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Entrevistão com Fafá da Grande Rio: ‘O ritmista só é amigo do ritmo’

Quando o telefone do jovem Fabrício Machado tocou e do outro lado da linha estava o presidente de honra da Grande Rio, Helinho Oliveira, o então diretor da Invocada pensou se tratar de trote. De apelido quase infantil, Fafá demonstra em poucos meses de trabalho uma personalidade poucas vezes vista em pessoas de sua idade. O site CARNAVALESCO conversou com o músico para a série ‘Entrevistão’ sobre o desafio de comandar uma das maiores baterias do carnaval. Ele fala da gratidão por Thiago Diogo e defende o andamento adotado: ‘Estamos tocando samba’. Confira o bate-papo com o mestre Fafá.

Como foi receber a notícia de que seria o novo mestre da Grande Rio?

“Eu estava em casa assistindo TV e me preparando para dormir. O presidente Helinho me ligou, mas eu não vi a ligação. Retornei e ele falou para eu me preparar que eu era o novo mestre de bateria. Ele me pediu para eu ir ao barracão no dia seguinte conversar. Quando o Thiago Diogo anunciou sua saída pelas redes sociais, aí que minha ficha caiu que era verdade”.

Como era antes e como é hoje sua relação com o Thiago Diogo?

“O Thiago foi um cara muito importante na minha vida, principalmente na parte técnica, de harmonia e musicalidade. Ele é um cara de um coração imenso. Ele me desejou boa sorte e me aconselhou muito. Eu jamais posso deixar de mencionar ele com todo carinho e gratidão”.

Teve receio em fazer uma mudança tão brusca no andamento da bateria?

“Dizem que o que estamos fazendo é coisa de maluco. Botando um andamento atrás e pedindo para a escola cantar o samba. Atualmente no carnaval se você for parar para analisar a Unidos da Tijuca, a Beija-Flor, são baterias de excelência e um andamento muito mais próximo daquele que eu acredito ser o ideal. Laíla que é um cara que tenho um profundo respeito sempre defende também um andamento que não seja tão na frente. O que dizemos lá é que para os padrões atuais é difícil fazer, mas precisamos manter até o fim, sem deixar cair”.

Como tem sido conversar com o seu pai e o Odilon, eles vão desfilar?

“Odilon se tiver de puxar orelha, puxa. A gente é amigo do ritmo, uma frase dele. Amizade fica fora da bateria. Ele me deu alguns conselhos, claro que vou seguir, nunca escondi de ninguém que ele é o meu mentor. O meu pai já está mais certo no desfile que eu, se emocionou comigo no ensaio técnico. Ele está extremamente feliz. Recebemos a volta de ritmistas da época do Odilon. Ele não poderá vir conosco pois ele será jurado do Estandarte de Ouro”.

Quando você decidiu implementar esse andamento da bateria?

“A decisão na mente eu tinha quando me convidaram para ser o mestre. Graças a Deus a resposta foi positiva. Todos os desenhos estão em cima da melodia do samba”.

Você acha que o samba pode ‘arrastar’ com andamento mais atrás?

“O que posso dizer em defesa de nosso andamento é que estamos tocando samba. Eu estudo. Os áureos tempos da Grande Rio, quando por exemplo a escola voltou pela primeira vez nas campeãs, foram todos com andamento cadenciado. Estamos tentando colocar uma cara nova sem esquecer o passado. Estamos trabalhando em cima disso. Tudo que faço entrego o coração. Tenho ótimo pressentimento. Se der certo, as pessoas vão parar com essa correria nas baterias. E não é culpa dos mestres. Samba é samba, independente da qualidade. Bateria corrida não melhora samba, foi algo que aprendi”.

Como você trabalha as críticas e elogios em redes sociais?

“Essa é uma pergunta interessante. Sou nascido e criado na Grande Rio. Esses dias vi um comentário criticando a escola vindo lá de Fortaleza, o cara nem é daqui, nem desfila. Quando recebemos uma crítica construtiva eu ouço e respeito muito. Agora quando vem com ofensas e apelação, esses fakes que ficam de sacanagem eu nem dou atenção. O samba está passando por um momento difícil demais. Temos de estar unidos e fechados. Por mim eu nem teria rede social. Na minha posição atual eu não respondo nada”.

E essa história de ser galã?

“Eu sou muito tímido. Quando sou elogiado assim, agradeço mas eu fico bastante sem graça, confesso. O David Brazil acaba comigo, me gasta muito. Levo na esportivo qualquer elogio, mas sou tímido demais (risos)”.

Como é a relação com a rainha Juliana Paes?

“A Ju é uma pessoa de um astral imenso. Tem seus compromissos e o trabalho dela. Trocamos telefone e conversamos. Uma vez fizemos um ensaio só de bateria e ela foi. Está nos ajudando muito. Ela tem me auxiliado com essa vergonha que eu tenho de falar, me dá muita força. É uma mulher muito do bem”.

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