COMPOSITORES: VALTINHO BOTAFOGO, RAPHAEL GRAVINO, GABRIEL SIMÕES, BRAGA, CACAU OLIVEIRA, MIGUEL CUNHA E DONA MADALENA
Ê BARÁ, Ê BARÁ… ÔÔ!
QUEM REGE A SUA COROA, BARÁ?
É O REI DE SAPAKTÁ
ALÁFIA DO DESTINO NO IFÁ!
É MISTÉRIO QUE INCANDEIA
PRO BATUQUE INCORPORAR
É MISTÉRIO QUE INCANDEIA
PRA PORTELA INCORPORAR
VAI, NEGRINHO… VAI FAZER LIBERTAÇÃO
RESGATAR A TRADIÇÃO
ONDE A ÁFRICA ASSENTA
Ô, CORRE GIRA, VEM REVELAR
O REINO DE AJUDÁ
O PAMPA É TERRA NEGRA EM SUA ESSÊNCIA
ALUPO, MEU SENHOR, ALUPÔ!
VAI TER XIRÊ NO TOQUE DO TAMBOR
ALUMIA O CRUZEIRO… CHAVE DE ENCRUZILHADA
É MACUMBA DE CUSTÓDIO NO ROMPER DA MADRUGADA
CURANDEIRO, FEITICEIRO
BATUQUEIRO PRECURSOR
PÔS A NATA NO GONGÁ (Ô, IAIÁ!)
FUNDAMENTO EM SEU TERREIRO
RESISTE A FÉ NO ORIXÁ
DA CRENÇA NO ROSÁRIO
AO RITO DO MERCADO
AINDA SEGUE VIVO O SEU LEGADO
PORTELA… TU ÉS O PRÓPRIO TRONO DE ZUMBI
DO SAMBA, A MAJESTADE EM CADA ORI
YALORIXÁ DE TODO AXÉ
ENQUANTO HOUVER UM PASTOREIO
A CHAMA NÃO APAGARÁ
NÃO HÁ DEMANDA QUE O POVO PRETO NÃO POSSA
ENFRENTAR!
AE ONI BARÁ! AE BABÁ LODÊ!
A PORTELA REUNIDA CARREGADA NO DENDÊ
SOB O CÉU DO RIO GRANDE
TEM REZA PRA ABENÇOAR
O PRÍNCIPE HERDEIRO DA COROA DE BARÁ!
A Beija-Flor de Nilópolis promove, na quinta-feira, a grande final do concurso de samba-enredo que vai escolher o hino oficial da escola para o Carnaval 2026. Após semanas de eliminatórias e apresentações emocionantes, dois sambas chegam à decisão: o Samba 1, de Julio Assis, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves e Léo do Piso; e o Samba 39, assinado por Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane e João Conga. Abaixo, você pode ouvir os sambas e aponta a parceria favorita para vencer. Vamos divulgar o resultado durante a quinta.
A Unidos de Vila Isabel inicia, nesta terça-feira, as inscrições para participação nas alas coreografadas do desfile de 2026. Os interessados poderão se inscrever de forma online ou presencial, de acordo com o calendário definido pela escola. A participação é destinada a maiores de 18 anos.
As inscrições online acontecem exclusivamente na terça-feira, por meio do link divulgado nos canais oficiais da agremiação. Já as inscrições presenciais serão realizadas na quarta-feira (24), no barracão da escola, localizado na Rua Rivadávia Corrêa, nº 60 – Barracão 5, na Cidade do Samba, Gamboa.
As alas coreografadas serão coordenadas pelo diretor de arte Fábio Costa, que ressaltou a importância da iniciativa:
“As alas coreografadas têm um papel fundamental no nosso desfile. É nelas que conseguimos traduzir a força do enredo em movimento, dança e emoção, aproximando ainda mais a comunidade do nosso espetáculo”, afirmou.
Em 2026, a Vila Isabel levará para a avenida o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinicius Natal. O tema celebra a ancestralidade, a arte e o samba, exaltando a memória de Heitor dos Prazeres, ícone da cultura popular brasileira.
Conscientizar crianças e adolescentes sobre as mudanças climáticas e a necessidade de preservar o meio ambiente, por meio da valorização da memória cultural e da ancestralidade. Este é o objetivo da oficina educativa “Dobradura de memórias, origamis com história e natureza”, que o Museu do Samba, localizado aos pés do Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, realiza nesta terça-feira, 23 de setembro, dentro da programação oficial da 19ª Primavera dos Museus, realizado pelo Instituto Brasileiro de Museus, do Governo Federal.
A atividade é gratuita e será oferecida em dois turnos. Às 10h, o Museu do Samba recebe uma turma de crianças do ensino fundamental da Escola Municipal Uruguai, sediada em São Cristóvão, bairro vizinho à Mangueira. Às 14h30, é a vez das crianças e adolescentes da Casa da Arte de Educar, instituição sem fins lucrativas localizada em um dos acessos do Morro da Mangueira.
“É uma atividade educativa que articula memória, natureza e responsabilidade ambiental, utilizando a técnica do origami como recurso pedagógico e criativo. A proposta convida à reflexão sobre as mudanças climáticas e destaca a memória cultural como instrumento de resistência e preservação, em sintonia com a missão do Museu do Samba, que é valorizar as matrizes do samba e promover a educação patrimonial”, explica Nilcemar Nogueira, fundadora e diretora de projetos especiais da instituição.
A Primavera dos Museus é um evento cultural anual promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (ibram), que ocorre no início da primavera, em setembro. O objetivo é intensificar a relação entre os museus e a sociedade, reforçando a valorização do patrimônio cultural brasileiro. Nesta edição, o tema é “Museus e mudanças climáticas”, que destaca o papel dos museus como espaços de preservação, diálogo e mobilização frente à crise climática.image.pngimage.png A Primavera dos Museus conta com mais de mil atividades, entre exposições, palestras, visitas guiadas e oficinas, em todo o Brasil.
O Camisa Verde e Branco viveu uma segunda-feira de grandes definições. A escola da Barra Funda anunciou oficialmente o enredo que levará para a avenida em 2026, “Abre Caminhos”, e também confirmou a permanência de Erica Regina Ferro na presidência após decisão liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo.
A medida foi tomada pela juíza Tamara Hochgreb Matos, que determinou a recondução imediata de Erica ao cargo, assim como de sua diretoria, até o julgamento final da ação. O despacho suspende a validade da sentença do processo nº 1081694-96.2022.8.26.0100 e do acórdão que a havia confirmado, após laudo pericial do Instituto de Criminalística apontar falsidade na citação inicial. Com isso, ficam anulados os efeitos da decisão anterior que afastava a dirigente e convocava novas eleições.
Em nota, a agremiação comunicou aos torcedores e componentes a recondução da presidente: “A senhora Erica Regina Ferro foi reconduzida à presidência da Associação Cultural e Social Mocidade Camisa Verde e Branco. A presidenta deve assumir imediatamente seu cargo, juntamente com seus diretores, com a suspensão da sentença inicial e das eleições”, informou a publicação.
‘Abre Caminhos’ é o enredo de 2026
Além da vitória jurídica, o Camisa Verde e Branco apresentou seu enredo para o Carnaval 2026: “Abre Caminhos”. Desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão e com enredo assinado por Clark Mangabeira e Victor Marques, a proposta vai mergulhar na simbologia de Exu, abordando seus caminhos de energia, formas de manifestação, a construção dos cultos e assentamento de fé no Brasil.
O projeto também homenageia o povo de rua, guardião dos caminhos, e busca ampliar o olhar sobre as entidades, destacando sua proximidade com o povo, a pluralidade de saberes e o elo com a luta social por dignidade. Segundo o texto oficial, o enredo reforça ainda a ancestralidade do próprio Camisa Verde e Branco.
“Saudando os seus fundamentos, pisaremos na avenida pedindo caminhos abertos para nossa vitória”, destacou a escola em suas redes sociais.
O desfile marcará mais um capítulo da tradicional Verde e Branco da Barra Funda, que une agora estabilidade em sua gestão e a expectativa de um enredo que promete profundidade cultural e impacto na avenida.
A Acadêmicos de Niterói deu mais um passo rumo ao seu grande desafio no Carnaval 2026. Atual campeã da Série Ouro, a escola vai estrear no Grupo Especial como a responsável por abrir os desfiles de domingo na Marquês de Sapucaí com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo. O samba-enredo foi encomendado a um time de peso formado por Teresa Cristina, André Diniz, Paulo César Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-tem Jr. A apresentação oficial da obra aconteceu na tarde do último domingo, em clima de festa e expectativa pela estreia no Grupo Especial. O CARNAVALESCO acompanhou de perto e ouviu compositores, dirigentes e segmentos da escola.
Fotos: Gabriel Gomes, Luan Costa e Rhyan de Meira/CARNAVALESCO
Um dos autores do samba, Paulo César Feital destacou a relação próxima que teve com Lula durante a construção da obra. “A escola foi extremamente democrática com a gente. Recebemos uma sinopse muito boa e o processo de interação foi de uma emoção absurda. Eu conheço o presidente há mais de 40 anos. Foi delicioso participar disso”, contou.
Ao ser perguntado sobre como agradar diferentes correntes políticas com o enredo, Feital foi direto: “Meu filho, a esquerda vai se agradar. Ser de direita não quer dizer que o cara seja mau. Agora, o fascismo não pode prevalecer dentro de um Estado democrático. Se eles ficarem zangados… é problema deles (risos)”.
Para o compositor Fred Camacho, o processo de criação também foi marcado pela emoção de estar com Lula e apresentar pessoalmente a obra. “Estar com o presidente e poder cantar pra ele a obra que fizemos foi motivo de muita alegria. Não há emoção maior do que mostrar uma música para o presidente da República”.
Camacho acredita que o samba carrega uma mensagem de respeito e pluralidade. “É uma questão de educação e, principalmente, de respeito. Respeito ao Carnaval, às ideias e à pluralidade de opiniões. Assim como respeitamos diferentes religiosidades, também precisamos respeitar os posicionamentos políticos de cada pessoa”.
O compositor Junior Fionda celebrou a oportunidade de dividir a autoria com grandes nomes. “Conseguimos juntar gerações diferentes, todos com a mesma vontade: entregar o melhor samba para o maior presidente da história do país. Para mim, foi uma honra imensa, talvez a maior da minha vida”.
Sobre o encontro com Lula, o compositor se emocionou: “Foi a realização de um sonho. Ver o presidente chorar com a lembrança da Dona Lindu foi perfeito. Era um grupo de meninos do subúrbio e da periferia emocionando o presidente da República. Inesquecível”.
Compositor experiente das disputas de samba, Lequinho destacou a emoção de ver Lula reagindo à obra. “Logo no início, quando o samba fala do momento em que a mãe pegou os filhos pelos braços e foi para São Paulo, ele começou a chorar. Foi marcante, porque vimos que alcançamos o que pretendíamos”.
Segundo o compositor, a narrativa pelo olhar da mãe do presidente deu o tom sentimental da obra. “O refrão do meio é muito especial, porque além de contar a história dele, conseguimos citar outros personagens importantes na democratização do país”.
Wallace Palhares: ‘Sou fruto dos programas sociais’
Presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares defendeu a escolha do enredo e citou a própria trajetória como reflexo das políticas de Lula. “Eu cresci na favela do Fumacê, em Realengo, e tive a oportunidade de estudar graças aos programas sociais do governo Lula. Nada mais justo do que exaltar quem fez isso por milhares de brasileiros”.
Sobre críticas de que a escola não teria comunidade, foi categórico: “Eu convido todos a conhecerem a escola. Existe, sim, comunidade em Niterói. No samba ainda há resistência ao novo, mas acredito que quanto mais novidades, mais o samba cresce”.
Tiago Martins: ‘Quero fazer o melhor carnaval da Sapucaí’
O carnavalesco Tiago Martins ressaltou a identificação pessoal com a trajetória de Lula. “Venho de uma família pobre e, pesquisando mais sobre a vida dele, fui me identificando ainda mais. É uma honra falar de um grande estadista e quero fazer o melhor carnaval que a Sapucaí já viu”.
Martins reforçou que está cuidando de cada detalhe do projeto. “Quero ousar, entregar fantasias e alegorias de bom gosto, mas com leitura clara. O samba já é grandioso e vai estar na boca do povo”.
Emerson Dias: ‘Vamos mudar a história das escolas que sobem’
O intérprete oficial da Niterói, Emerson Dias, celebrou seu retorno à escola em um momento histórico. “Tenho certeza de que vamos pisar na Sapucaí para mudar a história das escolas que sobem e caem no ano seguinte. Nossa meta é dar uma outra direção a isso”.
Saulo Tinoco: ‘Não pode ser só visual plástico’
Diretor de carnaval, Saulo Tinoco reforçou que o desfile será além do visual. “Estamos falando de um ícone. Esquece o lado político: Lula é a história de alguém que saiu do sertão e conquistou o mundo. Vamos entregar um desfile plástico, mas também humano e emocionante”.
Marcelinho Emoção: ‘A paixão pelo Lula vai guiar o canto’
Na parte da harmonia, Marcelinho Emoção mostrou confiança no canto da comunidade. “Nós vamos trabalhar a paixão e o amor que os componentes sentem pelo enredo e pela homenagem ao Lula. Essa paixão vai guiar o canto e a evolução”.
Emanuel e Thainara: ‘Representados pela trajetória do Lula’
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói, Emanuel e Thainara, chega ao Grupo Especial com a missão de traduzir em dança a força do enredo que homenageia o presidente Lula. A dupla, que recebeu o convite diretamente do presidente Wallace Palhares, não escondeu a emoção de alcançar esse momento.
“Foi uma surpresa muito grata quando recebemos a ligação. É como uma coroação do trabalho que vínhamos construindo no Acesso e, agora, chegar ao Especial com a Niterói é ainda mais especial. E, para mim, estar ao lado do meu mestre-sala torna tudo ainda mais lindo”, afirmou Thainara.
Mais do que a técnica, o casal carrega uma identificação profunda com a trajetória do homenageado. Emanuel destacou que até os trajes ganharam um toque especial: “Em todos os enredos tentamos homenagear também com os nossos trajes. Quando soubemos que seria sobre o Lula foi maravilhoso”.
Já Thainara lembrou que a história do ex-presidente ecoa no coração do samba: “Quem é do samba geralmente vem de muita luta, da periferia, e dá valor às oportunidades que o Lula possibilitou ao povo pobre. Eu sou cria do morro, meus pais não tiveram a chance de estudar, e graças a políticas públicas pude me tornar mestre em Educação. Muitos sambistas vão se reconhecer nessa história”.
Na preparação, o casal encara o desafio da cabine espelhada, novidade que exigirá ainda mais técnica e adaptação. “Na dança de mestre-sala e porta-bandeira são 40 pontos avaliados em apenas duas pessoas. Toda inovação é um desafio, mas é também uma oportunidade de mostrar coragem e criatividade. Vamos arriscar, mas sempre respeitando a tradição”, destacou Emanuel.
O samba, segundo eles, já se tornou trilha sonora da família. “É um samba melódico, que pede a dança. Estamos ensaiando com muita fome de ensaio, e meu filho já canta em casa. A comunidade pode esperar um casal que vai defender esse pavilhão com unhas e dentes, levando a Niterói a voos ainda mais altos”, garantiu Thainara.
Mestre Branco Ribeiro: ‘Vamos trabalhar em cima da melodia do samba’
O comandante da bateria, mestre Branco Ribeiro, destacou que o ritmo vai valorizar a melodia da obra. “Nosso trabalho estará todo voltado em cima da melodia, com arrojo, mas respeitando a base. Teremos ainda a direção musical do Vitor Alves para garantir coesão com o carro de som”.
Handerson Big: ‘Uma comissão de frente para todos os lados’
Responsável por abrir o desfile da Acadêmicos de Niterói, a comissão de frente carrega a assinatura de Handerson Big e Marlon Cruz, dupla formada a partir da confiança do presidente Wallace Palhares no trabalho que ambos vinham realizando no Grupo de Acesso. “O Palhares já conhecia o que fazíamos, eu na Vigário Geral e o Marlon no Império Serrano. Ele perguntou se eu trabalharia com o Marlon, eu disse que sim. Do mesmo jeito ele perguntou a ele sobre mim, e não houve problema. Juntou, deu certo”, contou Big.
O entrosamento tem sido o combustível para o processo criativo. “Está muito bom, muito mesmo. Sempre existe aquela curiosidade: ‘será que vai dar certo?’. Mas temos plena noção do lugar que ocupamos e do que esse lugar representa. Hoje estamos assinando uma comissão de frente no Grupo Especial, e isso é muito importante para nós, que somos pretos e viemos da dança, do som da escola. É um espaço em que a representatividade ainda é rara. Nosso trabalho só tende a crescer: é um somando com o outro, é bem um ‘nós por nós’”, destacou.
A proposta artística é construída a quatro mãos, sem divisões rígidas. “Tudo é muito junto. A ideia vem, a gente pensa, troca, constrói. Claro, como somos uma dupla, a logística até facilita: um resolve uma coisa, o outro outra. Mas tudo é em prol do trabalho”, explicou.
Além da parceria, o grupo encara o desafio da novidade da cabine espelhada, que vai exigir adaptações técnicas e criativas. Para Big, a mudança representa um marco de democratização: “A cabine espelhada é uma consolidação de algo que já vinha sendo pedido: uma apresentação em 360°, para que todo o público seja contemplado. Eu costumo dizer que ela vai democratizar as apresentações da comissão de frente e também dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. É novidade, claro, mas no acesso já buscávamos contemplar todos os lados. Agora é só juntar essas experiências e potencializar”.
Mais uma escola do Grupo Especial apresentou o samba-enredo para o carnaval 2026. No último domingo, o Império de Casa Verde executou pela primeira vez para quem acompanha o universo do carnaval paulistano a canção que embalará o desfile de “Império dos Balangandãs: Joias negras Afro-Brasileiras”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza e que abrirá o sábado de carnaval no Anhembi. A obra é composta por Diogo Nogueira, Arlindinho Cruz, Evandro Bocão, Darlan Alves, Fabiano Sorriso e André Diniz. Presente nos principais eventos das escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou alguns dos principais nomes relacionados ao desfile do Império de Casa Verde para a próxima temporada, que aproveitou para fazer a Festa dos Pilotos da próxima temporada.
Fotos: Naomi Prado e Will Ferreira/CARNAVALESCO
Elenco unido
Um dos compositores do samba-enredo do Império de Casa Verde é Fabiano Sorriso, que também é integrante do carro de som do Tigre Guerreiro. Em um grupo repleto de artistas nacionalmente conhecidos, ele destacou que tal equipe está há alguns anos contribuindo com a azul e branca: “Estamos nesse projeto desde 2022 e eu tenho que dar todos os parabéns ao meu vice-presidente Fabinho LS, com o aval do nosso presidente Alexandre Furtado. Para 2026, a gente fez uma reformulação – embora mantendo a base. Na parceria, temos André Diniz, Evandro Bocão, eu e Darlan – e, para 2026, vieram Diogo Nogueira e Arlindinho para incrementar esse momento especial”, relembrou.
Trechos marcantes
Quando perguntado qual a parte favorita do samba que ele próprio compôs, Fabiano preferiu exaltar o conjunto da obra: “Na realidade, eu gosto de todas as partes do samba. É um samba que representa as mulheres, todas as baianas pretas. Dada frase do samba é muito representativa. É uma homenagem a todas essas mulheres pretas que se vestiam de ouro com a sua ancestralidade para conquistar nada mais, nada menos que sua liberdade”, comentou.
Em outro momento, o compositor deixou escapar que uma das partes da canção, graças ao trabalho da Barcelona do Samba, comandada por Robson Campos – citado com o apelido pelo qual é popularmente conhecido: “Eu tenho que dar parabéns ao nosso mestre Zoinho, que fez esse arranjo no refrão do meio no dia em que apresentamos o samba. Ele teve essa sacada maravilhosa, eu confesso que não veio na minha mente e essas palmas ficaram excelentes e sincronizadas. Hoje, o mestre já fez aqui umas bossas e eu acredito que ele vai levar para a pista – e será a cereja do bolo do nosso samba”, destacou.
Voltando à sinopse
Ao falar da sinopse do enredo e da concepção de tais pontos no Império de Casa Verde, dois nomes são sempre lembrados: Tiago Freitas e Leandro Barboza, enredista e carnavalesco da agremiação, respectivamente. Em entrevista ao PodCarnavalesco SP, ambos falaram da conceção do enredo em questão:
No lançamento do samba-enredo, o carnavalesco aproveitou para exaltar o parceiro: “O Tiago é o meu parceiro de trabalho e de vida. Estamos desenvolvendo esse trabalho com muita energia, pois é um enredo que toca muito, tem todo esse axé”, destacou.
Outro detalhe revelado pelo carnavalesco é o desfecho da apresentação – e, por consequência, da obra apresentada: “Fecharemos o nosso desfile com o grito de liberdade das mulheres pretas, junto com a Tia Ciata, nossa matriarca do samba. Será um final de muito axé”, afirmou.
Tiago, por sua vez, preferiu relembrar quem deu a inspiração para que a temática fosse abordada: “Esse enredo veio de um grande amigo nosso, o Rodney William, um grande estudioso da cultura afro-brasileira. Ele nos sugeriu falar sobre as mulheres negras, sobre as joias de crioula, os balangandãs de Salvador. E essa sugestão foi muito importante para a gente nessa virada que nós queríamos dar em relação aos nossos enredos, falando sobre negritude e de empoderamento feminino”, exaltou.
O enredista também aproveitou para destrinchar os caminhos que balizaram todo o trabalho da agremiação: “É um enredo que tem como missão celebrar as mulheres que são joias negras afro-brasileiras. O samba de 2026 veio depois da nossa sinopse e, depois, da nossa pesquisa. Nós conseguimos desenvolver todo esse aspecto centrado no protagonismo dessas mulheres negras”, comentou.
Elogios de componentes
Rogério Figueira, popularmente conhecido como Tiguês, diretor de carnaval do Império de Casa Verde, trouxe um fato importante em relação à aceitação da comunidade quanto à canção do Tigre Guerreiro para o carnaval de 2026: “Nós achamos o samba uma pancada – tanto que caiu muito rápido no gosto do povo. Ontem nós tivemos uma apresentação na coirmã Camisa 12 e nós ainda não tínhamos cantado e apresentado o samba na nossa quadra, então não cantamos lá – mas a nossa comunidade cantou à capela ali mesmo. É um samba que teve uma aceitação muito boa não só pelo público do Império de Casa Verde, pelo nosso componente, mas pelo público do carnaval em geral. Acredito que a gente retornou aos trilhos – já que deixamos escapar um pouquinho no ano passado”, destacou.
O evento citado por Tiguês é a apresentação do samba-enredo da Camisa 12, escola do Grupo de Acesso I do carnaval paulistano – e que também teve cobertura do CARNAVALESCO.
Um dos intérpretes oficiais do Império de Casa Verde, Tiago Nascimento, estreando no microfone principal do Tigre Guerreiro em 2026 ao lado de Tinga, comparou a canção com duas outras grandes obras imperianas: “Temos um grande samba. Acredito que o Império de Casa Verde vem com um grande samba, um samba potente. Costumo dizer que ele tem a malemolência do ‘Império dos Tambores’ com a potência do samba da Fafá de Belém – dois sambas que o Império de Casa Verde levou para a avenida e que a comunidade gostou muito. Os compositores foram muito felizes em trazer essa essência novamente para o Império de Casa Verde! O que a galera sentiu aqui hoje, nesse primeiro contato, nós já pudemos perceber que o samba tem uma força muito grande. Com isso, vamos levar um grande samba para a avenida, com certeza”, comemorou.
Evento e protótipos
Como quase sempre acontece com escolas de samba, a agremiação não se limitou apenas a apresentar o próprio samba-enredo. A noite começou com a formatura da Barcelona do Samba, que se apresentou aos presentes. Logo depois, a ala musical executou o hino do Império de Casa Verde e sambas-exaltação da escola. O pavilhão de enredo, defendido pelo segundo casal, foi trocado – e, logo na sequência, a azul e branca da Zona Norte apresentou os protótipos das fantasias para o desfile de 2026.
Leandro revelou que a agremiação mudou um pouco alguns processos em relação às indumentárias: “A gente dividiu a escola em quatro setores e resolvemos diminuir um pouco o número de alas, aumentando a quantidade de fantasias e pessoas. Sendo assim, as alas terão até 80 pessoas. Teremos um visual muito maior”, comemorou.
Fotos Will Ferreira e Naomi Prado/CARNAVALESCO
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Perguntado sobre quais são as fantasias favoritas dele, o carnavalesco elencou duas: “O público terá um carinho todo especial com a Ala das Baianas e com a nossa primeira ala. O Império, esse ano, está maravilhoso! É um dos anos mais bonitos do Império. E, além disso, estamos investindo toda a nossa energia e toda a nossa força nesse trabalho”, afirmou.
Por fim, o profissional ainda destacou que as famosas alegorias imperianas “Em 2025, sentimos um pouco de mudança no Império em termos de alegoria. Mas, em 2026, todos verão alegorias grandes e de grandes impactos. A gente vai trabalhar com muito visual nas alegorias, com o lado humano. Vai ter muito grupo cênico e faremos um grande carnaval”, finalizou.
A cidade de Santos deu início, neste domingo, à contagem regressiva para o Carnaval 2026, em um evento marcado pela celebração da tradição do samba e pela valorização da cultura negra. O lançamento oficial contou com a presença de representantes das escolas de samba, artistas, sambistas e autoridades municipais, que destacaram o investimento da Secretaria de Cultura (Secult), sob a gestão do secretário Rafael Leal, no fortalecimento do setor.
Fotos: Divulgação/Prefeitura de Santos
Especialistas no universo do samba destacam que a atuação da Secult tem sido decisiva para consolidar Santos como polo cultural. Além de oferecer apoio técnico e financeiro às escolas de samba, a pasta investe em oficinas, formações e ações de inclusão social que ampliam a participação popular. “O samba não é apenas entretenimento, é também identidade, tradição e ferramenta de transformação social. Santos tem dado exemplo de gestão cultural ao reconhecer isso”, avaliou o compositor Rubens Gordinho, que lidera o projeto Falando de Samba, dedicado a valorizar o trabalho dos sambistas locais.
A iniciativa de Rafael Leal vai além do incentivo aos desfiles. Nos últimos anos, a Secult tem desenvolvido políticas públicas voltadas à valorização da cultura negra, como editais específicos, eventos de promoção à arte afro-brasileira e apoio a coletivos culturais. Essas ações ampliam os espaços de visibilidade e fortalecem a representatividade no cenário artístico da cidade.
Com essas medidas, Santos não apenas projeta um Carnaval mais estruturado e inclusivo para 2026, como reafirma seu compromisso com a preservação da memória coletiva e o protagonismo da cultura negra na formação da identidade santista. O lançamento marcou, assim, o ponto de partida para uma festa que promete unir tradição, inovação e consciência social.
No último domingo, a Portela foi palco da apresentação dos sambas semifinalistas na última eliminatória de sambas-enredo para o carnaval de 2026. Com o enredo “O Mistério do Príncipe de Bará: A Oração do Negrinho e a Ressurreição de sua Coroa sob o Céu Aberto do Rio Grande”, a azul e branca de Madureira irá escolher o seu hino do próximo carnaval na sexta-feira próxima, 26 de setembro. Os sambas classificados para a final serão anunciados na segunda-feira, 22 de setembro. O CARNAVALESCO apresenta a seguir a análise das apresentações.
Parceria de Mattos: O samba da parceria de Mattos, Wagner Alves, Naldo, Paulo Formigão, Anna Moura, Rogério Lobo e Araguaci foi o primeiro a se apresentar neste domingo. Com Bruno Ribas e Tem-Tem Jr. nos microfones principais e com ótimos desempenhos, a obra foi recebida de forma tímida pela quadra, o que resultou em uma apresentação correta, mas regular no que se refere à explosão na quadra.
Parceria de Daiane Molet: De autoria de Daiane Molet, Anderson Xilico, Chico Professor, Fagner Presidente, Fred Feijó, Maninho Veiga e Marcele Salles, o segundo samba a se apresentar contou com Renan Ludwig como intérprete principal e realizou uma apresentação animada. Desde a primeira passada, ainda sem bateria, o samba se mostrou como um forte candidato a uma vaga na final. O refrão de cabeça “Majestade Da Minha Vida, Traz Axé E Vai Na Ginga, Façanha Com Seu Manto Branco E Azul, Batuqueira Bota A Cara Na Avenida, É Gente Preta Do Rio Grande Do Sul” apresenta uma certa familiaridade com a escola, o que causava um levante do samba na quadra, aliado ao excelente desempenho dos cantores no palco. Em suma, o samba passou muito bem.
Parceria de Toninho Geraes: O samba de Toninho Geraes, Eli Penteado, Paulo César Feital, Alexandre Fernandes, Victor do Chapéu, Juca e Juninho Luang foi interpretado por Tinga, que iniciou a apresentação de forma aguerrida, deixando nítido que o samba estava apto para a briga da classificação para a final. Foi o primeiro samba que levantou membros da escola, como velha-guarda e baianas, que cantaram com ânimo. Foi uma forte e boa apresentação. Está no páreo!
Parceria de Noca da Portela: A parceria de Noca da Portela, Samir Trindade, Brian Ramos, JP Figueira, Leandro Custódio, Marcão da Gráfica e Ricardo Castanheira trouxe Wantuir como voz principal. Antes da apresentação se iniciar, a torcida já entoava o refrão do samba, que desde a primeira passada foi um estouro no público. Nos momentos em que o samba ficava apenas com a torcida, o canto foi em alto e bom tom. O refrão “Nosso Príncipe É Negro, E Sua Gente Macumbeira, Guia Meu Povo, Luz De Madureira, Rezo Pra Voltar, Babá Sentinela, Oranian Ensinou O Que É Portela (Sou Portela)” dava uma explosão no canto da torcida a cada passada. Mais um fortíssimo candidato.
Parceria de Luiz Carlos Máximo: O samba da parceria de Luiz Carlos Máximo, Manu da Cuíca, Buchecha, Belle Lopes, Ximeninho, Regis e Heitor César foi recebido de forma contida pela quadra. O refrão “Chegou Minha Águia Batuqueira, Gaúcha, Sim, Senhor, Negritude Não Tem Fronteira, É Nação De Mil Bandeiras Que A Portela Incorporou” funcionou bem, mas em vista dos sambas que já haviam se apresentado, a obra fica alguns passos atrás para chegar à final.
Parceria de Mariene de Castro: A obra de Mariene de Castro, Lico Monteiro, Leandro Thomaz, Laura Romero, Binho Teixeira e Salgado foi conduzida por Freddy Vianna. E antes da apresentação começar, a torcida já cantava o samba. O trecho “Canta Nação Ijexá, Toque De Jejê Nagô, Bará Adê, Bará Adê, Na Encruza Do Tambor, Herança De Oyó E Cabinda, Onde Assentei Meu Axé, Exú Janala Fun Malé” tem uma melodia interessante e que rendeu em quadra. O samba empolgou, mesmo que de maneira sutil, mas fez uma bela apresentação.
Parceria de Cecília Cruz: A parceria de Cecília Cruz, Claudio Cruz, Luciano Fogaça, Fabinho Gomes, Gêmeos, Osmar Fernandes e Julio Pagé animou os componentes da escola desde o início da apresentação. Quando o palco jogou o canto apenas para o público, a resposta foi à altura e impactante. Em suma, foi uma ótima apresentação, colocando a obra como uma forte candidata à briga.
Parceria de Valtinho Botafogo: O samba de Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena foi defendido por Zé Paulo. Sendo muito bem recebido na quadra pelos presentes, o refrão “Aê Oni Bará, Aê Babá Lodê, A Portela Reunida Carregada No Dendê, Sob O Céu Do Rio Grande Tem Reza Pra Abençoar, O Príncipe Herdeiro Da Coroa De Bará” levantou o público todas as vezes que foi cantado. Foi uma boa apresentação. Pela recepção da quadra, mais o desempenho no palco, a obra é uma boa aposta.
Parceria de Rafael Gigante: A obra de Rafael Gigante, Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Bira, Hélio Porto e Neyzinho do Cavaco teve Wander Pires como voz principal. O último samba a se apresentar na noite também começou a ser cantado antes dos cantores iniciarem no palco. Em suma, a quadra se mostrou simpática ao receber a obra. O refrão “Sou Portela De Bará, Águia De Exú, Meu Samba É Raiz, Batuque Do Sul, A História De Custódio Nos Ensina, O Brasil É Mais Preto Que Se Imagina” tem uma potência relevante. Se classificado, fará bonito.
A agradável noite de sábado (20 de setembro) na cidade de São Paulo teve, também, muita animação e fantasia na Zona Oeste da maior cidade da América Latina. A Dragões da Real apresentou os protótipos de cada ala para o mundo do samba paulistano na Caverna do Dragão, quadra da escola, na Vila Anastácio. A agremiação, que será a terceira a desfilar na sexta-feira de carnaval (primeira do Grupo Especial da folia no município), terá como enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”, assinado pelo carnavalesco Jorge Freitas. Presente em datas importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou figuras importantes para a produção do desfile de 2026 da agremiação.
Ao fazer um enredo ligado aos povos originários, muitos pensam que a fantasias teriam muita predominância da cor verde – intimamente ligada às florestas. Em alguns momentos, entretanto, a Dragões da Real optou por dar mais ênfase em tons terrosos.
Quando perguntado sobre tal característica dos protótipos, Jorge Freitas destacou que tais tons são tão importantes quanto o equilíbrio do primeiro ao último piloto: “Eu acho que o ponto forte das fantasias é a qualidade delas do início ao fim do nosso desfile. As cores influenciam muito porque eu quero botar o dedo na ferida e falar que nós temos que agir agora: pode ser tarde demais se a gente não parar para refletir, para pensar numa causa tão forte que é a preservação da natureza. Eu acredito muito que o desfile da Dragões não vai ser apenas um desfile bonito, mas um desfile aguerrido, com uma performance muito grande para uma narrativa tão necessária quanto a preservação das nossas matas”, comentou.
Impacto visual
Outros personagens importantes da escola ouvidos pela reportagem também destacaram o quanto estão empolgados com a plástica da agremiação para 2026. Renato Remondini, popularmente conhecimento como Tomate, presidente da instituição, foi um deles: “Todo presidente, todo diretor, todo cara que é apaixonado pelo carnaval, quando vê um trabalho, ele sempre fala que conseguiu se superar. Eu vou dizer uma coisa para você, com toda a convicção – e, ao final da jornada de hoje, eu tenho a plena convicção que todos vocês falarão isso: é o maior conjunto visual de fantasias e de alegorias que a Dragões já fez”, prometeu.
Em outro momento, o principal mandatário voltou a reafirmar o quanto a estética será marcante, mas não trará problemas para o desfilante: “O visual que vocês vão ver hoje é do carnaval mais caro que a gente já fez. Talvez seja o carnaval mais volumoso, porém é leve. Você vai ver fantasias e vai perguntar da Evolução da escola, mas você vai ver o componente brincando aqui dentro usando a fantasia. Essa é a proposta da Dragões: fazer um desfile sempre solto. Na Dragões não tem esse negócio. Aqui, é proibido falar fileira, aqui é proibido falar linha, aqui é proibido o diretor de Harmonia apitar. Não tem essas coisas aqui”, destacou.
Márcio Santana, diretor de carnaval da agremiação, rasgou elogios ao carnavalesco da instituição: “A cada ano o Jorge se supera plasticamente. Ele tem uma capacidade muito grande de sintetizar aquilo que ele traz como enredo. Quando o Jorge faz o enredo para a comunidade, obviamente ele já tem toda uma estratégia plástica e de fácil leitura – é um sentimento para com o enredo e com o projeto visual que ele vai desenvolver. É um projeto impactante, são fantasias que vão causar um efeito maravilhoso na avenida, um conjunto visual muito forte, muito impactante e que, principalmente, não perde a essência dos carnavais da Dragões – que é a fácil leitura. Esse é o ponto alto desse conjunto de fantasias que foi apresentado hoje”, comentou.
Força do enredo
Nas entrevistas realizadas pela reportagem, um ponto chamou atenção da reportagem: mesmo focando nas fantasias apresentadas, a temática a ser explorada pela Dragões da Real foi muito elogiada.
Jorge foi um dos profissionais que destacou a história que será contada no Anhembi: “Nós temos uma narrativa muito forte, uma narrativa atual, uma narrativa necessária para, até mesmo, fazer uma transformação do Anhembi em uma voz pela luta das matas e das florestas através do empoderamento feminino – que são as guerreiras icamiabas, mote do nosso enredo, sempre com muita performance. As marias diversas, que lutam até hoje através da ancestralidade das icamiabas em busca da preservação das matas, da floresta e da Amazônia”, afirmou.
Tomate, além de falar do enredo, fez uma espécie de cadeia de consequências positivas que a temática trouxe – exaltando, também, o samba-enredo da Dragões da Real para 2026: “A gente tem um enredo muito forte, com uma linha totalmente diferente do que nós nunca fizemos e do que o Jorge não fazia há mais de vinte anos, se eu não estou enganado. Nós temos um samba maravilhoso, um samba que foi um presente, mesmo. A Dragões tem Asa Branca, aquele samba aclamado por todo mundo, e voltamos a ter um samba unânime no universo do carnaval. O enredo bom vai te dar um samba bom, e o enredo bom vai te dar um visual maravilhoso”, finalizou.
Citado pelo presidente, o último desfile com temática originária assinado por Jorge Freitas foi a histórica reedição de “Lendas e Mistérios da Amazônia” no ano de 2004 – primeiro em que foram permitidos os enredos com nova roupagem. No caso, a Portela, que tinha levado para a então avenida Presidente Vargas, em 1970, tal história, voltou a utilizá-la – na segunda oportunidade, na Marquês de Sapucaí.