O Grupo Especial do carnaval de São Paulo inicia nesta sexta sua disputa pelo título de campeã do carnaval paulistano. A primeira noite de desfiles terá os portões abertos ao público às 20h30 e o primeiro desfile, com a Colorado do Brás, a partir de 23h15. Além da vice-campeã do Grupo de Acesso I no ano passado, cruzarão a pista do Anhembi na primeira noite, Império de Casa Verde, Mancha Verde, Acadêmicos do Tucuruvi, Acadêmicos do Tatuapé, X9 Paulistana e Tom Maior. Através da Sintonia SASP, você poderá acompanhar ao vivo a transmissão dos desfiles.
O regulamento para os desfiles deste ano do Grupo Especial sofreu algumas modificações. A primeira mudança é no sistema de atribuição de notas, antes o jurado lançava sua nota em décimos de 8.0 a 10, com a mudança para este ano o jurado trabalhará com os décimos de 9.0 a 10. A grande novidade diz respeito ao novo critério de desempate de pontuação. No curso normal da apuração, entram para a somatória das agremiações as três maiores notas de cada quesito analisado pelos jurados, com descarte da quarta nota (mais baixa ou igual às anteriores). Neste ano, caso haja empate entre duas escolas, em qualquer colocação, as notas descartadas voltam a ser consideradas na somatória. Antes, esse desempate era baseado em sorteio de um dos nove quesitos avaliados pelos jurados. A escola que fizesse mais pontos no referido quesito ficaria à frente. Cada escola tem um mínimo de 55 e um máximo de 65 minutos para fazer o seu desfile.
COLORADO DO BRÁS – O Grupo Especial de São Paulo contará com a presença de uma tradicional escola de samba de São Paulo. Após beirar o fechamento de suas portas, a Colorado do Brás volta a compor a elite da folia paulistana depois de 25 anos. O jovem carnavalesco Leonardo Catta Preta é o responsável pelo desenvolvimento do enredo: “Hakuna Matata – Isso é viver”, tema que busca contar a história e características do país do continente africano, o Quênia. * SAIBA AQUI COMO SERÁ O DESFILE
IMPÉRIO DE CASA VERDE – Apelidada carinhosamente como a caçula do samba, o Império de Casa Verde já demonstra muita maturidade no Grupo Especial do carnaval de São Paulo. Em apenas 16 anos na elite, a escola soma três títulos, o último conquistado em 2016. Para esse ano, a história do cinema será contada através do enredo: “O Império contra-ataca”. Responsável pelo desenvolvimento do tema, Flávio Campello explica detalhes e revela o carnaval com fácil interpretação. * SAIBA AQUI COMO SERÁ O DESFILE
MANCHA VERDE – Almejando o inédito título do Grupo Especial do carnaval de São Paulo, a escola de samba Mancha Verde investiu uma alta quantia em dinheiro para ver sonho se tornar realidade. Conceituado na região paulista e estreante na agremiação, Jorge Freitas assume responsabilidade como carnavalesco, desenvolvendo o enredo africano: “Oxalá, Salva a Princesa! A Saga de uma Guerreira Negra!”. Jorge recebeu a reportagem do site CARNAVALESCO no barracão localizado junto à quadra. Ele explica detalhes do tema, destaca força feminina e revela que protagonista está inserida na realidade atual. * SAIBA AQUI COMO SERÁ O DESFILE
TUCURUVI – Dando sequência a série que visita os 14 barracões das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo, a reportagem do CARNAVALESCO conversou com o responsável pelo desenvolvimento do enredo: “Liberdade – O Canto Retumbante de um Povo Heroico”, Dione Leite da Acadêmicos do Tucuruvi. O carnavalesco diz que o enredo é uma ideia antiga e revela também que a proposta inicial era diferente da apresentada. * SAIBA AQUI COMO SERÁ O DESFILE
TATUAPÉ – Quem enxerga a ascensão da Tatuapé não imagina que há sete anos a escola lutava para subir ao principal grupo do carnaval de São Paulo. A Bicampeã recebeu a reportagem do site CARNAVALESCO no barracão localizado na Fábrica do Samba. Responsável por desenvolver o enredo: “Bravos Guerreiros: Por Deus, pela honra, pela justiça e pelos que precisam de nós”, o carnavalesco Wagner Santos contou mais detalhes sobre o tema. * SAIBA AQUI COMO SERÁ O DESFILE
X-9 PAULISTANA – A X-9 Paulistana prepara uma grande homenagem para um dos maiores nomes do samba nacional. O poeta, músico, compositor e cantor, Arlindo Cruz, terá sua vida contada através de um enredo não linear, focado nas principais características e maiores paixões do artista, tanto no gênero quanto na vida pessoal. A reportagem do site CARNAVALESCO conversou com o responsável pelo desenvolvimento do tema: “O Show Tem Que Continuar! Meu Lugar é Cercado de Luta e Suor, Esperança Num Mundo Melhor”. Amarildo de Melo, carnavalesco da agremiação da Zona Norte de São Paulo, não esconde o choro quando comenta a relação da escola com a família do Arlindo Cruz. * SAIBA AQUI COMO SERÁ O DESFILE
TOM MAIOR – Atual quarta colocada da elite do carnaval paulistano, a Tom Maior aposta em um enredo que traz reflexões através de perguntas que não tem respostas. O carnavalesco André Marins, que assina o enredo autoral “Penso… Logo existo – As Interrogações do Nosso Imaginário em Busca do Inimaginável”, recebeu a reportagem o CARNAVALESCO no próprio barracão, localizado na Fábrica do Samba. Ele contou mais detalhes sobre a estrutura do tema. * SAIBA AQUI COMO SERÁ O DESFILE


O Carnaval 2019 das escolas de samba cariocas será aberto na noite desta sexta-feira no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. A maratona de desfiles tem início às 22h30 com a primeira noite de apresentações da Sérue A, o principal grupo de acesso do carnaval. A noite terá início com o retorno da Unidos da Ponte à principal avenida de desfiles. Além da azul e branca de São João de Meriti, passarão esta noite pelo Sambódromo a Alegria da Zona Sul, Acadêmicos da Rocinha, Acadêmicos de Santa Cruz, Unidos de Padre Miguel, Inocentes de Belford Roxo e Acadêmicos do Sossego.
UNIDOS DA PONTE – O ano era 1984. O dia, 04 de março. Tratava-se de uma segunda-feira de carnaval. As escolas de samba do Rio debutavam na Marquês de Sapucaí, que recebia a segunda noite de desfiles do Grupo 1A, atualmente conhecido como Especial. A Unidos da Ponte era a segunda escola a entrar na avenida, e trazia um enredo de temática negra e afro, chamado “Oferendas”. A proposta era simples: trazer em cada ala e carro alegórico um orixá, seguido de sua oferenda, de maneira intercalada e contínua. *
ALEGRIA DA ZONA SUL – A Alegria da Zona Sul vai desfilar no Carnaval 2019 da Série A tendo superado diversos obstáculos. O primeiro e principal foi a ausência de um espaço para construir suas alegorias. Após o último carnaval algumas escolas perderam seus barracões na Zona Portuária e a agremiação foi uma das afetadas, não tendo para onde ir com suas alegorias. Há um mês do desfile, a Alegria começou a erguer suas alegorias e a estrutura física da sua nova moradia carnavalesca. O presidente da escola, Marcus Vinícius, ressaltou a garra na produção do desfile de 2019. *
ROCINHA – Um grito de valorização a raça negra. É esta a mensagem que a Rocinha pretende mostrar em 2019 em sua apresentação na Sapucaí. De volta ao carnaval carioca e de casa nova, o carnavalesco Júnior Pernambucano explora no enredo “Bananas para o Preconceito” a mesma temática que o fez despontar no maior espetáculo da Terra. Em entrevista a reportagem do site CARNAVALESCO, o artista contou como surgiu a ideia do enredo e de que forma pretende desenvolvê-lo. *
SANTA CRUZ – Pioneira no teatro, no cinema e na televisão brasileira, Ruth de Souza escreveu seu nome na história. Ao longo de toda sua carreira, colecionou dezenas de marcas importantes, como ser a primeira brasileira a concorrer ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional, pelo filme “Sinhá Moça” (1953). Além disso, foi a primeira negra a protagonizar uma telenovela, com “A Cabana do Pai Tomás” (TV Globo – 1969). E agora, aos 97 anos, ganhará mais um feito para o seu currículo: ser enredo de uma escola de samba. A Acadêmicos de Santa Cruz é que será responsável por prestar essa homenagem, concebida e assinada pelo carnavalesco Cahê Rodrigues. *
UNIDOS DE PADRE MIGUEL – Gênio, sádico, comunista, subversivo, anarquista, imoral. Ao longo de toda sua carreira, Dias Gomes chocou a muitos com suas histórias e personagens, ganhando assim, todo o tipo de títulos e adjetivos. Dono de um texto crítico, muita vezes ácido, mas sempre com humor acima de tudo. Pai do realismo fantástico, foi o criador de figuras como João Gibão, Dona Redonda, Dirceu Borboleta e Viúva Porcina, que até os dias de hoje, se fazem presentes no imaginário de qualquer brasileiro. Através de microcosmos como Bole Bole, Asa Branca e Sucupira, Dias retratou o Brasil como nenhum outro escritor o fez. E é esse olhar sobre o país, representado pelas obras do autor, que a Unidos de Padre Miguel pretende levar para Sapucaí, em 2019. *
INOCENTES DE BELFORD ROXO – Quarta colocada no carnaval de 2018, a Inocentes de Belford Roxo quer alcançar uma posição ainda melhor em 2019. Para isso, trouxe o carnavalesco campeão da Série A em 2017, Marcus Ferreira. Com o enredo “O frasco do bandoleiro – Baseado num causo com a boca na botija”, Marcus aposta novamente na temática nordestina, presente em outros trabalhos seus. O artista promete trazer um novo olhar sobre a trajetória de Lampião e seu bando. Uma visão mais humana, que mistura o folclore com fatos históricos, toda contada através de objetos característicos dos cangaceiros, como os frascos. *
SOSSEGO – A Acadêmicos do Sossego surpreendeu a muitos em sua chegada a Série A em 2017. Ao apresentar um desfile em homenagem à atriz Zezé Motta, a escola do Largo da Batalha, em Niterói, conseguiu assegurar sua permanência no grupo, além de ter deixado um belo cartão de visitas. Porém, no carnaval seguinte, após enfrentar graves problemas nos bastidores para 2018, a agremiação fez um desfile muito aquém do apresentado no ano anterior, e teve como consequência, o último lugar na apuração. No entanto, a escola acabou escapando do descenso após decisão da Lierj em cancelar o rebaixamento, devido à virada de mesa no Grupo Especial. *
Já se vão seis anos desde o histórico título da Vila Isabel no Carnaval 2013. Nesse período aquela escola que esteve sempre entre as campeãs entre 2009 e 2013, amargou carnavais de baixa qualidade e posições coadjuvantes. Mas a nova gestão que assumiu a escola está imbuída de devolver à azul e branca os bons momentos do início desta década. Além de uma equipe reforçada a escola tem um barracão imponente, com alegorias enormes e um abre-alas que promete ser um dos maiores deste carnaval, com 60 metros de comprimento. Internamente a diretoria mantém a expectativa de no mínimo figurar entre as escolas que voltam sábado, o que não aconteceu nos últimos cinco carnavais.
“Eu sou um artista plástico e demorei muito a entender isso. Penso diferente dos meus colegas. O título é consequência de muito trabalho. Às vezes você demora a chegar lá. Todo ano eu recebo esse tipo de apontamento com favoritismo, desde a minha volta á Unidos de Padre Miguel. Esses anos me ensinaram que sou mais um operário do carnaval. Eu tenho que trabalhar independente de resultado. O que vier é bônus”, pondera.
“Minha estratégia de trabalho é procurar no enredo escolhido ser contrário ao que fiz no ano anterior. Todo ano eu crio baianas muito diferentes. Já estou pensando na baiana do ano que vem. Cabe ao carnavalesco ser um diretor de arte que busque soluções. Precisamos entender que o mundo pede socorro e nós estamos inseridos. Não podemos fazer um carnaval que na apoteose tenham 10 caminhões de lixo esperando. A matéria prima gera lixo ambiental e precisamos da total consciência de reaproveitar tudo. Fantasias e esculturas podem e devem ser transformadas em outras. Esse é um papel fundamental”, alerta.
“Tínhamos três opções de enredo e uma dessas era Petrópolis. A Vila é a escola com mais propriedade para falar da cidade imperial. É a extensão de sua própria história. Por isso o título do enredo fala dos santos. A escola possui uma relação forte com São Pedro, no sentido de pedir para não chover enquanto não tinha quadra. E o São Pedro de Alcântara, padroeiro de Petrópolis, e também padroeiro do Brasil. Dom Pedro I e Dom Pedro II completam os quatro Pedros. A história da cidade, da Vila e dos quatro Pedros estarão em nosso desfile”, conta.
“Eu tenho estigma de fazer carnavais com leitura fácil. Eu faço porque o carnaval é uma arte popular. Acabou se elitizando muito. Eu acho possível você juntar o erudito e o popular interagindo com a arquibancada e os jurados. Sou um cara simples na busca para atingir a classe do carnaval”, explica.
“Hoje em dia você usa as redes sociais tanto para favorecer quanto para prejudicar. Temos uma classe no samba que eu chamo de sambeiros. As escolas estão cheias de problemas, as pessoas ficam torcendo contra, dizendo que as coisas são feias. A logo foi lançada mas ninguém havia ledo a sinopse. Porquê não esperaram para criticar?”, conclui.
Setor 1: “A Vila chega em Petrópolis com um cortejo de Noel na carruagem imperial. É a coroa da Vila e do Império, que são a mesma coroa. Partimos da família imperial junto com a Vila fundando a cidade imperial, com toda essa questão religiosa. A Versalhes tropical pensada por D. Pedro no meio da serra faz com que ele leve a catedral de São Pedro de Alcântara”.
Setor 3: “Mostramos como se constrói a parte evolutiva, com a imigração de franceses, ingleses, italianos e alemães. Cria-se uma cultura gastronômica. A cerveja alemã, os tecidos italianos, os franceses com a cultura das flores. Aí fazemos um link com o barão de Mauá que traz a Maria Fumaça”.
Apesar de buscar com seu enredo ‘O Salvador da Pátria’ uma temática bem diferente da de 2018, o Paraíso do Tuiuti vai atrás da mesma fórmula de sucesso que deu à escola a sua melhor colocação na sua história. A abertura do desfile da escola é a grande aposta do carnavalesco Jack Vasconcelos, que recebeu a reportagem do CARNAVALESCO no barracão, e admitiu ter preparado uma abertura suntuosa.
“Esse enredo na verdade chegou até mim pelas mãos do João Gustavo Mello. Ele é cearense e havia me procurado na época que fiz o Boi Mansinho, em 2016. Achei a ideia incrível. Só tive que esperar um pouco pois era muito bicho né (risos). Logo depois do enredo do ano passado, havia percebido certo alvoroço nessa questão da polarização política, já que tivemos um ano eleitoral. Eu e o destaque que desfilou de vampiro em 2018 recebemos algumas mensagens agressivas e violentas. Pensei comigo quando começou essa intolerância do brasileiro, de não entender uma brincadeira carnavalesca. O bode para mim era uma boa resposta de bom humor a tanto ódio. Nosso enredo ano passado era denso e eu queria esse ano algo mais alegre. Um outro espírito”, disse Jack.
Ao contrário do desfile apresentado em 2018, que era denso, triste e carregado na emoção, o Tuiuti em 2019 vai ser jocoso, divertido e leve. Jack Vasconcelos traz uma temática nordestina e garante que isso foi um fator preponderante em um ano onde a crise de materiais deixou muitas escolas em apuros.
Setor 2: A cidade de Fortaleza. A Avenida Dragão do Mar, vendedores da praia, o primeiro ambiente onde o iôiô vai viver e é comprado pela Companhia Dragão de Peles. Vira mascote e vai vier na avenida Beira-Mar.
Setor 5: O jogo de poder dos políticos em cima dos mais pobres. A elite se junta à política. O uso dos mais pobres pela classe política. A eleição do iôiô é uma consequência dessa situação. A insatisfação das pessoas em cima disso.
“Na minha carreira como mestre de bateria é o divisor de águas. Uma coisa é você tocar numa festa de 15 anos, qualquer tipo de animação em festa, em eventos e você fazer 5, 10 passadas, uma outra coisa é você levar esse tipo de samba para a avenida e conseguir sustentar esse samba no andamento em que a grande comunidade e todos que estão ali podem cantar. Isso é muito desafiador, até para a gente achar um ponto de equilíbrio um andamento confortável. Eu posso dizer na minha carreira é o ano mais desafiador pra mim, mas está sendo o ano mais prazeroso. Está sendo um ano diferente de todos esses anos que eu já trabalhei como mestra de bateria”.
ASSUSTADOR! Lembro que foi numa segunda-feira e me falaram pra dar um pulinho no barracão que iria ter uma reunião. O carnavalesco sentou junto com o diretor e a presidente e falaram assim: ‘Gilmar, estamos com uma ideia inovadora, queremos revolucionar o carnaval, o Império sempre trouxe coisas diferentes para o carnaval e ano a gente quer fazer uma coisa diferente, queremos colocar essa música para o carnaval de 2019’. Eu disse que achei legal, e perguntei se aquele seria o enredo e e eles me falaram ‘Não, Gilmar. Esse vai ser o samba-enredo’. Eu fiquei parado, olhei para o carnavalesco e em primeiro momento só falei as partes negativas, exemplo “como era ter o Império Serrano sem disputa de samba, como vai ser passado isso para os compositores? como vai ser passado para a comunidade? O Império é a escola que tem a ala de compositores que tem mais belos sambas da história do carnaval, como vai ser pegar uma música que não é samba-enredo, é uma MPB e transformar para samba-enredo? Inclusive, tem uma parte da música que a métrica é muito complicada para ser cantada, eles apostaram numa coisa que na arquibancada qualquer criancinha vai saber cantar, mas e a opinião pública? Eu
Primeiramente foi o andamento. Temos uma famosa virada de três em toda passada de samba e quem entende de bateria sabe, que só o Império faz isso, pra esse ano vimos que não iria encaixar muito bem toda essa passada. Não colocamos para ajudar no bom andamento, achamos que isso poderia atrapalhar e também não ia encaixar com o canto, e as nossas bossas. O Império se você colocar na história, sempre gostei de bossas muito descompassadas, torta, esse ano eu vi que se fizesse isso nesse tipo de música, eu iria me estrepar. Tive que sair do Gilmar, da minha referência, do que eu gosto de fazer. Eu peguei totalmente a melodia da música, porque eu poderia ser taxado de acabar com uma música popular. Os pontos primordiais foram a virada de três, o andamento e as minhas bossas, tive que rever muito as bossas que a gente gosta de trabalhar para esse tipo de música. Vamos usar bossas sim, mas não as que o mestre Gilmar está acostumado a usar”.
“É uma questão de alegria saber que o Império Serrano, a minha escola levou para o mundo, não é só aqui no Rio, em São Paulo, a mídia de lá me liga para saber de agogô, dar aula, porque a referência é nossa. As vezes eu vou dar aula para pessoas de outros países por conta do agogô. É uma referência muito bacana, saber que um instrumento que foi criado dentro da escola de samba Império Serrano, mas que outras coirmãs e mestres de baterias acham legal e bom para a bateria deles. Mas essa aceitação já foi muito difícil, antes eu achava que estavam copiando o agogô do Império, hoje em dia não, tudo que é bom se copia. Hoje nós temos o agogô do Império”.
“Eu mudaria o fato de que o jurado não pode ter um bate papo com quem vai ser
“Os imperianos deixarem a política de lado, porque eu sinto falta de muitos amigos
“Ela vem no jogo de xadrez. É pua estratégia. Foi um aspecto intencional do enredo, abrir logo com o tabuleiro virando. Ali está o momento da virada de mesa. A Grande Rio não foi a primeira a virar a mesa e esperamos que tenha sido a última. Isso deve servir de lição”, adianta a carnavalesca Márcia Lage.
“Não vamos tocar em nada político. Não gostamos. A leitura de nosso enredo é atual, mas não tomamos lado político algum. Infelizmente vivemos fatos que foram noticiados recentemente que se encaixam no cotidiano social abordado pelo enredo. É uma chamada de atenção às necessidades do momento. É um enredo em que a carapuça vai servir”, explicou.
Apesar do patrocínio obtido pela Grande Rio para o desfile, Renato Lage afirma que a escola trabalhou com restrição e a decoração nos carros só começou cerca de 40 dias antes do desfile.
Há algumas semanas, o site CARNAVALESCO fez uma reportagem com Kennedy Meirelles, fã e pesquisador de Clara Nunes, que possui uma coleção de aproximadamente dois mil itens relacionados a tal mineira, muitos deles exclusivos e inéditos do grande público. Um material que impressiona e demonstra um pouco da relação de amor que Kennedy tem pela cantora.
Com o sucesso da reportagem, a história de Kennedy e sua paixão por Clara Nunes comoveu sambistas, fãs da cantora e portelenses de toda a parte, até mesmo os mais ilustres. Dentre eles, o presidente da azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira, Luis Carlos Magalhães, que ao descobrir que Kennedy não iria desfilar, fez questão de convidá-lo para participar da homenagem.
“A presença do Kennedy será muito bem-vinda em nosso desfile. Ele é mais do que um fã, é um verdadeiro guardião da memória da Clara. A matéria feita pelo site CARNAVALESCO mostrou isso. É impressionante a coleção dele, com tudo da Clara e mais um pouco”, declarou o presidente Luis Carlos Magalhães.
“É um sonho. Foram muitos anos esperando essa homenagem e poder fazer parte disso, é muito gratificante. É uma sensação de êxtase. A Clara está ligada na minha vida desde o início. Ela faz parte de mim, do meu cotidiano.”, disse Kennedy ao falar do convite.
Kennedy foi recebido e guiado no barracão pelo assessor de imprensa da escola, Raphael Azevedo. Logo ao chegar, fez questão de deixar um presente, um disco de Clara Nunes vindo da sua coleção. Em troca, foi presenteado com uma camisa da Portela, além de um DVD e um cd da azul e branca.
“Por volta do ano de 2006 ou de 2007, eu estava em Copacabana, e a Rosa estava esperando um táxi. Então, resolvi abordar a Rosa. Eu sempre gostei muito do trabalho dela, sempre foi muito caprichosa com os carros, muito detalhista. E naquela ocasião, eu sugeri a Rosa dela fazer um enredo para a Clara, mesmo na época ela não estando na Portela. Foi uma coisa muito rápida. Foi uma coisa que eu lembrei, mas que ela nem se lembra. E olha a coincidência, hoje ela está na Portela fazendo o enredo e eu vou fazer parte disso (risos)”.
E quando esteve no primeiro andar do barracão, onde ficam as alegorias, não foi diferente. Ao bater o olho em um dos carros, Kennedy já o identificou e se comoveu na hora. Seu semblante demonstrava a importância daquilo que estava vivendo e presenciando.
“Várias escolas já fizeram homenagens. Começou com a Vizinha Faladeira que foi campeã com “Clara Nunes, o canto de um povo”. Todas as homenagens que vieram sempre foram bacanas e emocionantes, porque cada vez a gente está lembrando a Clara. Mas sempre ficou um vazio, porque toda vez que outra escola homenageava a Clara, automaticamente nós fãs, e os portelenses também, pensa logo na Portela. E se questionava do porque da escola nunca fazer essa homenagem. Quando se fala em Clara Nunes, a gente liga logo a Portela. E vice versa. Então, essa homenagem é a maior de todas. A gente esperou 35 anos por esse enredo, tanto fãs da Clara, quanto os portelenses. Ver isso concretizado agora deixa uma sensação de dever cumprido. A Portela devia isso a Clara. A Clara a vida inteira foi Portela, nunca desfilou em outra escola. O amor dela pela Portela era incondicional”.
E após visitar o barracão, e ver de perto o que a Portela prepara para o seu desfile, Kennedy ficou feliz com que viu. Emocionado com o que está vivendo, e com o convite para desfilar, ele diz que só tem o que agradecer ao site CARNAVALESCO, por toda a projeção e repercussão da matéria: