o tripé, se comparado aos meus últimos trabalhos. É uma ‘poeirinha’ nosso elemento cenográfico.”

    A Grande Rio será a terceira escola a desfilar no domingo de carnaval. Com o enredo “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra.”, assinado pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage, a agremiação de Duque de Caxias vai à busca do seu primeiro título no Grupo Especial.

    Bateria do Império Serrano fará paradinha no ritmo da batida do coração na avenida

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    ensaio rua império serrano 2019 071‘E a vida, o que é diga lá meu irmão? Ela é a batida de um coração?’. O verso é conhecido por todos e está na canção ‘O que é o que é?’ de Gonzaguinha, que o Império Serrano cantará na avenida no desfile deste ano. A bateria Sinfônica do Samba pretende levantar a Sapucaí com uma paradinha bem no momento que o samba chegar nesses versos.
    Trata-se de uma ousada convenção, onde toda a bateria vai parar e apenas as marcações farão a simulação da batida de um coração, como diz a própria letra do samba-enredo. A paradinha vem sendo treinada nos ensaios de rua e quadra, além do ensaio técnico de bateria no Sambódromo.
    O Império Serrano será a primeira escola a desfilar no domingo de carnaval do Grupo Especial com o enredo ‘O que é? O que é?’, de autoria do carnavalesco Paulo Menezes.