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Viradouro 2019: bateria ao vivo no desfile

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Paulo Barros faz melhor desfile plástico da carreira e coloca Viradouro na rota do título

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Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Viradouro desfile2019 091Diversos versos do samba-enredo da Unidos do Viradouro servem para ilustrar o desfile da agremiação na noite deste domingo de carnaval no Sambódromo. Mas nenhum deles seja tão definitivo quanto ‘o brilho no olhar voltou’. A vermelha e branca de Niterói deixou a avenida nos braços do povo e o carnavalesco Paulo Barros realizou seguramente o seu melhor projeto em termos de alegorias e fantasias da carreira. Somado a isso uma atuação irretocável do chão da escola, impulsionado pelo intérprete Zé Paulo e a bateria Furacão Vermelho e Branco. Fatores que colocam a escola, mesmo sendo apenas a segunda a desfilar na primeira noite, no caminho do título do Grupo Especial. A Viradouro apresentou o enredo ‘Viraviradouro’ e terminou o desfile em 75 minutos.

Comissão de Frente

Viradouro desfile2019 093A comissão de frente foi o prólogo que revelava ao público o início do enredo e o livro mágico Viraviradouro. O neto saia da casa da vovó e, já dominado pela curiosidade, voltava a ser criança, para tentar descobrir os mistérios que o animaram na infância. Vovó trazia então ‘O Livro Secreto dos Encantos’, e o menino, curioso, tentava tirar de suas mãos. Surgiam impetuosos cavalheiros, capazes de enfrentar qualquer perigo, para defender a paz, a justiça e o amor, e procuravam proteger a relíquia. Mas era tarde.

Viradouro desfile2019 024A criança rouba o livro e abre. Em um instante, a magia estava no ar. O grupo era então cercado por bruxas, que aparecem de todos os lados, e vovó é transformada em uma delas. A apresentação conseguiu em um primeiro momento cativar o público durante todo o show e depois resumir o enredo de maneira sucinta. Embora, a peruca do personagem que fazia uma das bruxas tenha caído no primeiro módulo, a comissão foi uma das melhores já realizadas pelo coreógrafo Alex Neoral.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Viradouro desfile2019 029Viradouro desfile2019 031Julinho e Rute representavam a princesa e seu príncipe. Eternos personagens dos mais conhecidos contos de fadas, eles apresentaram a Viradouro, bailando na Sapucaí. A fantasia do casal era lúdica e toda em faisões brancos com pedrarias em prata. Experiente, a dupla passou com perfeição em todos os módulos de julgamento.

Harmonia

Viradouro desfile2019 015Um show da comunidade de Niterói na Marquês de Sapucaí. Nenhuma fantasia teoricamente mais volumosa atrapalhou o canto dos componentes, que passaram por toda a Marquês de Sapucaí gritando o samba-enredo, injustamente criticado por tantos no pré-carnaval. O bom rendimento também foi devido ao carro de som comandado por Zé Paulo, muito mais comedido que nos últimos anos em relação a cacos, mas mantendo o seu grande talento, e, acima de tudo, interpretando o samba-enredo. Os dois últimos setores da escola foram os que mais brilharam passando pela avenida cantando muito forte. Tanto que até frequentadores de frisas e camarotes cantaram junto.

Samba-Enredo

Viradouro desfile2019 043Bastante criticado no período pré-carnavalesco, o samba-enredo provou que este tipo de julgamento não possui qualquer valor fora da avenida. O rendimento da obra serviu ao grande desfile realizado pela agremiação. Diversos aspectos da composição impulsionaram o canto da comunidade e ajudaram a embalar a apresentação da escola.

Evolução

Viradouro desfile2019 116Beirou a perfeição. O início foi bastante forte, com alas brincando todo o tempo, evoluindo soltas e com muita movimentação. Entretanto, houve uma desnecessária acelerada no passo a partir do segundo recuo de bateria. Tanto que para evitar um término de desfile muito rápido a escola precisou reduzir este andamento. Irregularidade no último módulo que pode representar na perda de décimo no quesito, que pode ser descartado se nos demais módulos houver a nota máxima.

Enredo

Viradouro desfile2019 120Certamente uma das três maiores apresentações de um enredo do carnavalesco Paulo Barros. Quem o acompanha desde o início da carreira se lembrou de seus melhores momentos na Unidos da Tijuca. A história foi estruturada a partir de cinco setores muito bem defendidos. Na abertura o desfile mostrava o desvendar do livro secreto com as apresentações da comissão de frente, o casal e uma ala repleta de personagens marcantes da infância de todo mundo.

Viradouro desfile2019 146No primeiro setor foram mostrados os encantadores, como Zeus, o gênio da lâmpada e a fada madrinha. A partir do segundo setor a história trazia os encantados, com histórias de contos de fadas, como de príncipes e princesas. O setor foi encerrado com a lúdica alegoria da Bela e a Fera. Os amaldiçoados vieram a partir do terceiro setor, onde veio a bateria. Na quarta parte do desfile as criaturas da noite e definitivamente o setor ‘Das cinzas voltar, nas cinzas vencer’. Este último setor foi o único que não teve um desenvolvimento claro como os demais.

Fantasias

Viradouro desfile2019 157Viradouro desfile2019 136O conjunto de fantasias apresentado pela Viradouro, mesmo ainda restando muitas escolas a se apresentar, deve certamente ser um dos destaques do ano. Além da excelência no uso de materiais, algo que Paulo Barros nunca tinha feito com tanta perfeição, foi percebida sua marca registrada, a excelente leitura dos figurinos. A primeira ala da escola com os personagens de contos de fadas foi o destaque do primeiro setor. Merecem menção as alas 6 (poção mágica – baianas), 7 (demônio), 9 (príncipes e princesas), 12 (Alice no país das maravilhas), 14 (lumiére), 17 (toque de midas – passistas), 18 (mago Merlin – bateria) e 20 (pirata). Outro ponto de destaque foi a presença de maquiagem em diversas alas, que não se desmancharam na chuva.

Alegorias

Viradouro desfile2019 106Um conjunto alegórico que foi o melhor da carreira de Paulo Barros no aspecto do acabamento. Além disso, cada carro trazia um ponto de interatividade com o público. No abre-alas os livros se movimentavam e deles saíam personagens que desciam da alegoria. No segundo carro, das bruxas, elas ‘voavam’ no topo do carro. No quarto carro, o melhor do conjunto, as composições mudavam de rosto através de máscaras de látex. Mas o ponto alto do desfile em termos de comunicação com o público foi sem dúvida a quinta alegoria, do motoqueiro maluco. Ele saía do carro, as alas se abriam para ele passar, e ele ia até o carro 4. Um momento de muitos aplausos. Pena que não tinha o tradicional fogo, que foi vetado pelos Bombeiros. A alegoria da fênix encerrou o desfile com o pássaro e uma bandeira da Viradouro no seu bico.

Outros Destaques

Viradouro desfile2019 017Viradouro desfile2019 013A bateria de mestre Ciça repetiu a paradinha do ensaio técnico, quando os ritmistas se abaixavam, exceto o naipe de tamborins, e depois se levantavam. O público delirou neste momento. O mestre fez algo que não está acostumado, veio fantasiado, de Mago Merlin. Todos os julgadores do terceiro módulo aplaudiram de pé a passagem da Viradouro. Viviane Araújo, rainha de bateria do Salgueiro, era uma das mais entusiasmadas com o desfile e vibrou com a passagem da escola de um camarote.

Viradouro 2019: galeria de fotos do desfile

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Viradouro apresenta desfile de fácil leitura e faz componentes e foliões voltarem à infância

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Por Nathália Marsal

Viradouro desfile2019 097A Unidos do Viradouro foi direto ao ponto sobre seu objetivo com o enredo “Vira Viradouro”: voltar ao Sábado das Campeãs e relembrar os tempos áureos. E demonstrou isso em cada setor da escola trazendo uma pegada leve, atraindo o folião e os integrantes pela emoção e fácil leitura da apresentação, como uma grande contação de história.

Viradouro desfile2019 036Como no Abre-Alas que trouxe uma grande estante de livros de onde bruxas contam histórias e despertam lembranças. Em seguida, elas ressurgem no segundo carro da agremiação “Bruxas” com muita desenvoltura de detalhes.

Viradouro desfile2019 020

 

Mas foi o segundo setor, “Encantados”, que mais chamou atenção com alas e carros inspirados em contos que já passaram pela casa de muitos brasileiros: “Cinderela e o Príncipe Encantado”, “Soldadinho de Chumbo”, “Alice no País das Maravilhas” e “Lumiére”.

 

Carla Elethério ficou maravilhada com as alegorias. Há 21 anos na escola, ela acredita que o enredo tem poder para fortalecer a agremiação de Niterói.

carla

“Ano passado, estava doente na época do desfile e não pude participar. Esse enredo vai trazer a magia para Avenida. Quem me viu chorar vai me ver sorrir. Está tudo bonito”, defende a foliã, que chegou às 15h para fazer maquiagem da ala “Pirata”, em referência ao filme “Piratas do Caribe”.

Aline Brazão acredita que o enredo tem a ver com o momento da escola e afirma que é preciso ter esperança, assim como temos quando lemos um conto.

“É realmente um renascimento, uma maneira de resgatar o que ficou escondido, o que ficou na infância. Precisamos acreditar que é possível. Vamos perdendo a inocência, a ingenuidade e perdendo a esperança. A Viradouro vai renascer das cinzas. As fantasias estão com uma linguagem boa de entender, o samba enredo está maravilhoso e tenho certeza que a arquibancada e quem estiver assistindo em casa vai saber mesmo sem conhecer a escola”, afirma a niteroiense que desfila há dez anos na escola.

O desejo de Aline estava há poucos metros de distância dela, representado pelo sexto carro “A Fênix e o Renascer das Cinzas”, que finalizou o desfile esbanjando alegria e esperança.

Império Serrano abre Grupo Especial com inovação do casal e esbarra em diversos quesitos com problemas

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Por Geissa Evaristo. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Imperio Serrano desfile2019 152Primeira escola de samba a desfilar no domingo de carnaval pelo Grupo Especial com o enredo ‘o que é, o que é?’, de autoria do carnavalesco Paulo Menezes, o Império Serrano contava com o enorme desafio de cantar em forma de samba-enredo o sucesso de Gonzaguinha da MPB “O que é, o que é?” como hino imperiano para 2019, além de superar a crise já anunciada no período pré-carnavalesco. Brigando para permanecer no grupo de elite do carnaval carioca, a verde e branco da Serrinha sofreu com o temporal que atingiu a sua concentração. A Liesa precisou atrasar em 45 minutos o início dos desfiles.

Imperio Serrano desfile2019 144O entrosamento dos cantores Leléu e Anderson Paz junto da bateria Sinfônica do Samba, sob a regência de mestre Gilmar, conseguiu fazer o samba ter um bom funcionamento ao longo dos 73 minutos de desfile. O ponto negativo ficou por conta das apresentações do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Na tentativa de inovar, a dupla se apresentou do alto de uma plataforma e sofreu com o vento, tendo sua execução prejudicada nas cabines de julgadores.O acabamento das alegorias, além da simplicidade das fantasias, também não colaboraram para um espetáculo à altura da história da agremiação, campeã nove vezes no Grupo Especial.

Comissão de Frente

Imperio Serrano desfile2019 007Coreografados por Claudia Motta, os integrantes da comissão de frente do Império Serrano contaram com duas crianças entre os componentes do quesito. A coreografia apresentada foi com base na letra da música de Gonzaguinha, com bastante teatralização e movimentos bem coordenados durante as apresentações. O grupo apresentou “Nascer ou Renascer? Eis a questão” do alto de um tripé. Vestidos de mendigos deixaram a reflexão de que as crianças que nos ensinam a ficarmos mais puros e que, apesar de tudo, a vida é bonita, é bonita e é bonita.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Imperio Serrano desfile2019 020O casal de mestre-sala e porta-bandeira teve dificuldade no primeiro módulo, apresentando-se no mesmo elemento cenográfico da comissão de frente. A dupla subia em um “elevador”, ao entrar na plataforma a porta-bandeira teve dificuldades. O bailado foi executado com um certo temor por Verônica Lima. Aos poucos a plataforma subiu e quanto mais alto, mais o vento castigou o casal. No meio da apresentação para o primeiro módulo a dupla pareceu ter a segurança necessária, mas no final a bandeira enrolou pela primeira vez, voltou rapidamente a desembolar. Na despedida quando o carro já estava andando a bandeira enrolou mais uma vez ficando embolada por mais tempo do que da primeira. Frente ao segundo módulo, a bandeira voltou a enrolar.

Imperio Serrano desfile2019 091O problema aconteceu também uma vez no terceiro e no quarto novamente. Vestidos de “A vida é energia”, o figurino continha luzes e chamava bastante atenção. Verônica e Diogo são experientes e estão entre os melhores casais do Especial e não precisam passar pela situação de desfilar e dançar em cima de uma plataforma suspensa. Ambos teriam mais tranquilidade para exibir todo o talento que possuem no solo sagrado da Sapucaí.

Samba-Enredo

Imperio Serrano desfile2019 036A polêmica e as preocupações de que de maneira estrutural o Império Serrano não tinha um samba-enredo, precisando transformar um clássico da MPB em uma obra a ser cantada na avenida pode ser mal interpretada pelos jurados, porém, de maneira até surpreendente, a composição se comportou muito bem, conduzida pela dupla Anderson Paz e Leléu. O destaque, é claro, fica por conta do refrão principal da canção. O trecho de melodia mais “trepada”, quando o samba chega na parte “Você diz que é luta e prazer/ Ele diz que a vida é viver/ Ela diz que melhor é morrer/ Pois amada não é/ E o verbo é sofrer” teve também bom desempenho, porém se tratando de Império Serrano o canto poderia ter sido bem mais forte.

Evolução

Imperio Serrano desfile2019 150A escola evoluiu sem problemas de lentidão ou correria no desfile, ou seja, não houve oscilações de andamento, porém os espaçamentos entre alas não foi perfeito. Em muitos momentos foram vistas alas entrando em outras alas ou alas espaçadas demais para a ala da frente. Vale destacar que o componente do Império Serrano, no entanto, brincou solto na pista. A escola finalizou seu desfile com 53 minutos.

Harmonia

Imperio Serrano desfile2019 112A música de Gonzaguinha é de total conhecimento público e não seria diferente com o componente do Império Serrano. O samba, que sofreu bastante crítica pela adaptação, mostrou-se valente e foi bem cantado pela comunidade imperiana, mas poderia ter sido mais forte principalmente entre as últimas alas da Avenida. A obra, por não se tratar de um samba-enredo de fato, estruturalmente falando, teve um andamento hoje raramente usado em desfiles e também contribuiu com um maior apelo popular de quem estava assistindo.

Enredo

Imperio Serrano desfile2019 100O Império Serrano se propôs a levantar várias perguntas acerca do que seria a vida com o seu enredo de 2019, sob a criação do carnavalesco Paulo Menezes, responsável pelo inesquecível carnaval de 2006 ” O Império do Divino”. Com o carnaval 2019 o Império Serrano abordou uma reflexão sobre a vida e o viver, o que as pessoas pensam sobre isso e como se comportam diante dela. De onde viemos e se vamos para algum lugar. Dividido em seis setores, o enredo abordou: a visão pela ciência, a visão religiosa, a visão humana, a dicotomia e a maneira que o homem se comporta para o bem e para o mal, finalizando com uma homenagem a Dona Ivone Lara, falecida no ano passado. Uma das mulheres mais importantes da história do samba.

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Fantasias

Imperio Serrano desfile2019 022Com um conjunto de fantasias aquém do que se espera para uma agremiação do Grupo Especial, a escola apresentou problemas já na primeira ala. As bolinhas que se acendiam, assim como a decoração do abre alas, passaram com muitas apagadas. Na segunda ala alguns componentes não traziam o resplendor com a pomba, uma referência a Oxalá.

Imperio Serrano desfile2019 119A musa frente a segunda alegoria não calçava sapatos. Na ala 13 “Seria a vida uma ilusão”, o adereço da cabeça estava caindo. A ala de passistas não se apresentou com calçados uniformes. Foram observados vários tipos de calçados na cor prata, visivelmente um improviso. Na ala 19, novamente problemas de acabamento, as bolinhas da decoração estavam soltando e caindo. Na ala das crianças, que desfilou feliz, cantando o samba e sambando muito, alguns estavam sem o chapéu e na ala de baianas, logo atrás, saias rasgadas, descosturando e as placas decorativas descolando.

Alegorias

Imperio Serrano desfile2019 132O tripé pede passagem que trazia o nome da escola iluminado, apagou em parte das letras ainda no primeiro módulo de julgadores e seguiu apagado até o final. No abre-alas “Ela é a batida de um coração” a decoração das fantasias das composições e do próprio carro estavam algumas apagadas e algumas acesas. A segunda alegoria “É o sopro do criador” trazia a maior escultura apresentada pela escola. Para fala da religião, a alegoria remeteu ao afresco de Michelangelo ” A criação de Adão” onde Deus, com um toque do seu dedo, cria e dá vida ao primeiro homem. A partir da terceira alegoria o carnavalesco altera as cores da escola até então mais escuras nesse setor e traz uma palheta mais clara. A quinta alegoria “Eu fico com a pureza da resposta das crianças” passou completamente apagada e a sexta e última alegoria fez uma homenagem a Dona Ivone Lara através do departamento feminino da agremiação.

Bateria

Imperio Serrano desfile2019 054Com um andamento mais cadenciado, a bateria contribui positivamente para o desfile da Verde e Branca da Serrinha. Com breques que convidavam o componente e o público a cantar, a Sinfônica de mestre Gilmar contagiou os presentes. A rainha Quitéria Chagas brilhou e se comportou como uma verdadeira rainha apresentando a bateria frente aos módulos de julgadores. Vale destacar o figurino dos ritmistas “Seria a vida uma guerra?”, que vestidos de militares formavam um belo visual.

Eugênio Leal analisa o desfile da Grande Rio

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Cubango leva para a Avenida alegoria feita com doações de componentes

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Por Karina Figueiredo

Cubango Desfile2019 095

A Acadêmicos do Cubango levou para a Avenida um carro feito com doações de amuletos e objetos religiosos dos próprios componentes. Intitulado “Sala dos Milagres”, a alegoria tentou expressar a emoção que o espaço de devoção, conhecido na Igreja Católica, causa nos visitantes. É costume na Igreja Católica levar para a “Sala dos Milagres” imagens de graças alcançadas, o que podia ser visto na composição da alegoria. O intuito do carro era mostrar momentos considerados importantes para os componentes e fatos que marcaram o carnaval de 2018 da própria escola, conforme explicou o diretor geral de harmonia, Daniel Katar

“É um carro que tem objetos pessoais da escola, fotos, agradecimentos e o carnaval de 2018 volta com essa mesma estética porque ficou uma lembrança muito boa do desfile do ano passado. Foi um desfile apoteótico e muito bacana, por isso voltamos com esse tema”, declarou Katar.

Luiz Roldin, componente da escola, tentou explicar os objetos trazidos no carro.

“Esses personagens e decorações representam os ex-votos de diversas parte o país, que recebiam presentes do fiéis ao alcançar uma graça. Pedido de cabeças, braços, pescoço e tudo que é pedido aos santos foi colocado, assim como os símbolos para representar a Romaria onde os membros levam os seus ex-votos na mão. Na parte de baixo, são as pedintes através de casas para pedir uma moradia, ou seja, cada um para pedir o seu milagre”, explica o componente.

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As fitas do Senhor do Bonfim, também ilustravam o carro e falavam sobre a fé que os devotos tinham nos santos. A escola recebeu doações da comunidade como fotografias e algumas peças para compor a alegoria. Algumas partes do corpo humano foram produzidas com pano e boa parte da alegoria era composta por materiais leves e reaproveitáveis. Os personagens representaram as figuras do interior do país como os cangaceiros e a população do Nordeste.

Não foi só o carro que emocionou e prestou homenagem às crenças e religiosidade do povo brasileiro. O samba também reforçou o poder dos santos para virar a página triste da escola, conforme contou Thales Nunes, um dos compositores do samba.

“Nós fazemos uma homenagem ao enredo do ano passado sobre o coração bordado ao Divino Rei, foi um renascer da Cubango, aonde a nova direção assume e, a nossa parceria confia grandemente nos novos dirigentes. Dentro do samba deixamos uma homenagem a esse enredo que passou, porque ele mostra a virada da escola. Esse enredo vai brigar pelo título, esteticamente falando, por falar do Bispo do Rosário e outros temas”, opina o compositor.

Iracema Pinto, responsável pelos destaques de luxo do Salgueiro, morre no caminho do desfile

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iracemaO Salgueiro perdeu uma das suas principais figuras na noite deste domingo. Iracema Pinto, 78 anos, responsável pelos destaques de luxo, faleceu vindo para o Sambódromo para desfilar com a escola de coração. Ela sofreu um AVC no caminho da Avenida, foi levada para o Hospital Souza Aguiar, mas não sobreviveu.

Império Serrano 2019: galeria de fotos do desfile

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‘Samba-enredo’ do Império Serrano divide opiniões entre os componentes da escola

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Por Vinicius Vasconcelos

Imperio Serrano desfile2019 062

A tradicional verde e branco de Madureira resolveu mais uma vez ser vanguarda no que se refere ao quesito enredo e principalmente em samba-enredo. Apesar de possuir uma ala de compositores com nomes consagrados na história do carnaval, acatou a ideia de Paulo Menezes de transformar a eterna música de Gonzaguinha “O que é, o que é?” em trilha sonora para construção de um desfile de escola de samba no Grupo Especial. Escolha essa que dividiu a opinião entre os sambistas imperianos que estavam se concentrando para passar na Marquês de Sapucaí, na noite deste domingo.

Calu, componente da histórica ala dos cabelos brancos do Império confessou a equipe do site CARNAVALESCO que apesar de ter gostado da iniciativa, prefere a disputa de samba-enredo.

“Estamos na torcida para que a adaptação da música em samba-enredo funcione e nos traga notas boas. Mas, a minha opinião é que o mais correto numa escola de samba é que se tenha disputa de samba-enredo, para que nossos poetas não fiquem órfãos. Acredito naturalmente que a partir da escolha do Império em ter tomado a atitude sirva de inspiração para outras agremiações. Só que não mudo a minha opinião. Como integrante da ala dos cabelos brancos prefiro a disputa”.

O antigo mestre-sala da escola Cizinho, que desfilou em 1988 e 1994 exaltou a coragem do Império e acredita que seja forma de inspiração para os próximos anos.

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“É muita coragem do Império. É uma tradição da nossa escola inovar assim como foi em 82 com ‘Bumbum paticumbum Prugurundum’. Foi uma novidade naquela época e todo mundo criticava a nossa forma de samba-enredo. O resultado foi um Império campeão. Esse ano sabemos das nossas limitações, não está nos nossos planos levar o campeonato mas que vamos dar um trabalho na Avenida isso é certo”.

A componente Edna Eugênio, que pertence a velha-guarda do Império, afirma que prefere as disputas de samba-enredo mas não desaprova a escolha da escola para 2019.

“É uma novidade para o mundo do samba prestigiar um cantor da MPB. Só que eu prefiro as disputas de samba principalmente pelo clima gerado em torno da competição. Apesar disso hoje estou feliz com o que estou vendo e pode ser que se torne tradição nas demais escolas”, finalizou.